05 Janeiro de 1997
As aulas iam retomar o seu curso no dia seguinte, isto é, todos os alunos que tinham ido passar o natal fora do castelo iriam regressar, a confusão do castelo cheio de alunos ia voltar, e a confusão na mente da Hermione não se tinha extinguido.
Antes pelo contrário, a confusão interna dela aumentava a cada beijo roubado, a cada toque, abraço, todos os momentos que passava com o Draco ou longe dele. Hermione continuava a sua pesquisa para ajudar o Draco com a Marca, e já começava a perceber o que teria de fazer, mas a jovem feiticeira tinha medo das implicações. Afinal ele não tinha tido nenhum ataque durante as férias, apenas o desconforto da convocação para todos os Devoradores da Morte.
A primeira coisa que o Harry lhe contou foi a conversa que ouviu entre o Snape e o Draco. Hermione não sabia como tentar desviar as suspeitas do Harry sem levantar suspeitas sobre o que ela sentia pelo loiro.
Hermione deixou o Ronron e o Harry na sala comum, refugiando-se no Quartel onde continuou as suas pesquisas para arranjarem o Armário. Ela estava tão perdida nos seus pensamentos que não ouviu o Theo e o Draco a entrarem.
Sentiu alguém a sentar-se ao lado dela, e sem realizar o que se estava a passar, Hermione encostou-se ao corpo que estava ao lado dela, e virou a cara para o Draco que a envolveu nos braços dele, e deu-lhe um beijo no pescoço. Theo observou a cena com um sorriso, e absteve-se de comentar.
Passaram assim a noite, cada um deles com o seu livro, lendo partes em voz alta que achassem necessária. Depois de receber o seu beijo de boas noites do Draco voltou para a sala comum dos Gryffindors, o Ronron e a Lavlav estavam a curtir num dos cantos, isso não incomodava a Hermione, o que a deixava zangada com o Ron era a sua atitude estúpida em relação a ela. Ele teve a sua hipótese e destruía.
29 Janeiro de 1997
Zangada não chegava a descrever o sentimento que Hermione tinha em relação ao Harry, para além de ele não querer ouvir a sua opinião sobre como obter a memória do Slughorn, ele tinha tido a lata de usar um bezoar em vez de tentar criar um antídoto. E ainda por cima, o Draco estava chateado com ela por ter ido para ao pé do Ernie durante a aula de Poçoes.
- Mas qual a diferença entre o Ron, o Harry e o Ernie? – Perguntou a Hermione com pouca paciência, segunda posição não era um lugar que ela estava a apreciar, muito menos quando o Harry usa o livro para fazer batota.
- Só não acho correcto, sentares-te ao lado do Macmillian, ele é capaz de pensar que querias alguma coisa – argumentou o Draco Malfoy.
- Estás com ciúmes?
- Por favor – disse o Draco.
Hermione ignorou-o e continuou:
- Não pode ser ciúmes afinal não é como isso pudesse ter alguma vez um futuro, e ando sempre com o Harry e o Ron.
A verdade, é que Hermione estava a tentar perceber o que Isso era, qual significado tinha a relação deles, e acho que seria melhor mandar uma ideia e ver a reacção dele. E que desapontamento! Ele nem piscou os olhos, continuou a olhar para ela com alguma frieza e disse:
- Pois não tem futuro.
Saiu do Quartel sem olhar uma última vez para ela.
Agora para além de ter arruinado qualquer hipótese de poder ajudar o Malfoy com a marca, visto que este não falava com ela desde aquele incidente, Hermione não conseguia encontrar nada sobre Horcruxes, apesar de ter lido todos os livros de Artes Maléficas que existiam na biblioteca.
O quanto ela dava para voltar atrás no tempo e fechar a matraca.
20 Fevereiro 1997
A primeira aula de Aparição veio, Hermione estava a ficar farta de ter o Draco Malfoy a evita-la. E o facto de o Harry estar a mais do que nunca convencido que Draco estava a preparar alguma coisa, era irritante, e cada vez mais difícil tirar a ideia da cabeça do Harry.
Mas Hermione tinha prometido a si mesma que iria ajudar o Draco, e agora que a neve tinha cessado, esta seria uma boa altura como qualquer outra para entrar na Floresta Proibida, ela precisava de começar a juntar os ingredientes que precisava se quisesse algum dia ter tudo pronto, mesmo com o loiro chateado com ela.
A Floresta estava tão escura, mas a coragem de Gryffindor em Hermione não falhou, e ela entrou na Floresta tentando esconder os seus medos.
Entrar na Floresta Proibida lembrava-lhe o Grawp, apesar de ser asustador a primeira vista, o respeito que o gigante apresentava perante a Hermione era o suficiente para leva-la a sentir saudades dele. A jovem concentrou-se na sua tarefa.
Depois de uma hora a procurar arbustos, Hermione finalmente encontrou o que procurava, mas mesmo assim não era o suficiente. Estava pronta a voltar para trás e tentar numa outra noite, quando viu um unicórnio.
Geralmente bastantes tímidos, este unicórnio aproximou-se da Hermione com uma determinação no seu passo que fez com que ela vacilasse um pouco, mas não saiu do seu sítio. Quando estava próximo dela, tocou-lhe na bochecha com o seu focinho húmido. Hermione aventurou a sua mão para a crina prateada a luz da lua do animal, e quando retirou a mão esta estava cheia de pelo comprido, guardou tudo cuidadosamente dentro do bolso, deu um beijo de agradecimento no focinho do animal. O belo animal afastou-se dela, enchendo o coração dela de esperança.
Quando chegou a orla da Floresta Proibida, voltando para o perímetro dos campos do castelo, Hermione sentiu-se a ser observada, olhou para o lado e viu o Draco perto do lago. Ficou indecisa a olhar para ele, mas depois de alguns momentos decidiu voltar para a Torre dos Gryffindors e começar com o que ela precisava para o ajudar, iria ainda demorar pelo menos uns dois meses para ter a fita pronta.
01 Março 1997
A mão do Ron estava quente e envolvida nas mãos de Hermione, esta tentava conter as lágrimas. Ela não precisava de ouvir as histórias sobre a garrafa de mead que o professor Slughorn deveria ter oferecido no natal ao director de Hogwarts. Sabia exactamente qual era o veneno presente na bebida, sabia que o Harry tinha razão, tinha sido o Draco Malfoy a trocar as garrafas, mas o que seu melhor amigo não sabia era que a culpa era dela, se ela não tivesse concordado para essa ideia, se ela tivesse estudado melhor o comportamento só professor de Poções, Ron nunca teria sido envenenado e não se encontraria deitado nesta cama na ala hospitalar.
Toda a escola sabia que alguma coisa tinha acontecido ao Ron, e o Theo tinha pedido imediatamente o que tinha acontecido. Mas Hermione preferiu ignora-lo, ela tinha quase perdido o seu melhor amigo porque não soube julgar melhor o carácter do professor.
Quando Mrs e Mr Weasley voltaram do gabinete do Dumbledore para ver o filho, Hermione recebeu uma mensagem do Draco Malfoy.
Quartel.
Havia meses que ela não falava com o loiro, e esses tinham sido horríveis, ela não sabia que se podia sentir saudades de alguém daquela maneira, não poder estar com ele era uma dor tão forte que isso assustava-a, para ela gostar de alguém daquela maneira não poderia ser saudável.
Ignorou a mensagem e continuou a falar com o Harry e o Hagrid, quase imediatamente o seu anel voltou a aquecer.
Não me ignores!
Hermione olhou a volta dela, devia estar a ser observada, não há outra maneira dele saber que ela estava a ignorá-lo. Viu o Draco a observa-la. Ela virou-lhe costas mesmo para ele perceber que não queria nada com ele.
Vou te buscar.
Nem tentes.
Dez segundos.
Ali estava ele no corredor tanto Hagrid como o Harry não o viam, mas Hermione que se tinha virado completamente na direcção viu-o a ir na direcção deles.
- Tenho de ir, vemo-nos na sala comum. – Disse ao Harry, pelo canto do olho viu o Draco Malfoy a sorrir afectadamente.
Hermione estava pronta a arrancar aquele seu sorriso, mas ele tinha ganho e teria de admitir.
O Theo já se encontrava no Quartel, Hermione sentou-se na poltrona que era raramente utilizada. Contou-lhes o que tinha acontecido com o Ron, estava a preparar-se para ir embora, quando o Draco disse numa voz firme:
- A culpa não é nossa, o Dumbledore sabia da existência da garrafa e ele não nos avisou que não a tinha recebido. A culpa é de ninguém em particular.
- Ele tem razão, não precisas de te martirizar – acrescentou o Theo com um meio sorriso.
Não havia maneira de discordar, apesar de terem apresentado isso de uma maneira tão simples, Hermione não podia deixar de ver a verdade nessas palavras, todos tinham alguma culpa, Draco e Theo pela ideia, Hermione por ter deixado os outros dois continuaram com a ideia deles, Dumbledore por não os ter avisado que não tinha recebido nada, e o professor Slughorn por ser guloso.
Isso não impediu as lágrimas. Tapou a cara entre as mãos, mas rapidamente sentiu as mãos do Theo a retirarem as dela, secou-lhe as lágrimas e Hermione recebeu um sorriso do rapaz. As mãos do Theo foram substituídas pelas do Draco, que puxou a Hermione para esta se levantar, ficando envolvida nos braços dele. Aconchegou-se, saboreando o momento.
O momento foi quebrado pelo Theo que se ria a gargalhada. Draco retirou a mao que acariciava o cabelo de Hermione para empurrar ligeiramente o amigo.
- Qual é o problema? – Perguntou a Hermione.
- Nada de especial – respondeu o Theo sem deixar de sorrir maliciosamente para os dois.
- Conta – insistiu Hermione.
- Preferia não contar em frente ao Draco – disse, mais seriamente, olhando directamente para o amigo.
A Gryffindor sentiu os braços do Draco a aproximarem ainda mais o corpo dela contra o dele. Hermione percebeu o que se estava a passar, e apesar de não ser muito dada a essas técnicas não conseguiu deixar de sorrir.
- Oh – disse.
Theo desviou o seu olhar para ela, e sorriu.
- Nada te escapa – comentou num tom divertido.
A cada segundo que passava Draco Malfoy ia ficando cada vez mais irritado. Theo reparou o estado em que o amigo estava a ficar zangado, e bem isso divertiu ainda mais. Quando tentou abraçar a Hermione esta esquivou-se ligeiramente, levando-o a rir.
- Agora que sei o que tu fazes, preferia não ficar envolvida.
- Mas és o elemento chave, sem ti não há reacção nenhuma. – Insistiu apesar de reconhecer uma batalha perdida.
- O Theo só faz essas coisas porque gosta de ver a tua reacção. – Explicou Hermione ao Draco.
- Aí é que te enganas, faço isso desde o primeiro momento que entraste no escritório, a reacção do Draco é não recente. – Corrigiu o Theo, sem nunca perder o seu sorriso.
Hermione sorriu como uma criança no dia de Natal, usando todos os seus dentes e extremamente feliz. Enquanto o Draco escondia a cara no cabelo dela.
- Está descansada que não és melhor. Já te ouvi a defender o Draco perante os teus amigos durante muitos anos. – Comentou o Theo, deixando a Hermione corada enquanto o Draco sorria afectadamente para ela.
- Então quer dizer que não estás interessado nela? – Perguntou o Draco surpreendido.
- Gosto de loiras – respondeu, com um piscar de olho para o Draco. – Como a Daphne Greengrass.
Despediu-se dos outros dois. Hermione despediu-se do Draco com um beijo apaixonado.
Não sabia o que significava a relação deles, o que importava era que ela estava com ele. estar de novo com ele era como voltar a respirar depois de suster a respiração quando se está a nadar, uma sensação essencial e fantástica.
Beijos até o próximo capitulo.
