Draco e Gina enviaram as cartas para os filhos usando duas corujas do correio particular da DM Company. Gina estava bastante apreensiva e a expressão de mais puro terror no rosto de Draco não ajudava em nada.

- E agora? – perguntou a ruiva em um fio de voz.

- Agora esperamos. Ou você pretende invadir Hogwarts para ver pessoalmente a reação dos dois? – respondeu Draco de maneira ríspida.

- Não precisa ser grosso.

- Não estou em condições de controlar meu humor.

- Pois é bom que seu autocontrole retorne até à noite.

- E para que seria isso? – perguntou Draco arqueando uma das sobrancelhas.

- Para o jantar na casa de Rony. Hoje.

- Eu não vou jantar com aquele cabeça de fósforo e a esposa sangue-ruim dele.

- Eu não gosto que você fale assim deles. – ralhou Gina.

- E você quer que eu os chame como? De queridos cunhado e cunhada? Poupe-me Gina.

- Se você não gosta de cabeças de fósforo e amantes de sangue ruins então por que ainda está comigo?

- Porque você é diferente. Não importa se você ama ou odeia trouxas. Se você é loira, morena, ruiva, você é só a Gina.

- Então faça esse favor pra Gina. – pediu ela com um sorriso tímido.

- Vá lá, não deve ser tão difícil assim.

DG

Draco parou o carro na frente da casa de Gina exatamente na hora marcada. Suspirou algumas vezes olhando nervosamente para o seu próprio reflexo no retrovisor e despenteou ainda mais os cabelos loiros platinados em um gesto de puro nervosismo. Desceu do carro e caminhou o mais lentamente que suas pernas podiam até a porta da casa da ruiva. Tocou a campainha absorto em pensamentos sobre o porquê de ter aceitado ir àquele jantar idiota quando a porta se abriu com a resposta para a sua pergunta.

Gina estava parada à sua frente e Draco achou que ela nunca estivera tão bonita em toda a sua vida. Usava um vestido preto frente única que ia bem justo até a cintura marcando suas curvas e depois se abria numa saia balonê que ia até a altura do joelho. Tinha calçado sandálias de um tom de ouro velho que combinavam com seus brincos e a gargantilha bem a mostra, pois ela havia prendido o cabelo em um rabo de cavalo alto.

Draco levantou o rosto para a ruiva e tinha certeza de que sua pele pálida havia corado por ter encarado seu corpo durante tanto tempo e de forma tão pouco discreta. Esperava encontrar algum sinal de reprovação, mas ela sorria e seus olhos brilhavam em divertimento.

- Acha que consegue caminhar até o carro? – caçoou ela.

- Se formos logo acho que ainda consigo. – brincou Draco antes de dar o braço à ruiva e guia-la até o carro.

Gina passou horas se arrumando para o jantar. Queria estar bonita para Draco e esse pensamento a fazia sorrir sem querer. Há quanto tempo não se arrumava para alguém? Foi tirada de seus pensamentos pelo som da campainha e correu do quarto para o andar de baixo, pulando sobre as dezenas de roupas espalhadas pelo chão, enquanto terminava de colocar os brincos.

Parou por alguns instantes em frente à porta para recuperar o fôlego e não parecer tão afoita. Abriu a porta lentamente e deu de cara com Draco parado a sua frente. Observou satisfeita enquanto o loiro arregalava os olhos e observava seu corpo sem nem um pingo de cautela. Aproveitou o momento de distração para observá-lo também e adorou o que viu. O loiro vestia uma calça social preta, sapatos da mesma cor e uma camisa social carmim com as mangas dobradas um pouco acima do cotovelo.

Draco voltou o olhar para cima e Gina teve a visão de seus olhos cinza, atrapalhada apenas por uns poucos fios loiros que insistiam em cair por cima deles.

- Acha que consegue caminhar até o carro? – caçoou ela.

- Se formos logo acho que ainda consigo. – brincou Draco antes de dar o braço à ruiva e guia-la até o carro.

Hermione corria de um lado para o outro da cozinha ocupada com os últimos preparativos para o jantar. Nada poderia dar errado naquela noite. Pelo menos da parte dela porque se o sucesso do jantar dependesse da boa vontade de seu marido ele já estava fadado ao fracasso. Rony não aceitava o namoro de Gina e Draco e ela duvidava muito que ele realmente fosse aceitá-lo um dia.

- Rony, coloque as crianças na cama pra mim, por favor. – gritou Hermione do pé da escada.

- Já vou, já vou. – respondeu ele mal-educado.

Hermione já se preparara para reclamar da indelicadeza do marido quando foi interrompida pelo som da campainha. Alisou o vestido com as mãos e ajeitou os cabelos rapidamente antes de abrir a porta para a cunhada e seu namorado.

- Olá Hermione. – cumprimentou Gina animada.

- Oi Gina, Malfoy.

- Pode me chamar de Draco, Granger.

- Sendo assim me chame de Hermione. – pediu a morena convidando os dois para entrar.

Gina entrou na casa puxando Draco pelo braço, encontrando certa resistência. Os três se dirigiram até a sala de jantar onde a mesa já se encontrava arrumada.

- Onde está Rony? – perguntou Gina nervosa.

- Estou aqui. – respondeu o próprio entrando no cômodo.

Um silêncio incômodo se seguiu durante os minutos seguintes em que Rony e Draco se encararam sem nem ao menos piscar. Gina já se arrependia de não ter trazido a varinha para uma emergência quando Rony resolveu se manifestar.

- Olá Gina, Malfoy. – cumprimentou ele com a voz mecânica.

- Oi maninho, que saudade. – cumprimentou a ruiva abraçando-o carinhosamente.

Draco se limitou a acenar com a cabeça. Achou que se abrisse a boca talvez fosse vomitar de nervoso. Estava em território inimigo. Literalmente.

- Vamos jantar? – chamou Hermione tirando-o de seus pensamentos.

DG

Draco olhou discretamente para o seu relógio de pulso por debaixo da mesa e não pôde evitar que uma onda de alívio o invadisse. Já estava lá há pouco mais de uma hora, o que significava que não faltava muito para que ele e Gina fossem embora. Sobrevivera.

- Adivinha o que eu fiz para a sobremesa Gina? – perguntou Hermione animada, talvez pela quantidade exagerada de vinho que havia tomado.

- Não, Mione. Você não faria isso. – brincou Gina com os olhos brilhando.

Por Merlin, será que todas as mulheres dessa família são assim beberronas, pensou Draco enquanto tentava não parecer ainda mais nervoso com toda a situação.

- Pudim de leite. – gritou Hermione esganiçada antes de Gina pular em cima dela a abraçando.

- Posso desenformar? – pediu a ruiva parecendo muito com uma criança.

Hermione se limitou a sorrir de volta para a cunhada e as duas saíram correndo rindo como loucas até a cozinha deixando Draco e Rony sozinhos na sala de jantar.

- Leve a doninha até a sala que eu já levo um pedaço de pudim pra vocês. – ordenou Hermione colocando só a cabeça para fora da cozinha.

Draco franziu a testa em desagrado. Ela havia mesmo o chamado de doninha? Sério, alguém deveria retirar todas as garrafas de vinho daquela casa.

- Vamos Malfoy. – chamou Rony tirando Draco de seus pensamentos.

Os dois seguiram até o outro cômodo e Rony seguiu até o bar servindo uma dose de licor para cada um.

- Senta aí. – falou Rony entregando uma das pequenas taças para Draco.

- Não sabia que os Weasley bebiam tanto em jantares. – alfinetou Draco.

- Só quando a visita pede. – devolveu Rony.

Os dois ficaram em silêncio e Draco se concentrou em seu licor o máximo que pôde. Evitar contato, evitar contato. Era essa a receita do sucesso.

- Quais são as suas intenções com a minha irmã?

- As melhores.

- Duvido.

- Não perguntei se acreditava. – respondeu Draco. – Eu gosto realmente da sua irmã e gosto de estar com ela também. Pra mim isso é mais que suficiente.

Rony abriu a boca para argumentar, mas foi interrompido quando Gina e Hermione entraram pulando sorridentes com duas fatias de pudim.

- Eu que fiz. – gabou-se Hermione entregando um pedaço para Rony.

- Eu que desenformei. – gabou-se Gina no mesmo tom de voz enquanto entregava o pedaço de pudim para Draco.

Os dois casais continuaram na sala por mais uma meia hora em que Gina e Hermione tagarelaram sem parar enquanto Rony e Draco se encaravam como que se desafiando. Foi com grande alívio que Draco se viu entrando em seu carro com Gina e dirigindo até a casa da ruiva.

- Foi muito ruim? – perguntou ela apreensiva quando ele parou o carro em frente a sua casa.

Draco se virou pronto para reclamar do fato de ter sido chamado de doninha e ter sido largado sozinho na sala com um ruivo assassino, mas as palavras pararam a caminho da sua boca ao ver o estado da ruiva. O rabo de cavalo estava totalmente desfeito e suas bochechas estavam rosadas, os olhos brilhando pra ele.

- Foi maravilhoso. – respondeu ele sem pensar.

A ruiva sorriu exageradamente para ele e o beijou antes de sair do carro aos tropeços.

- Acho que você precisa de ajuda. – brincou o loiro pulando do carro e ligando o alarme antes de ajudar a ruiva a caminhar até a sua casa.

- Não precisa Draco. – protestou ela enquanto se deixava guiar pelo namorado.

- Pronto, agora cumpri minha missão. – brincou ele deitando-a na cama de casal de seu quarto. – Amanhã venho te trazer uma aspirina.

- Dorme aqui Draco.

Gina falou muito rápido, mas para Draco pareceu uma eternidade. O loiro parou a meio caminho da porta, processando o que acabara de ouvir. A proposta era tentadora, mas Gina estava meio alta e não tinha noção do que falava.

- Melhor não Gina. Brian pode acordar e...

- Ele foi dormir na Toca.

- Mesmo assim. Você não está totalmente sã.

- Vem aqui Draco. – chamou Gina.

O loiro caminhou cauteloso até a cama e se sentou na beirada ao lado da ruiva. Gina levantou até ficarem os dois na mesma altura e esticou a mão acariciando a nuca do namorado e o puxando lentamente para perto de si até seus lábios se tocarem. O beijo começou tímido, mas logo Draco perdeu o pouco controle que lhe restava e aprofundou ainda mais o contato dos dois deitando por cima de Gina sem perceber.

- Gina, você não sabe o que tá fazendo. – arfou ele separando suas bocas por um instante.

- Claro que sei. – murmurou Gina encarando o loiro.

- Eu tenho que ir. – murmurou Draco desviando o olhar e apoiando as duas mãos uma de cada lado do corpo da namorada para se levantar.

- Você não vai, porque eu sei que você quer ficar. – ralhou Gina enrolando as duas pernas em volta de Draco. – Eu sinto.

- Tem certeza? – perguntou ele cauteloso.

- Absoluta.

Draco puxou Gina para mais um beijo, com a certeza de que nada no mundo o faria ir embora dali. Beijou e tocou Gina como jamais havia feito com outra mulher antes, suas vozes se confundindo, suas peles queimando, os olhares se perdendo.

- Eu te amo. – foi a última coisa que Draco ouviu antes de escorregar para o lado de Gina e aninhar a cabeça em seu colo para dormir.

DG

Gina acordou na manhã seguinte com o sol batendo incomodamente sobre si. Espreguiçou-se como uma gata na cama vazia quando seus olhos bateram sobre as roupas masculinas jogadas no chão. Os acontecimentos da noite anterior invadiram a sua mente e ela não pôde evitar que um sorriso tomasse conta do seu rosto. Virou-se de barriga pra cima na mesma hora que a porta do banheiro se abria e Draco saia de lá com uma toalha enrolada na cintura, o tronco molhado e os cabelos grudados no rosto.

- Bom dia dorminhoca. – brincou ele.

- Bom dia. Dormiu bem?

- Maravilhosamente. E você?

- Sem palavras. Mas agora preciso de um banho.

A ruiva pulou da cama em direção ao banheiro, mas Draco a impediu no meio do caminho e a puxou para um beijo. A ruiva sorriu e o beijou com vontade antes de correr para o banheiro deixando um loiro se descabelando, literalmente, para trás.

- Vai acabar ficando careca. – brincou ela antes de trancar a porta.

Minutos depois Gina descia as escadas vestindo um short xadrez curto de algodão e uma frente única verde. Não encontrara Draco lá em cima e imaginou que ele havia descido. Encontrou o loiro na cozinha preparando alguma coisa no fogão. Vestia apenas a calça, os pés descalços batendo no chão impaciente.

- Senta aí ruiva, o café já tá quase pronto. – falou ele calmamente.

- Como sabia que eu estava aqui? – perguntou ela sentando-se à mesa.

- Você é tão silenciosa quanto um trasgo. – brincou ele servindo ovos e bacon em seu prato. – Torradas?

Gina sorria com aquela cena absurda. Draco Malfoy lhe servindo o café da manhã? Sem camisa? Merlin devia gostar muito dela. Os dois tomaram café em silêncio e depois subiram para que Draco pudesse terminar de se vestir e aparatar em sua própria casa.

- Nos vemos amanhã? – perguntou ele puxando-a para um abraço.

- Claro. Podemos almoçar juntos, que tal?

- Ótimo.

Os dois ficaram se encarando durante alguns minutos, o silêncio ecoando no quarto. Draco se inclinou para beijar Gina e depois aparatou deixando-a sozinha no quarto desarrumado.