Título: Olhar e Tocar

Beta: Scheila Potter Malfoy


Capítulo 10 – Memórias Obscenas.

Maxmillian olhou à lareira pela décima vez nesse dia. Depois que conversara com Draco, as horas pareciam não passar e o tempo lhe era cada vez mais cruel.

Queria poder ficar olhando aquele rosto aristocrático, ouvindo a voz rouca ou sentindo o perfume que se desprendia naturalmente daquele corpo.

Aproximou-se da lareira e tocou em sua Snitch Dourada. Assim que seus dedos a envolveram, as finas asas se abriram.

Então sentiu que uma forte magia se rompia dentro do corpo. Afogou um gemido de dor e sua vista distorceu num forte mareio, quando dera por si estava no chão, sem forças para se levantar.

- Seve... rus... –Chamou, mas sua voz saiu tão baixa que ele próprio mal conseguiu ouvi-la.

Seus olhos focaram o lampejo da snitch que sobrevoava sobre seu corpo e as lembranças foram aos poucos se aclarando em sua mente, como se submergissem do profundo vazio de suas memórias.


Harry desceu para a Sala Comunal assim que Ron também havia descido. De baixo da árvore natalina havia presentes. Ficou olhando tudo aquilo com deslumbramento, afinal, nunca havia visto decoração tão grandiosa.

- Vai ficar só olhando Harry? Não vai abrir seus presentes?

- Eu também ganhei presente? – Perguntou surpreso. Quem lhe daria presentes se nem sequer seus tios lhe davam algo, apenas as roupas velhas de Dudley.

Ron logo lhe passou alguns pacotes com seu nome. Abriu-os com pressa, sentindo-se mais criança que o ruivo. E foi assim nos decorrentes anos...

Um suéter, uma capa, uma vassoura, uma snitch...

A Snitch de James Potter, seu pai...

E sorriu feliz...

Em seu quarto ano, depois de passar por todas as encrencas do Torneio Tribruxo ficou um tempo sentado num canto da torre de Astronomia e camuflado por sua Capa de Invisibilidade. Queria paz e tranqüilidade para refletir.

Cedric havia morrido, sua primeira paixão foi um fiasco e percebeu que tudo que lhe acontecia era planejado por alguém.

Retirou do bolso a snitch e a observou com atenção. O que seu pai faria nessas horas?

Queria poder conversar com ele... Ouvir sua opinião, seus conselhos de pai...

Enquanto refletia consigo e se entristecia por não ter ninguém próximo para que pudesse correr em busca de apoio, o viu entrar.

Terry Bolt caminhou até o centro do salão e ali se acomodou, abrindo um amplo mapa astrológico e armando um cavalete que sustinha um pequeno telescópio.

Sorriu, pois ele só podia ser um Corvinal, louco por estudos e coisas complexas. Ficou ali quieto o observando e de repente, não se sentia tão só assim.

Passou a freqüentar a torre todas as segundas-feiras, o mesmo dia em que Terry freqüentava e assim, surgiu um estranho relacionamento.

Quando resolveu por esperá-lo sem a Capa, quase riu alto pelo semblante assustado que se formou no rosto do corvinal, mas ele logo a quitou para abrir um pequeno sorriso, afinal, ali estava ninguém menos que o próprio Harry Potter.

Enquanto o rapaz fazia seus cálculos astrológicos ele apenas ficava ali observando os pontos luminosos com tranqüilidade e de vez em quando conversavam.

Essa amizade durou os próximos dois anos, muito mais do que eles julgaram que fosse durar.

- O dragão... – Terry sussurrou.

- Como? – Harry focou sua atenção ao seu acompanhante.

- A constelação do Dragão está apagada essa noite. – Observou seu mapa astral com o cenho franzido. – O que não deveria, somando o ano, o mês e o dia. Conforme a lua que se alinha em sagitário e o sol em leão, deveria ser uma época de mudanças boas principalmente para os nascidos de gêmeos...

- Não entendo. – Harry fez uma careta. Eram cálculos demais.

- Existem épocas em que os planetas e os satélites se alinham entre si, assim como com o sol. Tem constelações que somem e não podemos vê-las da Terra, algumas ficam bem distantes conforme a rotação do planeta e existem aquelas que reluzem com mais intensidade. É isso que eu quis dizer, era para a constelação do Dragão estar mais reluzente esse ano, mas ela está apagada, quase desaparecendo.

Harry o olhava com surpresa e quando teve a atenção do rapaz em si, lhe sorriu com admiração.

- Seu lado intelectual até que tem seu charme.

Terry simplesmente ficou vermelho. Depois desse dia, não eram mais amigos, e sim compartilhavam um romance às escondidas.

Quando cursava o meio do sexto ano, Harry chegou um pouco mais cedo que o outro e o aguardava debaixo da Capa e observando a snitch.

Sorriu com carinho e focou o céu estrelado.

- Estou quase namorando sério. Acho que pedirei isso hoje. O que acha pai? Sírius? –E seus olhos buscaram a constelação de Cão Maior.

Foi nesse instante que alguém entrou. Olhou com alegria, achando que era Terry, mas quem estava ali não era um corvinal e sim um sonserino.

Ergueu-se em apreensão e sem perceber derrubou a snitch em seu movimento.

Malfoy parou de andar no instante em que ouviu o som da pequena e dourada bolinha cair no chão e rolar. Seus olhos logo buscaram o que era e a focou se aproximar lentamente de seus pés.

E ele estava estranho...

Harry ficou paralisado o observando. Nunca viu Malfoy dessa forma tão perdida e abandonada.

A luz da lua dava um ar mais triste em toda a composição de seu corpo esbelto. O cabelo platinado estava desgrenhado e caiam por seu rosto. Seus olhos tinham um brilho superficial devido às lágrimas não derramadas e estava mais pálido que o normal.

O loiro esperou a pequena bolinha bater em seu pé e parar para assim poder pegá-la. A trouxe na altura de seu rosto e a observou confuso. Logo as finas asas se abriram produzindo um suave som.

- Uma snitch? – Seus olhos procuraram ao redor, com receio de ter alguém mais ali, mas o salão de astronomia era quase isento de móveis que poderiam esconder alguém por muito tempo e realmente, ninguém veio lhe reclamar a pequena esfera dourada, muito menos lhe dar detenção.

Voltou sua atenção à pequena bolinha e finalmente um incerto sorriso se formou em seu rosto. Abriu os dedos e a viu alçar vôo, girando por seu corpo.

Harry ficou observando como seus olhos prateados seguiam a veloz snitch, uma mostra que não era Apanhador por influencia de seu pai, como eles haviam julgado no início. Malfoy possuía um excelente reflexo quando queria, assim como o viu passar de triste e distante a divertido e atento.

- Venha. – Ele ordenou estendendo a mão aberta e a snitch voou em sua direção, sobrevoando sua palma a milímetros de distancia. Girou a mão fazendo com que a bolinha alada voltasse a tomar o espaço em volta de si, num giro quase imperceptível.

Malfoy voltou a sorrir. Adorava o Quidditch e tinha um apreço maior pela Snitch, não por ela ser o trunfo do jogo, mas por ser a cobiça dos Apanhadores, quando em campo, a atenção era voltada somente nela, tão pequena... E quando sua atenção ficava sobre ela, não existia mais nada, além, claro, do imbecil do Potter.

Estava tão distraído que só foi notar que alguém entrava no salão quando Terry Bolt parou no batente, o olhando com surpresa. Sua destreza de apanhador logo ficou em evidência quando sua mão cortou o ar tão rapidamente e aprisionou a snitch em seu vôo.

Olhos prateados confrontaram o outro rapaz.

Terry apertou os lábios com raiva. - Saia daqui Malfoy! – Desferiu carregado de irritação – Esse terreno é meu e ainda estamos em horário livre.

O loiro apenas estreitou os olhos. – Você é mais sujo do que eu Terry... –Disse calmamente. – Não precisa estar na Sonserina para ser um réptil asqueroso e vil.

- Não sei do que está falando.

Harry franziu o cenho observando como o rosto do corvinal era isenta de emoção, parecia mais frio do que o próprio Malfoy. Comparou melhor. Malfoy era frio e inexpressivo, mas tinha um fogo que lhe escapava pela mirada. Um fogo intenso e condensado. Terry era frio e duro, mais parecido com uma rocha ou um bloco de gelo, isento de qualquer compaixão ou outro tipo de emoções apaziguadoras.

Então soube as diferenças entre as quatro Casas. Antes, não chegava a envolver Corvinais e Lufa-Lufas na rivalidade entre Grifinória e Sonserina, mas ali, pôde realmente envolver as demais divisões de Hogwarts.

Sempre soube que os lufanianos eram movidos pelo sentimento, mas seu erro foi achar que os sonserinos eram os opostos, isento de sentimentos e emoções, e estava errado. Os opostos dos lufanianos eram os corvinais, racionais, materialistas e intelectuais que levam a frase ao pé da letra; "A razão vem acima da emoção". E não havia disputa entre essas duas Casas por exatamente isso. Rivalidade era algo que se leva pro lado emocional e Corvinal não leva pra esse lado, eles simplesmente ignoram seus opostos.

Mas Grifinória e Sonserina transbordam rivalidade por serem dominados pelas emoções, mas enquanto os grifinórios são emotivamente explosivos, os sonserinos eram mais emotivamente racionais.

Leões e Serpentes levavam muito pro lado pessoal e não mediam esforços em se confrontarem com tudo e com empenho.

Viu ainda surpreso, quando Malfoy passou arrogantemente ao lado de Terry e alcançava a porta da torre de Astronomia e em como, no rosto cínico do corvinal, surgia um sorriso de vitória e não ia deixar que o loiro saísse sem levar uma.

- Ao menos sou mais competente que você, seu merdinha, em levar a cabo minhas missões e sair com crédito para com o Mestre. – Nesse momento os olhos de Harry se abriram mais, percebendo enfim, do que estavam faland.o – Seu pai dizia na frente de todo mundo o quanto você era uma decepção, e pelo visto, morrerá sendo um fracassado.

Malfoy parou na porta e apertou os punhos.

- Por acaso conseguiu descobrir as fraquezas de Potter? Eu duvido muito.

O corvinal sorriu mais abertamente. – Estou fazendo muito mais que isso. Mais um pouco e ele terá plena confiança em mim se é que já não tem, coisa que você nunca conseguiria, por ser tão idiota em rivalizar com ele e muito burro, por não ter a minha capacidade de planejamento. Agora some, tenho coisas que fazer e logo meu quase namorado virá me ver.

- Uma hora ou outra, ele saberá, porque ele é Harry Potter. – O loiro pronunciou em tom baixo antes de deixar o lugar.

- Ele é tão previsível quanto você. –Oo outro retrucou quando já se encontrava sozinho.

E Harry apenas ficou ali, baixo à capa e refletindo consigo. Era tão imbecil! Depois que Terry se foi, por já ter passado muito do horário de encontro, voltou a cair sentado e fitou as estrelas.

Mais uma vez sendo enganado... Então se lembrou da snitch e quis seriamente se espancar. Malfoy havia levado embora a snitch de seu pai, e nem tinha idéia de como faria para conseguir ela de volta.

Nos dias que se seguiram Terry começou a se desesperar, pois não dava mostras de querer se encontrar com ele. Descobriu que Malfoy freqüentava o banheiro dos monitores depois do toque de recolher e passou a freqüentar também, no intuito de conseguir a snitch de volta.

O loiro simplesmente fazia strip-tease ao se despir e não se importava em ficar com o corpo à mostra. Muitas vezes tivera que morder o lábio inferior para não escapar suspiros ao ver aquele corpo pálido em movimento.

O mais perturbador era que Malfoy não largava a snitch enquanto se banhava. A pequena esfera ficava sobrevoando ao seu redor ou dentro da água.

Nunca conseguiria resgatar sua snitch.

Quando tomou coragem em sair de sua invisibilidade e enfrentar ao loiro para que lhe devolvesse o que era seu, o viu se erguer e caminhar pela água até o centro, onde a água caía como cascata.

Seu corpo estava todo ensaboado então deduziu que ele fosse se livrar do sabão.

- Quando vai tomar coragem e me obrigar a devolver o que é seu? – O loiro soou divertido enquanto sentia a água deslizar por seu corpo.

Harry simplesmente ficou branco e com a respiração suspensa. Desde quando ele sabia que estava ali?

- Ou será que está aqui só para me ver? Não conhecia este seu lado voyeur. – Acrescentou, já que Potter não deu sinal de vida. – Te excita observar os outros?

- Só quero minha snitch Malfoy... – Resmungou ainda camuflado pela capa, o rosto pegando fogo de vergonha. – Poderia me devolver?

Draco sorriu com malícia e apanhou a esfera dourada assim que esta cruzou pelo seu lado. Seus olhos se dirigiram ao lado em que tinha certeza que Potter estava.

- Vem pegar.

Harry arregalou os olhos quando Draco lhe deu as costas e se inclinou contra a beira da banheira, lhe dando total visão de seu traseiro e sua intimidade. O viu mergulhar a snitch no sabonete líquido e a levar bem lá.

- Oh Merlin! – Deixou escapar de modo assombrado. Ele não faria isso que estava pensando que ele faria! Ele não seria capaz!

Draco esfregou a pequena esfera em seu orifício antes de forçá-la a penetrar.

- Aaah... Hn... – Vergou as costas e arrebitou mais o traseir.o – Isso dói... – Choramingou de modo sensual.

Harry estava escandalizado! Como aquele troço, do tamanho que era, caberia em algo tão mínimo como o cú de Malfoy? Então percebeu que aquilo sim entrava, quando o loiro levou sua mão livre a apartar um lado das nádegas e forçou um pouco mais, soltando gemidos de dor e satisfação.

Não resistiu e levou sua mão ao pênis já ereto e o pressionou dolorosamente quando viu o cuzinho se dilatar e a snitch praticamente ser engolida por ele e desaparecer. No instante em que a musculatura anal, bem irritada e avermelhada, se fechou com sua snitch dentro, suas calças praticamente empaparam de sêmen.

Havia gozado só de ver aquilo!

- Pegue se for capaz... – Draco olhou por sobre o ombro, os olhos lacrimosos, as bochechas contendo um gracioso tom róseo, a respiração agitada, o cabelo molhado e gotejante a lhe cair pelos olhos lânguidos e obscurecidos pela luxúria.

Completamente constrangido, saiu correndo desejando se perder por Hogwarts e dando graças por estar camuflado em sua capa.

Depois desse dia milhões de Dracos pervertidos passaram a habitar sua mente como uma praga.

Estava demente, sua vida ficou completamente sem sentido e estava sem a snitch.

Na aula de poções, Malfoy deu de querer tampar seu frasco com uma rolha muito maior que o gargalo e, como se não bastasse, mordia o canto do lábio inferior enquanto movimentava o pedaço enorme de cortiça para cima e para baixo contra o apertado gargalo.

Era demais para sua sanidade mental. Ergueu-se num rompante de nervos e gritou o máximo que conseguiu antes de deixar a aula na maior das velocidades, tudo para que ninguém percebesse o vulto avantajado que tinha entre as pernas.

- Cento e cinqüenta pontos a menos para Grifinória... – Ainda chegou a ouvir Snape dizer em meio aos chamados assustados de seus amigos.

E foi assim que continuou sem a snitch, sem a capacidade de pensar e completamente apaixonado por Malfoy.


- Max! – O chamado o fez sobre-saltar de susto. Piscou algumas vezes e focou seu padrinho.

- Severus... – Estava nitidamente assustado.

- O que aconteceu? – O velho professor o levitou até o sofá, onde o deixou acomodado. Logo passou a fazer exames para ter certeza que estava bem.

- Pobre Max... – Remus segurou a mão do moreno, como forma de apoio enquanto Snape terminava de fazer os feitiços. – O que houve?

- Não consigo me mover... E me sinto fraco... – Respondeu, os olhos ainda presos em Snape.

- Ministrarei uma poção para ver se te ajuda a recuperar energia.

- Eu me lembrei de algo...

Os dois homens ficaram tensos e em expectativa.

- O que exatamente? – Severus perguntou.

- Draco mais jovem, um castelo, uma sala de aula e em você...

- Hogwarts! – Remus se alegrou um pouco. – Lembra de mais alguma coisa?

- Alguém chamado Potter e um tal de Terry e... –Seus olhos buscaram a esfera dourada. – Minha Snitch e Draco. Ele estava sempre presente. – Corou um pouco ao se lembrar em como ele estava presente nessa estranha lembrança. – Quero vê-lo Severus! Quero ver Draco.

O seboso professor franziu o cenho e olhou para Lupin.

- Um momento Max. –Se desculpou arrastando Remus para longe.

- O que foi? – O castanho o olhou estranhado.

- Ele está se perdendo. – Sussurrou, vendo como o outro arregalava os olhos e se angustiava. – Não consegue se mover porque está sem magia e sua vida aos poucos está deixando seu corpo.

- Será que está retornando ao Harry? – Tentou ver o lado positivo disso.

- Duvido muito, pois foi magia que os separaram e certamente só magia para uni-los. Ele está morrendo Lupin... Eu cuidei dele durante nove anos e agora ele está morrendo e não para voltar ao corpo verdadeiro, mas para deixar de existir completamente.

O castanho sentiu uma enorme compaixão por Snape. Nove anos era muito tempo para perder alguém assim, sem mais nem menos. Sabia que Severus estaria conformado se Maxmillian retornasse a Harry, mas isso não estava acontecendo.

- Ele pediu para ver Draco e faremos isso. Talvez seu afilhado saiba o que fazer, pois na mente de Max, Draco Malfoy estava sempre presente.

Snape apenas concordou, antes de voltar para o lado do rapaz.


Draco estava jantando com Harry. Como nenhuma das roupas do moreno serviu em si, tivera de continuar vestindo apenas uma camisa, para deleite do anfitrião. Ainda estava puto da vida com isso e não se dignou a falar com o outro até agora, então seus olhos pousaram nos ovos cozidos e sorriu um pouco.

Apanhou um deles e viu como eram brancos e lisos. Havia assistido a um filme dias atrás na televisão de Harry em que uma mulher introduzia aquilo na vagina. – Você comeria isso se eu colocasse em meu cú e o botasse como uma galinha?

Harry engasgou na hora, não agüentou e começou a tossir e rir ao mesmo tempo.

- Depois eu que sou um depravado.

- Você ainda não me respondeu. – O loiro o olhou nos olhos.

- Talvez...

- Mentiroso... –Estreitou os olhos.

- Eu literalmente enfiei a língua em seu cu, Malfoy. Por que não faria isso?

- Não sei... – Deu de ombros. – Tem gente que acha isso nojento.

- Pra mim dá na mesma lamber, chupar, comer... –O moreno observava o ovo entre os dedos de Malfoy. – Aliás, você fez algo parecido uma vez.

- Eu? – Sentiu-se insultado. – Eu nunca botei um ovo seu idiota!

- Não digo com o ovo. – Rolou os olhos com enfado.

Draco ergueu uma sobrancelha e buscou na memória rapidamente. – Oh...

- Lembrou?

- Oh sim... Devo ter feito isso umas três vezes. Comecei com morangos, depois com uma trufa de chocolate...

Harry negou com a cabeça ainda rindo. – Eu me referi a Snitch. Onde está minha Snitch?

Malfoy ficou um tempo pensativo.

"Lágrimas escorriam por seu rosto, mas não soltava um único soluço. Eram lágrimas silenciosas de um corpo ferido que sangrava por dentro.

Voldemort deixou a cama e se foi para seu alívio. Encolheu-se em si mesmo e ficou apenas assim, de olhos abertos na escuridão, agradecendo por não poder ver nada, ou odiaria seu próprio corpo.

Estendeu a mão e pegou de debaixo da cama sua antiga capa estudantil, agora mais se assemelhava a um trapo velho sem valor.

Vasculhou no bolso e apertou entre os dedos a fria esfera e isso lhe fez sorrir. Puxou o objeto de encontro ao peito e se recordou do campo de Quidditch, do vento batendo em seu rosto e da adrenalina enquanto perseguia a Snitch...

E Potter...

Quando a imagem do moreno de olhos verdes sobrepujou todas suas recordações, seu sorriso morreu aos poucos.

- Precisa vencer... – Murmurou baixinho. – Não agüento mais...

Todas as noites, quando era largado sozinho em seu quarto com o corpo dolorido, vestígios de sangue, esperma e odor repulsivo a sexo, seu consolo era aquela bolinha alada.

Quando escapara de Hogwarts não havia pego nada de suas coisas e apenas se manteve com a roupa do corpo e o que tinha dentro dos bolsos. A snitch vivia consigo e agora era o único elo que o ligava ao passado, em sua vida de estudante, em sua idade de adolescente...

Às vezes se sentia tão velho e que os anos passaram tão longos que por pouco não se perdia no tempo. Hogwarts havia se tornado apenas uma vaga lembrança".

- Draco? – Harry abanou a mão frente ao rosto do loiro.

- Chega uma hora em que você apenas faz, como se sua alma não estivesse em seu corpo. – sorriu com ironia. – Como se seu coração estivesse muito longe e trancafiado que o que passa com seu corpo é apenas uma rotina diária e que na hora seguinte ao sexo, você simplesmente se esquece que isso aconteceu.

- Do que está falando? – Franziu o cenho, confuso com a mudança de assunto.

- Nada seu burro troglodita. – Debochou com um sorriso afetado. – E lembre-se, pra você eu sou Malfoy.

- Vá pra merda Malfoy. E diz, onde está minha Snitch!

Draco sorriu com suficiência se levantando da banqueta. – Eu a perdi. – Então se lembrou de ter visto ela na casa de Maxmillian.

Quando escapara de Voldemort a única coisa que se dignou a levar consigo era aquela esfera dourada. Estava com ela até chegar a seu quarto na Mansão Malfoy, mas depois...

- Que porra Malfoy! Era a lembrança do meu pai! – Harry o puxou pelo braço e o obrigou a sentar em seu colo. – Pagará caro por perdê-la.

- E como seria meu castigo? Vindo de algo como você, que nem se deve classificar entre os seres racionais.

Ergueu o queixo e o enfrentou desafiante, quando as mãos de Potter o agarrou pelas pernas puxando com violência e deixando-o numa posição bem obscena.

Estava sentado ao colo do moreno, as costas apoiadas em seu peito e as pernas escancaradas. Uma delas jogada sobre o balcão e a outra prendida pelo braço de Harry.

- Quero vê-lo botar o ovo, como me propôs. – Disse simplesmente pegando um de dentro da travessa com a mão livre.

- Nem nos seus mais pervertidos sonhos. – Tentou se livrar do agarre.

Harry sorriu maliciosamente e resolveu lamber a orelha que lhe assediava perto da boca. Quando a atenção do loiro foi distraída nesse ponto, levou o ovo em direção à entrada e penetrou dois dedos para abrir o canal e enfiar sem que despedaçasse.

Draco gemeu ao sentir que lhe introduzia aquilo, agarrou com força aos braços do moreno já ficando excitado, quando um tremendo berro os congelaram.

- QUE POCA VERGONHA ESTÃO FAZENDO EM PLENA MESA DE JANTAR! POTTER SEU DESCARADO SEM-VERGONHA!

Harry girou na banqueta ainda agarrado a um literalmente vermelho Malfoy baixo o olhar ultrajado de Snape, quem lhes gritara a todo pulmões e de Remus, quem nessa hora já estava de costas e completamente constrangido. O ovo parcialmente introduzido em Draco pulou pra fora e caiu aos pés de Severus, quem espremeu ainda mais os lábios.

O loiro gritou e se debateu até ser solto por um frustrado Potter.

- Seu desgraçado! Me fez passar vexame bem na frente do meu padrinho! – Malfoy desferiu com raiva e chutou a perna de Harry antes de sumir pro seu quarto.

- Puta merda... – Grunhiu massageando o lugar atingido por Draco e lançou um olhar revoltado a Snape – Você é bem broxante seu cara de cú chupando manga. Não podia aparecer em outro momento?

O olho esquerdo de Snape se encrespou e apertou os punhos.


- Ooh porra! Merda! Caralho! – Reclamava deitado em sua cama.

- Eu avisei Harry... – Remus suspirou olhando como o moreno agonizava – Não precisava ter xingado Severus daquela forma tão... Feia...

- Ele quem entrou em minha casa sem permissão, veio berrando como se tivesse direito e ainda por cima tentou me azarar!

- Correção Harry. Ele te azarou, e bem merecido – Lupin tivera que ser duro.

Snape havia lançado um feitiço de dormência mirando ao pênis de Potter, mas como este era rápido em perceber as coisas, tampou com a mão esquerda, agora estava sem os movimentos e o tato do braço e parte do ombro.

- O desgraçado ia inutilizar o meu pau! – Desferiu indignado. – Como ele ousou a sequer pensar em algo assim? E não foi um feitiço inofensivo, vê como ficou meu braço? Era capaz do meu pau ter caído se isso o atingisse!

- Não seja dramático! – Snape entrou pela porta e o olhou com repulsa e enojo. – Amanhã seu braço voltará ao normal.

- Oh, fico mais aliviado por isso! – Cuspiu com sarcasmo – Velho de merda...

- Harry, por favor, não complique mais as coisas... – Remus implorou.

Nesse momento a atenção de Harry foi para Malfoy, quem entrou atrás de Snape. O loiro estava completamente vestido com calça preta, camisa da mesma cor e uma suave capa em tom grafite com detalhes em prata. O cabelo platinado estava bem penteado e úmido pelo banho, presos numa coleta baixa por uma presilha de prata com brilhantes. Os sapatos eram sociais que fazia conjunto com o resto e nas faces, ainda mantinha vestígios de sua vergonha.

Depois de lançar o feitiço em Harry, Snape foi falar com o afilhado e o colocou a par dos acontecimentos, de modo rápido e vago, mas o fez entender que Maxmillian queria muito vê-lo e o fez aceitar em ir até ele.

- Estou pronto. – Disse ao padrinho.

- Aonde você vai? – Harry quis saber, seu instinto fazendo com que sua magia se alarmasse.

- Ele irá ver uma pessoa. Talvez não volte durante algumas semanas, mas Remus lhe deixará informado de seu estado e não se preocupe, estará bem cuidado.

- Não... – Sussurrou, os olhos ainda presos em Draco.

- Ele precisa, depois o traremos de volta – Remus tentou acalmá-lo.

- Não! – Disse mais alto, ainda encarando ao loiro.

- Ele não é propriedade sua por ser seu lacre! – Snape estava começando a se enfadar.

- Ele é meu e não vai me deixar pra ver porra de Maxmillian nenhum! – Gritou revoltado e sua magia logo se tornou agressiva contra Snape e Lupin. As portas e janelas se fecharam e lacraram com seu feitiço inconsciente.

Malfoy susteve essa mirada sem piscar. Estava assustado com o poder que desprendia do moreno, mas seu orgulho o empurrava a desafiar essa mirada esverdeada.

- Eu vejo o nome se formando em sua boca como se dissesse claramente o nome Maxmillian, toda vez que se lembra nele. Sei que quer ir vê-lo, sei que ele te atrai... – Harry estreitou os olhos, esclarecendo a pergunta de todos. – Posso sentir através de seu corpo e de sua magia...

- Eu vou pra onde eu bem quiser, Potter! Você não manda em mim. – Replicou com raiva. – E se eu quero ir vê-lo, estar com ele e trepar com ele, problema meu!

Harry literalmente rugiu de ira, seu poder jogou Snape e Lupin pra fora do quarto e lacrou a porta em seguida. Os dois homens ficaram desesperados e chamando do lado de fora. Seu braço se livrou do feitiço de dormência agora estando rígido, os músculos à mostra por ter a mão em punho.

Malfoy afastou um pouco, mas manteve os olhos aos olhos de Potter, sem conseguir se desprender dessa paixão e revolta. O viu se levantar imponente, seu cabelo se esvoaçando pelo poder que se desprendia de seu corpo.

- Você não vai trepar com ninguém... – Disse baixo, se descontrolando a cada segundo.

Draco estreitou os olhos e suspirou alto. Se continuasse assim, o moreno destruiria a casa com todos que estivessem dentro. Em parte, havia sido pelo que disse para provocá-lo então teria que remediar isso.

- Eu quero trepar, e se não quer que eu faça isso com outro, me satisfaça agora... – Soou calmo e provocante.

O moreno encurtou a distancia e nesse processo, Draco sentiu a mesma magia de antes a lhe envolver e lhe despir inteiro. Foi jogado contra a porta e teve a boca tomada por um longo e apaixonado beijo.

Harry tinha os movimentos desesperados e violentos. O agarrou pelo cabelo enquanto explorava sua boca com profundidade. Pensou que duraria uma eternidade, mas o beijo durou pouco, só o suficiente para deixá-lo com os lábios inchados e a respiração ofegante.

Os olhos verdes continuavam encravados aos seus, mesmo quando Harry se ajoelhou e engoliu seu falo chupando com força até a ponta e o fazendo gemer e se descontrolar. Suas mãos se agarraram aos ombros do moreno.

Potter sorriu e o ergueu passando os braços por baixo de seus joelhos e o deixando na altura de sua virilha.

- Coloque. – Ordenou secamente, ainda o olhando dentro dos olhos.

O loiro levou os dedos em sua entrada e se preparou se alargando para em seguida segurar o pênis de Harry e o guiar para sua entrada.

- Pronto... – Sussurrou arfante. – Aah! – Deixou escapar quando foi empalado num único movimento.

Suas pernas tremeram e se apertaram em volta do corpo do moreno, assim como seus braços.

E as estocadas começaram rudes, violentas, sem cuidado, sem ritmo, apenas desferidas pelo instinto mais primitivo dominados pela libido e seu corpo era surrado contra a madeira da porta, a presilha se soltou de seu cabelo e seus fios se colaram em seu suor.

Não durou muito, cinco minutos no máximo, mas foi como se transaram por horas, seu corpo se contorceu, seu grito afogando na garganta, e seus olhos ainda presos aos olhos verdes... E gozou forte e o gozo amante lhe escorreu pra fora de seu corpo, certamente lambuzando o próprio dono.

Harry se apoiou contra o corpo pálido até normalizar a respiração. Encostou a boca ao ouvido de Malfoy onde depositou um beijo abaixo do lóbulo.

- Se você não voltar dentro de duas horas, eu vou até você e eu matarei o desgraçado. – sussurrou com um pequeno sorriso afetado.

Draco igualmente sorriu só que de satisfação. – Ciúmes Potter?

- Nem um pouco Malfoy. Só um leve sentimento de posse por este cuzinho aqui. – E se impulsionou com força, arrancando uma queixa dos lábios do loiro.

- Bastardo...


Depois de banhados e vestidos, foram encontrar um Remus olhando sombriamente para a lareira e um Severus afundado em uma poltrona e de olhar estreito.

- Finalmente decidiram nos dar a honra de suas presenças sem hormônios por meio? – O velho professor ironizou carregado de sarcasmo.

- Foda-se Snape – Harry lhe mostrou o dedo do meio.

- Pelo menos tem um lado bom depois que você se desgasta dessa forma. – O professor sorriu de lado. – Perde o pique e a detestável expressão que nasceu pregada na cara para uma de esgotamento e sono.

Harry tentou retrucar bem grosseiro, mas de fato gastou seu cérebro na atividade e deixou por isso. – Quero que ele volte daqui duas horas. – Avisou antes de se enfiar na cozinha para encher a barriga e recuperar energia.

Draco apenas estava recostado na lareira e esperava que os dois mais velhos decidissem irem.

- Certo, vamos – Remus sorriu para o loiro.

Draco pegou um pouco de flú, entrou na lareira e jogou o pó dizendo "Olhos de Morcego".

Apareceu na sala de Maxmillian e o buscou com os olhos enquanto Severus e Remus também saíam da lareira.

- Onde ele está?

- No quarto. – Snape indicou.

Assim que entrou no aposento foi recebido por um sorriso por parte do moreno.

- Draco! – Os olhos verdes brilhavam de alegria ao revê-lo.

O loiro se aproximou da cama e se apoiou no colchão, inclinando-se sobre o rosto do moreno, fazendo com que seus suaves fios platinados acariciassem o tórax de Max.

- O que aconteceu com você?

Com a proximidade de Malfoy, Maximillian conseguiu voltar a ter domínio do corpo, mesmo que fracamente. Estendeu a mão e o tocou ao rosto, para espanto dos outros dois que estavam na porta os observando.

- Senti sua falta... – Murmurou, para surpresa de Draco.


Nota: A menção do filme, se não me engano, é de O Império dos Sentidos. O trecho do Snape foi para Luna Pietra que adora as aparições do Snape bem quando o Harry e o Draco estão quase lá.

Obrigada à Scheila por betar.

Agradecimentos a: Condessa Oluha; Luna Pietra; Joana - olá, obrigada pelos 2 reviews! Que bom que está curtindo os lemons e os dois pérfidos que se odeiam, mas se devoram! (rsrrss). Bem, nessa fic o Draco é mais uke mesmo, tbm, com um Harry pra lá de seme neh? Sim, como a maioria aceita mpreg, vai ter mpreg e eu tbm estou doida pra escrever a parte em q nosso amado loirinho fica impossível! Meus dedos já estão até formigando pra digitar! Pois é, pela sorte do Potty, o Draco vai ser sempre virgem pra ele e sobre o Draco transar depois de ser violentado, eu falo um pouco sobre isso nesse cap. ele ficou assim por causa exatamente disso, sexo não é mais incrível e íntimo, ficou vulgar e mecânico pro nosso sexy-loiro. Bjs; TONKS BLACK2; Bruh Malfoy; milinha-potter; Fabi - olá, que bom que gostou desse capítulo! Depois de tanto tempo sem atualizar tinha a obrigação de fazer um lemon mais longo (rsrrss). O caso Harry/Max ainda vai ficar meio complicado e quem vai pagar o pato pra variar será o Draco. Já imaginou o Harry tendo ciúmes dele mesmo? É algo assim que virá nos próximos caps! Tem gente que já gosta do Harry sacana, mas assim como vc, tem aqueles q gosta dele carinhoso. Oh dúvida! Agora estou meio em dúvida de como farei para agradar a todos, que tal um Harry gentil, mas arrasador na cama? Acho que é tudo que alguém poderia sonhar não? Bjs; DW03 - olá, nesse cap. eu expliquei um pouco sobre o que está acontecendo com o Max, mas ainda tem mais coisas a serem esclarecidas. Como eu disse, eu que agradeço seu comentário, é muito importante pra mim:) Bjs; Isabella Malfoy - olá, nesse cap. deu pra ver uma palhinha do Draco e Max, mas no próximo será a interação entre os dois, ou os três se contarmos com o Harry. Quem sabe o Max não conquista o Draco? O Harry ia ficar PdaVida com isso! XD Sobre o feitiço do tio Voldie sobre o Draco, isso é suspense que será contestado lá pra frente e que fará certa diferença na vida deles (música de suspense de fundo) XD. Bjks; Dita Von Teese; HannaSnape; Scheila Potter Malfoy; Ninaa-chan; Sy.P e Juliana Guerreiro.