"Papai," Ellie choraminga, e Oliver precisa de todas as suas forças para permanecer no mesmo lugar... Especialmente porque Slade responde com um "Shhh" e começa a balançar sua filha, com a mão dando leve batidinhas em sua perna, zombeteiramente tentando acalmá-la.
A maior sensação de desejo por violência atravessa o corpo dele. É tão primitivo, gravado em seu ser, que deixa sua visão embaçada e com uma furiosa necessidade de proteção em suas veias, como ele nunca experimentou antes.
Ela é tão pequena, tão minúscula nos braços dele; suas bochechas estão manchadas pelo medo, seus olhos molhados pelas lágrimas. Seus pequenos braços curvados contra seu peito, suas costas rígidas. Ela sabe que ele é um homem mau, mas ela não sabe o que pode fazer.
Tudo se revira por dentro dele, incitando-o a fazer algo, qualquer coisa, mas ele não se move, ele não pode, ele não sabe o que o Slade irá fazer. E ele sabe muito bem do ele é capaz.
Todos os seus instintos estão gritando para que ele pegue a Ellie e a leve para longe de Slade, mas ele não sabe como. Um gesto errado e ele perderia tudo, a vida que ele mal se permitiu sonhar, e menos ainda, que ele acredita que poderia ter.
Só esse pensamento quase faz ele se mover novamente, mas ele fica onde está.
Nunca em sua vida ele teve tanto a perder.
É aterrorizante.
"Papai," Slade repete, um sorriso frio em seu rosto. "E eu aqui pensando que sabia tudo sobre você, Oliver." Seus olhos dirigem-se para a Felicity, outro arrepio gelado cruza seu corpo, enquanto Slade olha para ela. "Eu estou descobrindo tantas coisas interessantes."
Como? Como ele sabia onde os encontrar?
Felicity está apertando sua mão tão fortemente, que ele fica surpreso por seus não estarem quebrando, ou por ele não estar quebrando os delas com a força de sua própria resposta. Ele deveria deixá-la ir, ele sabe disso, ele deveria atrair a atenção de Slade toda para si, mas apenas pensar sobre isso, deixa-o ainda mais paralisado, quase como se ele deixá-la ir, será a última coisa que eles farão juntos.
"Ellie, docinho, olhe para mim," Felicity diz num tom quieto, numa mistura de medo e determinação. Os olhos de Ellie se movem para a Felicity e o terror, quase quieto, que ele vê no rosto de sua filha, corta-o como uma faca em seu peito. "Você está sendo uma garota grande e forte. Tudo ficará bem. Você está entendendo? Apenas continue olhando para mim, apenas para mim."
Os olhos azuis, marejados, da pequena garota se arregalam quando ela ouve as palavras de sua mãe e ela concorda, o pouco que lhe é permitido pelo aperto forte de Slade, focando seus olhos com os de Felicity. A completa e total confiança que atravessa pelo seu óbvio medo, é outra faca em seu peito.
Ellie é tão brava, tão incrivelmente brava, e ela acredita em que todas as palavras que sai da boca da sua mãe.
Não é uma promessa que Felicity pode exatamente cumprir, mas Oliver sabe que o que ela está fazendo: ela quer garantir à sua filha o tanto de paz e segurança que ela pode oferecer, mesmo ela estando tão aterrorizada e incerta quanto ele. E mesmo que Slade quebre o pescoço da filha deles de três anos na sua frente, ela quer que isso aconteça enquanto a Ellie estiver olhando para ela, com a certeza de que tudo ficará bem, não importa o que aconteça.
Oliver se sente mal. A bile chega perto de sua garganta, causada por um terror que ele nunca sentiu antes, mas ele tenta afastar esse sentimento, forçando a si mesmo soltar a mão da Felicity. Se ela pode ser brava pela Ellie, ele com certeza pode ser também.
"Ela tem três anos de idade, Slade." Oliver diz, sua voz baixa e controlada, apesar do nervosismo por dentro – É o único pensamento em sua mente além de "Por favor, não", "Por favor, Deus, que isso seja um pesadelo" e "Leve a mim e não ela".
"Sim, ela tem," Slade fala, com um doentio tom de deleite em sua voz, enquanto ele olha para ela, movendo uma de suas mãos pelo pescoço da Ellie.
O horror revira tudo por dentro do Oliver - não é o Deathstroke que está aqui, é Slade Wilson, o mesmo empresário despretensioso que contribuiu na campanha de Moira Queen e "turistou" pela mansão Queen... Sua mão enorme e nua, engolindo o pescoço dela...
Um pequeno choramingo escapa, Oliver respira forte, travando seus dentes tentando se manter parado. Ele pode ver os lábios dela tremendo, antes dela apertar sua boca, formando uma linha fina e branca.
"Querida pequena menina," Slade continua. "Não tenho certeza se ela tem os seus os olhos ou os da mãe dela. Mas novamente..." Ele olha de volta para Oliver, que o encara de frente. "Minha visão não é tão boa como costumava ser."
Ele ri sombriamente, apertando ainda mais seu pequeno pescoço. Ellie deixa escapar mais outro barulho assustador e Felicity imediatamente responde com suave pedido para ela se acalmar e Oliver precisa de toda a sua força de vontade para manter o foco travado no Slade e não em sua filha.
É assim que ele pode ajudar, mantendo o foco do Slade nele.
"Você está ameaçando uma criança, Slade." Oliver ressalta. "Uma criança inocente. O que Shado pensaria sobre isso?"
"Você não tem o direito de falar comigo sobre a Shado!" Slade rosna, seus olhos crescendo com uma raiva maníaca que assusta a Ellie, fazendo com que ela comece a chorar, seus olhos nunca deixando a Felicity.
"Oliver," Felicity diz, sua voz tremendo de medo, mas ele não pode sequer olhar para ela nesse momento.
"Não," Oliver se opõe, sacudindo a cabeça lentamente. Ele cerra os olhos para Slade, encarando-o enquanto ele fala, "Você não tem o direito de falar sobre a Shado." Ele tenta ignorar a pequena respiração que Felicity segura em antecipação à fúria que corre pela face do outro homem, ecoando a adrenalina que corre pelo corpo de Oliver, e ele continua, "Ela não escolheu você, Slade, e você não foi a pessoa que assistiu ela ser executada bem na sua frente."
Ele está assustadoramente calmo, as palavras ficam suspensas no pesado ar entre eles, palavras que tem sido algo vivo entre ele e Slade por anos. Não mais.
Oliver trava seus dentes.
"Então, por favor," Ele diz sombriamente, "Diga-me como você se acha no direito de entrar na minha casa e ameaçar a vida da minha filha porque de alguma forma eu errei com você."
"Você escolheu Sara e não ela," Slade acusa, deixando o pescoço de Ellie e apontando para ele, sua voz aumentando. "Você tirou tudo de mim. Eu amava ela e você jogou tudo fora como se ela fosse um nada." Ele aponta para o próprio peito e o movimento brusco faz Ellie choramingar. "Bem, ela não era um nada para mim!"
"Eu escolhi ela e Sara antes de mim!" Oliver rebate. "Você não estava lá. Ivo me disse para escolher e eu carreguei a arma ao invés disso. Eu nunca escolhi pela Sara, eu nunca poderia fazer essa escolha. Eu tentei dar a minha vida pelas duas, mas Ivo não permitiu! Eu queria que fosse eu, eu não queria que mais ninguém morresse por minha causa."
Um som carregado de dor, após suas palavras, atrai o olhar do Oliver, mesmo que brevemente, para a sua mãe, que está parada a alguns passos do Slade, ainda segurando no balcão buscando suporte. Ele não havia entendido antes – ele não poderia – o quanto a sua complacência para sacrificar a si mesmo afeta a sua mãe. Ele agora entende, perfeitamente. O pensamento de algo possa acontecer à Ellie... Ele sabe que destruiria o mundo até o chão para evitar que isso acontecesse.
Ele sabe que jamais se arrependeria.
"Eu não acredito em você," Slade diz a ele, sua voz dura, carregada de uma raiva hipócrita. "Você diria qualquer coisa nesse momento para salvar seu pequeno filhote. Mas você se esquece, eu conheço você, garoto. Você não é altruísta."
"Você não tem a menor ideia do que está falando," Felicity responde num grunhido, enchendo-o inesperadamente de orgulho e afeição, que o preenche por inteiro.
"Você..." Slade fala, virando o olhar para ela, inclinando a cabeça com desdém. "Por você, eu quase sinto pena. Você foi atraída pelo rosto bonito como várias outras antes." Sua voz endurecida pela animosidade. "Mas ele leva morte para todos os lugares que ele vai, e não demorará muito tempo até que ela toque você." Ele sorri venenosamente para ela, fazendo o estômago de Oliver gelar. "E para a sua preciosa Ellie."
Não há a possibilidade de negociar com ele... Nunca houve.
Oliver sabe disso, sempre soube, desde bem antes da Ellie aparecer na vida deles. Ele se questiona se o seu, então, amigo não morreu depois de tudo, se o Mirakuru ressuscitou apenas a vingança e um senso de lógica deturpado motivados apenas pela raiva. Mesmo se eles conseguissem a cura, usassem nele, o homem que ele foi um dia, já não existe mais. Não há mais nada do seu então companheiro, que o salvou incontáveis vezes, que ele um dia o chamou de amigo, de irmão...
Aquele homem morreu no Amazo, tão certo como Shado morreu pela arma de Ivo.
"Ele está condenando você, Felicity." Slade continua, envenenando o nome dela, fazendo soar como se estiver coberto por ácido. Oliver sente ela enrijecer de tanta raiva próxima a ele. "E ele condenou a filha de vocês antes mesmo dela nascer."
As palavras são cortantes e Oliver as sente até seus ossos.
É exatamente o que o Slade quer. Ele quer jogá-lo para fora do jogo, brincar com as inseguranças que ele confidenciou na ilha, e por apenas um segundo, isso funciona. Oliver sente crescer dentro de seu peito uma ponta de dúvida e medo, uma voz bem baixinha sussurrando, "E se...", a preocupação de que talvez ele seja o perigo, algo que ambas, Felicity e Ellie, deveriam correr para longe...
Mas no instante seguinte, já não há mais.
Oliver não tem certeza como ele sabe, mas ele sabe: ele não as condenou, e ele não irá. Se tem uma coisa que ficou provado para ele depois de tudo que o aconteceu ontem à noite, é que abraçar essa luz, ao invés de correr dela, garante a segurança delas mais do que qualquer coisa nesse mundo. Talvez seja a força que irradia da Felicity ou acordar com o sorriso de sua filha ou ouvir as suas gargalhadas de felicidade pela manhã, ele não tem certeza, mas o que quer que seja, convence ele.
Ele não as condena.
No instante que ele reconhece isso, seu peito relaxa, algo se encaixa profundamente dentro dele.
"Eu tenho certeza que aqui, apenas você que está condenado." Felicity diz, sua força irradiando pela cozinha, estabilizando ele. "E não tem nada a ver com o Oliver."
A atenção de Slade está nela. Assim como isso traz um novo desejo de proteção correndo pelo sangue de Oliver, ele tem consciência suficiente para reconhecer quando uma oportunidade aparece. Não é muito – Slade está indubitavelmente consciente de todos os gestos do Oliver – mas é alguma coisa. É pouco, um segundo de vantagem que Oliver não pode desperdiçar, não com Ellie ainda em seus braços, não com sua vida ainda em perigo.
Slade sorri afetadamente. "Eu sempre achei que o Oliver tinha uma queda por mulheres fortes." Ele aperta os olhos como se estivesse vendo a Felicity sob uma nova luz. "Eu consigo ver o encanto agora."
Oliver não tem que derrotar o Slade, ele tem apenas que salvar a Ellie, arrancá-la dos punhos de ferro.
Parece ser mais fácil do que derrotar um soldado com mirakuru estando desarmado.
Pelo menos ele espera que sim.
Oliver ataca, uma violenta investida, carregada de adrenalina, atinge o Slade com toda a força, um som vingativo sai de sua garganta. É o suficiente para fazê-lo dar dois passos para trás e – mais importante - é o suficiente para fazer com ele solte a Ellie.
Mas essa é toda a extensão do seu impacto.
Ellie grita enquanto cai, pousando com um baque e chorando numa terrível combinação de medo e dor por causa do impacto. Felicity se joga para frente em direção à menina com braços estendidos, pegando-a e indo para trás o mais rápido possível, para longe do alcance do Slade. E Slade... Slade gargalha enquanto Oliver usa tudo o que tem para lutar contra esse homem terrível.
Oliver nunca tinha batido com tanta força em sua vida. Ele nunca esteve tão determinado, tão focado. Nunca.
Mas nada disso, nem de perto, é suficiente.
O Mirakuru, que simultaneamente deixa forte e envenena o Slade, dá a ele um tipo de poder que Oliver jamais será capaz de alcançar, e logo, será demais. O desespero para salvar sua família não chega perto da raiva desenfreada que está em cada movimento daquele homem, e Oliver sente o punho do Slade atingindo seu queixo com tanta força que parece que seus músculos estão rasgando.
"Shado não teve a chance de ter uma família, você tirou isso dela!" Ele rosna, seus punhos causando uma série de machucados provocados por socos em seus rins e costelas. "Você não terá essa chance também."
Os socos são rápidos e fortes, mal dando à Oliver a chance de respirar, muito menos de reagir, mas suas palavras o atingem como uma lâmina serrilhada. Ele tenta dizer "Corre!" para Felicity, mas o Slade já está se movendo, atingindo-o com um chute em seu joelho capaz de quebrá-lo.
E então o punho de aço de Slade agarra seu pescoço.
"Oliver!"
A voz de terror da Felicity atravessa o ar enquanto Slade o levanta do chão, dedos envolvem sua traqueia quase mortalmente, esmagando lentamente, não permitindo o ar entrar.
Oliver quer dizer para ela correr, para pegar a Ellie e fugir enquanto elas podem, mas sua voz está estrangulada demais para funcionar. O ar desce pela sua garganta como se estivesse sendo puxado por um canudo e não é suficiente; seus pulmões pedem por mais, suas cordas vocais estão próximas do colapso por causa do aperto violento do Slade.
Ele não sabe o que irá acontecer se o Slade matar ele... Quando ele o matar.
Será que a Ellie continuará existindo, uma anomalia na linha do tempo, a garota com o pai que nunca existiu? Ou será que ela nunca existirá em primeiro lugar?
Isso dói mais do que qualquer coisa que o Slade poderia fazer com ele, e ele desesperadamente espera que seja a primeira opção. Pelo bem da Felicity. Pelo bem da própria Ellie. Mas mesmo que ela desapareça como uma miragem, tão perfeita para ser real, ele não se arrependerá disso. Ele não se arrependerá de ter dado a própria vida para poupá-la de sentir a dor da morte pelas mãos do Slade.
Valerá a pena.
Felicity não está no seu campo de visão, mas ele não precisa vê-la para saber que ela está se movendo, procurando por uma arma, uma vantagem, qualquer coisa que ajude a salvar ele. Ela é uma guerreira, esta mulher que um dia deveria ter sido sua esposa. Algumas vezes com palavras, outras com demonstração de caráter. Ela nunca para, nunca desiste. Ela é feroz, com o coração mais leal que ele já conheceu, e mesmo não estando treinada fisicamente para lutar, ela irá, porque ela acha que precisa, porque é o que é certo. E, Deus, se ele algum dia achou que os sentimentos dele por ela eram apenas uma quedinha que ele poderia se livrar, agora está vibrantemente claro que seria impossível.
Ele ama ela.
Fortemente, completamente, porque isso é o que ela é - uma mulher com um senso de justiça que supera o seu, uma mulher que pode fazê-lo sorrir só em pensar nela, mesmo que ele esteja à beira da morte por sufocamento. Ela é seu par, ele sabe disso. Ele apenas queria que tivesse tido mais tempo para dizer a ela, que ele tivesse tido mais tempo para mostrar à ela.
Se há algo que ele irá se arrepender, será disso.
"Eu vou matar você, Oliver." Slade diz a ele, com uma calma fria que faz Oliver estremecer até os ossos. "E elas irão assistir você morrer. E então, eu irei matar elas. Porque eu posso. Porque elas irão morrer sabendo que você falhou com elas, sabendo que você não era metade do homem que elas acharam que você era."
Não.
Os pulmões de Oliver queimam e seus olhos se enchem de lágrimas, enquanto ele tenta agarrar em vão as mãos fortes do Slade. Em algum lugar ao fundo, ele acha que ouve o choro de Ellie. Ele pode ouvir Felicity gritando alguma coisa, mas tudo está sumindo rapidamente, ele só consegue sentir seu apelo por ar e seu sangue correndo pelas veias.
Ele enterra suas unhas nas mãos do Slade, tirando sangue, banhando seus próprios dedos, mas ele nem mesmo pisca. Oliver tenta empurrar o abdômen do Slade com seu pé, se contorce para longe dele, mas é como se ele fosse um boneco de pano; todos os seus esforços são inúteis.
Slade está certo, Oliver conclui de repente, com um tremendo terror. Ele irá morrer dessa forma... Olhando para os olhos de um homem louco que um dia ele chamou de amigo. Talvez seja como deveria terminar. Há muito tempo ele já tinha aceitado que sua morte seria brutal, mas ultimamente – pelo menos há um dia – ele achou que talvez...
Mas não importa. Ele vai morrer. Aqui. Agora. E pior de tudo, também a sua família...
E não há nada que ele possa fazer.
Oliver abre a boca num grito silencioso, o desespero bate, enquanto tenta, com o pouco que ainda lhe resta de força, lutar ainda mais forte.
Se ele conseguisse pelo menos falar para elas correrem, falar para Felicity ir, sair dali, fugir...
Mas a cada segundo que passa, mais pontos pretos dançam em sua visão e Felicity e Ellie começam a desaparecer ao fundo cada vez mais, até que ele se vê em um outro lugar... Até que só ficam ele e Slade. Nada mais existe. Sua mãe não está mais na cozinha, não há mais o choro da sua filha ou os gritos da Felicity. Eles estão em Lian Yu ou em algum lugar nos Glades ou em nenhum outro lugar.
Isso realmente não importa porque o mundo ao redor deles se dissipa e tudo que ele consegue ver é o único olho de Slade encarando-o com cruel e firme intenção.
Por uma fração de segundo, tudo desaparece, dissipa-se em escuridão, num mar de nada... Até que ele vê algo. É tão rápido, algo tão súbito, mas o suficiente para que ele veja a luz do sol, a brisa quente de verão passando por sua pele... Ele sente o ar salgado, escuta o barulho das ondas em algum lugar próximo... E risadas.
Felicidade.
O rosto de Felicity aparece com um incrível, lindo sorriso... E Ellie rindo adoravelmente enquanto corre atrás das gaivotas... E um menininho.
E com a mesma rapidez que ele vê essa cena, tudo some...
...Porque ele está caindo.
Realidade o traz de volta e ele aterrissa em algo frio e duro. Ar fresco enche seus pulmões, fazendo ele tossir e um rugido de dor chega aos seus ouvidos...
A dor é do Slade.
É o Slade, Oliver registra um pouco mais tarde, piscando seus olhos marejados de lágrimas, até que finalmente ele consegue ver o suficiente – ele está no chão, lutando para respirar e quando olha para frente, ele vê que a lâmina da faca de cozinha está enterrada no olho que ainda resta ao Slade.
Por um segundo terrível, ele só consegue escutar a agonia do Slade, gritos cheios de raiva rasgam o ar e ele se joga para longe dele, seus braços estendidos para frente.
Não faz sentido. Oliver não consegue entender nada, que ele está vivo... Que talvez sua família possa viver...
Oliver tropeça em seus próprios pés, tentando fazer com que os pontos brancos em sua visão sumam, esperando ver Felicity, mas não é ela e ele não poderia estar mais surpreso nesse momento, nem mesmo se ele tentasse.
"Fique longe da minha família, seu filho da puta!" Moira Queen ordena, furiosamente e friamente, como se ela não tivesse enfiado uma faca no olho de um homem.
"Mãe?" Oliver pergunta perplexo, sua voz fraca e rouca.
"Papai! Eu quero meu pai!" Ellie soluça atrás deles e Oliver se vira para elas antes mesmo que ele consiga parar. "Mamãe, me deixa ir!"
"Ellie, não," Oliver fala, ignorando a dor em suas cordas vocais, levantando a mão em direção à elas, enquanto o Slade, com a mão trêmula, acha da cabo da faca. Cego ou não, Slade Wilson ainda é definitivamente uma ameaça. "Felicity, saia já daqui!"
Ele sabe que ela teria insistido para ficar ao seu lado – uma das coisas que ele mais ama nela – mas a segurança da Ellie é a única coisa que importa. Ele não tem dúvidas que ambos estão na mesma página com relação a isso, e essa impressão é reforçada pelos passos suaves da Felicity no chão de madeira e o choro cada vez mais distante da Ellie por ele.
"Eu vou matar você," Slade rosna, arrancando a faca do seu globo ocular, deixando para trás um buraco gosmento em seu lugar. "E eu vou me deliciar." Sua cabeça vira para onde a Felicity saiu. O sorriso do Slade é extravagante, seus dentes cheios do sangue que escorre por sua face. "E elas terão a sua vez."
A promessa em sua voz é congelante e Oliver usa todas as suas forças para não se jogar em cima desse homem louco, mas ele se controla. Eles lutaram o suficiente na escuridão de Lian Yu e ele está bem ciente que o Slade não precisa enxergar para vencer em combate. Seus sentidos são bem afiados, o Mirakuru apenas intensifica eles, mas ele está num território que não lhe é familiar e a dor deve ter tirado um pouco da força que ele normalmente tem.
No entanto, não há tempo para desperdiçar e o Slade está longe de ser derrotado.
Silenciosamente e rapidamente, o medo e a adrenalina diminuem a sua dor, Oliver desliza ao redor do Slade e agarra o braço da sua mãe, puxando-a para trás dele.
Slade investe contra eles – golpes poderosos e largos, sem direção, que poderiam ser mortais se atingissem alguém. Derrotar Slade significa usar o que seria de mais letal em qualquer outra pessoa e Oliver sabe disso, mas ele não pode fazer isso sem nada nas mãos - se ele parar para pensar, ele mal consegue ficar em pé, a dor é aguda em seu joelho e sua garganta dói pungentemente. Ele olha ao redor da cozinha, mas não há nada próximo que possa servir de arma...
Até que ele consegue ver o corpo imóvel do Diggle perto da ilha da cozinha.
Instinto toma conta dele, no que ele desvia o próximo movimento do Slade empurrando-o em um único movimento, puxando a mãe dele pelo braço até alcançar o Diggle.
"Oliver, o que..." Ela começa, parecendo mais destruída do que ele tinha registrado num primeiro momento – suas mãos estão tremendo, seu cabelo não está mais impecável e sangue mancha suas mãos, mas ele não se permite pensar demais. Sua mãe já teve muito sangue em suas mãos antes. Agora, pelo menos, é justificável.
Ele faz um "shhhhh" baixinho para sua mãe se calar, mas é tarde demais. Ela já tinha atraído a atenção do Slade e o homem deixa escapar um rugido selvagem, no que volta a atenção para eles, movendo-se para atacar.
Moira deixa escapar um som trêmulo em alerta. Ela agarra o braço de Oliver, apertando fortemente, e sussura, "Oliver..." Mas ele não pode fazer nada, ainda não. Oliver procura pela arma extra que Digg sempre carrega com ele, empurrando o ainda inconsciente corpo do seu amigo para fora do caminho...
Ali...
Slade está se movendo rapidamente em direção à Moira quando Oliver se vira, arma na mão, e esvazia totalmente o pente de balas em seu inimigo.
Os tiros são altos e o som das balas rasgando o seu corpo ecoam, ele fraqueja até parar, uma expressão de surpresa cruza sua face sem visão. O silêncio que se segue é ensurdecedor e, por um longo segundo, não há nada além do som do Slade movendo o queixo tentando falar, mas tudo o que sai é um filete de sangue.
Escorre lentamente pelo queixo dele, pingando no chão...
E então, ele cai.
De repente, ocorre a ele, quanta sorte eles tiveram por Slade não estar usando a sua armadura. Ele tinha chegado todo arrogante, achando que com o Oliver em casa, onde sua família estaria mais desprotegida, seria mais fácil... E talvez teria sido, se estivessem somente Oliver ou apenas Ellie e Felicity...
O som dos tiros ainda é como fantasmas em seus ouvidos, no que ele olha para o corpo de Slade.
Ele não está respirando, ele não está se movendo...
Está feito.
Eles estão seguros.
Sua família está segura.
"Oh graças a Deus," Moira respira, agarrando o braço do Oliver, virando ele para ela. Ela coloca sua mão na bochecha do Oliver para chamar sua atenção. "Oliver, você está..."
"Eu estou bem, eu estou bem." Seu olhar vai para o corte grande na testa dela. Já parou de sangrar, mas deixou uma mancha grossa de sangue coagulado em seu cabelo e rosto. Ele faz um careta ao tocar nela. "Você está bem?"
"Eu estou bem, não se preocupe comigo," Moira diz dispensando a atenção, seus olhos na garganta dele. "Eu não fui a única que quase morreu."
"Eu estou ok" Oliver assegura ela, sua voz rouca e falhando. "Graças a você."
"Eu sou sua mãe, Oliver," Ela lembra a ele, com toda a afeição em sua voz. "Eu faria qualquer coisa para proteger você."
Ele acredita nela, como todo o seu ser. Oliver sorri, um sorriso incrédulo e cheio de admiração, por ela ainda fazê-lo sentir como se tivesse dez anos de idade. Ele está maravilhado com a força que ela ainda exerce.
Moira retorna o sorriso, cheio de ternura maternal, antes de respirar profundamente, virando-se para Slade. Ele segue o seu olhar.
"Agora," Ela diz, seu tom retornando a frieza que geralmente é reservada para uma sala de reunião. "Eu farei uma ligação para ter esse... Problema eliminado." Ela toca seu braço. "Você checa a Ellie e a Felicity."
É a única coisa que ele quer fazer - é o que ele precisa fazer. Ele ainda pode ouvir o choro da Ellie por ele, os sussurros frenéticos enquanto a Feliticy tentava acalmar a filha deles... Mas eles ainda não estão seguros.
"Ele não está morto," Ele a informa e, então, se dá conta das palavras dela. Oliver começa, virando-se abruptamente para olhar para ela. "Você tem alguém que pode eliminar um corpo?"
Ela rejeita completamente sua preocupação com um, "Deixa para lá," antes de perguntar, "Como assim ele não está morto?" Ela ri e o som sai atipicamente nervoso. "Oliver, ninguém poderia sobreviver àquilo."
"É, bem," Oliver diz, "Há mais coisa sobre ele do que podemos enxergar."
Ele se abaixa para checar o pulso do Digg, respirando com alívio quando encontra, forte e estável. E Moira pergunta, "Isso significa o que exatamente?". Os olhos de Oliver registram o braço de Raisa, que está do outro lado da ilha da cozinha.
"Raisa," Ele fala, instantaneamente se movendo para checá-la. Moira logo solta um assustado "Oh!", enquanto Oliver mexe um pouco nela para ver se está respirando... Ela está, o pulso está presente. Oliver respira aliviado.
"Ela está bem?" Moira pergunta.
Oliver afirma com a cabeça, sem conseguir ignorar o fato de que Ellie e Felicity estão em algum lugar da mansão. A vontade de encontrá-las está se tornando quase insuportável e ver a Raisa e o Digg no chão não ajuda em nada.
"Sim" Ele responde, concentrando-se para reportar os danos. "Eu acho que ele apenas a apagou. Talvez tenha quebrado o braço dela." Ele se move em direção ao Diggle. "E não se preocupe sobre o Slade, eu sei de alguém que ficará muito feliz por tirá-lo das nossas mãos."
"Oliver... Querido..." Moira começa hesitante, claramente tentando achar as melhores palavras para dizer em seguida. "Você é um homem maravilhoso e claramente comprometido a fazer a coisa certa. Eu respeito isso e amo você por isso... Mas nós realmente precisamos matar ele."
Ele, ainda ao lado do Diggle, olha para ela.
"Não é crueldade," Moira o assegura, interpretando errado o seu olhar. "É praticidade. Aquele homem vai querer você e sua filha mortos pelas próprias mãos dele enquanto respirar. Nós precisamos dar um fim nele. Para sempre. Pelo bem da Ellie."
Não há dúvida, de forma alguma, que a lógica de Moira está distorcida, mas ela também não está exatamente errada. Oliver decide rapidamente não pensar muito sobre o que isso poderia dizer sobre ele. Em vez disso, ele foca na impossibilidade da sua sugestão.
"Eu já tentei," Oliver diz a ela. "Existe essa... Vamos chamar de droga. Ela mantem ele vivo, não importa o quão machucado ele esteja." Ele pausa, seus olhos passando pelo Slade. "Eu não sei como matar ele, não sem reverter os efeitos."
"Então, como podemos fazer isso?" Moira pergunta.
"Eu ainda não tenho certeza," Olive responde. "Mas eu acho que tenho alguns amigos que podem ajudar. Primeiro, o mais difícil... Nós temos que contê-lo."
Com isso, Oliver puxa o celular do bolso do Digg e aperta alguns botões, nunca sem tirar os olhos da forma imóvel do Slade. O fone toca três vezes antes de alguém atender e então uma voz familiar o saúda.
"Johnny, eu tenho uma reunião em cinco minutos," Lyla diz em tom apressado. "O que é?"
"Desculpa, Lyla," ele responde. "É o Oliver."
A súbita ausência de barulho do outro da linha diz muita coisa. Ela para de andar, para de respirar por um momento. Se Oliver não já estivesse ciente que Digg estava vendo sua ex-mulher, ele teria descoberto agora baseado na reação dela pela chamada inesperada, mesmo que a Ellie não tivesse dito nada.
"Quão ruim?" Lyla pergunta, profissional e focada.
"Ele está ok. Bem, ele ficará ok," Oliver clarifica. "Ele está inconsciente no momento, mas não é por esse motivo que estou ligando..."
"Johnny está inconsciente e existe uma outra razão para você estar me ligando?"
Ele pode imaginar perfeitamente a forma como as bem-feitas sobrancelhas estão, sem dúvida, arqueadas em descrença, e ele sabe que está abusando de sua paciência.
"O que o John falou para você sobre Slade Wilson?" Oliver questiona.
"...O suficiente para saber que ele deveria ser uma prioridade maior do que a Waller faz dele," Lyla responde depois de um momento. "Por que?"
"Você acha que poderia aprisionar ele?" Oliver pergunta.
Lyla responde de imediato. "Você o tem?"
"Se ele fosse uma pessoa normal, ele estaria morto na cozinha da casa da minha mãe no momento," Oliver responde a ela. "Em vez disso, mesmo com um pente inteiro de balas no peito e depois de perder o outro olho, ele está no chão inconsciente, mas ainda respirando."
"Eu estarei aí em dez minutos," Lyla diz, desligando o telefone antes que Oliver tenha chance de responder.
Oliver solta um suspiro, metade de alívio e metade de ansiedade.
Ele não tem ideia de quanto tempo eles têm até o Slade acordar. Ele tem que ficar aqui. Mas, Deus, como ele gostaria de ir atrás da Felicity e Ellie. Com o perigo imediato fora do caminho, ele anseia pela presença delas, ter a sólida garantia de que elas estão bem. Coça sob sua pele e seus músculos se retorcem de vontade.
"Boas notícias?" Moira pergunta, chamando ele de volta.
"Sim," Oliver afirma, um pouco mais atrás, deixando o celular no balcão. "Lyla... Lyla, do Digg. Ela tem recursos para manter o Slade preso, bem trancado. Ela está a caminho."
"E como precisamente ela irá fazer isso?" Moira pergunta, tudo menos convencida. "Oliver, eu estou certa que ela tem as melhores intenções, mas se o Slade Wilson pode sobreviver a tudo o que ele já sofreu, eu não consigo imaginar como alguém seria capaz de mantê-lo preso."
"Nem toda agência governamental tem o nome que você poderia reconhecer, mãe," Oliver diz a ela com um olhar sério. "Acredite em mim, Lyla e a organização dela podem resolver isso."
"Eu espero que você esteja certo," Moira responde gravemente. "Porque tudo o que você mais preza só acontecerá se aquele homem nunca ficar livre."
"Você tem alguma ideia melhor?" Oliver pergunta, olhando para ela com expectativa. "Porque isso é tudo o que eu tenho."
Moira pareceria inteiramente calma e recomposta se não fosse pelo sangue seco embaixo das suas unhas. Mas Oliver vê. Ele sabe mais do que isso.
"Claro que há alguns ferimentos que ninguém poderia se curar." Ela sugere. "Independente sob qual influência eles estão."
"O que você está exatamente propondo?" Oliver pergunta, gostando nada do rumo da conversa, lembrando-se vivamente do comentário dela sobre chamar alguém para eliminar "o problema". A incredulidade por aquele comentário começa a desaparecer, deixando espaço para a realidade: sua mãe tem alguém na discagem rápida que pode fazer corpos desaparecerem.
As implicações são inquietantes.
"Simples," Moira responde, "Se talvez partes dele forem... Enterradas separadamente, não haveria chance dele sobreviver."
Oliver pisca.
"Mãe..." Ele fez os olhos, sacudindo a cabeça. "Isso é de longe a conversa mais estranha que eu já tive. E isso considerando o dia de ontem, quando eu disse que tinha uma filha que tinha viajado no tempo vinda do futuro."
"Agora não é hora para melindres," Moira reprimenda, despreocupadamente tirando a sujeira de cima do seu ombro, no que ele levanta as sobrancelhas. Melindres? "E essa não é a hora para confiar em outras pessoas para resolver os nossos problemas. Por que você não deixa isso comigo? Ligue para... Lyla de volta, diga à ela que você não precisa de sua ajuda, então suba e vá ver sua família. Deixe o Sr. Wilson em minhas mãos."
Ela está falando sério. Cem por cento séria.
Ele está muito cansado para dizer qualquer coisa, mas "Não, mãe. Eu não vou subir enquanto você parte o Slade em pedaços, mas obrigado por oferecer."
"Oliver..." Ela começa, mas é cortada por um grunhido.
Para sorte de todos eles, é o Diggle acordando e não o outro homem inconsciente que está no chão da cozinha.
"Cuidado, John. Vá com calma," Oliver diz, no que seu amigo tenta se sentar e quase cai de volta.
"Oh, cara," Diggle diz, voltando à consciência. Ele estremece, sua mão voando em direção a sua cabeça. "O que diabos aconteceu?"
"Slade aconteceu," Oliver responde.
As palavras assustam Diggle o suficiente para que ele, instantaneamente e inteiramente, volte ao presente. Seus olhos voam pela cozinha, seus ombros tensos e prontos para qualquer coisa, quando ele pergunta, "O que aconteceu? Ellie está...?"
Basta ouvir o nome da sua filha e o peito de Oliver se aperta, ele afirma rapidamente. "Ela está ok, ela está ok. Tudo está ok agora. Todo mundo está ok. Bem..." Ele move a cabeça em direção o corpo ensanguentado. "Menos o Slade."
"Ótimo, Oliver," Diggle respira, enquanto olha para o corpo de bruços do Slade. "Bom trabalho. Já estava na hora de derrubarmos ele." Ele agarra a mão do Oliver, deixando que ele o puxe. "Nós merecíamos uma vitória."
"Na verdade..." Oliver diz, olhando para Moira. "Minha mãe derrotou ele."
Oliver tem quase certeza que o Diggle acha mais provável que ele esteja sofrendo de uma concussão do que ter ouvido ele direito, baseado no jeito como ele congela e seus olhos vão do Oliver para Moira.
"Isto é..." Diggle começa, parecendo como se ele não tivesse ideia de como concluir o pensamento, "...Muito impressionante, Sra. Queen. Como exatamente a senhora conseguiu fazer isso?"
"Todo mundo tem sua vulnerabilidade, Sr. Diggle," ela diz, com aquele ar típico da matriarca da família Queen. "Às vezes, tudo o que devemos fazer é saber precisamente onde atacar."
Diggle concorda, tentando entender tudo ao seu redor, no que ele levanta as sobrancelhas e olha em direção ao Oliver.
"Cara, não me entenda mal, mas sua mãe é assustadora. Promete nunca apresentá-la à Waller."
E uau, não é que esse pensamento provoca um curto-circuito no cérebro de Oliver por um momento.
"Falando nisso," Ele diz, "Lyla está a caminho para pegá-lo."
Diggle estreita os olhos cautelosamente. "A Argus é realmente o melhor lugar para ele?"
"Obrigada, Sr. Diggle," Moira fala com um olhar cortante para o Oliver.
"Mãe..." Oliver diz, levantando a mão em sua direção. "Não comece."
"Você realmente quer ele nas mãos da Waller?" Diggle pergunta, com um olhar cheio de significado. "Eu não sei se estou confortável com ela segurando a coleira de um homem louco e que tem super poderes, e nem mesmo é a minha família que ele está ameaçando."
"Eu quero ele morto," Oliver diz categoricamente. "Se for para ele vir atrás da Ellie... Se ela tiver que viver com a ameaça dele como uma sombra por toda a sua vida..." Ele trava o seu queixo, pensar nessa ideia é o suficiente para fazer com que o ácido do seu estômago suba pela sua garganta. "Eu quero ele morto, John. Mas primeiro... Nós temos que achar uma cura para o Mirakuru. Ele não irá morrer de outra forma."
"Sim," Diggle respira, seus olhos indo em direção ao Slade.
Oliver respira fundo. "E talvez..."
Diggle solta um suspiro, sabendo o que ele está pensando.
"Talvez se essa droga sair do sistema dele, ele poderá voltar a como era antes." Ele diz. "Talvez ele não fique louco. Talvez ele não odiará você."
Oliver encara Diggle, implorando para que entenda o porquê dele estar pensando assim. "Eu devo ao amigo pelo menos tentar."
Diggle pode até entender, mas sua mãe com certeza não.
"Oliver," ela suspira impaciente. "Seu sentimentalismo é totalmente incompreensível."
Ele é salvo de ter que defender sua posição pelo som característico do helicóptero pousando no terreno deles. Lyla. É a ARGUS, e pela primeira vez desde que Oliver entrou na cozinha para encontrar a Ellie nos braços do Slade, ele respira genuinamente aliviado.
Eles estão seguros.
Lyla mal passa pela porta da cozinha e o foco do Oliver já está nas duas mulheres que estão lá em cima.
"Bom que você está acordado," Lyla diz para Digg, olhos passando pelo seu corpo com partes iguais de avaliação e apreciação.
"Perdi demais do que foi a luta," Diggle diz a ela. "Eu tenho certeza que não vou sentir falta dele se ele ficar preso para sempre."
Lyla lê nas entrelinhas, como se fosse treinada para fazer isso. E, considerando a sua chefe, talvez ela seja.
"Deixe comigo, Johnny," Ela o assegura. "Nós vamos deixá-lo em algum lugar onde ele nunca mais possa ver a luz novamente. Eu prometo."
"Bom," Diggle diz. "Eu vou cobrar isso."
"Pode cobrar," Lyla responde com gracejo.
Com Slade efetivamente não sendo mais uma ameaça e não mais sua responsabilidade, Oliver não consegue se controlar para ficar na cozinha nem mais um instante, não com Felicity e Ellie preocupadas com ele lá em cima... Não quando a última vez que ele viu o pequeno rosto da Ellie, ele estava cheio de terror e coberto de lágrimas... Não quando a última vez que ele ouviu a Felicity, ela estava gritando seu nome com um desesperado e quase primitivo medo.
"Lyla, obrigado," Oliver diz, ela acena concordando em sua direção, cruzando o espaço para prender algum tipo dispositivo no pescoço do Slade. "Eu preciso checar a Ellie e Felicity."
"Quem é Ellie?" Lyla pergunta.
"É uma longa história," Diggle responde. "Eu atualizo você mais tarde."
O que quer que a Lyla tenha dito em resposta, Oliver não escuta, ele não se importa.
Ele corre, saindo da cozinha, à procura de suas garotas.
Elas estão dentro de casa, pelo menos ele sabe disso. A garagem é por trás da cozinha e elas não seriam capazes de ir para lá sem que o Slade tivesse visto e o porão seria pouco provável que a Felicity tivesse achado, a não ser que ela tivesse aberto todas as portas procurando por isso, e ele sabe que ela não o faria. Sua prioridade era conseguir um lugar seguro para a Ellie, em primeiro lugar, e o instinto natural de qualquer pessoa seria correr para um lugar familiar.
Elas não estão no seu quarto ou no da Thea ou na metade da dúzia de quartos de hóspedes que ele tenta. Ele começa a abrir e fechar portas com mais força do que o necessário, chamando pelo o nome da Felicity, seguido pelo da Ellie, sua voz áspera ecoando pelos corredores, obtendo nada em retorno.
Onde elas estão?
A mansão é enorme e cheia de pequenas brechas e lugares escondidos... Felicity não teria deixado a casa, teria? Será que ela correu pela porta da frente? Não, ela não tinha um carro e correr descalça pela caminho de cascalhos até a rua, que fica a pelo menos 40 quilômetros de Starling City, não seria viável. Ela saberia disso.
Oliver vasculha o segundo andar inteiro antes de ir em direção ao terceiro e menor andar da casa, questionando se ele não supôs rápido demais que a Felicity teria subido. Talvez ela soubesse que um lugar familiar seria exatamente onde o Slade procuraria e o segundo andar seria sua primeira parada, então ela teria feito exatamente o contrário, indo para baixo ao invés de para cima...
Ele está abrindo a porta do empoeirado depósito perto do sótão, pronto para desistir e checar o andar de baixo quando ele escuta...
Um pequeno soluço, seguido por um suave "shhhh".
"Oh Deus," ele sussurra, alívio enchendo o peito, e vai em direção da porta fechada do banheiro. Ele abre - então as vê - e, de repente, cai a ficha do quanto tudo isso foi realmente aterrorizante.
Elas estão juntas dentro da banheira antiga, Ellie enroscada no colo da Felicity, chorando suavemente no tecido da blusa dela, enquanto esta, está segurando uma arma, mirando firmemente para a porta. É uma antiguidade, provavelmente não deve ter nem balas e certamente nem funciona - ele tem quase certeza que foi de se eu avô por um tempo e que era usada como decoração no escritório de sua mãe - mas nada disso importa.
O rangido seco dos pés da Felicity na porcelana da banheira é ouvido quando ela se vira de costas para a porta, protegendo a Ellie, pronta para qualquer coisa...
No instante que ela registra que é ele na porta, Felicity solta a respiração. Suas mãos se abaixam, a arma cai pesadamente dos dedos trêmulos, parando no chão com uma forte batida.
"Oliver," Ela soluça, seu rosto uma mistura de alívio, felicidade e medo.
Se é algo parecido com o que ele sentiu enquanto ele estava lá embaixo, ele pode imaginar o que foi para ela. Medo de ela não o veria novamente, de que ele estivesse morto, de que seus últimos minutos seriam preenchidos com o choro da sua filha em seu peito, ambas apenas esperando, esperando para ser encontradas, para saber o que aconteceu...
"Felicity," Ele sussurra e se ela levanta, ainda com Ellie nos braços.
Oliver se joga em direção à banheira, agarrando-a quando ela chega perto dele. Ele a levanta em seus braços, não sentido sua garganta machucada ou –talvez- a costela quebrada ou seu dolorido queixo...
Ele apenas sente elas, e é o sentimento mais incrível do mundo inteiro.
"Meu deus, Oliver," Felicity diz, desespero envolvendo suas palavras, lágrimas manchando suas bochechas. Ela pressiona seu rosto no peito dele, inalando e respirando ele, e ele faz o mesmo, dando um beijo forte na cabeça dela. Ela puxa ele ainda mais para perto, sacudindo a cabeça - ela está tremendo – ela sussurra, "Meu deus, eu pensei que não era... você... Eu não tinha certeza se iria ver você novamente. E a Ellie..."
"Felicity," ele corta, abraçando ela ainda mais forte, fazendo a Ellie gritar. Ele instantaneamente alivia o abraço, olhando para baixo, para suas garotas. "Vocês estão bem, vocês estão bem."
"Oh, Oliver," Felicity sussurra, seus lábios tremendo, olhos checando ele. Ele pode imaginar o machucado na sua garganta, assim como os danos que foram feitos pelos golpes fortes em seu rosto. Ela leva sua mão livre ao rosto dele, seus dedos quase o tocando. "Você está...?"
"Eu estou bem," Ele responde, afirmando com a cabeça.
"E o Slade?" Ela pergunta. "Ele está...?"
"Ele se foi," Oliver confirma e ela deixa escapar um suspiro trêmulo de alívio. "E... Vocês?"
"Nós estamos ok," Ela diz, olhando para a Ellie, que está atipicamente calada. Felicity respira profundamente e ergue um pouco a filha deles. Sua voz está carregada de emoção, mas é forte quando diz, "Nós temos uma garotinha muito corajosa aqui. Ela estava me mantendo calma"
"Ei, querida," Oliver diz, se abaixando ao nível dela. Ele quer perguntar se ela está ok, mas ele sabe que é uma pergunta estúpida, uma que ele não quer ouvir ela responder de forma alguma. Em vez disso, ele sorri, encontrando seu olhar. "Oi, docinho."
"Oi, papai." A voz da Ellie é baixinha, lágrimas brilhando em seus olhos. Elas não caem mesmo quando ela olha para os machucados de Oliver. Ele quer os esconder dela, dizer que ele está bem... Mas ele não vai, porque ambos saberiam que ele estaria mentindo.
"O homem mau se foi?" Ela finalmente pergunta.
O coração do Oliver se parte em pedaços, por essa ser a primeira pergunta que ela faz, por ela saber exatamente o que estava perguntando a ele. A fungada quieta da Felicity o diz que ela sente exatamente o mesmo que ele, e mesmo com o incomodo pensamento de que essa é a vida que ele dá a sua filha, há algo mais também... Algo maior.
Orgulho.
Elizabeth 'Ellie' Queen está apenas na metade do caminho para completar quatro anos de idade e ela já está ranqueada entra as pessoas mais corajosas que já conheceu. Esta é a vida que ele dá a ela, porque é quem ele é, quem Felicity é... E eles são capazes de criar uma garotinha mais do que capaz de suportar tudo isso.
E isso cura seu coração rapidamente.
"Sim, baby," Oliver responde, sua voz quebrando. "Ele se foi."
Ela concorda, seus olhos indo direto para a garganta dele. "Você está ok?"
Ele sorri, seus olhos fechando, concordando rapidamente antes de dizer. "Eu ficarei. Eu prometo."
"Ok," Ellie diz, acreditando nele e, num piscar de olhos, ela se joga dos braços da Felicity para os dele.
Ele não se importa o quanto tudo dói ou o que braços dela estão agarrando seu pescoço, fazendo com que seus olhos se enchem de lágrimas e seus pulmões parem... Ele não se incomoda, sua filha está em seus braços e isso é tudo o que importa.
Oliver abraça ela, segurando ela bem apertado, virando seu rosto no pequeno pescoço dela, respirando profundamente.
Lar.
"Vem cá," Oliver sussurra, envolvendo seu braço ao redor da Felicity, puxando-a para seu abraço. Ela sorri e abraça ambos, os olhos dela brilhando com lágrimas. Ele devolve o sorriso, suas próprias lágrimas embaçando a visão, então ele dá um beijo em sua testa e se inclina para beijar os lábios dela apropriadamente.
Ele está em casa.
