Capitulo IX

Ficar quieto. Eu posso fazer isso. Quer dizer, não é realmente difícil, é? Principalmente em uma sala completamente vazia. Eu falaria com quem, afinal?

E silêncio é bom, de qualquer forma. Encontrar a si mesmo, conversar com seu eu-interior. O meu, pro exemplo, diz que é besteira eu ficar me auto-destruindo por causa da Lily.

- Anny, dessa vez você não me escapa! – falando no diabo... – Você vai me contar tudo sobre o seu encontro com Stanley White, e conto sobre o...

Assim que ela me viu, ficou completamente constrangida. Ainda trajando um vestido preto de noite, e já completamente sem maquiagem, me olhou, assustada.

- O que você está fazendo aqui?

- É minha sala também, caso você não saiba. – respondi, ríspido. Vamos lá, James, não diga mais nada. Eu sei que você consegue, não diga mais na... – Você esteve com o Prewett.

Isso, parabéns, idiota. E o prêmio de babaca do ano vai para...

- Isso não te interessa. – ela disse, enrubescendo.

- Não foi uma pergunta.

- Mas a resposta continua a mesma.

Será que ela não vê?

- Ele não presta, Lils.

- Você não presta. – ela se aproximou de mim surpreendentemente rápido. – E, além de tudo, andou bebendo. Francamente! Será que sem uma mulher regulando, você vai ficar permanentemente bêbado?

- Eu já tenho uma mulher pra cuidar de mim.

Grande, Potter. Agora também já pode cavar um buraco e se enterrar nele, ok?

- Ah! Sim, sim... – coçou a cabeça, pensativa – Claro. Aquela Mandy... Wendy...

- Cindy. – corrigi, mesmo sabendo que ela estava fazendo de propósito.

- Isso! Cindy. Sabia que era algo assim...

- Pensei que eu fosse ruim com nomes. – Ahá, te peguei! – Já, você, tem memória de elefante.

- Você é relapso, Potter, é diferente. Confunde nomes, vozes... O corpo inteiro...

HÃ?

- O que quer dizer com isso? – perguntei, confuso, e ela percebeu que falara demais.

- Nada. Nada, James. Vamos esquecer isso, sim? – Lily tentava se esquivar de qualquer forma – Eu só vim procurar a Anny, mas falo com ela outra hora, e... – foi se afastando, a passos rápidos – Você já tem companhia nova, eu também... Pra quê mexer nisso de novo? A ferida já 'tá fechando, é melhor deixar assim...

- Não é, não! – cortei, segurando seu braço.

Ficamos nos encarando por um tempo, e eu achei que Lily me contaria porque foi embora sem mais nem menos. Ela estava encurralada, sem saída, e teria que abrir o jogo.

Então Anya apareceu, com os cabelos louros balançando de um lado para o outro, e o sorriso habitual. Falando bem sinceramente, aquela foi a única vez na vida em que não fiquei feliz em ver minha melhor amiga.

- James, acabei de... AH! – ela gritou, e derrubou uma xícara ao ver-me segurando o braço de Lily. – Ai meu Deus!

Quando vi, eu já estava sentado de novo em minha cadeira, e Anya rodeava Lily, toda preocupada.

- Ele te falou alguma coisa? Vocês brigaram? O que ele fez? Eu disse pra ele não falar com ninguém!

A cada resposta de Lily ("Besteiras." "Não". "Nada, Anny, esquece isso."), ela ia ficando um pouco mais calma. Virou-se para mim, apontando o dedo bem para o meio da minha cara.

- Você não conhece o sentido de "fica quieto!", né? – revirou os olhos – Um pedido tão fácil, meu Deus do céu...

- Hey! Eu não fiz nada! – retruquei, na defensiva – Ela que veio falar comigo!

- O quê? – Lily gritou, chocada – Anny, eu estava procurando você. Cheguei aqui e esse... indivíduo ficou me atirando pedras.

Anya meneou a cabeça, pressionando as têmporas, de forma cansada.

- Não dê importância, Lily. Ele andou bebendo um pouco além da conta.

- Bastante além da conta, você quer dizer. Percebe-se de longe.

- Será que você poderia nos deixar a sós um momento? – a loura perguntou, e Lily assentiu com a cabeça – Te conto as novidades uma outra hora, pode ser?

- Claro, sem problemas. – se despediu de Anya, me lançou um olhar rancoroso, e foi embora.

- Você já está um pouco velho para precisar de babá, James. – Anya disse, e suspirou – E eu estou cansando de ter de cuidar de você o tempo todo, como se tivesse seis anos.

- Mas, Anny, eu não...

- Vem, vamos pra enfermaria. – a loura cortou, puxando-me pelo braço – Eu disse ao Moody que você não vai poder encontrá-lo hoje porque bateu a cabeça e está com fortes dores.

- Quê? Mas eu não... AI!

- Pra ficar mais realista – ela sorriu – Você sempre foi um péssimo mentiroso.

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Ótimo. Agora, além de bêbado e mal-humorado, eu também estou com um galo enorme um pouco acima da nuca – doendo horrores, por sinal. Estamos quites, então, Srta. Dickenson.

- Você não devia ter me batido com aquele peso de papel. – resmunguei, alisando o hematoma, enquanto nos dirigíamos à enfermaria – Vai ficar roxo.

- Eu já disse que tinha de parecer real! – ela respondeu – A enfermeira é minha amiga, mas é melhor garantir, certo? E, se Moody aparecer na nossa sala, é bom que te veja bem mal...

Fui resmungando o caminho inteiro, lançando à maldita Dickenson olhares mortais, periodicamente. Chegamos, e me deparei com uma linda enfermeira de cabelos e olhos azuis. Sem demora, preparei meu melhor sorriso.

- Pois não? – ela perguntou, me olhando diretamente.

- Julie – Anya quem respondeu – Lembra do meu parceiro, James Potter?

- Claro – ela assentiu – namorado da Evans.

- Ex-namorado. – corrigi, erguendo o indicador – E, me desculpe, mas eu não me lembro de você.

- Jura? – ela pareceu desapontada – Irmã de Brooke Simons. – sorriu – Você trombou agradavelmente conosco na última festa do Ministério. Não se lembra mesmo?

Comecei a tossir. De Brooke Simons eu bem me lembrava.

- Não. – respondi, e passei a mão sobre meu machucado, soltando um gemido.

- Oh, o que você tem aí? – a moça dos cabelos azuis perguntou, vindo olhar o hematoma que a maluca da Dickenson me deixou.

- Ele bateu a cabeça. – a loira disse, inocentemente.

A enfermeira – Julie, se não me engano – apertou justamente onde estava doendo, e eu dei um berro.

- Isso 'tá bem feio, Potter.

- Eu vou morrer? – perguntei – Se eu ficar retardado, Dickenson, ou pior, tiver alguma marca visível, você vai se complicar comigo!

As duas começaram a rir, e eu percebi que Julie estava brincando.

- Não é nada mortal. – ela disse, ainda rindo – Nem vai te deixar retardado... Eu acho. – acrescentou, pensativa – Peraí.

Ela saiu, e retornou logo em seguida, trazendo uma bolsa de gelo, uma cartela com quatro comprimidos e um pedaço de papel.

- Tome – ela colocou a bolsa de gelo no machucado – Logo, logo, desincha, mas eu acho que vai ficar roxo. – acrescentou, e eu olhei feio para Anny.

- Você tem algo para dor? – perguntei, fazendo manha.

- Só para os próximos porres. – ela respondeu. – O quê? Achou que não dava pra perceber? – me entregou a cartela de remédios, rindo – É trouxa, mas funciona melhor que qualquer poção que eu conheça.

Olhei curiosamente o pacotinho em minhas mãos.

- Funciona mesmo?

- O santo milagreiro contra a ressaca, você vai ver... Tome um antes da festa, e um no final dela; é tiro e queda.

Antes de eu ir embora com o remédio e a bolsa de gelo, Julie se aproximou, e enfiou algo no bolso interno da minha capa.

- Meu telefone, em caso de dúvidas ou reclamações. – deu um sorriso e uma piscadela sugestiva.

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- As irmãs Simons! – Anya exclamou, incrédula, enquanto voltávamos. – Você é impossível, Potter.

- O quê? Hey, eu não fiz nada, você viu! – me defendi, pela segunda vez – Pra falar a verdade, eu não me lembrava mesmo dela.

- Ok, e Brooke? Seu "não" de forma alguma me convenceu.

Voltei a tossir, e me remexi, desconfortável.

- Claro que eu lembro dela. Impossível esquecer aqueles peit... olhos. Mas nós nunca tivemos nada.

Anya ergueu as sobrancelhas, disposta a duvidar de mim.

Entenda, Brooke é estonteante: longos cachos negros e olhos violeta. Uma combinação magnífica, se me permite dizer, e eu realmente adoraria sair com ela... Mas não saí, e não gosto de levar fama sem ir pra cama, embora não me incomode em ir pra cama sem a fama.

- Sério! Tirando aquele dia na festa... E um outro acidente... Eu nunca nem cheguei perto dela!

- Que outro acidente? – Anya perguntou, um pouco irritada, e interessada demais para o meu gosto.

- Nada de mais, nada que te diga respeito. E eu não estou falando com você, maníaca do peso de papel.

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Voltamos à nossa sala – ambos emburrados – e encontramos Sirius esparramado na minha cadeira.

- E aí, Pontas, melhor?

- Ele bateu a cabeça, e pode até ficar retardado. – Anya respondeu por mim, com aquele jeito inocente completamente irritante.

- Por Merlin! Eu não bati a cabeça – apontei para a loura má – Ela me agrediu!

- Que absurdo, James! – ela devolveu, de olhos arregalados, fazendo sinais estranhos para Sirius, que nem se importava em tentar disfarçar o riso.

Irritado, apontei para ele, e falei bem rápido:

- Você: pare de rir, ou eu conto que você broxou com a Bella! – da mesma forma, me voltei para Anya, também falando rápido – E você: fique quieta, ou eu conto que você saiu com o perdedor do Stanley White, ontem à noite!

- Você não ousaria! – os dois gritaram ao mesmo tempo, e, ao perceberem que eu já havia dito, saíram da sala o mais rápido possível e correram para lados opostos no corredor, completamente envergonhados.

Sinceramente, meus amigos são patéticos. Eu sou um retardado com amigos patéticos.

Com exceção de Remus, é claro, porque ele não é. Ele é inteligente, e 'tá estudando pra ser professor, e... E é totalmente não-patético. Quer dizer, ele pode ser tudo no mundo, menos isso. E não fica me sacaneando, portanto é um bom amigo não-patético.

Pena que ele tem uma noiva megera, que dificulta o encontro dele comigo e meus amigos patéticos. Ela, Kate Rogers, é uma trouxa maluca e ciumenta, e o relacionamento dele é muito desarmônico, pode ter certeza. E ela não suporta a Anya (embora agora eu entenda o por quê. Ela pode ser bem irritante, quando quer), assim como não suporta o Almofadinhas (perfeitamente compreensível) e a mim (agora isso eu não entendo.)

Às vezes eu penso que Remus é cego. Ou burro.

Ou cego E burro.

Quer dizer, ele é um cara legal, sabe? Um dos poucos que eu conheço; ou um dos poucos que ainda restam.

Enfim, o ponto onde quero chegar é que ele merece uma garota legal como ele, e não uma trouxa maluca como a Rogers. Mas eu já percebi a duras penas que esse tipo de coisa a gente escolhe inconscientemente, sem nem ouvir o que o cérebro grita, desesperado.

Digo isso porque, se fosse diferente, eu nunca teria me apaixonado pela Lily. Ou você acha que eu procuraria alguém tão destrutivo quanto ela? Ela definitivamente não faz bem para o meu ego, e/ou para minha saúde, e/ou para minha sanidade. Possivelmente os três.

Tsc, certamente os três.

Droga, por que essa mulher não pode me deixar em paz? Já não basta eu ter de vê-la todos os dias, ainda fico pensando nelas nas raras horas em que 'to sozinho? Céus!

Preciso de café...

Não. Preciso de um cigarro.

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Dizem que a melhor maneira de evitar a ressaca é manter-se bêbado, e às vezes eu concordo. Você não tem aquele sentimento de que sua cabeça vai explodir – que eu estou tendo agora –, por exemplo.

Anny e Sirius estão aqui, arrumando as coisas para uma batida em Essex. Acho que eles decidiram ignorar o que ouviram a respeito um do outro, pois estão agindo naturalmente, como se nada tivesse acontecido – e como se eu nem estivesse presente.

Droga! Você tem uma noite de cão, enxuga todas, não dorme nada, briga com sua ex-namorada e, no final das contas, ainda leva um peso de papel na cabeça. Resumindo: sua vida é um lixo, e você só está esperando o fim do expediente para ir pra casa dormir e não acordar nunca mais; e os melhores amigos que você tem no mundo todo estão na sua sala te ignorando completamente. Dá pra piorar?

É. Dá, sim. Não sei onde, diabos, eu enfiei minha carteira de cigarros.

Mas Anya sabe onde está; porque ela sempre sabe. O problema é que ela se quer me olhou, desde que entrou na sala. Será que é seguro perguntar?

- Anny? – chamei, incerto.

Ela estava mexendo numa porção de papéis, e nem se virou, mas soltou um tipo de grunhido pra dizer que estava ouvindo.

- Você sabe onde eu guardei minha carteira de cigarros?

- Não. – ela respondeu. Prática, rápida, e grossa. Praguejei baixinho – Mas você sempre guarda uma reserva na segunda gaveta.

Verdade! Como eu não pensei nisso?

- Obrigado, Ann, você é um anjo! – agradeci, abrindo logo a gaveta e vislumbrando aquela maravilha.

- Você não precisa de um anjo. – ela disse, juntando suas coisas – Ou, talvez, apenas não mereça um. – puxou Sirius pelo braço, e os dois saíram.

Sirius foi embora sem falar comigo, e Anya – quando falou – foi grosseira.

Legal. Agora eu não sou um retardado com amigos patéticos.

Eu sou um retardado sem amigos – patéticos ou não.

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N/A – Quem fala o que quer, ouve o que não quer, certo? Em todos os sentidos. Bem feito pro James. ;)

E então, pessoal, primeiro post do ano, certo? Tudo bem que já correram aí mais de dez dias, mas ainda 'tá no começo né? IAUHiauhAOIhaUHAIh xD

Agora, sério, gente. 13 reviews? Nossa, até emocionei, de verdade! . Eu adoro tanto vcs que, NOSSA, espero diiiiiiiiias pra poder ler as reviews que escrevem e nunca me decepcionam. É principalmente isso que me faz continuar escrevendo, sabe? Poder saber que tá agradando, e os comentários são a prova disso né? ;) (completamente boba, pq nunca tinha recebido tantas reviews no msm cap)

Agora vou aproveitar pra fazer uma propagandinha básica da minha comu, que está às moscas.. ; Bem que vcs podiam entrar lá e fazer aquilo bombar né? Eu ia ficar bem feliz e MUITO mais animada pra postar, claro. (AUIhaiUAHoiuah aquela que nem é chantagista, quase.. haha xP) Para os interessados, o link tá no meu profile xD

Hm, só isso então. Espero que tenham gostado, e não esqueçam de comentaaaar ok?? Adios e beijinhos a todos!! ;D