Estarei em Todo o Mundo ao Seu Lado

Capítulo 10

... num movimento rápido, afastou o sobretudo de seu peito pernas e sacou dois revólveres com extrema maestria e agilidade, tirando-os de coldres atados em suas pernas, apontando cada arma para um lado de seu corpo. Então, ouviu o som que tanto conhecia e disparou.

Shuichi agarrou-se no sobretudo de Yuki por trás, em choque.

Yuki conhecia em o som de armas sendo engatilhadas, e sabia que tinha que ser mais rápido quando ouvia esse som. As lembranças de Shuichi e Yuki viriam a ser muito confusas e falhas desses minutos que vieram a seguir.

"Shuichi, escada!" Yuki gritou, ao ver os cinco homens saindo das portas laterais, dois deles feridos. O problema era... todos estavam armados como Yuki. Os dois desceram as escadas, Yuki atirando de volta com destreza, seu corpo sofrendo pouco impacto dos disparos de suas próprias armas.

Yuki empurrou Shuichi com força para a parede e atirou contra um homem alto. Acertou-o no braço. Eiri desvencilhou-se dos cabelos em seu rosto com um tranco de cabeça e recarregou.

Um tiro, dois tiros, três tiros. Yuki... era realmente habilidoso.

Neve... de sangue. Fria, cortante, penetrante.

Shuichi sentiu uma bala passar bem ao lado de sua orelha; 'o que está acontecendo? não posso morrer agora...' pensou. Mas Yuki não pensava: ele havia a muito se acostumado com sons de tiros e como lidar com situações como aquela. Depois de ter matado Kitazawa naquele lugar, ele voltara para o Japão, e como dissera a Shuichi uma vez, '...depois daquilo, eu virei m arruaceiro incontrolável. Aquelas lembranças felizes de quando eu era tímido e comportado sumiram. Virei um idiota que só arrumava briga na rua...' . A questão era... tudo aquilo voltara à tona. Tudo estava dando errado... Não era para ele substituir aquelas lembranças? Não era para ele superá-las levando Shuichi ali? Mas... Shuichi? SHUICHI???

Pulou um corpo, atirou para trás. Aquele barulho... era tão calmante... queria esquecer da vida... Queria ver morte... Queria estraçalhar tudo e todos.

Sangue, remorso, só mais uma vez... queria ver aquilo. A última vez... Afinal, dera-se conta de que Shuichi... havia sido morto.

E... no fundo, fora ele – ele até trouxera armas... sabia muito bem o quão perigoso isso podia ser.

Nessa hora, pulou o último patamar da escada de um salto só e aterrisou no andar de baixo. Passando pelo hall, raciocinou. "Antes de pular da escada, abati um. Mais outros dois antes do tiroteio... Agora faltam dois." Olhou para baixo e viu que se casaco tina um furo do lado esquerdo. Depois pensaria no maldito casaco... Agora só conseguia pensar em Shuichi.

Frieza, calma, destreza. Era disso que ele precisava no momento. Porém, a única coisa que conseguiu foi ódio, dor e um desespero abismal.

Shuichi havia...


"K, onde está o Shu?" perguntou Hiro ao empresário sentado à sua frente na mesa em seu quarto.

"Hum... não sei. Ele disse que sairia com Yuki-san essa noite, mas não quis me dizer onde..." Hiro começou a fechar a camisa aberta.

"K, eu... estou me sentindo estranho... Não há nenhum jeito de descobrirmos onde ele está?" K franziu as sombrancelhas e apanhou o celular, ligando para Shuichi.

"Ele não atende. Estranho... very estranho..." Hiro estava prestes a sair do quarto a fim de ir ao seu quarto pegar o celular e ligar para Shuichi quando disparou:

"K... Você não tinha dado a ele um celular com radar?"

"Ah, sim... Vamos ver... Hirosh..." Mas ele não terminou a frase. Somente franziu as sombrancelhas preocupado e pegou Hiro pelo braço, levando-o pelo corredor enquanto tirava a gravata e checava a munição extra em sua cintura.

"K, o que está acontecend..."

"Hiroshi, ligue para Yuki-san." Hiro obedeceu, temeroso. Três, quatro, cinco toques. Caixa postal.

Frio, trevas, tremor. Exatamente o que sentira quando Aizawa Taki...

"Não atende..." Hiro murmurou, enquando K apertava seu braço mais forte. Ele... estava nervoso, a face consternada e séria, diferente do enérgico e estimulante K de sempre. Então, ele estava certo... Shuichi...

"Nakano-kun, fique aqui e certifique-se de que..." Hiro subitamente empurrou K na parede, mantendo-o preso fortemente.

"ME FALA, K! O que ta acontecendo?!" Hiro agonizava, gritava...

...chorava.

O tão contido Nakano Hiroshi quebrava-se na frente de K. E o tão profissional e eficiente K não estava conseguindo suportar aquela visão. Doía demais.

"Shuichi e Yuki-san estar no lugar onde Yuki matou Kitazawa-san, seu antigo teacher. Shuichi já deve ter lhe contado isso, Tohma me contar antes de Bad Luck vir para NY. Hiroshi... you ter certeza?"

Hiro olhou para K com os olhos fixos e sérios, penetrando-o com o olhar.

"Sim, K."

"Hiroshi, eu fazer tudo para consertar a situation. Vou fazer algo, ter que fazer algo!" Hiro olhava-o frustrado.

"Eu preciso disso, K! Deixe-me ir! Deixe-me fazer algo..." mas Hiro foi interrompido.

K sabia muito bem que se levasse Hiro, se precisasse tomar uma medida perigosa, colocaria o guitarrista em perigo de morte. Hiro não podia correr o risco de morrer se isso não fosse inevitável. Os pensamentos de K disparavam naqueles milésimos de segundos:

Droga, Hiro... você não pode morrer! Você foi a primeira pessoa nesse mundo que eu consegui confiar e realmente me sentir bem ao lado...

E então K o beijou. "Confie em mim", foi o que disse a Hiroshi naquele beijo.

Confie em mim, Hiro, como eu confio em você...!

Segurava os cabelos do guitarrista com força, enquanto o mesmo segurava levemente seu casaco.

Depois de alguna segundos Hiro fito-o, um pouco ofegante. Franziu as sombrancelhas, sua boca ainda levemente aberta – e deu meia volta.

Um, dois, três, quatro, cinco passos...

Mas seus olhos ainda estavam cheios de lágrimas, ardendo em agonia... Porque ele confiava em K. Ele decidiu que confiava em K. Hiro entendeu, e então respondeu, virando-se para K – beijou-o lentamente porém rapidamente, envolvendo seu pescoço de leve com suas mãos finas e elegantes.

"E confio"

K pôde então virar-se com um meio sorriso melancólico e correr.


Enquando lágrimas de ódio percorriam sua face, Eiri ouviu o som de um carro e olhou para onde o som vinha. Eles deveriam ter levado Shuichi. Ele atirou e errou - estava trêmulo de raiva. Mas então, enquanto corria em direção ao seu próprio carro, ouviu um grito atrás de si...

"EIRI! EIR..." mas o som foi abafado, e quando virou-se no volante, viu: Shuichi estava sendo segurado por um dos dois homens que ele não fora capaz de matar, e... não... ele estava... coberto de... sangue...

Yuki não entendia nada. Shuichi estava vivo, porém ensangüentado. No mínimo, havia sido baleado. Suas mãos tremiam, mas ele se concentrou. Se errasse a mira...

"Muito bem, Eiri-kun. Você fez exatamente o que nós havíamos esperado ansiosamente durante todos esses anos. Hoje..."

Yuki sabia. Hoje era o aniversário de morte de Kitazawa. E aqueles... aqueles eram pessoas querendo vingar a morte de Kitazawa...

Shuichi tentava se soltar dos braços do homem alto que o segurava, mas o aperto forte do homem em sua garganta e braços não o deixavam escolha senão ficar parado, pois quanto mais se debatia mais o homem apertava o braço em sua garganta. Shuichi segurava-se para não chorar com uma força incrível – queria dar sua força a Yuki.

Seu amor... ia muito além de dor, vida ou morte...

"Largue-o." Yuki disse com calma, porém via-se claramente que sua voz estava preenchida com uma ódio. Seus cabelos ao vento frio da noite davam chance aos dois homens fitarem os olhos assustadores de Yuki, aquele Yuki frio, habilidoso e furioso.

"Este seu brinquedinho tentou me machucar, como você fez ao Kitazawa-sama. Eu não vou perdoa-lo também. Agora, terei que me vingar dos dois...!"

Riu com amargor, e então virou-se para Shuichi, puxando os cabelos do garoto e lambendo sua orelha ruidosamente. Shuichi contorceu-se tentando se soltar.

Yuki chorava de raiva. Ele não podia atirar, pois com certeza acertaria Shuichi. Não podia correr em seu socorro, pois eles matariam Shuichi se fizesse isso. Na verdade, matariam Shuichi de qualquer jeito, e em seguida ele... Seria pior do que ver essas mortes pelas suas próprias mãos. Ele estava completamente impotente... Ele tinha que fazer algo... Seu corpo inteiro tremia de ódio e desespero. E aquela visão repugnante... Denovo, estava fazendo Shuichi passar pelo mesmo que ele...

E tudo por causa de um trauma idiota.

Estavam quebrando Shuichi diante de seus olhos, e ele não podia fazer nada. Será que... ia acabar assim? Os dois iriam ter que morrer pelas suas próprias mãos? Será que seria melhor assim? Yuki se odiou por ter que colocar m fim na vida de Shuichi daquele jeito. Ainda não conseguia aceitar...

Ele estava matando Shuichi.

Ele trouxera as armas.

Ele trouxera Shuichi àquele lugar.

Ele o amava a ponto de perder a cabeça de tal maneira que a embriagues dos sentimentos o permitiam transmitir a Shuichi tudo aquilo da maneira errada, nem de perto da maneira que ele imaginara compartilhar as coisas...

Era ele.

Alegria e tristeza, escuridão e trevas, esquecimento e presença. Era tudo tão... perto.

Yuki apontava uma arma, Shuichi debatia-se debilmente, um homem mirava uma arma em Shuichi e a outra em Yuki, o outro segurava o cantor e também apontava uma arma para o mesmo, prensando o cano da arma contra se pescoço.

Aquilo era um perfeito caos.

E dois tiros se ouviram, vindos de trás dos dois homens. Depois, mais dois tiros, uma pausa de poucos milésimos e mais dois.

K suspirou, recarregou as duas armas e andou em direção aos homens mortos. Acertara um com um tiro no crânio, outro tiro no tronco e outro tiro na perna – não o deixara viver, andar ou respirar a tempo de fazer alguma coisa contra algum dos presentes. O outro, acertara em cheio na nuca, que estava à direita da cabeça de Shuichi, o outro tiro pegara em sua perna e o outro denovo um pouco mais em cima na cabeça – não atirara no tronco pois a bala poderia ferir Shuichi. Ele não estava alterado, por isso confiava totalmente em sua mira, rapidez e destreza.

O empresário andou em direção a Yuki que ainda segurava uma arma, fitou-o rapidamente e recolheu o corpo desmaiado de Shuichi.

"Ele já havia desmaiado?" perguntou alarmado a Yuki.

"Não. Foi quando você atirou. Deve ter achado..."

"Vou levá-lo comigo. Preciso ver se ele tem algum ferimento grave, e se for o caso levarei ele a um hospital. Pode vir conosco, Yuki-san?" K disse calmamente, embora estivesse se corroendo por dentro.

Yuki não respondeu. Apenas respirou fundo e enfiou o rosto entre as mãos, guardando as armas nos coldres em suas pernas. Chorava fortemente, não estava nem aí para K. Ele estava destruído por dentro e não havia orgulho que o impedisse de sofrer. Então, K percebeu o que estava acontecendo e simplesmente levou Shuichi até seu carro na outra rua, a magnum ainda engatilhada. Quando chegou ao carro, depositou Shuichi no banco de trás e checou seu corpo. Como Yuki era confuso e insensível... Mas ele sabia o que Yuki estava sentindo. Afinal, já sentira-se assim antes. Destruir alguém que amava não era novidade para ele... Por isso vivia longe de sua família. Quando amara loucamente pela única vez havia destruído e possuído tanto que quando resolveu casar-se com uma mulher que gostava a ponto de se importar muito com ela e gostar de sua presença, resolveu morar longe. Tinha tanto medo de chegar a amá-la e destruí-la que preferia viver longe.Então sabia exatamente que Yuki queria apenas sair de perto. Mas também conhecia Shuichi bem o bastante para ter certeza absoluta que isso não era o melhor para ele. Quando ouviu o carro de Yuki partir, Sentou-se no banco da frente e ligou a ignição, partindo rápido. Então pegou o celular e discou.

Hiro atendeu o celular rapidamente, ansioso por notícias.

"Nakano-kun, Shuichi está relativamente bem, não corre risco de vida. Porém, ainda está desmaiado e fraco." Hiro soltou um suspiro, aliviado. Isso era o bastante – Shuichi estava vivo e bem.

"Hiro, achar melhor..."

"Sim, eu sei. Eu já estava indo pegar minha moto."

"Ok. Origado, Hiro-kun. Deixo isso com você."

Hiro sorriu e desligou o telefone. Andou decidido pelo hotel, batendo a porta atrás de si. Ele sabia exatamente o que faria por Shuichi, algo que só ele entendia o suficiente para conseguir vencer aquela batalha.

Yuki olhou para o horizonte, seu olhar vago e vidrado, seu corpo frio, suas mãos rígidas no volante.

Eu tinha medo de estar sozinho,

Mesmo que fui cingido pela lua no céu

Por causa das lágrimas incapaz de te ver, eu te

procurava, gritando

Eu fui refletido em seus olhos, estava rindo

Nós iremos para nos encontrarmos mais uma vez, antes

que eu possa sorrir

Eu te via gritando e desaparecendo nas trevas

Dê-me uma abraço apertado,até que eu quebre

Se nós reencontrarmos mais uma vez, isto será em um

sonho.

Pare este coração, por favor

Dê-me uma abraço apertado, até que eu quebre

O sonho, de que eu tenho acordado, está desaparecendo

Os seus braços e a sua amada voz estão indo embora

Nos encontraremos mais uma vez, por causa que

prometemos isto

Somos suavemente levados para o real amor

transbordante

Pare este coração, por favor

Você não pode ver

Você não pode ver

"Yami No Shuuen" by Gackt.


Ufa! Finalmente consegui!!! Desculpem-me pela demora agoniante... Além de esse capítulo ter sido dificílimo de fazer, tive mil festas de final de ano, viagem, etc. e não queria postar antes de estar muito bom.

Bom, dessa vez coloco uma lista de algumas das músicas que ouvi durante o processo de criação desse capítulo.

. Papa Mama Nozomarenu Baby – Miyavi (no final do processo, revisão e conclusão. Ouvindo agora, por sinal!)

. Farewell – Gackt

. Lust for Blood – Gackt (essa foi a música que fez a cena vir na minha mente e então criei essa pedaço da fic!)

. Metamorphoze – Gackt

Meguriai - Gackt (a new version of a Gundam song)

. Tem uma que eu não consigo identificar o nome, mas é a faixa 6 do álbum "Crescent" do Gackt.

Espero que tenham conseguido sentir mais ou menos o que eu senti quando imaginei esse cap. No próximo, ainda esperem por mais resoluções... Afinal, ainda tem várias coisas pendentes, né...

É penoso escrever fics sérias e com esse conteúdo pesado. Mas eu gosto tanto de criar essas atmosferas mais profundas, é meio que algo que envolve mesmo, e emoções fortes e atmosferas são o meu forte. Tenho mania de atmosfera.

Bom, até o próximo cap!