Bellatrix sabia que, dali por diante, não voltaria mais a Hogwarts – pelo menos não para estudar.
Alguns meses se passaram e o casamento estava cada vez mais próximo. Bellatrix não podia esperar por esse momento. Queria se ver livre, de alguma forma, dos seus pais que se tornavam mais chatos a cada dia. Mas ela sentia saudades das suas irmãs. Ela estava sozinha em casa. Elas estavam em Hogwarts. Pelo menos ele também estava, mesmo que, se não estivesse, não estaria em casa. Esse era o único lado bom de ficar sozinha. Não tinha mais que esbarrar em Sirius quando descia ou subia as escadas, não tinha que aturar mais ele lhe dizendo que queria voltar atrás no que aconteceu entre eles, não queria mais sua presença.
Enquanto o tempo passava, o hobby de Bellatrix era cumprir seu dever de Comensal da Morte, já que era maior de idade. Eram boas horas para passar perto do noivo, já que ele também era. Bellatrix nunca chegara a conhecer literalmente o tal Lorde Voldemort de quem Rodolphus falava tanto. Já ouvira sua voz e seguira suas ordens, mas ele era distante e frio, e toda aquela frieza, às vezes, causava arrepios na bruxa.
Entre seus deveres, ela e o noivo iam torturar ou até matar trouxas. Ela se sentia cada vez mais animada com a idéia de usar as maldições imperdoáveis. No fim das contas, ela e Rodolphus acabavam adiantando a lua de mel depois de terem cumprido serviços. Eles odiavam a idéia de conviverem com trouxas. E se algum bruxo se atrevesse a apoiar a idéia da convivência, seria tratado como um trouxa também – o que a fez pensar no primo. Sirius era totalmente a favor de terem trouxas ao seu redor e isso causava nojo. Ela tinha mais um motivo para querê-lo, mas dessa vez, como vítima.
Com sua mente ainda um pouco no lugar, Bellatrix estava novamente em casa, com suas irmãs arrumando seu vestido para o casamento. Bellatrix não se lembrara de estar tão feliz na vida. Dentro de algumas horas – ou seriam minutos, pois o tempo estava voando naquele dia – ela estaria firmando seu compromisso com Rodolphus.
- Nem acredito que você vai se casar! – exclamou Narcisa, pulando como uma criancinha. – Ah, quando eu me casar com Lucius vou querer um vestido deslumbrante – disse ela, com um olhar pensativo.
- Desde que você não use o meu vestido – disse Bellatrix, fazendo suas irmãs rirem.
Quando elas finalmente terminaram os ajustes no vestido da irmã, Narcisa, com uma voz sonhadora, disse:
- Lucius está me esperando. É melhor eu ir descendo – e quando abriu a porta, virou-se e perguntou a Andrômeda: - Você não vem?
- Me espere lá embaixo.
Sem mais esperar, Narcisa sumiu de vista. Bellatrix já estava se preparando para o interrogatório quando algo lhe veio à cabeça.
- Quem vai te acompanhar? Você não trouxe o sangue... Desculpa – disse, quando viu através do espelho a expressão de raiva no rosto da irmã. – O Ted.
- Não, não trouxe.
- E quem vai te acompanhar? – perguntou novamente; sabia que sua irmã estava se esquivando, até que se lembrou de uma pessoa. Uma única pessoa que ela menos queria que fosse ao seu casamento.
Bellatrix virou-se para encarar Andrômeda, que parecia culpada.
- Você não trouxe... – mas pelo visto, sua irmã entendera e assentiu.
Bellatrix explodiu.
- POR QUE, ANDIE? – gritou ela. – TANTO HOMEM PRA VOCÊ TRAZER E VOCÊ TRAZ O SIRIUS? SERÁ QUE NÃO TEM CONSIDERAÇÃO POR MIM?
Andrômeda parecia que ia chorar. Talvez não soubesse que a reação da irmã não fosse tão forte.
- Me desculpe – disse ela, quase num sussurro.
- Esquece – disse Bellatrix, voltando-se para o espelho. – Só quero que me garanta uma coisa: não deixe ele se aproximar de mim. Entendeu?
Andrômeda fez que sim com a cabeça e logo depois saiu do quarto.
Bellatrix e Rodolphus se casaram diante das duas famílias. Enquanto ela caminhava até o seu noivo, viu de relance o olhar do primo suplicando para que desistisse, mas ela nem ligou, simplesmente seguiu em frente.
A mente de Sirius pareceu girar. Ele não entendera nada do que disseram durante a cerimônia, mas ninguém ligou para ele. Desde que fugira de casa, Sirius era peça descartada desse quebra-cabeça. Mas sua mente voltou a funcionar e quando deu por si, Bellatrix disse:
- Aceito.
Todos começaram a aplaudir quando o casal trocou um beijo que Sirius julgara apaixonado. Lembrou dos seus lábios encostando-se aos dela. Tudo passando como um flashback em sua mente. Naquele instante pareceu estar perdendo um pedaço de si. Sabia que desta vez Bellatrix Black se fora para nunca mais voltar. Quem estava ali diante de todos, exibindo-se ao lado do marido, não era a Bellatrix que o amava.
Era Bellatrix Lestrange.
Depois de se casarem, Rodolphus lhe prometera finalmente levá-la até o Lorde das Trevas e, dessa vez, ficar frente a frente com ele. Rodolphus fazia parte do seu circulo íntimo, portanto Bellatrix agora seria também.
Ela não se agüentava de ansiedade. Queria mais do que tudo conhecer o seu mestre. Talvez ainda receasse sua voz fria, mas se acostumaria a ela. Queria mostrar ser uma fiel Comensal da Morte ao lado de Rodolphus.
Um dia, como surpresa, Rodolphus a levou para dar um passeio. Disse que ela só saberia quando chegasse. Foi quando avistaram a mansão Riddle e o coração dela acelerou. Sabia o que estava prestes a acontecer então abriu um sorriso de orelha a orelha.
Estavam cada vez mais próximos. Os passos dela cada vez mais apressados. Ela olhava para todos os cantos, admirando. Queria entrar logo. Então chegaram mais perto, e mais perto, e mais perto.
Rodolphus abriu a porta da mansão e os dois entraram. Subiram as escadas até uma sala um pouco mais clareada e então ouviram aquela voz fria que fez Bellatrix se arrepiar novamente.
- Rodolphus? – disse a voz.
- Sim, Milorde. Trouxe a Bella para falar com o senhor.
- Sim, sim – disse Voldemort, parecendo um pouco menos frio. – Bellatrix – e quando ouviu o seu nome, Bellatrix arregalou os olhos e sentiu seu estômago congelar. – Entrem.
Sem hesitar, o casal foi até a sala onde estava Voldemort e ele estava ainda de costas. Rodolphus deu um empurrãozinho na sua esposa e ela cambaleou um pouco até conseguir recuperar sua voz e dizer:
- Milorde.
Finalmente Voldemort se virou e seus olhos encontraram os de Bellatrix. Eles eram frios. Ela sentiu que estava em outro lugar, ocorreu-lhe uma sensação estranha e ela não conseguiu dizer mais nada.
Ela simplesmente olhou em seus olhos e, daquele dia em diante, jurou segui-lo até o fim.
