De volta para casa

"Ansioso?" Blaise perguntou, colocando as mãos nos bolsos e olhando ao redor casualmente.

"Malfoys não ficam ansiosos" Respondi.

Ele me olhou e sorriu.

"Malfoys não dizem que estão ansiosos" Olhei para ele e sorri. "Depois passo aqui para dar um abraço no Tio Lucius" Ele sorriu torto.

Revirei os olhos.

Ele riu e se despediu.

Estava no aposento minha mãe, Richie e Sam. Todos eufóricos pela chegada de meu pai.

Minha mãe consultou o relógio antigo e se virou para me encarar.

"Está na hora, Draco" Ela se levantou.

"A senhora não vai" Eu disse firme "Está cheio de repórteres por aí e Azkaban não é exatamente um lugar que combina com o seu..." Chequei o tailleur que vestia "tailleur Prada"

Ela arqueou a sobrancelha pra mim e manteve todo o autocontrole que tinha.

"Quando você voltar quero que esteja com seu pai, do contrário considere-se órfão de mãe" Ela sussurrou para as crianças não ouvirem e eu tentei não rir de sua cara. Não é nada bom rir de sua mãe na frente dos seus filhos. Ela empinou o nariz e voltou a dar atenção aos gêmeos, me ignorando.

Revirei os olhos e me despedi rapidamente de Sam e Richie antes de aparatar no porto que levava à Azkaban.

Dei graças a Merlin que quase ninguém tem coragem de se aproximar de Azkaban, estava livre de repórteres.

Assinei todos os documentos necessários para me responsabilizar pela guarda de meu pai e agora o esperava casualmente.

Já estive em Azkaban antes, para um curta visita. Uma curta e desagradável visita que eu não gostava de lembrar.

O lugar ainda tinha o mesmo ar frio e assombrado.

Ouvi a porta se abrir e desviei o olhar da janela para o outro lado do aposento.

Vestido em roupas indignas até mesmo de um elfo doméstico, trapos, literalmente, com os cabelos loiros sujos e mais compridos que o usual, mais magro e mais velho do que da última vez que o vira, estava lá, em pé no portal, meu pai.

"Lucius Malfoy!" Cumprimentei-o.

Ele me encarou por alguns segundos, inexpressivo, até um mínimo sorriso surgir em seu rosto.

"Draco"

Quando dei por mim, já tinha me aproximado dele para abraçá-lo.

D s2 G

Aparatei-o de volta para a Mansão sem muito papo furado. Entendíamos perfeitamente que quando chegássemos em casa, teríamos todo o tempo do mundo para por em dia tudo que havia de novo.

Uma das condições para que ele mantenha essa liberdade condicional é parar de praticar algumas atividades que possam criar... problemas. Aparatar é uma delas.

Instrui meu pai para que fosse ao seu aposento para que tomasse um banho, vestisse algo confortável. Sabia que ele estava almejando algo do tipo.

Ele arqueou uma sobrancelha para mim.

"Onde está sua mãe?" Ele perguntou cauteloso.

Sorri de lado.

"Vá tomar um banho, pai" Ele me encarou, estudando meu rosto, mas surpreendentemente, fez como eu disse. Caminhou lentamente escada acima, examinando ao redor, procurando por mudanças, imaginei.

Fui para o aposento que minha mãe e meus filhos estavam.

Minha mãe pulou em surpresa e inquietação ao me ver entrar pela porta sozinho. Acho que nunca a vi tão agitada na vida.

"Onde está ele? Onde?" Ela se aproximou de mim, me chacoalhando pelo colarinho. Suprimi uma risada. "O que eu te disse, Draco Lucius Malfoy? O que aconteceu?"

"Mandei-o tomar um banho, estava precisando" Disse, tentando lutar contra o sorriso que teimava em aparecer em meu rosto.

Ela revirou os olhos e me largou. Caminhando mais rápido que achei possível ela caminhar para seu aposento.

Ri comigo mesmo.

Minha mãe era uma figura.

Caminhei até o sofá, onde Sam e Richie estavam acomodados atônitos pelo pequeno show da avó que normalmente era controlada e reservada, e me acomodei entre eles.

"Vovô voltou para casa?" Sam subiu em meu colo e me olhava curiosamente.

"Voltou" A abracei e beijei seus cabelos vermelhos.

"Você demorou, papai" Richie resmungou impaciente e se levantou. Ficou andando pela sala, inquieto, mexendo em tudo. "Vovó fez a gente ficar sentado desde que você saiu"

Ri. É claro que sim.

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"Não sou uma boneca para você brincar, Sam!" Richie ralhou com a irmã.

Ela arregalou os olhos para Richie e gargalhou, correndo atrás do irmão pelo aposento, que não deixava a irmã de jeito algum tocar em seu cabelo.

"Cuidado para não quebrar nada" Alertei-os, divertido.

Contagiado pela alegria da brincadeira deles, me levantei também, e quando Richie passou correndo por mim, o peguei em meus braços, jogando em meus ombros. Ele exclamou alto e riu. Depois, me agachei, com ele em meu ombro, e Sam rindo, ficou provocando Richie, mexendo em seus cabelos.

Ouvi um pigarreio e levantei meus olhos para o portal.

Meu pai, perplexo, assistia a nossa brincadeira. Minha mãe, abraçada a ele, sorria deliciada. Ele estava limpo e bem vestido, com um corte descente de cabelos e barba feita. Mas estava abatido ainda.

Coloquei Richie no chão, ofegante, e me levantei. Sam logo escorregou sua mãozinha para dentro da minha.

Sorri para os pequenos e depois encontrei o olhar do meu pai.

"Pai, esses são Richard e Samantha" Apresentei-os "Meus filhos"

"Você tem filhos?" Ele arregalou os olhos. Senti meus lábios tremerem. Meu pai não perdia a postura tão fácil.

Ele encarou Richie e seus lábios curvaram levemente para cima. Reconhecia que Richie era bem parecido comigo. Depois olhou para Sam, e seu sorriso sumiu. Mesmo dez anos trancafiado em Azkaban, ele reconheceria os cabelos vermelhos e as sardas no rosto.

Minha mãe conduziu-o até o sofá, onde ele se sentou automaticamente, sem desviar os olhos de Sam.

Sam se aproximou do avô timidamente e estendeu um pedaço de pergaminho para ele. Meu pai pegou o pergaminho cauteloso e deixou uma ruga aparecer na testa. Como eu, ele também não entendeu nada que estava rabiscado, a não ser pelo desenho da Mansão colorida ao fundo.

"Está escrito: Bem-vindo ao lar, vovô" Ela disse docemente. Ele levantou o olhar para a ruivinha e sua expressão suavizou. Ela disse a palavra mágica: vovô.

Minha mãe pegou a mão dos pequenos e os puxou.

"Vamos escolher doces para o vovô, sim?" Ela os conduziu para fora do aposento.

Sentei em uma poltrona e o encarei, divertido.

"Então," Ele disse lentamente "Suponho que haja muitas novidades por aqui"

Assenti.

"Quantos anos eles têm?"

"Cinco" Ele arqueou uma sobrancelha "Gêmeos"

"E onde está a nova Sra. Malfoy?" Eu o encarei, tentando formular como responderia. Acho que ele entendeu errado minha expressão "Draco, você não teve filhos fora de um casamento, não?" Ele perguntou entre dentes. Não estava satisfeito.

Levantei minha mãe esquerda rapidamente, evidenciando minha aliança.

"Não, eu me casei!" Ele pareceu relaxar, mas não desviou o olhar de mim "Ela morreu no parto" Expliquei, evitando seu olhar.

Silêncio. Ele esperava que eu prosseguisse.

"Eu a conheci em Hogwarts" Olhei janela afora "Ela foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida" Olhei de volta para minha aliança. Nunca tive desejo de tirá-la "Ela era Ginny Weasley" Encarei meu pai novamente, esperando sua explosão.

Ele sorriu para mim, como das poucas vezes que sorria assim abertamente e sincero.

"Imaginei"

Encarei-o incrédulo.

"Imaginou?"

Ele revirou os olhos.

"Eu me lembro do dia de seu julgamento, dela discutindo com Potter por você"

Sorri levemente.

"O Sr. está confortável com isso?" Perguntei. Sabia de sua opinião sobre os Weasleys.

Ele sorriu.

"Se você está, eu estou" Ele respondeu.

Silêncio.

"Mamãe organizou uma reunião amanhã à noite para o senhor." Comentei, sorrindo torto.

Ele bufou e jogou as mãos para o alto.

"Alguns hábitos nunca mudam" Resmungou. Detestava a mania da esposa de convocar reuniões para tudo quando é tipo de acontecimento.


Obrigada pelas reviews: Isa Slytherin e Jane Empress of Wolfs!