- Trouxas não tem nenhuma proteção contra os bruxos e ela sabe disso – disse uma voz fria e cruel. Infelizmente ela escolheu a Toca para ser palco dessas aulas particulares e não sua residência.
- Eu não perguntei sua opinião, Seboso – o sorriso sádico em seu rosto. Ela não aceitaria tão fácil a presença do outro. Podia ser somente a aversão que Black possuía por ele, mais a loira não confiava nem um pouco em comensais, mesmo que para todos os efeitos este tenha se regenerado.
- Ele é um membro da Ordem, talvez possa... – começou Edward num tom calmo, embora no fundo ele só quisesse retirar o enorme poder que a loira possuía. Óbvio que o sonserino não sabia sobre o passado do bruxo.
- Te matar na primeira oportunidade que ele tiver! – o brilho assassino em seus olhos deixava claro que não importasse o que dissessem, ela não aceitaria a presença do sonserino nem que lhe pagassem.
- Vejo que você ainda compartilha dos mesmos sentimentos que o Black! – disse cruelmente. O único ponto fraco que ele conhecia era o maroto.
- Não abra sua boca imunda pra falar do Sirius – disparou a auror, antes mesmo que o outro pudesse dizer algo. Severus sabia que estava num terreno extremamente perigoso. Nem mesmo Sirius conseguiu domar completamente a fera, apesar de entendê-la muito melhor que todo mundo. Ele estava numa corda bamba que a qualquer momento poderia ruir.
- Não vou falar. Eu tenho amor a minha vida – muito ao contrário do que ela pensava ele tinha sentimentos sim, só não os deixava tão a mostra quanto ela. Na realidade ele não conseguia demonstrar seus sentimentos nem sob pressão.
- Pena que não tem pela dos outros – alfinetou – Agora pode fazer o favor de se retirar ou eu vou ter que te azarar? – o brilho psicótico em seus olhos demonstrava claramente que ela não teria nenhum problema em fazer isso, aliás, ela nunca teve.
O mestre em Poções não duvida que ela realmente fosse azará-lo na primeira oportunidade que tivesse e realmente não estava a fim de descobrir até onde iriam os reais poderes dela. Sim, ele sabia que a auror era extremamente poderosa e o maior problema era a instabilidade emocional da loira. Ele era perigoso pelo seu jeito frio e calculista, ela era justamente por não saber qual seria seu próximo passo por conta de seu desequilíbrio. Era muito mais Black do que admitia.
- Antes de ir eu queria te fazer uma última pergunta. O quanto Black conseguiu te domar? – era uma pergunta que o atormentava há muito tempo. A língua afiada da Black demonstrava que ela não levava desaforo para casa.
O moreno estava à espera de uma resposta, entretanto a garota não parecia disposta a dar. Na realidade, ela estava perdida em pensamentos. Sirius Black foi o único que conseguiu atingir seu coração. Snape tinha uma ponta de razão. Padfoot conseguiu domá-la quase que completamente. Ela mandou todo o seu autocontrole e convicções para o inferno e se entregou totalmente a ele. Não que fosse admitir isso a alguém, nem sob tortura.
- Muito mais do que alguém conseguiu fazer com você – o rosado ainda cobria suas bochechas visto que a loira se lembrava claramente de como o moreno conseguia domá-la, principalmente na cama. Balançou a cabeça na tentativa de afastar tais pensamentos. Lembrar de como Black era capaz de possuí-la não ajudava nem um pouco em sua missão.
Severus desistiu de tentar arrancar uma resposta mais direta dela. A loira amava verdadeiramente o inconseqüente do Black tanto quanto ele havia amado Lily. Porém a julgar pelo colorido que cobria suas bochechas ele seria capaz de jurar que o moreno a tinha levado para a cama. Não que isso o importasse. Mais cedo ou mais tarde ele obteria as respostas que tanto queria descobrir.
A auror precisou de todo o seu autocontrole para voltar ao estado de concentração. Tinha que treinar um bruxo, uma trouxa, uma abortada e um mestiço que tinha seus poderes lacrados. Céus, Dumbledore lançou uma bomba sobre sua cabeça. Ainda não fazia a menor idéia de como iria conseguir fazer isso.
- Com quantos problemas você está dessa vez, Kam? – perguntou uma voz relativamente rouca em seu ouvido. Ela quase saltou com o susto se os braços fortes não a tivessem segurado – Não se lembra mais de mim, não? – com um misto de decepção e frustração ela reconheceu o dono da voz. Por mais que ele fosse gentil e amável não era nos braços dele que gostaria de estar.
- Claro que eu lembro Charlie – ela virou-se e o abraçou. Seria tão bom se ela pudesse ter alguém para ajudá-la nesse momento. Por mais que não fosse nos braços dele que gostaria de estar, ele era um amigo. Muito mais do que o quarteto que a cercava.
Neowën cerrou seus punhos com raiva. Não estava gostando nem um pouco daquele intruso. Como ele ousava abraçar sua garota tão possessivamente assim? Ele estava ficando louco. Kammy não era nada sua, absolutamente nada. Isso o frustrava completamente. Mais do que tudo, queria ter essa garota definitivamente em seus braços.
- Qual a missão que os velhos babões te deram dessa vez? – perguntou num tom brincalhão.
- Treiná-los – dava para vez a angústia e o medo presentes em sua voz.
- Que mal lhe pergunte, como você pretende fazer isso? – perguntou curioso. Sentia que nem todos ali eram trouxas como aparentavam ser. Magia era uma coisa muito leve e palpável para não ser notada.
- Imperius e Oclumência, pelo menos as meninas – a loira ainda não tinha a menor idéia de como iria fazer Edward se tornar praticamente um auror e quebrar a proteção que impedia os poderes do Lancaster de funcionar.
- É, eu já imaginava que eles não eram trouxas – comentou com uma pitada de brincadeira na voz. Ainda não tinha definido quem era o que, entretanto conseguia perceber claramente o sangue mágico que rondava o loiro.
- Eu não sou trouxa okay? – Belle cruzou os braços, irritada. Tudo que era ainda mais vergonhoso admitir sua verdadeira identidade, entretanto preferia ser chamada de abortada a trouxa.
- O que eles são, de verdade? – perguntou curioso, e um de seus braços ainda abraçava a loira carinhosamente notando, é claro, o olhar rancoroso que o moreno lhe dispensava.
- Uma trouxa, uma abortada, um mestiço e um sangue-puro – suspirou desanimada. Agora era preferia que todos fossem trouxas, pelo menos não iria ter que inventar um treinamento especializado para cada um deles.
- Faz o seguinte, eu ensino Oclumência pras meninas e você treina feitiços e encantamentos com eles – propôs conciliador. Não tinha tanto tempo assim para treinar o loiro devidamente, além de oclumência ser muito mais fácil de treinar do que uma série de feitiços e encantamentos ofensivos e defensivos. Ele não podia estar mais enganado.
- Ah, Charlie – ela pulou em cima dele e o beijou na bochecha. Definitivamente ele agradecia ao fato de Sirius estar morto. Não queria ter que enfrentar a fúria do moreno, apesar de que também não queria enfrentar o garoto que o olhava como se quisesse matá-lo.
No final da tarde nenhuma das duas conseguia mostrar o menor pingo de sucesso, enquanto Nixon já conseguira dominar com perfeição o Feitiço Escudo e o Azaração do Impedimento, além de estar quase dominando a Deflexão de Feitiço. Com certeza ele era um aluno aplicado. Edward pediu um tempo para descansar e a loira resolveu finalmente dar um pouco de atenção ao moreno. Enquanto não conseguia liberar a sua magia, pelo menos lhe ensinaria como se defender.
- O que está achando? – sentou-se na grama ao lado dele. Ao contrário de todas as outras garotas que conhecia, delicadeza e pompa não faziam parte de seu mundo.
- Você me abandonou – mesmo que estivesse sorrindo havia um tom de acusação em sua voz.
- Será mais fácil protegê-los se Edward puder me ajudar nisso – respondeu mesmo sabendo que não tinha nenhum dever de fazer isso. Era como se precisasse da confiança e da atenção do rapaz ao seu lado.
- Você está me devendo explicações até hoje – ele olhava para suas amigas tentando finalmente fechar sua mente. Não saiba por que, mais não conseguia encarar a loira nesse momento.
- Eu sei – ela também não conseguia encarar o moreno nos olhos e assim como ele preferia assistir ao Weasley dando aulas – O que você quer saber? – não estava com a menor paciência de explicar toda a história nos menores detalhes. Deixou que ele lhe fizesse perguntas sobre os exatos pontos que estava curioso.
- Tudo. Eu não quero que você me esconda nada.
- Voldemort está te procurando porque ele sabe que você não é um trouxa. Assim como a Ordem, ele sabe que você não é filho legítimo de Keenan, como também sabe que pode te usar para atingi-lo. Atingindo-o ele atingira todos os não-bruxos da Inglaterra. Entendeu a complicada situação? – claro que isso não era totalmente verdade, contudo também não sabia a outra metade. Quando soubesse contaria a ele.
- Então todo mundo só vai estar a salvo enquanto eu estiver, é isso? – para um trouxa até que ele assimilava rapidamente as coisas.
- Sim. Por isso a Ordem me pediu para te proteger, só que o seu pai não me aceitou por eu ser uma comensal, então eu tive que me disfarçar pra poder ficar ao seu lado – com essas palavras a auror conseguiu capturar a atenção do jovem agrônomo. Finalmente as histórias que ela contou começaram a fazer sentido.
- Da onde você tirou aquele nome? – perguntou curioso.
- Catherine Hegel era uma colega minha na Durmstrang. Era misteriosa igualzinha a mim. Eu não revelava meus segredos nem ela os dela. Como ela era sangue-puro eu resolvi me apropriar de seu nome para poder ficar perto de você – em outras palavras, não ser reconhecida e perseguida.
- Quem efetivamente está me perseguindo? – ainda duvidava que um bruxo estivesse perseguindo somente para obter controle sobre os não-bruxos.
- Voldemort, o maior bruxo das trevas que já existiu. Por enquanto ele só usou comensais e dementadores para te atrair.
- Dementes?
- De-men-ta-do-res – soletrou devagar para que ele entendesse – São seres que usam mantos pretos, sem face, que sugam toda a felicidade alheia causando um frio intenso que faz as pessoas reviverem suas piores lembranças.
- Aqueles seres altos e encapuzados que apareceram na primeira vez que nos vimos? – a fisionomia deles era muito forte e característica para ser esquecida.
- Na primeira vez que nós nos encontramos com a minha verdadeira aparência – corrigiu-o. Ainda não conseguia olhar o rapaz nos olhos. Não queria encontrar a raiva e decepção.
- Mas tudo que você falou na universidade era mentira? – perguntou cauteloso. Já tinha notado a instabilidade emocional dela e definitivamente não queria ser o alvo de sua fúria.
- Tudo que eu te falei aquele dia era verdade – a raiva fez com que ela reagisse imediatamente e o olhasse. Ele percebeu que os orbes estavam mais escuros do que antes. Escuros na cor mesmo. Era a primeira vez que a observava tão de perto assim. Apesar do azul piscina predominar, conseguia ver perfeitamente o cinza claro presente próximo a íris e ligeiramente mais escuro nas bordas.
- Por que você não quis falar do seu namorado? – segurou seu pulso antes que ela fugisse novamente do contato visual. Era uma pergunta que o atormentava desde aquele dia.
- Se você gosta um pouquinho de mim não me pergunte dele – pediu suplicante. Precisava de um tempo para conseguir falar abertamente de Sirius. Falar de seu relacionamento com ele.
- Tudo bem, eu não vou insistir – mesmo assim não largou o braço dela – Por que você aceitou me proteger? – também ficou se remoendo a respeito desse assunto.
- Não vou negar que era somente uma missão. Eu precisava de algo para distrair minha mente e me que mantivesse focada no trabalho. Mais tudo ruiu naquele dia na universidade. Eu via, aliás ainda vejo, algo em seus olhos que atraíram tanto a minha atenção. Algo que você esconde.
- Eu também tenho um passado.
- Pode apostar que não é tão obscuro quanto o meu – sorriu com amargura. Não era nada fácil abrir seu coração a um completo estranho.
Claro que possuíam muitos gostos em comum, mais ele ainda era um estranho em sua vida. Não era fácil admitir que antes de ser uma auror ela pertenceu ao lado negro da história. Havia torturado, matado e roubado muita gente antes de Alphard conseguir resgatá-la da escuridão em que vivia. Precisaria de muito tempo para ela conseguir confiar em alguém como ela confiava em Sirius. Já tinha superado parcialmente sua morte, entretanto contar toda a verdade a alguém estava fora de cogitação.
- Mais não é tão light quanto você pensa – sem que ela soubesse, Edward e Isabelle haviam se sentado ao seu lado e escutavam toda a história. Não sabia desde que ponto eles começaram a escutar e decididamente não estava a fim de descobrir.
- É difícil ter um passado tão pesado quanto o meu – Neowën apiedou-se dela e a passou um dos braços ao redor dela, trazendo-a para mais perto de seu corpo. Com certeza Rosalie implicaria se estivesse ali.
- Eu acabei causando a morte da única mulher que eu amei – mesmo que ainda fossem estranhos, ele sentia que podia confiar nela. Se não confiasse não teria contado isso. Foi por causa de um erro seu que Anne veio a falecer. Talvez se não tivesse reagido àquele maldito assunto ainda teria a garota ao seu lado.
- Você não causou a morte dela propositalmente como eu causei de muitas pessoas - ela riu com amargura. Mesmo se ela morresse agora com certeza não veria Sirius. Tinha cometido muitas coisas ruins durante o tempo que foi comensal. Tantos assassinatos e tantas mortes causadas por suas próprias mãos. Aquele passado a atormentava.
- Como se você tivesse tido coragem de matar alguém – alfinetou Rosalie. Não suportava ver essa garota hipócrita e metida nos braços de seu amado. Era um amor obsessivo e egoísta o que ela nutria pelo moreno.
- Realmente você deve gostar e confiar muito deles pra abrir seu passado dessa maneira – estranhou o Weasley. Ouvira os boatos que cercavam a auror, entretanto demorou a descobrir toda a verdade. O impressionante era ela ter o carinho e apoio de Sirius mesmo que este soubesse das extensões dos erros dela.
- Já está mais do que na hora de eu assumir os meus erros, mesmo que não possa consertá-los – desabafou. Aquela ida ao Ministério mudou todos os seus conceitos. Resolveu acatar o último pedido de Sirius, iria ser feliz para deixar o espírito dele em paz.
- Quem te fez mudar de idéia? – o ruivo pareceu aprovar a nova Kammy, contudo estava curioso para saber quem revolucionou a vida da garota.
- Sirius – os outros suspiraram desanimados, contudo Neowën sabia muito bem a que a garota se refeiria.
- Pára de pensar nele – implorou Charlie. Não agüentava mais ver a garota sofrendo por causa de um bruxo que já estava morto e muito bem morto.
- Os mortos podem voltar da maneira que ele voltou? – ela estava dando a brecha que ele precisava para descobrir mais do mundo ao qual ela pertencia e a sua vida.
- Sim. Tem a ver com um antigo conto – por hora preferia deixá-lo nas sombras quanto ao resto. Dumbledore certamente não iria querer a história das relíquias correndo por ai.
- Mais mentiras, com certeza – novamente Rose alfinetou. A garota não estava acostumada a ter seu território invadido daquela maneira.
- Se você não sabe conquistar um homem eu não tenho culpa – os comentários da loira atingiam muito mais Hallemberg do que o contrário.
- Ele estava igualzinho a aquela foto – o moreno comentou mais para si mesmo do que para o grupo – Por que ele estava com aquelas tatuagens? – perguntou a garota que ainda mantinha presa em seus braços.
- Sirius passou doze anos preso em Azkaban com os dementadores. Prisão dos bruxos – esclareceu ao ver a confusão estampada no rosto dele.
- E como você o conheceu? – finalmente estava começando a juntar os pontos. Acabará de descobrir que o namorado do qual ela não queria falar era o próprio moreno. Também percebeu o tom de amargura presente na voz da loira sempre que o assunto chegava em Sirius.
- Fudge disse que eu precisava de um tutor até completar a maioria. Um tutor que tivesse o mesmo sangue que o meu. Eu procurei Andromeda, mais ela se recusou. Então eu tive que recorrer ao Sirius.
- O Sirius era seu namorado, não é? – precisava ouvir da boca dela essa verdade, entretanto a garota paralisou em seus braços depois que ele fez a pergunta. Não esperava que ele fosse tão perspicaz desse jeito.
- Sim – foi Belle quem respondeu – O motivo deles se entenderam tão bem era que Sirius também é um Black e conhece os podres de sua família muito bem.
- Sirius foi o primeiro Black a não ir para a Sonserina – dessa vez quem começou os esclarecimentos foi Charlie – Ele tinha sérios problemas com a sua família, tanto é que fugiu de casa aos 16 anos. Ele foi morar na casa de um amigo, James Potter.
- Você está dizendo que ele é parente daquele pivete que Voldemort tentou matar? – continuou mesmo sem esperar uma resposta – Aquele garoto vai acabar como o nosso mundo, todos vocês sabem disso.
- Aquele pivete por um acaso é meu primo – Black soltou-se dos braços fortes que a acolhiam e agora fuzilava Nixon com o olhar – Nem ouse cogitar a possibilidade de entregá-lo aos comensais.
- Acho que vou ter que cantar pra você relaxar – o moreno a puxou novamente para seus braços e ameaçar cantar. Música sempre era capaz de acalmá-lo e tinha a convicção que também acalmava todas as pessoas. Sua voz era razoavelmente boa, entretanto a garota o interrompeu.
- Não seja por isso. Eu tenho alguns CD's lá em casa – ela sorriu. Música trouxa era das coisas que ela mais amava na vida.
Hoje não haveria reunião, então poderia passar o tempo que quiser em sua casa. Se deveria começar a viver com um trouxa, precisava parar de aparatar a todo instante. Convidou todos para ir para sua residência, inclusive o ruivo, que nunca havia escutado música trouxa. Depois que todos se acomodaram devidamente em seus lugares, a auror engatou a marcha e partiu em alta velocidade.
Como sempre não conseguia deixar a adrenalina de lado. Retirou os habituais feitiços de proteção e todos puderam desembarcar nos jardins da residência. Não que todos tenham ficado felizes com isso. Rosalie ainda estava com uma expressão fechada ao ver como os dois se olhavam abobadamente, mesmo que nenhum tenha se dado conta desses olhares.
Apesar de já terem estado na casa, todos a observavam como se fosse a primeira vez. Só agora que Neowën percebeu que havia uma enorme instante na casa. Havia vários livros pousados sobre ela, entretanto o que mais chamava a atenção era a enorme pilha de CD's empilhados ordenadamente no canto esquerdo do móvel. Sabia que seria falta de educação, entretanto estava louco ver quais os CD's que ela possuía. A curiosidade palpitava forte em suas veias.
A Black pareceu notar seu interesse, pois foi até a estante e pegou um dos CD que estava mais no alto. Colocou-o no aparelho e logo o som da guitarra invadiu o ambiente. Pegou o moreno pela mão e se deslocou até o centro da sala.
- Rock não se dança, se canta – tentou a todo custo fazê-la mudar de idéia. Definitivamente dançar não era o seu forte.
- Isso é rock antigo. Só relaxe que eu te conduzo.
Não estava se importando nem um pouco se teria platéia. Quem deveria conduzir era ele, mas isso não importava no momento. Eles giravam e bailavam pela sala como se mais nada importasse. Ela também não sabia dançar essa música quando a escutou pela primeira vez. Até estranho que ele não reconheceu a música. Os Beatles eram mundialmente conhecidos.
Ela cantava e ao mesmo tempo o conduzia. Somente nos últimos acordes que o moreno finalmente reconheceu a banda. Jamais suspeitaria que ela gostasse de rock antigo. Pelo que haviam conversado na universidade, todas as bandas que ela apreciava fizeram sucesso recentemente.
- Onde você aprendeu a dançar desse jeito? – perguntou curioso, ignorando os olhares rancorosos que sua melhor amiga estava lançando. Twist and Shout era uma das músicas mais conhecidas do quarteto de Liverpool.
- Sirius. Eu aprendi a gosta de música trouxa com ele – pela primeira vez ela sorriu verdadeiramente com a lembrança. Aos poucos Sirius se tornava uma lembrança agradável ao seu coração.
- Que bandas você tem aí? – perguntou Tyler com os olhinhos brilhando. De todos do grupo ela era a que mais amava música, não que os outros não gostassem, mais por ter sido obrigada a conviver sem magia, ela se afeiçôo a primeira coisa que curou o seu vazio.
- Veja por si mesma – sorriu amavelmente. Sabia que ambos, tanto Belle quanto Neo, estavam loucos para ver seus CD's.
Os dois não esperavam outro convite para avançar sobre os CD's. Ela tinha realmente uma enorme variedade. Desde Beatles, Queen e Pink Floyd, passando por Aerosmith, U2, Metallica, Gun N'Rose, Green Day, Red Hot Chilli Pepers até chegar as bandas mais atuais como Evanescence, Linkin Park, Paramore e o vício de Neowën, Avenged Sevenfold. O único CD que nenhum dos dois conheceu era intitulado como Marauders.
- Eu não acredito que você tem isso – ele pegou o CD de sua banda preferida e colocou no display.
Aumentou um pouco o volume e logo o som da guitarra invadiu o ambiente, porém ainda num tom que era possível conversar. Kammy sorriu ao ver a felicidade do moreno. Ainda teriam um longo caminho a trilhar, porém estava feliz de ver que finalmente estava conseguindo se dar bem com todos, quer dizer, quase todos. Demoraria para ela e Rosalie finalmente se entenderem.
Assim que a música terminou, Belle começou a implicar, pois também queria ouvir seu CD predileto. O moreno somente permitiu depois que sua segunda música preferida da banda fosse ouvida. MIA era perfeita, seu único problema era que tinha quase nove minutos de duração. Já Tyler preferia um estilo de música um pouco mais tranqüilo, algo como Green Day. E Edward definitivamente preferia o som do metal pesado, representado por sua banda preferida, Mettalica. A única que não se manifestou quanto ao assunto foi Rosalie.
Enquanto as músicas eram trocadas repetidamente no display, a auror apoiou sua cabeça no ombro do moreno e se deixou ficar. Estava cansada demais. Não dormia direito a quase quatro noites e definitivamente não pretendia passar essa noite acordada a custa de uma poção. O cansaço finalmente a venceu. Ela adormeceu no ombro de Neowën, mesmo com o som estridente da guitarra invadindo todo o ambiente. Sem a auror eles não tinham como quebrar os feitiços de proteção. Na realidade até tinha, mais o Weasley já havia notado o interesse que ambos demonstravam um no outro e resolveu ajudar.
Foi Charlie quem encontrou a solução perfeita, já que aparentemente eles tinham que passar a noite ali. Ele conjurou três sacos de dormir e o espalhou pela sala. Os meninos dormiriam na sala ao passo que as meninas dormiriam no quarto de hóspedes e é claro que Kammy repousaria em sua confortável cama. O moreno se dispôs a colocá-la na cama ao passo que Rosalie se levantou e o seguiu para impedi-los de dormir juntos. Contrariado, teve que deixá-la dormindo sozinho com Rose em seu encalço.
Mais de duas horas já haviam se passado e ele revirava de um lado para outro em seu saco de dormir. Tudo que queria era estar ao lado dela na cama e observá-la dormir. Ouviu passos no corredor e imediatamente fechou os olhos. Não queria ter que lidar com sua melhor amiga nesse momento.
- A Rose já dormiu. Pode ir lá tranqüilo – ele abriu os olhos e piscou confuso. Demorou uns segundos para a imagem de Isabelle entrar em foco – E não se preocupe. Você sabe que ela não acorda tão cedo.
- Obrigado. Eu não sei o que fazer para agradecer – abriu-se em sorrisos sinceros. Não tinha como retribuir tudo que ela estava fazendo.
- Só continue sendo feliz, porque eu nunca te vi tão feliz e interessado em alguém do jeito que você está agora desde a morte da Anne – seu amor desejo era ver seus amigos felizes, sempre.
- Isso não depende de mim – suspirou pesaroso. Dependia única e exclusiva da bruxa que dormia no andar superior.
- Caso não percebeu, você também está curando as feridas da Kammy. Agora vá, porque eu não sei quanto tempo falta para amanhecer e eu tenho certeza que nesse momento você prefere a companhia dela.
Somente sorriu. Sua amiga tinha razão. Era a companhia daquela louca e inconseqüente que ele queria nesse momento. Assim que chegou as escadas começou a andar mais devagar, afinal não queria ser descoberto. Não que a loira fosse afastá-lo, pelo contrário, era com Hallemberg que estava preocupado. Inconscientemente prendeu a respiração quando passou pelo quarto da garota só voltando a respirar normalmente quanto estava em frente ao quarto da anfitriã.
Abriu a porta cautelosamente, pois não sabia o quanto o sono da garota era leve. A cena que encontrou o abalou profundamente. Kammy estava levemente esparramada na cama, de bruços, e um de seus braços abraçava carinhosamente um ursinho rosa.
Os lençóis que antes a cobriam agora estavam ao seu lado na cama, deixando suas pernas completamente expostas. Ela tinha bela coxas. Aproveitou o momento e se deixou observá-la ainda mais. Seu olhar subiu um pouco alcançando seu bumbum arrebitado. Definitivamente ela possuía um belo conjunto.
- Vai ficar muito tempo me olhando ou finalmente vai dizer por que entrou tão sorrateiramente não meio quarto no meio da madrugada?
Ela sentou-se na cama, revelando agora seus seios. Ela não possuía seios grandes e fartos, entretanto os que ela ostentava pareciam caber perfeitamente em sua mão. Tudo isso completado por uma personalidade única e sincera. Céus, como uma garota poderia abalá-lo tanto?
- Eu precisava te ver – resolveu ser sincero.
- Me ver ou estar na minha cama? – apesar de seus olhinhos estarem pequenos, ela escondia o sorriso maroto pela escuridão da noite.
- Os dois. Posso? – estava com medo da resposta, mais resolveu mergulhar de vez naquele universo novo e desconhecido.
- Somente se me fizer dormir – ela finalmente deixou o sorriso maroto tomar conta de seus lábios.
O Lancaster não esperou outro convite para se unir a ela na cama. Abraçou-a e com uma de suas mãos começou a fazer cafuné na cabeça da garota. Ela praticamente adormeceu instantaneamente em seus braços, contudo ele custou a dormir. Eles estavam deitados lado a lado, e o moreno conseguia sentir o bumbum dela roçando em sua calça. Isso estava atiçando. Se continuassem nessa posição ele logo sentiria que iria ficar excitado. Ele respirou fundo e tentou se acalmar o suficiente para conseguir dormir, entretanto ainda demorou a conseguir isso, pois o perfume de lírios que ela usava invadiu suas narinas, atiçando ainda mais seus sentidos.
oOoOoOoOoOo
Keenan não agüentava mais tantas bombas estourando de uma só vez sobre sua cabeça. Cada vez mais mortes inexplicávais aconteciam. A população inglesa já estava em estado de alerta máximo. Não sabia o que era pior, tudo que estava acontecendo ao seu povo ou saber da verdade e não poder divulgá-la.
Ligou a televisão mais por costume do que vontade de assistir ao noticiário. Antes não a tivesse ligado.
Damon York estava ao vivo na BBC. Isso não tinha como ficar pior. Para variar ele estava atacando publicamente, e exigindo sua renúncia visto que não estava conseguindo contornar a crise que se instalará. Mais como dominar uma crise causada por bruxos se nem os próprios bruxos estavam conseguindo dar conta do recado? A única coisa que conseguia acalmar seu coração conturbado é que ao menos no dia anterior não teve que se preocupar com seu filho e esperava que continuasse assim.
- Precisa de alguma coisa, Primeiro-Minstro? – perguntou Kingsley solicito. Ultimamente estava se mostrando seu único e verdadeiro amigo. Que ironia do destino. Gaba-se de ter amigos fortes e poderosos, no entanto nenhum deles permaneceu ao seu lado ao ver o barco afundar. Somente o bruxo continuava ali, diariamente ao seu lado.
- Creio que o que eu preciso você não pode me dar.
- Não ligue para o que ele fala. Você está lidando com uma crise de grandes proporções muito melhor que todos os seus antecessores.
- Do que adianta se todos querem minha cabeça a prêmio? – perguntou no mesmo instante que seu rival dizia que ele estava incapacitado para lidar com um quadro como o que se instalara.
- Adianta que apesar de todos os infortúnios você mantém a maior parte dessa população viva não se rendendo aos caprichos de Lord Voldemort.
- Infortúnios? Duzentos e cinquenta e três assassinatos em menos de um ano, dez pontes arruinadas, sete furações e nove ministros tirados de circulação. Acho que infortúnio não se aplica a minha situação – seu tom de voz ia aumentando a medida que falava. Estava irritado, confuso e sem saída.
Não demoraria muito para a própria rainha vir ao seu gabinete exonerá-lo do cargo e por outro em seu lugar. Até conseguia imaginar o sorriso presunçoso de seu arquiinimigo ao ver sua derrota. Definitivamente precisava fazer alguma coisa. Ergueu os olhos para o aposento finalmente notando que Shacklebolt não estava mais ali. Arrependeu-se na hora de ter despejado todos os seus problemas em cima do auror. Era o único amigo que tinha para se agarrar e continuar lutando.
Decidiu engolir seu maldito orgulho e ir lá pedir desculpas. Se quisesse continuar no cargo ele teria que obter ajuda. A nevoa encrustada em sua janela não ajudava nem um pouco a aliviar sua tensão, pelo contrário, só a aumentava, pois inúmeros cidadãos londrinos poderiam estar nas mãos dos dementadores agora. Definitivamente preferia ser primeiro-ministro quando tudo estava calmo e não quando a tempestade estava rugindo.
Abriu a porta cautelosamente e encontrou Kingsley sentado em sua escrivaninha, trabalhando furiosamente em algo que ele não conseguia ver o que era. Venceu a pouca distância que os separava e parou bem na sua frente.
- Tem um tempo pra mim?
- Eu sempre tenho tempo para você, Primeiro-Ministro – o bruxo largou imediatamente o que estava fazendo e virou-se para encará-lo.
- Keenan. Chame-me de Keenan – pediu. Se tinham que trabalhar juntos era melhor começar a ter um relacionamento de amizade e confiança, não baseado em trabalho e serviço – De verdade Kingsley, você trabalharia para mim se tivesse escolha? – seus orbes castanhos escuros demonstravam toda a sua dor e angústia.
- Realmente não tenho como te responder – o auror pareceu confuso com a pergunta, entretanto não perdeu o jogo de cintura – Mais de todos os trouxas com quem eu já trabalhei certamente você é o mais honesto e confiável – abriu um sorriso especialmente para o político. Era como se soubesse que ele precisava ouvir isso naquele momento.
- Eu não sou tão honesto assim.
- Mais é amoroso e gentil – rebateu – Eu já observei inúmeras vezes o carinho que você dispensa ao seu filho e a sua esposa – ele levantou-se, contornou a mesa e colocou a mão no ombro do outro – Não se preocupe, você ainda é o melhor Primeiro-Ministro que essa cidade já viu.
- Então me ajude a continuar sendo esse melhor Primeiro-Ministro – estendeu as mãos para o bruxo antes de falar – Amigos?
N.A.: depois de um longo tempo sem postar um capítulo novo finalmente estou de volta õ/ A outra fic já foi encerrada e agora posso me dedicar exclusivamente a essa *-*
Para quem não se lembra, Charlie é o segundo filho de Molly e Arthur, mais conhecido nas versões brasileiras como Carlinhos xD
Novamente essas duas estavam se alfinetando *-* Quero ver a Kammy conseguir se dar bem com a Rose.
As bandas trouxas estavam na ordem em que elas estouravam. Quase todas elas eu já ouvi e são muito boas, apesar de que provavelmente algumas delas não existiam em 1997 (ano em que se passa a fic), mais relevem isso, okay?
Finalmente a fic está começando a fazer jus ao aviso, NC 17, apesar de que ainda vai demorar para esses dois finalmente se renderem.
Agora quanto ao novo personagem o Damon. O primeiro-ministro realmente tem um rival, mais seu nome não foi revelado, então na fic ele se chama Damon York. Damon significa que "tem garra" e York é uma das duas famílias que participaram da guerra das duas rosas. Não por coincidência (a autora planejou xD) a outra família se chamava Lancaster, sendo representada por Keenan e Neowën, apesar que o moreno não é um Lancaster de nascença.
Espero que tenham curtido o capítulo e continuem acompanhando õ/
Beijos
