SUUUUURPRESA!

Here I'm once again... qq

Nem vou pedir desculpas pelo atraso da fic, porque nem sei mais o que dizer, sério mesmo gente. Falta de inspiração, ideias para outras fics, preguiça e vida pessoal toda desorganizada. Passei mals bocados em 2015, minha mãe veio a falecer, fiquei mal e desisti de muitas coisas. Sabe quando todos os seus planos/sonhos vão por água a baixo? Então, foi isso que aconteceu comigo.
Não vou prometer um capítulo para o mês que vem, mas tentarei terminar o próximo o mais breve possível.

Como eu vivo dizendo, não desisti da fic! Realmente não pretendia demorar taaaaaaaaanto tempo assim pra continuar a escrever.

De qualquer forma espero que curtam o capítulo. :3

Capítulo 9.

Patience, test my patience

Paciência, teste minha paciência

If I made it too hard for you maybe you should've changed it

Se eu fiz isso muito difícil para você, talvez você deveria ter mudado isso

Say it, you should say it

Diga, você deve dizer isso

'Cause I'd say I was wrong just to make it fill all the spaces

Porque eu diria que eu estava errado apenas para preencher os espaços

Waiting, always waiting

Esperando, sempre esperando

If I gave you control would you say that we could save it?

Se eu lhe desse controle você diria que podemos tentar?

I hope you find a way to be yourself someday

Eu espero que você encontre uma maneira de ser você mesmo um dia

In weakness or in strength

Na fraqueza ou na força

Change can be amazing

Mudar pode ser incrível

So I pray for the best, I pray for the best for you

Então eu rezo para o melhor, eu rezo para o melhor para você

I wish you could be honest

Eu gostaria que você fosse honesta

I wish you could be honest with me.

Eu gostaria que você pudesse ser honesto comigo

Chasing, always chasing dreams

Perseguindo, sempre perseguindo sonhos

Why'd you stick around, why'd you stay with me?

Por que você ficaria aqui, por que você ficaria comigo?

Why'd you fake it?

Por que você fingiria?

Hesitation is killing me too

Hesitação está me matando também

But I couldn't save it, I couldn't save it

Mas eu não pude salvar, eu não pude salvar

Honest - The Neighbourhood

O dia amanheceu ensolarado no sábado daquele fim de semana. Era possível ouvir o canto dos pássaros do lado de fora da janela, mas ainda assim, parecia o início de um pesadelo. Não estava com a mínima vontade de me levantar da cama. "Por que diabos eu fui aceitar essa ideia estúpida?" Revirei os olhos enquanto resmungava sozinho, respondendo a minha própria pergunta.

- Porque com certeza teria que explicar para a Angela, e bem explicado, o motivo de não querer receber na nossa casa a minha amiga de infância.

Suspirei, colocando a cabeça embaixo do travesseiro, em uma tentativa frustrada de me sufocar.

- Leon amor, o que está fazendo?

Fui pego de surpresa ao ouvir a voz de Angela ecoando pelo quarto. Contive um suspiro e afastei o travesseiro para o lado, fingindo meu melhor sorriso antes de respondê-la.

- Tentando me matar, embora não esteja dando muito certo...

- Bobo... - Ela apenas riu, uma risada um tanto incerta, se aproximando da cama e sentando na beirada. – Você precisa levantar e se arrumar, daqui a pouco eles vão chegar. Rebecca disse que viria mais cedo com Claire para me ajudar a fazer o almoço.

Meu estômago revirou assim que ela disse o nome de Claire. Imediatamente me sentei na cama, beijei-lhe a bochecha e levantei, caminhando em direção ao banheiro sem responder mais nada.

Angela já havia batido na porta umas duas vezes para avisar que elas tinham chegado. Eu estava demorando mais do que deveria no banho, tinha consciência disso, mas a vontade de permanecer ali escondido era maior do que descer e encarar aquela situação na qual estava metido.

- Já estou saindo...

Respondi pela terceira vez em que ela batia na porta, mas agora desligava o chuveiro. Ainda enrolei mais alguns minutos até finalmente me vestir e sair do banheiro. Desci as escadas ainda com a toalha pendurada no pescoço, me deparando com Angela ao pé da escada.

- Você demorou... – Falou impaciente ao segurar minha mão, praticamente me arrastando em direção a cozinha. – Já faz um tempão que elas chegaram.

- É que a água estava boa... – Sorri um tanto sem graça, agora não tinha mais volta.

Para minha surpresa, Claire parecia estar lidando muito bem com aquela situação. Assim que me aproximei de onde estavam, Claire me cumprimentou com um abraço, gesto que foi repetido por Rebecca logo em seguida.

- E então, onde está o Billy? – Perguntei enquanto puxava uma das cadeiras para me sentar, mas logo fui interrompido por Rebecca.

- Ele já está vindo, ia passar no mercado para comprar algumas coisas. Chris nos trouxe aqui, só não entendi muito bem porque ele não quis ficar, enfim. – Ela me deu uma tapa na nuca, só pra não perder o costume. – Pode caindo fora daqui, já pra sala...

- Mas...

- Sem 'mas', xô... Só fica aqui quem sabe cozinhar.

Fiquei indignado, como essa baixinha ousa me tratar assim na minha própria casa? Antes que pudesse questionar o que ela havia dito, a campainha tocou.

- Folgada...

Resmunguei antes de sair da cozinha, mas ainda consegui ver quando ela me mostrou a língua, o que causou a risada de Angela e Claire. Assim que abri a porta me deparei com Billy segurando uma caixa de cervejas em uma das mãos. Ele me cumprimentou sorridente ao entrar na casa, seguindo para a cozinha, onde cumprimentou as garotas.

- Cara, ainda bem que você chegou, não aguentava mais ficar sob custódia da sua baixinha tirana. – Falei com um tom de voz razoável, apenas para implicar com Rebecca.

- Que isso Leon, você só passou 5 minutos com ela... Imagina se tivesse que passar mais tempo? – ele abraçou a esposa antes mesmo de terminar a frase, sabia que se não fosse rápido acabaria tomando alguns tapas dela.

- Vamos deixa-las aí. Eu já fui oficialmente expulso da cozinha.

Ele riu, beijando o topo da cabeça de Rebecca e me seguindo para os fundos da casa. Aproveitei a ajuda dele para tirar a churrasqueira da garagem, e finalmente após arrumarmos as coisas no quintal, sentamos para tomar a cerveja.

- Vamos aproveitar que estamos sozinhos aqui, então vai, desembucha Leon.

- Do que você...

- Qual é. Sério que você vai mesmo tentar mentir pra mim?

Ele enfatizou bem a palavra tentar. Billy me conhecia muito bem e sabia melhor do que ninguém quando eu estava mentindo. Nada do qual ele pudesse se gabar muito, afinal sempre fui um péssimo mentiroso. Dei um gole na cerveja e o encarei, suspirando pesadamente antes de começar a falar. Definitivamente aquele seria um longo dia.

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- Então, faz quanto tempo desde o último reencontro de vocês?

Angela perguntou curiosa, sentando em uma das cadeiras próxima a bancada da cozinha. Embora Claire e Rebecca fossem visitas, fizeram questão de não deixá-la se esforçar por causa da gravidez.

- Não sei dizer com certeza, acho que a última vez foi no meu casamento com o Billy. Deve ter uns três anos, se não me engano.

- Acho que é isso mesmo. – A ruiva confirmou enquanto cortava alguns tomates para preparar o molho.

- Vocês se conhecem desde criança, não é?

- Só a Claire e o Leon... Eu cheguei depois. – A morena riu.

- Conhecemos a Rebecca no colegial. – Claire completou.

- Uaau! É incrível que depois de tanto tempo vocês ainda se dão tão bem.

Angela parecia realmente impressionada com aquilo. Queria fazer tantas perguntas sobre Leon, como ele era quando mais novo, e até mesmo se ele e Claire já haviam se envolvido no passado, mas não sabia se teria coragem o suficiente para fazer a última pergunta, talvez porque no fundo tinha medo da resposta.

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- Leon, você é um idiota!

Billy me olhava pasmo após o término da história. Dei um gole na cerveja e suspirei, sabia que ele tinha razão. Apenas dei de ombros, sabia que não havia nada para contestar.

- Você tem sorte do Chris não ter te matado. – Ele completou.

- Eu sei... Não sei como a Claire não me odeia.

- Acho que no fim das contas ela já esta acostumada. Ashley, Manuela, Ada... Te lembram algo?

Balancei a cabeça de forma positiva, é claro que me lembrava de cada mancada que havia dado com Claire.

- Eu ainda achava que o cúmulo foi você ter ido ao meu casamento com a Ada te acompanhando... Mas essa superou todas as expectativas.

Olhei para ele com a cara emburrada e antes que pudesse protestar, ouvi Angela me chamar para abrir a porta. Deixei Billy cuidando dos hambúrgueres na churrasqueira e fui até a sala, não sei se consegui esconder meu descontentamento ao abrir a porta e dar de cara com o namorado de Claire. Forcei um sorriso, convidando-o para entrar.

- Claire está na cozinha, fique a vontade.

- Obrigado.

Guiei Carlos até a cozinha, tentando ser o mais agradável possível, embora ache que não tenha dado muito certo. Assim que chegamos, Claire o recebeu com um abraço seguido de um beijo, o que foi suficiente para minha expressão mudar novamente. Rebecca me repreendeu com o olhar e eu apenas sai dali, voltando para os fundos da casa onde Billy estava.

- Pela sua cara, já sei até quem chegou...

Não tive tempo nem de abrir a boca para reclamar, Carlos logo apareceu onde estávamos e foi na direção de Billy para cumprimentá-lo. Não demorou muito para que eles iniciassem uma conversa animada na qual eu participava apenas com alguns "Aham", "Sim" e alguns acenos de cabeça. Naquele momento minha mente estava mais ocupada tentando controlar meu corpo para não socá-lo.

O lado bom de Carlos não me conhecer a muito tempo é que ele não sabia diferenciar a minha cara de ânimo da de paisagem. Vez ou outra Billy me olhava com o canto do olho, apenas para se certificar de que eu ainda estava sentado em meu lugar e ainda estava acordado, eu apenas revirava os olhos em resposta.

Estava um pouco inquieto e bastante curioso, queria saber sobre o que elas estavam conversando na cozinha. Será que Claire iria contar sobre o nosso passado? Sobre como eu era idiota naquela época, ou será que Angela iria perguntar algo, se por acaso alguma vez existiu um "nós" entre Claire e eu? Essas perguntas martelavam em minha mente, e antes que pudesse pensar em outra coisa, ouvi o som da campainha na porta da frente ecoar novamente.

Bom, se Billy e Carlos já estão aqui, quem mais poderia ser?

Estou desejando com todo meu ser que seja o demônio esperando na porta, pronto para levar minha alma, menos ele.

"Senhor, eu nunca te pedi nada, então quebra esse galho pra mim, vai… "

- Jane, como você cresceu! Está ficando cada vez mais bonita.

Ouvi a voz de Angela ao longe no momento em que me pus de pé, e pelo que pude constar as minhas preces não foram atendidas, heh. Curtis estava ali com a esposa e a filha. Não que eu tenha algo contra elas, mas bem, a história com o Curtis é outra. Ele nunca gostou de mim e muito menos se esforçou para tal, então não preciso fingir gostar dele. Espero que ele morra. Lentamente.

Suspirei fundo e contei até três, reunindo toda a paciência em meu ser e adentrei na casa para ir cumprimentá-los. Depois de alguns meses essa seria a primeira vez que iria suportar a presença de Curtis novamente. Que Deus tenha piedade da minha alma.

Estava tão concentrado em meus pensamentos que não percebi Billy e Carlos me seguindo até a cozinha. Se eles me perguntaram algo? Não faço a menor ideia, não estava prestando atenção neles tinha algum tempo.

- Como se meu dia não pudesse ficar pior… - Murmurei mal humorado, e antes que pudesse iniciar as apresentações, Angela tomou a frente.

- Billy, Carlos, esse é o meu irmão mais velho, Curtis. Esta é minha sobrinha Jane, e minha cunhada, Julia. - Ela apontou para cada um, respectivamente. - Este é Carlos, namorado de Claire, e esse é o Billy, esposo da Rebecca. Eles são amigos do Leon.

Angela sorriu animada, aproximando-se de mim sorrateiramente e beijando meu rosto, sussurrando um "me desculpe" em seguida. Imaginei que ela não sabia que o irmão planejava vir hoje, pelo menos é o que prefiro acreditar no momento. Não seria bom começar uma cena na frente de todos por causa dele, não iria lhe dar esse gostinho.

Pelo jeito eu teria um longo dia pela frente, e ele estava apenas começando.

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Sabe o que é engraçado? Curtis estava incrivelmente quieto neste dia. Nenhuma piada, comentário maldoso ou qualquer tipo de merda sendo despejada pela boca como ele costumava fazer quando me encontrava. Parece até que virou gente. Mas ele não me engana. Eu poderia até jurar que ele foi abduzido e que tem um alien vestido uma roupa com a pele do Curtis, igual aquele primeiro filme do MIB. Por favor ETs, não o tragam de volta, eu suplico! Posso até fazer uma oferenda ou mudar para uma fazenda apenas para que vocês possam deixar algum sinal no meu milharal se isso os fizer mais felizes, mas por Deus, não devolvam meu cunhado. Nunca mais.

"Espera, ETs aceitam oferendas?"

Estava tão imerso em meus pensamentos que nem percebi quando Billy se aproximou de mim com uma cerveja na mão para me entregar.

- Seu cunhado não parece ser tão ruim assim.

- To achando ele muito quieto pro meu gosto… Não sei, tem algo errado nisso.

Billy apenas riu enquanto eu tomava um gole da cerveja. Mas eu juro que vou assar a cabeça do Curtis nessa churrasqueira se ele falar alguma merda.

- Sobre o que acha que elas estão conversando na cozinha?

Ele perguntou enquanto tirava alguns hambúrgueres da churrasqueira, parecendo tão curioso quanto eu. Paralisei por alguns segundos ao lembrar da pergunta que algumas horas atrás martelava na minha cabeça.

- Eu não faço ideia, mas realmente espero que não seja sobre mim.

- Não acho que a Claire diria algo comprometedor sobre vocês.

- Mas a Angela sabe o que perguntar, e dependendo de como soar a resposta…

- Você vai estar fodido.

- Com muita areia.

- Pode crer.

Ótimo, toda a preocupação havia retornado aos meus pensamentos naquele instante. Pânico parecia tomar conta do meu olhar e Billy tentou me tranquilizar, mas já era tarde demais.

Carlos estava conversando animado com Curtis, eu não sabia se sentia pena ou se deveria me preocupar com a conversa. Acho que a segunda opção era a mais sensata, afinal não gostava tanto do Carlos assim pra me importar com ele. Espero que os dois não tenham se juntado para tramar algo contra mim. Não, pera, acho que estou ficando meio paranóico. Culpa dessa cerveja, aposto

Antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa, Claire apareceu no jardim para forrar a mesa e avisar que o almoço já estava pronto. Assim que terminou de arrumar a mesa, se aproximou de onde eu estava com Billy, falando de forma brincalhona e um tom de voz levemente mandão.

- Espero que não tenha torrado essa carne, Kennedy.

- Claro que não… Tudo por você, ruiva.

Claire não me respondeu, apenas saiu de perto, voltando para dentro de casa e então Billy me cutucou, revirando os olhos como se eu tivesse dito a coisa mais estúpida do mundo. Ou será que eu disse?

Finalmente as moças saíram da cozinha e se juntaram a nós no jardim. Angela, Julia e Claire seguiram para onde estava Curtis e Carlos, enquanto Rebecca caminhou até a churrasqueira onde eu ainda estava com Billy.

- Então, vamos comer?

- Claro amor, vou levar a carne para a mesa.

Ela beijou o marido e então olhou séria em minha direção.

- E você, Leon, pelo amor de Deus, cuidado com o que fala pra Claire, ou melhor, não fala nada.

- Mas o que eu…

- Calado! - Ela segurou meus lábios com a mão, me forçando a fazer bico. - Não diga mais nada idiota, se te perguntarem alguma coisa apenas sorria e acene. Eu me encarrego de dizer que você ta bêbado. Fui bem clara?

Apenas acenei levemente com a cabeça. Ótimo, agora eu tinha que me preocupar com que dizia para Claire durante o almoço. Maldita hora em que fui começar a beber.

Estávamos todos reunidos em volta da mesa no jardim, embora a filha de Curtis, Jane, não tenha se juntado a nós para o almoço. Pelo que Rebecca disse a garota estava se sentindo mal e a mãe lhe deu a comida mais cedo e a deixou na cama do quarto de hóspedes.

Todos conversavam de forma animada durante a refeição. Curtis fazia alguns comentários e perguntas maldosas, até mesmo alfinetava algumas vezes, porém Angela não lhe dava atenção. Eu? Apenas sorria e acenava como Rebecca havia me instruído. Nem mais, nem menos. O melhor a fazer era ignorá-lo, precisava guardar a paciência que ainda me sobrava para o resto do dia.

Comia em silêncio enquanto ouvia parte das conversas paralelas a mesa. Óbvio que não deixava de reparar em Carlos e Claire sentados um do lado do outro. Como agora, no exato momento em que ela acabou de pegar um guardanapo e limpou algo em seu rosto.

- Nossa, cara, desse jeito você vai matar o boi de novo…

Carlos brincou e todos riram. Ele se referia a forma que eu estava cortando o bife no meu prato. Pobre Carlos, mal sabia ele que eu estava imaginando sua cara sendo cortada em meu prato. Exagero de minha parte? Provavelmente, pois acabei de sentir Rebecca chutar minha canela por baixo da mesa. Essa era quarta vez que ela fazia isso. Acho que não sou muito bom tentando mascarar meus sentimentos quando estou levemente alcoolizado, mas acho que ninguém é.

- Você e o Leon já se relacionaram alguma vez, Claire? - Curtis perguntou com a cara mais lavada possível.

Direto como sempre esse meu cunhado filho da...

- Desculpa, eu não entendi. - Ela respondeu, largando o copo de suco e apoiando os cotovelos sobre a mesa enquanto cruzava as mãos em frente ao rosto.

- Vou ser mais específico. - Gesticulava com as mãos como se isso o ajudasse a buscar as palavras de alguma forma. - Você e o Leon já se envolveram romanticamente?

- Não. - Claire respondeu quase de imediato. Ela parecia um pouco desconfortável, porém acho que ninguém além de mim prestou muita atenção já que todos estavam olhando para Curtis. - O Leon sempre preferiu as garotas populares na escola, além do que fomos quase criados como irmãos, então isso não tem nada a ver.

Angela parecia quase aliviada ao ouvir a resposta, embora ao mesmo tempo é como se não acreditasse totalmente nas palavras ditas por Claire. Acho que às vezes a gente prefere ser enganado, escolher acreditar na mentira que mais lhe convém apenas porque dói menos.

- Não precisava ter perguntado isso. - Julia repreendeu o esposo, falando em tom de desaprovação. - Você está constrangendo as pessoas.

- Constrangendo, amor... Por quê? Acho que ninguém aqui tem nada a esconder. - Seu olhar foi imediatamente direcionado a mim, em seguida a própria irmã. - Além do mais, aposto que minha irmãzinha estava doida pra fazer essa pergunta.

- Curtis, já chega. - Fora a vez de Angela se pronunciar. - Por favor, não começa.

- Acho que tá tudo bem, eu também já tive esse tipo de curiosidade quando comecei a namorar com a Claire e ela me contou sobre sua infância.

Carlos interferiu tentando apaziguar as coisas. Quer dizer então que Claire contou sobre nosso tempo de escola, hm? Interessante. Fico me perguntando se ela contou tudo nos mínimos detalhes.

- Tudo bem, me desculpe se te ofendi. - Curtis se deu por vencido. - Mas então Claire, fico feliz que você realmente existe! - Falou com um sorriso imenso naquela cara maldita dele. - Eu sempre achei que você fosse uma invenção do Leon pra esconder o romance entre ele o Chris da época de adolescência.

Angela praticamente cuspiu a bebida na mesa enquanto Claire engasgou com a sua. Billy, Rebecca e Julia se entreolharam sem saber ao certo o que dizer. Eu estava atônito demais pra acreditar que ele havia dito aquilo mesmo.

- Você não entenderia o que é amizade nem que desenhassem, você é insuportável o suficiente para não ter amigos. - Quando dei por mim já havia respondido. - As pessoas te odeiam por isso.

- Olha só quem resolveu abrir a boca! - Respondeu debochado. - Achei que o gato tinha comido sua língua já que não interagiu com ninguém durante o almoço inteiro.

- Você fala tanta merda que eu precisei me concentrar pra não te mandar pro inferno.

- Não precisa mais se segurar, cunhadinho, vamos lá, vamos colocar as cartas na mesa.

- Eu não vou discutir com você, é perda de tempo cair nesse seu joguinho estúpido.

O clima ficou tenso, Angela tentou se meter porém foi impedida pelo próprio irmão. Eu lancei um olhar cúmplice apenas para tranquilizá-la, não queria que passasse mal no meio daquela discussão idiota, então olhei para Julia que imediatamente entendeu o recado e se ofereceu para ir com Angela até a cozinha beber um pouco de água até que as coisas se acalmassem, porém Curtis as impediu.

- Curtis, não… - Sua esposa protestou. - Pensa na sua irmã.

- Não precisa sair Angela, só estou conversando com seu marido. - Ele ignorou a esposa, voltando sua atenção a mim. - Acho que dizer algumas verdades não faz mal algum…

- Que verdades? - Por um momento esqueci que não estávamos sozinhos.

- Que você é um péssimo marido, nada que minha irmã não saiba.

- O que acontece entre Angela e eu não é da sua conta.

- Ah não é? Nem quando ela quase morreu por sua culpa?

- Até onde sei, não era eu quem estava dirigindo a porra do carro que bateu no dela. Ou eu consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo e nunca me dei conta?

- Não banque o engraçadinho! - Ele trincou os dentes, alterando o tom de voz a cada palavra. - Porque vocês brigaram e você saiu no meio da noite largando sua esposa grávida aos prantos dentro de casa. Aposto que você estava fodendo alguma puta quando ela sofreu o acidente.

- Não sabia que ela estava grávida e você sabe muito bem disso, eu te falei quando tivemos uma conversa parecida no hospital.

- Na qual eu disse que faria da sua vida um inferno? - Ele riu, sarcástico.

Eu estava visivelmente alterado, e não era por causa da bebida. O ódio que eu sentia pelo Curtis neutralizava qualquer álcool que ainda estivesse no meu sangue. A vontade que eu tinha naquele momento era de estrangular aquele filho da puta até ele ficar roxo e depois arrancar sua pele pra fazer um tapete e exibir como troféu no chão da sala.

- Sabe eu já aturei muita coisa vinda de você por respeito a Angela, e somente por isso. Mas agora já chega, eu quero você fora da minha casa, agora.

- Eu não vou sair daqui a não ser que a Angela me peça pra sair.

- Tenho pena da sua esposa por ter casado com um filho da puta. Você só sabe fazer as pessoas infelizes, só pensa em foder com a vida delas. Já parou pra pensar o quão mal você faz a sua irmã?

- Sua opinião a meu respeito não importa. Tenho pena é da minha irmã por ter arrumado um cara tão mesquinho e mentiroso como você, Leon. Pobre Angela, está condenada a viver com um cara que não gosta dela só por causa dessa criança. Você pode enganar qualquer um, menos a mim, porque eu sei que você não a ama. Por que não admite de uma vez?

Já estava no meu limite, não pensei duas vezes antes de avançar em Curtis e acertá-lo com um soco. Ele não esperava por essa, ponto pra mim por pegá-lo desprevenido. Fui pra cima dele com tudo, aproveitando a oportunidade após tê-lo derrubado no chão. Conseguia ouvir os gritos de Julia enquanto ela arrastava Angela para dentro de casa, e depois disso não ouvi nem vi mais nada. Estava totalmente cego de ódio e me preocupava somente em descontar essa fúria em Curtis.

Quando dei por mim Billy me segurou e arrastou para longe daquele desgraçado e Carlos o ajudava a levantar, entrando com ele dentro de casa. Rebecca ficou conosco por alguns minutos até que Claire veio chamá-la para que pudesse dar uma olhada em Angela e também socorrer o seu irmão.

Sabia que havia feito besteira avançando em Curtis daquele jeito, mas a sensação de alívio e dever cumprido enchiam meu peito naquela tarde de domingo. Por mais que eu tentasse, um sorriso idiota de canto insistia em permanecer. Billy balançou a cabeça em sinal de reprovação a minha atitude.

- Belo gancho de direita. - E então riu, me entregando uma garrafa de cerveja. - É melhor ficar aqui até eles irem embora. E nem pense em dizer a Rebecca que eu te dei uma cerveja depois dessa confusão toda.

Apenas acenei com a cabeça em concordância, era óbvio que não falaria nada a Rebecca, ainda era novo demais pra morrer. Sentei em uma das cadeiras e tomei minha cerveja enquanto esperava a poeira baixar. Não entraria em casa enquanto eles não fossem embora, isso incluía Carlos e Claire, não conseguiria mais esconder o ciúmes e ver os dois juntos não ajudaria em nada.

Meu final de tarde seria uma porcaria, mas pelo menos estava vingado.

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A lua estava linda lá fora, conseguia observar muito bem pela janela do meu quarto. Estava difícil pegar no sono, minha mente ainda processava tudo que aconteceu durante aquele almoço. Tinha plena consciência de que não conseguiria dormir tão cedo, então sai do quarto e desci as escadas, tentando fazer o mínimo de barulho possível para que Angela não acordasse.

Peguei o celular que estava sobre a bancada da cozinha e enviei uma mensagem para Billy enquanto preparava um café. Sim, ótima ideia beber um café se você está precisando dormir, mas depois da tarde de hoje, foda-se, eu precisava de um café. Não demorou muito tempo para que eu recebesse uma ligação de Billy. Atendi o telefonema, me jogando na poltrona da sala, estava exausto.

- Que dia de merda. - suspirei pesadamente. - eu te disse que o Curtis era maluco.

Billy riu do outro lado da linha

- Como a Angela está depois disso tudo?

- Bem, eu diria. Ela finalmente conseguiu dormir.

- E você, como é que está?

- Ainda com o sangue quente. Droga, eu não sei qual foi a pior parte do dia.

- A gente pode fazer uma enquete e ver qual ganha…

- Ah sim, claro… As prováveis respostas seriam: A) Controlar a vontade de matar o Carlos por causa do ciúmes. B) Matar o Curtis por ser um cretino miserável e filho da puta ou C) Estar tão perto da Claire e não poder fazer nada. Me senti como nos velhos tempos,

- Ah é, onde você só fazia merda e aparecia com uma garota nova a cada reencontro? Realmente, muito parecido.

- É, só que dessa vez foi ela quem apareceu com um cara novo. Eu preciso aprender a disfarçar melhor as minhas emoções, principalmente o ciúmes ou a Angela vai.

- Ou eu o quê, Leon?

Por um segundo eu esqueci como era respirar, sentindo um calafrio percorrer a espinha. De todas as coisas que poderiam acontecer nesse maldito dia, ter justamente essa conversa sendo ouvida pela Angela era a pior coisa. Merda, merda, merda! Espero que ela não tenha escutado o suficiente. Desliguei o telefone me despedindo de Billy com apenas um "te ligo depois" e então me virei para encará-la.

Ela estava parada no pé da escada vestindo o roupão, os olhos marejados indicavam que ela havia escutado mais do que deveria. Seus braços estavam cruzados em frente ao corpo enquanto ela ainda aguardava uma resposta minha.

- Angela, o que você está…

- Por favor, não mente pra mim.

- Então você ouviu.

- A conversa inteira. - As lágrimas desciam pelo seu rosto enquanto ela teimava em limpá-las. Não queria demonstrar fraqueza, pelo menos não na minha frente. - Meu Deus, como eu pude ser tão idiota? Como eu não enxerguei isso? Seus olhares pra ela, o desconforto perto do Carlos… Agora tudo faz sentido.

- Me deixa te explicar, eu…

- Não quero ouvir. Você realmente achou que eu não tinha percebido nada? Fui uma tonta por não ter dado crédito às minhas suspeitas, eu sabia que no fundo aquela vozinha estava certa e que eu estava apenas me enganando, mas eu preferi te dar o benefício da dúvida. E tudo isso pra que?

Não consegui respondê-la. Eu me sentia mal por ter mentido pra ela durante esses meses, mas honestamente, não sabia o que fazer. Dei tudo de mim para que as coisas funcionassem entre nós da melhor maneira possível. Era verdade que eu não a amava mais já fazia algum tempo, mas ainda assim eu a respeitava e o carinho construído durante a nossa relação não foi jogado fora da noite para o dia. Era esse sentimento que me fazia permanecer ao lado dela, me preparando para receber o nosso filho.

- Você dormiu com ela?

- O-o que? - Aquela pergunta me pegou de surpresa. - Não acho que…

- É sim ou não, Leon.

- Sim. - Resolvi abrir o jogo, não teria mais porque esconder as coisas dela.- Naquela noite em que nós brigamos e eu saí de casa… Enfim, eu encontrei a Claire por acaso e nós, bom, nós acabamos passando a noite juntos...

- Como você pôde fazer isso comigo?

As lágrimas agora caem de maneira mais intensa, ela não se preocupava mais em contê-las. Tentei chegar perto para acalmá-la porém ela me impediu.

- Nós não estávamos mais juntos e..

- Isso não é desculpa! - Ela estava visivelmente alterada. - Quer dizer que toda vez que brigávamos você saia de casa e dormir com a primeira pessoa que encontrava pelo caminho? Por Deus, Leon.

- Não é bem assim. - Eu estava estranhamente aliviado com a conversa, embora estivesse nervoso pelo estado em que Angela se encontrava. - As coisas… As coisas com a Claire são bem mais complicadas do que isso. Eu não vou pedir para que você entenda, só preciso que você se acalme e amanhã nós conversamos melhor sobre o assunto.

- Vocês são dois hipócritas… Como ela ainda teve coragem de vir aqui depois disso? Aposto que ela deve estar rindo da minha cara agora, de como eu sou otária, da mesma forma que você estava fazendo com o seu amigo.

- Que droga, Angela, não é nada disso. A Claire não é assim, e eu não sei o que você ouviu da conversa, mas em momento algum eu caçoei de você.

- EU QUERO QUE VOCÊS DOIS VÃO PRO INFERNO.

Ela gritou em alto e bom som, e antes que eu pudesse alcançá-la, ela subiu as escadas. Foi aí que as coisas deram errado. Angela começou a passar mal no meio do caminho e antes que pudesse descer pisou em falso, caindo alguns degraus até atingir o chão. Tudo aconteceu tão rápido que quando dei por mim já estava socorrendo-a, contrariando seus protestos para que eu me afastasse.

- Fica longe de mim… - Ela me afastava em meio ao choro desespero.

- Angela, me escuta. - Eu segurei seu rosto para que ela olhasse em meus olhos. - Me deixa te ajudar, pelo bem do nosso bebê.

Concordou ainda meio relutante, só precisávamos esperar alguns minutos pois a ambulância já estava a caminho. Seu desespero aumentou quando ela percebeu o sangramento, me abraçando com todas as forças que possuía naquele momento. Eu tentava permanecer calmo, repetindo em voz alta que tudo ficaria bem e que eu estava ali com ela. Tudo que eu sentia agora era medo, medo de perder aquela pequena criatura e que algo acontecesse com Angela por minha causa.