NT: Gente, só pra deixar claro, essa história está sendo postada também no SpiritFanfics. Meu nome lá está como "Luciel Loren".

Se quiserem comentar alguma coisa, dar umas sugestões ou perguntar algo que tenha uma reposta mais imediata, podem me procurar por lá, ou não. Vocês que escolhem s2

HP D E –

Capitulo 10

– Harry! – Hermione exclamou na tarde seguinte enquanto Harry tentava escapar da sala comunal despercebidamente. Obviamente, falhou.

Ele virou para encará-la e lhe deu um sorriso inocente.

– Sim, Hermione?

– Onde você acha que está indo?!

– Er... Para uma caminhada?

– E o que aconteceu com sua promessa de explicar o que você fez na tarefa? – Ela perguntou em voz baixa, enquanto chegava mais ao seu lado. – Você não se transfigurou, certo? E sobre que assunto o Diretor Dumbledore queria falar com você depois da tarefa?

Harry franziu o cenho e deu-lhe um breve brilho de aversão antes de encobrir a expressão por uma de "hesitante preocupação". Ele sabia que não poderia se esquivar disso pra sempre. Embora, claramente, ele esperasse que mais um dia passasse antes de ser interrogado novamente.

– Tudo bem, – ele murmurou – mas se eu tenho que fazer isso, farei quando você e Ron estiverem juntos, falarei de uma vez só. Não quero precisar me repetir.

Seus olhos se iluminaram e ela sorriu.

– Tudo bem, vou buscar ele.

Ele revirou os olhos, enquanto ela virava as costas, ele suspirou chamando sua atenção..

– Vamos fazer isso no nosso dormitório - meu e de Ron. Os outros caras estão aqui embaixo, então teremos alguma segurança lá em cima.

Ela acenou com a cabeça olhando por detrás de seu ombro e rapidamente correu pela sala comunal, para a mesa onde Ron estava envolvido em um jogo de xadrez com um dos segundos anos que tinha sido crédulo o suficiente para concordar em participar da partida.

Ron parecia irritado por ser interrompido, mas Hermione estava sendo bastante insistente. Harry ficou parado e tentou pensar em como exatamente ele poderia abordar tal situação. Não era como se ele se importasse caso eles estivessem ofendidos por ele ter mantido segredos deles, mas ele queria evitar algum tipo de conflito caso pudesse gerenciá-lo antecipadamente.

Finalmente, Hermione voltou com Ron logo atrás de si. Harry suspirou, mas principalmente com exasperação e aborrecimento por ter que lidar com isso.

Os três subiram as escadas para o dormitório dos meninos e se posicionaram em torno da cama e da mesa de Harry. Harry tirou a varinha e apontou para a porta. Alguns movimentos e feitiços depois e a porta estava trancada. Um encanto de privacidade havia sido colocado.

Hermione e Ron estavam olhando para ele com olhos largos, curiosos e ligeiramente confusos.

Ele abaixou a cabeça com tímida simpatia e esfregou a parte de trás do pescoço enquanto se sentava na cama.

– Eu, er... Não quero que isso saia daqui. Teoricamente, eu poderia entrar em problemas reais por causa disso – disse Harry, olhando para eles e lhes dando um sorriso fraco.

– Ter problemas com o que?! – Hermione perguntou enquanto seus olhos cresciam de repente, extremamente preocupados.

– Bem... Ok, então você me fez duas perguntas, certo? Você perguntou se eu realmente me transfigurei e o que o diretor queria falar comigo depois da tarefa.

– Sim – Hermione disse, balançando a cabeça. Ron parecia um pouco perdido e observou os dois com curiosidade.

– Bem, eles estão meio que vinculados. O diretor queria saber o que era eu também. Eu disse a ele, e ele está bem com isso, então eu não estou com problemas com ele. Eu simplesmente não posso arriscar isso que isso vá para qualquer um no ministério.

– O que você fez, Harry?! – Hermione perguntou com um tom exasperado.

– Eu... Me tornei um animago – ele disse com um sorriso tímido e com um leve encolher de ombros.

Ron pareceu atordoado, mas Hermione olhou para baixo, com a feição irritada.

– Você o que? Como? Quando? Se tornar um animago leva anos! Como...

– Eu comecei no ano passado. No início, na verdade – murmurou Harry, olhando para suas mãos e dedilhando sua varinha.

– Certo! Mas... Espera, quando? E por que você não disse nada sobre isso? – Hermione perguntou, seu tom mudou para dolorido, ao invés de surpreso ou reprovador. Ron estava franzindo a testa e parecia igualmente chateado.

– Eu... Eu simplesmente não podia. Quero dizer... Ok, você sabe sobre como se tornar um animago?

Ron balançou a cabeça, mas Hermione, como esperado, teve uma resposta.

– Primeiro você tem que preparar uma poção bastante complicada. A poção revela se você tem ou não uma forma animal e o que será. E então você deve passar por meses de prática meditativa, seguido por muitos meses de transformações parciais e graduais de cada um de seus membros individuais e partes do corpo. Então...

– Certo – disse Harry, cortando-a.– Então, a primeira coisa que fiz foi descobrir se eu poderia mesmo ser e qual seria a minha forma.

– Isso. – Hermione disse com um rápido aceno de cabeça, irritando-o.

– Bem, eu meio que... Fiquei assustado quando vi o que era minha forma.

– Qual é a sua forma? – Ron perguntou, finalmente falando pela primeira vez.

– Er... Uma cobra – murmurou Harry.

Os olhos de Ron se arregalaram e a pele ficou pálida.

Hermione, aparentemente, já havia deduzido isso e realmente não pareceu surpresa.

– Sim... Então, de qualquer forma, quando percebi o que seria minha forma... Acho que não queria lhes dizer. Eu não queria dizer nada antes, porque não queria começar a ter esperanças sobre isso pra depois descobrir que não tinha uma forma animago. Então, tudo funcionou e eu acabei descobrindo que minha forma animago é uma malditamente grande cobra e eu sabia que seria estranho pra você – disse ele, olhando diretamente para Ron.

Ron pareceu estar prestes a protestar, mas Harry o interrompeu continuando.

– Eu fiz os exercícios de meditação e respiração à noite antes da cama, só... Eu não sei, apenas tanto faz. Eu nem estava tentando tanto nos primeiros meses. Era principalmente algo para manter minha mente longe de outras coisas.

"Mas durante o verão, quando fiquei preso nos Dursleys, trabalhei muito sobre isso. Quero dizer, eu não tinha mais nada para fazer. Eles trancaram todas as coisas da escola no armário e não me deixavam entrar na sala de estar na maior parte do tempo. Então acabei ficando dentro do quarto, praticando a transformação animago".

Hermione ofegou.

– Mas Harry! Nós não devemos praticar magia fora da escola!

– Sim, mas isso não requer uma varinha e eu não acho que ele acabe tendo um rastro mágico, como a magia normal tem. Eu não lanço nada, pelo menos não da maneira que os feitiços normais são lançados. Em todo o caso, nada que eu fiz nunca resultou em uma carta do Ministério, então eles obviamente não conseguem saber de nada.

"Eu não pratiquei muito no primeiro mês da escola, mas depois que eu fui arrastado para o torneio e vocês dois me abandonaram, eu tinha muito mais tempo livre em minhas mãos, então eu me reorientei no meu treinamento. E então, depois de ter obtido a pista para a segunda tarefa e percebi que precisaria entrar no Lago Negro, achei que minha forma animago poderia me ajudar com a tarefa, ai eu comecei a trabalhar realmente muito duro nela. Só a dominei há três semanas, na verdade."

– Eu... Eu não posso acreditar que você não confiou em nós com isso, Harry – Hermione disse, enquanto o olhava tristemente.

Harry sorriu.

– Não é sobre confiança. Eu só... Quero dizer, sim, eu estava bastante certo de que vocês poderiam ficar um pouco agoniados com a coisa da cobra, embora eu também percebi que você iria superar isso em algum momento. Mas principalmente Eu só... Eu não sei o porquê, mas eu só queria manter isso para mim. Isso era... Era algo que meu pai fazia. Claro, eu descobri mais tarde que ele fez isso com seus amigos, Mas originalmente eu só queria fazê-lo sozinho. E depois do jeito que vocês dois se voltaram contra mim após o Dia das Bruxas, eu realmente não quis... Compartilhar com qualquer um de vocês. E mesmo depois de tê-los perdoado, eu havia mantido o segredo por tanto tempo, eu simplesmente não sabia como contar a qualquer um de vocês.

– Oh, Harry... – Hermione disse, lhe dando aquele olhar triste e compreensivo que o fez querer franzir o cenho para ela.

Ele conseguiu se conter, e manteve sua cabeça inclinada, tocando nervosamente a bainha de suas vestes.

– Embora, eu acho que tal ato solitário foi incrivelmente imprudente – Hermione disse com um longo suspiro – Poderia ser tão perigoso, Harry! Há tantas coisas que podem dar errado ao tentar a transformação animago! Você poderia ter ficado deformado para sempre.

Harry simplesmente encolheu os ombros e manteve sua cabeça abaixada com tímidez.

Um silêncio incômodo e pesado ficou na sala por um minuto.

– Então... Você não pode... Escolher sua forma animago ou qualquer coisa do tipo? – disse a voz de Ron, quebrando o silêncio.

Hermione deu um olhar exasperado e olhou para Ron.

– Não, Ron. Você não pode escolher sua forma animago. Nem todos têm uma. A maioria das pessoas não tem.

– Bem... Como sua forma de animal é escolhida, exatamente? – Perguntou Ron.

– Esta forma de animal não é escolhida pelo mago, mas determinada por sua personalidade e traços internos. Assim, a forma de Animago é um reflexo da natureza interior de alguém – disse Hermione – Estou repetindo algo que li.

Os olhos de Ron se arregalaram e ele deu a Harry um olhar perturbado. .

Harry ergueu os olhos e franziu o cenho.

– Viu? É por isso que eu não queria contar.

– O que! – Ron disse, defensivamente. – Eu não disse nada!

– Talvez não, mas posso dizer, pelo seu olhar, o que você pensou. Você está se perguntando o que, na minha "natureza interior" poderia ter resultado em eu acabar por ser uma cobra – disse Harry, resmungando e franzindo o cenho de uma maneira mais imaturo, com um beicinho. Ele esperava que o ato fosse convincente.

– Eu não estava! – Exclamou Ron, mas sua voz balançou um pouco, mostrando que Harry tinha razão. Não que ele tivesse duvidado. Ele tinha um bom entendimento sobre como a mente do ruivo funcionava.

– Harry, está tudo bem. Você não precisa esconder esse tipo de coisa de nós. Nós somos seus amigos – disse Hermione, enquanto apontava um olhar firme para Ron.

– Sim, Harry. Quero dizer... Sim, é meio... Estranho, mas é só isso. Ainda é legal que você possa se transformar em um animal, certo?

Harry ergueu os olhos e deixou um pequeno sorriso sombrio aparecer no canto da boca.

– É muito legal e ainda posso lançar a ofidiomagia na minha forma de serpente do mar. É ótimo.

Hermione ofegou quando a mão dela voou até a boca.

– Isso é impossível! Você está brincando!

– Não. Um animago normal não pode realizar magia enquanto está em sua forma animal, porque eles não podem segurar uma varinha ou falar, mas tudo que eu preciso fazer para executar ofidiomagica é falar na língua das cobras, coisa que eu posso fazer nessa forma. Você sabe o feitiço localizador que eu ensinei a mim mesmo para a tarefa, mas que não mostrei a vocês? Era realmente ofidiomagia. Por isso que eu não queria praticar na sua frente. Eu sabia que você perguntaria por que eu estava aprendendo um feitiço ofidiomagico, em vez de aprender um mágico normal e então eu teria que explicar sobre a coisa toda sobre o Krait do Mar.

– Espere... O que é um Krait do Mar? Perguntou Ron, parecendo confuso.

– É o tipo de cobra em que eu me transformo.

– Oh... – Ron respondeu, ainda parecendo confuso.

– É a única cobra do mar que mantém características suficientes de serpentes terrestres normais para viver tanto na terra como no mar. Então, foi realmente conveniente para a tarefa. Posso nadar rapidamente debaixo d'água.

– Uau... – Ron parou e ficou pensativo por um momento - o que significava que ele parecia constipado. – Posso... Posso ver?

Harry piscou com franca surpresa. Ele olhou para trás, vindo uma excitante curiosidade que queimava atrás dos olhos de Hermione também.

– Hum... Eu acho que sim. Sim, claro. – Harry disse enquanto se levantava e caminhava desajeitadamente para o centro da sala.

Se passaram mais de três semanas desde a última vez que ele realizou a transformação enquanto estava acima da água, então ele se sentiu um pouco estranho no início. Na câmara, ele descobriu que funcionava melhor se o fizesse enquanto estava de joelhos, então ele fez isso.

Harry respirou fundo, fechou os olhos e se concentrou no processo de transformar seu corpo.

Ele sentiu a energia de sua magia como pinos e agulhas em cada pedaço de pele e a estranha sensação que vinha com suas pernas magicamente se fundindo, seus braços se encolhendo em nada. Transformando-o parcialmente.

Ele ouviu um suspiro de Hermione e um grunhido de Rony, mas ignorou enquanto seu corpo se afundava e se alongava pelo chão. Ele abriu os olhos e soltou a língua, sentindo o ar ao redor dele. Ele deslizou pelo chão até a base da cadeira em que Ron estava sentado. O ruiva parecia estar a ponto de desmaiar. Na verdade, quando Harry se aproximou, Ron levantou os pés do chão e agarrou seus joelhos.

Harry "riu", riso esse que saiu como uma série de assobios. Ele ergueu a cabeça do chão com facilidade, até que sua cabeça agora estava quase ao nível dos olhos de Ron. Harry era uma cobra muito grande, afinal, então fazer isso era algo bastante simples.

– Meu Deus – Ron gritou, com uma voz alta e afetada.

– Uau... – Hermione disse em voz baixa.

Harry baixou-se de volta ao chão e deslizou ao redor do espaço por um minuto antes de voltar para o chão, bem em frente deles. Se enrolando em uma grande pilha, na frente de Hermione. Mais uma vez, levantou a cabeça para cima, de modo que ele estava agora a ponto de se nivelar com o colo dela. Hesitantemente, ela estendeu a mão e acariciou sua cabeça. Ele sibilou outra risada e seus olhos se arregalaram por um momento, mas logo a feição mudou e, no rosto dela surgiu um sorriso.

Ela passou a mão pela cabeça dele, indo um pouco mais para baixo – na região do pescoço, sorrindo cada vez mais com cada ação.

– Você é tão suave... Eu nunca esperei que uma pele de um cobra fosse assim – meditou calmamente.

Harry olhou para ela com um pouco de surpresa, mas então ele supôs que não deveria ser tão surpreendente que Hermione nunca tivesse tocado uma cobra antes.

– Você quer sentir, Ron? – Ela perguntou se voltando para o ruivo, que ainda parecia levemente horrorizado.

– O que! – Ele gritou. – Uh, não... Er, isso provavelmente seria um pouco... Estranho.

Hermione revirou os olhos e voltou a atenção para Harry.

– Bem, Harry, eu tenho que admitir que saber sobre a forma de cobra foi um pouco estranho no começo, mas acho que agora é brilhante.

Ron deu uma olhada que dizia a Harry que achava que aquilo era tudo menos "brilhante", mas ele permaneceu em silêncio.

Harry sorriu, internamente, e deslizou de volta para o centro aberto da sala, onde ele rapidamente se transformou de volta em si mesmo.

– Isso é só... É incrível, Harry! – Ela sorriu, se levantando, indo em direção a ele. Para sua surpresa, Hermione o puxou para um abraço apertado. – Eu estou tão orgulhosa de você!

Ela se afastou e o sorriso em seu rosto era tão brilhante e feliz que ele realmente sentiu que uma pequena faísca de culpa o atravessava, de repente, por mentir tanto para ambos. Bem... não para os dois. Apenas para Hermione.

– Er, obrigado – disse Harry, abaixando a cabeça e estendendo a mão para esfregar nervosamente a parte de trás do pescoço.

– Então, você vai contar a Sirius? – Ela perguntou com entusiasmo e Harry simplesmente piscou para ela surpreendido.

– Oh, eu er... Eu... Não sei. Eu realmente não pensei muito nisso.

– Não pensou sobre isso! – Hermione ecoou com descrença.

– Bem, quero dizer, pensei que ele poderia ter o mesmo tipo de resposta que er... Ron – ele disse, atirando em Ron com um olhar de desculpas. As orelhas de Ron ficaram um pouco vermelhas e ele aparentou estar um pouco envergonhado.

– Não seja bobo, Harry! Sirius nunca pensará menos de você por ter uma cobra como sua forma animago. Tenho certeza de que ele ficará tão impressionado ao descobrir que você conseguiu aprender algo tão complexo e difícil enquanto você ainda tem apenas catorze anos! Quero dizer, honestamente, Harry, isso é realmente uma realização incrível! Eu não acho que você percebe quão enorme é esse feito! – Hermione disse, exasperada.

– Sim... Acho que vou lhe dizer, então... Isso é, se realmente o vermos pessoalmente. Não vou correr o risco de escrever sobre isso em uma carta.

– Por que não? – Perguntou Ron.

– Eu não quero arriscar que o Ministério descubra – Harry explicou, olhando para Ron.

– Huh? Por que não?

Hermione deu suspiro irritado.

– Porque então ele teria que se registrar, é claro – disse ela antes de pausar e olhar para Harry. – O que o professor Dumbledore disse sobre isso, afinal?

– Não muito, honestamente. Na verdade, não é exigido pela lei registrar o formulário animago de uma pessoa até completar 17 anos, então não posso ser processado por não ter contado a eles antes disso. Mas eu gostaria de permanecer sem registro enquanto for possível.

– Por que não se registrar? – Perguntou Ron.

– Porque, é um registro público, e todos saberão que minha forma animago é de uma imensa cobra.

– Oh... Sim, acho que essa seria uma boa razão para ficar quieto – disse Ron.

– De qualquer forma, eu concordo que talvez seja o melhor não se registrar se você não o tiver que fazer. Mas você definitivamente deve dizer a Sirius, caso o vejamos no proximo fim de semana – Hermione disse em um tom bastante mandão no qual Harry já havia se acostumado a escutar.

Ele revirou os olhos, mas deu um sorriso angelical.

– Tudo bem. Eu vou descobrir como dizer a ele. Enfim... Eu realmente queria dar uma volta no castelo para limpar minha cabeça, então vou sair um pouco.

– Quer companhia, amigo? – Perguntou Ron, olhando esperançoso.

– Nah, obrigado Ron, mas eu estava esperando por alguma paz e silêncio. Volto em uma hora, ok?

Ron franziu o cenho, mas suspirou e encolheu os ombros. – Sim, claro – ele resmungou.

Harry tirou o feitiço de bloqueio e de privacidade com uma parte de sua varinha, pegou sua bolsa de volta e saiu para a sala comunal.

Ele ficou bastante impressionado consigo mesmo. Não só conseguiu agir impressionantemente rápido, mas quase não sentiu o desejo de estrangular ambos. O que realmente era uma façanha, considerando que eles estavam "roubando" seu tempo que ia diariamente para o treinamento das artes das trevas. Qualquer atraso excessivo em sua prática diária e ele ficava inquietamente nervoso. Harry já estava começando a se sentir mais seguro de seu controle sobre a magia negra que crescia cada vez mais forte dentro dele.

Ele o controlava com maior facilidade à medida que o tempo passava e ela não o deixava mais tão louco quanto antes. Ainda assim, era totalmente incrível. O poder era verdadeiramente viciante e ele adorava cada minuto. Houve alguns dias – geralmente dias em que ele teve que comparecer à História da Magia ou Adivinhação – onde passava todo o maldito dia ansioso por seu tempo na câmara.

Ele foi para trás de uma tapeçaria, colocou o manto e puxou o Mapa do Maroto, para verificar se não havia ninguém com quem se preocupar antes de fazer a rápida caminhada para o banheiro da Murta no segundo andar.

Ele realmente precisava estar ir ali naquela noite. Estava ansioso para soltar um pouco de magia proibida e ele podia sentir todo o seu corpo vibrando com antecipação ao que estava por vir. Com um sorriso perverso em seu rosto, ele foi para a câmara, onde o cadáver do basilisco se encontrava.

HP D E –

§ Ah, Nagini. Apenas o que eu precisava. Todo esse tempo sozinho está dando muito tempo à minha mente para vagar §.

§ O que te incomoda, meu mestre? § Nagini sibilou, enquanto ela deslizava na parte de trás da poltrona. Ela continuou a pousar a cabeça sobre o apoio de braços e a mão de seu mestre surgiu para começar a acariciar levemente suas escamas belas e suaves.

§ Muitas coisas me incomodam, pet*... Coisas nas quais não consegui trabalhar durante muito tempo, que me incomodam muito, e agora estou tentando planejar como enfrentá-las. O tempo se aproxima, poderei finalmente retomar o meu trabalho, mas temo que seja demais, mesmo para mim. Eu perdi tanto tempo... E, mesmo antes do infortúnio que me deixou na meticulosa meia-vida por mais de uma década, perdi tanto tempo e perdi muitas oportunidades. Eu realmente não deveria deixar minha mente pensar nessas coisas, mas em noites como esta, eu acho que não consigo parar §.

§ Não consigo entender, meu mestre. Você pode me contar mais? Eu vou entender. Eu vou ajudar §.

Ele desviou o olhar, ficando com os olhos distantes. Suspirou, relaxando ainda mais no seu assento enquanto seguia seus dedos suavemente sobre a cabeça dela.

§ Na minha juventude, eu era tão ingênuo ele começou baixinho § Pensei que eu poderia salvar o mundo de si mesmo ele riu sem humor Não vi o porquê de esperar até o fim dos dias, para a vinda do Julgamento Final. Por que esperar para parar os trouxas quando acontece? Por que não começar a trabalhar agora? Erradicar os pequenos monstros sem valor. Destrui-los antes que eles possam destruir todos nós. Ah... Se fosse assim tão fácil §.

"§ Há muito tempo vi o erro dos meus caminhos. Minha educação dada pelos trouxas miseráveis naquele maldito orfanato nublou meu julgamento. Eu saí do meu caminho e eu estava descuidado. Quando comecei a perceber o que fiz, senti como se tivesse desperdiçado muito tempo... E então ouvi aquela maldita profecia. Devo admitir que entrei em pânico. A perspectiva de ter alguém que me "venceria" antes de conseguir compensar meus erros e perder tempo... Antes que eu pudesse realmente definir o movimento que precisava fazer ... Eu não podia permitir isso. Eu tive que remover a ameaça antes que ela pudesse realizar tal ato. Se isso significasse matar um bebê, então que assim fosse. Não era assim que eu costumava operar, mas era o que precisava ser feito.

Mas, é claro, todos os meus esforços realizados foram atrasados substancialmente por que tudo explodiu na minha cara... Literalmente ele zombou, amargamente.Fui deixado no limbo por mais de uma década. Uma década em que eu não estava morto, mas também não vivo. Eu não poderia continuar meu trabalho, mas a Magia não podia considerar um novo Senhor para assumir meu papel porque eu ainda estava um pouco vivo e, portanto, retive meu título e meus poderes.

Assim, o poder da Luz floresceu e o equilíbrio ficou ainda mais perturbado. O que é pior, aquele maldito idiota que é Dumbledore obteve ainda mais controle para educar os feiticeiros britânicos, quase sem oposição, durante todo esse tempo e ele empurrou seus ideais distorcidos para a mente de uma geração inteira de feiticeiros.

Temo que o Fim esteja mais perto do que eu pensava ser possível. Quanto mais eu aprendo sobre os avanços que os trouxas fizeram, enquanto eu estava... Longe, mais minha preocupação cresce. Sua ciência se tornou poderosa, minha querida. Muito poderosa. Se eles nos descobrissem... Descobrissem a magia, acho que eles poderiam fabricar as ferramentas para roubá-la. Se não agora, em breve. Menos de uma década ou duas, imagino.

Uma vez, procurei a imortalidade para garantir que eu pudesse ficar na terra dos vivos o tempo suficiente para lutar pessoalmente na batalha que está por vir, mas agora me pergunto se isso ainda é necessário. Eu acho que já posso ver isso durante minha vida natural. Então, novamente, se eu não tivesse tomado tais medidas, eu não teria sobrevivido ao incidente com os Potter.§ ele adicionou amargamente com uma careta

§ Suponho que um dos meus maiores medos é que meus erros epicamente idiotas podem ter nos aproximado do FIM, mais cedo do que teria acontecido de outra forma. Embora a culpa ainda esteja quase inteiramente nas mãos do grande idiota – Dumbledore. Temo que não haja tempo suficiente para definir as coisas corretamente. As coisas estão além do que eu posso controlar §."

§ Você é um Mestre muito forte. Se alguém pode fazê-lo... Esse alguém é você §.

Ele riu e esfregou seu pequeno e ósseo polegar ao longo da parte superior da cabeça da cobra. Ela virou a cabeça para o movimento de massagem e sibilou com prazer.

§ Meu único consolo é que o mundo mágico está tão ajustado, que foram pouca as mudanças desde meu erro idiota com o pirralho Potter. Eles são teimosos e lentos para se adaptar. Mas agora isso vai funcionar ao meu favor. Eu devo ganhar o controle do Ministério rapidamente para que eu possa promulgar as mudanças que precisam ser feitas. O controle deve ser alcançado com pressa, então não tenho certeza de que tenho tempo para colocar meu povo em uma infiltração lenta e uma sutil tomada a cargo. Meus métodos podem precisar ser bastante violentos para ter sucesso dentro do tempo. No entanto, quanto mais violento eu for, mais forte a Luz irá lutar §.

§ Mas sua própria sobrevivência depende do que você deve fazer, meu mestre! Eles são tolos de lutar contra você! §

Ele riu.

§ Sim, amor, são tolos, mas eles são – na maior parte – ignorantes e crédulos. Eles acreditam no que a velha cabra lhes diz e em nada do que eu diria §.

§ Você não pode simplesmente explicar isso? §.

Ele zombou.

§ Eles nunca acreditariam na palavra de um Senhor das Trevas. Os velhos caminhos foram perdidos há muito tempo para os feiticeiros menores. Todos sofreram uma lavagem cérebral para acreditar que a escuridão é igual a ser mal e a luz é igual a boa. O bem só poderia querer o que é certo e justo. Isso só poderia levar a uma maior felicidade e vidas mais fáceis. Mas a vida não é fácil e a sobrevivência requer sacrifícios. Eles esqueceram de onde nossa magia vem. Eles esqueceram o preço que teremos que pagar, caso os objetivos atuais da Luz sejam bem-sucedidos. Eles são tolos sem mente e eles devem ser controlados pela força para fazer o que é necessário. Eles nunca irão de bom grado, pois eles não entendem as conseqüências de seus atos §.

§ Todos os que se opõem a você perecerão, meu mestre. Ninguém possui o poder necessário para lhe deixar parado novamente §.

Ele sorriu.

§ Ah amor, você me lisonjeia. Mas mesmo eu, não sou todo poderoso, não importa o que eu possa fazer o resto do mundo acreditar. Será uma grande tarefa ganhar controle sobre o mundo mágico da Grã-Bretanha e depois da Europa. Mas, independentemente da importância do Ministério, o verdadeiro sucesso seria encontrado no total controle sobre as escolas. Afinal... As crianças são o nosso futuro. Somente através da reeducação, podemos esperar que aqueles que contém magia sobreviverão ao fim dos dias dos trouxas § Ele disse e suspirou pesadamente enquanto recolhia a mão e passava em torno do seu próprio rosto e cabeça calva.

"§ Estou tão cansado, Nagini... Mas não posso deixar que ninguém veja minha fraqueza. Se eu for visto como fraco, eu vou perdê-los e isso não é algo que eu poderia suportar §".

§Você é forte, meu mestre. Eu sei que você prevalecerá! A própria magia escolheu você. Mostre isso a todos os feiticeiros e eles se ajoelharão aos seus pés! §.

Ele deu uma risada e continuou sorrindo para seu pet.

§ Ah, Nagini... Você sempre sabe como me animar. Você está certa. Estou sendo muito sentimental e me preocupando com coisas que ainda não posso controlar. Estive muito distanciado da minha mágica ultimamente §.

§ Seu poder cresce mais a cada dia §.

§ Sim... Sim, sim § disse, enquanto um sorriso malicioso se espalhava pelo rosto.§ Quando eu for totalmente devolvido ao meu corpo, vou lhes mostrar o que é o verdadeiro medo e os obrigarei a ver o quão fraca foi a criação do reinado da Luz. Reinaremos e protegeremos somente aqueles de sangue mágico que possam se proteger da destruição que os trouxas trarão para si mesmos §.

HP D E –

Harry acordou muito... Confuso.

Tudo tinha sentido perfeito... Ontem à noite. Quando ele era Voldemort, cada palavra que ele havia dito e pensou fazia sentido e ele entendeu o significado maior por trás de tudo.

Agora, no entanto, quase não faz nenhum sentido. As lembranças necessárias para dar contexto à conversa que Voldemort teve com seu familiar, Nagini, não vieram com a visão. E agora, que Harry era apenas Harry novamente, ele tinha problemas para entender o que havia experimentado na noite anterior.

Também era bastante estranho experimentar um clima tão contemplativo e pensativo como o Senhor das Trevas. O homem era tão surpreendentemente... humano.

Harry sentiu que ele tinha o peso do mundo em seus ombros. Uma tarefa enorme e responsabilidades monumentais que sentiu obrigado a fazer, cuidar e trabalhar. Não importava o que era necessário para completar sua tarefa, valia a pena. A tarefa era muito importante para qualquer um estar em seu caminho...

Mas qual era a tarefa?

Não foi a primeira vez que Voldemort mencionou essa tarefa. Mas, não importa quantas visões Harry tenha experimentado na mente de Voldemort, ele nunca teve uma imagem completa o suficiente para ter a menor idéia do que era.

Harry se sentou em sua cama e mastigou o interior de sua bochecha por um momento. Então, de repente, ele balançou as pernas para o lado e saiu da cama, indo até a mesa de estudo. Ele puxou uma pena e um pedaço de pergaminho e se sentou em sua simples cadeira, de frente a mesa de madeira.

Decidiu que ele realmente precisava começar a entender algumas visões que tinha e a melhor maneira de fazer isso era escrever algumas delas.

Onde:

Harry escreveu a palavra no pergaminho e depois enfiou a ponta da canela na boca enquanto ele esfregava o rosto e examinava suas lembranças de todas as visões que ele tinha tido até agora.

Grande, enorme, casa senhorial em uma colina fora de uma pequena cidade.

Aldeia trouxa

Ele fez uma pausa novamente, tentando lembrar o que a cidade era chamada. Ele pensou isso várias vezes... E Rabicho até trouxe o jornal local para ele... Era... Little? Hang Little... Little Hangleton!

Ele escreveu isso.

Quem está com ele / ajudando-o:

Peter Pettigrew – "Rabicho"

Barty - ?

Nagini (cobra)

Harry fez uma pausa e olhou para o pergaminho. Ele decidiu que precisava apenas escrever tudo o que queria saber sobre o que quer que fosse que Voldemort estava tentando fazer. Ele descartou totalmente a idéia de que Voldemort queria a dominação mundial e erradicação dos trouxas, simplesmente porque queria.

Ele tinha claramente realizou um ódio poderoso para trouxas quando era mais jovem e, naquela época, ele tinha pensado que eliminando todos os trouxas iria ajudá-lo nesta... Tarefa,seja o que fosse... Mas ele aparentemente desistiu desse plano.

A morte de trouxas nunca foi um objetivo, era apenas uma coisa que ele tinha que fazer, no entanto, era um meio para certo objetivo, mas mudou de ideia.

Então, qual era o objetivo?

Sua tarefa:

Ele fala sobre o "fim dos dias"

Apocalipse Trouxa?

Parece que ele está tentando detê-lo? Ou evitá-lo?

Se ele falhar, todos morrem... Se ele tiver sucesso, os feiticeiros sobrevivem.

Os trouxas morrerão, não importa o que faça. Não tem como salvá-los. Eles estão condenados, não importa o que fizermos.

Harry parou e olhou para o pergaminho com perplexidade. Ele nem sabia de onde tinha vindo. Ele não se lembrou de Voldemort pensar especificamente nisso e ele ainda não havia dito isso a Nagini... E, no entanto, Harry de alguma forma sabia que era verdade.

Mas como? Era só porque ele estava muito na cabeça do homem e Voldemort sabia disso?

Os trouxas estavam seriamente condenados? O que diabos aconteceria e por que, em nome de Merlin, Voldemort, de todas as pessoas, era o único responsável por detê-lo?

Voldemort culpa Dumbledore

Harry escreveu as palavras e se sentou na cadeira para olhar para elas. Ele mordiscou inconscientemente o final de sua pena enquanto tentava procurar em suas memórias uma pista sobre por que Voldemort culpava Dumbledore... Uma faísca passou por sua mente e no instante depois, sua pena voltava para o pergaminho.

Dumbledore quer salvar os trouxas. Ele não percebe que não pode.

Se ele tentar, todos nós morremos. Só podemos nos salvar.

Mais uma vez, Harry não sabia de onde veio o conhecimento, só que ele sabia, dentro dele, que era verdade. Isso também fazia algum sentido. Ele poderia imaginar totalmente Dumbledore fazendo algo absolutamente idiota, na tentativa de salvar os trouxas. Mesmo que isso significasse colocar todos em risco. Dumbledore sabia as mesmas coisas que Voldemort?

Obviamente, não tudo... Pelo menos não a parte sobre a impossibilidade de salvar os trouxas ou talvez ele soubesse, mas queria ter fé que ele poderia salvá-los de alguma forma.

Mas salvá-los de quê?

Harry resmungou de frustração. Ele só conhecia anexos e informações fora de contexto.

Em qualquer caso, agora era evidente para Harry que havia muito mais na última guerra do que Voldemort matando trouxas e querendo governar o mundo mágico. Ele não era apenas um megalomaníaco. Havia um motivo muito mais profundo nos bastidores, que ninguém sabia ou que ninguém estava falando.

Harry voltou a se concentrar no pergaminho, decidindo passar para o próximo tópico.

Por que ele veio atrás de mim quando eu era pequeno?

Este era outro ponto que obviamente tinha alguma história por detrás. Muitas vezes, Voldemort fez referência a uma "profecia", mas nunca passava disso. Ontem à noite, ele havia abordado o assunto com mais detalhes enquanto falava com Nagini. Qualquer que fosse esta profecia, parecia que tinha dito que alguém "venceria" Voldemort... E que esse alguém era... Harry ?

Esse foi um pensamento extremamente difícil de processar, e um pensamento ainda mais difícil para Harry colocar em pergaminho.

Isso explicaria por que Voldemort havia vindo depois de Harry, especificamente; Por que ele veio a si mesmo, em vez de enviar seus Comensais da Morte para fazer isso por ele. Voldemort tinha teorizado que a mãe de Harry usara alguma magia de sangue antiga para proteger Harry da maldição da morte de Voldemort. Os pais de Harry sabiam que Voldemort estava atrás deles. Depois de tudo, eles ficaram sob o Fidelius para se esconder do Senhor das Trevas. E sua mãe sabia que Voldemort estava atrás de Harry, especificamente, se ela estivesse pesquisando maneiras de protegê-lo com magia de sangue antiga.

Ele bufou e colocou sua pena no pergaminho.

Foi feita uma profecia que dizia que eu o venceria. -? (Difícil de acreditar, mas tudo bem...)

Ele quis me matar quando eu era criança - antes de me tornar uma "ameaça"

Ele fez uma pausa novamente e franziu a testa.

Por que eu não morri?

A magia do sangue escuro da mamãe?

Ele leu e releu tudo o que escreveu até agora.

Sua tarefa:

Ele fala sobre o "fim dos dias"

Apocalipse Trouxa?

Parece que ele está tentando detê-lo? Ou evitá-lo?

Se ele falhar, todos morrem... Se ele tiver sucesso, os feiticeiros sobrevivem.

Os trouxas morrerão, não importa o que faça. Não tem como salvá-los. Eles estão condenados, não importa o que fizermos.

Voldemort culpa Dumbledore

Dumbledore quer salvar os trouxas. Ele não percebe que não pode.

Se ele tentar, todos nós morremos. Só podemos nos salvar.

Ele parou ali e passou a mão pelos cabelos. Agora, seus pensamentos estavam mais organizados e ele sentiu que tinha uma compreensão ligeiramente melhor sobre as coisas, mas ele também sentiu como se tivesse uma montanha de novas perguntas e não tivesse idéia de onde encontrar respostas.

Por uma fração de segundo, ele considerou perguntar a Dumbledore, mas instantaneamente bufou e riu da idéia. Dumbledore nunca diria a ele. Ele era muito jovem, pensou Harry com um sorriso obscuro.

E mesmo que ele não fosse "jovem demais", duvidava que a velha cabra fosse tão honesta com ele. O homem era um manipulador antigo e Harry não confiava nele.

Ele se perguntou, de repente, quanto dessa desconfiança era realmente dele. Ele sabia que um pouco era de seu companheiro, mas isso era principalmente porque seu companheiro reprovava a forma como Dumbledore havia lidado com Harry. Mas Harry sabia, em algum nível pelo menos, que uma grande parte de sua desconfiança para Dumbledore não tinha absolutamente nada a ver de como ele estava sendo tratado pelo diretor.

Isso era um sentimento que tinha saído de suas visões como Voldemort? Não pareceu ter tido o suficiente das visões, emoções e opiniões de Voldemort para ter passado pelo vinculo deles. Mas, novamente, ele teve que admitir que ele realmente não entendia a conexão estranha que ele compartilhava com o Lord das Trevas.

Harry também não estava lutando contra as visões ou a influência do Lord das Trevas. Ele tinha algumas teorias sobre por que suas visões não eram mais dolorosas para si.

A primeira teoria era por causa de sua afinidade mágica, ela havia mudado. Ele não era mais um feiticeiro da luz. Na verdade, Harry havia aceitado o fato de que ele estava rapidamente a caminho de ser um mago sombrio e não importava o quão mal ele deveria estar com tal afirmação, Harry simplesmente não conseguia achar isso uma coisa ruim. Então, ele teorizou que, sendo um feiticeiro escuro, não existiria dor, já que ele estaria dentro da mente de um mago escuro, como ele.

Ainda assim, isso não explicava completamente. Sua afinidade – só recentemente – se modificou, mas as visões não machucavam desde...

Desde o momento que ele retirou as barreiras ao redor de seu companheiro e aceitou-o...

Harry franziu a testa e torceu a boca, pensando.

Ele realmente não tinha certeza se ele estava confortável explorando essa linha de pensamento, mas ele também sabia que havia evitado isso por muito tempo. Harry sabia que seu companheiro era a fonte de sua habilidade da ofidioglossia. Ele sabia que sua habilidade de falar a língua das cobras veio do poder que Voldemort tinha deixado nele quando ele era um bebê. Mas ele também sabia que seu companheiro era uma entidade sensível. Um personagem separado. Uma pessoa separada, dentro dele.

Uma pessoa separada que veio de Voldemort.

Não... Um pedaço de Voldemort.

Harry apertou os olhos com força, desejando momentaneamente que o pensamento nunca tivesse atravessado sua mente.

Oh, vamos, Harry. Você não pode fingir que ainda não sabia. Ele pensou para si mesmo, enquanto suspirava e afundava em sua cadeira.

Ele decidiu não pensar sobre isso ainda. Ele... Ele iria discutir isso com seu companheiro naquela noite, quando fosse para a cama. Ainda era muito cedo, mas seus companheiros de dormitório estariam acordando em breve e esperariam que ele fosse tomar café da manhã com eles.

Harry pegou o pergaminho e o dobrou ao meio. Ele se moveu para o baú e sibilou a senha para o terceiro compartimento. Verificou o frasco de Rita, dando uma vibração rápida e violenta, irritando o besouro fatigado, acordado e provavelmente assustado.

Ele riu quando ela rapidamente se encolheu no fundo do vidro e depois o colocou no seu malão de volta. Já tinha passado uma semana e meia desde a tarefa, havia conjurado uma pequena quantidade de água no frasco, ele não lhe tinha dado nada de comer para ela e a deixara dentro do baú o tempo todo. Ele escolheu um dos livros de ofidiomagia, que havia tirado da câmara, e colocou o pergaminho dobrado dentro dele, colocando ambos de volta ao baú.

Depois de ter certeza de que estava trancado de forma segura, ele pegou seus artigos de higiene pessoal e abriu caminho para o banheiro.

HP D E –

Era sexta-feira e há mais de uma semana ele andava quieto e aborrecido, até sua visão o amenizar naquela a tarefa, ele passou uma hora toda quarta-feira nada câmara, fazendo seu treinamento de magia negra, mas sem a necessidade de praticar a natação no lago ou qualquer outro treinamento relacionado ao torneio, ele descobriu que tinha uma quantidade surpreendente de tempo livre agora. Graças ao torneio e à sua agenda sobrecarregada, ele tomou o hábito de fazer sua tarefa de casa rápida e eficientemente e esse hábito não mudou.

Claro, o fato de que Harry não tinha tudo isso ocupando seu tempo, coisas que ele usava como uma desculpa para deixar tanto Ron como Hermione de lado, o fazia pensar que ambos esperavam que ele passasse todo esse novo tempo livre com eles. Infelizmente, ele ainda não havia encontrado um período de tempo suficientemente grande para lidar com Rita.

Ele queria algumas horas sólidas para isso porque queria se divertir sem se preocupar.

No entanto, ele tinha outra coisa em mente nesse dia. No dia seguinte, era a visita para Hogsmeade a mesma que Sirius havia pedido a data, mas Harry ainda não havia tido resposta de seu padrinho.

Ron e Harry deixaram o dormitório e se dirigiram para a sala comunal para encontrar Hermione lá esperando por eles. Os três chegaram ao Grande Salão para o café da manhã.

Assim que as corujas começaram a chegar, a pequena coruja marrom – que Harry reconheceu como a de Sirius – apareceu no ar e foi diretamente para ele.

Ele olhou para ela com uma mistura de surpresa atordoada, excitação e medo considerável. A visita de Sirius pessoalmente provocaria uma série de problemas potenciais e algumas preocupações verdadeiras e legítimas.

Harry estendeu a mão e pegou a carta da perna do pássaro, desenrolando-a.

Vá até o final da estrada, fora de Hogsmeade (passando Dervish e Banges) às duas horas da tarde de sábado. Traga toda a comida possível.

Harry virou o pergaminho para se certificar de que ele não tinha nada atrás dele. Não havia mais nada. Apenas aquele texto.

Ele suspirou com ligeira exasperação e balançou a cabeça.

– Ele está fora de si – Harry gemeu calmamente. – Eu só espero que ele saiba o que está fazendo. Não vale a pena correr o risco de ser pego apenas para me visitar – ele resmungou enquanto enrolava a carta de volta e dava a coruja um pouco de bacon.

Harry retomou a refeição e começou a pensar sobre o que o próximo dia provavelmente implicaria. Uma coisa com a qual ele teria que se preocupar era o fato de que Hermione e Ron, sem dúvida, esperavam ir com ele. Na verdade, eles já estavam fazendo planos, em sussurros silenciosos, enquanto ele comia quietamente ao lado deles.

Sirius esperaria discutir o que Harry tinha visto e observado sobre Snape e Karkaroff, mas Harry não havia dito a Ron ou Hermione sobre qualquer uma de suas suspeitas de que Snape poderia realmente ser um ex-Comensal da Morte. Talvez nem mesmo "ex".

Depois, haviam suas preocupações sobre o assunto Moody-Crouch. Definitivamente era realmente estranho que o Sr. Crouch estivesse em Hogwarts o tempo todo e fazendo alguma coisa disfarçado de Moody. O velho tinha observado Harry estranhamente, durante a escolha do Cálice de Fogo, mas... Harry sacudiu a cabeça.

Era estranho e confuso e ele sabia que ainda havia muito mais do que ele tinha descoberto.

Ele não tinha certeza se queria dizer a Sirius sobre qualquer coisa até ele ter uma idéia melhor do que estava acontecendo.

Havia um outro peso bastante significativo de pressão de culpa contra a parte de trás de sua mente.

Harry sabia onde Rabicho estava.

Ou, pelo menos, sabia o suficiente para que o traidor pudesse ser facilmente encontrado. Uma grande mansão em uma colina fora de Little estava lá quase constantemente, exceto quando Voldemort o enviava para pegar algumas coisas na cidade.

Se eles pegarssem Rabicho, então Sirius poderia ser exonerado. Ele poderia ser um homem livre e não teria que estar correndo mais.

Mas Harry não conseguiria falar a localização de Rabicho sem afastar a localização de Voldemort...

Harry franziu o cenho e colocou o garfo no prato. Por que ele não poderia entregar a localização de Voldemort? O pensamento nem sequer ocorreu a ele. Ele nem sequer pensou em dar o homem a Dumbledore. Este seria o melhor momento para fazê-lo. Voldemort ainda estava bastante fraco e seu corpo dificilmente estava equipado para duelar - embora Harry soubesse que, mesmo em seu pequeno homúnculo, Voldemort ainda seria formidável.

Mas Harry... Harry não queria que Voldemort fosse pego.

Puta merda!

Ele não queria que Voldemort fosse pego! Quando diabos isso aconteceu? E o que isso significava? A afinidade mágica de Harry havia ficado escura. Ele nem tentou negar isso a si mesmo. Na verdade, ele estava gostando bastante disso. Ele tinha bastante simpatia para com o Senhor das Trevas. Seu crescente fascínio pela aprendizagem de velhos e obscuras magias era incrivelmente parecido com o que Voldemort sentia sobre o mesmo assunto.

Ele estava lendo os mesmos livros que Voldemort havia lido quando tinha a idade de Harry e passando todo seu tempo livre na mesma sala escondida da câmara em que Riddle passou seu tempo. Isso o fazia se sentir estranhamente ligado ao Lorde das Trevas – algo além da conexão óbvia que eles compartilhavam através de sua cicatriz.

Inferno, se ele fosse sincero consigo mesmo, ele estava maravilhado com o poder do homem e com o conhecimento das artes das trevas. Quando ele era Voldemort durante suas visões, ele podia sentir o poder que ele possuía e era incrível.

E então, havia toda essa coisa de "motivos mais profundos" que ele acabara de começar a entender.

Mesmo quando pensou no fato de que Voldemort o perseguiu quando bebê e na morte de seus pais, Harry não conseguiu reunir a grande raiva que ele teve quando soube desse fato. Ele sabia agora que Voldemort o fez como um ato de auto-preservação. Ele não estava apenas matando uma família inocente por desprezo ou pela diversão. Ele estava tentando se proteger de seu assassino profetizado.

Mas ele matou meus pais! É por causa dele que acabei com o Dursley!

Não. Acabei com o Dursley porque Dumbledore me colocou lá. Voldemort levou meus pais para longe, mas eu ainda poderia ter tido uma infância feliz se Dumbledore o observasse uma ou duas vezes. Ele poderia ver como ele estava sendo tratado... Ele poderia ter me colocado com uma família que me trataria decente, mas ele não o fez.

Mas... Mesmo que ele soubesse como fui tratado todos esses anos, Dumbledore não teria me deixado longe deles. Ele sabe agora, como eu sou tratado e ele ainda me faz voltar! Ele não se importa como eu sou tratado, desde que sua arma preciosa esteja segura dos Comensais da Morte. Inferno... Ele sabia muito bem como os Dursleys me trataram todos esses anos. Ele poderia saber e me deixou lá de qualquer maneira!

Harry sentiu picadas de dor em suas palmas e olhou para baixo, percebendo que ele apertou as mãos em punhos tão firmemente que ele agora tinha quatro marcas de unhas em forma crescente nas palmas das mãos. Ele rapidamente abriu as mãos e olhou para os minúsculos rastros de sangue, se formando nas pequenas feridas.

Arma.

Era o que ele era para Dumbledore, não era? Ele era o único que tinha sido profetizado para destruir o inimigo que era Voldemort - Dumbledore. Harry não era mais do que uma arma para ser usado para vencer o Lord das Trevas.

Ele podia sentir sua cólera ferver dentro de suas veias, todas as peças começaram a se encaixar em sua mente. Sua magia estava começando a girar perigosamente e os pratos e talheres na mesa ao redor dele começaram a balançar. Até mesmo atrás dele, na mesa da Lufa-lufa. Harry piscou e seus olhos se arregalaram horrorizados com o que estava fazendo. Ele iria fazer tudo voar se ele deixasse sua raiva sair de controle em um lugar tão público como o Grande Salão!

Ele trancou o queixo e respirou lentamente pelo nariz, tentando se acalmar e puxar a magia para dentro dele, mantendo-a sob seu controle.

– Caramba! O que foi isso? – Ele ouviu a voz de Ron como se estivesse debaixo d'água. Sua cabeça ainda martelando em plena fúria e ele sentia a tensão de segurar sua magia enquanto queria, tão desesperadamente, explodi-la para fora.

Ele estava com raiva. Ele queria machucar alguém.

– Eu não sei... Foi estranho – falou a voz abafada de Hermione. Mais alguns murmúrios passaram ao redor dele, mas ele estava muito ocupado tentando pensar em algo menos irritante do que Dumbledore, para lhes falar qualquer coisa. Não importava o quanto ele tentasse, sua mente continuava girando em torno da idéia das manipulações da velha cabra.

Ele tinha tratado Harry como um peão! O mundo era um xadrez gigante para Dumbledore e as pessoas eram suas peças. Voldemort era o mesmo, mas os Comensais da Morte sabiam que estavam sendo usados. Eles sabiam que eram pedaços de um esquema maior e participaram de bom grado.

Dumbledore enganou as pessoas para jogar seu jogo para ele.

Ele enganou Harry. Varias e varia vezes. O Usou. O manipulou. Grande enganador.

– Harry, você está bem? – A voz preocupada de Hermione atravessou sua névoa e ele olhou para ela e piscou.

– Hã?

– Você... Não parece muito bem. Como você está?

– Eu... – Harry parou e respirou devagar. – Não. Estou me sentindo meio doente, para ser honesto com você... Eu acho que vou pular Historia da Magia. Eu acho que eu desmaiaria se aparecesse lá. Eu preciso muito dormir. Acho que tudo está, finalmente, começando a me pesar. Você pode dizer ao Professor Binns por que eu fui para a aula?

Hermione ficou atônita, mas logo sua expressão foi substituída pela preocupação.

– Claro! O que você acha que tem de errado? Você precisa ir para a ala hospitalar?

– Eu realmente só preciso de um pouco de descanso, eu acho. Eu vou ficar bem.

– Você estará matando a aula de Feitiços também? – Ron perguntou do outro lado da mesa.

– Ele não está matando aula, Ronald! – Hermione disse prontamente.

– Eu... Eu não tenho certeza. Se eu me sentir melhor no segundo bloco, vou entrar, mas, se não, você pode informar ao Professor Flitwick também?

– Claro! – Hermione disse.

– Espero, para o seu bem, que você esteja melhor antes do final do almoço – Ron começou a dizer com uma boca cheia de comida. – Se você não for em poções, Snape vai lhe dar uma suspensão, estando doente ou não.

Harry ergueu os olhos e deu um sorriso fraco.

– Sim, vou ir para a cama então. Espero me sentir melhor até a aula dele.

Ele começou a se levantar e agarrou sua bolsa.

– Obrigado, eu vejo vocês mais tarde.

Hermione parecia legitimamente preocupada, mas o deixou ir.

Ele saiu do Grande Salão e correu para as escadas. A raiva ainda estava o fervendo por dentro, logo abaixo da superfície da sua pele e ele sabia exatamente o que o ajudaria a aplacá-la. Um sorriso assustadoramente maligno agraciou seus lábios por um segundo antes dele encobri-lo.

Ele ainda tinha que pagar uma visita a um certo besouro pequeno.