Going Under –Evanescence[ watch?v=CdhqVtpR2ts]

Não quero sua mão

Desta vez, eu me salvo sozinha

Talvez eu acorde enfim.

Sem ser atormentada diariamente

Vencida por você

Bem quando penso ter alcançado a superfície.

Eu estou morrendo de novo

Obscurecendo e confundindo a verdade e as mentiras

Assim, eu não sei o que é real e o que não é

Sempre confundindo os pensamentos na minha cabeça

Desse modo, não posso confiar em mim mesma

Eu estou morrendo novamente

Capítulo 10 – Ilusões

- Todos trouxeram as autorizações assinadas? – perguntou a professora animada.

Todos que haviam recebido as autorizações assentiram animadamente e passaram para a professora que ia de mesa em mesa, recolhendo-as.

O passeio só seria na semana seguinte, mas a professora tinha que repassar a confirmação à diretora que falaria com os pais por telefone por segurança.

A mãe de Sakura ficara relutante, mas quando disse que seria um passeio do colégio e que ela havia sido selecionada junto de alguns poucos em sua turma, ela ficara mais reticente. Porém só havia ficado tranquila depois que a garota confirmara que Sasuke estaria também. Quando perguntou por que ela parecia tão mais relaxada, ela apenas sorriu e disse com olhos serenos que ele cuidaria dela.

"Como se eu precisasse de uma maldita babá" – resmungou internamente.

- Hoje não vamos ter que escrever poemas, professora? – perguntou uma morena sentada mais à frente, ansiosamente.

Sakura quase gemeu. "Será que essas garotas só pensam nessas coisas melosas?"

- Claro. Eu quero algo relacionado à saudade – respondeu olhando Sakura sorridente – Tenho certeza de que vamos ter muitos poemas inspiradores durante as próximas aulas.

Sakura sorriu de volta, cínica.

Sasuke apenas balançou a cabeça. Aquela mulher devia ser muito corajosa ou muito burra. Do jeito que Sakura apareceu irritada naquele dia, isso não daria certo… Nenhum pouco.

Quase meia hora depois a professora já perguntava a todos se já estavam prontos para ler os seus.

- Sakura. Por favor, leia o seu primeiro.

A garota deu um sorriso largo.

- Certamente professora. É de Vinicius de Moraes.

Sasuke segurou uma risada. "Vai explodir" – pensou – "3, 2,…".

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

A professora parecia desolada, mas Sakura permanecia com um sorriso inabalável.

- A senhora não adora Vinicius de Moraes?

- Bem… sim – respondeu confusa – há alguns poemas lindíssimos que posso lhe passar.

- Oh, não precisa eu tenho a coletânea, em casa. Da minha mãe. Sei todos de cor.

- Então por que escolheu este, querida?

- Ora, porque ele é o mais bonito, é claro.

Ele podia jurar que a professora ficara pálida.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

- Sabe, você é cruel, mas eu gosto disso – disse Sasuke mais tarde, rindo enquanto recordava o choque da professora.

Ela arqueou a sobrancelha.

- Não tem mais nada pra fazer da vida a não ser ficar atrás de mim, Uchiha?

- Deixe-me pensar… Acho que eu tenho sim, mas eu escolho ficar atrás de você mesmo – disse com um meio sorriso zombeteiro – e eu sei que você gosta.

Ela rolou os olhos.

- Acredita que ela veio falar comigo depois da aula? – desviou o assunto propositalmente, o que não passou despercebido pelo Uchiha, que apenas continuou com o sorriso.

- O que ela queria?

Ela rolou os olhos novamente enquanto recordava.

- Perguntou se tínhamos brigado ou tido uma discussão. Se eu queria "desabafar".

Ele riu alto. – E o que você respondeu?

- Que não temos nada, que você que tinha toda uma obsessão por mim e tudo mais e ficava me perseguindo por todos os lugares – disse zombeteira – e, portanto, uma briga com você não poderia influenciar nem de forma positiva nem negativa.

Ele pôs uma mão sobre o peito enquanto fazia uma expressão de surpresa. – Não sabia que nosso caso era secreto.

Ela o empurrou de leve, enquanto acabava caindo no riso também. Aproveitando o momento descontraído ele a puxou pela cintura, aproximando-se e enviando-lhe um olhar divertido. Tentando ficar sério disse:

- Já que você quer a coisa discreta, vamos fugir e nos casar em Las Vegas?

Ela deu um meio sorriso enquanto arqueava a sobrancelha.

- Cuidado com o que me pede… querido.

- Ah, é? Por quê? – sussurrou provocativamente enquanto aproximava o rosto do dela.

Ela segurou o queixo dele suavemente, impedindo a aproximação dele, mas aproximou os lábios do ouvido dele com um sorriso malicioso.

- Porque eu posso dizer sim – sussurrou enquanto lhe mordia o lóbulo provocativamente e depois, empurrando-o, enquanto ele a encarava estático e um pouco chocado no mesmo lugar. Ela se afastou rindo levemente pelo corredor.

Sasuke despertou com a gargalhada de um loiro, não muito longe dali.

- Ela te pegou de jeito, não foi Teme? – disse Naruto sorrindo de orelha a orelha.

- Cala a boca, Dobe – respondeu, quando viu que seus outros amigos e suas namoradas também estavam ali, segurando o riso. Ainda chocado e mais do que um pouco envergonhado, soube que o loiro tinha razão. Tinha sido "pego de jeito" pela rosada.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

"Aquele Uchiha".

Segui pelo corredor ainda rindo comigo mesma, da cara dele. Se ele queria brincar, esse jogo era para dois. E não seria ela a perder.

A verdade é que a cada dia ela se sentia mais apegada a ele. Esperando que ele estivesse lá para ela. Aquilo tinha que acabar, antes de se tornar irreversível. E quando ele decidisse que já tinha tido o bastante? Como ela ficaria? Ela não tinha tempo pra ficar se recompondo do vazio que ele deixaria. Ela era uma sobrevivente e era assim que as coisas deveriam ser. Já tinha visto mais de uma vez mulheres que ficavam dependentes, não só dos homens em si, mas dos sentimentos que traziam dentro de si. Sabia o que aconteceria, a dor que sobrepujaria todas as outras, e não estava disposta a se pôr vulnerável por causa dele. Carência acarretava todas as espécies de fraquezas e fraqueza poderia levá-la a perder tudo o que restava para ela e a mãe. Por tudo o que lutavam… Sua vida, sua independência. Quantas vezes já repetira tudo isso para si mesma? Tentado se convencer, e falhado miseravelmente em cada uma? Não conseguia mais controlar a si mesma, quando ficava perto dele. Começava a se perguntar se o problema era realmente ele. Deveria haver algo errado com ela. Não conseguia manter-se objetiva. Inferno, por mais que tentasse, aquele… aquele desejo de ser normal, de ter uma relação saudável com alguém, de provar algo que nunca teve… Parecia dominar tudo e guiá-la para o inevitável fim. Para o desastre.

Mas tudo bem. Ela seria forte. Sobrevivera a uma desilusão, se não houvesse coisa outra saída poderia – teria – de fazê-lo novamente. O que era mais um pouco de dor em uma vida que, praticamente, só havia conhecido o sofrimento? Devia saber que aquele era o seu destino depois de tudo.

Mas iria lutar. E aproveitaria o que tivesse, enquanto pudesse reter. E quando fosse embora, quando partisse mais uma vez - elas sempre partiam -, levaria tudo de bom que pudesse com ela. Em sua vida, as lembranças eram tudo o que restavam no final.

E se fosse tudo o que pudesse ter… Bem, aceitaria e Kami a ajudasse a suportar o que mais lhe sobreviesse.

Balançou a cabeça para espantar pensamentos tão sombrios e percebeu que alguém a chamava. Virou-se, vendo um menino que parecia apenas um pouco mais novo que ela.

- Sim?

- É para você – ele estendeu um pequeno pedaço de papel. Ela arqueou a sobrancelha.

Se isso fosse alguma brincadeira…

- Quem te pediu para me entregar isso?

- Não perguntei o nome dele, mas estava lá no portão e me deu uns trocados só pra te dar isso aí.

Sentiu um medo gelado se espalhar por seu corpo, tão familiar quanto o oxigênio.

Assentiu para o menino forçando-se a parecer indiferente e virou-se caminhando até a parede e se recostando nela, buscando uma calma que não tinha, enquanto abria o bilhete.

"Como vai a minha bonequinha?"

Ele as encontrou.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

"Por que ela sempre some?" – perguntou-se pela milésima vez, enquanto esquadrinhava os corredores do colégio.

Aqueles cabelos cor de rosa não eram exatamente discretos, não devia ser tão simples se esgueirar e sumir daquele jeito.

Ali. Estava encostada na parede perto da diretoria. Sempre nos lugares mais improváveis, claro.

Estava com aquele olhar, observou. Triste. Havia estado satisfeito consigo mesmo porque achava estar conseguindo fazer aquele olhar mais raro, mas ali estava ele novamente. Aquele olhar que conseguia deixar os brilhantes olhos verdes opacos, sem vida. Desesperança. Se aquela expressão tivesse um olhar seria aquele. Um olhar muito velho em um rosto tão jovem. Um olhar de alguém que havia vivido muito. Visto muito. Um olhar cansado. O olhar de alguém que já não esperava nada da vida.

- O que está fazendo aqui sozinha?

Ela enrijeceu por um instante, mas depois de um segundo relaxou, dando um meio sorriso sarcástico.

- Esqueci o meu fã clube na esquina anterior.

Lançou-lhe um olhar neutro, enquanto por dentro se sentia exasperado. Ela parecia como no começo novamente. Tão fria e distante. Sempre que parecia conseguir ganhar um pouco de terreno, ela voltava e retrocedia até que estavam de volta ao ponto de partida, como se nunca tivessem saído do lugar. Tão irritante!

- Não vi a graça.

- Talvez você só precise percorrer algumas esquinas – zombou, enquanto se virava pronta para ir embora e se afastar dele novamente.

"Não mesmo" – sentiu um meio sorriso se formar contra sua vontade. Ela era tão… - usando um termo arcaico que aprendera com ela – insolente. Insolentemente perfeita.

Puxou-a e fez algo que vinha se segurando há algum tempo. Ele a beijou.