Capítulo Dez

Natal e Presentes

Na manhã de Natal Harry acordou com o amigo saltando em sua cama, era cedo ainda mas Rony e Mione já estavam abrindo os presentes. Uma das coisas que mais lhe deixava bem era justamente saber que naquela data se sentia em uma família, nem que fosse a família de Rony, mas pelo menos não estava sozinho. Este ano estavam todos lá: Gina, os gêmeos, Rony e Mione. A árvore da sala comunal era maior que a dos anos anteriores pois teria que caber mais presentes sob ela. Harry começou a abrir os pacotes, primeiro de seu padrinho: uma Nimbus 2004 para jogar Quadribol, Mione havia lhe dado um exemplar de Hogwart: presente, passado e futuro, Rony havia lhe dado um pacote de sapos de chocolate, Gina uma garrafa de cerveja amanteigada, os gêmeos lhe deram as novidades da loja de logros e a Sra. Weasley havia lhe mandado um novo suéter com seu nome bordado nas costas com as cores do time da Grifinória.

Desceram animadamente pra tomar café da manha, geralmente no Natal todos ficavam misturados em uma grande mesa posta no centro do salão principal e os professores sentavam junto aos alunos, para Harry seria uma grande possibilidade de ficar mais próximo a professora Angelina. Mas qual não foi sua decepção quando esta não apareceu no salão principal.

- Professor Dumbledore, onde esta a professora Angelina?

- Ainda está se recuperando Harry, os acontecimentos das últimas semanas a deixar debilitada, mas ela prometeu que no almoço estará conosco.

Angelina não havia dormido a noite toda, não conseguira nem tomar café, as informações que havia recebido de Lúcios ainda a deixava perturbada, o seu maior desejo, que havia lhe mantido viva durante todos esses anos tinha se concretizado, seu filho estava vivo.

Haviam se passado 14 anos desde o conflito onde Voldemort tinha chacinado sua família, lembrava agora o dia em que acordou no hospital psiquiátrico `trouxa´, fazia 13 anos que estava lá em constante catatonismo, não tinha nome, procedência, família, não falava, não se mexia, até que um dia de repente sua memória retornou, não sabia porque estava lá, sua mente havia parado no dia da tragédia, era tudo que se recordava. O barulho na porta, o latido do cão, o estrondo, luz e gritos, e o escuro, nada mais além do escuro. Quando conseguiu sair do Hospital procurou seu amigo e mentor Dumbledore, para sua surpresa havia sido dada como morta no ataque de Comensais a sua casa, juntamente com sua família. Nos relatórios do ministério da Magia ninguém havia sobrevivido ao ataque, mas sua casa não tinha sido a única atacada, pessoas queridas tinham morrido também naquele dia, parece que Voldemort escolhera acabar com todos seus inimigos na mesma noite. Apesar das recordações o que mais lhe preocupava era como se aproximar de seu filho, será que era justo contar a verdade, dizer que sua vida era uma grande mentira.

Estava absorta em seus pensamento quando bateram na porta de seu quarto. Seus aposentos ficavam sobre a sala de aula de DCAT, agora não parecia nada com a sala de Lockhart, tinha sido decorado por ela, era muito espaçoso com vários tapetes, quadros, um sofá negro, ao centro uma grande cama dossel e uma espaçosa chaise-longue que era onde se encontrava agora.

- Pode entrar. – aquela hora deveria ser um dos elfos domésticos lhe trazendo uma xícara de chá.

Mas qual não foi sua surpresa quando ao olhar para a porta se deparou com um menino de infinitos olhos azuis.

- Draco? O que estava fazendo aqui a essa hora? Não devia estar tomando seu café da manhã no salão principal?

O menino continuou parado, olhando para aquela mulher que tinha dado uma reviravolta em sua vida, a princípio não entendia porque tinha se afeiçoado tanto a ela ,mas agora, agora compreendia tudo. Sem dizes nada Draco Malfoy correu ao encontro de Angelina, jogando-se em seus braços lhe dando um grande abraço.

- Mãe! – disse ele num sussurro com lágrimas escorrendo pelo rosto.

Ele sabia! Mas como? Pensou abraçando o filho apertado como se fosse perde-lo novamente.

Ficaram abraçados por alguns minutos que pareciam uma eternidade, não conseguia crer que seu filho estava ali vivo ao seu lado e tudo devido ao homem que havia amado tanto, como ele podia Ter lhe dado tanta dor e tanta alegria.

- Draco... meu filho – disse devagar sem saber a reação que o menino teria, mas para sua surpresa ele a abraçou mais forte e em seguida levantou seu rosto fitando-a atentamente – Como você soube disso?

- Ontem,... vi quando estava falando com meu pai, achei estranho ele estar aqui a noite sem ao menos vir falar comigo, então fui Ter com ele e acabei escutando a conversa, então quando vi Snape se aproximando corri de volta ao castelo.

- Bom Dia! Vejo que estão se conhecendo melhor. Esta melhor Angelina?

- Bom dia Dumbledore. Não o tinha visto, estou muito melhor agora...

- Eu sei, encontrou seu menino!

- Você sabia?- disse a professora surpresa

- Não me olhe assim menina, eu soube que Lucius estava criando seu filho sim, mas não esqueça que para todos você estava morta. Eu não poderia priva-lo da convivência do pai até porque era a única forma de livra-lo de Voldemort, pois ele pensou que Draco era filho de Narcisa e Lucius.

- Entendo...mas porque não me contou quando cheguei aqui?

- Sabia que Lucius iria contar, a final de contas o desejo dele era te-la de volta.

Draco olhou para Dumbledore e depois para Angelina, eles tinham esquecido dele ali por acaso. – Da pra alguém me contar sobre minha vida? – disse firmemente.

- Claro meu filho – era tão estranho dizer aquelas palavras – ...Seu pai e eu fomos namorados durante o último ano dele em Hogwart, claro que ninguém sabia pois como havia lhe contado eu era uma Grifinória. Mas mesmo assim fomos muito felizes.

- Sua mãe sempre foi uma grande mulher, conseguia fazer com que seu pai mostrasse um lado bom sob aquela frieza.

- Sim, tudo ia muito bem, mas na véspera da formatura de seu pai ele acabou com nossa relação, ele iria seguir o destino traçado da família Malfoy, eu não podia suportar a idéia dele servir a Voldemort por isso nos separamos. Mas saiba que sofri muito por isso. – parou significativamente olhando para Dumbledore. – Alvo e Snape eram os únicos que sabiam de nosso relacionamento escondido. E quando seu pai foi embora descobri que estava grávida, escondi de todos durante os primeiros meses de aula, era meu último ano, apenas um colega sabia e me apoiava, Julius.

- Me lembro como se fosse ontem – disse Dumbledore – quando Minerva chamou-a até minha sala, pois suas notas estavam caindo terrivelmente, ela estava muito pálida e triste, andava se escondendo pelos cantos e ficara muito solitária, então me contou tudo.

- Foi horrível, mas Alvo deixou que eu terminasse o ano. Julius então me pediu em casamento, não se importava de eu estar esperando o filho de outro, mas para ele era como se fosse dele, ele me amava muito, tanto que chegou a enfrentar a ira da minha família dizendo que ele era o pai do bebê que eu esperava. Então casamos, virei a Sra. Wolf, terminamos a escola e fomos para bem longe onde seu pai nunca iria ficar sabendo.

- Mas porque não contar a meu pai?

- Lucius era um Comensal da Morte e minha família era contra Voldemort, eu tinha medo do que ele poderia fazer com você. Então Voldemort começou a perseguir minha família e todos os outros que eram contra suas idéias e então nos encontrou. Eu não me recordo direito o que aconteceu aquele dia, as lembranças são confusas.

- Deixe ajuda-la Angelina – disse Alvo virando para Draco – Sua mãe estava chegando do trabalho, foi em direção ao seu quarto, só que não imaginava que Voldemort e seus Comensais já haviam aniquilado Julius no quintal da casa, parece que não perceberam que você estava dormindo no colo dele quando o atingiram pelas costas, Julius caiu sobre você escondendo-o com o próprio corpo. Voldemort já havia entrado na casa e atacou sua mãe de surpresa, a Maldição quase foi fulminante mas havia uma coisa que ninguém sabia, a família de Julius tinha enfeitiçado seu quarto com um feitiço de proteção por isso sua mãe não morreu mas apagou sua memória vivendo durante todos esses anos como uma morta viva em um hospital psiquiátrico trouxa.

- Quando minha memória retornou a única coisa que descobri era que minha família havia sido aniquilada e eu dada como morta.

- Então?

- Sim Draco – falou Alvo como se soubesse o que o garoto queria saber – seu pai levou-a antes que Voldemort a descobrisse viva e a escondeu entre os trouxas e quanto a você, como Narcisa vivia na França desde o casamento, disse para Voldemort que você era seu filho com ela. Assim o bruxo nunca desconfiou de nada, depositando todas as esperanças em você ser um grande Comensal da Morte quando se formar.

O rapaz mirava Dumbledore com os olhos arregalados com uma feição interrogatória, olhou para Angelina e exclamou:

- Eu nunca vou seguir Voldemort, eu nunca vou ser um Comensal, eu odeio meu pai por ele Ter mentido durante todo esse tempo! - saiu batendo a porta atras de si. Angelina fez menção de ir atras de seu filho.

- Calma Angelina! Ele precisa ficar sozinho para pensar.

Rony e Harry estavam retornando para sua sala comunal quando esbarraram em Draco que vinha furioso pelo corredor sem olhar para frente.

- Ei Malfoy – disse Rony – olha por onde anda!

Mas o rapaz nem se virou continuando seu caminho. – Que estranho – pensou Harry, mas logo já estava lembrando que não havia testado sua Nimbus 2004.

Harry subiu correndo as escadas para seu quarto, queria aproveitar o dia para testar a vassoura que seu padrinho havia enviado mas ao entrar no quarto viu sobre a cama uma caixa muito bonita revestida de veludo vermelho com um bilhete sobre ela.

i" Harry,

Espero que goste do presente, poderá ser bom conhecer melhor os tempos passados em Hogwart!

Feliz Natal"/i

A principio achou muito estranho aquele bilhete, não havia assinatura nenhuma, mas quem poderia Ter lhe enviado um livro de presente, Rony havia entrado no quarto naquele estante e olhava o amigo intrigado. Abriu com relutância a caixa de veludo pois não sabia o que poderia conter.

Dentro havia um bonito livro também em veludo vermelho com escritas em dourado, ao centro um grande símbolo da Grifinória bordado com os dizeres: " A amizade acima de tudo!". Neste momento Rony já estava sentado ao lado do amigo olhando abismado o livro vermelho, no entanto Harry parecia relutar.

- Abre! – disse Rony – Não pode ser perigoso.

Aquelas palavras fizeram com que o menino tomasse coragem de abrir o livro, e qual não foi sua surpresa quando na primeira página deu de cara com uma foto de seu pai e sua mãe sorrindo para ele, claro que eles eram bem mais jovens, talvez com a idade de Harry, começou a folhar devagar parando demoradamente em cada foto.

- Harry, é um álbum de fotos do tempo em que seus pais estavam em Hogwart! – exclamou Rony – Mas quem será que te deu isso?

Nesse exato momento Harry olhava para uma foto de Sirius bem jovem abraçado com seu pai e Lupin, todos com o uniforme de Quadribol do time da Grifinória. Claro só poderia Ter sido Sirius!