Autor: Davesmom
Nome Original: Beyond Redemption
Tradução: Ilia-Chan
Betagem: Amanda Saitou
Capítulo 9
Gina bateu as costas contra a porta. Ela tremia discretamente, imaginando se Malfoy não usara sua manipulação pela voz de alguma maneira para fazê-la ficar tão nervosa. Ela não confiava nele, mas ele parecia tão preocupado.
Que razão ele tinha para achar que Crabbe e Goyle queriam prejudicá-la? Estaria ele pensando que ela seria capaz de afastá-los do comando dele? Ela balançou a cabeça. Isso não fazia sentido nenhum. Ela realmente não pensava que ele ligaria de um jeito ou de outro.
Ele já havia lhe dito que não se importava com amigos, porém, ela ainda não estava convencida que ele tinha um coração tão duro. O que ele sabia?
Com outro calafrio, Gina relembrou o quão desconfortável o par estava noite passada. Talvez ela devesse voltar atrás e devolver-lhe a varinha. Ela sabia que se sentiria mais segura com alguém para andar consigo, mas estaria Malfoy qualificado como um protetor?
Ginny finalmente decidiu ser cuidadosa ao retornar à Grifinória. Depois do que acontecera, ela não mais confiava em si por perto de Malfoy, assim como não acreditava que ele deixaria de atacá-la assim que estivesse livre. Ela apenas voltaria para sua Casa e pensaria no possível candidato. Se ninguém estivesse habilitado, ela passaria alguns minutos observando os arredores.
Ela estava certa de que Rony ficaria desconfiado se ela não aparecesse para comentar dos presentes que ganhara. Por isso, quando todos estavam descendo para o café da manhã, ela poderia voltar até o quarto, arremessar a chave para Malfoy e correr como louca! Olhando cuidadosamente para todos os lados, Gina voltou até a Sala Comunal.
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Maldita seja ela! Que queimasse no inferno! Draco passou tempos praguejando contra a Weasley e se sentindo impotente. Se Crabbe e Goyle estavam por trás de tudo, eles deveriam ter informado aos pais dele que estariam prontos para resgatá-lo.
Ele imaginava porque se importava. Ela era apenas uma Weasley, uma pobre, pertencente ao patético clã que sempre detestara.
Uma pequena e irritante voz sussurrava-lhe que se ela fosse pega antes que ele estivesse liberto, ele apodreceria ali. Draco escutava aquela voz como se fosse uma coisa que ele fizesse normalmente, todavia, mandou aquela voz para longe.
Por incrível que pareça, ele não se incomodava com isso. Ele temia pela Weasley, simples assim. Ele voltou à porta examinando a tranca. Era um velho cadeado que fechava uma corrente novinha em folha. Apesar de ser velho, o cadeado parecia bem forte e sólido. A corrente estava enrolada nas barras para manter a porta fechada.
Além disso, havia feitiços que selavam cadeado e corrente, ele não tinha a menor chance de abri-los. Entretanto, os feitiços se extinguiram e ele descobriu que podia empurrar a grade até o limite que a corrente permitia, apenas cinco ou seis centímetros, e nem de longe ele poderia passar pelas barras.
Draco praguejou novamente e passou os dedos por seus cabelos imundos. Maldita seja ela por tudo que ele havia passado nesses dias. Ele deveria estar em casa, sentado confortavelmente junto ao fogo, abrindo os seus presentes.
O pai dele, claro, estaria fora de casa e pouco se importando com isso, e Draco estaria aproveitando os raros momentos com a mãe. Ela estaria relaxada, para variar, não a pilha de nervos que era quando o pai dele estava por perto.
Narcisa era bonita, como ele havia dito, mas ele queria que a mãe também fosse forte, atuante e inteligente. Ele amava a mãe profundamente, mas ela era completamente alienada sem alguém para tomar conta dela. Ela não era muito inteligente ou corajosa, não fazia joguinhos e mal falava. Todavia, ele sentia saudades e se sentia em paz junta à ela.
E ele estaria em casa se Weasley não escolhesse aquele momento, entre todos aqueles quatro meses para se vingar. Ele não estaria desgrenhado, faminto, morrendo de frio e preocupado.
De novo, o "preocupado" que mais o enfurecia. Ela nem ao menos estava tentando e já era dona de todos os pensamentos dele. Ela estava andando lá fora desprotegida pelos corredores, com Crabbe e Goyle, provavelmente, a seguindo. E quando a encontrassem, a pegariam!
Draco sabia que a vítima deles poderia estar em quaisquer condições, contanto que continuasse viva. O pensamento do que os dois poderiam fazer com ela antes de matá-la fazia o seu sangue ferver.
Forçou a corrente e o cadeado outra vez, esperando que pudesse esmagar as barras e esmagar Crabbe e Goyle.
Com um grito alto, jogou-se na grade na esperança que pudesse abri-la. Esbarrou no ferro gelado e foi na direção contrária. Céus! Aquilo doera! E machucar a si mesmo não iria ajudar a Weasley! Ele tinha que raciocinar, tentar usar o cérebro. Emoções não o tirariam dali.
Respirou fundo e soltou o ar lentamente. Draco desabou no chão e fechou os olhos.
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Gina ainda estava se movimentando cuidadosamente, escutando antes de virar uma esquina e tentando passar pelos corredores. Estava próxima à torre da Grifinória e não vira nenhum sinal de Crabbe ou Goyle. Na verdade, estava começando a achar que poderia estar exagerando quanto a possibilidade do perigo que eles poderiam causar quando escutou um barulho de pés se arrastando às suas costas.
Entrou em uma sala, agradecida que a maioria das portas da escola eram fortes e pesadas. Encostando-se à porta, pôs-se a ouvir com atenção.
— Você acha que ela já desceu para o café da manhã? — escutou a voz de Gregory Goyle perguntar. Ele soou como se estivesse justamente na esquina que ela acabara de dobrar, porém ela não queria se arriscar a olhar. Eles deveriam estar no mesmo corredor que ela estava.
— Imbecil! O café só será servido daqui a meia hora. Por que ela iria tão cedo? — Vincent Crabbe respondeu.
— Sei lá. Só pensei. Estou ficando cansado de caçá-la por aí. Não podemos apenas pegá-la e pronto?
— O quê? E ter o castelo inteiro procurando-a? Não, esperaremos até mais tarde, quando todos estiverem ocupados com outros assuntos. Esperamos até que todos tenham curtido os presentes e se desejado felicidades. Ninguém sentirá falta dela por horas! Principalmente porque ela passa tanto tempo passeando pelo castelo.
Gina sentiu um frio na espinha. Do que eles estavam falando? Por que eles queriam 'pegá-la'? E o que eles planejavam fazer com ela que levaria horas para os outros sentirem sua falta?
Ela queria voltar a Grifinória, mas sabia que se o fizesse, eles a capturariam facilmente. O nível de terror que ela estava aumentou de pronto ao ouvir o resto do diálogo.
— Uma vez que a tivermos, o que faremos com ela até que consigamos tirá-la do castelo? — indagou Goyle.
— Nós a esconderemos em uma sala vazia. Colocaremos um feitiço de silêncio nela e poderemos fazer tudo o que quisermos com ela! Ela não precisa ser virgem para o sacrifício, basta que esteja viva.
Gina finalmente entendeu. Ela acusou Malfoy de usá-la como passaporte para os Comensais da Morte, mas estava errada. Terrivelmente errada.
Desejou de coração que houvesse escutado os apelos de Malfoy e lhe entregado a varinha. Ele provavelmente conhecia uma porção de feitiços que ela sequer pensaria. Porém, talvez ele estivesse apenas pensando em alguma maneira de sair da cela.
Ela nunca imaginou que pudesse sentir tanto medo na vida, nem mesmo quando Malfoy a atacou naquele dia.
Sentiu uma vontade louca de rir histericamente, mas mordeu os lábios com força. A dor colocou a histeria sob controle, mas ela não podia conter uma vozinha venenosa que lhe dizia que Malfoy devia saber de tudo.
Ele deveria saber o que aqueles dois estavam planejando, por outro lado por que ele agiria como se estivesse preocupado? Por que não dizer a ela, apenas? Ele estava mancomunado também?
Uma segunda voz a alertou que não estivera prestando atenção. E mesmo se ele soubesse, ele pensou que Crabbe e Goyle estariam salvos fora da escola, DEVERIA estar preocupado. Ele não tentara preveni-la ao sair da câmara?
Os pensamentos de Gina pararam de forma abrupta quando ouviu a voz de Goyle de novo.
— O que raios você acha que o Malfoy está aprontando? Acha que ele tem planos para a pequena Weasley?
— Bem, — Crabbe grunhiu — se tiver, ele terá que vir contra os nossos. Ele teve a chance de se juntar a nós ano passado, mas não quis. Achou que era bom demais para se juntar a nós! Mas ele vai descobrir que aquele pai esnobe não pode protegê-lo para sempre.
Ouviu-se o barulho de um soco contra a palma de uma mão.
— Se eu o vir primeiro, darei a ele alguma coisa para pensar — Goyle falou — Vou dar um jeito naquela cara esnobe para ele! Eu mostrarei a ele a não mexer com a gente!
Gina ouviu passos altos se aproximando. Entrou em pânico novamente. Não havia como eles não a encontrarem se eles cruzassem o corredor.
— Goyle, seu retardado, volte aqui! — a voz de Crabbe parecia irritada. — Nós nem sabemos o que ele está tramando.
Os passos pararam e então retornaram.
— Além do mais, nós não podemos nos aproximar muito da Grifinória. Aquele idiota do Finnegan já nos viu. Você quer todos os Grifinórios na nossa cola? Nós esperaremos até depois do café. Aí, todos estarão ocupados com suas próprias vidas para se importarem com ela. Vamos lá.
Gina escutou os passos retrocederem. Sentiu um fraco alívio, entretanto, parou por um momento.
Analisou o ambiente cuidadosamente para se certificar que eles tinham realmente se ido para a Sala Comunal da Grifinória.
A sorte estava do seu lado. Ainda não havia ninguém por lá.
Correu até seu quarto e procurou pela cesta de roupas sujas em que estavam suas vestes manchadas. Havia sumido! Os elfos domésticos já tinham levado a roupa suja!
Ela conhecia alguns elfos na cozinha, mas não sabia de nenhum que cuidasse das roupas. As chances de conseguir falar com um para procurar entre centenas de roupas, que eles provavelmente acabaram de recolher, e achar uma chave eram remotas. Além do mais, ela nem ao menos sabia onde era a lavanderia daquele lugar!
Gina sentou-se em sua cama e queria gritar. As coisas iam de mal a pior!
Estava muito perturbada com as coisas que ouvira de Crabbe e Goyle. Queria desesperadamente liberar Malfoy e, naquele instante, todos deveriam ter ido tomar café!
Contudo, ela não poderia ficar ali parada. Teria que voltar onde estava Malfoy e tirá-lo de lá.
Se alguma coisa acontecesse a si, ele ficaria trancafiado por muito tempo, desde que Ariel informasse ao diretor se não recebesse uma coruja. Mas se aqueles maníacos o encontrassem primeiro, ele estaria sujeito àqueles dois e não tinha sequer uma varinha para se proteger.
Gina sentiu-se tentada, apenas por um instante, a pegar "emprestado" a capa de invisibilidade de Harry. Ah, ela sabia que ele possuía uma. Ela vira quando pegara o diário de Tom Riddle entre as coisas dele anos atrás. Todavia, Ronny e Harry deveriam estar no quarto deles àquela altura e Gina não queria esperar até que eles deixassem o dormitório.
Ela tinha um péssimo pressentimento de que alguma coisa iria acontecer logo. Algo muito ruim. Ainda apreensiva, Gina olhou para onde um porção papéis em cima da mesinha do quarto que as meninas dividiam.
Tomando uma rápida decisão, escreveu algumas linhas a Ariel, dobrou o bilhete e colocou-o no bolso.
Estava preste a sair quando percebeu a movimentação dos outros alunos no corredor.
Merda, era tarde demais. Não havia nenhum modo de escapar. Todos iriam perguntar o porquê dela não descer para o café do Natal.
Olhou em volta da sala deparou-se com sua pequena pilha de presentes. Agarrou apressadamente os chocolates que Fred e George mandaram para ela. Provavelmente seria outro logro, como sempre, o qual teria uma execução perfeita.
Do nada, surgiu à idéia: ela poderia apenas dizer que iria se encontrar com um "pretendente misterioso" para entregar-lhe um presente, assim teria certeza que ninguém a seguiria!
Gina se concentrou em aparentar calma. Era difícil, mas concluiu que poderia ser disfarçado por uma suposta paixão secreta.
Ela desceu as escadas e encontrou Ronny e Harry esperando por ela. Ron deu-lhe uma olhadela e sorriu, mas Harry a encarou.
O mais estranho foi que Gina se pegou pensando: quando Draco a encarou mais cedo, ela se sentiu o coração palpitar, ficou trêmula e enternecida. Entretanto, quando Harry a encarou ela sentiu-se ofendida. Talvez — Draco?
Ela o chamou de Draco? Gina sentiu que seus nervos estavam em pior estado do que pensava. Deu um olhar a Harry e voltou-se para Ron com um grande sorriso falso.
— Então, o que vocês ganharam? — Perguntou com cautela.
— Ah, você sabe, as mesas coisas de sempre. Exceto que o Harry me deu dois ingressos para assistir o jogo Chudley Cannons logo depois das aulas terminarem! Então eu o recompensarei levando-o comigo. E você, o que ganhou?
Gina se lembrou do presente de Ronny lhe dera e o abraçou.
— Meu irmãozinho me deu um fantástico pote de creme para as mãos! Eu adorei! Obrigada Ron!
Ronny enrubesceu e sorriu.
— Bem, Hermione me ajudou a escolher. Eu iria te dar esse ótimo par de meias com dedões nelas! Mas ela disse que você iria gostar mais da loção.
Ele balançou a cabeça como imaginando uma repreensão feminina.
Gina olhou para Harry e perguntou:
— Então, o que você ganhou?
— Oh, isso e aquilo. — Disse com naturalidade — E percebi que não ganhei sequer um cartão de você.
Gina franziu as sobrancelhas. Esse foi à primeira vez que ela não dera nada a Harry. Nenhum presente ou cartão, nada. Ele lhe lançou aquele olhar estranho novamente e Gina ficou toda ressabiada.
— Bem, você sabe, não fica bem para uma moça dar presente a um amigo que já tem uma namorada. — disse, esperando que isso encerrasse o assunto. Se não conseguisse, ela diria que Harry estava agindo com um ciumento de repente. — Falando em namoradas e namorados — falou segurando a caixa de chocolates. — Está na hora de entregar um presente. Vejo vocês no café.
Assim, antes que eles perguntassem algo, Gina saiu pelo retrato e foi-se.
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Draco finalmente abriu os olhos e estremeceu. Estava exausto e congelando.
Normalmente o frio não o incomodava, mas ele precisava de água e comida. De repente, ele olhou para a lareira. O jantar da noite passada ainda estava lá, junto com um caixa de fudge (1) que Weasley trouxera.
A despeito do seu incômodo, o pensamento da Weasley e do fudge corriam fortemente queimando por sua mente. O olhar no rosto dela, a maciez, os lábios trêmulos... – Céus! Pensaria sobre aquilo mais tarde. Agora ele precisava comer.
Ele se moveu e se esgueirou pelas barras. Ele agarrou um bocado da comida e comeu. Estava fria, porém deliciosa. Acabou com ela em três mordidas, e pegou mais um pouco. Quando não havia mais o que comer, tomando até mesmo o horrível suco de abóbora, sentiu-se um pouco melhor. Sabia que não havia recuperado toda a sua força, todavia, não estava mais tremendo.
Draco tinha que rir quando reparou na bandeja. Weasley lembrara-se do guardanapo e talheres de prata também, entretanto ele nem havia tocado neles. Olhou para o guardanapo e a longa faca de manteiga.
Alguma coisa estava estalando em sua mente. Algo que tinha haver com urgência e eficácia. Ele olhou para a bandeja e para a porta da cela, sabendo que estava deixando alguma coisa importante e muito simples escapar.
Contudo não tinha tempo para pensar naquilo. Agora ele tinha que arrumar um jeito de se libertar e capturar a Weasley. Ou Crabbe e Goyle. Se ele não pudesse achá-los, iria até o diretor, mas apenas em último caso.
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Gina foi até o corujal. Ela não estava certa do que poderia acontecer, mas não queria sumir sem deixar rastro! Escrevera umas poucas linhas para Ariel, relatando por cima o que ouvira da conversa entre Crabbe e Goyle.
Ela mandaria a mensagem por alguma das corujas da escola, se o fizesse por Pichichinho, demoraria muito mais tempo para ser entregue.
O corujal estava escuro quieto e quente. O único som que se podia ouvir era o farfalhar de asas aqui e acolá e um ou outro piado discreto.
Gina olhou em volta, tentando encontrar uma possível candidata para entregar o bilhete, mas ela não trouxera nenhuma guloseima consigo. A maioria das corujas não iria entregar correspondências de graça.
Praticamente desesperada, Gina foi até Pichi, ao final de contas, quando Arquimedes pousou em seu ombro. Gina vinha fielmente alimentar e escovar o pássaro, apenas porque prometera. Agora, Arquimedes estendia-lhe a garra.
— Oh, sua criatura maravilha, inteligente e adorável! — Gina sussurrou para ela. — Muito obrigada mesmo! — Gina deu à coruja o bilhete e certificou-se se ela sabia onde entregar.
— Eu nunca poderei te agradecer à altura, mas eu prometo que te darei comida e escovarei todas as vezes que você quiser. — Gina prometeu outra vez. Com um leve aceno de cabeça, como se aceitasse as palavras dela, Arquimedes abriu as asas e voou pela janela.
Muito aliviada, Gina se encaminhou para a ala de Curas Mágicas. Tentou ser cuidadosa, escutando antes de virar as esquinas, observando bem as escadas antes de descê-las.
Já estava bem próxima à câmara escondida quando sua sorte finalmente acabou. A dobrar uma esquina, deparou-se com Vicente Crabbe parado em frente a si.
Gina soltou um gritinho e tentou virar-se e correr, porém, suas vestes foram agarradas por ele, antes que ela pudesse dar um passo ou dois. Ela puxava sua roupa furiosamente, todavia, sentiu uma forte mão agarrar-lhe o braço. Foi jogada para trás, sendo pressionada contra a parede, Crabbe e Goyle olhando furtiva e cruelmente para ela.
— Ora, ora, olhe que temos aqui. Uma pequena weasel (2) percorrendo os corredores sozinha! — Goyle estava quase babando a medida que percorria sua mão do braço de Gina, até o ombro e seios dela.
Gina se remexia tentando livrar-se do toque, mas só o fez rir.
— Nós te avisamos que não era seguro andar por aí sozinha. — Crabbe zombou. — Nós não dissemos, Greg?
— Foi, nós a avisamos ontem à noite. Nós só esquecemos de dizer que ela deveria tomar cuidado conosco.
Os dois rapazes riam histericamente. Pela primeira vez na vida, Gina rezava para Argus Filch ou Madame Norra aparecerem por lá, mas eles deveriam estar aproveitando o café de Natal, assim como todos os outros. Pensou em gritar, mas Crabbe parecia ter lido seus pensamentos.
Ele procurou dentro de seus bolsos por um pequeno objeto de prata. Pressionando um botãozinho, ele ejetou a lâmina de uma navalha.
— Eu sei que você quer gritar, pequena Gina. — Ele disse. — Não cometa nenhum erro. Eu não vou te matar, apenas te retalhar bem direitinho. — Ele voltou-se para Goyle e falou. — Vamos levá-la para uma sala vazia.
Quando eles soltaram-lhe os braços, a caixa de chocolates caiu do bolso de Gina. Gina retraiu-se quando a caixa caiu no chão, mas nada aconteceu.
— Ora, vejam! — Goyle apanhou a caixa. — Estava levando doces para o namoradinho? — Zombou. — Quem seria, Malfoy? — Ele gargalhou e sacudiu a caixa, retirou-lhe a tampa e jogou-a em um canto qualquer.
Crabbe parou e encarou o comparsa.
— Deixe isso pra lá. Nós temos coisas mais importantes para nos ocuparmos.
— Certo, mas eu estou morto de fome! Apenas um, certo?
Crabbe rolou os olhos e apertou ainda mais o braço de Gina. O canivete continuava aberto, dançando perigosamente na outra mão dele.
— Tudo bem! Como toda a maldita caixa, daí, começaremos nossos planos para ela.
Os olhos de Goyle se abriram amplamente e ele pegou vários chocolates com seu enorme punho.
Gina olhou para o outro lado enojanda quando ele estufou em sua boca todos os doces na boca e o chocolate começou a escorrer pelos lábios dele. Sorriu largamente quando mais chocolate derramou-se por sua boca, limpando toda a bagunça com um braço. Então seus olhos ficaram vidrados.
Gina ergueu as sobrancelhas quando viu fumaça saindo das orelhas e nariz de Goyle. Ela olhou para a tampa da caixa que jazia no chão e dizia: Bombons Flamejantes do Weasley. Aviso: coma apenas um de cada vez.
A garota observava a cara vermelha beterraba de Goyle. Nunca ouvira falar dos tais doces em particular, mas o efeito era impressionante.
Crabbe olhava fixamente para Goyle e seus olhos quase pulavam para fora das órbitas. Goyle por sua vez estava tentando cuspir fora todos os chocolates restantes, mas não podia, seus lábios estava empolados e inchados.
Quando sua boca começou a queimar, Goyle afrouxou o cerco do Braço de Gina, mas Crabbe ainda estava firme. Gina percebeu, contudo, que aquela era a sua única chance de escapar.
Goyle finalmente conseguiu se livrar de todo o chocolate. O monte de baba repugnante desceu até seus pés. Com a boca desobstruída começou a gritar desesperadamente por água. Andando para lá e para cá abanava a boca.
Apesar do medo, a única coisa que Gina podia fazer era olhar horrorizada para ele. Suas orelhas e narinas ainda soltavam fumaça e os lábios estavam com o dobro do tamanho normal.
— Cala a boca imbecil! — Gritou Crabbe. — Você quer que a escola inteira venha atrás de nós? — Olhava sério para Goyle e a pressão no braço de Gina diminuiu ligeiramente. Era agora ou nunca! Gina Pisou no dedão de Grabbe tão forte quanto lhe foi possível. Ao mesmo tempo torceu-lhe o braço.
Crabbe urrou de dor e agarrou-se ao pé ferido, dando a Gina a chance de escapar.
Gina livrou-se em um segundo, mas não antes que Crabbe sacasse fora à navalha. Numa fração de segundos a lâmina foi enterrada em suas costas, rasgando sua carne e chegando ao braço.
Gina gritou de dor, mas não parou de tentar se livrar dos agressores. Crabbe ainda a perseguiu um pouco atrás dela praguejando e ameaçando-a com a navalha, só que ao se aproximar de Goyle, que ainda agonizava, ambos se chocaram e foram ao chão.
Gina ainda podia ouvir os gritos deles, mas estava mais preocupada em fugir. Olhando em volta, dirigiu-se até a câmara. Haveria de ter um modo de tirar Malfoy da cela, mesmo sem a chave. Mesmo que significasse devolver-lhe a varinha.
Gina estava muito mal. Podia sentir o sangue ensopando suas vestes, mas ela nem se atreveria a olhar.
Depois do que pareceu ser uma eternidade, ela avistou a porta. O passaporte para segurança estava bem a sua frente, mas ela quase não estava mais agüentando.
Ela tentava regularizar a respiração. Todavia, constatou que o sangue que escorria do ferimento deixara uma trilha que levaria Crabbe e Goyle até ela. Teria que apagá-la antes de entrar na câmara.
Gemendo, puxou a varinha do bolso e apontou para o rastro. Porém ouviu o eco de vozes e passos que vinham pelo corredor. Eles já estavam lá! E ela que já estava preparada para abrir o painel que levava ao esconderijo.
Daí parou. Aqueles dois eram loucos e Malfoy estava trancado lá dentro desarmado e completamente desprotegido
Gina ficou em frente ao grande painel que havia no meio do corredor. Sacou sua varinha e esperou. Pensou em ter ouvido gritar seu nome de dentro da câmara, mas provavelmente era sua imaginação. Como ele poderia saber de sua presença?
Constatou que poderia ser apenas um efeito produzido pelas vozes de Crabbe e Goyle ecoando pelos corredores.
Segurando a varinha firmemente. Gina concentrou-se no final do corredor, de onde as vozes estavam vindo e cada vez mais fortes.
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Draco se sentia mais forte, porém, não conseguia pensar em nada para sair dali. Tinha que haver um meio de se livrar.
Oh, bom Deus, de acordo com seus estudos sobre os trouxas, eles sempre conseguiam se virar sem mágica. Ele se considerava mais inteligente que qualquer trouxa, então haveria uma maneira!
Se ele tivesse um bastão forte e pesado, poderia quebrar o cadeado. Mas será ele não poderia usar a faca de manteiga?
Draco se aproximou da porta novamente para olhar o cadeado. Então ergueu as sobrancelhas. Ele olhou da bandeja para o guardanapo, para a faca e de volta às barras.
Ele começou a ter a mais fantástica das idéias. Talvez, ele pudesse segurar o aro do cadeado com uma ponta do guardanapo, daí com a outra ponta poderia amarrar uma das barras e torcê-lo com ajuda da faca, tentando assim que o aro do cadeado quebrasse! Poderia funcionar!
Ele parou, visualizando a cena, quando de repente sentiu um pânico súbito. Suas mãos agarraram-se as barras e apertou os olhos. A sensação foi passageira, mas seus músculos estavam retesados e os pelos todos arrepiados.
O que diabos causara aquilo, se questionava. Será que a Weasley estava em algum problema sério? Ele precisava sair, AGORA! Mesmo se seu plano funcionasse, demoraria tempo demais.
Ele fitou suas vestes a alguns passos de si, junto à sua varinha. Mas poderia estar na Lua, não importava, não era útil para ele no momento.
Todavia, parou. Ele conseguira fazer magias sem a varinha quando era criança. Ele se lembrava que em seu quarto, tarde da noite. Seu pai tinha brigado com sua mãe por algum motivo, e enquanto os ouvia seu estômago dava voltas.
O pai estava pior que o normal dessa vez. Narcisa estava tentando se defender e contra-argumentar quando Draco ouviu um tapa. Seu pai batera na mãe! Pulou da cama e correu até o quarto do casal. A meio caminho do lugar, viu a mãe sair de lá chorando e segurando a face. Havia sangue escorrendo de sua boca.
A fúria que sentiu foi indescritível. Correu até a mãe e abraçou-lhe as pernas. Lucius a seguira e mandara que Draco não se intrometesse.
Draco temia o pai, mas quando aquele homem levantara a mãe novamente, Draco concentrou toda a sua raiva nele. Lucius voou pelo corredor e bateu na parede. Draco estava cansado, mas disse ao pai para nunca mais tocar na mãe dele outra vez.
Lucius endireitou-se, mas ao ouvir as palavras de Draco, abaixou-se e agarrou o menino. Narcisa, pela primeira vez na vida, se interpôs entre o marido e o menino, clamando para que Lucius deixasse Draco em paz. Naquele momento, Draco sentiu mais amor pela sua mãe do que nunca.
Ignorando os apelos desesperados da mãe e colocando atrás de si, Draco concentrou a raiva no pai, novamente e novamente o homem bateu contra a parede. Dessa vez, ele permaneceu deitado no chão, encarando mulher e filho e o corpo ensangüentado. E mais uma vez, Draco disse para nunca mais Lucius tentar qualquer coisa contra sua mãe.
Draco não pensava nisso há anos. Uma vez se pai lhe dissera que a varinha apenas conduz a magia, mas todos os bruxos poderiam executar mágicas sem ela. Draco precisa realizar mágica e não tinha uma varinha. Conseguiria agora então?
Concentrou-se nas vestes. Ele precisava delas, muito! Se ao menos tivesse a varinha, poderia abrir a cela. Esticando o braço esquerdo, apontou para a roupa. A princípio sentiu-se ridículo, mas logo uma força muito grande percorria todo seu braço.
Concentrou ainda mais o olhar. A bata! Imaginou-a flutuando pelo ar e depois passaria pelas grades. Sentiu um arrepio no braço e quase gritou quando viu que a roupa estava se mexendo.
Poderia funcionar! Concentrou-se novamente e apontou para a bata. Visualizou-a vindo até si. A roupa mexera de novo e estava vindo até si. Teve vontade de gritar de felicidade, porém subitamente a roupa estava parada novamente.
"Concentre-se", ordenou a si mesmo. Não podia se distrair.
Draco estava coberto de suor quando as vestes estavam na metade do caminho. Mas todo o esforço estava se tornado cada vez menor. Ele parou alguns instantes para respirar, a fadiga causada pelos últimos no cativeiro o deixara debilitado.
Estava preste a recomeçar, quando ouviu um ruído vindo da porta. Graças aos deuses! Weasley estava de volta. Estava segura! O alívio foi rapidamente substituído por irritação, por que ele se importava?
Porra, aquela era a menina que o metera naquela confusão em primeiro lugar. O prendera, deixara faminto e humilhara. Mas a pior coisa que fizera foi fazê-lo sentir-se cuidadoso, preocupado, fora de si, desesperado.
Ela preparara uma vingança contra si, contara histórias ridículas sobre o seu pai, o insultara. Desviava de seus toques como se tivesse uma doença contagiosa e ele não queria nada mais que segurá-la em seus braços e protegê-la.
Bem, admitia para si mesmo que queria um POUCO mais que apenas segurá-la. E o que diabos estava fazendo-a demorar tanto? Ela já devia estar ali. Ela ainda podia ouvir seus movimentos do outro lado da porta. E o mais importante, ele podia SENTI-LA do lado de fora.
De repente, ele ficou estático… Ela estava ferida! Ele sabia! E ela estava em perigo. Ela não estava entrando, ela esperava alguma coisa. Ela não pressentira o perigo?
— Weasley! — Gritou de súbito. Maldita garota, ela precisava sair de onde estava, precisa entrar na câmara! — Weasley! Porra, VIRGÍNIA! Entre aqui!
Draco sentiu o pânico tomá-lo de novo. Algo muito, muito ruim estava para acontecer, tinha certeza! Olhou para a roupa a poucos metros, mas ainda fora do alcance. Concentrou-se, com dificuldade. Apontou para ela e gritou:
— Accio!
A bata moveu-se até ele outra vez, mais rápido. Estava cada vez mais perto, mais, mais, há apenas alguns centímetros de distância e ele a teria nas mãos. Para seu azar, ela escorregou do bolso onde estava.
Draco ficou de joelhos para alcançar a varinha. Estava preste a pegá-la quando ouviu a Weasley gritar:
— Estupefaça!
CONTINUA…
Notas da tradutora:
Crianças, quem ousar dizer que o capítulo está curto vai se ver comigo! Ò.ó
Ilía cai para trás exausta
Brincadeira , espero que tenham gostado tanto quanto eu.
(1) nozes cobertas de chocolate.
(2) Acho que não precisa mais dizer, mas pra deixar minha consciência tranqüila: weasel significa doninha e toda aquela estória do trocadilho e tal…
(3) Mil perdões, mas eu tenho certeza que esse plano não daria certo nunca XD.
Nota do Grupo:
Mil perdões pela demora, mas esse cap foi o melhor até agora, não foi?
Queremos agradecer a: miaka (Não foi bem o que você esperava, não? XD), Kirina-Li, Rafinha M. Potter (nós que agradecemos por vocês ler e nos apoiar), GesiWeasley, Cristina Melx, Helena Malfoy (muito obrigado), Pat, Sett (não também achamos que ficou faltando uma cena de banho!), Carol, Hannah (vocês nos abandonou? Sniff!), Arwen Mione (tenho certeza que você gostou mais ainda desse cap), Anita Joyce Belice, Franinha Malfoy, Bia-Malfoy-84 (nós demoramos, mas sempre voltamos) e Milla Malfoy.
Para as pessoas que dizerem que não deixam review porque não tem o que escrever, basta deixarem todo cap 'muito bom cap, continuo a ler', pois só através das reviews nós saberemos se as pessoas estão gostando do nosso trabalho.
E não deixem de ler nossas fics: Relacionamentos Pouco Convencionais, Em Profundo Desespero, Um Beijo e Uma Flor, Brilha Brilha Estrelinha, Cala a Boca e Me Beija e nossas fics slash.
Os Tradutores
