Música do capítulo: Limp Bizkit - Behind blue eyes - A música trata-se sobre os sentimentos de Neji e a maneira que ele se sente.

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Segundas Intenções

Por Pink Ringo

Capítulo dez – De quem é a culpa?

Flashback

As tonalidades de laranja e vermelho se misturavam com o azul celeste do céu deixando as poucas nuvens com uma tonalidade de colorido surreal. Imagem típica dos filmes de romances na qual o cenário era um lindo pôr-do-sol.

Em baixo de uma grande árvore de casca grossa e folhas incrivelmente verdes um balanço movimentava-se alto de um lado pra o outro como se quisesse alcançar os céus.

Nenhum outro barulho era escutado a não ser o riso infantil da garota sobre o balanço que segurava firme na corrente e fechava os olhos com força sentindo a brisa lhe bater contra face a cada novo balançar cada vez mais alto. Sentia medo, o temor era de cair e machucar-se, porém não precisava se preocupar com isso. Lá estava Neji lhe empurrando o balanço com cautela, pronto para qualquer movimento em falso. Aquele garoto era seu herói!Pensava Hinata.

-Mais alto Neji!Mais alto! – gritava eufórica pedindo para que o menino mais velho lhe fizesse tocar as nuvens. Imaginava se a aglomeração branca no céu era tão macia quanto os abraços e os cuidados do primo.

Ele atendeu ao pedido. Tudo o que Hinata pedia docemente era como uma ordem. De imediato acatava como uma ação involuntária.

Tocando as mãos nas costas pequeninas empurrou a prima com mais força. Admirar a menininha de olhos perolados se elevar ao céu era o mesmo que contemplar um anjo .Ele no entanto não passava de um mero mortal que queria desvendar os segredos das asas invisíveis que desconfiava que a prima possuía.

Às vezes a culminância dela chegava a assustá-lo. Como alguém podia não ter defeitos?Era impossível!Não para Hinata. Ela era perfeita!Assim que a caracterizava.

Deixando-se sorrir como em raríssimas vezes Neji correu, posicionou-se na frente da prima, ergueu os braços para o alto e então gritou.

-Pule Hinata!

Ela não o questionou quando pediu-lhe aquela ação. Se Neji lhe pedisse para jogar-se de um penhasco faria, pois sabia que no fundo do abismo ele estaria lá com os braços prontos para segura-la.

Exatamente como ela imaginou ele a segurou. Pela grama úmida e verde rolaram deixando pedacinhos da relva entrarem em suas roupas e cabelos. Desabaram a gargalhar quando seus corpos pararam cansados e ofegantes como em outras vezes em que fugiam da mansão Hyuuga pra brincar. Não sozinhos, não com outros, mas sim juntos como deveria ser.

Eram jovens de mais para saberem: o que existia entre eles era grande de mais para ser considerado uma mera paixão infantil. Não eram maduros o suficientes para identificarem que os sentimentos não eram fraternais. Inocentes imaginavam que tudo apenas era a vontade de estarem sobre a grama visualizando os últimos vestígios do sol Hinata com a voz baixa e sempre melódica perguntou fazendo Neji pela primeira vez olha-la com outros olhos.Não olhos de primo e sim olhos de um garoto que admirava uma garota.

-Você gosta de mim Neji?- sem ter coragem para olhá-lo nos olhos continuou a mirar o céu como se daquela forma fosse menos constrangedora de se fazer aquela pergunta.

-Hum... - não respondeu de imediato. Ficou alguns minutos refletindo. Será que poderia realmente responder aquela pergunta?Será que era digno de dizer um "sim" a ela?Não se achava bom o suficiente para tal afirmação. - Somos primos é normal que eu goste de você.

Não era bem essa resposta que ela queria escutar, muito menos era daquele tipo de gostar que se referia porém preferiu não aprofundar o assunto. Continuava a deixar seus olhos sobre o céu que agora rapidamente escurecia.O silêncio se tornara terrivelmente constrangedor.

Sentando-se sobre a grama e pela primeira vez olhando o primo nos olhos desde a hora que fizera "A" pergunta mais uma vez Hinata o questionou como se necessitasse de respostas para suas dúvidas.

-Promete que nunca vai mentir para mim?- estava séria e compenetrada enquanto perguntava. Queria ter certeza que apostava nas intenções da pessoa certa. A única que realmente importava.

Naquela época a resposta da segunda pergunta fora mais importante que a primeira para a herdeira Hyuuga. Ela já tinha um pai que a tratava com frieza dizendo amá-la no mais profundo testemunho falso. Possuía amigas que por trás destilavam seus venenos em brincadeirinhas cruéis. Apenas pessoas mentirosas a rodeava e que queriam tirar proveito dela de alguma maneira por menor que fosse e pra isso MENTIAM. Neji pelo contrário fazia-a acreditar que o gostar referente a ela poderia ser verdadeiro e não apenas uma farsa um faz de contas para algum momento de conveniência.

Sentando-se sobre a grama assim como a prima Neji depositou uma das mãos sobre a de Hinata e respondeu igualmente sério querendo passar confiança. Afinal não queria perdê-la.

Hinata sorriu diante da resposta, um sorriso igualmente caloroso e pulcro como o pôr-do-sol de segundos atrás. Ela acreditou na resposta de Neji.

Fim do Flashback

Tinha apenas doze anos na época em que prometera jamais mentir a prima. Não imaginou que sua resposta se tornaria uma fria mentira onde brincadeirinhas e joguetes cruéis envolveriam os sentimentos de Hinata, assim como a fortuna Hyuuga que por direito era dela na qual ele ambiciosamente roubara sem qualquer piedade ou escrúpulo.

No caminho que a vida traçara, nos sentimentos ruins que o destino inoculara em Neji, na inocência que o tempo preservara em Hinata, tudo era fatores que resultavam na situação daquele momento. Definitivamente ele não queria que tudo tivesse terminado daquela forma.

Os papéis que relatavam toda a sujeira que havia feito estavam caídos sobre o chão. Ali escrito se encontrava cada passo do trambique e da fortuna que agora o homem Hyuuga possuía e que Hinata perdera. O dinheiro era muito, mas não o suficiente para amenizar a dor que o tapa desferido pela traída mulher lhe latejava pela face.

Como pudera ter a canalhice de fazer aquilo com ela? Aquela pergunta tinha uma resposta tão simples que o fazia ter vontade de rir de tamanha obscuridade que existia em seu coração. A resposta era: Não era perfeito como a esposa. Ao contrário de Hinata, ele era um pecador e de perfeito não tinha absolutamente nada. Em si existia apenas defeitos. Vestígios de uma personalidade que não valia absolutamente o chão que pisava.

Encarava o semblante de Hinata como se as lágrimas que lhe escorriam pela face bonita não fossem nada mais do que água. Exteriormente sem se abalar. Interiormente se quebrava por dentro. Por que não podia pelo menos uma vez se ajoelhar e pedir perdão?Era isso que seu coração pedia. Entretanto a vaidade e o orgulho não lhe permitiam nem ao menos pronunciar um simples desculpa. Era puro gelo.

Como Neji se mantinha inabalável sem recitar som algum apenas mantendo a respiração suave e normal como se a adrenalina da esposa fosse desnecessária perante a situação, Hinata decidiu por expor o que realmente sentia aproveitando o silêncio que o marido mantinha. - Os que observavam não eram apenas Kurenai,Shino e Kiba nessa altura da gritaria todos os empregados que contra vontade foram cúmplices daquela tramóia se tornaram parte da platéia. – Pela primeira vez todos puderam ouvir a herdeira Hyuuga gritar.

-Roubar o dinheiro é o de menos. Pouco me importa se foi um milhão dois bilhões o que realmente me destruiu foi que você brincou com os meus sentimentos. - os dedos de Hinata puxavam o próprio cabelo com força, o rosto inchado e úmido deixava visível o caminho que as lágrimas continuavam a escorrer e os olhos fechados eram como uma agonizante vontade de acordar de um terrível pesadelo. – Você me fez entregar TUDO a você. Mais do que merecia. Fez-me te amar da maneira que eu não deveria. - abrindo os olhos e o olhando com decepção continuou o desabafo – Por quê? POR DINHEIRO!

-Para você pode ser apenas dinheiro, contudo cada cédula vale muito mais do que você imagina. – sem perder a calma diante do desespero da esposa Neji respondeu natural. Para ele o roubo era a vingança de toda uma vida de humilhação. De tudo que lhe fora privado em sua infância e adolescência. Era retrucar a dor que ele viveu.

Ela o amou. Tão intensamente que era impossível que seus sentimentos um dia se dissipassem. Aquele homem estava gravado em si como uma tatuagem que jamais desapareceria. Estava gravado na carne como um pedaço irrecuperável. A traição era imperdoável. Sangrava-lhe por inteira. Acabava com seu mundo. Destruía suas "nuvens". Nada mais era igual à antes. Como se a terrível situação não fosse o suficiente ainda continuava desmemoriada. Queria se lembrar até onde tudo era mentira, queria poder identificar o pouco de verdade que ainda existia. Desejava saber se pelo menos o amor houve por um instante.

-Então é isso?Esse é o meu preço?- com um sorriso magoado perguntou. Possuía esperança. Pouca, mas em sua inocência ainda tinha.

-Você não tem valor Hinata!- os olhos perolados da jovem Hyuuga se arregalaram com aquela afirmação. Por segundos era como se tivesse entrado em um grande nevoeiro e não enxergasse absolutamente nada. Não sabia o real sentido de continuar a respirar, afinal o homem que amava acabava dizer que ela não passava de um nada, porém para a total surpresa dela o gelo enfim derreteu. Rápido Neji puxou-lhe para um abraço sem se reprimir em envolvê-la em seus braços buscando por um pouco que fosse da prima. – Talvez você não acredite, mas eu te amo!Tanto que se pudesse me arrepender dos meus pecados me arrependeria. Você é muito mais do que eu já sonhei em ter na minha vida. Isso me dá medo!

Como um espelho as fraquezas do álgido Neji estavam pouco a pouco se refletindo, contudo era tarde de mais para mostrar que também era humano. Mostrar que possuía sentimentos naquela altura do campeonato talvez não fosse mais válido. A merda estava feita. Limpar a sujeira lhe custaria muito e o Hyuuga não estava disposto a pagar tão caro.

Queria realmente acreditar naqueles braços fortes que a envolvia. Era igual a uma máquina do tempo que a fazia se lembrar por meros segundos que aquele homem sempre esteve em seu coração. O toque macio era exatamente como as nuvens. Por uma ironia do destino as nuvens estavam muito altas para que Hinata conseguisse tocá-las. Não podia esperar nada, pois sua espera resultaria apenas em mais decepção. Segunda chance estava fora de cogitação. Aquela traição era imperdoável!

Desvencilhou dos braços do marido com ira. Não deixaria ele lhe tocar em mais nenhum fio se quer de seus cabelos. Neji não colocaria as garras sobre qualquer toque de carinho que ele demonstrasse não seria nada mais do que satisfação carnal.

Era ultrajante dar-se conta que apenas um ali amava, e esse alguém não era Neji.

-Eu não acredito em você. - andando para trás como se apenas o calor de Neji fosse o suficiente para fazê-la mudar de idéia em relação de aboli-lo para sempre de sua vida, Hinata tentou se manter longe para não cair em tentação.- Suma da minha vida. Eu nunca mais quero te ver na minha frente. DESAPAREÇA!

Hinata apontava em direção à porta. Aquele gesto bastava para dizer que a herdeira Hyuuga mandava-o sair da mansão. Aqueles que assistiam ainda mantinham a respiração presa não querendo emitir som algum naquele silêncio melancólico. Esperavam uma reação de Neji. Admiravam a imagem sofrida de Hinata. Pensavam: Como uma história de amor que poderia ser tão bonita acabara daquela forma?A vida realmente era cruel e Neji definitivamente não prestava!

-Essa casa é minha. Quando eu roubei todo o seu dinheiro fiz o grande favor de incluir todos os bens da família incluindo a mansão. -Foi ríspido nas palavras. Se a única maneira de não perder Hinata fosse continuar jogando era o que faria. – Você tem duas opções Hinata. Ou continua deitada na confortável cama lá em cima comigo ou vai dormir na rua. - com um sorriso mal lavado andou até a esposa. Segurando-a pelo queixo fez com que ela o encarasse para complementar buliçoso – Te garanto que dormir comigo é mais prazeroso do que na rua.

Passara dos limites. Não suportava ser tratada daquela forma. Como um objeto. O pote do ouro e nas horas vagas um orifício para proporcionar prazer. Imaginar que amava aquele homem lhe dava náuseas. Pensar que havia compartilhado seus mais profundos sentimentos lhe causava remorso. Saber que havia se entregado aquele homem apenas confirmava que era uma idiota.

Se tivesse força levantaria a mão mais uma vez e desferiria um tapa no rosto pacóvio de Neji. Iria empurrá-lo contra o chão e enforcá-lo. Mataria-o exatamente como ele havia feito com ela. Entretanto o máximo que conseguia fazer era permanecer estática, chorando , lamentando-se, odiando e amando o marido.

Era impossível Hinata descrever a dor que sentia. Somente aqueles que viviam uma traição como aquela saberiam como era terrível não querer mais possuir os cinco sentidos.

Olfato: Odiava inalar a máscula colônia italiana que impregnava o corpo de Neji.

Visão: Odiava admirar os gélidos olhos perolados que escondiam mistérios inimagináveis por de trás das exóticas pupilas.

Audição: Odiava escutar a voz grave e ríspida lhe chamando pelo nome. A mesma voz que um dia fora macia e lhe sussurrara palavras de amor.

Tato: Odiava sentir arrepios excitados quando aquele homem lhe tocava ou as borboletas flamejantes que voavam no interior do seu estômago quando ele se aproximava e o calor do corpo masculino já podia ser sentido.

Paladar: Odiava o sabor de café que o beijo dele possuía. Amargo e doce. Indescritivelmente delicioso e viciante.

O ódio e o amor andam de mãos dadas. Hinata sabia muito bem disso. Neji também.

-Saía de perto dela seu miserável!– Kiba não agüentava mais olhar Hinata se desmoronar com as palavras que lhe eram ditas e não fazer nada. Era sua amiga. Não permitiria que aquele homem continuasse com aquela brincadeira cretina. Tirou a herdeira Hyuuga de perto de Neji mesmo que precisasse usar a força. – Hinata vamos embora agora!Você não precisa ficar ouvindo essas coisas.

Kiba chacoalhou a amiga tentando trazê-la de volta daquele transe. A desiludida mulher parecia hipnotizada, distante em outro mundo, submersa em águas profundas. O moreno tentou mais uma vez e dessa vez com êxito visualizou Hinata voltar para realidade. Hinata estava completamente destruída.

-Hinata vai para nossa casa junto com Kurenai. - Shino pronunciou-se depois de notar que aquele era o fim. Mais dana seria conversado. Neji havia feito sua escolha. Hinata não tinha uma.

-Venha querida!- a governanta puxou a frágil jovem pelos ombros levando-a em direção a porta. Quanto mais rápido fossem embora melhor seria.

-Tem certeza que é isso que quer Hinata, ficar longe de mim? – Neji ainda tivera a prepotência de fazer aquela pergunta.

A resposta viera demorada e relutante. Era obvio que não era isso que ela desejava, contudo era necessário. Havia sido ferida de mais para continuar dividindo o mesmo teto que aquele homem. Não havia mais nada para ela ali.

-É o que eu mais quero no momento. – sem encará-lo complemento. - Esqueça que eu existo exatamente como eu já me esqueci de você.

Neji vira a cena em câmera lenta. A imagem de Hinata desaparecendo de seu campo de visão sem ao menos olhá-lo ou relutar em partir, logo atrás os três malditos que haviam o delatado. Os três infelizes conseguirão levar a herdeira Hyuuga para longe do alcance dele e tudo que o homem Hyuuga sentia no momento era a vontade de matar Shino, Kiba e Kurenai. Mil vezes malditos!

Aos poucos o restante dos empregados foram se dispersando.O show dramático havia acabado. Ninguém queria ficar e sentir o cólera de Neji que seria agressivo, alguém teria que sofrer as conseqüências daquela perda que o Hyuuga sofrerá.

Após se encontrar sozinho pode finalmente tirar aquela máscara inabalável. Estava completamente destruído.

Uma, duas, três estava perdendo as contas de quantas vezes esmurrava a parede para descontar a raiva, apenas sabia que seu punho começava a sangrar. Aquela dor não era suficiente para apagar seus pecados.

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A verdade surgia independente da astúcia do mentiroso. Às vezes leva tempo para que venha a tona, mas no final a verdade aparece revelando exatamente o que o mentiroso tentou esconder. Neji enfim fora desmascarado e sua face suja e desonesta exposta diante de sua vítima.

Conseqüências chegam rápidas, assim como as gélidas geadas de inverno. A "primavera" do Hyuuga havia partido. Hinata o abandonara restando apenas o frio de saber que estava sozinho em seu mundinho cheio de dinheiro e infelicidade. Cada cédula que roubara da prima carregava o remorso que ele sentia em não ter mudado de idéia quando tivera chance. Era um idiota!

Não era homem de ficar sentado se lamentando mesmo suas pernas não possuindo força para levantar diante da queda. Alguém teria que pagar pelo que aconteceu disso não tinha dúvida. Sua sede de ódio seria inoculada em quem provavelmente tiveram importância na queda de seu disfarce.

Entrou afoito no elegante escritório de advocacia, fulminante mirou o nome dos dois advogados estampados na porta. Aqueles dois bastardos eram os únicos que possuíam os documentos que mostravam a movimentação da conta dos Hyuuga e o golpe que Neji aplicara na prima. Eles lhe traíram e o empresário não deixaria aquele fato passar em branco.

A loiríssima secretária – que nas horas vagas também era a foda particular do Uchiha - assustou-se diante da agressividade que o Hyuuga entrara no recinto. Não precisou perguntar o que o irritado homem desejava, Neji deixou claro com suas ríspidas e venenosas palavras.

-Onde estão os malditos dos seus chefes?

-Estão no escritório Sr Hyuuga. – Ino largou o batom que passava junto ao espelho de mão sobre a mesa para pegar o telefone e comunicar aos patrões que havia uma amistosa visita solicitando suas presenças. Antes que ela pudesse alertar sobre a chegada do Hyuuga, Neji invadiu o escritório de Kakashi.

A cena teria sido engraçada caso o Hyuuga não estivesse exalando ódio pelos poros. A imagem que os olhos perolados contemplaram era digna de um sádico filme pornô.

Kakashi acorrentado contra a mesa vestindo unicamente um cuecão de couro preto, seu terno e gravata jogados em um canto qualquer. Seu corpo marcado por riscos vermelhos que pareciam marcas de chicotadas. Os cabeços desgrenhados e a respiração alterada mostrando excitação – ou seria desespero? Neji não sabia dizer, contudo sempre imaginou aquela espécie de fetiche vindo de Kakashi.

Ao lado do advogado segurando um grosso chicote vermelho de couro entre as mãos, o sorriso maroto estampado nos lábios carmins e a lingerie de couro composta por um cinto que continha os mais bizarros brinquedos sexuais, Anko estava posicionada para desferir mais uma chicotada contra as nádegas do marido.

A intimidade do casal fora interrompida por um Neji que olhava enojado para cena. Definitivamente Kakashi seminu era uma visão desagradável!

-Não sabe bater na porta Hyuuga? – Disse debochada a jornalista cruzando os braços frente aos seios fartos. Anko podia ser louca, mesmo assim não deixava de ser sexy em toda sua insanidade.

-Que diabos você faz aqui? – perguntou Kakashi aborrecido tentando em vão se soltar das correntes – Porra que situação desagradável! – reclamou o advogado cobiçando as chaves da corrente pendurada na cintura da esposa.

-Vou matar você Kakashi! – ameaçou o Hyuuga apontando acusatoriamente para o acorrentado homem – Seu traidor! – o furioso homem avançou na direção do advogado.

- Hein? – Anko postou-se na frente do marido e rápida chicoteou o braço de Neji que já estava próximo o suficiente para agarrar o pescoço do temeroso advogado.

De imediato o homem de olhos perolados levou a mão até o braço que fora atingido pela abusada mulher. O músculo latejava formigando dolorosamente. Raivoso mirou a jornalista com total repudio. OUSADA!Estava incrédulo perante a atitude de Anko. "Vaca desmiolada!" pensou rancoroso.

-Saía da minha frente e abaixe essa porcaria se não quiser que eu acabe com a sua raça também – rosnou o Hyuuga entre dentes. Sua ira aumentava a cada novo segundo.

-Quem você pensa que é para entrar desse jeito, interromper nosso momento de sexo e ainda nos ameaçar? – Aquela mulher não era de se intimidar por qualquer coisa. Na verdade ela gostava de uma boa confusão. – Você não é o rei do mundo!

- O que diabos está acontecendo para me ameaçar desse jeito? – perguntou Kakashi ainda tentando se soltar das algemas – Anko dá para me soltar?

- Não vou te soltar porcaria nenhuma você vai ficar exatamente onde está Kakashi eu ainda não terminei com você. Esse homenzinho prepotente é quem vai se retirar. – movimentando a mão direita em um gesto de xô complementou maliciosa – A menos que queira ficar e participar da festinha.

Ela era odiosamente debochada. Aquele sorrisinho imoral nos lábios combinava perfeitamente com a personalidade provocadora de confusão da jornalista. Sabia aborrecer e levar as pessoas à loucura da raiva, não era para menos que estava no topo da lista dos mais odiados no Japão. - como se já não bastasse suas reportagens recriminadoras – Após a proposta indecente Anko também entrara na lista negra de Neji.

-Não me provoque sua vaca!

-Meça suas palavras comigo!Não se esqueça que eu sim posso acabar com sua reputação. – colocando as mãos na cintura irreverente complementou – Por isso sou conhecida como uma das melhores jornalistas do país.

Realmente Anko tinha esse poder, não só por ser audaz com as reportagens que publicava relatando sujeiras de famosos, mas também por sua fama de destruir com publicações qualquer figura importante que desejava. Outra peça perigosa no tabuleiro e aos poucos Neji ficava encurralado. Levaria um cheque-mate!

-Está tendo uma orgia e nem ao menos me convidaram? – a voz conhecida e dissoluta exclamou da porta uma brincadeira infeliz.

Todos se viraram e contemplaram o Uchiha com a mesma aparência impecável e sedutora, os braços cruzados sobre o peito e olhos negros vingativos sobre Neji. Seu sorriso de canto buliçoso deixava claro que o autor da traição contra o Hyuuga não era ninguém menos do que Sasuke. Apenas havia revidado todos os desaforos que o empresário lhe causara ao longo da muitas desavenças. Era prazeroso saber que Neji havia perdido Hinata.

-Foi você bastardo!- exclamou Neji se dando conta do grande culpado. Esqueceu-se completamente de Anko e Kakashi, mirou Sasuke com fúria e andou com passos largos em direção aquele homem. O desfiguraria com pancadas.

Ino gritou horrorizada quando o Neji se jogou contra Sasuke o lançando contra o chão. Mais uma vez aqueles dois homens brigavam pelo amor de Hinata. Socos, chutes tudo era válido. Não queriam simplesmente arrancar sangue um do outro, desejavam se matar.

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Já havia acostumado com a idéia de acordar com Neji, porém olhar para o lado e ver o local vazio na cama estava lhe machucando de uma maneira que sentia o ar lhe faltar.

Deixava as lágrimas escorrerem pela face sem qualquer intenção de pará-las. Precisava chorar!O choro era o desabafo de toda angustia que a dominava. Fora traída covardemente, por nenhum momento imaginou que estava afundando em um grande buraco onde as mentiras que o marido lhe contava aos poucos a soterrava.

Incomodava saber que tudo que havia compartilhado com aquele homem só tivera sentimentos da parte dela. Reprimia-se por não ter acreditado nas afirmações que Sasuke havia feito em relação ao caráter de um de seu Eros, acreditar de menos em um e demais no outro. Era uma tola ingênua!Se pudesse voltar no tempo escolheria nunca ter saído do hospital, preferia jamais ter conhecido Neji.

Cobriu-se da cabeça aos pés. Deitada em uma posição fetal tentava se proteger de algo que nem mesmo ela sabia, afinal o mal já estava feito não tinha como as coisas piorarem.

Três batidas na porta anunciava que Hinata tinha visita. A última coisa que queria naquele momento era ver alguém. Sozinha preferia ficar afundada em seus pensamentos melancólicos sobre a forma que havia sido usada. Não autorizou a pessoa a entrar, contudo também não a enxotou.

Logo a voz doce de Kurenai soou, a governanta parecia mais disposta do que nos dias anteriores onde a mente sombria do Hyuuga em mãos uma farta bandeja com bolachas,pães,doce,suco de laranja e outras guloseimas para um delicioso café da manhã.

-Bom dia Hinata!Veja só o que eu trouxe – mostrou a bandeja com um grande sorriso nos lábios. Tentava encontrar uma brecha no cobertor para visualizar um pedacinho que fosse da patroa que estava inteiramente coberta. – Se ainda me lembro você adora geléia de morando.

A moça não respondeu. Permanecia em total silêncio como se a existência da governanta fosse uma ilusão que deveria ser ignorada. Entendendo a depressão da patroa novamente Kunrenai tentou um diálogo, depositou a bandeja sobre a cama e continuou o monólogo.

-O dia está lindo, por que não vamos dar uma volta ao parque ou shopping?

O sorriso no rosto da governanta desapareceu após passar cinco segundos sem obter uma resposta. Cortava-lhe o coração ver Hinata destruída. Tudo por culpa de um crápula que não valia o chão que pisava. De todas as pessoas que conhecia, Neji era a que mais detestava. Não era de seu feitio desejar mal ao próximo, no entanto algo dentro de si, ressentimento, queria que o ex patrão apodrecesse em baixo da terra. Kurenai ansiava pelo dia em que ele pagaria pelos pecados que cometera.

-Por favor Hinata coma pelo menos, desse jeito vai ficar doente. – Pediu a governanta tentando tirar o coberto que a tampava, contudo por debaixo do pano a jovem puxava a coberta com força contra si não querendo que Kurenai visse seu estado deplorável de tristeza.

-Não quero! – respondeu a Hyuuga chorosa.

- Pense nas outras pessoas que te amam. Você além de se machucar com essa atitude, também machuca quem te quer bem. – tentou por uma segunda vez descobrir a jovem, novamente sem êxito. – Coma só um pouquinho.

-Me deixe em paz Kurenai. Para que comer?Para que continuar a respirar?Não vejo sentido. – Gritou a Hyuuga.

Seu lamento demonstrava que ela não estava disposta a lutar para viver. Isso era o que Kurenai temia: Hinata perder a motivação pela vida.

Se a intenção se Neji fosse destruir Hinata, ele havia conseguido. De acordo com o fluxo, aos poucos a herdeira Hyuuga ia se definhando seu corpo e se as coisas continuassem naquele ritmo não demoraria até que Hinata fizesse uma grande besteira.

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O restante do dia transcorreu sem muitas mudanças. A noite foi o contrário do belo dia que fez pela manhã, o céu sem lua ou estrelas começava a formar nuvens e uma rala chuva anunciava o início do que mais tarde se tornaria um belo temporal. Ultimamente chovia com freqüência. Era como se o céu chorasse pela desgraça da herdeira Hyuuga.

Na sala arrumando um arranjo de flores Kurenai se encontrava concentrada. Kiba assistia TV, reclamava como até mesmo em novelas o vilão sempre se davam bem. Shino lia um livro de romance épico – clássico japonês - em total silêncio as vezes mirava a porta do quarto com a esperança de que Hinata saísse de lá com um meigo sorriso nos lábios dizendo: "Está tudo bem não se preocupem!".Entretanto isso não ocorreu.

-Se eu pudesse chutaria o traseiro daquele Hyuuga – rosnou Kiba desligando a TV – Se eu tiver a oportunidade eu juro que...

-Kiba, tente não citar Neji nessa casa – interrompeu Shino sem desviar a atenção do livro – Ouvir esse nome só faz com que o clima fique mais pesado.

A campainha tocou interrompendo a conversa que se seguiria. Kurenai que estava próxima a porta atendeu deparando-se com a imagem de Sasuke.O advogado estava com o terno risca de giz cabelos desgrenhados e o semblante indiferente. Alguns hematomas podiam ser visto ao longo da face, corte na testa, roxo em torno de um dos olhos. Era obvio que o Uchiha havia levado uma surra ou melhor dizendo entrado em briga.

- Quero falar com a Hinata. – disse o moreno entrando na casa sem ser convidado. Sentou-se no sofá sem dirigir o olhar para nenhum dos residentes. Aqueles três lhe deviam o favor e já estava na hora de Sasuke cobrar.

-Perdeu a educação Uchiha? – rosnou Kiba diante da indiferença do advogado. Nunca gostara daquele homem, nem mesmo nos tempo de escola.

-Vai chamá-la ou vou ter que invadir o quarto onde ela está?- respondeu grosso o moreno.

O clima tenso se prosseguia. Kiba não via nenhuma diferença entre Sasuke e Neji, ambos não mereciam o amor da herdeira Hyuuga. Os dois eram farinha do mesmo saco, afinal o Uchiha também conseguira tirar umas lasquinhas da confusão causada pelas mentiras de Neji. Também possuía uma parcela de culpa, isso não o tornava mais digno.

Somente pela vingança, vaidade e orgulho que o fizera cooperar com o plano e desmascarar o inimigo. Inimigo em comum era exatamente isso que os quatro ali possuíam em igual e que fizera com que se juntasse por um curto período de tempo. Contudo após a queda de Neji não havia mais um motivo para uma relação amigável.

-Hinata não precisa de outro canalha para fazê-la sofrer. - Shino comentou mantendo sua voz passível. – Vá embora! – disse apontando a porta.

-Eu gosto dela, não vou desistir justo agora que posso ter uma chance. – respondeu Sasuke.

Silêncio. Todos pensavam cada qual com sua opinião voltada sobre o que seria a melhor para a herdeira Hyuuga. Nenhuma conclusão pode ser finalizada, incertos estavam do futuro da moça. Suas esperanças era que Hinata ainda pudesse ser feliz mesmo depois de todos os acontecimentos.

-Ela está no quarto. Siga reto pelo corredor. – Kurenai quebrou o silêncio incentivando o advogado a continuar lutando pelo amor da desiludida moça. Kiba ficou indignado com a atitude da governanta e Shino apenas suspirou incerto.

-Obrigado! – Sasuke agradeceu sincero apesar de mostrar poucas suas emoções.

O corredor estreito do pequeno apartamento era repleto de fotos em suas paredes em sua maioria de Kiba e Shino em vários tipos de ocasiões. O homem de óculos escuros sempre cordato parecendo não querer tirar foto e o outro com os caninos de fora sorrindo em poder registrar o momento. Pareciam um casal, pensou maldosamente o Uchiha que andava em direção ao quarto onde provavelmente a herdeira Hyuuga se encontrava afundada em lamurias.

Parou de súbito no final do corredor ao perceber uma fotografia e especial. Os três melhores amigos com a roupa de formatura. Tímida Hinata localizava-se pequenina entre os dois rapazes, sorriam tímida com as faces enrubescidas e os cabelos azulados se misturando com o azul da vestimenta. Entre as pálidas mãos o diploma que lhe parecia ser o orgulho que causava o pequeno sorriso. Linda, essa era a palavra que poderia descrevê-la naquele momento.

Lembrava-se que no dia da formatura fizera uma ultima tentativa de reatar o namoro com a moça antes e ir para faculdade de Direito, contudo a única coisa que conseguiu foi um ressentido NÃO. Hinata jamais o perdoara por tela chifrado.

Até hoje Sasuke se arrependia pelas besteiras que havia feito nos tempos de escola e que conseqüentemente fizera-o perder a única garota que realmente se importou. Traiu Hinata com Sakura, na época, porém era um adolescente cheio de hormônios que queria muito sexo em sua rotina. Não tinha isso com a namorada, o que conseqüentemente resultou em fazê-lo procurar pelos prazeres carnais em baixo de saias de outras mulheres. Um grande erro!

Respirou fundo, estava nervoso. Quando era apenas um garoto as decisões pareciam mais fáceis a serem tomadas, a coragem surgia com a conclusão que aquela poderia ser a última chance de recuperá-la a iniciativa brotou .Temia em ser rejeitado mais uma chance que não poderia desperdirçar.

Dentro do quarto sem a mínima vontade em receber visitas a herdeira Hyuuga ignorou por completo as batidas na porta. Até o momento que a voz grave e masculina lhe chamou pelo nome despertando algo em seu anterior: Lembranças de um passado que ainda tentava recuperar.

-Hinata podemos conversar? – ela sabia a quem pertencia aquele timbre. Muitas vezes o mesmo tom lhe chamou, de maneira enciumada, rouca de prazer e até mesmo feliz apesar das expressões faciais do garoto não demonstrar. Por incrível que pareça a herdeira Hyuuga gostou de saber que Sasuke estava ali.

Segundos depois a porta se abriu e de trás dela surgiu a imagem frágil e pálida da moça com os cabelos escuros desgrenhados, os olhos perolados inchados e uma camisola de algodão verde que lhe deixava todas suas delicadas curvas a bel prazer a mostra para os ônix negros que não deixaram um pedaço daquele corpo esguio passar despercebido. Sempre quis visualizar aquela mulher naqueles trajes, ou melhor, sem nada para cobrir o corpo.

A moça notou o olho roxo e alguns hematomas no semblante atraente do advogado, sabia perfeitamente que Neji fora o culpado pelos machucados, provavelmente aquela era a vingança do marido pelo fato de Sasuke ter entregado os documentos para ela revelando assim toda a verdade. Abriu a boca uma duas vezes, contudo no final decidiu por não falar no nome de Neji. Mesmo com todos aqueles hematomas, Sasuke ainda era muito atraente.

-Até desarrumada você fica bonita. – disse gentil com um sorriso sedutor. Exalava todo seu charme que esbanjava com excesso.

Era disso que ela precisava de palavras que lhe causassem estima. De elogios que a fizesse se sentir uma mulher muito melhor do que imaginava ser. Não era de amor fraternal que Kurenai, Kiba e Shino lhe ofereciam que tinha sede. Precisava de goles de paixão.

-Ele preferiu ao dinheiro, me dê uma chance, deixe eu te provar que te amo. – declarou o moreno.

Entrou no quarto empurrando a porta com um dos pés para fechá-la. Agarrou Hinata pela cintura com força de maneira possessiva. Ele podia ler o desejo nos olhos dela. Estava explicito pelo calor que a tez da moça emitia que queria ser agarrada daquela forma. Hinata queria sexo e não carinho no momento.

-Não quero conversar agora, só me mostre com gestos o quanto me quer. - finalmente falou coerente, mas ainda sim desesperançada de que Sasuke a faria esquecer Neji.

Tirou a própria camisola por cima da cabeça ficando apenas com a calcinha branca de algodão. Não se sentia envergonhada com sua própria nudez ou ao menos excitada com o olhar cobiçoso do moreno sobre seus seios fartos. Era apenas carência que seu corpo possuía, o Uchiha seria o substituto, era errado fazer isso com o advogado, entretanto era muito mais forte do que ela.

Seu ego estava ferido, seu orgulho massacrado e seu rotulo de mulher trocada por dinheiro essa era a pior forma de ser descartada por quem se ama.

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-Menina!- falou empolgado o homem de cabelos tigelinhas pegando o balde de tinta rosa.

-Menino! – exclamou a chinesa com o pincel grosso encharcado de tinta azul.

O luxuoso apartamento de Tenten estava uma verdadeira bagunça. Cheirava a verniz e tinta e todos os caríssimos móveis importados estavam cobertos por capas de plásticos. Havia um berço montado pela metade no meio da sala, roupas de bebê espalhadas pelo sofá e mesa de jantar. Galões diversos de tintas de todas as cores, jornais manchados cobrindo o chão. A costumeira discussão sobre o sexo do bebê se seguia e a cor do quarto da criança que viria ao mundo dentro de alguns meses ainda era incerto.

Desde o dia em que os dois haviam se acertado suas vidas se tornaram igual ao de um casal nos anos mais felizes de um casamento. Lee se mudara para o apartamento de Tenten com malas entre outros utensílios pessoais. Compartilhavam planos para o futuro onde o filho ou filha que a chinesa carregava no ventre era o principal protagonista. Já imaginavam qual seria a primeira palavra que o bebê iria pronuncia ou qual seria a cor de seus olhos ou o corte de seus cabelos. Estava tudo tão perfeito que nem ao menos pareciam que alguns dias atrás Tenten corria obsessivamente atrás de Neji recolhendo as migalhas e humilhações que aquele homem lhe proporcionava.

A campainha tocou interrompendo a discussão do casal sobre a cor do quarto e o sexo do bebê. Lee correu enérgico até a porta, olhou pelo olho mágico tentando identificar a pessoa que os visitava. Surpreendeu-se ao deparara-se com o melhor amigo do outro lado da porta, pior Neji estava lastimavelmente machucado. Rápido abriu a porta e assim que os olhos dos dois rapazes se encontraram o rapaz de cabelos tigelinhas e costumeira roupas verdes fez o típico gesto que o Hyuuga detestava.

-UAUUUU HINATA É UMA FELINA NA CAMA!- e a pose Nice Guy surgiu. - Isso sim é força da juventude.

-Se eu não estivesse tão machucado eu te socaria. - Neji respirou fundo. Não possui forçar nem ao menos para discutir. – Será que posso entrar ou está ocupado?

Neji precisava muito naquele momento de um ombro amigo e não havia ninguém melhor do que Lee para lhe dar apoio naquele momento. Desde os tempos da escola o rapaz de sobrancelhas grossas fora seu amigo do peito e agora apesar de todos os problemas e desavenças que tiveram por uma força maior – ou pelo caráter cretino do Hyuuga – não seria diferente. Rock Lee não era do gênero rancoroso tão pouco guardava mágoas.

-Eu sou a dona da casa por que não pergunta a mim? – a imagem da chinesa surgiu. Continuava exalando o ar sedutor de sempre e as belas curvas por de baixo do roupão de seda vermelho. Seu olhar, no entanto não brilhava de paixão diante da imagem de Neji, apenas mágoa se refletia na íris âmbar. – Você não é bem vindo vá embora. - disse ríspida.

Os dois amigos se entreolharam. Neji não pisaria em seu orgulho e imploraria a Tenten para poder entrar no apartamento. Em menos de dois minutos se virou para se retirar, talvez tivesse sido um erro ir até lá buscar por Lee, afinal não queria causar ainda mais problemas ao amigo como se já não bastasse o mundo estar infectado com os seus transtornos.

O rapaz de sobrancelhas grossas, no entanto segurou o Hyuuga pelos ombros não deixando que ele fosse para muito longe. Olhou para a chinesa e disse com um sorriso nos lábios sem alterar seu tom de voz.

-Meu amigo precisa de mim, vou sair com Neji por algumas horas me espere para decidir a cor do quarto da nossa filha.

Tenten pareceu aborrecida com a atitude do atual amante. Depois de tudo que Neji fizera ela sofrer Lee deveria repelir a presença daquele cretino. Estava sendo egoísta exigindo que o amante abdicasse de uma amizade de anos por causa dela. Virando-se de costas para os dois homens disse antes do rapaz de sobrancelhas grossas fechar a porta do apartamento.

-Será um menino!

Embora ele não pudesse ver ele sabia que Tenten sorria enquanto pronunciava aquelas palavras.

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Andara até um bar em frente ao apartamento de Tenten. Lee não queria ir muito longe para caso a chinesa precisasse dele. Durante o percurso apenas o rapaz de cabelos tigelinhas falava, Neji permanecia em silêncio escutando ou tentando parecer interessado no que o amigo dizia.

Sentaram-se em uma mesa do lado de fora, Lee pediu água e Neji uma boa dose de wisk. Assim que as bebidas chegaram o rapaz de roupas verdes mudou de atitude adquirindo uma expressão preocupada.

-Então vai me contar como conseguiu esses machucados?- tomando um grande gole de água quase esvaziando o copo complementou – Apesar de eu suspeitar quem fez isso.

-Ela descobriu tudo Lee, Hinata sabe que eu menti o tempo todo, que eu a usei para roubá-la. - olhando para o copo de wisk, mas sem conseguir tomá-lo sentindo náuseas rangendo os dentes com raiva de si mesmo – Ela sabe que eu não presto!

Pena, era isso que sentia do amigo apesar dele não merecer. Neji havia plantado aquela semente podre e agora deveria colher os frutos de tudo que plantou: Apenas infelicidade. A expressão do Hyuuga mostrava todo seu desapontamento com sua própria atitude, talvez bem lá no fundo ele mesmo tivesse a esperança que no final mudaria de idéia em relação ao golpe ou pelo menos não perderia Hinata.

Não dava para mudar o passado, embora a borracha fosse passada sobre os riscos mal feitos as marcas ainda ficavam por menor que fossem. Hinata jamais o perdoaria mesmo que o amasse mais do que sua própria alma. Havia certas traições que ninguém se sujeitava a anistiar. Perdoar é divino e embora a Hyuuga exalasse aquele ar celestial ainda era uma humana.

-Você precisa limpar sua consciência para conseguir continuar vivendo Neji, está definhando a si próprio. - disse Lee aconselhando o amigo – Deve fazer a coisa certa embora seja difícil.

-Se eu soubesse o que é certo não estaria nessa situação. – Neji atirou o copo de wisk contra o chão levantando-se da cadeira raivoso. As pessoas que estavam perto imaginavam ser um bêbado querendo chamar a atenção. - A culpa de tudo isso é do miserável do Uchiha.

-A culpa é sua não tente culpar outras pessoas pelos seus erros. Se você não tivesse a brilhante idéia de se vingar de toda a humilhação que seu tio fizera você e seu pai passar através da Hinata aquele advogado de merda não teria como tirar de você a mulher que ama. – Lee naquela altura também se alterava gritando tão alto quanto o amigo. Tinha que trazer Neji para a realidade que os erros foram unicamente dele mesmo.

"Eu sou o vilão!". Suas pernas finalmente não agüentavam mais todo o peso de culpa que carregava. Seus joelhos bateram contra o chão áspero e gélido. Sentiu pequenos pedacinhos de vidro entrarem em sua pele manchando levemente sua calça com gotículas de sangue. Aquela dor era pouca para castigá-lo. Merecia sofrer mais. Merecia arder no fogo do inferno. Se odiava por existir!

-Promete que nunca vai mentir para mim?

Ele ainda se lembrava da pergunta que a prima havia feito para ele há muito tempo atrás quando o coração dele ainda não estava podre.

-Eu jamais teria coragem de mentir para você.

E também se lembrava da resposta. Uma resposta que futuramente não valeria de nada.

Novamente sozinho... Novamente sem Hinata para amar.

Continua...


N/A: YOOOOOOOOOOOOOOOOO REVIVENDO DAS CINZAS. Hahaha finalmente desenterrei o fic. Peço desculpas pela demora, mas a falta de tempo está gigante em minha vida e não ter um computador é a pior parte. Quero dedicar esse capítulo a todas as pessoas que pacientemente esperaram a atualização.

O próximo capítulo é o penúltimo desse enredo que me deu muita satisfação em escrever. Um pequeno e rápido resumo para matar um pouco a curiosidade do público.

Terá dois hentai SasuXHina e NejiXHina. As situações que as cenas picantes irão acontecer não vou relatar, eixarei vocês imaginarem. Sakura e Naruto surgem para bagunçar a cabeça de Hinata ainda mais. Nossa protagonista descobre que Neji matou o pai e a irmã dela. Como se tudo isso não fosse suficiente novamente acontece... UM ACIDENTE!

Nesse capítulo a parte que eu mais gostei foi Kakashi e Anko percebi que nosso advogado mais velho deve sofrer nas mãos sádicas e depravadas dessa tarada!

Obrigada a todos que comentaram e peço que novamente comentem. PRECISO DE INSPIRAÇÃO!

obs: O FANFIC NET TA COMENDO PALAVRAS. ALGUÉM ME DIZ SE É CONFIGURAÇÃO!

Próximo fic a ser atualizado: FLOR DO DESERTO!