N.A.: Esse capítulo inteiro foi escrito ao som de My Mind's Eye, do Sirenia. Adoro a música e sou viciada na banda.

Pessoas amo demais todos que comentaram, fico muito feliz mesmo.

Valeu Trice por betar.

Boa Leitura!

N.B.: Onde você acha essas músicas que combinam pra caray? ;)


You will never realize

What darkness lies inside

Inside my mind

My Mind's Eye by Sirenia

Capítulo 9

Acordou. Abriu os olhos para o quarto escuro, a mão tateando o lado esquerdo, a procura dela, mas não encontrou nada. Lembrava-se de ter passado horas com ela na poltrona da biblioteca, apenas apreciando o gosto que a boca dela tinha. O gosto da língua dela contra a sua. O pequeno corpo dela pressionado contra o seu, às vezes, afastando-se quando ele a segurava com mais força.

Sirius lembrava-se de a ter trazido para seu quarto, ela em seu colo, parecendo uma criança. O rosto enterrado em seu pescoço, a respiração levemente acelerada. Lembrava-se de ter colocado-a a seu lado, beijado de leve os lábios dela, de tê-la abraçada a si quando caíram no sono. Mas agora estava sozinho.

Levantou-se da cama, fitando o quarto escuro mais uma vez. Onde ela estaria? Que horas eram? Andou até a janela com as cortinas cerradas, afastando-as brevemente, apenas para ver a lua brilhando com toda sua glória no céu escuro. Poderiam ser mais de dez horas, ou talvez até mais. Andou até a porta, decidido a achar Hermione, conversar com ela, abrir o jogo.

Olhou no quarto de Regulus, vendo que ela não estava lá. Decidido a achá-la, Sirius desceu as escadas sem prestar atenção ao resto da casa, se ouvia algo. Mas então, parou. No último degrau ouviu um barulho de vidro. Apurou os ouvidos e ouviu novamente o barulho vindo da cozinha. Andou rápido até lá, afoito para encontrar Hermione.

Abriu a porta e então viu que não era Hermione que estava ali, era Luna. Sorriu forçando os lábios para cima, não era ela que ele queria. Entrou no cômodo vendo a loira parada perto da pia, um livro na mesa junto com a bolsa dela. Viu que ela o fitava atenta, não gostou disso. Era como se ela estivesse desconfiada de algo. Sentiu dedos deslizando por sua cabeça, como dedos invisíveis, sentiu que o chão desaparecia por debaixo de seus pés.

Luna percebeu que Sirius estava parecendo perdido, como se algo o estivesse incomodando de verdade. Os olhos dele estavam colados em si, mas ele não a via, não parecia estar realmente vendo-a. Ficou parada no mesmo lugar, apenas registrando tudo que estava acontecendo com ele, assim que Hermione passasse por aquela porta, ela contaria tudo isso. Ela tinha que ter visto acontecendo antes ou saber o que ele estava passando.

Sirius.

Seus olhos entraram em foco e fitaram a loira parada perto da pia, os olhos atentos. Um sorriso espalhou-se por seu rosto, mas Luna não sorriu de volta para ele. Por um momento apenas a analisou, apenas viu como ela se movia devagar, como os olhos azuis da garota pareciam se mover por seu rosto, como que procurando algo.

Saia.

Mordeu o lábio ao vê-lo lhe piscar um olho, aquele sorriso no canto do lábio. Mas então, Sirius virou-se, e saiu da cozinha. Luna cogitou ir atrás dele, mas então, o ouviu subindo as escadas e minutos depois, o ouviu descendo. Não tinha conseguido se mexer até aquele momento, não tinha conseguido pensar no que fazer de verdade, porque sentia-se mal perto dele. Era como se aquilo que estava usando o corpo de Sirius, fosse algo maligno, algo que a repelia.

Andou devagar até a porta da cozinha, e apenas conseguiu ver as costas de Sirius passando pela porta de entrada, e então a madeira encaixou-se no batente com um barulho alto. Sua respiração acelerou, não poderia deixar Sirius sozinho, mas então, o seguiria? E faria o quê? Balançou a cabeça e sentou-se na cadeira mais próxima. Não havia o que fazer, se o seguisse e nada acontecesse, seria chamada de louca e Harry ficaria furioso por estar desconfiando do padrinho dele.

Não, tinha que conversar com Hermione, contar o que vira, apontar no livro o que ela deixara passar e então as duas começariam a procurar. Aquilo poderia ir longe demais e Luna não poderia deixar que ninguém se machucasse. Muito menos Harry.

Ache alguém.

Sirius ouvia a voz dentro de sua cabeça, mas parecia que conseguia sentir o hálito de quem a dizia batendo frio em sua orelha. Fitou a rua escura à sua frente, tinha que achar um bar, tinha que sair dali. Tinha problemas a resolver, tinha que achar uma mulher para a noite de hoje.

Cace.

Sorriu descendo a rua e virando na próxima, vendo que carros passavam com os faróis ligados, pessoas conversando dentro. Observava cada mulher que via, observava cada corpo que passava por si. Mas nenhuma lhe interessava. Respirou fundo, trazendo o cheiro da noite para seu sistema. Pegou o maço de cigarros do bolso da calça e puxou um para si, colocando-o entre os lábios e acendendo com o isqueiro que usava quando estava entre muggles.

Duas ruas à frente Sirius viu um bar, onde um grupo de garotas entrava falando alto e rindo. Sorriu disso e atravessou a rua, decidindo que seria ali que ele entraria. Passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás, segurou o cigarro na boca e empurrou a porta de madeira, entrando no estabelecimento.

Era como qualquer outro bar com mesas, cadeiras, balcão, bancos e mesas de sinuca ao fundo. Sirius passou pelas pessoas até chegar ao fim do balcão, sentando-se no banco mais afastado. O homem, de aparência suja e cansada parou à frente dele, esperando que Sirius dissesse o que iria beber.

-Uma cerveja. – o homem pegou uma garrafa pequena e lhe entregou, virando-se e voltando para a pia para lavar alguns copos.

Sirius tomou um gole da cerveja, e tragou um dos últimos tragos do cigarro. Seu rosto estava de perfil para a mesa de sinuca, mas seus olhos cinza viam com perfeição o grupo de garotas que entraram antes dele em um das mesas. Observara cada uma delas, fixando os olhos em uma delas em particular.

A morena movia-se ao redor da mesa com o taco na mão, esperando a vez de jogar. Virou-se totalmente no banco, observando-a de frente, fumando e bebendo a cerveja. A garota em pouco tempo percebeu a atenção que recebia de Sirius e sorriu para ele, mostrando-se enquanto jogava. Sirius fumou três cigarros até que a garota resolveu vir até ele, e conforme ela aproximava-se, Sirius via o balanço do quadril exageradamente forte dela. Sorriu disso.

Ela.

-Vai embora comigo. – não era uma pergunta, era uma afirmação.

A garota mordeu o lábio sorrindo maliciosa, olhando o corpo de Sirius, passando a mão na própria saia, mostrando as pernas pra ele. Mas o moreno já tinha decorado aquelas pernas, já tinha decorado as curvas dos seios que apareciam no decote exagerado.

-O que te garante? – ela disse após um momento e viu Sirius sorrir. Aquele sorriso desbancava qualquer homem no bar e encantava qualquer garota.

A olhou apenas mais uma vez, a viu mordendo o lábio e sorriu, olhando-a dentro dos olhos antes de começar a andar na direção da porta do recinto. Ele conhecia mulheres daquele tipo, ela o seguiria. Abriu a porta e saiu, contando até dez e terminando o cigarro. A porta abriu-se novamente e a garota saiu, segurando uma bolsa vermelha e sorrindo maliciosa quando viu que Sirius a olhava por cima do próprio ombro.

-E então, pra onde?

Mate-a.

Sirius sorriu mais para o sussurro em sua mente do que para o rosto sorrindo de malicioso que o queria aquela noite.


Hermione entrou em Grimmauld Place com a mente desligada. O dia fora exaustivo, passara por tantas coisas, conversara sobre coisas que preferia esquecer. Lembrava-se de ter acordado já era quase de noite, estava na cama de Sirius, abraçada à ele. Por alguns segundos apenas esperou, o fitou, vendo se ele acordaria também. Porém o moreno apenas moveu-se para mais perto, querendo segurá-la ainda mais contra ele.

Soltou-se bem devagar dos braços dele, ouvindo a respiração dele mudar um pouco, mas voltar a ser calma. Saiu do quarto sem fazer barulho, sensações e imagens ainda correndo por seu corpo. Não conseguia acreditar que deixara tudo chegar aquele ponto, mas agora estava feito.

Foi para seu quarto, olhando para os lados e decidindo que iria agora falar com Harry, contar a ele tudo que tinha visto, tudo que sabia que estava acontecendo. Talvez juntos fossem mais forte, porque Hermione sentia-se tudo, menos uma pessoa forte naquele momento.

Minutos depois já estava pronta e desceu as escadas, qualquer barulho extinto, não queria fazer barulho algum e acordar Sirius. Saíra da casa e fora a de Harry, encontrando-o sozinho. Contou ao amigo tudo, exatamente como as coisas aconteceram. O moreno ficou irritado por ela não ter lhe contado antes que estava sentindo algo estranho no homem, mas ela disse que não achava que fosse algo demais.

Porém, ao mostrar para ele seu punho, as marcas de Sirius, o moreno irritou-se de verdade, querendo ir ter com o padrinho. Mione o segurou, explicando o que tinha acontecido entre eles na biblioteca. De primeira ela achou que Harry a mataria pela cor que ele ficou, vermelho como Ron ficava quando estava envergonhado ou com raiva. Entretanto, Harry apenas acariciou sua cabeça, escorrendo os dedos por seus cachos, dizendo que entendia o que ela estava tentando fazer.

Fora quase vinte minutos tentando convencê-lo de que não havia perigo em voltar para Grimmauld Place, que agora ela tinha idéia de como lidar com Sirius. E que pelo modo como ele estava dormindo quando saiu, ele deveria ficar apagado até a manhã seguinte. Estava tão cansada que nem ao menos percebeu que a luz da cozinha estava acessa e quando entrou assustou-se com Luna sentada em uma das cadeiras de madeira.

-Luna? Aconteceu alguma coisa?

Viu que a loira a fitava séria, os olhos azuis firmes em seu rosto. Viu na mesa o livro que usara para trazer Sirius de volta do Véu e a bolsa colorida da loira.

-Aconteceu. – levantou-se, séria, como achava nunca ter ficado perto de Hermione. – Sirius. - os olhos de Hermione arregalaram-se, preocupados.

-O que houve? – inconscientemente Hermione procurou por marcas em Luna, não vendo nada na pele clara dela.

-Você sabe. Aquele não é Sirius.

Hermione entendera o que acontecera. Luna também tinha visto a sombra nos olhos dele. Respirou fundo, parte aliviada por nada ter acontecido com a loira quando a sombra estava no controle de Sirius. Mas parte, estava preocupada demais, a parte que sabia que ele tinha acordado e que estava sem controle de si mesmo.

-Ele acordou?

-Ele saiu. – os olhos da morena arregalaram-se mais uma vez, dessa vez, em pânico. – Já faz algum tempo. Você também viu, não? Aquilo que tomou conta dele?

-Vi. É poderoso. – disse sentando-se derrotada. Não sabia o que fazer, Sirius solto pela cidade, sem controle de si mesmo, não acabaria bem essa história. – Tentei Veritaserum, mas ele sabia que eu tinha usado, não me contou nada.

-Acha que pode ser extremamente perigoso? - não havia necessidade usar a palavra extremamente, mas queria plantar essa idéia na mente dela, precisava de Hermione como sua aliada.

-Não acho que ele possa fazer mal à alguém.

O brilho insano nos olhos escuros de Sirius a fizeram estremecer na cadeira. Tinha medo daquilo que o controlava, não sabia o que era, e isso a deixava irritada e com medo. Caso aquilo se descontrolasse o que poderia acontecer? Não tinha a mínima idéia do que poderia acontecer com as pessoas ao redor, e isso lhe deixou com muito mais medo. Fitou na mesa o livro, lembrando-se agora que quando saíram do Ministério deixara-o com Luna.

Não se lembrava do livro, apenas lembrava-se de que o queria de volta, teria que ler e ver o que poderia ter vindo com Sirius, porque aquilo com certeza não existia antes dele entrar no Véu, ou alguém já teria visto. Luna percebeu onde os olhos chocolates da amiga estavam, e respirou fundo, pronta para começar a conversar de verdade com ela. Puxou o livro para si, ainda parada de pé perto da outra.

Passou algumas páginas e então encontrou a página que tinha a inscrição que ela já decorara, mas queria mostrar as letras que Hermione deixara escapar. Mostrar para ela o que poderia estar enfrentando. E talvez, juntas, pudessem encontrar uma cura ou solução para a situação que se encontravam.

Viu quando Luna empurrou o livro para sua frente, as páginas a mostra lhe lembravam da Sala do Véu. O dedo fino e delicado da loira lhe apontou a frase que dissera para trazer Sirius de volta. Porém, logo após seus olhos seguiram a ponta do dedo de Luna, que subia brevemente e apontava para uma frase antes. Leu em voz alta.

-"Porque a alma não morre, apenas divide-se, perde-se, e é substituída. A Sombra sempre substitui a parte perdida, dividia. Pois está solitária, perdida. E no Véu, presa."

A Sombra. Era isso que estava no lugar de Sirius.

--*--

continua...

Tradução:

Você nunca vai perceber

O que a escuridão esconde dentro

Dentro da minha mente