CAPÍTULO DEZ

Sempre se podia contar com James.

Lily sabia disso. E não se decepcionou.

Todas aquelas histórias sobre homens desmaiando quan­do suas esposas entravam em trabalho de parto pareciam absurdas quando se tinha James. Ele era calmo, organizado, responsável. Exatamente como ela imaginara que ele seria.

Após preparar a bolsa com itens básicos para a mater­nidade, ele chamou Dumbledore e Hagrid e encarregou-os de preparar e servir o café da manhã para a equipe de produção hospedada. A seguir, foi acordar Alice e Frank. A ex-noiva vestiu-se rapidamente e desceu querendo ajudar.

— Tome conta de tudo — pediu James, e saiu com Lily. Enquanto Lily era acomodada numa cadeira de rodas e levada ao andar da obstetrícia, James recebia uma ficha para preencher. Ele rabiscou os dados às pressas e tomou o elevador apressado, mas foi barrado à entrada da sala de parto.

— O senhor não fez aulas de pré-natal — declarou uma enfermeira carrancuda. — É um pré-requisito.

— As necessidades de minha esposa são meu pré-requi­sito — replicou James, áspero, e olhou para Lily dentro da sala. — Você quer que eu fique?

Lily sabia que ele não se referia à vida toda, mas apenas àquele momento. Assentiu.

— Quero.

Foi como fazer os votos novamente.

Após um instante de encantamento, James recuperou a lucidez e a iniciativa:

— Deixe-me passar — declarou à enfermeira.

Lily sabia que ele forçaria a passagem, se a mulher relutasse.

Ter um filho era algo normal, natural. James sabia disso.

Sabia que Lily estava vivendo um momento pelo qual milhões de mulheres já tinham passado antes dela. Sabia que ela era forte e saudável e que o suor em seu rosto e a tensão em cada músculo de seu corpo não eram motivo de preocupação.

De qualquer forma, estava preocupado. Não podia evitar. E não podia deixar de imaginar que aquilo tudo era culpa sua.

Enxugou a testa de Lily com uma toalha umedecida. Massageou-lhe as costas e os ombros. Começou a respirar fundo, devagar, compassadamente, do jeito que ela dissera ter aprendido em um curso para gestantes. Era o mínimo que podia fazer.

Queria dizer desculpe-me. Desculpe-me.

Aqueles que diziam que a mulher era o sexo fraco nunca haviam presenciado um parto. James estava atónito ante tan­ta resistência. E força. Cogitou se seria tão tolerante quanto Lily ante os estímulos involuntários. Claro que ela não tinha escolha.

A graça com que ela se entregava ao processo causava-lhe um respeito que só aumentava o amor que sentia.

Ela era mais forte e mais corajosa do que ele. Conven­ceu-se de que a pouparia, se pudesse. Ao mesmo tempo, imaginou se seria correto.

Se a poupasse daquela experiência, não estaria parti­lhando com ela. Não estaria encantado com ela, não estaria descobrindo o quanto seu amor era profundo.

Não sentiria a satisfação de receber um olhar suplicante dela quando, o médico disse:

— Muito bem. Vamos dar à luz esse bebê.

Não sentiria o esforço em sua mão quando o médico a mandou empurrar.

Não a ouviria exclamar:

— Veja, James! Oh... ele não é lindo? — indagou, emocio­nada, ao ver o bebê.

James olhou para o filho recém-nascido e para a mulher que o gerara, o rosto coberto de lágrimas e suor. Ele mes­mo verteu uma lágrima ou duas e não se importou em mostrá-las.

— Sim, ele é lindo — murmurou, rouco.

Não só o bebê. Você também.

Lily convenceu-se de que valera a pena. Era a mais pura verdade.

Não teria perdido aquela experiência por nada. A criança maravilhosa iria chamar-se Harry James Potter, ou Harry, para simplificar.

James revelou-se um pai zeloso desde o primeiro instante.

Fora um marido esplêndido também durante todo o parto. Estivera todo o tempo ao lado de Lily.

Mas, então, desaparecera.

Lily adormecera logo ao ser transferida para o quarto e não viu mais James ao acordar.

A alegria que sentira, a euforia após o parto, tudo se evaporou. Sentia-se só, abandonada, desolada.

James partira. Sem dizer nada. Parecia que esse era o seu destino.

Ele vinha, ajudava e partia.

Olhou novamente ao redor pelo quarto. Não havia sinal da presença de James. Nem uma indicação de que ele fizera parte de sua vida.

Exceto por Harry.

E era assim que seria, dali para a frente, sabia Lily. A adrenalina do parto já se dissipara e a realidade tomava conta.

E a realidade era: James casara-se com ela para dar seu nome ao bebê. Permanecera a seu lado durante a gravidez, dando-lhe apoio moral, mostrando-se forte e responsável. Ao lhe dar a pousada, garantiria sua segurança financeira.

Mas depois iria embora.

Sempre soubera que ele iria.

Haviam até concordado com aquilo. E, então, seriam só ela e Harry.

"Então, vá se acostumando", aconselhou-se, e afastou as lágrimas que brotaram. "Vá se acostumando." Respirou fundo e enxugou o rosto com as costas da mão. "Sinta-se grata pelo que tem."

Sentia-se grata. Jurava que sim.

Mas a realidade tinha que começar tão cedo?

Como pudera ser tão tola, naquelas últimas semanas, a ponto de permitir que James invadisse sua vida e sua cama? Seria mais difícil agora?, pensou. Sentir apenas o gosto do paraíso era pior do que nunca ter experimentado?

Dois dias depois, James e Lily chegaram em casa com Harry. A equipe de produção estava no pátio, bem no meio de um ensaio fotográfico, em meio a refletores, fios elétricos e câmeras. Modelos e técnicos aprontavam-se, sob o olhar fascinado dos gémeos.

— Vou pedir que façam as fotos noutro lugar — decidiu James, imaginando que o barulho fosse incomodar Lily e o bebê.

— Não, eles não estão atrapalhando — afirmou ela. Eram uma distração e, além disso, seu trabalho promoveria o nome da pousada.

James relutava.

— Mas...

— Deixe-os — decidiu Lily. — Não podemos impedi-los de trabalhar. — Num tom mais conciliatório, acrescentou: — Não seria bom para a pousada.

Esse era outro assunto sobre o qual vinha refletindo. Ainda que James garantisse seu sustento, não se sentiria satisfeita. Precisava de um trabalho ao qual se dedicar, de pôr suas idéias em prática, de criar.

Precisaria de uma ocupação, mais do que nunca, quando ele partisse.

James mostrava-se contrariado, mas então Alice e os gémeos chegaram correndo para ver Harry.

Encantada fez observações sobre os dedinhos e a boquinha do bebê. Depois, James conduziu Lily para a varanda e ela se sentou no balanço com o bebê.

As modelos e a maquiadora também foram conhecer o recém-nascido. Até Frank e os outros rapazes da equipe se sentiram na obrigação de dar boas-vindas ao novo ser. Lily ficou feliz por tê-los todos ali.

James mantinha os dentes cerrados, parecendo querer tirar todo mundo dali. Mas não levou adiante a vontade. Mesmo assim, propôs que ela fosse para o quarto descansar.

— Não — respondera ela.

Não queria descansar. Não queria ficar sozinha.

Sabia o que aconteceria se ficasse sozinha: pensaria em seu futuro sem James. Haveria bastante tempo para isso. Teria anos para contemplar sua vida de tristeza.

Frank chamou-lhe a atenção e posicionou a câmera para tirar uma foto.

— Oh, não — protestou Lily, e escondeu o rosto. — De mim, não! Agora não!

— Não se preocupe — avisou Frank, batendo várias chapas seguidas. — Não vou colocá-las em nenhuma revista de circulação nacional. É que estou percebendo que a mater­nidade deixa as mulheres bonitas. — Sem avisar, virou-se para o outro lado e tirou uma foto da esposa.

Lily levou um segundo para entender.

— Alice, você está grávida?

Ruborizada, Alice confirmou, e Frank olhou-a com tanta ternura que Lily teve vontade de chorar.

Por que James não podia se sentir daquele jeito com relação a ela? (N/A: Por que ele é melhor, amiga.)

Ele estava parado junto ao balanço, batendo o pé, impaciente.

Podia sentir que ele a olhava intensamente.

Não conseguiu encará-lo.

Em algum momento, ele a perdera.

Ou talvez nunca a houvesse tido, para começar, refletiu James, de pé na beira da encosta que dava vista para a cidade.

Lily só se casara com ele porque engravidara. Não por­que o amava. Ela aceitara se casar porque era a atitude correta. Não porque queria passar o resto da vida a seu lado.

Ela aceitara se casar porque ele exigira.

Então, por que ficou surpreso quando ela o deixou de lado? Por que se sentia magoado quando ela se retraía e franzia o cenho?

Sentira a repulsa quase que imediatamente, quando vol­tara ao quarto na maternidade, após ter-se ausentado para comprar-lhe flores.

Ela estava acordada. Até sorrira-lhe, mas, então, desviara o olhar. Mesmo ao receber o buque, mal olhara para ele.

Ela agia como se não se importasse se ele estava vivo ou morto.

A verdade era que ela não se importava. Para Lily, ele não importava. Não agora.

Não mais. Ele servira ao propósito. Dera apoio no final da gravidez e no parto. Continuaria a apoiar financeira­mente e daria o nome à criança.

Mas ela mesma não precisava mais dele.

Talvez nunca tivesse precisado.

Talvez, ele apenas tivesse desejado...

Afastou o pensamento. Mas não deixou de fazer outra ponderação: logo teria que ir embora para deixá-la livre. Sabia que não tinha escolha. Prometera-lhe isso.

E cumpriria.

Mas não imediatamente.

Não podia ir embora logo. Ela ainda estava se recupe­rando. Ela poderia usá-lo ainda por algum tempo. Uns pou­cos dias.

Semanas? Assim esperava.

A idéia deixou-o mais relaxado.

Lily podia sentir James afastando-se dela. A cada minuto. Hora após hora. Dia após dia.

Ele não queria mais dormir com ela. Parecia claro que, agora que tinha Harry e mudara-se para seu quarto, seu interlúdio com James estava encerrado.

Na primeira noite, ele aparecera e ficara junto à porta, observando-a colocar Harry para dormir. Mas, quando ela mesma se recolheu, ele não entrou no quarto. Ao invés disso, ficou onde estava. Olhou para o bebê, para o chão e, final­mente, para ela.

— Você está bem? — perguntou.

O que ela deveria dizer? Não?

Ele achava que ela imploraria que ele ficasse com ela? Dificilmente.

Ela assentiu.

— Estou ótima.

— Então, vou deixá-la descansar. — E enfiou as mãos nos bolso, voltou-se e foi embora.

Ela não dormiu durante a noite toda. Apenas cochilou. Ficou se revirando na cama. Ao mínimo ruído de Harry, já estava de pé, com ele no colo. Porque seu bebê precisava mamar, convenceu-se. Porque seu filho precisava dela.

— Oh, Harry — sussurrou. — O que vou fazer?

O bebê continuou mamando. Logo, bocejou e adormeceu. Lily também caiu no sono, ainda na cadeira de balanço, com Harry nos braços.

Acordou com uma batida na porta. Piscou e endireitou-se. Já estava claro, mas ainda era bem cedo. O bebê balbuciava, dormindo. .

— Quem é? — indagou Lily, não muito alto.

A porta se abriu e James apareceu com cara de que não pregara o olho.

— Imaginei que você poderia estar precisando de uma folga. Conseguiu dormir?

— Consegui — mentiu Lily.

Ela observou cautelosa quando ele aproximou-se. Desejou tomar-lhe a mão. Quis dizer-lhe "senti sua falta esta noite. Gostaria que estivesse aqui me abraçando." Mas baixou o olhar e continuou embalando Harry. James parou junto à cadeira.

— Não o ouvi chorando.

— Eu o pegava assim que ameaçava.

— Então, você não deve ter dormido muito.

Ela ergueu o olhar e viu que ele a desafiava. Encolheu os ombros.

— Estou em harmonia com ele, acho.

— Acho que sim. — James hesitou. — Deixe que eu o coloco no berço para você.

James tomou o bebê e aninhou-o desajeitadamente contra o peito. Harry se mexeu e ameaçou chorar. Lily pensou que ele o devolveria imediatamente, mas, em vez disso, ajeitou-o contra o ombro, murmurou uma palavra de conforto e es­fregou-lhe as costas.

Lily lembrava-se daquela mão em suas costas... Levan­tou-se rápido.

— Já que vai cuidar dele, vou tomar um banho.

A água relaxante não a ajudou a aliviar as lembranças. Ao sair do banho, viu que Harry não estava no berço. Correu para fora do quarto e colidiu com Alice.

— Opa! — exclamou a moça, sorrindo. — Onde é o fogo?

— Não consigo encontrar Harry. James ia colocá-lo no berço e...

— James está com ele.

— Mas ele estava dormindo.

— Ainda está. — Ela tomou a mão de Lily. — Venha comigo.

James estava na sala de estar, estendido de costas, dor­mindo, com o filho sobre o peito, de polegar na boca e bum­bum para cima.

Lily engoliu em seco. Não sabia o que dizer.

— Sempre soube que James daria um excelente pai — comentou Alice. — Esse era um dos motivos pelos quais quis mecasar com ele.

— Por que não se casou? — Lily mal sussurrava as palavras.

Alice sorriu.

— Porque o que nós tínhamos não daria para acender uma vela em relação a Frank. E também não era nada em relação ao que James sente por você.

Lily ia protestar, mas não foi capaz. Sorriu, pois Alice parecia estar aguardando por isso. Olhou para o marido e o filho e desejou que aquilo fosse verdade.

Por quanto tempo se enganaria?, imaginou James. Por quanto tempo fingiria que ela precisava dele?

Não por muito tempo.

Frank, Alice e o grupo todo tinham partido no final dá semana. Imediatamente, Lily retomara a administração da pousada com unhas e dentes.

Assim que os quartos foram desocupados, começou a re­servá-los para os hóspedes novamente.

Mesmo assim, James adiava a partida. Sabia, pela expres­são de Lily, que ela não estava contente com aquela si­tuação, mas, como ela não dizia nada, ia ficando.

Teria sido mais fácil fazer-se necessário se Harry não fosse um bebê tão tranquilo. Se ele chorasse a noite toda e ficasse inquieto durante o dia, deixando a mãe exausta, seria fácil oferecer-se para se revezar com ela.

Mas Harry era um bebê perfeito. Dormia bastante, ma­mava bem e, quando ameaçava chorar, Lily atendia-lhe a necessidade, de alimento ou atenção, e logo podia voltar a seus afazeres.

James era supérfluo e sabia disso.

Torceu para que ela dissesse fique. Teria atendido de imediato.

Mas ela não pedia. Mal olhava para ele, quanto mais conversar! Era óbvio que ela o queria fora de sua vida. Então, a secretária Elinor telefonou e disse sucinta:

— Lembra-se de mim? Lembra-se da Potter's? Lem­bra-se do sr. Raichakit? Ele quer você na Tailândia. Já.

James não tinha motivo para não ir.

— Vou embora — anunciou a Lily, que conversava com um grupo de professoras hospedadas na pousada. — Preciso ir para a Tailândia. Esta tarde.

— Tailândia? Esta tarde? Imaginem só — comentou uma professora. — Bem longe de Hogsmead! É isso que eles que­rem dizer com aldeia global.

— Foi o que eu disse a meus alunos. — O marido da professora ergueu os óculos e continuou: — No semestre passado...

James não estava ouvindo nada. Estava olhando para Lily.

E para Harry.

"Diga alguma coisa", torceu. "Dê-me um sinal. Uma pa­lavra. Um olhar. Detenha-me."

Ela não se mexeu. Nem mesmo balançou. Ficou ali, sem reação, como uma pedra.

Harry começou a ter cólica.

James não ficou sabendo.

Errol Flynn teve filhotes. Ele também não tomou conhecimento.

As estudantes não trabalharam no verão e Lily pre­cisou contratar outras ajudantes. E James também não ficou sabendo.

Ele telefonara da Tailândia. E de Nova York ao voltar. Nunca conversaram sobre eles mesmos.

— Como vai o Harry? — repetia ele, sempre a mesma pergunta.

— Bem — respondia Lily sempre, fosse ou não verdade.

— O que ele está fazendo?

— Dormindo... — dizia ela. — Mamando...

Mas ela jamais dizia chorando.

Se dissesse, ele poderia achar que ela não estava cuidando bem do filho de ambos.

Ele parecia mesmo pensar assim.

— Posso ir, se precisar de mim — oferecera-se, a certa altura.

— Não, não precisa — dispensara Lily, segura. Sentir a falta dele era terrível, mas tê-lo ali por perto, vê-lo todos os dias, observá-lo com Harry e não ser capaz de tocá-lo seria muito pior.

Nunca perguntavam um sobre o outro. Só conversavam sobre Harry.

Porque só Harry importava.

Por mais que repetisse esse mantra, no fundo, Lily sabia que não era verdade.

James importava também.

James colidiu com Alice no Central Park. Literalmente.

Ia a pé do trabalho para casa, ansioso por telefonar e saber das duas únicas pessoas que davam sentido a sua vida. Faltavam três horas!

Alice estava patinando com os gémeos.

— Opaaaa!

— Alice! Você está bem?

Não a vira mais depois que a equipe deixara a pousada, havia um mês. Parecia uma década. Uma vida inteira.

— James! Que bom encontrá-lo aqui! — Ela se inclinou e deu-lhe um beijo no rosto. — Você está horrível.

— Obrigado — declarou James, sem se importar. — Des­culpe-me por não poder dizer o mesmo.

Alice estava maravilhosa. Havia em seu semblante aquele fulgor que acompanhava a consciência da maternidade. Vira o mesmo brilho em Lily.

— Não devia estar patinando! — alertou. — Pode se machucar.

— Estou bem protegida — respondeu Alice. — E pararei quando o médico disser para parar. A menos que tenha se formado em medicina desde a última vez em que nos vimos.

James franziu o cenho. Os gémeos notaram que Alice tinha ficado para trás, voltaram e ficaram patinando em círculos ao redor deles.

— Oi, James! Onde está o Harry? E a Lily?

— Isso mesmo — reforçou Alice, sorridente. — Onde estão Harry e Lily? Quando você voltou?

— Há duas semanas. — James evitou a outra pergunta. — E você, como está?

— Ótima. Mas estou sentindo algo estranho — comentou Alice. — Queria trocar idéias com Lily.

James olhou para o chão.

— Lily ficou em Hogsmead.

— Em Hogsmead? Por quê? Você ainda não vendeu a pousada?

— Não vamos vender a pousada.

— Então, Lily está treinando um novo gerente? .

— Não, Lily não está treinando ninguém. Ela vai ficar lá.

— O que quer dizer com "vai ficar lá?"

— Exatamente isso. Nós... não vamos ficar juntos.

— Por que não?

— Alice! Que inferno! Você não devia fazer esse tipo de pergunta!

Ela levou as mãos aos quadris.

— Gostaria de saber por que não! É uma pergunta sen­sata, uma vez que há um mês vocês praticamente eram inseparáveis.

— Ela estava grávida! Precisava de mim naquele momento!

— E agora não precisa mais?

— Não, caramba, não precisa.

— Uma mulher com um recém-nascido, três gatos, um cachorro, uma dupla de velhinhos e uma pousada de vinte cómodos não precisa de ajuda?

— Não da minha.

— Ela lhe disse isso?

— Disse.

— Eu não acredito. — Ela fez uma pausa. — Ou talvez acredite.

— O que quer dizer?

— Você já disse alguma vez a ela que a ama?

Ele não respondeu, mas a conclusão era evidente.

— James...

— Ela não ia querer ouvir. Ela nem mesmo queria se casar comigo! Nos casamos por causa de Harry, caramba! Eu a forcei a se casar comigo.

— Entendo — resmungou Alice. — Mas você nao a forçou a fazer amor quando a engravidou, não é?

— Claro que não!

— Bem então por que acha que ela aceitou?

— Nós tínhamos bebido — explicou James. — Estávamos passando por um momento ruim. Você... Ela e Amos... Nao foi porque ela me amava!

— James, como você é idiota! — concluiu a ex-noiva, desgostosa.