: Capítulo 10 :
: White Christmas :
Ajudando a levar as coisas para a cozinha, Shun parou surpreso ao ver às irmãs abraçadas. Deixando com que Hyoga levasse o pouco que faltava para a cozinha, ele se aproximou devagar das duas pequenas e parou atrás delas.
- O que foi que aconteceu aqui? – Perguntou ao parar atrás delas.
Dois pares de olhos, azuis e rubros, o encararam surpresos. Ele se ajoelhou a frente das duas, ficando um pouquinho só mais baixo que Yuki.
- O que foi que aconteceu? – Insistiu.
- Um cisco... – Yoru respondeu, mas ao ver que não seria fácil enganar Shun, resolveu dizer a verdade. – É sobre Papai Noel...
- Ainda é cedo, Yo... Ele virá, não se preocupe, está bem? – E ao vê-la concordar com a cabeça, beijo-lhe a testa e em seguida a de Yuki, ficou de pé e estendeu as mãos para as duas, convidando. – Venham comigo... Vou contar-lhes uma história. – Yuki e Yoru deram-lhe as mãos e foram com ele até o sofá grande.
- É uma história de terror? – Yoru perguntou brincando com os dedinhos das mãos em um típico tique nervoso.
- Yoru... Estamos no natal. – Yuki revirou os olhinhos.
- Calma vocês duas... É uma história de Natal... É sobre uma rena que tem o nariz vermelho... – Sorriu ao ver que até mesmo Yuki prestava atenção.
- E ela tem nome? – Yoru estava empolgada, nem parecia que estava triste até aquele momento.
- Yoru... Deixa o Shun contar... – Yuki fuzilou a irmã com os olhos. A pequena a encarou mostrando-lhe a língua.
- Sem brigas ou não conto nada. – Shun ameaçou sério. As duas fizeram bico, mas recostaram-se no sofá. – Agora sim... Yo, a rena tem nome sim e é Rudolph... Rudolph, a rena do nariz vermelho.
Yoru sorriu olhando para Shun. – Conta, Shun... – Pediu ao ver o virginiano pensativo.
Yuki pensou em ralhar com a irmã, mas mediante ao aviso de Shun, não disse mais nada. Ela também queria muito ouvir a história, mesmo não querendo demonstrar.
- No Pólo Norte, uma bela manhã, nascia uma renazinha, filho de Ligeiro.
- Quem é Ligeiro, Shun? – Yoru o interrompeu para perguntar sem se importar com Yuki que bufava exasperada.
- Ligeiro era a rena principal de Papai Noel. Era sempre ele quem ia na frente, liderando as outras renas nas noites de Natal. - Shun respondeu e, olhando para a mais novinha nos olhos perguntou. – Posso continuar? – Ao vê-la concordar com a cabeça, sorriu abertamente. – A rena, tinha o pêlo marrom clarinho, olhos vivos e um nariz avermelhado. – Abraçou as pequenas e as puxou para mais perto de si. – Como toda pequena rena ao nascer, seus pais lhe deram um nome, Rudolph. E o pequeno Rudolph logo nos primeiros momentos de vida, já tentou ficar em pé e ensaiou alguns passos. Ainda meio sem equilíbrio, trançou as patinhas e caiu no meio do feno. Sentindo vontade de espirrar, não se conteve. Espirrando, seu narizinho se acendeu ficando vermelho bem vivo.
- Como um pisca-pisca, Shun? – Yoru não se conteve e perguntou novamente.
- Yo... – Yuki ralhou revirando os olhinhos.
- Calma as duas... – Pediu o virginiano antes de responder a pequena curiosa. – Sim, Yo! Quase igual a um pisca, mas lembrava mais uma lanterna vermelha. A luz, o brilho se propagava. – E encarou as pequenas. – Ligeiro ficou enfurecido a principio, mas a mãe de Rudolph protegeu o filhote, dizendo que ele não era defeituoso. – Fez uma pausa e, olhando para a porta da cozinha, viu Kamus, Milo e Hyoga os observando. Shun sentiu seu rosto queimar e, acabou por demorar demais para continuar a história.
- E depois Shun? – Yoru perguntou e, desta vez Yuki não falou nada, pois também estava interessada em saber o que iria acontecer.
- Bem, os anos foram passando e Rudolph desde muito pequeno teve de conviver com os gracejos de seus amiguinhos, as outras renazinhas, todos por causa de seu nariz vermelho. – Fez uma pausa observando as duas, elas estavam prestando atenção. – Arco, filho de Cúpido, era quem mais atormentava Rudolph. Vivia o chamando de sinaleiro... Rudolph era a garantia de momentos de boas gargalhadas em todo lugar e até mesmo nos arredores da fábrica de brinquedos de Papai Noel.
- Mas Papai Noel não via isso? – Yuki desta vez não se agüentou e acabou perguntando.
- Sim, ele via... Chegou até a dar um conselho para Rudolph... Disse que todos eram importantes e tinham um motivo para tudo... E que não era a aparência que importava e, sim o que cada um leva em seu interior, em seu coração. – Olhou novamente para as duas tomando ar para continuar a narrar a história. – Rudolph então, resolveu que iria se esforçar para ser uma das renas voadoras de Papai Noel. Quando soube que haveria uma prova para escolher um novo voador, que era como as renas de Noel eram chamadas, Arco e Rudolph se inscreveram para participar. Não se surpreendam... – Sorriu ao ver as carinhas surpresas das duas – Todos os seres viventes no Pólo Norte, tem o dom da fala... Incluindo as renas.
- Quero uma rena que fala...
- Yoru... – Yuki chamou-lhe a atenção. – Não existe rena que fala.
- Você não sabe, Yu... Papai Noel pode muito bem ter renas falantes. – Shun interveio rapidamente. – Se as duas não pararem, eu vou parar de contar a história. – Ficou sério e cruzou os braços.
Yoru olhou para Yuki e, abraçando Shun, fez biquinho. – Por favor, Shun... Continua a contar.
- É Shun, Yo e eu prometemos que não vamos mais interromper e nem brigar... – Yuki o encarou séria.
- Está bem... Mas vocês vão ter de me dizer onde parei. – Rio divertido. Ele sabia onde tinha parado, apenas queria saber se elas realmente estavam prestando atenção.
Yoru nem pensou muito. – Estava na parte de Arco e Rudolph no torneio.
- Eles tinham se inscrito no torneio. – Yuki completou, mas depois revirou os olhinhos, pois acabava sempre participando.
- Ah! Claro... – Shun sorriu. – Vejamos… Quando o dia das provas chegou, em uma das provas em que as renas deveriam puxar um pequeno trenó com um dos duendes da fábrica, Arco usando de trapaça, tentou tirar Rudolph da competição. Para ele não bater em outros competidores que haviam caído, graças a trapaça de Arco, Rudolph saltou por cima dos caídos. Ele parecia querer voar, mas ao fazer esse esforço, seu nariz se acendeu. Arco que emparelhava com ele naquele momento, foi ofuscado não conseguindo terminar a corrida. Rudolph sagrou-se campeão, mas perante protestos de Cúpido e seu filho, ele foi desclassificado e banido das outras provas.
- Tadinho dele, Shun... – Yoru balbuciou e se apoiou no ombro dele. Os olhinhos já quase se fechando.
- Sim, coitado... Ligeiro ainda tentou argumentar com os juízes da prova, mas não conseguiu nada. Só conseguiu deixar o filho mais chateado, pois dissera que ele não tinha culpa e sim nariz que se ascendia. Ao escutar isso, Rudolph, resolveu fugir, deixando para Arco a glória de ser o mais novo voador. – Foi interrompido pelas duas.
- Isso não é justo! – As pequenas acabaram por falarem juntas.
Sorrindo, Shun acariciou-lhes os cabelos.
– Vocês duas não tem jeito... – Riu divertido, deu-lhes um beijo nos topas das cabeças de ambas e continuou. – Rudolph ficou sumido um bom tempo, deixando seus pais preocupados. Mesmo o procurando, eles não conseguiam o achar. Com isso o tempo foi passando e, com a proximidade do Natal a fábrica de Noel terminava de fazer os últimos brinquedos que seriam distribuídos. Quando tudo estava pronto, os pacotes com laços vermelhos, verdes, azuis... De todas as cores, estavam dentro do saco vermelho no trenó, uma sombra se abateu na região. Uma nevasca que não se conseguia enxergar nada, mesmo estando a um palmo do nariz. - Ele parou novamente ao sentir o peso de Yoru sobre si. Sorriu ao perceber que a pequena havia adormecido. Olhou para o outro lado e viu que Yuki também já estava quase dormindo e, falando mais baixo, continuou a contar a história até ver Yuki também dormir. – Quando viu a nevasca, Rudolph resolveu voltar, – E usando seu nariz vermelho para iluminar o caminho - pois ficou preocupado com Papai Noel. Todos sabiam que mesmo as renas sendo experientes, com um tempo daqueles iria ser difícil manter o trenó no céu por muito tempo e, talvez Papai Noel não conseguisse entregar todos os presentes a tempo. Noel estava fora de sua fábrica olhando o tempo... Faltava pouco para a meia noite do dia 25, a nevasca e a nevoa que parecia se formar impossibilitando a visão. Ele já pensava em anunciar que não haveria entrega de presentes, quando ao longe uma luz vermelha clareava mostrando o caminho de volta. – Shun parou mais uma vez e olhou para Yuki, ela abria os olhinhos sonolentos e fechava devagar. Sorrindo continuou. – Rudolph chegou e Noel teve a idéia de ele ser seu guia à frente de todas as outras renas. – Suspirou ao finalmente ver que Yuki rendia-se ao sono.
"You know Dasher, and Dancer, and
Prancer, and Vixen,
Comet, and Cupid, and
Donner and Blitzen
But do you recall
The most famous reindeer of all
Rudolph, the red-nosed reindeer
had a very shiny nose
and if you ever saw it
you would even say it glows.
All of the other reindeer
used to laugh and call him names
They never let poor Rudolph
join in any reindeer games.
Then one foggy Christmas eve
Santa came to say:
"Rudolph with your nose so bright,
won't you guide my sleigh tonight?"
Then all the reindeer loved him
as they shouted out with glee,
Rudolph the red-nosed reindeer,
you'll go down in history!"
oOoOoOo
- Hyoga, cadê o Shun? – Milo perguntou enquanto enxugava os pratos que Kamus estava lavando.
- Na sala com Yuki e Yoru. – Respondeu, saindo da cozinha, para ir buscar as últimas travessas que estavam na mesa. Enquanto recolhia as coisas, prestou atenção em Shun e nas pequenas. De onde estava podia ouvir a voz melodiosa do namorado. Pegando as travessas, voltou para a cozinha e, colocando as louças ao lado de Kamus, sorriu. – Vão ver uma coisa lá na sala.
Kamus olhou de Hyoga para Milo e, mesmo se quisesse dizer que não iria, foi puxado pelo namorado. Parando na porta, os três ficaram observando Shun contar a história para as duas. Quando o virginiano voltou à história, o ruivo puxou os louros para a cozinha novamente.
- Por que não tive essa idéia? – Milo cruzou os braços a frente do corpo. Parecia indignado, apesar de ter gostado de ver que pelo menos um deles tinha lembrado de ficar com as pequenas e contar-lhes uma história.
- Talvez por que estava pensando em alguma outra coisa? – Hyoga perguntou olhando para o escorpiano e depois para Kamus. – Ou quem sabe, pensando em outra pessoa... E ainda mais... – Sorriu matreiro.
- O que você está insinuando, Hyoga? – Milo o fuzilou com os olhos.
- Que você é insaciável... – Baixou os olhos, mas nos lábios o risinho de deboche.
- Ora seu pato gelado... Você vai ver só... – Milo tentou avançar sobre o louro, mas foi detido por braços fortes.
- Será que nem em um dia como hoje vocês non param de se alfinetar? – Kamus fuzilou os dois com os olhos. – Vai... Vamos parar já com isso, temos de terminar logo de arrumar aqui... – Sério, soltou Milo e, continuou a lavar as louças. – Terminando, poderemos ficar tranqüilos.
- Está bem, você tem razão, Kamy. - Milo deu uma última olhada para Hyoga e, voltou a enxugar as louças. Olhando para a pia, suspirou, pois faltava muita coisa. – Só temos de agradecer ao Shun depois, ele conseguiu fazer as duas dormirem. É patinho... Não sabia que Shun gostava tanto de crianças assim.
Hyoga fuzilou o escorpiano com os olhos, mas não respondeu a provocação em respeito a seu mestre e ao dia festivo. Com um sorriso de lado, Milo enxugou o último prato que estava sobre a pia e o guardou, esperando pelo resto das louças.
Algum tempo depois, com a cozinha limpa e tudo em ordem, Milo, Kamus e Hyoga apareceram na sala. Shun dormitava entre as duas lourinhas, que estavam recostadas uma de cada lado do jovem. Os braços dele envolviam as duas protetoramente. Hyoga sorriu aproximando-se devagar.
- Não o acorde, pato! – Milo falou baixinho para não os acordar e, com um sorriso divertido nos lábios, pegou a máquina fotográfica e bateu uma foto, não se importando com a cara feia que louro fazia. – Essa vai para o álbum de família, e desmancha esse bico, patinho... Você também vai sair nas fotos. – E deu uma piscadela para Kamus que o encarava.
Hyoga fuzilou o escorpiano com os olhos. Queria responder a altura, mas sabia que se o fizesse muito provavelmente o Natal seria estragado, pois os dois iriam começar a brigar. Olhando para seu mestre e depois para Shun, preferiu deixar de lado a provocação e deleitar-se com a visão de seu querido virginiano adormecido.
- Acho melhor as levarmos para a cama. Já passou da hora delas já estarem deitadas. – Kamus falou no mesmo tom de voz usado pelo namorado.
- Deixa que eu levo a Yoru. – Hyoga se apresentou, mas parou a meio caminho, pois Milo rapidamente passou a frente dele, lhe entregando a máquina fotográfica.
- Eu levo... – Murmurou. – Quero matar a saudade de quando ela era menorzinha e a levávamos para dormir. – Sorriu divertido e, com muito cuidado tirou o braço de Shun do ombro de Yoru, o que fez com que ele se remexesse e abrisse os olhos. – Shii... Shun... Vou levar Yo para a cama. – E ao ver o jovem concordar com uma aceno de cabeça, pegou a pequena com cuidado, deitando a cabeça dela em seu ombro e a carregando para cima.
Hyoga não conseguiu ficar sem sorrir e, deixou que seu sorriso se alargasse mais ainda ao ver Kamus pegar Yuki no colo e seguir pelo mesmo caminho que Milo. Sentando ao lado de Shun, o louro o abraçou, aninhando-o de encontro ao peito. – Você estava tão bonito contando historinha para as duas. – Murmurou com a voz levemente rouca próxima ao lóbulo da orelha do virginiano.
Arrepiado, Shun levantou o rosto um pouco para poder olhá-lo nos olhos e, com um sorriso traquina a lhe iluminar a face, também murmurou. – Se quiser, eu também te conto uma história para dormir! – Levou uma das mãos para os cabelos sedosos, brincou com uma mecha a enrolando no dedo indicador e inconscientemente umedeceu os lábios com a ponta da língua.
Sentindo-se tentado, Hyoga baixou a cabeça um pouco e, apenas roçou os lábios nos de Shun numa carícia leve e provocante. O gemido baixinho que escapou dos lábios róseos dele, fizeram com que o louro sorrisse de lado, um sorriso matreiro e ao mesmo tempo malicioso. Aproximando os lábios novamente dos do namorado, o beijou devagar, mordiscando o lábio inferior e somente ai introduzindo a língua pela boca macia e quente.
- Hyoga... – Murmurou sem fôlego, quando os lábios se separaram.
- Shii... Não diga nada, Shunny... Apenas vamos aproveitar o momento. – Pediu em um sussurro próximo ao lóbulo da orelha do amado. Levantando devagar, Hyoga pegou Shun no colo. O virginiano passou as mãos atrás do pescoço do louro e recostou a cabeça no ombro dele. Ali estava à rendição total de Shun e não o incomodava nem um pouco aquele ato.
Subindo as escadas devagar, Hyoga sentiu seu corpo todo arrepiar-se, pois com os lábios, Shun tocou-lhe o pescoço, substituindo-os macios lábios pela língua úmida, quente e os dentes. Gemendo, o louro apertou os passos e rapidamente entrou no quarto, fechando a porta com a chave.
- Hoje, você não me escapa. – A voz enrouquecida fazendo o corpo menor arrepiar-se todo.
Sorrindo sedutor, Shun beijou-lhe rapidamente apenas para provocar. – E quem te disse que eu quero escapar de você? – Perguntou antes de sentir as costas tocarem no colchão macio e, ter seu corpo coberto pelo maior com total delicadeza. Passou os braços pelo pescoço do amado e o beijou sem dar-lhe chances de falar mais alguma coisa.
- Shun... – Hyoga ronronou baixinho, procurando abrir os botões da camisa que o amado usava.
Acariciando as costas de Hyoga, Shun mordiscou seu lábio inferior, entregando-se as carícias que as mãos do louro lhe faziam, mas ao olhar para um dos cantos do quarto, sorriu matreiro, mas ao olhar para um dos cantos do quarto, sorriu matreiro e encarou-o divertido.
- O que foi? – Hyoga perguntou estranhando a repentina mudança de humor do namorado.
- Esquecemos de levar para o quarto de Milo e Kamus o saco de presentes. – Sorriu.
Hyoga voltou seu olhar para onde estava o saco e praguejando em russo, bufou olhando para o namorado. – Vai, vamos levar para eles.
oOoOoOo
Assim que foi colocada com a cabeça no ombro de Milo, Yoru resmungou um pouquinho. O louro acabou sorrindo, pois não havia conseguido entender nada do que a pequena resmungara. Arrumando-a melhor em seu colo, sentiu quando os bracinhos caíram, pendendo às suas costas. Sentiu a pequena remexer-se um pouco e acariciou lhe as costas carinhosamente.
Kamus seguia o namorado de perto, em seu colo, Yuki ia adormecida, mas na metade do caminho, ainda nas escadas, ela acordou, movendo-se repentinamente. – Calma, petite... – Murmurou ele acariciando-lhe as costas.
- Kamy... – Bocejou sonolenta. – Onde está me levando? – Perguntou confusa. – Shun ainda não terminou a história!
- Oui... Terminou, petite, você que non escutou o finalzinho por que acabou dormindo. – Sorriu olhando ternamente nos olhos tão rubros quanto os dele. – E já está na hora de menininhas boazinhas estarem na cama. – Beijou-lhe carinhosamente o rosto e, entrou no quarto das irmãs atrás de Milo.
Cuidadosamente, Milo colocou Yoru deitadinha na cama, assim que a pequena encostou a cabeça no travesseiro abriu os olhos e resmungou. – Mi...
- Shii, Yoru... Está na hora de dormir, onde está seu pijama? – Milo perguntou a encarando. A pequena não respondeu nada e, apenas apontou com uma das mãos o guarda roupa. – Onde?
Yuki que acabava de ser colocada no chão por Kamus, seguiu até o guarda roupa, abriu do lado onde às roupas da irmã estavam e, entregou ao mestre um pijama cheio de gatinhos. – Aqui, Mi-sama...
- Obrigado, Yu... – Agradeceu Milo. Parando ao lado da cama de Yoru, sorriu enternecido ao vê-la dormindo novamente. Balançou a cabeça e olhou para Kamus, que estava encostado no batente da porta. Voltou seus olhos para a pequena e se aproximou novamente da cama, sentou ao lado da lourinha adormecida e com jeito a chamou. – Yo, vamos colocar o pijama.
- Isso não vai adiantar. – Yuki falou sentada em sua cama retirando os sapatos, meia calça, vestido e colocando seu pijama quentinho. – Yo já está sonolenta.
- Toda vez que acontece isso, eu tenho de colocar o pijama nela. – Kamus falou baixo com um sorriso maroto nos lábios.
Milo o fuzilou com os olhos e devagar, mas com jeitinho, fez com que a pequena adormecida abrisse os olhinhos e o ajudasse a tirar a roupa que estava usando. Em pouco tempo Yoru já estava com o pijama, coberta e dormindo profundamente. Yuki ainda viu Kamus e Milo irem embora antes de finalmente ser vencida pelo sono.
No corredor, Milo abraçou Kamus pelas costas e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha. – Agora somos somente nós dois. – Murmurou com a voz rouca. Viu Hyoga e Shun entrarem no quarto que dividiam e, sem se envergonhar acenou para os dois, tamanha era sua empolgação. Kamus por sua vez, ficou vermelho de vergonha, mas ao sentir novamente as investidas de seu namorado virou-se devagar o encarando nos olhos.
- Milo... Temos de pegar o saco de presentes no quarto de Hyoga e Shun... – Kamus começou a falar devagar, seu corpo já começava a corresponder as investidas de seu amado. Seus lábios se tocaram, as mãos começaram a percorrer pelas costas um do outro, mas alguma coisa, o barulho de uma tossinha bem atrás de si, fez com que ele e o escorpiano se soltassem e, olhassem de olhos arregalados para trás.
Hyoga e Shun estavam segurando o saco vermelho carregado de presentes. – Acho que isso aqui te pertence, mestre. – O louro sorriu divertido.
- Não queríamos atrapalhar vocês, mas assim que entramos no quarto, nos deparamos com isso aqui. – Shun, com as bochechas rosadas, olhava para Kamus e Milo ainda abraçados. Não que nunca tivesse os vistos trocando beijos, mas vê-los trocando carícias tão abertamente, nunca o jovem tinha visto.
- Non atrapalharam, Shun... Foi bom terem nos lembrado. – E olhando para Milo, Kamus o puxou pela mão, e ambos pegaram o saco o levando para o outro quarto.
Voltando para o quarto, Hyoga deixou que Shun entrasse primeiro e ao entrar, fechou e trancou a porta com a chave. Escutando o barulho da porta sendo fechada, o virginiano voltou-se devagar para saber o que o namorado estava fazendo. Assim que seus olhos se encontraram, o Shun sorriu ao perceber o brilho incontido e de luxuria que podia ser visto nos olhos do namorado.
Vendo o louro se aproximar devagar, não pensou em nada e apenas esperou. Desapontado, viu quando Hyoga passou por ele sem fazer nada e foi mexer em uma das gavetas. Bufando chateado, Shun já ia se dirigindo ao banheiro quando foi meio que forçado a parar... Não por mãos, mas pela visão de uma pequena caixinha de veludo preto.
De olhos arregalados, mal sentiu sua cintura ser enlaçada pelo braço esquerdo de Hyoga. Só saiu do meio torpor em que se encontrava quando a voz rouca do namorado pareceu lhe acariciar o pescoço com o hálito quente.
- Meu presente de Natal para você... Achei melhor eu mesmo lhe entregar, pois 'Noel' talvez não gostasse da reação das pequenas pela manhã. – E beijou-lhe a base do pescoço. – Abra, Shunny!
- Hyoga, eu...
- Shii... Não diga nada, meu amor... Apenas abra. – Pediu apoiando seu queixo no ombro de Shun.
Com as mãos levemente tremulas, ele pegou a pequena caixa, suspirou e mordiscou o lábio inferior. Fechando os olhos, abriu a caixa de uma vez enquanto fazia o mesmo com os olhos. Segurando a respiração e com os olhos arregalados, Shun olhou dos dois aros brilhantes e dourados para o namorado.
- Oga... Nunca imaginei... Você... Nós...
Sorrindo Hyoga ficou a frente de Shun e o encarou. – Então, não imagine... – E deu-lhe um selinho. – Diga apenas que sim.
- Mas eu não sei qual é a pergunta. – Gracejou para fazer suspense.
Hyoga balançou a cabeça, pegou a caixinha das mãos de Shun, o que o deixou de olhos arregalados. Ao encara-lo percebeu que ele tinha o olhar sério e decidido, algo no peito do virginiano gelou. Talvez Hyoga tivesse ficado irritado, mas quando o virginiano já pensava em se desculpar, pode sorrir aliviado. O louro se ajoelhava a sua frente.
- Shun, você quer se casar comigo? – Perguntou Hyoga, com um leve sorriso nos lábios.
Segurando as lágrimas, Shun engoliu o nó que havia formado em sua garganta, conseguindo responde. – Sim, claro que eu quero me casar com você.
Hyoga retirou a aliança do local em que estava e, mostrou a Shun para que ele visse o interior, onde em letras trabalhadas podia ser visto o nome 'Alexei Hyoga' gravado. O encarou e, sem mais delongas colocou a aliança no dedo anelar da mão esquerda do namorado. Ficando de pé, limpou com a ponta dos dedos as lágrimas que escorriam pelo bonito rosto. Shun lhe sorriu, pegou a outra aliança, onde seu nome estava gravado e a colocou no dedo anelar da mão esquerda dele.
Sem dizer uma só palavra, Hyoga enlaçou a cintura de Shun e o beijou apaixonadamente. Quando já sentiam a necessidade de ar, separaram os lábios devagar. Sorrindo o virginiano o encarou. – Já pensou em uma data e local?
- Ainda não... – Hyoga sustou o olhar curioso do noivo. – Mas isso podemos pensar com calma e decidirmos juntos.
- Acho uma boa idéia, meu bem. – Shun sorriu divertido e, soltou-se dos braços do louro lentamente. Ao sentir seu pulso ser segurado, olhou para ele intrigado.
- Aonde vai? – Hyoga perguntou o encarando matreiro.
- Colocar meu pijama...
- Não... – E o olhou sacana. – Para continuarmos de onde paramos, Shunny, você não vai precisar do pijama.
Com um sorriso sedutor e sem dizer uma palavra, o virginiano se atirou nos braços do namorado, cobrindo os lábios dele com os seus. Devagar o mais alto foi guiando-os para a cama, que os acolheu quando por cima dela caíram. Os gemidos e risinhos eram abafados pelos lábios insaciáveis do aquariano.
oOoOoOo
Assim que entraram no quarto com o saco de presentes, Kamus fechou a porta com a chave, o que fez com que Milo o encarasse malicioso. Em seus olhos o brilho da luxúria podia ser visto e, como um felino aproximou-se do namorado, devagar, predadoramente. Parou a frente dele espalmando as mãos em seu peito másculo e sorrindo, pensou que poderiam passar um tempo juntos antes dele vestir a roupa de Papai Noel.
Acariciando levemente o peito musculoso, passou lentamente a língua pelos lábios os umedecendo. – Kamy, não diga que você fechou a porta para que possamos passar um tempo juntos antes de ir colocar os presentes embaixo da árvore? – Perguntou aproximando seus lábios dos do namorado.
- Milo... – A voz baixa e rouca. A respiração ficando mais rápida e descompassada... O louro estava judiando dele. Mexia com sua libido, flertando descaradamente como estava fazendo.
- Oui, mon coeur... – Sorriu ao imitar o sotaque do amado. – Temos tempo... – E olhou as horas no relógio de pulso.
- Mon amour, falta pouco para a meia noite... – Murmurou Kamus deixando que seus lábios resvalassem em uma carícia provocante nos lábios do escorpiano.
Milo fechou os olhos extasiado, suspirando, mordeu o lábio inferior de Kamus o provocando. Seus braços cingiram a cintura esguia do aquariano e o puxaram para mais próximo. Só mais alguns passos e já estariam na cama e, era exatamente isso que o escorpiano queria. Virando o namorado para que este ficasse de costas para o colchão, o louro sorriu matreiro. Devagar foi o levando para mais perto de seu objeto de desejo.
Ao sentir suas pernas tocarem a cama, Kamus encarou o namorado, mas não teve muito tempo de dizer praticamente nada, pois com um leve empurrão, Milo o derrubou deitando sobre ele e o prendendo. – Agora você é só meu. – Sorriu malicioso, impedindo que ele pronunciasse qualquer palavra em protesto, selando-lhe os lábios.
As mãos de Milo percorreriam o corpo do ruivo levando-o a loucura e também a fazer-lhe o mesmo. Ágil, o escorpiano começou a abrir os botões da blusa do namorado e finalmente conseguir colocar suas mãos para dentro da camisa, tocando diretamente dobre o peito nu de Kamus. O toque sutil sobre os mamilos do ruivo, fez com que o louro se deleitasse com o gemido rouco que escapou dos lábios do francês. Sorrindo malicioso, mordiscou-lhe o pescoço, insinuando uma de suas pernas no meio das do namorado.
Puxando a camisa de Milo para fora da calça, Kamus escorregou suas mãos por baixo do tecido, que o impedia de tocar-lhe diretamente na pele. Acariciou-lhe lentamente, deixando que suas unhas raspassem devagar provocando mais o escorpiano, que gemeu baixinho roçando os lábios no lóbulo do namorado.
- Kamy... – Milo murmurou, mordendo-o entre o ombro e a base do pescoço. – Não acha que estamos muito vestidos? – Perguntou marotamente ao começar a retirar-lhe as roupas que faltavam.
Inconscientemente, Kamus virou o rosto para o lado do criado mudo onde um despertador repousava marcando as horas. Arregalando os olhos, murmurou algo em francês e, com um beijo apaixonado virou os corpos, ficando por cima do louro. – Desculpe-me, mon coeur... Passa da meia noite, tenho de colocar os presentes na sala embaixo da árvore.
Milo fez um bico maior que de chaleira e o encarou contrariado. – Mas Kamy... É cedo e, nenhuma das duas vai levantar tamanho o sono que estão. Fica aqui comigo mais um pouquinho. – Pediu fazendo carinha de cão sem dono.
Kamus o beijo calmamente, mas levantou-se indo para o guarda roupas pegar a roupa vermelha de Papai Noel. – Vamos, Milo! S'il vous plaît... Só até eu colocar tudo na sala, depois ficaremos sozinhos até de manha cedo. – Milo bufou um pouco e o encarou de lado, mas ao lembrar-se das pequenas no último quarto, levanto-se da cama e começou a ajudar o francês a se vestir.
- Não sei onde eu estava com a cabeça para topar ver você vestido de Papai Noel. – O escorpiano murmurou baixinho enquanto ajeitava um travesseiro sobre a barriga de Kamus. – Barriga falsa, esconder seus longos cabelos vermelhos e colocar a peruca de cabelos brancos. – E o encarou.
- Milo... Lembra, é por uma boa causa. – Kamus o encarou sério.
O louro beijo apaixonado o ruivo e, o soltou dando a casaca vermelha para que ele vestisse antes de colocar a barba e a peruca. – Vai Papai Noel... Vamos terminar de o vestir, pois depois, quero meu Kamy de volta. – E o olhou nos olhos com um brilho malicioso a iluminar-lhe as íris azuis claras.
Kamus sorriu de lado, colocou a peruca com a ajuda do namorado, e por último colocou a barba e o chapéu vermelho. – Como estou? – Perguntou curioso sem olhar-se no espelho.
- Bem... Perfeito, mas ainda prefiro você naquela cama sem nada. – Milo sorriu traquina e, foi pegar o pequeno cachorrinho que já estava dentro da mala transporte. – Espero que esse pequeno não faça barulho. – Kamus concordou com apenas um movimento de cabeça e saiu devagar do quarto com o saco vermelho nas costas – Pesado! – E com a malinha transporte na outra mão, desceu as escadas sem fazer barulho.
Milo fechou a porta devagar, pois não poderia ficar olhando ali de cima e, com uma idéia fervilhando em sua cabeça, apagou as luzes do quarto e deitou-se na cama para esperar por seu querido francês.
oOoOoOo
Kamus não imaginava que haveriam tantos presentes dentro daquele saco, quando o levou para a sala. Somente quando começou a colocar embaixo da árvore percebeu que somente na frente não caberiam todos os presentes. Com calma, colocou os maiores no fundo, e foi colocando os menores a frente, mas mesmo assim ainda tinha de colocar em toda volta da árvore para poder ficar bonito e bem distribuído.
Querendo que tudo ficasse perfeito, o aquariano acabou demorando mais que o necessário para colocar os presentes nos lugares e, quando já estava ajeitando a caixinha transporte do pequeno animalzinho, ouviu um barulho no andar de cima. Virando-se devagar, e com a iluminação proveniente da lareira, não conseguiu ver se havia alguém no segundo andar. Onde poderia imaginar o corrimão de madeira, estava tudo escuro. Voltando-se novamente, acariciou o pequeno cãozinho pela portinha da malinha transporte o acalmou e, queimando seu cosmo, sumiu na nevoa dando a impressão que desaparecia pela lareira, indo esconder-se na cozinha.
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Estava muito quente... Mas como poderia estar tão quente se estavam em pleno inverno? Difícil de explicar, ainda mais quando quem estava passando muito calor era a pequena aprendiz do cavaleiro de gelo.
Virando na cama, a pequena Yoru suava terrivelmente. O quarto estava muito quente e, não demorou muito para que ela acordasse. Abrindo os olhinhos, ascendeu a luz de seu abajur. Com medo de acordar a irmã olhou para o lado da cama de Yuki e suspirou aliviada ao ver que ela dormia profundamente. Voltou seus olhinhos azuis para sua cama e, soltou uma exclamação baixinho. Puxou pela memória quem havia lhe levado para a cama e, Milo lhe veio à mente.
"Mi-Sama… Dois cobertores de pele é um exagero!" – Pensou Yoru retirando um de cima da cama e o jogando no chão aos pés da mesma. Com sede, pegou Casquinha e o abraçando, saiu do quarto. – "Que sede! Milo não precisava ter colocado tantos cobertores sobre mim!" – Pensou enquanto fechava a porta devagar para não fazer barulho. Sonolenta, coçou os olhinhos e, devagar começou a andar pelo corredor. A pouca claridade provinha do fogo da lareira lá embaixo e, quando uma sombra atrapalhou a luminosidade do corredor, a curiosa Yoru parou e debruçou-se no corrimão para olhar lá para baixo.
Arregalando os olhinhos, ela não acreditou no que via. Sorrindo, pensou em sair correndo e abraçar Papai Noel que estava colocando os presentes embaixo da árvore, mas lembrou-se das palavras de Chiisai Sora, que nunca se deve ficar esperando por Papai Noel e ser pega fora da cama. Assim deu alguns passos para trás, derrubando sem querer Casquinha no chão.
- Não… - Yoru falou alto acometida pelo medo de ser pega fora da cama e não ganhar presentes. Pegando Casquinha, a pequena correu para o quarto, pulando na cama, cobriu a cabeça com a coberta. Depois de algum tempo e, de perceber que Papai Noel não tinha a seguido, a pequena levantou da cama e, no escuro mesmo, seguiu até a cama da irmã, onde se sentou e acendeu a luz do abajur. – Yu... – Chamou baixinho. – Yu... Acorde... – Esperou um pouquinho, mas impaciente chacoalhou a irmã.
Yuki resmungou baixinho e ao abrir os olhos, fuzilou a irmã mais nova. – Yo... É tarde! – Grunhiu ao pegar o despertador para ver as horas. – Vai dormir, Yo... É muito cedo!
- Ma Yu... Eu vi... – Yoru começou a dizer eufórica.
- Não importa o que você viu... Não poderia esperar até de manhã? – Yuki perguntou brava.
- Não, não podia... Eu vi Papai Noel. – Yoru contou sem se importar com o mau-humor da irmã.
- Ah! Que bom para você, Yo… - Yuki deitou-se novamente e cobriu a cabeça. – Agora vai dormir e me deixa dormir também.
- Mas Yu, eu...
- Boa noite, Yoru! – Yuki resmungou antes de dar as costas à irmã definitivamente e voltar a dormir.
Apagando a luz, Yoru voltou para sua cama, deitou-se abraçando o caranguejo de pelúcia e demorou a conseguir dormir novamente. Estava eufórica e, queria muito saber se o seu pedido fora atendido. Quando finalmente foi vencida pelo sono, já passava da madrugada.
oOoOoOo
Na cozinha, Kamus esperou até ter a certeza de que quem quer que o tivesse visto, já tivesse ido deitar e, devagar subiu as escadas tomando o devido cuidado para não fazer barulho.
Abriu a porta do quarto devagar e a fechou. Ficou parado no escuro por alguns minutos até que seus olhos se acostumassem com a escuridão. Enquanto esperava, sentiu que mãos fortes o pegavam pela roupa e o puxavam para longe de onde estava. Deixou-se levar e ser abraçado. Gemeu baixinho ao sentir o toque sutil e provocante da língua em seu lóbulo.
- Por que demorou tanto? – Milo perguntou. A voz rouca e os lábios roçando provocantes em sua orelha quase o fizeram não conseguir pensar.
- Alguém me viu. – Kamus murmurou, acariciando às costas de Milo. – Tive de esperar um pouco na cozinha. Não está com frio? – Perguntou ao notar que o namorado estava sem camisa.
- Hmm… Espero que tenha sido Yoru… E não, não estou com frio. – Sorriu ao começar a soltar o cinto e a abrir a roupa vermelha.
- O que está fazendo, mon coeur?
- Estou tentando abrir o presente que eu pedi para o Noel! – Milo respondeu. Se as luzes estivessem acessas, Kamus poderia ver o brilho malicioso que iluminava os olhos do namorado.
- Hmm... E Noel te atendeu? – Kamus gracejou ao acariciar a nuca do louro.
- Oui... Ele não só me atendeu como o entregou pessoalmente. – Milo respondeu, conseguindo tirar a camisa, travesseiro, chapéu, barba e peruca, os jogando ao chão.
O abraçando possessivamente, Milo fez com que seus corpos se tocassem. Acariciou devagar as costas de Kamus, subindo uma das mãos devagar até alcançar o coque frouxo, soltando o belo cabelo liso, que caiu feito cascata de fogo pelas costas do aquariano.
Kamus mordiscou o ombro bronzeado e sentiu sua calça ser aberta. Ficou mais excitado quando os lábios de Milo começaram a espalhar beijos por seu tórax enquanto ele ia abaixando a calça vermelha. Um gemido alto escapou de seus lábios quando o escorpiano mordeu-lhe a parte interna da coxa.
- Milo, si'l vous plaît... – Murmurou segurando nos ombros dele, enquanto se via livre das botas, meias e finalmente da calça.
- Você me pediu alguma coisa, ruivinho? – Milo perguntou malicioso. Estava adorando poder finalmente ter seu francês como queria. Voltando a lhe abraçar, o louro o levou ate a cama e lentamente o deitou, subindo sobre ele e, ficando com uma das pernas entre as dele. – Acho que foi exatamente aqui que paramos antes do Papai Noel, não é? – Gracejou ao roçar seu joelho no membro intumescido do namorado.
- Oui... – Murmurou Kamus abafando um gemido ao mordiscar seu próprio lábio inferior.
- Que bom que não esqueceu... – Murmurou Milo próximo ao ouvido dele. Seus lábios trilharam um caminho desde a orelha até os lábios macios e acolhedores.
O beijo foi ganhando proporções, foi tornando-se mais exigente e, as mãos de ambos exploravam cada cantinho de pele que sabiam dar mais prazer. Não demorou muito para que as boxers fossem fazer companhia para as roupas no chão. Virando o corpo rapidamente, Kamus sentou-se sobre as pernas de Milo e, segurando-lhe as mãos acima da cabeça, o beijou ardentemente.
- O que você…
- Shii… Feliz Natal, mon grec! – Kamus ronronou no ouvido do louro e o soltou.
Arrepiado, Milo sorriu derrubando o francês na cama e deitando sobre ele. – Um Natal de muitos... – Acariciou-lhe o rosto o beijando novamente.
oOoOoOo
"I'm dreaming of a white Christmas,
Just like the ones I used to know.
Where those tree-tops glisten,
And children listen
To hear sleighbells in the snow.
I'm dreaming of a white Christmas,
With every Christmas card I write,
"May your days be merry and bright,
And may all your Christmases be white".
I'm dreaming of a white Christmas,
Just like the ones I used to know.
May your days may your days may your days be merry and bright,
And may all your Christmases be white."
A neve continuava caindo do lado de fora da casa. O silêncio só era quebrado pelo crepitar do fogo quase se extinguindo na lareira. A claridade do dia entrando pela janela, fez com que Milo cobrisse a cabeça com o cobertor de pele e fosse procurar aconchego no corpo ao seu lado, mas ao não encontrar Kamus, puxou as cobertas para longe da cabeça e espremendo os olhos procurou pelo namorado. Localizou-o de costas, nú, o que o deixou extasiado, recolhendo as roupas do Noel do chão. Deixou que ele guardasse tudo no guarda roupas, ficando em silêncio. Esperou até que ele se voltasse e que seus olhos se cruzassem.
- Faz tempo que está aí me observando? – Kamus perguntou voltando para perto da cama.
- Algum tempo... – Respondeu ao acaso. – Não é sempre que posso ficar admirando você como veio ao mundo. – Sorriu malicioso. – E você tem uma bundinha...
- Milo... – Kamus sentiu seu rosto tingir-se de vermelho.
- O que eu fiz de errado? – Milo gracejou, esticando o braço e puxando o ruivo para a cama.
- Non fez nada de errado, mon scorpion. – Kamus o beijou vorazmente, enquanto os cobria novamente.
Abraçando o namorado, Milo deixou-se ser acariciado e também insinuou seu corpo para mais perto do outro, mas tiveram de se separar ao ouvirem um grito de felicidade e a porta do quarto ser aberta.
- Ele veio!
oOoOoOo
Yoru acordou antes mesmo da hora em que estava acostumada acordar, coçou os olhinhos e checou as horas no despertador com jeitinho de coelho.
- Seis e meia... Que cedo! – Murmurou para si mesma. Olhou para a irmã e a viu dormindo. Era cedo para levantar, mas estava tão curiosa para saber se Papai Noel havia lhe atendido, que ficou na cama rolando de um lado para o outro até as sete e meia da manhã.
Devagar, Yoru saiu do quarto e pé ante pé desceu até a sala. Ficou encantada com o tanto de pacotes que estavam embaixo da árvore de Natal, mais o que lhe chamou a atenção, foi a malinha furadinha, que tinha um cãozinho preto e branco dentro. Arregalando os olhinhos procurou pela etiqueta com o nome e, riu divertida ao descobrir que o presente era dela. Sentou-se no chão e puxou a malinha para o meio de suas pernas.
- Ganhei um cachorrinho! – Yoru falou para si mesma. Abriu a portinha deixando que ele saísse da malinha. – Olá, pequenino... – E o pegou no colo, recebendo lambidas por todo o rosto. Rindo divertida o afastou um pouco de si e o encarou. – Não tem coleira, será que já tem um nome? – E o colocou no chão, fazendo com que ele corresse atrás da fita, que ela havia tirado da malinha e, arrastava no chão para brincar com ele.
Observando melhor o cachorrinho, percebeu que ele lembrava uma raposa. As costas preta, indo até a cabeça, onde uma parte branca o fazia ficar com uma divisão entre os olhos, as quatro patinhas brancas acompanhando o peito e a barriga e na ponta do rabo uma manchinha branca. Sorrindo divertida, Yoru pegou o cachorrinho no colo, ganhou mais lambidas e, ficando de pé, começou a dançar com o animalzinho. Sentando no sofá, olhou novamente para as características do bichinho e o nome pareceu lhe surgir como um raio.
- Vou te chamar de Kitsune. – Acariciou as orelhinhas do cãozinho. – Agora Kitsune, vou te apresentar para o mestre Kamy e Mestre Milo. – E com o bichinho no colo, correu escadas acima, não agüentando a euforia, começou a gritar antes mesmo de abrir a porta. – Ele veio! Ele veio! – E abrindo a porta do quarto, entrou como um furacão parando à frente da cama, onde Milo e Kamus a encararam surpresos.
- Yoru... – Kamus chamou-lhe atenção. – Tem de bater na porta antes de entrar...
- Ele veio! E olha... Me deu o Kitsune! – Mostrou o cachorrinho o colocando na cama, sem se importar com a reprimenda do mestre. Ao ver Milo, o cãozinho correu até ele, parecendo o reconhecer.
- Olá pequeno, ganhou um nome ein? – Sorriu olhando do cachorrinho para Kamus.
Yoru feliz, subiu na cama e de gatinho entrou no meio dos dois, abraçando Kamus. – Você vai deixar o Kitsune ficar, né Kamus? – Perguntou o olhando nos olhos e, nem percebendo que o mestre não estava usando a camisa do pijama.
- Claro que vou deixá-lo ficar, desde que você tome conta direitinho dele. Limpe as caquinhas que ele irá fazer. – Olhou severo para a pequena e acariciou-lhe a cabeça.
- Oba! Você viu, Mi-sama... Kitsune pode ficar!
- Claro, Yo! Papai Noel sabe o que pode dar e ele nunca daria um bichinho se soubesse que ele não seria aceito. – Milo olhou para Kamus e sorriu. Voltando seus olhos para a pequena, puxou-a dos braços do namorado e a abraçou apertado lhe dando um beijo estalado na bochecha. – Feliz Natal, Yoru!
Yoru retribuiu o abraço e o beijo estalado. – Feliz Natal, Mi-sama. Sabe... Tem um monte de presentes embaixo da árvore... Vamos descer para abri-los juntos? – Convidou sentando no meio dos dois e os encarando. Em toda sua inocência, a pequena não tinha desconfiado de nada. Pegando Kitsune dos braços do escorpiano, a aprendiz o colocou perto de Kamus. – Olhe Kitsune, esse aqui é o mestre Kamy, ele só tem a cara enfezada, mas tem um coração bem grande viu.
Kamus arregalou os olhos tamanha a audácia e insolência da pequena, enquanto Milo, não conseguindo segurar, gargalhou alto, tapando a boca com as mãos ao ver o olhar assassino que o ruivo lhe dirigia.
- Namida Yoru...
- O que eu fiz, mestre Kamy? – Perguntou o olhando com os olhinhos divertidos e um sorriso maroto nos lábios.
Kamus olhou para a pequena, tentando parecer sério, mas quem conseguia com aqueles olhinhos divertidos e, mais brilhantes que safiras polidas. – Olá, Kitsune... – Sorriu de lado acariciando a cabeça do pequeno cãozinho, que tentava inutilmente lamber a mão que lhe afagava.
- Viu mestre Kamy, ele gosta de você.- Yoru sorriu divertida, mas voltou-se para olhar para a porta do quarto assim que ouviu a voz conhecida.
- Yo... Você não deixa ninguém dormir até mais tarde, não? – Yuki perguntou parada a porta do quarto. Ela havia acordado com os gritos da irmã. Pensou ser um sonho, mas ao ver que estava sozinha no quarto, vestiu um casaco por cima do pijama e seguiu pelo corredor até ver a porta do quarto dos mestres aberta.
- Mas já não é tão cedo, Yu e, olhe... – Levantou Kitsune para a irmã ver. – Papai Noel me deu um cãozinho.
Yuki olhou dos mestres para o cãozinho. Ela parecia estar cismada com alguma coisa. Parecia até que estava estranhando de ver Milo e Kamus juntos na cama e, talvez fosse isso mesmo. Não perguntaria nada por enquanto, mas teria muito tempo para perguntar ao mestre por que os dois estavam deitados juntos e sem camisa... Ainda mais naquele frio.
- Acho que Papai Noel não fez um bom negócio. – Yu falou se aproximando da cama devagar e sentando nos pés da mesma, esticou a mãozinha para poder coçar a cabecinha do cãozinho.
- Como? – Perguntou Yoru sem conseguir entender.
- Yuki... – Milo a repreendeu antes mesmo dela falar alguma coisa que estragasse a felicidade da mais nova.
Yuki olhou para Milo de olhos arregalados e voltou a olhar para a irmã e o cãozinho. – Você vai cuidar direitinho dele? Ele não é um brinquedo de pelúcia. – E deixou que o cãozinho lhe lambesse os dedos, sorrindo olhou para Yoru. – Que nome deu a ele?
- Eu sei que não é um bichinho de pelúcia, Yu... Eu vou fazer tudo para que ele cresça forte e saudável. – Yo prometeu com carinha séria. Soltando o cãozinho na cama, deixou que ele fosse até Yuki. – O nome dele é Kitsune...
- Mas porque resolveu chama-lo de raposa? – Yuki perguntou o olhando direitinho.
- Por que ele lembra uma...
- Mas ele é preto! Raposas são vermelhas e brancas. – Yuki encarou a irmã e depois os mestres que prestavam atenção na conversa das duas.
- Eu gostei e achei que ele lembra uma raposa... É Kitsune e assim vai ser... – Yoru fez bico e pegou o cãozinho no colo.
Yuki encarou a irmãzinha e depois os mestres. – Calma, eu só queria saber o que um cãozinho vira-lata tem a ver com esse nome.
- Yuki, Kitsune não é um cãozinho vira-lata, ele é de raça. – Milo interrompeu as duas, pois já via nos olhinhos de Yoru, que ela iria revidar. – Ele é um border collie, eu já vi igual perto do Santuário. Eles são bons para guardar ovelhas e são excelentes companhias.
Yoru olhou para a irmã a fuzilando com os olhos. – Viu Yu, Kitsune não é um vira-lata, mas mesmo que fosse não me importaria.
- Yo, não precisa ficar nervosinha, eu estava apenas brincando. – Yuki quis amenizar um pouco a situação. Esticou a mãozinha e afagou a cabecinha de Kitsune, que tentou lamber-lhe os dedos, fazendo a lourinha mais velha sorrir.
Yoru arqueou uma sobrancelha, mas não entrou na provocação da irmã, ela estava mais interessada em olhar para Kitsune. - Veja Yu... Kitsune gostou de você! – Sorriu a encarando.
Enquanto as duas conversavam sobre o olhar atento de Milo, Kamus pensava como tirá-las do quarto para que ambos pudessem vestir as roupas. Quando já estava pensando em as 'expulsar' definitivamente do quarto, a salvação apareceu à porta. A única coisa seria agüentar depois a troca de farpas e gracejos do louro parado a porta com o louro deitado ao seu lado.
oOoOoOo
Aconchegado ao peito amado, Shun dormitava mais um pouquinho. Ele havia acordado antes, mas sabendo ser muito cedo, fechou os olhos novamente e passou para um soninho leve. Os braços fortes de Hyoga lhe cingiam o corpo e, lhe davam uma sensação de proteção. Não que ele precisasse, pois era um cavaleiro com um cosmo poderoso, mas sim pela sensação gostosa que aquilo lhe proporcionava.
Não precisavam acordar cedo, mas tendo crianças em casa, possivelmente seriam forçados a madrugar. E foi exatamente o que aconteceu.
- Ele veio... Ele veio...
A voz fininha ampliada pelo eco na casa em silêncio, fez com que Shun desse um pulo na cama.
- O que foi isso? – Hyoga perguntou, abrindo os olhos e os arregalando.
- Yoru! – Exclamou Shun olhando para o noivo. – Acho que ela descobriu que o 'Papai Noel' veio. – Sorriu ainda meio sonolento. Dando um selinho em Hyoga. – Feliz Natal, Oga!
Hyoga sorriu enternecido com o jeitinho de seu querido virginiano e, afagando–lhe os cabelos aprofundou o beijo. Quando já sentiam necessidade de respirar, separaram os lábios. – Feliz Natal, Shunny! Agora que tal irmos dar uma olhada no que a pequena espoleta está aprontando?
Shun sorriu ao sentar devagar na cama. – Acho uma ótima idéia. Quero muito saber o que o Noel trouxe para mim. – E deu-lhe uma piscadela antes de levantar da cama.
- Mas ele já te trouxe o presente mais importante! – Hyoga e mostrou a própria aliança.
- Sim, ele trouxe... Mas tenho certeza que ele trouxe outros presentes, mas o melhor, ele já me deu há algum tempo. – Sorriu o encarando e foi colocar o pijama com um casaco por cima. O louro sorriu coçando os cabelos e vestiu-se rapidamente.
Assim que se aprontou, Shun acompanhou Hyoga para fora do quarto, não conseguindo ficar sem brincar com ela. – Exibido! – Murmurou o virginiano ao constatar que o noivo trajava apenas uma calça comprida e camiseta de pijama sem mangas.
- Não sou exibido... – Hyoga o abraçou. – Apenas não sinto frio. – Sorriu ao ver o bico que Shun fazia. – Vai... Não faz assim... Isso é tentação... – Riu divertido, mas ambos se repeliram ao ver a porta do quarto de Kamus e Milo aberta e as duas lourinhas na cama com eles.
- Bom dia! Feliz Natal! – Shun desejou para todos entrando no quarto, enquanto Hyoga ficava parado na porta.
- Feliz Natal!
Se Yuki e Yoru tivessem ensaiado, não conseguiriam responder juntas como haviam feito e, ao trocarem um rápido olhar, riram divertidas.
- Feliz Natal, Shun... Hyoga... – Milo encarou seu eterno desafeto, sentiu vontade de agarrar Kamus, mas não podia com as duas pequenas ali e, também não havia motivos para aquele ciúme besta. Sorrindo, olhou para o namorado e depois para as pequenas.
Kamus pareceu entender o olhar de Milo e, voltando seus olhos para os recém chegados. – Yu, Yo... Vão com Hyoga e Shun... Vão mostrar os presentes para eles. Nós já vamos.
Yoru segurou Kitsune direito e, pulando por cima das pernas de Milo, saiu da cama e parou a frente de Shun.
Yuki olhou desconfiada para os mestres. – Vocês não vão demorar para descer, não é? – Perguntou.
- Não Yu, pode ir. – Milo sorriu.
- Vem Yu... Tem bastante coisa debaixo da árvore. – Yoru convidou a irmã, mas pegou a mão de Shun e o puxou para fora do quarto.
- Quem é esse seu amigo? – Shun perguntou acompanhando a pequena, que lhe respondeu eufórica quem era o cãozinho.
Hyoga olhou para Shun e a pequena, sorriu, mas voltou a olhar para dentro do quarto onde pode ver Yuki descer da cama e sair em silêncio. Segurando na maçaneta da porta, o louro dirigiu aos mais velhos um olhar matreiro e não perdeu a oportunidade. – Se eu fosse vocês, me vestiria rapidinho deixando certas coisas para lá... Ou correm um grande risco de serem pegos pelas duas novamente.
- Hyoga... – Ralhou Kamus, deixando Milo surpreso.
O cisne fechou a porta devagar e seguiu para a sala, onde encontrou Shun e as pequenas brincando com o cachorrinho.
- Então, esse é o Kitsune? – O louro perguntou ao pegar o cãozinho no colo. Ele havia escutado a resposta de Yoru quando Shun havia perguntado.
- Isso mesmo... – Yoru concordou.
- Tome conta direitinho dele, Yo e, terá um amigo leal por muito tempo. – Hyoga aconselhou e, sorriu ao levar uma lambida no rosto. – Beijoqueiro! – Falou conseguindo arrancar risos das duas pequenas. Depois, colocou Kitsune no chão e, sentou-se no sofá de onde admirou a árvore, que agora estava com vários pacotes coloridos a cercando. – Por que não abriram os presentes? – Perguntou encarando Shun.
- Shun achou melhor esperar que todos estivessem aqui. – Yuki respondeu calmamente. Acariciou Kitsune que sentara ao seu lado no chão e encarou os jovens.
- Isso mesmo! – Yoru recolocou um presente grande com uma etiqueta com seu nome de volta no lugar. Ela estivera tentando descobrir o que havia na caixa, mas sem sucesso.
Enquanto Yuki e Yoru brincavam com Kitsune, o casal sentado confortavelmente no sofá, continuou a conversar mais baixo.
- A árvore ficou mais bonita com os presentes embaixo, não? – Shun encarou Hyoga, um sorriso encantador lhe iluminou a face.
- Sim, ficou... – Hyoga respondeu pensativo. – Eu não consigo imaginar um Natal como esse... Acho que quando éramos pequenos nunca tivemos algo parecido. – Comentou ao acaso.
- É... Você tem razão. Espero que elas nunca mais se esqueçam disso. – Shun o encarou. Queria muito beija-lo, mas segurou-se e encarou as pequenas que continuavam brincando com Kitsune. Os latidinhos finos e os risos divertidos quebravam o silêncio da casa.
oOoOoOo
Assim que se viram sozinhos, Kamus e Milo olharam um nos olhos do outro. – Achei que estávamos perdidos. Você poderia ter fechado a porta com a chave, não é?
- Ora... – Indignou-se o francês. - E por que será que eu acabei esquecendo de fechar a porta? – Perguntou com ironia.
Milo não se importou com o jeito do namorado e, devagar umedeceu os lábios, espalmou as mãos no peito definido do ruivo e enquanto as deslizava, com as unhas, deixou que elas marcassem lentamente a pele clara. Depois com uma calma muito rara, respondeu. – Não sei... – E o olhou sedutoramente. Mas era claro que ele sabia, mas não iria dizer, não naquela hora.
Kamus segurou a respiração, fechou os olhos e conteve as mãos do louro as segurando pelos pulsos. Aproximou seus lábios dos do namorado, parou a poucos centímetros. Seus olhos se encontraram e Milo tornou a umedecer os lábios, como se aquele gesto fosse um convite e não uma provocação.
"Enfeitiçado!" – Pensou Kamus antes de finalmente beijar ardorosamente Milo. Quando os lábios se separaram, ele o encarou. – O que você fez comigo? Me enfeitiçou? – Perguntou sorrindo.
Antes de responder, Milo deleitou-se com aquele sorriso lindo de Kamus. Sorriso o qual, o escorpiano sabia que somente ele tinha o prazer em ver. – Eu não o enfeiticei, ruivinho. – Sorriu matreiro. – Fiz pior... – Murmurou próximo aos lábios ainda rubros pelo beijo trocado.
- Como? – Kamus arregalou os olhos avermelhados.
- Eu o viciei... – Milo deu-lhe um selinho. – Viciei-o em meu veneno! – E o beijou antes que ele protestasse.
Quando os lábios separaram-se novamente, Kamus sorriu matreiro. – Mon scorpion, ton poison est ambroisie pour moi¹!
Milo arrepiou-se todo. Adorava ouvir o francês falar em sua língua natal. – Ruivinho, desse jeito não vou deixá-lo sair desse quarto tão cedo! – E colou seu corpo mais ao do namorado.
- Mon amour... Isso é tentador, mas temos de sair dessa cama...
- Temos mesmo? – Milo perguntou fazendo beicinho.
- Oui... Ou você quer que Yo e Yu entrem novamente por aquela porta e...
- Mi-Sama! Mestre Kamy! – A voz fininha de Yoru vinha lá debaixo em um forte grito.
- O que eu disse? – Kamus perguntou.
Com os olhos arregalados, Milo pulou da cama, sem se importar com o frio, que sentia mesmo com o quarto quentinho e, fechando a porta com a chave e gritou. – Já vamos! – Bufou fazendo a franja levantar.
Kamus riu divertido e, deleitou-se em poder ver o corpo amado a luz do dia. As costas largas, os músculos dos braços e coxas bem definidos. Sorriu malicioso. – Eu te avisei, mon scorpion.
- Sim, eu sei... Mas Yoru não tem nem um tiquinho assim de paciência... – Milo mostrou um pequeno vão entre os dedos, indicador e polegar.
- Eu conheço uma pessoa igual... – Gracejou.
Milo voltou sentando na cama, não se importando em nada com sua nudez. Na verdade, adorava fazer aquilo e, deixar que seu francês o admirasse como ele gostava de fazer também, admirando o corpo branquinho do ruivo.
- Quem é a pessoa? – Perguntou mais por perguntar, pois já tinha certeza de quem seria.
- Hmm... É um inseto... – Riu divertido e segurou a mão do escorpiano, que já tinha a unha do dedo indicador em evidência. – Calma, mon scorpion... Je t'aime!
Milo soltou a mão e cruzou os braços parecendo ofendido. O bico que fazia, podia ganhar de chaleira.
Kamus sorriu e lhe deu um selinho. – Vai, desmancha essa cara feia... – E o puxou para deitar-se sobre seu corpo.
- Então diz quem não tem paciência... – Sorriu se ajeitando sobre o namorado e o olhando diretamente nos olhos.
- Hmm... É você... Non tem paciência, é cheio de si... – Milo o fuzilou. – Calma mon ange... Mesmo sendo desse jeito eu o amo muito e...
- E? – Quis saber Milo o olhando com curiosidade.
- E você tem uma bundinha deliciosa! – Kamus sorriu malicioso e o abraçou cingindo-lhe a cintura, escorregou as mãos para as nádegas do louro as apalpando.
Milo arregalou os olhos e o mordeu no ombro, deleitando-se com o gemido que o ruivo deixou escapar entre os lábios. Subindo as mãos pelas costas do louro delicadamente, Kamus afastou seu corpo do dele e, a expressão que viu no rosto amado quase derrubou as barreiras que havia levantado para poder parar por ali.
- Mon ange, temos de descer ou daqui a pouco aquela porta vem abaixo.
- Tudo bem... – Milo concordou rápido demais, o que fez com que o aquariano o encarasse. – Mas a noite meu gelinho, vamos continuar de onde paramos. – Aproximou seus lábios dos dele e o mordiscou. Com um sorriso saiu da cama e foi vestir seu pijama. Kamus balançou a cabeça e seguiu o exemplo dele.
Quando o escorpiano já estava vestido e bem quentinho, aproveitando-se que ele estava distraído, Kamus o abraçou pelas costas beijando-lhe o pescoço por entre os muitos cachinhos louros.
- Kamy o que aconteceu com o vamos lo... – Milo não conseguiu terminar de falar, pois a sua frente uma pequena caixinha quadrada de veludo lhe havia sido revelada.
- Para você, mon scorpion... – Kamus derreteu-se ao falar, a voz levemente rouca. Com um rápido movimento, depositou a caixinha nas mãos de Milo e, abriu-a revelando uma corrente fina de ouro com um escorpião como pingente, nada muito grande nem muito pequeno, algo discreto.
- Kamy... Que linda...
- Que bom que gostou... – Kamus sorriu. Pegando a corrente, abriu o feche e, enquanto Milo segurava a vasta cabeleira, ele a colocou aproveitando para beijar-lhe o pescoço sem os cabelos para lhe atrapalhar.
Arrepiado, Milo tocou de leve nas mãos do ruivo e, virando-se devagar o abraçou e o beijou ternamente. – Vamos, ruivinho... Ou daqui a pouco não sairemos mais daqui. – Gracejou o puxando para fora do quarto.
oOoOoOo
- Vem, Kitsune... Vem me pegar. – Yoru atiçava o cãozinho para que ele corresse atrás dela.
- Yo, ele é pequenino demais. – Yuki revirou os olhinhos.
- Mas é de pequenino que se aprende, Yu. – Yoru respondeu, olhando para a irmã e depois para Kitsune. – Vem, Kitsune! – E virou-se para sair correndo. Mal deu os primeiros passos e sentiu o esbarrão. Fechou os olhinhos ao dar alguns passos para trás, já se preparando para cair de bumbum no chão, mas não acontecendo, pois mãos fortes a seguraram. Arregalando os olhinhos olhou para cima e soltou uma exclamação.
- Yoru... Você sabe que non pode correr dentro de casa, non é? – Kamus falou ainda a segurando.
- Desculpa, mestre Kamy é que...
- Oui... Eu já sei, foi sem querer. – Falou olhando da pequena para Milo. – Hoje passa, ma petite, mas lembre-se da próxima vez non fazer mais isso. – Yoru concordou sorrindo.
- Vocês demoraram. – Yuki cruzou os bracinhos a frente do corpo encarando os mestres com desconfiança.
- Mas agora estamos aqui não é? – Milo respondeu encarando a aprendiz. – E vamos abrir os presentes... – Sorriu indo em direção da árvore de natal. Olhando para trás, colocou as mãos na cintura e encarou a todos. – Vamos... O que vocês estão esperando.
Pegando Kitsune no colo, Yoru saiu apressada passando a frente do mestre e de Milo, sentou-se bem perto da árvore e olhou para todos com uma carinha traquina. Yuki a seguiu, calmamente, e sentou do outro lado da irmã. Shun puxou Hyoga pelo braço e os dois sentaram perto das pequenas no chão também. Milo e Kamus foram os últimos a se juntarem a eles.
Yoru olhava curiosa para todos ali e, sorriu ao ver que Kamus havia pegado um presente, que ela já havia tido em suas pequenas mãozinhas.
- Vejamos para quem Papai Noel deixou esse presente... – O ruivo segurou a etiqueta para poder ler. – Esse presente é de Yoru. – Sorriu entregando-o para a pequena.
Shun e Hyoga trocaram um rápido olhar, pois ambos haviam reconhecido o bonito papel de presente da loja onde haviam comprado às gatinhas.
Enquanto Yoru rasgava o papel de presente, Kamus entregava a Yuki um presente de tamanho semelhante ao da irmã. – Esse é seu, petite! – Em seguida entregou uma caixa de tamanho razoável para Hyoga e outra para Shun.
Milo que prestava atenção a tudo, não pode deixar de reparar na mão de Shun. A grossa e pouco indiscreta aliança reluzia como se gritasse: 'Ei olha para mim!' Arregalando os olhos, quase deu um escândalo ali mesmo. Olhou para o Pato e, constatou que ambos estavam usando uma aliança igual, indignado por seu francês não ter pensado naquilo e muito menos ele, segurou-se quase mordendo a língua, apenas para não chamar atenção das pequenas, o que seria muito catastrófico, pois como explicar a elas o que acontecia.
"Um dia mais cedo ou mais tarde vamos ter que explicar e, acho que quanto antes melhor... Antes de voltar para a Grécia com Yuki, vou ter uma conversa séria com Kamus." – Pensou Milo encarando o namorado e voltando seus olhos para o jovem casal a frente deles. Ele tinha que dar créditos para o Pato, afinal ele passara na frente de Kamus naquele quesito. Olhando para as pequenas, sorriu ao vê-las com gatinhas nos braços.
- Vejam... – Yoru mostrou a caixa ainda fechada de seu presente. Em letras vermelhas, podia se ler, Gata Siamesa Mimi. – Mimi... Mimi... – A pequena repetia cantarolando enquanto retirava a gatinha da caixa. – Uma gatinha de pelúcia... Que linda...
Yuki revirou os olhinhos enquanto retirava da caixa seu presente. Sorriu ao ver a gatinha Hello Kitty trajando um delicado vestidinho azul.
Olhando para o colo da irmã, Yoru sorriu.
- Veja, Yo... Também ganhei uma gatinha, só que a Hello Kitty... – Yuki comentou divertida.
- Bonita... – Yoru tocou de leve o vestidinho azul.
- Meninas, se eu fosse vocês guardaria os bichinhos nas caixas por causa de Kitsune, ele ainda é pequeno demais para saber que não pode fazer traquinagens. – Milo sorriu, segurando o pequeno cão que havia saído de perto das duas meninas.
- Pode deixar Mi-Sama. – Yuki respondeu pelas duas e olhou para a irmã, que já havia feito o que o mestre escorpiano havia dito.
Mais próximo da árvore, Kamus separou o primeiro presente que encontrava para si, olhou para Hyoga e Shun, que pareciam estar conversando sobre seus presentes, que de onde ele estava só conseguia identificar como sendo CD's. Voltou seus olhos para Milo e, localizou um presente do namorado e o separou, não queria o entregar agora, ele havia reconhecido o embrulho e gostaria muito de estar sozinho ao fazer o que queria. Assim sendo, pegou uma caixa de presente maior para o namorado e entregou sério. Pode ouvir Yoru comentando sobre os presentes de Shun e Hyoga e que até mesmo Yuki gostaria de ouvir os CD's. Sorrindo de lado, separou outro presente que estava com a etiqueta em seu nome e pegou as embalagens transparentes com os ursinhos de pelúcia.
Yoru parou de falar assim que viu o ursinho polar que a irmã estava ganhando. A embalagem transparente lhe chamando a atenção. Iria começar a tagarelar, quando em suas pequenas mãozinhas foi colocado um ursinho panda embalado do mesmo modo que o da irmã. Sorrindo livrou o bichinho da embalagem transparente e o abraçou apertado.
Prestando atenção, Hyoga olhou para os dois ursinhos reparando na bonita fita que lhes envolvia os pescoços. – Yuki, Yoru, acho que vocês têm mais um pequeno presente junto de seus ursinhos. – Chamou-lhes a atenção.
Yuki olhou para o louro e depois para seu ursinho e conseguiu localizar o novo presente. Lentamente retirou o laço de fita e soltou a pequena caixinha. Yoru prestava atenção no que ela fazia e, olhando para o pescoço de seu panda, localizou uma caixinha igual a da irmã e a livrou da fita que a prendia. Sorrindo a mais nova das lourinhas abriu a caixinha rapidamente e soltou uma exclamação de surpresa.
- Que foi, Yoru? – Shun perguntou olhando divertido para ela.
- Ganhei um brinquinho de coração... – Sorriu contente olhando para ele. – Veja não é lindo, Shun? – Perguntou mostrando a caixinha para ele.
- Sim, Yoru, é sim. – Shun curvou um pouco o corpo para poder ver melhor os brinquinhos.
- E o seu, Yuki? O que tem dentro desta caixinha? – Hyoga perguntou olhando divertido para ela.
Yuki que já tinha olhado dentro da caixinha e não tinha feito escândalo ou mesmo tentado chamar a atenção sobre si, mostrou a caixinha de veludo azul escuro na direção do casal de bronze. – Ganhei um brinco também, só que ele me lembra uma flor vermelha...
- A mim essas pedrinhas me lembram seus olhos. – Milo comentou sorrindo enquanto abria a caixa com um de seus presentes. Um casaco de couro cru revestido com pelo bem fofinho apareceu assim que o escorpiano tirou de cima a folha de seda que protegia o casaco.
Arregalando os olhos, Milo retirou o casco de dentro da caixa, tocando de leve a pele da gola. Sorriu ao sentir a maciez e olhou para Kamus, de seus olhos a pergunta que não podia fazer alta e em bom tom. O ruivo entendendo o que se passava com o namorado, negou lhe com um discreto aceno de cabeça, fazendo cair por terra os pensamentos do romântico escorpião.
"Se não foi Kamus que me deu esse casaco..." – Pensou Milo e finalmente entendendo que somente duas pessoas poderiam ter dado aquele presente e, querendo não acreditar, procurou por algo que dissesse o contrário, mas o que achou, foi apenas um pequeno cartão, o qual guardou para ler longe das pequenas. Dirigiu um olhar furtivo na direção de Shun e Hyoga, os dois pareciam estar mais interessados em conversarem e brincarem com o pequeno Kitsune e as meninas.
Yuki parou um pouco de brincar para espiar o que tanto Milo segurava nas mãos. Abriu um pouco a boca e suspirando, deixou escapar baixinho. – Queria ter ganhado um casaco daquele jeito. – Olhou para a irmã ao seu lado e colocou os brinquinhos que havia ganhado.
Yoru sorriu traquina seguindo o exemplo da irmã colocando também seus brinquinhos. – Mas não está tão frio assim para se ter um casaco como aquele e o usar, Yu.
- Claro que está, você que não sente frio... Já deve estar se acostumando mais com o frio. Queria só ver você na ilha de Milo... Lá é quente e cheio de escorpiões para te picarem. – Yuki cutucou a irmã com o dedo indicador.
- Aii... Yu... Você é muito friorenta! – Yoru falou encostando a palma da mão gelada sobre o pulso desprotegido da irmã.
Yuki arregalou os olhos, afastando o braço do alcance da irmã. – Não faz mais isso, Yo... Sua mão é muito gelada, cubinho de gelo!
Yoru mostrou a língua para Yuki, que a encarou enfezada. Antes que as duas se atracassem verbalmente, Kamus sutilmente, colocou nas mãos de Yuki um presente pesado e, para Shun e Hyoga passou os últimos três pacotes.
A lourinha abriu o presente já desconfiada do que seria. Ela se lembrava muito bem daquele bonito papel de presente que Milo, enquanto estavam na livraria, dissera que era o presente de Kamus. Com um leve sorriso nos lábios abriu devagar o presente.
- Yu... Abre mais rápido. – Yoru reclamou olhando curiosa para o que a irmã fazia.
- Ora... Mas o presente é meu, Yo... – Yuki protestou, mas ao terminar de falar, conseguiu finalmente tirar um bom pedaço de papel e assim pode ver a lombada dos livros. Arregalando os olhos, terminou de livrar os quatro volumes que formavam a coleção inacabada da escritora J. K. Rowling.
- Harry Potter? – Yoru perguntou ao ler as letras brilhantes na capa do primeiro livro. – Você vai ler todos esses livros? – Franziu o narizinho e torceu os lábios.
- Vou tentar. – Yuki respondeu olhando para Milo. O escorpiano lhe sorriu e voltou seus olhos para o francês.
- Yoru e Yuki, esses são os últimos presentes e são para vocês. – E entregou para ambas os embrulhos de tamanhos iguais.
Sem esperar muito tempo, Yoru rasgou o embrulho revelando uma delicada moldura de mogno e a fotografia que já estava no porto retrato. Surpresa a pequena olhou para todos os presentes.
- O que foi, Yoru? – Perguntou Hyoga. Ele parecia preocupado com a reação da pequena.
- Mas essa foto... Como veio parar aqui? – Yoru olhou para os mestres sem conseguir entender.
- Yo... Papai Noel sabe o que faz... – Milo começou pensativo.
- Você queria uma família, Petite... Todas as confusões e malcriadezas que fez, foi por querer muito que Papai Noel existisse. Então ai está...
- Mas o filme estava na máquina... Mi-Sama tirou essa foto no dia da brincadeira da guerra de travesseiros. – Yoru Levantou-se para ir até a mesa e, pegar a máquina fotográfica que lá se encontrava.
- Calma, Yo... O filme sumiu da máquina alguns dias... Papai Noel deve ter pensado que não poderia nos dar de presente à vocês, então pegou o filme e enviou para Yuki e para você as fotos da família que você pediu... – Milo terminou de falar com calma. Olhou para Kamus e depois para os demais. – Está desapontada? – Perguntou receoso ao ver nos olhinhos tão azuis quantos os dele a confusão estampada.
Yoru olhou para Kamus e Milo, voltou os olhos para Hyoga e Shun e, por último olhou para a irmã. – Yu...
- Você pediu Yo... Papai Noel finalmente te atendeu... – Yuki encarou a irmã com um sorriso de lado nos lábios.
Sem dizer uma só palavra, Yoru pulou no pescoço de Milo o abraçando feliz. Rindo divertida, soltou-se do louro e abraçou Kamus.
Discretamente, Shun limpou os olhos, que teimavam em ficar cheios de lágrimas. Por baixo dos tantos papéis de presente entre ele e o namorado, Hyoga apertou-lhe a mão carinhosamente, um sorriso terno lhe iluminava o rosto.
- Então, vocês são nossa família? – Yoru perguntou olhando para Milo e Kamus.
- É o que parece, não é? – Yuki revirou os olhinhos, mas ficou calada com apenas um olhar de seu mestre.
- Resmungona... Vem cá me dar um abraço... Desse jeito vamos pensar que você não gostou do que o Noel fez. – Milo gracejou abrindo os braços.
Yuki deixou que um leve sorriso surgisse em seus lábios, nem mesmo ela com todo seu jeitinho fechado e muitas vezes recatado, conseguia ficar sem retribuir ao sorriso de Milo. Abraçou o mestre apertado e, logo em seguida fez o mesmo com Kamus.
- Eii... E nós? Não ganhamos um abraço? – Hyoga chamou a atenção das pequenas.
- É isso mesmo... Também queremos abraços. – Shun sorriu e ajoelhando, segurou Yoru como pode, pois ela se jogara sobre ele rindo.
- Claro que não iria deixar vocês sem abraço. – Yoru respondeu, dando um beijo estalado na bochecha do virginiano.
Timidamente, Yuki abraçou Hyoga e logo a seguir abraçou Shun. Yoru abraçou Hyoga e também deu-lhe um beijo estalado no rosto. Pegando Kitsune nos braços, se aproximou de Milo e sentou-se entre ele e Kamus.
- Contente, petite? – Kamus a puxou para o colo e acariciou-lhe os cabelos. Sorriu ao vê-la apenas balançar a cabeça.
Sorrindo de lado, Milo pegou a bonita fita vermelha de um dos presentes das pequenas e amarrou nos cabelos soltos de Yuki, que havia sentado a sua frente. Sorrindo a aprendiz pegou uma outra fita vermelha e fez um bonito laço no pescoço de Kitsune. O cãozinho saiu a pinote tentando se desfazer da fita sem sucesso. Latindo, sentou a frente do primeiro que viu e olhou com os olhinhos baixos.
Hyoga sorriu enternecido. – Vejam vocês, Kitsune não gostou da fita no pescoço. – Pegou o pequeno no colo e retirou a fita.
- Ah... Hyoga, ele tinha ficado tão bonitinho. – Yoru reclamou ainda sentadinha no colo de Kamus.
- Petite, ele não está acostumado com aquilo no pescoço... – E pegando do meio das coisas do cãozinho entregou uma bonita coleira de couro vermelho, com uma plaquinha de identificação em forma de coração. – Aqui, coloque isso nele, mas não muito apertado. – Entregou para a pequena que sorriu.
- Vem cá, Kitsune... Vem... – Yoru chamou o pequeno, saindo do colo do mestre e sentando ao lado de Hyoga.
- Deixa que eu coloco para você... – E pegou gentilmente das mãos dela a coleira. – Veja, é assim que você coloca. – E fez com que a pequena sentisse o tanto que ele estava deixando largo. – Está frouxo assim para não enforcar o pobrezinho.
- Ah! Vou sempre me lembrar de checar quando prender a coleirinha... – Yoru sorriu divertida. Somente agora ela percebera que na coleirinha, a plaquinha de identificação tinha seu nome como proprietária e um espaço para gravar o nominho dele na frente. – Mi-Sama... Esse espacinho aqui é para que?
- Deve ser onde vai o nome do Kitsune... É para no caso dele se perder. – Milo respondeu, mostrando outra fita para Yuki e apontando discretamente o francês.
- Entendi... – Yoru sorriu, mas parou prestando atenção no que a irmã e seu mestre estavam para aprontar com Kamus que estava distraído abrindo seus presentes.
Ficando em pé atrás do ruivo, Yuki delicadamente pegou mexas de ambos os lados da cabeça de Kamus e as atou atrás da cabeça por uma bonita fita azul clara.
- O que está fazendo, petite? – Kamus perguntou desconfiado.
- Deixa Kyu, ficou bonito... – Yuki riu divertida e olhou para Milo, que lhe deu uma piscadela.
- Ora, mas isso... – Kamus protestou, pegando a pequena e a sentando em seu colo para também começar a prender-lhe os cabelos com a ajuda de Milo.
- Mas assim não é justo... – Yuki reclamou. – São dois contra um... Yoru... Socorro...!
Yoru arqueou uma sobrancelha, ria da situação, mas ao ser chamada correu para pular no meio deles sendo seguida de perto por Kitsune que não entendendo nada, começou a morder a barra das roupas de quem ele conseguida. Os latidos ardidos e os risos de todos quebravam o silêncio daquela manhã, lembrando a uma família feliz.
oOoOoOo
- Yoru está muito frio. – Yuki reclamou fechando melhor seu casaco e pegando Kitsune nos braços para aquecê-lo. – Eu e ele não agüentamos baixas temperaturas.
- Yu... Mas está tão gostoso aqui fora... Vem, vamos brincar de guerra de neve. – Yoru convidou sorrindo se abaixando e pegando um pouco de neve nas mãos, formando uma bolinha.
- Não se atreva a jogar em mim... Eu estou com Kitsune no colo. – Yuki ralhou a encarando.
- Ah... Mas é tão legal... Vai o Kitsune é um cãozinho que não sente muito frio. Ele é um border collie lembra? – Perguntou sorrindo matreira.
- Não Yoru... Não jogue. – Yuki falou um pouco mais alto e, deu uns passinhos para trás ao ver a irmã jogar a bolinha de neve para cima e a amparar novamente com uma das mãos. – Se jogar essa bola vai ver.
- Vou ver o que? – Yoru perguntou arqueando uma sobrancelha, mas antes que a lourinha mais velha pudesse responder, uma voz conhecida as suas costas chamou a atenção de ambas.
- Acho que podemos brincar juntos Yoru. – Hyoga desceu os degraus indo juntar-se a elas.
- Mas só nós dois? – Yoru perguntou fazendo beicinho e, olhando para a porta da casa avistando Shun. – Vem Shun, vem brincar de guerra de bolinhas de neve. – E o chamou com as mãos.
- Não, não... Vou ficar aqui sentadinho e ver vocês dois brincarem. – Shun respondeu calmamente. Em suas mãos um cobertor grosso. – Venha Yuki, vem sentar aqui comigo.
Sorrindo agradecida a lourinha mais velha, correu para junto de Shun e, sentando-se no pequeno banco da varanda, deixou que o virginiano cobrisse seu corpo. Ajeitando melhor Kitsune em seus braços, deixou que apenas a cabecinha dele ficasse para fora do cobertor quentinho.
- Bem melhor assim. – Yuki sorriu ao olhar para Shun.
- Eu sabia que iria gostar. – Retribuiu o sorriso e encarou o namorado e a pequena, que começavam a brincar jogando neve um no outro.
- Como podem gostar tanto de frio? – Yuki perguntou sorrindo ao ver a irmã revidar com algumas bolinhas de neve, por ter sido atingida.
- Cavaleiros do gelo, minha querida, vai entendê-los... A nós basta amá-los, pois são adoráveis. – Shun falou sem pensar.
- Como disse, Shun? – Yuki perguntou arregalando os olhinhos. Talvez ela não tivesse entendido direito.
Ficando completamente vermelho, Shun arregalou os olhos e coçou a cabeça. – "O que vou dizer para Yuki? Pensa, pensa, pensa... Você se meteu na enrascada agora tem que tentar sair." – Pensou voltando seus olhos para a pequena. – Você não ama sua irmã, Yuki? – E ao vê-la balançar a cabeça positivamente, sorriu. – Pois eu amo o Hyoga como meu melhor amigo. Ele já me ajudou muitas vezes e eu tenho um carinho muito grande por ele.
- Entendo. – Yuki respondeu devagar. Queria tranqüilizar o virginiano, mas ainda era muito criança para tal atitude e o encarou desconfiada. Fixou os olhinhos rubros sobre o aro dourado no dedo dele e torceu os lábios. – Mas e essa... – Teve de parar de falar, pois Yoru parecia estar brigando com Hyoga.
Com as mãozinhas na cintura, Yoru encarava Hyoga brava. – Usar seu cosmo não pode... Eu ainda não tenho total controle. – E fez bico ao se aproximar mais dele.
- Ora, mas você não disse que eu não poderia usar. – Hyoga sorriu divertido se aproximando da pequena. – Vai, nem doeu.
- Não doeu por que não foi em você que acertou a bolinha... – Bufou Yoru o encarando brava.
- Ah... Desmancha essa cara feia...
- Não... Shun... Olha o Hyoga... – Yoru olhou para o virginiano e a irmã. Ambos sorriam o que fez com que ela ficasse mais emburrada. Distraída como estava, não percebeu a aproximação do Cisne que, sorrateiramente, esticou os braços e rapidamente começou a lhe fazer cócegas.
- Hyoga... Não... – Protestou Yoru entre risos e gritinhos desesperados.
- Vai, é divertido fazer isso... – Riu encarando os dois sentados no quentinho.
Sem dizer uma só palavra, Shun levantou devagar, mas com passadas rápidas e decididas seguiu para onde os dois estavam, tentando ajudar a pequena Yoru. Só não contava em ter Yuki, que deixara Kitsune dormindo na coberta, para ficar do lado do aquariano.
- Ei... Achei que você era minha amiga! – Shun protestou ao sentir Yuki fazendo-lhe cócegas.
- Mas eu sou! Apenas quero brincar também. – Yuki respondeu, sorrindo em um dos poucos momentos de descontração que a séria garotinha se deixava ter.
Rindo muito, os dois cavaleiros e as duas aprendizes acabaram por caírem no chão e a guerra de neve recomeçou, agora, tendo Hyoga e Yuki de um lado e Shun e Yoru de outro.
- Sem usar seu cosmo, Hyoga... – Shun reclamou, atirando mais duas bolas de neve no namorado.
Hyoga riu divertido ao atirar uma bola de neve novamente na direção dele. – Mas eu não estou usando...
- Mas está sim... – Yoru protestou jogando uma bola na irmã e outra em Hyoga.
- Use o seu também, Yo... Equilibre a brincadeira. – Yuki desviou de uma das bolas de neve e encarou a irmã.
- Se é assim... – Yoru sorriu matreira e, com o uso de seu cosmo tentou criar bolinhas de neve como o Cisne, mas não se saiu muito bem. Ao ver que era motivo de risos, saiu em disparada e pulou sobre Hyoga o derrubando na neve, começando a lhe fazer cócegas.
- Não Yoru... – Hyoga tentava a segurar.
- Vamos fazer montinho, Yuki? – Perguntou Shun dando uma piscadela divertida para a lourinha mais séria.
Balançando a cabeça Yu concordou. Tirando Yoru de cima de Hyoga, Shun pulou por cima do namorado o impedindo de levantar. Yuki se jogou sobre eles rindo divertida e, não demorou muito para Yoru sentar por cima de todos rindo divertida e sendo derrubada pelo movimento dos demais abaixo de si.
oOoOoOo
Talvez se Kamus e Milo tivessem ficado na cozinha, o barulho das risadas e gritos divertidos dos quatro brincando na neve lá fora não os atrapalhasse tanto assim como no quarto. Milo foi até a janela espiar o que estava acontecendo e, voltou para sentar-se na cama com um sorriso nos lábios.
- Nunca vi Yuki brincar como estava fazendo por aqui. Devo dar créditos por sua idéia de ter convidado Shun e Hyoga para virem para cá.
- Mon scorpion, eu tinha certeza que eles se dariam bem... Bastava um pouco de tempo. – Kamus sorriu colocando o CD que tinha ganhado para tocar. Os metais começaram a tocar, ao fundo uma melodia baixa, ele não gostava de nada muito alto, a voz melodiosa cantando em francês fez com que Milo encarasse o namorado. Sorrindo o ruivo o informou. – Edith Piaf... Meu CD estragou depois de cair escadas abaixo e, Shun viu... – Beijou devagar os lábios rubros do escorpiano. – Creio que ele non se esqueceu e voilà.
- Hmm... Ainda bem que Shun deve ter escolhido seu presente...
Arqueando as sobrancelhas, o ruivo o encarou. – Que foi? Non gostou do casaco que ganhou deles?
- Até gostei... O que não gostei foi da brincadeira no bilhetinho que Hyoga fez. – Milo fez um bico de chaleira. – Mas ele me paga... Tem troco.
- Milo... Non adianta fazer isso ou ficar com esse bico. – Deu-lhe um selinho rápido e, o olhou diretamente nos olhos. – O que Hyoga aprontou agora?
Sem dizer uma só palavra, mostrou o bilhetinho com a letra caprichada do antigo aprendiz do namorado. Kamus leu uma vez, riu de lado, leu novamente e sorriu abertamente. – Ora, Milo... Ele apenas disse que talvez você devesse dormir usando o casaco...
- Te chamou de cubo de gelo... – Milo falou com desdém.
Rindo Kamus nem se abalou e o abraçou. – Pobre, ele non sabe o que fala, non é verdade? – E com um sorriso sacana nos lábios deu-lhe uma piscadela.
- Kamy, quem deveria fazer isso era eu... – Riu-se e o beijou apaixonadamente. Devagar retirou a fita que fora colocada prendendo os cabelos cor de fogo e, sorriu assim que seus lábios se separaram. – Esqueci de tirar o laço de meu presente ontem à noite!
- Milo...
- Ora francês, mas é verdade...
- Yuki me colocou isso nos cabelos... Estranho os rompantes de brincadeira dela.
- Kamus, ela não é de toda séria... – E vendo o jeito sério com que era olhado, emendou. – Está bem, ela é séria por demais, mas lembre-se, ela está comigo e não há como ela resistir ao meu jeito...
Revirando os olhos, Kamus sorriu e mudou de assunto. – Obrigado pela garrafa de vinho, eu amei.
- Que tal abrirmos a garrafa hoje a noite? – Milo o encarou, passou a língua pelos lábios em uma provocação muda e, jogou seu charme sobre ele.
- Non... Podemos abrir a garrafa em uma ocasião especial. – Kamus respondeu pensativo.
- E o que seria melhor que hoje, só nós dois...
- Oui, só nós dois, Hyoga e Shun no quarto ao lado e as petites no quarto no final do corredor. – Respondeu sério.
Milo fez bico e, segurou-se para não estragar o dia. Quase contando até dez, o que para ele era muito difícil, voltou a comentar sobre os presentes de todos e da felicidade das pequenas. – Yuki e Yoru ficaram tão felizes... Você teve uma ótima idéia, francesinho.
- Fico contente também, Milo. – E dirigindo-se até a janela, olhou para baixo e sorriu. – Pelo visto vão demorar muito para pararem de brincar, non acha? – Perguntou ao fechar as cortinas e voltar-se para encarar Milo nos olhos. Um brilho matreiro iluminava-lhe os orbes rubros.
- Talvez demorem um pouco e... – Milo entendeu onde o namorado queria chegar e, sem dizer mais nada, seguiu até a porta e a trancou com a chave, quando voltou-se para olhar na direção de Kamus, segurou a respiração. – Isso só pode ser um sonho! – Deixou escapar um palavrão em grego em seguida e, novamente devorando o corpo nu do ruivo com os olhos.
Com o dedo indicador levantado, Kamus o balançou de um lado para o outro. – Non pode falar palavrão, Milo... É muito feio... – Sorriu ao perceber o olhar bobo que lhe era dirigido. – Vai ficar muito tempo parado, ou vai aproveitar que estamos sozinhos?
- Francesinho, você não era assim! – Milo comentou arrancando a roupa rapidamente.
- Que posso fazer, mon amour, é a convivência. – Respondeu o abraçando e, sem dar-lhe tempo para falar mais nada o calou com um beijo.
- Devo ter sido muito bom esse ano que passou... – Milo comentou com um sorriso traquina. – Papai Noel me deu o melhor presente e, este sem sombra de dúvidas é meu melhor Natal. – Rindo, empurrou Kamus para a cama e deitou por cima dele. - S'agapo, francês. – Sussurrou bem próximo ao ouvido do ruivo, que estremeceu ao sentir o hálito quente tão próximo do local erógeno.
- Je t'aime, mon scorpion! – Beijou-o com volúpia e sofreguidão. As mãos de ambos percorrendo caminhos já conhecidos e trocando carícias mais ousadas.
- Kamy... Vamos ficar na cama o dia todo? – Milo murmurou ao conseguir colocar uma perna entre as do amado.
- É tentador... Hmm... Talvez... – Ronronou o francês mordiscando o ombro bronzeado e se entregando as carícias.
Lá fora as brincadeiras e os risos continuavam, mas pareciam não mais atrapalhar ao casal no quarto...
oOoOoOo
- Onde será que estão Kamy e Mi-Sama? – Perguntou Yoru ao entrar na cozinha. Em seus calcanhares Kitsune a seguia de perto.
- Não faço idéia, Yo. Esqueceu que estava lá fora junto com você, Hyoga e Shun? – Yuki perguntou checando as horas no relógio de parede. – Estranho eles ainda não estarem aqui na cozinha.
- Vai ver estão lá em cima. – Shun olhou para Hyoga, que apenas com um olhar entendeu o que poderia estar acontecendo e saiu sem dizer nada. – Vamos lá, mocinhas, precisamos alimentar o pequeno Kitsune, pois ele está em fase de crescimento e, deve estar morrendo de fome.
- Isso, eu vou colocar para ele. – Yoru correu pegar o pacote de ração e o pratinho.
Com a ajuda de Shun e os olhares atentos de Yuki, finalmente Yoru colocou o pratinho de Kitsune no chão e o deixou comendo enquanto ia lavar as mãos e tentar descobrir onde os mestres estavam. No meio do caminho ela encontrou Hyoga que já sabia onde eles se encontravam.
- Milo e Kamus já vão descer Yo, estavam guardando algumas coisas.
- Ah! Tudo bem, Hyoga... Eu preciso ir até o banheiro lavar minhas mãos. – Yo respondeu entrando no banheiro e fechando porta.
Não demorando muito no banheiro, Yoru saiu apressada e acabou por dar um encontrão. – Aii... Será que é só comigo que acontecesse essas coisas? – Perguntou alto, depois de ter conseguido segurar-se no corrimão de madeira. Olhando sem graça para quem poderia ter sido o 'muro' que a fizera quase cair, arregalou os olhos ao ver Kamus e Milo muito próximos.
- Yoru... Quantas vezes falei para non correr dentro de casa? – Perguntou Kamus a encarando e afastando-se um pouco de Milo.
- Muitas vezes... Me desculpe...
- Kamus... Sem ranhetísses hoje, por favor... – Milo pediu pegando Yoru pelas mãos e a tirando de perto do ruivo. – Venha, Yo... Você vai me ajudar na cozinha agora.
- Oba! – Yoru sorriu divertida e, seguiu o escorpiano aos pulinhos. – Mi-Sama, já dei ração para o Kitsune.
- Sozinha? – Perguntou Milo a encarando e a colocando de cavalinho em suas costas quando chegou às escadas.
Rindo Yoru segurou-se, passando os braços pelo pescoço dele e olhou para baixo. – Não, Shun me ajudou, ainda tenho muito que aprender.
- E tem mesmo... – Milo sorriu descendo as escadas aos pulos.
Kamus os seguia de perto em silêncio. Balançando a cabeça negativamente, não sabia naquela hora quem era mais criança ali... Se Milo, que descia as escadas parecendo um cavalo a galope, ou se Yoru que ria divertida. Um sorriso descontraído surgiu-lhe nos lábios. – "Amamos essas petites, o que podemos fazer se elas despertam em nós o que está guardado de mais secreto!" – Pensou os seguindo a certa distância.
Na sala três pares de olhos pareciam não acreditar no que estava acontecendo. Milo deu uma volta toda na sala trotando como um cavalo. Os risos de Yoru misturando-se com os de Shun e Hyoga. Kamus ficou recostado no começo do corrimão, apenas apreciando a cena.
- Mais, Mi-sama... – Pediu Yoru sorrindo.
- Ah, gostou né danadinha? – Milo gracejou, continuou correndo pela sala como se estivesse em um galope.
Arqueando uma sobrancelha Yuki, sentindo uma pontinha de ciúmes, torceu os lábios ao ver a irmã pendurada nas costas de Milo. – Yo, você não acha que é grandinha para brincar de cavalinho?
Milo parou no meio da sala e a encarou sério, mas antes que ele falasse alguma coisa, Kamus se aproximou da garotinha e a puxou para si. – Non fique com ciúme... – Deu-lhe uma piscadela. – Nessa brincadeira nós também podemos brincar.
- Mas... – Yuki não teve tempo de reclamar, pois já era alçada do chão e colocada sobre os ombros do ruivo. Rindo muito, soltou as mãozinhas das dele e deixou-se contagiar pela alegria do momento.
Hyoga olhou para Shun parecendo não acreditar no que via. – Você imaginou alguma vez ver isso? – Perguntou perplexo.
Shun quase gargalhou, mas com apenas um sorriso meigo nos lábios balançou a cabeça positivamente. – Os tempos mudaram meu amor. – Murmurou para que somente o namorado ouvisse.
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As gostosuras que haviam sobrado da ceia só precisaram ser aquecidas novamente. Kamus e Milo, com as duas pequenas em seus calcanhares conseguiram fazer aquilo rapidamente, enquanto Hyoga e Shun acabaram por colocar os pratos, talhares e copos na mesa. Na hora do almoço, com a mesa posta toda a 'família' se reuniu. As pequenas ladeadas por Shun e Milo pareciam comer com gosto e, entre risos e conversas animadas o almoço transcorreu calmamente.
Apesar da descontração toda, Milo não conseguia tirar os olhos dos aros dourados que o casal mais novo estava usando. Em sua mente fértil, ele não conseguia entender como seu querido e amado francês não havia pensado em um presente igual. Sentia vontade de confrontar Kamus ali na mesa mesmo, mas não podia e, sabia muito bem por que.
"O que está acontecendo contigo, Milo? Perdeu o jeito, ou tudo isso é por causa das duas pequenas?" – Pensou o louro desviando os olhos para Yuki e Yoru. Sorriu. – "Sim... É por elas, mas esse francês aqui..." – Voltou seus olhos para o ruivo ao seu lado. – "Não me escapa... A não mesmo!"
À tarde enquanto as pequenas se divertiam com Kitsune na sala. Hyoga e Shun saíram para dar uma voltinha sozinhos. Kamus e Milo estavam na cozinha terminando de guardar as coisas, ou tentando, pois a cada dois minutos Milo o cercava para tentá-lo.
- Milo... – Kamus parecia estar perdendo a paciência. Encarava o namorado com os olhos apertados e os lábios contraídos.
Sorrindo meigamente, Milo o encarou com jeitinho angelical, escondendo suas segundas e terceiras intenções. – O que foi que eu fiz agora? – Piscou os olhos fazendo gracinha. O aquariano o encarou sério, mas desde quando aquilo era empecilho para o escorpiano? Aproximando-se devagar, cingiu-lhe a cintura e apenas roçou seus lábios nos de Kamus. – Você se preocupa demais, mon amour! E um dia vamos precisar contar toda a verdade para as pequenas...
- Sei disso, Milo... Mas ainda é muito cedo, non agora, non aqui. – Kamus o encarou sério e, estranhou ver o louro não tentar mais nada e retirar seus braços de onde estavam. Arregalando os olhos não entendeu por que ele se afastava, mas não era aquilo que ele queria? – Milo?
- Você tem razão, Kamus... Toda razão. – Respondeu chateado. Talvez nem fosse o fato das alianças que Hyoga havia dado a Shun... Ou talvez fosse... Milo só sabia que estava magoado, mas se ele não falasse logo o ruivo nunca saberia.
Kamus ficou sem ação. Não entendia o que estava acontecendo com Milo e, em silêncio terminou de lavar as louças. Pelo canto dos olhos observava atentamente os movimentos de Milo.
Assim que tudo foi arrumado na cozinha, Milo saiu em silêncio do local, não lembrando nem em sua sombra o escorpiano alegre e cheio de vida. Sentou-se no sofá perto das duas irmãs que brincavam e ficou prestando atenção nas duas. Evitava olhar para onde Kamus estava.
Decido a esfriar a cabeça, Kamus olhou na direção dos três próximos da lareira e avisou em voz baixa. – Vou dar uma volta, voltarei logo. – E não esperou por nenhuma resposta, saindo apressado.
Milo acompanhou-o com os olhos, deu de ombros. Sentia o coração protestar no peito, mas não iria atrás dele... Eles precisavam daquele tempo. Ele precisava daquele tempo. Pensativo, não prestava atenção em nada, nem soube dizer quanto tempo ficara com o olhar perdido em uma única direção.
- Mi-sama... Vem brincar com a gente! – Yoru o chamou. A pequena ria divertido tentando fugir dos dentinhos afiados de Kitsune.
Milo não respondeu prontamente, o que fez com que Yuki olhasse para ele. Esperta e observadora, a pequena ralhou com a irmã. – Deixa o Mi-sama quieto, Yo... Ele não quer brincar, não.
Milo encarou as pequenas, pela primeira vez em dias, ele tinha de concordar com a aprendiz, não sentia vontade de brincar. Queria ficar sozinho, sabia que deveria contar o que vinha acontecendo para o namorado, mas não tinha certeza de como a conversa seria recebida. Ele sabia que como todo bom aquariano, Kamus, que não dera-lhe uma aliança e sim uma corrente, fizera aquilo por que talvez lhe fosse mais viável. Ele queria sua liberdade e não amarrar-se a uma pessoa. Segurando a vontade louca de dizer a verdade para as pequenas, forçou um sorriso.
- Estou com um pouco de dor de cabeça, vocês ficarão bem se eu for me deitar um pouco? – Perguntou já levantando do sofá.
Yoru olhou para Yuki preocupada, era o jeitinho dela. Levantando-se de um pulo correu na direção do escorpiano o abraçando pela cintura e encostando o rosto na barriga dele. – Mi-sama, aconteceu alguma coisa? Mestre Kamy ralhou com você é?
Milo olhou para baixo, acariciou a cabeça da pequena e esticou o braço, chamando Yuki com o dedo indicador. A lourinha mais velha se aproximou e foi abraçada por ele. – Yuki, Yoru... Não aconteceu nada sério, as vezes os adultos se desentendem por pequenas coisas, mas não precisam se preocupar, está bem? – Olhou para elas e percebeu que Yuki era a mais desconfiada, o olhando seriamente. Engolindo a seco as soltou, baixou um pouco o corpo até ficar quase na altura delas e beijou cada uma na testa. – Não se preocupem, tudo vai melhorar quando a poeira baixar. – E sem dizer mais nada saiu da sala, subindo as escadas como se tivesse chumbo nos pés.
- Yu, será que vamos ficar sem nossa família? – Yoru perguntou ao pegar Kitsune nos braços.
- Não, eu tenho certeza que não. – Yuki respondeu pensativo. – "Mas alguma coisa aconteceu, e tenho certeza que foi por causa do anel que Shun está usando no dedo." – Olhou para a irmã e a puxou para sentarem-se no sofá. – Não se preocupe tudo vai acabar bem. – Acariciou a o cachorrinho no colo da irmã e sorriu tentando passar calma para a mais nova. Olhou para cima, pode ver quando seu mestre fechou a porta do quarto e suspirou. Não sabia o que fazer, mas faria alguma coisa.
oOoOoOo
Andando sem rumo certo, Kamus acabou por ir parar na parede de gelo eterno. Observando o paredão onde antigamente estivera a armadura de Bronze de Cisne, recordou-se de quando tudo aquilo começara.
"Milo... No começo éramos apenas amigos, nada mais que bons amigos... Depois de tanta convivência, das horas e até das noites passadas juntos jogando conversa fora, ou mesmo te curando as bebedeiras conseguidas em noitadas, acabamos, ou melhor... Você conseguiu me fazer enxergar o que realmente eu tentava não admitir. Amo seu jeito de ser, amo quando me tira do sério, me agarrando em lugares que não deveria fazer isso. Então o que aconteceu hoje se tudo estava bem?" – Os pensamentos pareciam deixar o ruivo mais sem entender a situação. Em seu mundinho fechado, onde somente as pequenas e Milo conseguiam entrar, ele nem havia notado que o motivo do estranho comportamento de seu namorado fosse um par de alianças expostas nos dedos do casal mais novo.
Formando um prisma de gelo em uma das mãos, o lançou longe tentando descontar a raiva e a frustração sentida no pequeno pedaço de cristal. Voltou a andar, mas desta vez em direção contrária a que viera, queria ficar um pouco longe do escorpiano para não se desentenderem.
oOoOoOo
Assim que saíram de casa, Shun e Hyoga caminharam de mãos dadas pela neve. O virginiano não saiba para onde estavam indo, mas não se importava em saber desde que fosse com seu querido noivo.
- Hyoga, onde estamos indo? – Perguntou não conseguindo agüentar sua curiosidade.
- Dar uma volta. – Sorriu o encarando, no bolso da jaqueta que colocara, somente por colocar, a máquina fotográfica de última geração que havia ganhado dele. – Queria também experimentar meu presente de Natal. – E mostrou a máquina.
Shun sorriu divertido. – Então gostou do meu presente?
Hyoga o encarou e o abraçando, esticou o braço batendo uma foto. – Claro que sim... – Riu divertido. – Agora vem, vamos que quero te mostrar onde Kamus, Isaac e eu morávamos antes. Tenho certeza que o casebre ainda está em pé. – Sorriu malicioso.
- Hyoga... O que está pensando? – Shun perguntou desconfiado.
- Estou apenas querendo te mostrar o local... – Sorriu matreiro. – Apenas isso... – Acariciou as costas do virginiano e o puxou para um beijo, que foi correspondido com igual vontade e paixão. – Vamos... – Convidou após se separarem. – Ou vai ficar muito tarde.
Acompanhando o namorado, Shun já sabia mais ou menos o que Hyoga tinha em mente. A tarde prometia...
Continua...
oOoOoOo
Traduções:
Mon scorpion, ton poison est ambroisie pour moi¹ Meu escorpião, seu veneno é Ambrósia para mim.
N/B:
Nhaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Eu demorei a betar mas ta PERFECT -
Algumas partes eu já sabia, mas ao ver essas partes na fics e td mais ficou tão fofoooooooooooooo
E ao mesmo tempo me deu um dó de Milo -
Yu é esperta hehehe gosto dela ahahahahahahahha
Perfeito Mokoninha adorei
Beijocas.
N/A.:
Putz, é foi um capítulo muito longo e que eu achei que conseguiria terminar a fic, mas parece que não dá vontade de escrever "FIM"... Bem, mas ai está mais um no ar. Perdoe-me pela demora, mas tive falta de inspiração e meu e-mail ficou maluco não anexando o arquivo para mandar a Pan... Espero que todos gostem e, please... Deixem review... Me façam feliz! XD
Obrigado a todas as pessoas que acompanham a fic e não deixam review, muito obrigado mesmo.
