Título: Incertezas
Personagens: Harry & Draco
Classificação: PG-13
Avisos: Pós-DH

Notas:
- Escrita para o Fest Food do PSF.

Temas: pirulito, chocolate, chantilly, cerveja amanteigada (3 ficlets)
Contagem de Palavras: 266, 300 e 300


Incertezas


I

Fazia apenas cinco minutos que o trem para Hogwarts partira com James e Albus, quando uma bruxa veio para perto deles empurrando um carrinho cheio de quitutes. Lily imediatamente gritou que queria um doce, apontando excitada.

Harry se aproximou do carrinho, identificando sapos de chocolate, bolinhos de caldeirão, feijões de todos os sabores. Observando o carrinho naquele lugar o fez lembrar-se de seus primeiros dias de escola. Naquela época, tudo lhe parecera perfeito, Hagrid, Ron, Hermione, Hogwarts, até mesmo a rivalidade com Draco Malfoy.

De canto de olho, viu o próprio Malfoy adulto se retirar da Plataforma nove e meio, conduzindo a esposa delicadamente pelo cotovelo.

Em um dia de verão como aquele, Harry e Ron comiam aqueles doces quando o loiro viera em sua cabine do trem, oferecendo sua valiosa amizade. Lembrava de como queria socar a cara pontuda e arrogante quando ofendeu seu amigo. E também se lembrava de como esse ódio se transformara no sexto ano em algo completamente diferente.

Malfoy não tinha mais um rosto tão pontudo, a idade havia suavizado um pouco suas feições, ou provavelmente pareciam assim porque estava com o filho quando se encararam. Até seu corpo magro pareceu-lhe bem definido naquelas roupas severas. Pensara que ele ficaria igual à Lucius, mas Draco ainda era o Draco do qual se recordava. Harry concluiu que sua figura era bastante agradável e atraente.

Sentiu um puxão em seu robe, interrompendo seu devaneio. Lily o olhou, aborrecida, dizendo que queria o pirulito que deixava a língua totalmente roxa. Enquanto entregava as moedas para a bruxa, não sabendo bem porque, Harry sentiu-se envergonhado.


II

Harry fingiu que dormia quando Ginny deitou-se no seu lado da cama. Era um hábito que adquiria para evitar conversas antes de dormirem, Harry não gostava delas, mesmo sentindo que seu dever de marido era ouvi-la.

Ginny cheirava a chocolate, depois do jantar ela trabalhara exaustivamente no bolo de aniversário de James, que mandariam para a escola no dia seguinte. Lilly havia feito uma bagunça com o chantilly, sujando toda a cozinha, e desencadeando uma discussão entre o casal. Era outro hábito, podiam discutir por coisas pequenas e sem importância.

Na verdade Ginny cheirava como Molly Weasley, que passava mais tempo cozinhando para os filhos do que qualquer outra coisa. Descobrira em pouco tempo que não era apenas no temperamento que a esposa havia se saído a cópia da mãe. Harry realmente achara que daria certo, montar uma família grande e viver como os Weasleys. Mas os anos de casado lhe mostraram que apenas fazia parte de seus sonhos infantis.

O desejo foi desvanecendo na medida em que as crianças cresciam e lhes tomavam tempo. Ela ainda era bonita, mas a rotina tinha a mágica de acabar com muitas coisas. As horas de folga, ele preferia passar com Ron e Hermione, não dando muito ouvidos aos conselhos dos amigos de como apimentar a relação.

Harry certificou-se de que a respiração de Ginny estava regular antes de mergulhar a mão para debaixo da cama, tirando uma pequena caixa contendo uma varinha. Tocou-a com certa reverência, gentileza, como se ela fosse uma parte do corpo de seu verdadeiro dono. Nunca entendera porque não a devolvera. Tampouco entendia porque se lembrou de tirá-la do fundo do armário depois de tanto tempo.

E na escuridão fria e indiferente do quarto, Harry sonhou com braços magros envolvendo seu peito e cabelos loiros acariciando seu rosto.


III

Na primeira noite que aconteceu, Harry não imaginara que o encontraria tão cedo.

Saíra do trabalho fazia apenas quinze minutos, e a briga do dia anterior com Ginny o levara a perder completamente a vontade de voltar para a casa. Então aparatou na porta do Caldeirão Furado, e pediu uma cerveja amanteigada. Ainda que precisasse muito, Harry não beberia nada mais forte, para evitar mais um motivo para Ginny discutir.

Foi pego de surpresa e quase se engasgara com a cerveja quando seus olhos encontraram a inconfundível cabeleira loiro-prateada. Ainda pareciam macios, seus dedos coçaram com o pensamento e Harry recriminou-se. Quando achara os cabelos de Malfoy macios?

O loiro também bebia cerveja amanteigada e levantara a cabeça na sua direção, percebendo que era observado. Harry disfarçou mal, desviando os olhos para Tom, que limpava a mesa do bar. Malfoy deu um sorriso de escaninho, que pareceu a Harry desconfortavelmente familiar, se aproximou da sua mesa e sentou-se na sua frente sem nem mesmo pedir permissão.

Típico. Harry estreitou os olhos como costumava fazer em Hogwarts, quando Malfoy aproximava dele com Goyle e Crabble. Suas intenções nunca eram boas, e aprendera a se manter em guarda com o sonserino.

Farpas foram trocadas, o sarcasmo e as provocações fluíam com naturalidade, como se vinte anos não tivessem passado. E sem nem mesmo pensar, logo uma garrafa de firewhisky estava sobre a mesa entre os dois. Uma aposta, obviamente proposta por Malfoy. Harry não gostava de perder, muito menos para Malfoy, e a armadilha estava armada.

Deveria saber que nada vindo do sonserino prestava. Ou aquela era tivesse sido intenção de Harry desde o primeiro copo de firewhisky queimando sua garganta. Mas realmente não se importou quando prensou o corpo do loiro contra a parede de um dos quartos do Caldeirão Furado.


Continua...?

Março/2008