A história se chama O Prisioneiro e pertence a Hope Tarr bem como os personagens utilizados pertencem a Naoko Takeuchi

MEDIEVAL

Escócia do século XV, um lugar e um tempo em que era difícil ser uma mulher e estar no comando. Para Usagi Tsukino, nova chefe de seu clã, sua primeira tarefa era conceber um herdeiro que assegurasse sua posição. E a melhor forma de conseguir isso seria sequestrando Mamoru Chiba, um homem por quem sentia uma forte atração... e também um de seus mais poderosos inimigos...

CAPÍTULO DEZ

De mãos dadas, voltaram para o castelo, silenciosos porque havia pouco a dizer, mas muito a sentir. Passaram por poucas pessoas no caminho. Era a primeira vez que se tocavam fora do quarto, afinal, ainda era prisioneiro. Mas segurar-lhe a mão delicada parecia muito certo... e muito bom.

Atrás da porta fechada do quarto, Mamoru tirou as roupas de Usagi e jogou-as no chão sobre as dele. Recuou um passo e deixou os olhos se banquetearem na maravilha que era Usagi Tsukino.

Deslizou o olhar lentamente por ela, admirando os seios al tos e cheios, a cintura fina e a suave curva dos quadris. Pernas longas, esguias, mas fortes, que pareciam continuar por toda a eternidade, capturaram sua atenção. Lembrando-se da sensação daquelas coxas apertadas em seus quadris, ele quase teve um orgasmo.

Ergueu os olhos para o rosto dela.

— Meu Deus, você é bela.

O elogio fez a pele clara se tornar rosada, começando na li nha dos cabelos e descendo em direção aos seios. Ela sacudiu a cabeça e baixou os olhos, como se subitamente ficasse curiosa sobre os dedos dos pés.

— O que, não acredita em mim? — Ergueu-lhe o queixo para fazê-la olhar para ele.

A tristeza que viu nos olhos dela apertou-lhe o coração.

— Meu marido não me desejava.

— Então ele devia ser cego, ou idiota, ou os dois, porque você é a mulher mais bonita que já vi.

Ela balançou a cabeça e se debruçou para pegar a camisa. Endireitando-se, segurou-a contra o corpo.

— Não, não se esconda de mim. — Abriu-lhe os dedos e retirou a camisa, jogando-a no chão e voltando-se de novo para ela. — Esconder uma beleza como a sua pode não ser um peca do contra Deus, mas é um crime contra mim. E você me viu nu muitas vezes.

— Isso é diferente. Você... bem, você é belo.

Ela realmente não tinha noção de como era adorável, pen sou ele. Olhando-a novamente da cabeça aos pés, experimentou um orgulho intenso, selvagem. Aconteça o que acontecer, neste momento e dentro daquelas quatro paredes ela pertencia intei ramente a ele.

— Ah, Usa, você pode ser laird e mais velha que eu, mas tem muito a aprender sobre a vida e o amor, e o que significa beleza verdadeira. Venha, deixe que lhe ensine. Deixe que eu a ame.

Ele jurou retardar a própria satisfação o mais que pudesse, para lhe dar prazer além de qualquer coisa que já experimentara ou imaginara. Só então se deixaria ter prazer e explodir dentro dela, não porque o obrigara, mas porque queria. Forte, gentil, justa e honrada, não podia imaginar uma mãe melhor do que ela.

Passou as pontas dos dedos ao longo do pescoço esguio, demorando-se na quente depressão da garganta e na curva dos ombros, traçou a linha dos ossos delicados acima dos seios. De morou-se um pouco, depois os dedos voltaram a atenção para os seios, macios e brancos. Sufocando a própria urgência, demo rou-se saboreando o doce perfume e a maciez de cetim de sua pele, guardando para sempre a sensação e o gosto dela, cheio de orgulho quando ela lhe passou o controle com um suave suspiro e entregou o corpo aos seus cuidados.

Ele afastou a corrente do anel do selo para o lado e empalmou-lhe os seios, adorando sua plenitude e formato, observan do como seus mamilos adoráveis se erguiam orgulhosos e rijos, lembrando morangos silvestres, doces e maduros. Debruçou a cabeça e sugou os belos picos rosados, prometendo-se não parar até fazê-la gemer.

Ela gemeu, um som baixo e rouco, os dedos mergulhando nos cabelos dele, puxando-os, acariciando-os. Sorriu para si mesmo e levou-a de costas para a cama, as mãos nos ombros dela deitando-a gentilmente sobre a colcha.

— Usa, doce Usa, você me agrada demais. Não posso imaginar um homem que não se sinta feliz em olhá-la assim. — Sentou-se sobre ela, uma perna de cada lado do belo cor po, debruçou-se, firmando-se nas mãos, e olhou bem dentro dos olhos muito abertos. — Usagi... Usa.

Abaixou a cabeça para os seios, acariciando cada mamilo com a língua, depois tomou-os, um de cada vez, entre os dentes antes de continuar o caminho. Desceu sobre ela e voltou a aten ção para seu ventre, traçando beijos de boca aberta sobre a carne macia e lisa, parando para atormentar-lhe o umbigo com a ponta da língua.

Os gemidos de Usagi se tornaram mais intensos, os quadris se ergueram do colchão e os dedos ficaram mais tensos nos ca belos dele, as unhas arranhando-lhe a cabeça, implorando que ele ficasse ainda mais perto, descesse ainda mais.

Ele desceu, não porque era seu cativo, mas porque queria. O tempo parou e as preocupações sobre o futuro desapareceram. O mundo dele, sua própria existência, resumiu-se ao que acon tecia entre eles na cama. Não tinha outro objetivo na vida a não ser dar prazer a ela, nem pedia recompensa a não ser atingir sua meta.

Amava-a e ela talvez o amasse, nada mais tinha importância. Moveu-se por toda a extensão do corpo de Usagi, beijando-lhe o baixo-ventre, os cachos cor de cobre, atormentando-lhe o sexo com a língua, os lábios, a boca. Ela arquejou.

— Posso amá-la muito, milady, se você permitir.

Passou uma das mãos entre seus joelhos fechados e gentil mente lhe abriu as pernas. Mas não eram suas doces coxas que queria que se abrissem completa e livremente para ele, era seu coração.

Com as mãos sob os joelhos, ergueu-lhe as pernas. Descansou cada um dos finos tornozelos sobre seus ombros, abaixou a cabe ça e roçou a boca aberta nos lados internos de cada coxa e moveu a boca lenta e deliberadamente em direção ao âmago, ao prêmio. Encontrou-lhe os cachos macios úmidos, o cheiro almiscarado excitando-o ainda mais.

Afastando um pouco a cabeça, abriu-a com os dedos e olhou-a. Os grandes lábios estavam inchados, da cor de mo rango e suculentos como ameixas maduras. Um creme rico descia de seu âmago e o botão do prazer se erguia como se implorasse pela carícia da língua. Sentiu-a pulsar em seus de dos e sorriu. Por mais que Usagi protestasse que não visava o prazer físico, a reação apaixonada de seu corpo dizia outra coisa.

— Ah, Usa, sei que lhe dou mais prazer do que quer admitir.

Segurando-lhe as pernas abertas ao lado do pescoço, debru çou a cabeça e lambeu-a, bebendo sua essência, firmando a lín gua e golpeando com ela a pérola escondida da paixão, de novo e de novo. Circulou-a, atormentando-a e afastando-se para lhe beijar as coxas, os cachos, os lados dos joelhos, qualquer lugar e todo lugar, menos onde ela desejava.

Usagi ergueu a cabeça e olhou-o com desespero, implo rando.

— Mamoru, por favor, não agüento isso, você está me matando.

— Paciência, Usa. A paixão satisfeita depressa demais logo desaparece. Seu prolongamento aumenta, multiplica a recom pensa por dez.

Continuou o ataque sensual, aumentando o tormento de Usagi e, com o dela, o dele. Os quadris inquietos de Usa e as mãos que se agarravam a seus cabelos lhe mostraram que estava perto do clímax. A pele era quente e vermelha, como se tivesse febre, e, quando a penetrou com um dedo, a carne interna estava escaldante como uma brasa.

Soube quando ela teve o orgasmo contra sua boca, a carne vibrando como a corda de um arco do qual uma flecha acabara de ser atirada. Cobriu-a com a boca, a carne macia como uma pétala de flor estremecendo contra seus lábios e língua, seus gritos enchendo-lhe os ouvidos e o coração de felicidade.

Esperou até o terremoto acabar antes de lhe repousar as pernas na cama e se afastar. Olhando seu rosto doce e saciado, percebeu que ela não sabia que não era o fim.

Era apenas o começo.

Lançando uma perna sobre os quadris de Usagi, montou-a. Encontrando os seios com a boca, sugou cada um dos mamilos.

— Mamoru, acho que não agüento mais.

— Pena, milady, porque se eu preciso esperar, então você precisa agüentar o prazer.

Ainda sugando-lhe o mamilo, estendeu a mão para baixo. Ela estava molhada com o orgasmo e mais do que pronta para ele. Por mais que quisesse se enterrar nas dobras da carne túrgida, segurou-se. O que quer que o destino reservasse para eles, tinha a intenção de fazer Usagi se lembrar daquele momento pelo resto da vida.

Capturou-lhe o botão do prazer com a ponta do polegar, tocando-o como se fosse um alaúde. Acariciando a carne inchada de novo e de novo, manteve o olhar no rosto adorável, tenso de êxtase e tormento. Os lábios desejáveis formavam um círculo chocado. Segundos depois, ela gritou e teve outro orgasmo, desta vez na mão dele. Apertou-lhe o sexo, absorvendo cada contração que a sacudia. Quando finalmente tirou a mão, sua palma estava molhada com o néctar de Usagi. Levou os de dos à boca e bebeu-o.

O gosto dela foi o seu fim. Sem ter mais forças para esperar, estendeu o corpo sobre o dela e sua masculinidade encontrou o ninho quente que o esperava. Apertado e molhado, fechou-se sobre ele como uma luva. Mamoru amava tudo no ato de fazer amor com ela: o leve perfume floral de sua pele, os pequenos sons que fazia quando lhe dava prazer, a expressão do rosto ado rável quando lhe implorava que não parasse. Sabia o que ela queria, desejava, mas uma grande parte de dar-lhe prazer era fazê-la esperar... e implorar.

Saiu de dentro dela, acariciou-lhe o sexo com o dele, passando-o sobre a carne rosada, sem certeza de quanto tempo ainda podia esperar ou como esperara tanto tempo. E, no entanto, es tava determinado a enlouquecê-la completamente.

— Ah, Usa, nunca uma mulher me deu tanto prazer, você é a primeira e única mulher que amei. Case-se comigo e faça de mim o homem mais feliz do mundo.

Pretendia pedi-la mais tarde, mas de repente percebeu que aquela era a hora perfeita.

As mãos dela caíram ao lado do corpo, os dedos apertando os lençóis. Ao invés de responder, ela se ergueu em apelo silencio so. A imagem dela debruçando-se para pegar a camisa do chão lhe veio à mente e lhe deu uma inspiração.

Passou as mãos sob ela e virou-a sobre as mãos e os joe lhos. Ela foi de boa vontade, segurando-se na cabeceira da cama e abrindo as pernas. Suas belas nádegas brilhavam, pálidas, os globos firmes pedindo para serem lambidos e mordidos. Beijou-os, lambeu-os e mordeu-os com gula, enlouque-cendo-a tanto que se lançou com força contra a boca de Mamoru. Como sabia que podia tomá-lo, que estava mais molhada e ansiosa do que nunca antes, recuou e penetrou-a com força.

Mergulhado nela até o fim, sentiu o suor lhe escorrendo pelas costelas. Nunca antes, em toda a sua vida, chegara tão perto de se perder numa mulher. Não, estava inteiramente perdido na maravilha que era Usagi Tsukino.

A respiração irregular, ele passou as mãos em torno dela e segurou-lhe os seios, os mamilos apertados nas palmas, a virilidade inchando dentro dela.

— Case-se comigo, Usa. — Juntou-lhe os seios, apertando-os com força, mas, a julgar pelo gemido dela na garganta, não a machucara. — Farei amor com você todas as manhãs e todas as noites. — Saiu e penetrou-a de novo, o som da pele suada contra a dela fazendo-o gritar. — Jamais me cansarei de amá-la. — Segurando-se, imóvel, debruçou-se e lhe murmurou no ouvido: — Prometo que será a mais feliz, mais amada esposa de toda a Escócia. — Saiu de novo e voltou a mergulhar nela com força bastante para fazê-la arquejar.

Quando ela não respondeu, conseguiu apenas pensar que es tava tão perdida no prazer que não compreendera. Não era só ela em risco de se perder na paixão. A flexão dos quadris de Usagi levava-o rapidamente ao ponto de rompimento. Antes de se entregar, tentou uma última vez.

— Pense, Usa, em sentir esse prazer todos os dias... e todas as noites. — Desceu uma das mãos do seio para o ponto em que estavam unidos, parando no espaço úmido logo acima dos dois corpos e, com a unha, arranhou de leve seu inchado botão do prazer.

Um grito primitivo saiu da garganta de Usagi. Convulsionou-se em torno dele, seus músculos internos apertando-o como um punho fechado e seus tremores violentos enviaram-no para o precipício.

Mamoru finalmente se entregou e sua semente se soltou den tro dela, as quentes e fortes contrações tomando-o em ondas e ondas de prazer.

Usagi se espreguiçou ao lado de Mamoru, lânguida como uma gata, e imediatamente adormeceu. O sol do meio-dia enchia o quarto, banhando seu corpo adorável com a luz dourada, a brisa marinha secando-lhe os cabelos vermelho-dourados, que se cur vavam em torno do rosto com as marcas da paixão.

Erguendo-se num dos cotovelos, Mamoru passou o olhar sobre toda ela. Estava linda e completa, satisfeita e saciada e mais feliz do que ele jamais vira. Um leve sorriso lhe curvava a boca, como se estivesse no meio de um sonho delicioso. Antes de adormecer, moldara o corpo luxuriante e belo ao dele; a cabeça descansando na curva do ombro.

Por um longo momento, ficou deitado, abraçando-a, contente em apenas vigiar o sono dela, numa paz quase perfeita.

Não totalmente perfeita, porque ainda não respondera ao pe dido de casamento. Mas queria o bebê dele, e Mamoru não mais considerava seu plano um insulto. Queria filhos para dar conti nuidade ao seu nome, embora uma menina com cabelos da cor do fogo também fosse muito bom.

Queria mais do que apenas plantar sua semente e ir embora. Queria se deitar ao lado de Usagi noite após noite enquanto seu ventre crescia, passar bálsamo no corpo inchado, amenizar a dor nas costas e fazer amor lenta e gentilmente com ela, se não com o sexo, então com os dedos e a boca. Queria segurar nos braços o filho recém-nascido e olhar o rosto cansado, mas radiante de Usagi, enxugar o suor de sua testa e ser um marido de todas e cada maneira.

— Usa?

— Hmm?

Puxou-a contra o peito e circundou-lhe a cintura com um braço.

— Acha que acabamos de fazer um bebê?

— Não sei, temos de esperar para saber.

— Você é tão pequena e apertada, é difícil imaginá-la cres cendo.

— Todas as mulheres crescem, não importa se são grandes ou pequenas no começo. Posso não ficar tão grande como uma barrica, mas ficarei grande o bastante. Embora espere não arras tar os pés como um pato, pelo menos não muito.

A referência à brincadeira que fizera no dia da feira não esca pou a Mamoru e ele sorriu.

— Usagi Tsukino, tão grande que terá de ficar imóvel pela primeira vez na vida. Vou precisar ver para crer.

Apesar das brincadeiras, ficou deprimido. Presumindo que tivessem feito um bebê, não teria a oportunidade de vê-la grávi da. Quando a barriga começasse a crescer, já teria ido embora, devolvido a seu clã, como combinado. Abriu a boca para pedi-la em casamento de novo, então fechou-a, sem querer estragar aquele momento. Mas as palavras não verbalizadas pesavam como uma pedra em seu coração. O maldito acordo que tinham feito se mostrara um pacto infernal.

Algum tempo depois, Usagi se virou de lado e passou os de dos levemente pelos cabelos negros, molhados de suor. Mesmo saciada além de sua imaginação mais absurda, parecia não ter o bastante dele.

— Você é tão bonito, acho que deve ser um anjo que perdeu as asas e se transformou em homem.

— É você que é uma criatura do mundo das fadas, nascida do ouro do sol e da luz da lua e salpicada com pétalas de rosa vermelha.

Usagi não soube o que dizer. A maravilha de fazer amor com Mamoru, depois de confessarem que se amavam, era como esperar receber o pão velho dado a um mendigo e então se ver como convidado de honra, sentado à mesa de um banquete, re cebendo os alimentos mais ricos e delicados. Não só seu corpo, mas seu coração estavam prestes a explodir de felicidade.

— Você tem um belo corpo, Usagi Tsukino. — A mão deixou o seio e passou pela curva dos quadris e das nádegas.

Antes, uma avaliação aberta assim a faria enrubescer, mas as últimas semanas com Mamoru pareciam ter lhe tirado totalmen te a sensação de vergonha. Encontrou-lhe os olhos de cristal e sorriu.

— Não saberia dizer, sempre que estamos juntos fico ocupa da demais olhando para você.

Era verdade, adorava-o. E, quando a pedira em casamento, mordera o lábio para não responder e estragar o momento. Se pudesse dizer "sim", como seria feliz. Passar os dias... e as noi tes... nos braços de Mamoru era o maior desejo de seu coração.

Mas, por enquanto, o casamento deles teria de permanecer um sonho, uma fantasia. Enquanto Seiya fosse suspeito do as sassinato do seu marido, não havia esperanças. Talvez estives se enganando a si mesma, mas ultimamente se perguntava se o irmão de Mamoru não era inocente da morte de Motoki. Amando Mamoru como amava, conhecendo a beleza não só de seu rosto e corpo, mas também de sua alma, achava difícil acreditar que o irmão dele fosse um assassino.

— Apenas olhando, é? — O tom de brincadeira lhe mostrou que sabia exatamente com o que ela queria se ocupar.

— É verdade, olhar é apenas o começo. Depois vem o toque e o sabor.

Passou dois dedos pelo pescoço dele, depois seguiu a trilha com a língua. Sua carne tinha sabor de sal. Puxou-a entre os dentes e sugou, sem se incomodar em deixar ou não sua marca.

— Hmm, você é muito gostoso também.

— Não pare por aí, senhora. Todo o meu corpo é caça para lábios tão doces como os seus.

— Infelizmente, tenho de parar. Preciso ir a uma reunião do conselho.

— Não pode se atrasar?

— Não, não posso. Meus conselheiros pediram essa reunião e, uma vez concedida, não posso recusar, por mais que queira.

Quando se era laird, o dever vinha antes do prazer. Felizmen te, o prazer precisava apenas ser adiado, Ewan estaria esperando por ela quando voltasse.

Levantou-se, vestiu-se e disse:

— Não sei quanto tempo vou demorar.

— Não tem importância, uma hora ou um dia, estarei espe rando.

Usagi tentou encontrar conforto naquelas palavras, mas tinha uma premonição ruim. Hoje voltaria e encontraria Mamoru esperando, mas e os dias e noites do futuro?

Usagi entrou na sala cheia de painéis, onde gerações de lairds Tsukino haviam se reunido com seus conselheiros. No caso presente, porém, os conselheiros é que haviam pedido a reunião, uma situação incomum.

Hiroshi e os outros 11 idosos cavalheiros já a esperavam. Entrou e foi recebida por um silêncio sombrio. A tensão na sala era tão forte que parecia sólida.

Milady. — Em pé na entrada, Hiroshi recebeu-a com a costumeira mesura.

Os demais se levantaram e seus olhares a seguiram enquan to ela se encaminhava para seu lugar à cabeceira da mesa de pedra.

— Senhores, sentem-se.

Quando todos se sentaram, Usagi correu o olhar pelos ho mens, para avaliar o que a esperava. Todos abaixaram os olhos, sem querer encontrar os dela, o que não era um bom sinal. Quando ninguém falou, Usagi disse:

— Parece que estou numa colônia de mudos. Vamos, senho res, falem.

Hiroshi, sentado a sua direita, voltou-se para ela.

— Um grupo de Chiba foi visto em Cuillin Hills, nove lé guas a sudoeste do castelo.

— Eles carregam armas pesadas? Lorde Nephrite respondeu:

— Sim, milady, canhões e espadas.

Então tinham a intenção de sitiar o castelo. Usagi não pre cisava perguntar o que queriam, Seiya Chiba viera buscar o irmão.

Dirigindo-se a lorde Nephrite, sentiu o olhar de Hiroshi nas costas.

— Quanto tempo temos antes de eles chegarem ao castelo?

— Estarão aqui ao amanhecer, milady, talvez antes.

— Por que não fui informada antes? — perguntou a Hiroshi. Houve um silêncio desconfortável.

— A senhora estava... indisposta. Não queria aborrecê-la an tes de confirmar os rumores por mim mesmo.

Por indisposta, queria dizer na cama com Mamoru. Usagi sen tiu uma onda de culpa, então a dominou. Tudo o que precisavam fazer era bater à porta. Era como se tivessem demorado deliberadamente a lhe dar a notícia, deixando para fazê-lo diante do conselho e, portanto, colocando-a numa situação desconfortá vel, o que a encheu de fúria.

— Não lhe cabia tomar essa decisão. Indisposta ou não, no futuro espero ser informada de imediato.

— É claro, milady, peço perdão.

Sua maneira obsequiosa irritou-a ainda mais. Sabia que Hiroshi servira bem e com fidelidade a seu pai. Crescera conside rando-o mais um tio do que um primo. Mas, nas poucas semanas depois de se tornar laird, passara a suspeitar que seus motivos não eram tão puros como acreditara antes. Lembrou-se do dia em que Mamoru fora seqüestrado. Hiroshi culpara o prisioneiro pelos ferimentos que sofrera e seu filho, Jedite, confirmara. Na ocasião, aceitara a palavra deles, mas agora tinha menos cer teza. Ao pensar nas marcas de chicote nas costas e ombros de Mamoru, cicatrizes que teria pelo resto da vida, sentiu culpa... e raiva. O orgulho a impedira de perguntar a Mamoru o que realmen te acontecera. Mas as ações atuais de Hiroshi mostravam como a situação havia fugido ao seu controle.

Ao não informar a ela a aproximação dos atacantes, pusera todos no castelo e fora dele em grave perigo. Não podia mais confiar nele, e portanto lhe tiraria o lugar no conselho, mas ago ra tinha um assunto mais sério a resolver.

— O cativo deve ser levado de volta ao Chiba antes que ele e seus homens cheguem ao castelo.

Levantou para sair quando a voz de Hiroshi a fez se sentar de novo.

— Há outra questão urgente a discutir.

— E qual é, Hiroshi?

— A senhora deve nomear um sucessor imediatamente, no caso... de alguma coisa lhe acontecer.

— Seu cuidado por mim é comovente, milorde. — Não se deu ao trabalho de disfarçar o sarcasmo.

Hiroshi pareceu não percebê-lo e continuou:

— Meu filho, Jedite, é um guerreiro nobre e corajoso que já provou seu valor ao servir bem este clã.

De tudo o que esperava ouvir, isso era o pior, e Usagi se sentiu tonta. Cheio de espinhas e desajeitado, Jedite acabara de fazer 18 anos. E o menino era um seguidor, não um líder.

— Quer que indique Jedite como meu sucessor? Mas ele é um menino.

— Na verdade, milady, minha sugestão é que se case com ele. — Usagi ficou muda. — Jedite é um belo rapaz e jovem o bas tante para ser moldado por milady... e por mim, se necessário.

Então queria uma marionete como consorte dela. Mas ela não queria um menino como marido, não queria ninguém, ape nas Mamoru.

— É muito... generoso de sua parte oferecer seu filho, milorde, mas devo recusar. O casamento de uma laird é mais do que a união entre um homem e uma mulher, é uma aliança. Não vejo benefício em me casar com um integrante do clã.

— Mas, milady, se... as circunstâncias exigirem que se case às pressas, ter um marido jovem, de natureza compreensiva, pode ser de grande valor.

Sua menção às "circunstâncias" era uma referência velada à possibilidade de ela estar grávida. Embora nada tivesse dito a ninguém, tivera náuseas nas últimas manhãs e se lembrou dos primeiros dias da gravidez anterior. Ainda não tinha certeza, mas suspeitava que seu plano de ter um filho de Mamoru tivera sucesso.

— Não vou me casar com Jedite.

— Não compreendo...

— Silêncio! — Pela segunda vez em dois minutos, Usagi interrompeu Hiroshi. — Sou sua laird. Não preciso que me com preenda, apenas que me obedeça. No momento, tome as provi dências para fornecer uma escolta segura para lorde Mamoru até o acampamento do irmão. E considerem o conselho encerrado.