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Bem, eu pretendo postar só mais uma coisinha como acréscimo... Mas, tecnicamente, chegamos ao final.

Eu espero que tenham gostado e agradeço do fundo do meu coração todo o apoio que vocês me deram... Mesmo os que não deixaram review, só por terem lido: meus mais sinceros agradecimentos.

Significou muito para mim porque voltei a escrever agora depois de um período muito difícil, então...

Muito, muito obrigada. E até a próxima! sz


Uma ou duas piscadas mais longas. Não posso dormir. Pálpebras pesadas. Não vou dormir. Corpo ficando mole. Tarde demais para lembrar a si mesmo uma terceira vez: vencido pelo cansaço acabou por pegar no sono. Numa posição um tanto desconfortável, fato. Estava meio sentado meio deitado, a cabeça levemente tomada para o lado, pendendo no ombro. A boca um pouco aberta. Mas estava tão, tão cansado de esperar...

Um peso sobre seu corpo o acordou sabe-se lá quanto tempo depois. Naruto abriu os olhos de forma sonolenta. A visão demorou um pouco para entrar em foco meio ao breu do quarto e então... Olhos vermelhos chamaram sua atenção. Ele arregalou os olhos, alerta por um segundo e se agitou, mas então uma mão tapou-lhe os lábios. Então ele reconheceu quem era. E tirou a mão de Sasuke de cima de sua boca com um tapa.

— Teme! Você demorou! — um sorriso brotava-lhe nos lábios. Os olhos brilhavam. A expressão de Sasuke, no entanto, era séria. Ele estava sentado no colo de Naruto, cujo corpo tinha preso entre suas pernas. As mãos caídas ao lado do corpo. Naruto moveu uma das suas para acariciar o rosto do Uchiha.

Recebeu outra explosão de reação. Num bote certeiro, Sasuke segurou sua mão com força antes que o contato de peles fosse estabelecido. E então Naruto viu... Viu a expressão do outro se contorcer em dor ao fitar a grande faixa envolvendo seu peito nu: onde havia sido ferido. Balançou a cabeça negativamente antes de começar a falar.

— Não foi sua culpa. — sussurrou, tentando livrar sua mão daquele aperto de aço. Sasuke apenas o estreitou mais — Está me ouvindo? Não foi sua culpa. Não havia como você —

Sasuke grunhiu e de repente tinha sua testa colada na de Naruto, respirando com certa dificuldade. Como se o ar, de repente, faltasse completamente. Soltou a mão de Naruto e o agarrou pelos cabelos. Fechou os olhos.

— Está tudo bem? — a preocupação na voz do loiro era nítida. Colou seus lábios no rosto do companheiro — Sasuke...

— Eu senti... Eu senti tanto medo. Tudo o que eu podia pensar era "por favor... Por favor não deixe nada acontecer com ele". Eu... Eu amo você. Eu amo você.

Algo na voz dele não parecia certa. Naruto conhecia Sasuke bem demais, ou talvez estivesse pensando um pouco mais em algumas coisas do que deveria. Por que aquilo lhe soava como uma despedida? Aceitou, apesar disso e de tudo, o beijo que se seguiu. E durante todos aqueles anos de encontros às escondidas Sasuke nunca o beijara daquele jeito. No final... Sentiu algo gelado em seu pescoço.

O beijo acabou.

A kunai estava ali. Fria. Ameaçadora.

Naruto fitou o Sharingan, o corpo tenso de repente.

— Sasuke... — garganta seca, mãos geladas. O coração parou de bater — Sasuke, o que você está fazendo?

A máscara de dor ainda estava ali. Sasuke apertou um pouco mais a lâmina da kunai contra a pele do pescoço de Naruto, forçando-a. Os lábios dele estavam levemente curvados para baixo, às sobrancelhas curvadas em pura angústia. O cenho levemente franzido.

— Leia o meu coração.

— Sasuke, você não sabe o que está fazendo. Isso não é necessário, não vai levar a nada...

— Você me enfraquece. Eu não tenho escolha. Eu tenho que fazer isso.

— Não. — batimentos cardíacos a todo vapor. Não podia fazer nada: estava rendido. Pela lâmina em seu pescoço, pela dor latente da traição — Essa não é a única forma. Eu te amo também, você... Você não precisa fazer isso.

— Itachi teve que fazer... Konoha o forçou... Eu não serei capaz de cumprir minha promessa... Não existe paz, ou amor... São ilusões. Só dor. Dor e vingança.

— Ninguém está te forçando a nada. Seu único inimigo é você mesmo, Sasuke, você pode parar. Pode ter tudo; você só tem que se dar uma chance. Então pare. Pare agora.

Em um minuto a expressão de Sasuke estava triste, desolada, torturada. E no outro já estava fria de novo: aconteceu ao mesmo tempo em que o Mangekyo Sharingan tomou seu lugar meio à escuridão do quarto de hospital. Sangue escorreu por uma das bochechas pálidas dele. Naruto retesou seu maxilar. Sabia que nada do que ele dissesse mudaria alguma coisa. Sakura tentara uma vez. Ele próprio tentara diversas vezes.

Mais nítido que nunca: trazer Sasuke de volta à força foi a pior coisa que fizera em toda sua vida. Agora a vila estava em perigo. Hinata, Shaoran, Suren... A memória de sua tão querida Sakura-chan. Falhara como Hokage, como amigo. Se alguém ao menos pudesse chegar ali e agora... Mas como alguém iria adivinhar? Como alguém teria a ideia de visitá-lo em plena madrugada?

Devia ter botado vigias na porta do quarto sem ligar para o sentimento constrangedor de estar desconfiando de seu melhor amigo.

Devia ter ouvido os anciões.

Devia ter sido mais cauteloso.

Não devia ter se apaixonado.

— Por favor...

Sasuke pressionou a kunai o suficiente para causar dor sem dizer uma palavra. Mas de repente parou. Logo após o som fugaz de algo cortando o ar. Naruto, que tinha os olhos fechados com força, abriu-os para a escuridão e viu o sangue escorrendo agora também do canto da boca de Sasuke. Mais: havia uma flecha atravessada em seu peito.

"Você não quer que eu me orgulhe de você, Suren? Então tem que fazer isso. Tem que se tornar mais forte. Sempre mais. E, para isso, só existe um caminho: o da dor. Dó ódio. Da frieza. A morte... A morte da pessoa mais próxima de você. Você tem que fazer o falcão se submeter a você. Não amá-la."

Ele tossiu sangue e o mesmo respingou no rosto de Naruto que se encontrava estarrecido. Totalmente paralisado, incapaz de mover um músculo que fosse. Olhou por cima do ombro de Sasuke, tremendo, e o que viu arrancou o ar de seus pulmões e a vida de todo seu corpo.

Suren estava parada com os pés no teto, de cabeça para baixo, empunhando um arco e flecha. Fora muito silenciosa e como conseguira entrar ali sem ser percebida permaneceria para sempre um mistério para Naruto. Os cabelos longos dela pendiam para baixo em uma cortina negra, e sua aparência era aterrorizante. Expressão severa, determinada. E o Sharingan dela mudou à medida que ela abaixava o arco... Para um formato muito semelhante ao de uma flor de sakura. Seu Mangekyo Sharingan.

Desviou os olhos dela novamente para Sasuke. Só pela forma com que os olhos ônix dele ficaram opacos e sua pele ainda mais sem cor, Uzumaki soube que o ponto atingido fora vital. Mas... Havia um sorriso. Fraco, bem fraco. O sorriso de um morto. Seu corpo inanimado tombou para frente, soltando a kunai que tintilou no chão.

Sua cabeça agora se encontrava apoiada no ombro de Naruto que ficou ainda mais imóvel. As últimas palavras de um anti-herói ecoaram no ouvido do Hokage:

— Essa é minha... Garota. Eu... Orgulho... De vocês. — a dificuldade em falar era tremenda. De repente, os olhos de Sasuke se fixaram inanimados em um ponto da parede atrás da maca — Certifique-se de que... Ela saiba disso.

Os olhos azuis encontraram novamente os da garota, agora lacrimejando por não sentir mais os batimentos cardíacos do homem caído sobre si contra seu peito. Nunca mais seria capaz de ler aquele coração. E, consequentemente, o seu próprio também se perderia. Naruto viu que ela também chorava... Sangue. As lágrimas sangrentas caíam no chão como uma goteira. A expressão, no entanto, ainda era a de uma Uchiha inabalável e totalmente certa do que fez.

Ela lembrava tanto, tanto seu pai naquele momento.

Shaoran (carregando o bilhete amassado enviado por Suren pouco tempo antes) irrompeu no quarto junto de Hinata. Um grito agudo pôde ser ouvido por todo o hospital: carregado de terror.