10 – O objetivo de Sage

- Você não quer mesmo desabafar comigo, filha? – dizia um amável padre Sage.

Desabafar era um eufemismo utilizado na ocasião para substituir o ritual no confessatório. Como não estavam em uma igreja, o padre cedeu seu tempo gentilmente para a filha em questão. Iria trocar algumas palavras com Lin e depois retornar à Igreja.

- Não – cortava Lin. - Estava repleta de amargura.

Sage olhou de relance para Lin. Não conseguiu completar o movimento, uma vez que sua visão ficara turva. Seus olhos estavam molhados. Queria conter ao máximo a emoção, mas já não podia. Aonde havia errado com Lin? Flashs de outros tempos permeavam a sua mente.

- Eu quero é ser uma grande médica! – dizia uma meninha linda com os cabelos castanhos. À contra luz, seus olhos adquiriam tons esmeraldinos.- Esse é o meu maior objetivo.

- Médica? Mas é uma profissão tão difícil... – dizia com sabedoria o Padre Sage – Exige coragem! Será que você tem isso? – instigava com um olhar sério e ao mesmo tempo esboçava um quase imperceptível sorriso de entreabrir os lábios.

- Tenho! È o que eu mais tenho na vida – dizia a criança de uma maneira decidida. Eu quero é me dar bem na vida!

- Não diga isso! – Repreendia Sage. – Não queira ser médica apenas pelo status da profissão – falou de maneira severa.

-Status? O que é isso? – Questionava a menina.

Sage vendo a confusão instalada nos olhos da menina, deixou que a mesma prosseguisse em seu raciocínio. "Pelo jeito não sabe o que é status. Bom, menos mal", dizia para si mesmo.

-Eu quero é ser médica porque não gosto de ver ninguém sofrer. Eu quero sarar as pessoas – explicou com grande energia em sua voz.

- Ah, então você tem um objetivo? – Dizia Sage com a voz calma.

Sasha fez que sim com a cabeça.

- E você Lin? – Perguntou a outra irmã. – Nunca me deixa saber o que se passa em sua mente. O que está segurando aí em suas mãos – apontou para o papel que Lin segurava.

A menina, a contragosto, entregou o papel que utilizara para desenhar. Nele, havia uma imagem. Era um esboço de uma criança. Uma criança sozinha. Sem adereços, sem flores, sem cores, sem grandes sonhos. Apenas uma criança sozinha.

- Não Lin, você não está sozinha! – disse Sage com o pensamento de volta ao presente.

Lin não esboçava nenhuma emoção.

- Ouça bem, eu estou aqui com você. Esse é o meu objetivo, cuidar de você. – Disse Sage com o olhar compassivo.

Ela sorriu, mas o movimento nos lábios durou pouco. Recordara da conversa no passado. Nunca tivera objetivo nenhum.

Já do lado de fora das instalações do hospital, Sage não entendera a reação de Lin em negar a sua ajuda. O padre acabara de chegar de Roma. Sempre que podia, participava das convenções anuais do curso de exorcismo oferecido pelo Vaticano. Assim que soube do caso de Lin, partiu imediatamente da cidade italiana ao Brasil para verificar o que ocorrera de fato com a praticamente enteada que vira crescer. Está certo que Lin era mais distante que Sasha, mas o seu comportamento nos últimos tempos não era considerado normal. Descobrir que Lin estava com AIDS fora um choque e tanto para o santo padre. Como conseguiria restaurar a ponte na relação entre Lin e ele? Sage tinha um grande trabalho pela frente. Ficara sabendo que Kato preferia se confessar com uma enfermeira do que com um profissional em que a profissão fora sacramentada. Em que momento ela havia percorrido um caminho desvirtuoso em sua vida?

oooooooooooooooooooooooooooooooOoooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Ivi Saori vestiu uma roupa bonita para ir ao encontro dos amigos na janta da noite. Usava uma camisa branca semi transparente, colada ao corpo, de modo que aparecessem o contorno das alças de um sutiã de renda no estilo body bege. Por cima da camisa, havia uma jóia. Era um maxi colar que acompanhava o contorno da gola da camisa na cor metal. Na extremidade do colar havia um pingente em forma de gota na cor rosa e preta. Podia-se dizer que era um colar no estilo gótico minimalista. Também compunha o visual da moça, uma calça de sarja na cor rosa bebê. Calçava um sapato de salto alto bico fino no mesmo tom da calça. Um par de brincos também minimalistas na cor ônix preta compunha o visual da menina. Não usava bolsa.

Pegou o seu carro e foi ao restaurante italiano que Temari marcou para se encontrarem.

Na entrada do restaurante, um loiro chamou a atenção de Ivi Saori. Seria o Naruto que tanto falavam?

Ele vestia uma blusa social azul escura e uma calça jeans em um tom mais claro. Calçava um sapatênis na cor da camisa. O cabelo no tom loiro era exatamente como as amigas haviam comentado. Sem contar os olhos azuis quase transparentes que ele possuía. Só podia ser o Naruto que tanto falavam.

Antes que pudesse fazer qualquer movimento, o loiro fora mais rápido.

- Saori é você? Meu nome é Naruto e eu sou seu acompanhante essa noite – falou com firmeza e confiança na voz.

Já Saori queria ser que nem um avestruz e enfiar a cabeça na terra.

CONTINUA