Capítulo 10- "Cuidado com o que deseja"!
Raquel Cortez ouviu o barulho do carro de Ana-Lucia estacionando na garagem e foi até a sala de estar para esperar a filha, queria muito saber como havia sido seu primeiro dia na Escola da Swat.
Dois minutos depois Ana entrou na sala com uma cara de cansada. A mãe lhe sorriu e indagou: - Como foi seu dia, hija?
- Normal.- ela respondeu seca.
Raquel ignorou o jeito ríspido da filha, sabia que ela ainda estava muito abalada com a morte de Danny, por isso deu-lhe uma colher de chá.
- Gostou das instalações da Swat, dos colegas de trabalho?
- As instalações, não conheci todas. E os colegas de trabalho me pareceram um pouco estúpidos.
Vendo que ela não queria conversar muito, Raquel fingiu um bocejo, resolvendo que era melhor ir dormir. Daria à filha o tempo que ela precisasse para se recuperar do terrível choque que sofrera. Depois disso, tinham muitos assuntos importantes para conversar, principalmente no que dizia respeito à paternidade de Èrica.
- Eu vou indo dormir, buenas noches, hija.
- A senhora não precisava ter me esperado.
- Tem razão.- Raquel respondeu no mesmo tom seco que sua filha usava com ela. – Mas tendo em vista que Èrica não quis dormir de jeito nenhum enquanto você não chegasse...
- Èrica está acordada?
- Sim.- respondeu Raquel, triunfante, vendo que a parede de tijolos que Ana-Lucia construíra em torno dela esmorecia.
- Eu vou vê-la. Boa noite, mamãe.
- Boa noite.- Raquel repetiu.
Ana-Lucia entrou no quarto da filha. Encontrou a menina encolhida abraçando o travesseiro. Sorrindo, Ana tirou o casaco e os sapatos deitando-se na cama da pequena, cobrindo o corpinho dela de modo acolhedor com o seu.
- Mamãe!- a menina exclamou envolvendo os delicados bracinhos ao redor do pescoço de sua mãe.
Ana notou algumas lágrimas no rostinho rosado e sentindo o coração doer indagou o que houve. Èrica piscou os olhos azuis várias vezes antes de responder.
- Estou com saudades do papai e do Bill.
- Oh cariño, mamãe também sente saudades do papai, mas se lembra o que nós duas conversamos? O papai do céu precisou do papai Danny lá com ele e você decidiu que Bill deveria acompanhá-lo.
- Eu sei mamãe, mas mesmo assim eu sinto falta deles. Começa a doer bem aqui...- Èrica pegou a mão de Ana-Lucia e a pousou em seu peito.
- Eu sei querida, mas mamãe está aqui e te ama muito.
- Mas e se o papai do céu te chamar também? Eu vou ficar sozinha?
- Não baby, papai do céu não vai me chamar tão cedo, vamos ficar juntas, nós duas.- ela beijou as mãozinhas da criança.
- Eu te amo mamãe.
- Eu te amo também, meu bebê.
- Mamãe, me promete uma coisa?
Ana-Lucia fitou os olhos azuis de Èrica com ternura.
- Si, lo que tu quieras (Sim, o que você quiser).
- Promete que não vai mais ficar triste? Porque quando você fica triste eu fico triste também e começo a pensar que você quer ir embora para o céu ficar com o papai, que quer morrer também.
- Por Dios, hija, da onde tirou isso?
- Escutei você falando sozinha no seu quarto.
- Oh, não ligue pra essas bobagens que a mamãe diz, já disse que vamos ficar juntas e ninguém vai nos separar.
- Mamãe, tudo o que a gente pede pro papai do céu ele nos dá?
- Sim.- respondeu Ana-Lucia acariciando o rosto da filha. – Desde que seja um pedido sincero e para o bem.
- Então eu tenho uma coisa pra pedir pra ele.
- Então peça.
A menina sorriu e se ajoelhou na cama, juntando as mãozinhas. Começou a rezar: - Querido papai do céu, eu tenho um pedido muito especial e importante a fazer ao senhor. Desejo que o senhor mande outro pai pra mim, tão bonito e legal quanto o papai Danny, aí a minha mãe não vai ficar mais triste e me deixar sozinha.
Os olhos de Ana-Lucia se encheram de lágrimas e ela lutou para não chorar convulsivamente na frente da filha. A menina voltou a se deitar e fechou os olhinhos tentando adormecer. Ana-Lucia respirou fundo pensando que deveria ser forte, por ela, seu maior tesouro, Èrica.
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Kate escovava os cabelos diante da penteadeira. Fazia isso todas as noites. Havia adquirido esse hábito desde que foram resgatados, no início tinha sido apenas um alívio por poder executar tal atividade outra vez, depois se transformou numa obsessão, escovava os cabelos quase 100 vezes antes de dormir para que eles não cacheassem levando-a a recordar-se de seu passado assombroso.
James entrou no quarto do hotel segurando um saquinho de biscoitos de padaria que ele vinha mordiscando pelo caminho. Kate estava estranha desde que estiveram no St. Sebastian aquela manhã e ele se perguntava se isso se devia só ao reencontro com sua mãe ou tinha a ver com o Jack. Ele não queria nem pensar na segunda opção.
- Oi amor, como você está? Fui caminhar enquanto você dormia.
- Eu estou bem.- ela respondeu sem olhar para ele.
- Òtimo! Quer biscoito?
- Não.
Ele puxou uma cadeira estofada e sentou-se perto dela.
- E então, não vai me contar o que a sua mãe disse?
- Não quero falar sobre isso agora.
- Tudo bem, vamos falar de outro assunto então. Coincidência encontrarmos o Jack no hospital hoje, não foi? Acho que ele está passando por uma crise de meia-idade, viu só aquele brinquinho?
O coração de Kate sacolejou dentro do peito ao ouvir James falar de Jack. Não, ela não queria falar dele, não queria pensar nele, nada podia alterar o rumo pacífico que sua vida tinha tomado. Assim que resolvesse o problema com sua mãe retornaria com urgência à Bexar County e viveria sua vidinha como tinha de ser até o fim de sua existência.
- Kate, está me ouvindo, baby? Eu estava falando sobre o novo visual Aerosmith do Jack.
Mas Kate não deixou que ele continuasse a falar no Jack, queria que James não falasse nele nunca mais. Surpreendendo-o, ela sentou-se em seu colo e beijou-lhe a boca ardentemente.
- Sardenta!- ele exclamou entre os beijos selvagens.
- Cala a boca, gostoso!- ela disse ríspida mordiscando o pescoço dele.
- Hum, você sabe que eu adoro quando me mandar calar a boca!
Ele a ergueu nos braços e a jogou na cama com força. Em seguida ele começou a beijar-lhe as coxas, subindo a barra da camisola de seda cinza que ela vestia. Kate deu um pequeno gemido e ele retirou-lhe a calcinha bem devagar, saboreando o gosto da pele dela.
- Como você quer?- ele sussurrou lascivo no ouvido dela.
- De costas.- Kate respondeu sem pensar sentindo a mão dele acariciando-lhe a intimidade, dedos que a invadiam numa dança prazerosa.
James a segurou delicadamente pelos ombros e despiu as próprias roupas. Kate se segurou no estrado da cama e ficou de joelhos, de costas para ele. Com um movimento preciso, James penetrou-a, beijando-lhe o pescoço e as costas ao mesmo tempo. Kate gritou e começou a mexer os quadris junto com ele.
- Mais James, mais...
Ele lambeu a orelha dela e abraçou seu corpo esguio junto ao dele, acariciando-lhe os seios intumescidos. Kate fechou os olhos sentindo as ondas de prazer dominá-la e de repente não estava mais com seu marido e sim com Jack. Ele fazia amor com ela de maneira selvagem, empurrando-a contra o espelho da cama, movimentando-se duramente dentro dela.
E Kate gemia sem se controlar, queria gritar o nome dele, mas sabia que não podia.
- Oh! Assim! Assim!
- Eu te amo, sardenta!
Ao ouvir o apelido carinhoso que James costumava lhe dar desde os tempos da ilha, Kate quase desmoronou caindo na real. Não era Jack que estava com ela e sim James. O que mais ela poderia esperar? E de repente a transa não estava mais tão prazerosa assim porque Kate se sentia culpada por transar com James pensando em Jack. Mesmo assim, ela deixou que ele terminasse.
Quanto tudo acabou, e ambos desabaram sobre o colchão, Kate tinha lágrimas nos olhos e James não entendeu nada.
- Amor, você está bem? Eu te machuquei? Foi o bebê? Não devíamos ter feito assim, desculpe, eu...
Ela olhou para ele e viu o quanto estava alarmado, com o intuito de acalmá-lo, ela se aconchegou ao peito forte dele e disse:
- Eu te amo, não importa o que aconteça eu te amo.
- Yeah, amo você também.- respondeu ele acarinhando-lhe os cabelos. Sua resposta saiu como um murmúrio despretensioso porque em seu íntimo ele sabia que havia algo errado com Kate.
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Tarde da noite e pela primeira vez em muito tempo Jack resolveu ficar em casa. Recusou os vários convites para festas que recebeu escolhendo o conforto do lar. Seu reencontro com Kate o tinha deixado seriamente perturbado. Estava quase pegando no sono quando ouviu a campainha tocando estridentemente. Irritado, ele levantou-se da cama e vestiu um roupão por cima da cueca boxer de seda preta e foi atender a porta.
Na penumbra do corredor ele vislumbrou Juliet, toda arrumada usando um elegante vestido vermelho. Os longos cabelos loiros cortados de forma diferente, mechas charmosas caíam por seu rosto e ela exibiu-lhe um lindo sorriso quando o viu.
- Hey, Dr. Jack! Quanto tempo!
Continua…
