O SEGREDO DOS ANJOS – PARTE II

REVELAÇÕES

Dama 9 e Hana-Lis

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Nota:

Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, pertencem a Masami Kurumada, Toei Animation e empresas licenciadas.

Apenas Diana e Aisty são personagens criadas única e exclusivamente por nós para essa trilogia.

Este é um trabalho de fã para fã sem fins lucrativos.

Uma boa leitura a todos!

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Dama 9, Hana-Lis e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!

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Capitulo 10: Quando o destino é sádico.

I – Um Dia Cheio.

Entrou no templo, olhando para todos os lados. Não avistou o aquariano em lugar algum. Sabia que Kamus costumava ler o jornal na sala, mas passou por ela e não viu nada. Sorrateiramente dirigiu-se para a cozinha.

Parou um momento, aspirando o ar. Sentia cheiro de café fresco e daqueles croasants que só o francês sabia fazer; Milo pensou com um sorriso infantil. Era sempre assim quando chegava de alguma balada com o sol a pino, ele passava no templo do amigo tomar café.

-Bom dia; ele falou entrando animado na cozinha, mas parou de boca aberta notando que quem estava ali não era Kamus. Fitou-a dos pés a cabeça.

Os pés descalços tocavam o chão. A saia e a blusa preta estavam um pouco amassadas, os cabelos estavam um pouco úmidos. Definitivamente, não era o Kamus; ele pensou, balançado a cabeça.

-Bom dia Milo; Aisty respondeu, virando-se para ele.

O cavaleiro ainda estava imóvel, lembrava-se que eles saíram da Taverna das Bacantes sem se despedirem, mas não pensou que a jovem fosse ficar em Aquário. Embora fosse a coisa mais normal, afinal, eram irmãos.

-Milo, bom dia; Aisty insistiu, passando a mão na frente dos olhos dele.

-Ahn, sim... O que foi? –ele perguntou piscando. Aisty arqueou a sobrancelha. –Aisty, o que você esta fazendo aqui?

-Eu é que pergunto, o que você esta fazendo aqui entrando sem bater; ela falou, observando-lhe atentamente. –Não acredito que esta chegando agora da Taverna das Bacantes;

-Bem...; Ele começou sem graça.

-Não precisa responder. Velhos hábitos. Eu sei; a amazona completou.

-Ahn, Kamus já te falou sobre isso? –ele perguntou, vendo-a indicar uma cadeira em volta da mesa para si.

Aisty colocou três xícaras sobre a mesa, enquanto terminava de colocar as coisas para o café.

-Conversamos bastante; Aisty respondeu, enquanto terminava de passar o café. –Fui uma surpresa para gente, mas por outro lado, não foi algo ruim; ela completou, lembrando-se que durante a conversa com o irmão, haviam combinado de saírem quando amanhecesse para dar uma volta pelo centro de Atenas.

-Desde que você chegou, eu vi mesmo que vocês tinham bastante em comum; Milo comentou, enquanto ela colocava um pouco de café em sua xícara.

-Como?

-Vocês eram muito parecidos; Milo continuou, tomando um gole. –Quando você engaiolou o Saga, se eu não estivesse te vendo, diria que era o Kamus. O cosmo era muito parecido; ele completou com um meio sorriso, lembrando-se da situação do geminiano naquele dia.

-Entendo; ela murmurou pensativa.

-Bom dia; Kamus falou, entrando na cozinha já vestido para saírem. Aproximou-se da irmã, dando-lhe um beijo na testa, antes de voltar-se para o artrópode que observava a cena, abismado.

Não era normal ver Kamus agindo daquela forma com ninguém, mas tinha de dar um credito. Afinal, ele tinha todos os motivos do mundo pra querer compensar aquele tempo que ficara sem saber da existência da jovem.

-Bom dia; Aisty respondeu, sentando-se.

-Boa dia; Milo falou, voltando-se para ele.

-Chegando agora, Milo? –Kamus perguntou, com um meio sorriso.

-Velhos hábitos; o Escorpião respondeu com um sorriso sem graça.

-Sei; os dois responderam, arqueando a sobrancelha.

Milo observou-os atentamente, até o jeito de arquear a sobrancelha era o mesmo.

-Algum problema? –Aisty perguntou, serrando os orbes de maneira perigosa.

-Não, de maneira alguma; Milo adiantou-se em responder, balançou a cabeça de forma imperceptível. –Mas me digam, vão sair? –ele perguntou curioso.

-Vamos dar uma volta por Atenas; Kamus respondeu, disputando um pedaço de croasant com o cavaleiro, mas lançou-lhe um olhar retalhador, acabando por fim, a ganhar o pãozinho. –Desde que Aisty chegou não teve tempo de ir dar uma volta pelo centro.

-Uhn, isso me lembra uma coisa; Aisty murmurou, lembrando-se que durante a missão, acabara por destruir a camisa de um certo alguém e dissera a si mesma que daria outra pra repor, mas como fazia pouco tempo que chegaram da missão em Delfos, tinha quase esquecido.

-O que? –Kamus perguntou, curioso.

-Nada, não. Besteira; ela adiantou-se a responder. –Mas que horas vamos?

-Agora são sete horas, o que acha de sairmos as oito, assim voltamos para o almoço; Kamus sugeriu.

-Está certo, vou subir até o último templo me trocar, ai passo aqui pra gente ir; ela falou, terminando o café e levantando-se.

-...; Kamus assentiu.

A jovem aproximou-se, dando-lhe um beijo no rosto. Antes de se afastar.

-Hei, e eu? –Milo perguntou, fazendo beicinho.

-O que? –Aisty perguntou, já na porta para sair.

-Só ele ganha? –o Escorpião, perguntou, apontando para a bochecha do cavaleiro, que adquiriu um tom rosado, devido ao comentário. Aisty serrou os orbes de maneira perigosa, quando a temperatura do templo começou a cair. –Brincadeirinha; Milo falou rapidamente.

-Puff; a amazona resmungou, saindo do templo.

-Você não tem noção do perigo, não é Escorpião? –Kamus perguntou, voltando-se para ele, com um tom perigoso na voz.

Milo pareceu se encolher ainda mais na cadeira e voltou a tomar café antes que falasse mais alguma besteira.

II – Lágrimas.

Caminhava sem pressa pelas sinuosas ruas de pedra, destino? O cemitério do pequeno vilarejo. Havia passado mais cedo no templo de Athena, a procura de Diana, porém lhe disseram que a mesma havia saído.

"Precisava pensar..."; Dissera a amazona, segundo Aisty que estava no templo. Não precisaria pensar muito para deduzir onde ela havia ido.

Certamente havia ido aconselhar-se com os pais...

Na periferia do vilarejo por fim avistou o cemitério. Abriu os portões que ruidosos pareciam avisar a sua chegada e caminhou lentamente entre os jazigos em busca do tumulo da família Kinaros.

-o-o-o-o-o-

-Mãe, pai... Por que não me respondem? Eu sei, muito tempo se passou, mas ainda os sinto perto de mim...

Com vagar deslizou a mão sobre a lápide empoeirada, revelando os nomes Sócrates e Helena Kinaros.

-Quanto tempo...; Murmurou a amazona enquanto os orbes azuis detinham-se nas inscrições talhadas em grego sobre a pedra fria. –Treze anos e ainda sinto a falta de vocês...

Uma lágrima triste e solitária rolou dos orbes azuis e não pôde conter a sua queda. Gostaria tanto de poder contar com os seus conselhos, o seu carinho, agora mais do que nunca. O pai, será que ficaria feliz em ver que havia se tornado uma amazona, como sonhara? Sua mãe, como queria poder abraçá-la, sentir o calor reconfortante de seus braços que lhe acalentavam e protegiam de todo o mal.

Sentia-se confusa, perdida, como nunca havia estado em treze anos de solidão. Seus princípios, todos eles, estavam sendo postos em prova. O que era certo, o que era errado, mesmo que o seu senso de justiça continuasse intacto.

Muita coisa acontecera em treze anos. Não era mais a jovem indefesa que desconhecia as perversidades do mundo, fazia justiça, a sua justiça, porém às vezes ainda se sentia indefesa como há treze anos...

Como lutar contra algo que não se pode controlar, apenas sentir? Sentimentos os quais desconhecia e simplesmente não se sabe como controlá-los? Medo, angustia em sentir-se fraca diante de algo que abolira de sua vida no momento em que havia decidido tornar-se amazona?

"Somos muito mais que amazona e cavaleiro...".

Isso lhe perturbava, atormentava, dia após dia. Era como uma doença, um vicio o qual por mais que soubesse ser maléfico a si, insistia em continuar presa. A noite passada havia sido a prova disso...

Deturpara seus princípios, suas crenças, como amazona e mulher.

No que devia acreditar afinal? Que caminho deveria seguir? Tudo se transformara em um rodamoinho, uma grande confusão em sua mente. Apolo. A insanidade de Apolo estava prestes a gerar o verdadeiro caos entre os mortais. Não podia deixar-se levar por sentimentos banais e esquecer o seu verdadeiro propósito e razão de viver. Era uma amazona, serviria à Ártemis até quando por fim sucumbisse, mas antes disso não. Não antes de acabar com a loucura de Apolo.

Tinha que cumprir a sua promessa. Não permitiria que sofressem, que chorassem ou que sucumbissem ao bel prazer de qualquer que fosse o inimigo, Deus, monstro ou homem; serrou os punhos. Cumpriria a sua promessa e esqueceria, esqueceria tudo aquilo...

-Diana?

Sentiu o toque cálido de uma mão se fechar sobre seu ombro e voltou-se para trás vislumbrando um par de orbes verdes sobre si.

-Esteve chorando? -Indagou Aioros enquanto deslizava o polegar sobre as bochechas da amazona a fim de apagar as marcas das lágrimas que por ali haviam passado.

-Não, eu só...; Balbuciou Diana enquanto se levantava do chão onde estava sentada, mirando o arranjo de flores sobre o tumulo. –Estava com saudades...

-Eu sinto por você e sei o que quer dizer, também perdi meus pais muito cedo, mas...; Ponderou Aioros fitando a amazona que batia a poeira das vestes. –Não gosto de te ver chorando.

-Não se preocupe, vai passar; Disse a amazona voltando os orbes para o cavaleiro.

A sua atenção para consigo, sua preocupação em vê-la bem era algo que lhe acalentava. Sentia-se bem junto dele, como com ninguém mais. Porém temia que esse sentimento bom, essa paz em estar junto dele ruísse após o acontecido a noite passada.

-Procurei por você no templo de Athena e Aisty me disse que havia saído. Acho que; ponderou Aioros e o anseio da amazona por fim aconteceu. –Precisamos conversar sobre ontem à noite e...

-Eu, bem...; Balbuciou sem jeito. Esperava evitar esse momento constrangedor por mais alguns séculos, porém era melhor resolverem de uma vez. –Está bem, mas não aqui.

-Tem razão; Disse Aioros acompanhando a amazona para fora do cemitério.

III – Básico x Moderno.

-Diz pra mim, porque toda garota tem que ficar assim quando vê um shopping? –Kamus perguntou, fazia pouco tempo que estavam andando pelo centro e quando a jovem avistara o shopping central, simplesmente o arrastara para lá.

Agora ele estava andando com no mínimo dez sacolas, que variavam entre algumas roupas que a jovem insistira em comprar para si e algumas coisas dela, porém Aisty não parecia cansar-se de andar entre as lojas, alegando que era sempre mais fácil com o baixo movimento do lugar.

-Pense pelo lado positivo; Aisty começou, enquanto paravam em frente a uma loja de roupas masculinas. Observou atentamente a vitrine. Notando algumas camisas muito bonitas, das mais variadas cores. –"Uhn, deve ter alguma aqui que fique bem nele"; ela pensou.

-Qual lado? –Kamus perguntou.

-Há quantos anos você não renova o guarda-roupa? –ela perguntou com um sorriso maroto, puxando-o para dentro da loja.

-Hei, isso nunca foi importante; ele se defendeu.

-Maninho, convenhamos, você fica uma gracinha de preto, mas ta na hora de revolucionar um pouco; Aisty falou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo, vendo-o enrubescer.

Antes dele levantar, andara dando uma inspecionada no guarda-roupa e torceu o nariz ao ver que todas as camisas e calças tinham o mesmo padrão. Se viu uma peça que não fosse preta ou azul foi muito.

-Aisty; ele falou, a repreendendo.

-Em que posso ajudá-los? –um vendedor perguntou, aproximando-se.

-Por gentileza, guarda isso aqui pra gente, que temos muita coisa pra ver ainda; ela pediu, praticamente jogando as sacolas da mão de Kamus sobre o vendedor.

Não era uma loja normal. Era muito bem disposta, com locais para as pessoas se sentarem. As roupas eram finas e bem alinhadas em araras por toda a parte.

O vendedor afastou-se com uma gotinha escorrendo na testa, mas rapidamente voltou para junto do casal.

-O que desejam ver primeiro?

-O que acha, Kamus? –ela perguntou, voltando-se para o irmão.

-Já que não tem outro jeito; ele resmungou, ao vê-la abrir um largo sorriso. –Pode ser as camisas primeiro;

-Que cor, senhor?

-Preta / Verde; os dois falaram ao mesmo tempo.

-Como?

-Azul / Vermelha; novamente eles falaram ao mesmo tempo, fazendo o vendedor ficar um pouco atordoado.

-É melhor pegar uma de cada e a gente escolhe depois; Aisty adiantou-se em dizer.

-...; O vendedor assentiu, afastando-se.

-Só por curiosidade; Kamus começou. –Estou pra te fazer uma pergunta desde que voltamos de Delfos.

-O que? –ela perguntou, engolindo em seco, diante do sorriso nada inocente do irmão.

-O que esta acontecendo realmente entre você e Saga? –Kamus perguntou displicente. Enquanto observava algumas peças de roupa sobre uma bancada no meio da loja.

-Nada; Aisty respondeu, sentindo a face aquecer-se um pouco, mas desviou o olhar para que ele não visse.

-Aisty; Kamus falou, balançando a cabeça. –Sabe, que não consegue mentir pra mim, não é? –ele insistiu.

-Não é nada Kamus; ela falou em baixo tom.

-Isso é por causa daquele garoto? –ele perguntou, colocando a mão sobre o ombro da jovem. –De Naxos?

Aisty abriu a boca, como se fosse falar algo, mas o vendedor aproximou-se trazendo as peças, interrompendo-os.

Logo depois, Kamus já estava no vestiário experimentando uma serie de roupas que Aisty escolhera. Desde regatas a bermudas, calças e blusas que combinariam entre si e que de preferência não desse um ar muito serio ao cavaleiro, como as que ele vinha usando ultimamente;

-Ahn, eu gostaria de dar uma olhada naquela camisa; Aisty falou ao vendedor, observando ao longe, uma camisa preta de linho, mas com as mangas, com duas faixas bem delicadas em prata, com gola pólo e botões.

-Só um momento; o vendedor pediu, afastando-se para buscar a peça. –Aqui esta; ele falou, entregando a camisa a jovem.

-"Uhn, acho que essa vai ficar bem nele"; Aisty observou atentamente os detalhes da camisa. –Vou levar essa também, mas gostaria que arrumasse pra presente; ela falou, devolvendo a camisa ao vendedor.

-...; o vendedor assentiu, indo providenciar.

-Então, podemos ir? –Kamus falou, em tom de suplica, por não agüentar mais andar tanto.

-Já? –Aisty perguntou, fazendo ar manhoso. Viu Kamus suspirar e abrir a boca como se fosse dizer que eles poderiam ficar mais um pouco, mas não pretendia fazer aquilo com ele, era visível o cansaço do cavaleiro. –To brincando, vamos sim;

Não demorou a passagem no caixa para acertarem tudo. O número de sacolas dobrou, enquanto voltavam para o santuário. Aisty riu, em meio aos comentários nada discretos das pessoas ao verem o cavaleiro levando uma pilha de sacolas, embora ela também estivesse com metade.

Continua...