O Jardim das Rosas
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Isadora e Aaliah são uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 10:
Roubarei as cores da manhã, e um céu límpido
(Ruberò i colori del mattino, e um cielo límpido)
.I.
Estavam sentados na sala, quando a amazona disparou a pergunta, pegando-a completamente de surpresa e desprevenida. Agora simplesmente não existia mais tempo de pensar em uma resposta politicamente correta; Isadora pensou, engolindo em seco, temendo que suas suspeitas se confirmassem e aquela pergunta de Eurin, tivesse um determinado propósito, que a fizera trazer Afrodite junto, para aquela conversa.
-Como? –Isadora perguntou surpresa.
-Eu sei que você sabe como criar as rosas eter-...;
-Espera; a jovem a cortou, secamente. –Se você pretende bancar a kamikaze, querendo criá-las. Esqueça! Procure outra pessoa, não vou compactuar com isso e lhe contar o segredo; ela completou, veemente.
-Então existe realmente algo; Eurin falou, fitando-a seriamente.
-Eu já disse; Isadora respondeu, adquirindo uma postura defensiva.
-Amor, vá com calma, sim; Alister pediu, vendo que as coisas não estavam saindo exatamente como o planejado.
-Do que vocês estão falando? –Afrodite perguntou, fitando as duas jovens e pelo olhar de Isadora, Eurin teria sérios problemas se quisesse bater de frente com ela.
-Isadora, a situação é a seguinte. Creio que Eurin não soube se expressar direito; o pisciano começou, recebendo um olhar envenenado da amazona. –Ela não quer criar as rosas;
-Então? –Isadora perguntou impaciente, arqueando a sobrancelha.
-Eu só quero saber por que todos que a criaram morreram depois; Eurin falou a queima roupa, surpreendendo Afrodite, ao lembrar-se das rosas que vira em Vale das Flores.
-Porque não falou isso antes; a jovem falou, quase suspirando aliviada.
-E você deixou? –Eurin falou indignada.
-Não se preocupe Isadora, é o péssimo vicio de 'Não saber por que esta batendo, mas esperar que o outro saiba por que esta apanhando'; Alister justificou. –AIIII; ele gemeu ao levar um beliscão na esposa.
-E você pare com isso; a amazona avisou, com um olhar entrecortado. –Me desculpe se fui um pouco precipitada; Eurin falou, voltando-se para Isadora. –Mas esse assunto das rosas, anda me preocupando bastante;
-Imagino; Isadora murmurou, lembrando-se que ela não era a única. –Mas para resumir isso, podemos dizer que a culpa não é das rosas;
-Como assim? –Afrodite perguntou confuso.
-As pessoas não morrerem depois de criar a rosa; a jovem explicou, mas antes que pudesse terminar Eurin a cortou.
-Mas quando Aimê criou as dela, bem...; Eurin falou, com um olhar melancólico.
Uma nuvem de tensão caiu sobre aquela sala.
-Eurin, como posso te explicar isso; Isadora se perguntou, dando um baixo suspiro. –Quando foi exatamente que isso aconteceu?
-Bem, quando ela criou, foi na mesma época que aconteceu a batalha no santuário; Eurin respondeu, achando estranho a pergunta.
-Você pode se irritar, pode achar um absurdo, o que quiser. Mas acredite, ela já sabia que não iria agüentar por muito tempo; a jovem respondeu, mantendo-se impassível, mesmo diante do olhar atento de Afrodite sobre si.
-Você esta dizendo que ela sabia que iria morrer? –a amazona exasperou.
-Calma, por favor, deixa-a explicar primeiro; Alister pediu.
-...; Isadora assentiu. –Do contrario, ela não poderia criar as rosas;
-Não estou entendendo; Afrodite se manifestou.
-As rosas eternas, não são rosas comuns, você pode analisá-las, cem biólogos podem fazer o mesmo estudo da cadeia genética, mas nunca vão encontrar uma maneira de enxertá-la ou até mesmo, usar o DNA para cloná-las; ela explicou. –Cada rosa eterna é diferente, as que sua irmão criou, não são iguais as que a minha mãe criou, muito menos iguais as da Margarida; a jovem continuou.
-Quem? –Alister perguntou confuso.
-Já ouviu falar sobre a lenda da Rosa Vermelha de Lancaster? –Isadora perguntou, calmamente.
-Sobre Margarida de Ânjou? –Eurin perguntou, vendo-a assentir. –Pensei que fosse folclore;
-Você é uma amazona, vive entre cavaleiros, já enfrentou deuses e titãs. Quer mais quantas evidencias para saber que tudo é possível? –Isadora perguntou, em tom de desafio.
-O que tem essa lenda, Isadora? –Afrodite perguntou um pouco inquieto.
-Você sabe por que caíram as três lagrimas? –ela perguntou voltando-se para Eurin,
-Pelas coisas que ela não fez, pelas coisas que poderia ter evitado e pelas coisas que poderia ter mudado; Eurin balbuciou.
-A resposta sempre esteve ai. As rosas eternas são feitas de sentimentos e lembranças. Elas nascem através daquela ultima centelha de cosmo quando há o desprendimento. Qualquer pessoa, por mais forte que seja, quando sabe que vai morrer entre em pânico, tenta se apegar até o ultimo fio de vida para continuar vivendo. Cada um tem seu motivo particular que o mantém continuando. Mas quando ele deixa de existir; Isadora ponderou.
-Então; a amazona murmurou, tentando entender aonde ela queria chegar.
-Você não notou nada diferente no comportamento dela, nos meses que antecederam a criação da rosa? –a jovem continuou vendo que ela estava chegando ao ponto que queria abordar.
-Ela andava bastante inquieta, mas eu pensei que era por causa daquela infeliz na Melissa Carter que não deixava a Aaliah em paz; Eurin falou, com os punhos serrados.
-Filha de James e Alicia Carter? –Isadora perguntou, vendo-a assentir. –Aquela menina é um demônio encarnado, oh garota infernal; ela exasperou, para a surpresa dos dois cavaleiros.
-Você a conhece? –a amazona perguntou surpresa.
-Tive esse desprazer; a jovem respondeu, lembrando-se das poucas vezes que fora a Estolcomo com o pai e a madrasta e o mesmo resolvera ir a Visby, onde conhecera a garota. –Mas fora essa inquietação, algo mais? –ela perguntou, mudando de assunto, não queria nem pensar no quanto desejava mandar aquela garota para o Tártaro, ainda mais depois de ouvir tudo que Aaliah lhe contara sobre ela.
-Ela estava tossindo muito, mesmo depois da gripe que pegou ter passado, mas eu pensei que ela tivesse se recuperado bem. Nos últimos meses ela ficava o tempo todo com Aaliah, não era qualquer um que ela deixava se aproximar, mas não sei o que isso tem a ver; Eurin falou.
-Vou te falar uma coisa Eurin; Isadora começou em tom solene. –Sua irmã deve ter sido uma pessoal realmente excepcional;
-Como? –ela perguntou surpresa.
-Não é todos que sabem que vão bater nos portões de Hades e mesmo assim não perdem a fé, e sim, encaram isso com coragem e de frente. O problema Eurin, não é da dor daqueles que partem e sim, dos que ficam; Isadora falou, adquirindo um olhar melancólico. -Porque o medo que os prende aqui é que talvez aqueles que fiquem não tenham a mesma força para seguir em frente, mesmo que saibam que ainda não é o fim; ela completou.
-Aimê me disse a mesma coisa uma vez; a amazona confessou. –Disse que se algo acontecesse a ela, ela não se importava, mas temia por aqueles que ficariam como Aaliah... Droga, como não percebi isso? -Eurin exasperou, por fim.
-Eu não lhe culpo; Isadora falou compreensiva.
-Com licença; Cristina falou, entrando na sala com uma bandeja nas mãos. –Achei que gostariam de um café; ela falou, tentando apaziguar aquela tensão palpável existe naquela sala.
-Obrigado; todos responderam, ao servirem-se.
-Cris, por favor; Isadora chamou lhe a atenção.
-Sim;
-Pode pegar para mim, aquele vaso no escritório do ateliê? -ela pediu.
-...; a jovem assentiu.
Viu Cristina entrar pela porta do ateliê e rapidamente fecha-la, para que o quadro ali dentro não fosse visto. Pouco tempo se passou, enquanto cada um jazia imerso em seus próprios pensamentos.
-Aqui está; Cristina falou, retornando a sala com um vaso de cristal, mas esse era o menos importante.
Para a surpresa dos três o vaso jazia com pelo menos uma dúzia de rosas azuis com um leve tom de preto, como se fossem uma mistura equilibrada entre um príncipe negro e uma rosa azul.
-Um príncipe perfeito; Afrodite sussurrou surpreso.
-Minha mãe também as chamava assim; Isadora respondeu, indicando a jovem que colocasse na mesa de centro. Cristina despediu-se e deixou-os. –Essas são rosas eternas, minha mãe as criou antes de morre;
-A mestra, mas-...;
-Sim; Isadora a cortou. –Ela também já sabia, meu pai levou um bom tempo para me contar isso. Mas ela criou essas rosas, as ultimas... Na época eu pensei que eram rosas comuns, mesmo porque, era normal ver minha mãe criando rosas a qualquer momento, mas um ano depois descobri o que eram as rosas eternas;
-Como? –Afrodite perguntou curioso.
-Quando fui até Estolcomo na casa dos meus avôs, meu avô me deu um diário. Ele disse que era algo passado de geração em geração, contendo a descrição das técnicas desenvolvidas por cada membro da família quando era sagrado. Lá havia uma passagem, a ultima da geração da minha mãe. Onde ela falava do estudo que fez sobre a lenda da Rosa de Lancaster, desde a Guerra das Rosas aos últimos momentos de vida da Margarida de Ânjou. Ela descobriu também outras pessoas que tentaram canalizar o cosmo e criar a rosa, mas pereceram, porque o queimaram tanto, que as forças haviam acabado;
-Por quê? –Alister perguntou, preocupado quanto ao que conversara com Eurin mais cedo.
-Porque aquilo era uma atitude suicida e covarde, tudo na natureza tem seu tempo. Quebrar essas leis universais é o mesmo que pedir para o sol parar de brilhar. Ela tentou desenvolver a técnica, mas quando descobriu isso, preferiu deixar que quando fosse o momento certo, elas nasceriam por conta própria, como aconteceu;
-Agora entendo; Eurin murmurou.
Lembrou-se que quando chegara com Aaliah em casa, daquela vez, encontrara Aimê no caminho para o Vale das Flores com o vaso de rosas na mão e que sentira o cosmo do pisciano por perto, por isso a criança estava tão agitada.
-"Eles estavam se despedindo"; ela pensou.
Nunca fora a favor da irmã esconder do cavaleiro o nascimento de Aaliah, mas teve de respeitar, afinal, fora assim que a treinara para agir. Foram muito difíceis os meses que se seguiram a partida dela, mas cada vez que olhava para as rosas e lembrava-se da irmã, as mesmas pareciam cada vez mais vivas, intensas, como se lhe lembrassem de quem, jamais esqueceria.
-O segredo das rosas são os sentimentos e as lembranças; Isadora continuou, diante do silencio da amazona.
-Como assim? –Alister quis saber.
-Quando uma pessoa reprime muito os sentimentos, isso vai se acumulando em seu corpo, até chegar num pico e explodir. Você disse que Aimê criou as rosas, na época da batalha no santuário, não?
-...; Eurin assentiu, sob o olhar intrigado de Afrodite.
-Você nunca pensou que eles poderiam estar se despedindo? –Isadora falou, apontando para o pisciano, sem voltar-se para ele.
-Só agora; a amazona respondeu dando um baixo suspiro.
-As rosas eternas são criadas de uma explosão de sentimentos e lembranças. Elas não são eternas porque alguém disse que elas seriam assim, elas existem enquanto esses sentimentos perdurarem, você deve ter visto que em dados momentos as rosas pareceram mais vivas, não?
-...; ela assentiu.
-As rosas eternas são feitas de sentimentos, mesmo quando partimos elas ficam graças as lembranças de outras pessoas. As rosas que Aimê criou são eternas até quando pessoas que a conheciam e amavam, existirem. São esses sentimentos e lembranças, essa energia emanada por isso, que as mantêm existindo; Isadora completou.
Como era possível, uma flor nascer de sentimentos e lembranças? -ela se perguntou. Será que o amor que a irmã sentia pelo cavaleiro era tão grande ao ponto de ter perdido o motivo de continuar, quando o sentiu partir? Possivelmente; foi a única resposta que encontrou.
Embora Aimê nunca tivesse admitido, os primeiros meses de gestação foram marcados por muitas lagrimas de saudade pela separação. Infelizmente para muitas coisas estivera com os olhos vendados e deixara tais detalhes passarem.
-Bem, acho que esta na hora de irmos; Alister falou, notando o pesado silencio que cairá sobre eles.
-...; Eurin assentiu, levantando-se seguido dos dois. –Obrigada;
-Não foi nada; Isadora respondeu, vendo a jovem de melenas castanhas entrar na sala. –Cris, por favor, acompanhe-os pra mim;
-...; a jovem assentiu.
-Até mais; os três falaram.
-Até; Isadora respondeu, vendo-os saírem, enquanto recostava-se melhor no sofá.
Voltou-se para as rosas, dando um fraco sorriso. Elas pareciam mais lindas do que podia se lembrar. A muito as trouxera para Atenas consigo, graças ao avô materno.
Quando fugira de casa, vindo para o santuário, seu avô fora até a Baviera e pegara as rosas de sua mãe, impedindo que sua madrasta as destruísse. Quando veio do Brasil, foi buscá-las em sua casa.
Levantou-se do sofá, caminhando até a mesa de centro. Deu um baixo suspiro, antes de pegar as rosas e leva-las de volta ao escritório.
.II.
-Até mais; Cris se despediu do casal que se afastava, mas surpreendeu-se ao ver o pisciano ainda ali parado. –Algum problema senhor?
-Ahn! Você poderia ir dar uma volta, quero conversar sozinho com a Isadora? –ele perguntou, com ar serio, entretanto um pouco hesitante com aquilo.
-Mas...;
-Por favor; Afrodite pediu.
-...; sem alternativa Cristina apenas assentiu, antes de se afastar, era melhor dar uma volta e esperar que aqueles dois se resolvessem de uma vez.
-o-o-o-o-
Colocou o vaso de rosas sobre um aparador no escritório, fitou-as atentamente, com ar nostálgico.
-"Eles devem ter se amado muito"; Isadora pensou, com um olhar vago, enquanto aproximava-se de uma janela, com vista para o quintal, onde tinha um jardim também.
Apoiou-se no beiral da janela, reclinando-se para frente um pouco. Não conseguia evitar de se lembrar de como tudo acontecera. Não quisera falar com Eurin sobre isso, porque agora não faria mais diferença.
Mas poderia apostar até seus pinceis mais caros que no dia que Aimê criara as rosas eternas, todos às pétalas das rosas existentes em Vale das Flores se desprenderam, indo cair sobre o meio do lago.
Já vira essa cena, por isso sabia que era assim, era como se aquilo fosse um sinal, a típica despedida muda que não se pode mais pedir a aquela pessoa que fique, pois o tempo já havia acabado.
-Lembrança-
Fitou extasiada o belo animal alongas as asas brancas e sobrevoar a superfície do lago, tomando o devido cuidado ao pousar na beira do mesmo e enroscar-se em algum galho de roseira.
Subiu na grama, andando a passos pequenos até encontrar a garotinha de melenas esverdeadas e orbes rosados, sentada ali a lhe esperar, com o vestidinho azul rodado espalhado pela grama.
-Vem; a pequena Isadora chamou, estendendo os bracinhos, esperando-os se aproximar.
Uma tempestade parecia se aproximar, mas não se importara, sua mãe lhe deixava brincar ali enquanto Marie estivesse ocupada com outras coisas e como o pai estava dentro da casa, não seria encontrada brincando com Francis tão cedo; ela pensou, sorrindo arteira.
-Vem Francis; ela chamou, vendo o cisne bater as asas tirando os últimos resquícios de água, antes de ir sentar-se ao lado dela na grama, tendo o pescoço longo acariciado pelos dedos delicados da criança. –Você demorou hoje; a criança falou manhosa, vendo uma correntinha dourada bem presa ao pescoço da ave, com um brasão.
Eram amigos, desde que ganhara ele a dois anos atrás quando Francis ainda era um filhote, o cisne aos poucos fora crescendo e agora era o animal mais belo daquele lugar.
Outros cisnes com a chegada da primavera passaram a buscar o lago da casa como refugio, devido às flores e o ambiente convidativo, mas Francis nunca partia com a chegada do inverno, ele sempre estivera consigo em todos os momentos.
O cisne remexeu-se um pouco na grama, olhando para o céu, como se avisasse a pequena que era hora de entrar, pois a chuva não tardaria a cair.
-Ainda não; Isadora falou, fazendo beicinho com ar manhoso.
Queria ficar ali, pelo menos até Marie lhe encontrar e tirara de lá de qualquer jeito, como a baba sempre fazia ao entrar em pânico por não encontra-la dentro da casa.
Uma nuvem de poeira levantou-se do chão e um raio cortou o céu, Francis levantou-se rapidamente e grasnou, chamando a atenção dela. Isadora ficou em pé com um pouco de dificuldade, até conseguir se equilibrar, mas tapou os olhos com as mãozinhas ao ver as pétalas azuis das roseiras se desprenderem e cobrirem o lago a sua frente completamente.
Por um momento a pequena deixou-se perder o equilibro e caiu sentada no chão, Francis parou ao lado dela, mas por algum motivo inexplicável, lagrimas caiam copiosamente sobre a face alva da garotinha.
-Mãe; ela sussurrou, como se estivesse numa espécie de transe.
Rapidamente levantou-se e saiu correndo, com Francis tentando acompanha-la a passos mais curtos, mal chegara na porta da casa, Marie já se aproximava correndo, com um vaso repleto de rosas azuis na mão.
-Marie?
-Ela pediu que lhe entregasse; a baba respondeu num sussurrou, abaixando-se até a altura da criança.
Logo atrás viu seu pai descer as escadas do segundo andar com um semblante carregado e os olhos vermelhos de tanto chorar. Naquele momento entendeu que ela partira e que aquelas rosas azuis eram sua despedida.
-Cadê minha mãe, Marie? –a pequena perguntou, aflita.
-Ela não está mais entre nós;
-Fim da lembrança-
Tais palavras escoaram em sua mente durante anos de maneira aterrorizante, até serem substituídas pela revolta de ver seu pai procurando como escape para a dor que sentia casar-se novamente com a professora de maldades que treinou a madrasta da Cinderela, a bruxa má do Oeste que infernizava a Doroti ou até mesmo a Fada Madrinha do Shrek; ela pensou, dando um baixo suspiro.
.III.
Viu-a com um olhar perdido em frente à janela, próximo a ela o vaso de rosas eternas. As palavras dela ecoavam em sua mente. Por um momento hesitou em se aproximar, estava um pouco confuso, queria entender o que era aquilo que sentia toda vez que a olhava.
Aquele disparar de seu coração, o estremecer, a hesitação? Mas antes disso precisava resolver um outro assunto.
-Isadora! –Afrodite chamou em tom baixo, mas mesmo assim ela se assustou.
-Afrodite? –ela falou, virando-se surpresa para ele, pensou que todos haviam ido embora.
-Queria te fazer uma pergunta e gostaria que pela amizade que tem com Aaliah que seja sincera; o cavaleiro falou sério.
-...; Isadora assentiu engolindo em seco, não gostava nem um pouco desse tipo de conversa.
-Você acha que Aaliah voltou para Visby porque quer criar essa rosa?
-Como? –ela perguntou, sentindo a cor abandonar-lhe a face e tudo a sua frente girar.
Correu até a jovem segurando-a antes que caísse, mal terminara de falar, vira-a empalidecer tão rápido que sem duvidas ela iria ao chão, se não a alcançasse.
-Esta se sentindo bem? –ele perguntou, preocupado.
-...; Isadora assentiu, embora não conseguisse se mover.
Ele sabia, mas como? Será que Aaliah contra a Eurin, por isso a amazona veio falar consigo, mas Shaka lhe garantiu que ninguém mais sabia.
-Não se preocupe, eu já sabia! –Afrodite falou calmamente como se já imaginasse que algo do tipo aconteceria, guiou-a até um sofá duplo no canto da sala, onde se sentaram.
-Então você...; ela balbuciou.
-Que espécie de pai eu seria, se não soubesse aonde minha filha esta e os antecedentes de seu 'acompanhante'? -ele respondeu, fazendo um sinal de aspas com os dedos e dando um meio sorriso.
Sentia sua mente dar voltas e saltos, ele sabia, isso era um fato, mas...; ela ponderou.
-É melhor eu pegar um copo de água para você; Afrodite falou vendo que ela não se recuperara do susto, estava começando a ponderar se não devia mudar aquele habito de ser tão direto em algumas coisas e tão lerdo em outras; ele pensou, levantando-se, mas ela segurou, impedindo que se afastasse.
-O que sabe sobre isso? –Isadora perguntou quase num sussurro.
-Um dia antes deles viajarem, ligaram do aeroporto confirmando a mudança das passagens; ele respondeu, lembrando-se que pegara a extensão do telefone por acaso e ouvira a filha conversando com o atendente.
-...; Isadora assentiu, encontrando a lógica nisso.
-Mas preciso que me responda Isadora; Afrodite falou sério.
-Não é por capricho; ela respondeu, dando um suspiro pesado, por essa não esperava, mas seria uma boa hora para falar com ele a respeito disso. –Aaliah cresceu entre mulheres fortes e espelhou-se nelas para criar seu caráter é normal querer superá-las;
-Isso é um sim? –ele perguntou.
-Você não entende, não é? –a jovem falou, suspirando com pesar.
-Do que esta falando? –o cavaleiro perguntou, confuso.
-O problema não é criar a rosa e sim, porque criá-la; Isadora explicou.
-Não entendo; ele balbuciou;
-Percebe-se; ela resmungou, indignada, cruzando os braços na frente do corpo.
-Como? –Afrodite perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Aaliah não é a Aimê, Afrodite; Isadora falou com ar serio. –Ela quer criar essa rosa para mostrar para você que pode superá-la e ir alem; ela explicou.
Entreabriu os lábios, mas as palavras não saiam. Estava tentando entender o que ela queria dizer com aquilo, mas algumas coisas ainda eram complicadas.
-Aaliah te ama muito Afrodite, mas todos têm um limite e o dela já esta chegando ao fim; Isadora falou séria. –Nunca senti nenhuma paixão avassaladora por alguém, mas acredite, sei o que a saudade faz e o quão enlouquecedora pode ser;
-...; ele assentiu. Pelos deuses, como era enlouquecedora.
-Aaliah conviveu muito com a mãe para sentir que em dados momentos ela não estava bem e que isso tinha nome e signo específico, quando veio para cá, encontrou a mesma coisa. Ela viu a mãe lutar para fazer o melhor por ela e ser forte em momentos que outros fraquejariam, sabe quanto deve ser frustrante para ela saber que talvez não consiga superá-la ou pior, nem se igualar à mãe, quando é constantemente comparada com ela? –ela o questionou.
-Nunca pensei por esse lado, o cavaleiro comentou.
-Shaka me contou que elas eram bastante parecidas; Isadora comentou.
-...; Afrodite assentiu.
-Mas isso não quer dizer que sejam iguais; ela completou.
-Como? –ele perguntou, confuso.
-Cada uma teve uma criação diferente, viveram em épocas diferentes. É impossível que pensem e ajam iguais. Na época de Aimê para ela poder fazer alguma coisa, tinha que implorar para família ou literalmente chutar o balde, fugindo de casa se quisesse ser independente... Eu mesma tive que fazer isso, ou do contrario, sabe-se lá onde estaria agora; Isadora confessou, gesticulando displicente. –Mas a geração de Aaliah já foi uma fase um pouco mais fácil, já era uma época que as tradições estavam sendo quebradas e não existia aquela exigência de seguir os passos dos pais; ela explicou.
-Você fugiu de casa? –ele perguntou realmente curioso quanto a isso, praticamente ignorando o que ela disse em seguida.
-...; Isadora assentiu. –Minha madrasta queria me jogar em um colégio interno e eu queria ser amazona, como meu pai falava 'Amem!' para tudo que ela queria, eu fui embora; ela explicou.
-Nossa, nunca pensei q-...;
-Eu fosse fazer algo do tipo? –ela o cortou, arqueando a sobrancelha.
-...; ele assentiu com um sorriso envergonhado.
-Puff! Você me subestima demais; Isadora falou ficando emburrada, virando o rosto.
-Não mais; Afrodite falou, tocando-lhe a face delicadamente fazendo-a virar-se em sua direção.
Fitaram-se por longos minutos antes dela voltar a falar, querendo resolver de uma vez aquele assunto.
-Mas a questão é que Aaliah acha que só assim vai se equiparar a Aimê; ela completou desviando o olhar, corada.
-Mas porque ela não me disse nada? –ele perguntou confuso.
-Vê-se que é pai de primeira viajem; Isadora falou suspirando.
-...; serrou os orbes de maneira perigosa, diante do comentário dela.
-Alôoooooooooo querido! Pai é o ultimo a saber de tudo, alias, quando todos mundo já souber, ele aparece achando que descobriu uma novidade, mas cai de cara no chão; ela falou, sem esconder o sarcasmo.
-Acho melhor conversar com ela então; ele falou, arqueando a sobrancelha.
-NÃO! –Isadora falou, com ar assustado.
-Por quê? –Afrodite perguntou, achando estranha essa reação.
-Ai. Ai. Ai; ela suspirou, balançando a cabeça. –Vou dar um desconto porque é pai de primeira viajem, mas fala sério, onde estão os analistas nessas horas; a jovem exasperou.
-Uhn? –ele murmurou confuso.
-Olha, você acha que chegar agora e falar com a Aaliah vai ajudar em algo, mas não, você só vai conseguir fazê-la perder a confiança em si mesma e ficar frustrada;
-Mas...; o cavaleiro ponderou.
-Deixe que o Shaka resolva isso, ele não vai deixar nada de mal acontecer com ela e agora, ele é o único que pode tirar essa idéia da cabeça dela; Isadora completou veemente.
.IV.
Ouviu o som de passos próximo de onde estava, era como se alguém estivesse andando de um lado para outro; ela pensou, sentindo aos poucos aquele calor insuportável se suavizar. Céus! Estava realmente quente demais naquele observatório.
Abriu os olhos lentamente, acostumando-se com a luz do ambiente que por sorte era pouca, apenas uma brecha nas cortinas estava aberta e ela era direcionada para o lado oposto de onde estava, mas onde estava? –Yuuri se perguntou.
Logo flashs de memória voltaram a sua mente, lembrava-se de estar no observatório, o namorado chegar, depois Kamus e Aishi que vinham ajudar, ai... Tudo ficou escuro; ela pensou, virando-se na cama para melhor observar o lugar que estava.
Deu um baixo suspiro, tentando conter o recente mal estar que sentia, mas dessa vez não era pelo calor.
-Amore; ouviu o namorado chamar num sussurro, enquanto se aproximava da cama, preocupado.
Voltou-se para ele, com a face levemente pálida, não sabia se aquele era o momento certo para conversarem, mas não poderia fugir a vida inteira daquilo; Yuuri pensou, estendendo a mão para ele.
-Como se sente? –Guilherme perguntou, segurando-lhe a mão fortemente entre as suas, entrelaçando os dedos entre os dela.
-Enjoada; Yuuri respondeu o surpreendendo.
Primeiro ela desmaiava reclamando de um calor infernal, quase inexistente. Segundo, estava pegando alguns trejeitos seus que estava lhe assustando, não que achasse ruim, mas não condiziam com a personalidade dela. E agora, os enjôos, o que isso queria dizer? –ele se perguntou, com ar pensativo.
-Vou fazer um chá pra você, pode te fazer bem; o cavaleiro falou, achando essa a única alternativa no momento.
-...; a amazona assentiu, vendo-o se levantar e sair do quarto.
Deixou-se cair de maneira mais confortável na cama, respirando pesadamente. Precisava se controlar, não era hora para ter enjôos; ela pensou, sentindo grotas grossas de suor caírem por sua testa.
Poucos minutos se passaram, mas para a jovem pareciam eternos. Aquele mal estar estava lhe incomodado demais, só esperava que o chá pudesse acabar de vez com aquilo.
-Aqui está, fiz de morango, como você gosta; ele falou, aproximando-se da cama e ao vê-la sentar-se, estendeu-lhe a xícara.
Yuuri viu uma tênue fumaça esbranquiçada elevar-se da xícara, mas mal a aproximou do nariz, aquele cheiro forte invadiu suas narinas, fazendo algo desconhecido dentro de seu estomago dar um solavanco.
Devolveu a xícara rapidamente para o namorado e quase o jogando no chão, levantou-se da cama correndo em direção ao banheiro.
Equilibrando-se para não derramar o liquido na cama, Mascara da Morte colocou a xícara no criado e foi atrás dela, mas mal se aproximou ouviu alguns barulhos que imediatamente o fizeram torcer o nariz.
-Tem certeza que esta bem? –ele perguntou, esticando o pescoço para ver o que acontecia no banheiro, sem ter coragem de se aproximar.
-EU PAREÇO BEM POR ACASO? -ela berrou como resposta, fazendo-o engolir em seco.
-Eu só perguntei; o canceriano murmurou, encolhendo-se.
-Puff! –Yuuri resmungou.
Ouviu-a abrir a torneira e jogar um pouco de água no rosto, antes de deixar o banheiro. Ela estava ainda mais pálida; ele concluiu, vendo até os orbes verdes um pouco opacos.
-O que está acontecendo? –Guilherme perguntou sério, isso já não beirava mais ao normal como Aishi dissera e talvez fosse melhor leva-la ao medico.
-Bem...; ela balbuciou indo sentar-se na beira da cama.
-Yuuri, você não pode ficar passando mal assim, precisa ir ao médico; ele falou, sentando-se ao lado dela, tomando-lhe as mãos entre as suas.
-Eu já fui; a amazona respondeu quase num sussurro.
-Já foi? Porque não me disse? –o cavaleiro perguntou surpreso.
-Eu não sei; ela murmurou, abaixando os orbes marejados.
-Me conta o que esta acontecendo e vamos resolver juntos; ele falou, tocando-lhe a face carinhosamente, fazendo-a encarar-lhe novamente.
-Estougrávida; Yuuri falou de uma vez.
-Como? –Guilherme perguntou confuso. Tentando entender se ouvira certo.
-Estou grávida; ela falou mais devagar agora, esperando por alguma reação dele.
-De quanto tempo? –o cavaleiro perguntou, sentindo as mãos dela apertarem-se entre as suas.
-Dois meses;
-Entendo; ele murmurou.
Por isso notou que ela estava tão agitada nos últimos dias, mas não pensou que a resposta, fosse exatamente essa.
-Só vai dizer isso? –ela perguntou incerta.
Abriu a boca para responder, mas mal conseguiu pensar em algo levou um belo de um safanão na orelha, sendo jogado contudo no chão.
-Hei!
-Idiota; Yuuri vociferou, levantando-se da cama.
-Yuuri; Mascara da Morte chamou, vendo-a se encaminhar para a porta, enquanto se levantava.
-Seu insensível; ela falou, voltando-se para ele com os orbes rasos de lagrimas.
-Amore; ele falou, em tom suave tentando se aproximar, mas foi repelido por um olhar envenenado dela, era melhor nem pensar que ainda tinham mais sete meses pela frente.
-Não me chame de 'Amore' seu insensível; Yuuri vociferou, abrindo a porta com brusquidão.
Deu um baixo suspiro, era melhor ir se acostumando com o que falava, a forma como falava e tudo o mais, antes que alguma tragédia acontecesse; ele pensou correndo até ela.
Antes que pudesse passar da porta, sentiu-o enlaçar-lhe pela cintura e suspender-lhe do chão.
-Me solta; ela mandou, agitando-se.
-Calminha, não vai querer fazer mal para o bebe, não é? –ele perguntou, aninhando-a entre seus braços.
-Uhn? –Yuuri murmurou confusa.
Caminhou lentamente até a cama, deitando-a com suavidade sobre a mesma. Voltou-se para a jovem fitando-a intensamente, Yuuri piscou confusa, diante do olhar dele que agora parecia tão indecifrável.
Estavam a bastante tempo juntos, mas existam coisas que ainda não entendia. Olhares intensos que mostravam mais do que qualquer palavra dita, pequenos gestos que poderiam ser banais para alguns, mas que queriam dizer muita coisa para ela. Deu um baixo suspiro, mas esse olhar, ainda não compreendia.
-Lembra do que lhe disse, na noite do nosso primeiro jantar? –ele perguntou, quase num sussurro vendo-a assentir, inclinou-se sobre ela, até suas testas se tocarem e pudesse apoiar as mãos próximas a jovem, sobre a cama. –Io te amo e nada vai mudar isso;
-Guilherme; ela sussurrou, sentindo a respiração quente e ritmada dele chocando-se contra sua face.
-Ter um filho com a mulher que amo, é mais do que eu poderia sonhar. Não sei se mereço tanto; o cavaleiro continuou num sussurro para que somente ela ouvisse, embora só estivessem os dois ali.
-...; entreabriu os lábios para falar algo, quando sentiu os dele sobre os seus, obliterando qualquer pensamento que tentava se formar em sua mente.
Timidamente seus braços o enlaçaram pelo pescoço, enquanto o sentia envolver-lhe lentamente em um abraço terno e reconfortante.
Afastaram-se lentamente, as respirações estavam descontroladas e os corações batiam agitados.
-Amo você; ela sussurrou, tocando-lhe a face ternamente, vendo-o segurar sua mão, levando-a aos lábios, dando-lhe um beijo suave.
-Também te amo; ele completou.
Continua...
Domo pessoal
Desculpem a demora, mas o pc andou encrencado. Mas aqui está o capitulo, espero que tenham gostado. Aos poucos as coisas estão se acertando e peço desculpa aos diabéticos, mas os próximos capítulos vão ser bem açucarados.
Obrigado a todos que deixaram reviews, desculpem se ainda não respondi para alguém, mas o ff-net anda sobrecarregado e os e-mails de alert não estão chegando, mas assim que isso se normalizar, responderei com prazer os coments.
No mais, deixo um 'Tanks' especial pra Saory-san que me agüentou o final de semana inteiro injuriada por causa do pc encrencado. Miga, valeu pelo apoio, agora to de volta a ativa \o/... com pc turbinado e tudo.
Grande bj a todos e até a próxima
Ja ne...
