Notas Iniciais:
Esta história se passa alguns meses após o término de Trials & Tribulations e do primeiro jogo do Miles. Contém ainda alguns spoilers de Apollo Justice, mas nada muito sério, apenas temas do pano de fundo do jogo como a atual situação do Phoenix e a Trucy. Eu não usei nada do segundo jogo do Miles, pois nunca o joguei. O que usei do primeiro é apenas a Kay, ou seja, vocês não precisam conhecê-lo, não há spoilers de lá. Se você nunca leu Phoenix Wright, mas não se importa com spoilers, imagino que não terão problemas para seguir esta história.
Por fim, agradecimentos à Vane por revisar a fic para mim e à Nemui pelo prompt.
Olho Azul Apresenta:
Refrescante
História escrita como presente aos participantes do Coculto 3, uma troca de fics realizada pela comunidade Saint Seiya Superfics Journal.
Capítulo 10 – O Dia do Julgamento
Miles havia passado a noite inteira investigando por si próprio o caso, juntando o que Wright e Gumshoe haviam obtido. Não se importava mais com os papéis que deveriam ter sido entregues antes do final do expediente do dia anterior. Havia uma urgência nele de salvar Mary White, quase como se ele fosse seu advogado.
Ao terminar de assistir a fita da segurança mais uma vez, ele recebeu uma ligação no celular. Era Gumshoe, quase sem voz:
- Senhor Edgeworth, espero não tê-lo acordado!
- Fale, detetive.
- É que meu amigo que tá cuidando do caso no meu lugar acabou de me atualizar sobre algumas coisas. Bem, está tudo com o senhor Payne, mas parece que o nome do advogado foi liberado.
- Gavin?
- Como, senhor?
- Apenas me dê o nome dele logo, detetive.
Miles anotou-o, junto ao telefone de contato fornecido à polícia. Como esperado, era um novato apenas. Gumshoe ainda disse que no dia seguinte seu amigo seria a primeira testemunha, seguida do dono do hotel e que, se necessário, Payne havia pedido a um funcionário da empresa de segurança para testemunhar. Havia ainda um hóspede no hotel, mas essa pessoa não parecia saber muito; tinha apenas visto o casal fazer o check-in.
- Então, nós nos vemos amanhã, senhor Edgeworth.
- Sim, até amanhã – e desligou.
O promotor olhou para suas rápidas anotações. A acusação não tinha realmente nenhuma testemunha-chave, a menos que Payne houvesse aprendido a esconder provas. Não, ele era do tipo que faria um processo limpo e rápido. Não queria perfeição; queria apenas cumprir com seu trabalho. O que significava que sua aposta era no dono do hotel, o senhor Ryo Kanshuu, quem nada sabia, segundo Wright.
Então, ele ligou para o advogado.
Era de manhã cedo quando Miles Edgeworth estacionou em frente ao prédio de seu antigo escritório. Nick o viu sair de seu carro e fitá-lo com uma expressão perdida. Era um dos raros momentos em que o promotor parecia desconcertado, sem dúvidas.
- Olá, Edgeworth - cumprimentou Nick.
- Ah. Bom dia. – O outro virou-se rapidamente para Trucy, que já lhe sorria antes mesmo de o seu carro chegar.
A menina estava agindo de maneira suspeita desde antes de o jogo começar na noite anterior. Restara a Nick descobrir a razão. Primeiro, ele percebera que ela sabia do seu péssimo dia de trabalho. E Trucy parecia presumir que eles não iriam ao tribunal no dia seguinte, como ele lhe havia prometido. De fato, Nick não estava ansioso para encontrar Edgeworth lá, mas nunca lhe passara pela cabeça quebrar uma promessa para a filha. Então, Trucy deixara escapar que Edgeworth estivera no bar e lhe prometera levá-la para o tribunal e apresentá-la a Mary White.
Nick cogitara deixar que o promotor fizesse a boa ação, poupando-o da situação embaraçosa. Então, seus sentimentos confusos falaram mais alto. eEle queria uma explicação para aquele beijo. Por isso, decidiu esperá-lo ali junto à filha.
- Papai... descobriu - explicou a pequena, com um sorriso envergonhado.
- Ah – Edgeworth lhe voltou o olhar, parecendo reparar em suas roupas.
Nick usava um moletom velho e um chapéu, as mesmas roupas com que ele parecia estar sempre, à exceção do terno ressuscitado para o dia anterior.
- Você não vem junto, então?
Era só impressão de Nick aquele desapontamento na voz do promotor, certo?
- Eu... – Ele queria dizer que confiava Trucy aos seus cuidados, e pedir à filha que não desse trabalho ao amigo. Apenas isso... Mas... se fosse para dizer que iria, Nick deveria dizer com confiança, porém... – Preciso tomar conta dela, né? Se bem conheço a Trucy, a testemunha principal do caso vai virar o senhor Chapéu. – Mas Nick acabara por inventar uma desculpa.
- Oh, você vai, pai?
- Claro! Edgeworth teria um ataque se te visse tirar uma evidência da calcinha!
- Como? – O promotor deu um passo para trás.
- Então, podemos entrar no carro, ou não?
Ele hesitou um pouco, mas logo abriu a porta, fazendo sinal para Trucy ir na parte de trás e pedindo que ela pusesse o cinto. Nick andou lentamente para o carona, sentindo as bochechas arderem ao se lembrar do incidente da tarde anterior.
Aquele seria outro longo dia, Nick tinha certeza.
Todavia, sua cabeça não deixava de se lembrar do rosto frágil de Mary White no centro de detenção. E para ela? O dia seria longo, ou curto e sem piedade?
Mesmo sem ela ser sua cliente, Nick acreditava em sua inocência. Mia não lhe ensinara o que pensar dos outros, mas naquele momento, Nick tinha certeza de que Mary não matara Craig Tumen.
Ele se lembrou de sua conversa com Ryo Kanshuu, do quarto onde o crime ocorrera, dos corredores do pequeno hotel onde o casal passaria a noite em sua visita à cidade e até do kit que Mary comprara antes de passar mal no corredor.
Algo acontecera naquele momento. Havia alguns minutos perdidos em toda aquela descrição. Os minutos em que Mary estava encostada a uma parede, sofrendo de algum mal que mais tarde lhe causaria um desmaio e a mandaria para o hospital.
Se a pessoa que não era sua cliente não havia mesmo sido a agente do homicídio, restava a ele encontrar naquele quarto fechado quem o havia cometido. Ryo Kanshuu? Um hóspede? Uma pessoa havia matado Craig Tumen naquela noite. E ela não era Mary White.
Nick não tinha essas informações, ele não tinha nada e por isso havia se desesperado no dia anterior. Ele sequer podia contar com blefes em pleno tribunal, já que estaria lá como mero ouvinte.
Nick olhou para Edgeworth, que segurava o volante com firmeza, de um jeito muito menos elegante que o da noite anterior. Sua presença o desestabilizava? Ou o promotor apenas estaria preocupado por haver perdido aquela batalha contra a injustiça?
Se ao menos ele pudesse se levantar e gritar com todas as suas forças: "protesto!"...
Continuará!
Anita
Notas da Autora:
Simulado da OAB neste final-de-semana, alguém tá dentro? É nem eu sei se estou, e se eu descobrir que tô um fracasso total? Nessas horas a gente se pergunta como o Juiz passou no shihou shiken, né? Ela deve ser muito mais difícil que a nossa e dizem que os juízes têm que estar no topo da pontuação! Imagiiiina?
Enquanto esse mistério não se soluciona, no próximo capítulo, falaremos um pouco com a mulher invísivel! Não percam :D
