Capítulo dez: Se não sou eu que vou fazer você feliz, guerra!


Os dias passaram e Severo voltou a sua "rotina". Trabalhar no Ministério era uma grande paz. Ele tinha sua própria sala, com o seu próprio laboratório, com o seu próprio acervo e com sua própria paz. Isso porque ele trabalhava sozinho. Sem alunos, sem ninguém para lhe encher a paciência. Sua profissão era simples: fazer experimentos. Severo sempre quisera fazer aquilo.

Algumas vezes Rufus Scrimgeour aparecia na sua sala para comentar sobre algo novo de alguma poção, evoluções nas pesquisas de Severo e sobre como era difícil manter os diversos grupos de aurores sob controle. Naqueles poucos dias, Severo descobriu que comensais da morte ainda eram um grande problema para a sociedade bruxa e que cada passo de encontro ao mundo trouxa eram mais famílias de sangue puro revoltadas com o Ministério.

- Se eles não fossem tão fracos, eu diria que eles nos dariam um golpe. Eu ficaria honrado em matar alguns deles. Minha vontade é dar uma machete para o Profeta Diário "Parem de cuidar da sociedade bruxa e vão cuidar de suas próprias vidas" – Rufus falava e ria sentado confortavelmente na mesa de Severo.

Pelo visto, eles eram amigos de trabalho muito próximos, mas não o suficiente para Rufus saber o que estava acontecendo com a vida dele. Alias, ninguém sabia além de Remus. O memso lhe acompanhou até o hotel próximo o centro de Londres, lhe explicou como chegar ao trabalho e como voltar para lá. Desde então, só tinha recebido uma coruja de Emma. Não havia um sinal se quer de Lily.

O problema é que o trabalho de Severo lhe deixou mais calmo, mas era noite de sexta-feira e sabia que sair dalí ele só poderia voltar na segunda e era tempo demais para não ter o que pensar ou se distrair. Era tempo demais pensando no que faria, no que ele queria e o que tudo aquilo que ele estava passando significava. Ele ficou até a hora que dava e quando era quase 21h saiu da sua sala. Seus passos era a única coisa que ele ouvia nos corredores vazios, até vozes lhe chamaram atenção

- Você realmente acha que eu tenho dó de você? – Severo deu mais alguns passos e viu que no corredor diagonal Sirius Black estava falando de forma ameaçadora encostando uma mulher na parede. "O que este cachorro está fazendo?"

- O que eu menos quero é que alguém sinta dó de mim. Me deixe em paz, Black. – Severo reconheceu a voz. Era Marlene. A escuridão não dava ver muito ela, a luz só batia nos cabelos de Sirius, ela tentou sair andando, mas o homem a segurou. Neste pequeno movimento, Severo, mesmo que de longe, percebeu que ela tinha lagrimas nos olhos.

- E não ouse citar o nome do meu irmão novamente. Ele está pagando pelos crimes que ele cometeu e também os seus, os dos Malfoys, Snape, Lily e Remus. Traidores e Covardes que conseguiram pular fora e deixar Régulus sozinho.

Severo sentiu seu sangue ferver. Não pela situação, mas odiava o seu nome na boca de Sirius.

- Não chame de covarde quem salvou sua pele de cão da morte, Black. Em uma próxima vez eles não poderão te salvar mais –Marlene levantou a voz – E se você quer saber? Eu que tenho pena de você. Você se tornou uma pessoa amarga porque se apaixonou por mim e eu escolhi o seu irmão, mesmo ele sendo um comensal. E sabe porque eu fiz isso? Porque embora ele fosse Sonserina e você Grifinória, eu nunca vi um homem tão frouxo como Sirius Black.

Severo arregalou os olhos ao ouvir a frase e logo depois saiu do seu esconderijo ao ver que Sirius em um ato descompensado tinha batido de mão aberta no rosto dela. Ela quase iria cair no chão por ter sido pega de surpresa, mas Snape a pegou antes disso para a supresa de Sirius e Marlene. Óbvio que Black não perdeu sua postura. Apenas olhou expressando deboche

- Você sempre será a prostituta dos comensais e nada do que você fale mudará isso.

Black saiu. E Severo queria fazer alguma coisa, mas a mulher se agarrou aos braços dele e começou a chorar tão intensamente que ele não tinha palavras. Aquela conversa era algo muito complicado para Severo entender. Em uma outra dimensão, Marlene tinha um caso com Black até o dia que ela morreu e agora ela estava sendo chamada de "prostituta" por ele.

- Venha – Severo apenas caminhou levando ela para seu escritório.

"Com ele eu me entendo mais tarde" Severo pensou. Abrindo a porta e colocando ela sentada em uma cadeira. Severo buscou entre os vidrinhos uma poção e quando a achou colocou na frente dela, fez um gesto com a varinha e uma xicara apareceu flutuando na frente dele. Ele despejou a poção na xicara e deu para ela. Ela chorava tentando tomar.

- A poção ajuda, mas você precisa se recompor McKinnon

- Ele está preso. Só ele – Marlene deitou sua cabeça na bancada

- Não leve em consideração o que aconteceu. Black é um idiota e sempre será.

- Ele está certo. O irmaõ dele está preso. Nós não Severo, nós não. Parece que eu vou viver eternamente com esse peso, eu não sei porque eu me engano que conseguirei superar isso e viver uma vida normal. Eu não sei – Ela chorava mais ainda.

"O que eu vou falar? Eu não sei o que falar. Eu nem sei o que aconteceu" Severo falou olhando para os cantos procurando alguma solução. E a solução se voltou para a pessoa que ele tentava evitar ver, mas que o ajudaria naquele momento e mais do que isso, ajudaria Marlene.

- Vamos para o meu hotel – Severo falou caminhando rapidamente até a mesa – Você precisa beber alguma coisa, só deixa eu escrever um recado. Ele pegou um pergaminho, a pena e rapidamente entrou o papel para a coruja que estava próxima a sua janela.

O quarto de Severo era simples. Tinha uma cama, um frigobar, um armário e uma pequena sacada que dava para ver as luzes do centro trouxa de Londres ao fundo. Marlene chorava baixinho quando ele abriu a porta e logo ao perceber que a luz estava ligada, sabia que ela já tinha chego. Lily correu até a porta e abraçou a amiga ficando de frente com Severo e dando um sorriso terno. Ele tentou corresponder, mas ele estava envergonhado com a situação.

Lily puxou Marlene para sentar na cama e Severo abriu o frigobar procurando alguma coisa, até tinha algo que lhe interessa-se, mas pensou que aquela hora seria ideal para ele deixar as duas sozinhas.

- Vou buscar algo para vocês – Severo falou. LIly apenas concordou. Ela estava ainda com a roupa de trabalho. Uma calça branca e uma blusa preto de frio emcima da camiseta básica também branca. O cabelo ruivo ficava mais brilhante, assim como seus olhos verdes. Severo disfarçou ao perceber que ele estava olhando até demais para ela e saiu.

Antes de subir, sentou no hall para controlar sua respiração. Tomou duas taças de vinho rapidamente, só assim para ficar novamente na frente de Lily. Porém, quando entrou no quarto percebeu um grande silêncio. Ao olhar pra cama, percebeu que Lily zelava o sono da amiga.

- Demorei tanto assim? – Severo soltou

- Acho que você deu alguma poção para ela, certo? Imagino que tenha feito efeito.

- Eu me esqueci por um momento, que geralmente dava sono.

- É bom ela dormir – Lily falou suspirando – Obrigada por me chamar. Imagino que você não sabia o que dizer.

- Sim – Severo olhou para a sacada. Agora estava se amaldiçoando por ter tomado o vinho, ele realmente era encorajador – Mas gostaria de saber o que aconteceu. Podemos conversar lá fora?

Lily não respondeu, mas caminhou até a sacada. Severo colocou duas taças em cima da mesa e serviu o mesmo vinho que estava tomando no hall

- Marlene foi até o Departamento de Criaturas Mágicas para pedir uma transferência de cargo. Ela gostaria de trabalhar apenas em Londres e tentar parar de fugir da realidade dela.

- No caso Regulus preso, é isso?

- Sim – Lily riu. Não parecia que ela lembrava da última vez que tinham se visto – Me esqueci que ainda está com este probleminha. Resumindo a ópera Regulus foi preso por usar Cruciatus no começo da sua vida como comensal. Mesmo comprovando sua mudança de lado, ele foi condenado a 7 anos de prisão. Marlene se sente culpada, mas já fazem seis anos. Daqui um ano ele sairá de lá. Ela quer ficar bem para quando ele sair.

- Uma pena pequena. Por que eu não peguei essa pena ou até mesmo uma condenação maior?

- Dumbledore disse que ele que te encaminhou com bode expiatório. Ele fez o mesmo com Regulus, mas ele torturou muita gente, não tem como abafar isso. As coisas foram difíceis para eles, porque ao invés dela se manter distante dos comensais, ela se uniu a eles por causa dele.

- Dumbledore uma vez me disse que o amor fazem coisas impossíveis acontecerem, às vezes boas, às vezes ruins. – Severo comentou olhando para o horizonte. Não conseguia imaginar Marlene entre os comensais. Ela era uma das que mais enfrentou Voldemort e ainda morreu por isso. Era muito estranho pensar que só uma mudança de comportamento dele no passado tenha influenciado tantas vidas.

- Como você nos coloca nesta teoria? Boa ou ruim? – Lily perguntou. Agora eles estavam falando deles.

- Te encontrar na minha infância foi a melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida – Severo falou sem pensar, sorrindo que nem um bobo observando o céu e lembrando da figura de Lily criança correndo no parque com ele, mas de repente veio na sua cabeça o dia que ele a chamou de sangue ruim, quando ela descobriu que ele era um comensal e o beijo entre ela e o Potter – Pena que eu fui um bastado com você.

"Eu faria tudo diferente". Severo pensou e de repente se lembrou que ele poderia fazer tudo diferente. Era para isso que ele estava lá. Chorar, se lamentar ou fugir não seria a coisa mais ideal a fazer quando se tem essa rara oportunidade. "Maldito vinho" Severo pensou olhando para Lily.

- Nós sabemos que eu que fui - Lily suspirou se apoiando no ombro dele – Sev, nós vamos nos separar? Fingir que nada aconteceu não deu certo, eu sei disso, mas ao mesmo tempo eu não consigo imaginar a minha vida sem você

- Eu não sei o que vai acontecer, Lily. – Severo suspirou – O que eu poderia fazer?

- Não sei – Ela respondeu se virando para ele – Eu entrei em pânico quando vi sua coruja hoje, ao mesmo, acho que eu vim mais correndo para te ver do que para falar com ela. Estava com saudades.

- Eu também. Fiquei no ministério até mais tarde porque eu não sabia o que eu poderia fazer no final de semana. – Severo sorriu – Mas acho que valeu muito a pena.

- Eu vivo perguntando para a minha psicóloga, como eu consigo amar uma pessoa a tanto tempo e como eu não enxergar isso, sendo que você sempre esteve ao meu lado – Lily deixou uma lagrima escapar – Se eu pudesse mudar...

- Não mude nada – Severo passou a mão nos olhos dela – Deixa que eu vou fazer isso.

Severo falou encostando a boca na dela. Seus lábios se tocaram e ficaram instantes buscando uma brecha para o que o beijo fosse aprofundado, mas parecia que nenhum dos dois tinha presa. Ele pousou sua mão na cintura dela, enquanto os braços dela se entrelaçaram. E enfim, as línguas se tocaram no mesmo compasso. Severo sentiu os músculos dela relaxarem com o seu toque, ao mesmo tempo que os dele ficavam tensos. Aquele beijo era muito real.

Conforme os movimentos dos dois ficavam intensos e a mão de Severo começava a explorar as costas dela, Lily dava passos para traz por busca de apoio. Ela se encostou na pequena mesinha, enquanto Severo puxava suas mãos para senta-la lá. As mãos deles pousaram na coxa dela e ele nem se questionou se deveria ou não aperta-las, ele já estava fazendo aquilo. Severo puxou os beijos para o pescoço dela e Lily estremeceu puxando sua cabeça e corpo para traz. E de repente um barulho forte, que fez os dois pararem o que estavam fazendo.

Eles olharam para o chão e lá estava a garrafa de vidro espatifada. Lily gargalhou, sem deixar de se soltar dele e ele ficou observando aquele sorriso puro e incrível. Ele queria faze-la feliz

- Temos 16 anos de relacionamento e ainda continuamos um pouco – Lily olhou para ele sorrindo – Desastrados

- Eu quero tentar de novo – Severo falou olhando para os olhos dela – Vamos recomeçar

- Isso não deu certo

- Mas agora vai dar – Severo queria muito acreditar naquilo – Por mais que a minha mente diga que eu não sou o suficiente bom para te fazer feliz, eu quero faze-la.

- Severo, eu te trai. Não podemos esquecer disso.

- Eu quero superar isso do seu lado

- Não deu certo, eu já disse. Eu não quero sofrer de novo. Eu te amo, mas imagine como eu fiquei vendo você perdendo sua memoria, triste novamente. – Lily falou se separando dele

- Namora comigo – Severo sugeriu – Vamos tentar reconstruir isso juntos.

- Namorar? – Lily riu – Não acha que estamos um pouco velhos e ainda com uma filha para isso

- Vamos tentar nos reconquistar – Severo falou novamente beijando seu pescoço

- Sev – Lily falou se afastando, com lagrimas nos olhos – Eu gostaria muito disso, mas...

- Deixa eu te provar que eu te amo, o suficiente para enfrentar tudo o seu lado. Me prove isso também e então chegaremos em um acordo – Severo tinha falado a primeira frase inteligente em dias. Era isso que ele precisava. Uma prova dele que a poderia fazer feliz e uma prova dela de que poderia ser feita feliz. E então toda aquela loucura valeria a pena.

- Como faremos isso?

- Pensarei.


Sirius Black e James Potter não serão assim tão chatos, mas é que bem, nessa realidade eu estou tentando mostrar que ninguém é santo. Acho que depois de uma guerra nada mais justos você ter traumas, mas acalmem que a vida será doce também rs.

Muito obrigada pelas reviews. Fiquei chocada quando vim atualizar e vi 75 comentários. Acredito que isso seja reflexo da história maluca que eu inventei. Estou focada nela e espero sempre postar. Continuem mandando mais reviews. Eu adoro ler todas elas. =)

No próximo capítulo: Um encontro de namorados COM NC.