Maus ventos

- Você não quer carona? A gente pode colocar a sua bicicleta no porta-malas e te deixar em casa rapidinho. – disse Itachi.

- Não, obrigada. Você já fez muito por mim hoje. – eu disse, sem nem olhar na cara dele.

Eu tirei a minha bicicleta da moita em que ela estava jogada sem permitir que Sasuke me ajudasse. Depois de eu me enroscar em alguns galhos teimosos, eu subi nela e comecei a pedalar o mais rápido que as minhas pernas me permitiam.

Eu nem esperei para ouvir o que nós iríamos fazer a partir de então e nem para me despedir. Eu sei que aquela minha atitude era meio infantil, mas eu estava fula com a vida e com todo o resto!

À volta para casa foi boa para eu limpar a minha mente. A escuridão da noite e a solidão das ruas à meia-noite eram reconfortantes. Quando eu cheguei em casa e deitei em minha cama, eu não tive dificuldade nenhuma para dormir.

Mas pela manhã, tudo o que eu mais desejava era não ter conseguido pregar nenhum dos meus olhos naquela noite.

-x-

A impressão que eu tive era de que os pesadelos começaram logo em que eu fechei os meus olhos e que eles não pararam até que o meu despertador tocou às oito horas da manhã, a única hora em que eu consegui escapar da minha própria mente e despertar.

Nos pesadelos eu estava sozinha, em um lugar escuro. Eu não conseguia ver nada a minha volta além da escuridão, eu não conseguia emitir nenhum outro som além daquele que a minha respiração fazia e os meus pés estavam escondidos no meio de uma névoa espessa que às vezes me fazia tropeçar em minhas próprias pernas.

De repente um par de olhos vermelhos brotava na escuridão e presas enormes cortavam parte do meu braço direito, que começava a sangrar imediatamente. O sangue que escorria tapava a tatuagem recém gravada em meu pulso.

Aí eu começava a correr. Uma corrida sem sentido, que não me levava a lugar nenhum e que não me afastava nem um pouco dos olhos vermelhos.

Então uma voz cortante invadia os meus ouvidos e repetia uma mesma frase até que eu afundasse na escuridão e o sonho começasse de novo.

"Você não vai conseguir salvá-lo."

-x-

Pela manhã, os lençóis da minha cama estavam ensopados de suor por causa dos sonhos que me assombraram a noite toda e os meus cobertores estavam jogados no chão. Eu olhei para o meu pulso direito, para a tatuagem. Ela ainda estava lá e não havia sangue nenhum.

Eu resolvi tomar um banho, vestir a minha calça de moletom e a minha camiseta mais confortáveis e depois descer para tomar o meu café da manhã. Os meus pais já estavam sentados à mesa, ainda vestindo os seus roupões, mas Naruto não estava lá.

- Bom dia! – a minha mãe disse.

- Bom dia. O Naruto já tomou o café da manhã? – eu perguntei.

- Não, ele ainda não desceu. – respondeu o meu pai.

- Eu vou chamar ele, então. – eu disse.

Eu subi as escadas devagar, dei umas batidinhas de leve na porta do quarto de hóspedes e, como não houve nenhuma resposta, eu entrei. Naruto vestia somente uma calça preta de pijama e estava em pé em frente à janela, e parecia estar olhando alguma coisa sem realmente vê-la.

Ele se virou lentamente para olhar quem havia entrado. Quando ele percebeu que era eu, ele se aproximou e segurou a minha nuca. O que ele fez em seguida me deixou espantada e confusa. Ele me beijou de um jeito que tirou todo o meu ar.

Quando eu me separei para assim poder respirar e perguntar o que havia acontecido com ele, ele me puxou de novo para mais um beijo. Dessa vez eu o empurrei e dei um tapa que além de ter doido nele doeu em mim.

O jeito que ele me olhou em seguida foi estranho. Ele me deixou com medo, mas também me deixou excitada ao mesmo tempo. Era como se ele estivesse enxergando a minha alma e mais um pouco. Naruto agarrou o meu pulso direito com força, eu até já estava ficando com medo do que viria a seguir, mas então ele me largou logo em seguida.

- Naruto? O que está acontecendo? Você está bem? – eu perguntei.

Ele ficou me olhando por mais um tempo, sem dizer nada. O encanto que por um momento quase havia me possuído estava deixando os seus olhos.

- Desculpe-me, eu não sei o que deu em mim. – ele disse, balançando a cabeça.

- É melhor você tomar um banho e depois descer para tomar o seu café. A sua cor não está nada boa! – eu disse, saindo do quarto.

Pelo bem de nossa amizade, eu iria esquecer o que havia acontecido ali.

-x-

Eu voltei para o meu quarto, me joguei na minha cama e afundei o meu rosto no travesseiro. O ar começava a me faltar, mas eu não estava vendo muito problema naquilo e até estava gostando da sensação.

Eu me virei e comecei a fitar o teto. Nada estava fazendo sentido para mim naquele momento. Um demônio, uma tatuagem, um pesadelo, um quase beijo, um grande beijo...

Eu não havia tomado o café da manhã e o meu estômago roncou, mas eu não me importei.

Um barulho irritante começou a invadir os meus ouvidos, o barulho de uma nova mensagem vinda da garrafa. Eu estiquei o meu braço o máximo que eu pude sem sair do lugar em que eu estava e peguei o recado. Era de Itachi e dizia que Tsunade havia aprovado a nossa atuação. Eu não sabia como ela sabia daquilo, mas já que ela achava não seria eu quem iria discordar.

Eu coloquei a garrafa de volta ao lugar e então peguei o meu livro de feitiços que estava ali por perto. Eu me sentei e resolvi ler algumas páginas só para me distrair.

Abri em uma página qualquer, quase no meio do caderno. O título no topo da página dizia "Casas Gêmeas". Eu comecei a ler as palavras escritas com uma caligrafia fina.

A primeira coisa que eu li era uma anotação. Ela dizia algo sobre um arquiteto muito antigo e famoso e sobre as duas últimas casas que ele havia planejado antes de morrer. Depois disso o feitiço começava e ele envolvia muita coisa e muitas palavras difíceis.

Havia também um símbolo, parecido com três espirais de caracol distintas, que eram grudadas entre si pelas pontas e que uma legenda pequena chamava de "migração" e que a definia como sendo "um símbolo do povo indígena Hopi, que transmite a idéia de vários retornos ou da volta ao lar". Em uma nota de rodapé estava escrito que bastava apenas ir até o armário de vassouras e soprar fumaça no símbolo.

Soprar fumaça no símbolo. Eu não havia entendido aquilo. E de que armário de vassouras a minha tia-avó-bisavó-eu-sei-lá-mais-o-que estava falando?

Já que os meus pais haviam saído para fazer compras e já que parecia que Naruto não queria ver a minha cara depois do que havia feito, eu desci as escadas e fui até o único armário de vassouras da casa. Eu liguei a luzinha que havia por ali e não vi nada de mais por lá.

Foi quando um brilho prateado chamou a minha atenção. Bem no fundo do armário, atrás de um cabo de uma vassoura, o símbolo "migração" estava desenhado com uma tinta prateada linda. Eu me aproximei para ver melhor.

Era mesmo aquele símbolo! Eu encostei a ponta dos meus dedos nele e nada aconteceu. Eu acho que aquilo só funcionava com quadros. Aí eu me lembrei da história da fumaça.

Eu fui até a cozinha e peguei uma caixa de fósforos, acendi um deles perto do símbolo, chacoalhei para apagá-lo e esperei até que a fumaça acabasse. Nada aconteceu. Então eu resolvi acender outro fósforo e apagar soprando.

Ao fazer isso, um pouco da fumaça rodeou o símbolo e o brilho da tinta prateada se tornou tão forte que eu tive que fechar os meus olhos. Ao abri-los novamente uma coisa havia mudado no armário de vassouras. A parede em que o símbolo estava havia se transformado em uma porta, que levava diretamente até o corredor principal da casa dos irmãos Uchiha.


Biahcerejeira: Desculpa Biah! Valeu por continuar lendo a fic. A única coisa que eu tenho a te dizer é que você está indo no caminho certo, mas que vai rolar algumas surpresas ainda! xD
Strikis: Seja bem-vinda Strikis e continue lendo a minha fanfic!
Lirium-cham:Desculpa Lirium! É que o design do mudou e eu não consegui ver os comentários por um tempo!

Bem, gente, obrigada pelas reviews! Ah, vou aproveitar e pedir desculpas a todas as pessoas que acompanham esta fanfic e que foram vítimas da minha maldade! Hohoho! Continuem lendo, tudo bem? :)