Capítulo 10 --- Minha grande boca ---

O dia quente nem mesmo tinha chegado ao fim e Ino estava quase entregue. Nem mesmo ela sabia de onde estava tirando tanta força para ajudar no hospital.

O quadro médico apresentado pela Suna não era dos piores, mas nem dos melhores e a ajuda para uma atualização dos ninjas escalados para cumprirem o papel não seria desnecessária.

Aproveitando-se da presença de uma médica-nin de Konoha, a qual também tinha sido treinada por Tsunade, o Kazekage não desperdiçou a oportunidade de colocar em dia os assuntos relacionados a isso.

"Estou começando a me arrepender de ter reclamado por não ter o que fazer." concluía a Yamanaka.

A garota, entediada por ter apenas que observar o Kazekage a cumprir suas obrigações, não deu pausa a ele. Gaara decidiu que a melhor coisa a se fazer seria solucionar um problema empregando a sua ajuda. Desde então, Ino passava horas e horas no trabalho que a cada dia se tornava mais cansativo.

Havia somente ela para dar assistência para toda a equipe da Areia.

Vendo que a garota chegava exausta em casa todos os dias e que não tinha mais ânimo para convidá-lo para os seus passeios noturnos, decidiu enviar um pedido de auxílio à Konoha. Ao menos um ninja médico para ajudá-la.

Ino relutou quanto ao pedido de Gaara. Julgava-se suficiente para a ajuda. Talvez fosse essa a razão para que ela trabalhasse por horas e, quem sabe, se mostrasse capaz de dar conta de tudo sozinha.

Foi até a cozinha do hospital, onde pegou um pouco de café e bebeu de uma vez toda a xícara. Não bebia por gosto, até porque ela nunca gostara. Bebia por necessidade e a cafeína presente a ajudaria a manter a disposição e evitar o sono.

Enquanto caminhava para a sala provisória, checava todos os quartos onde estavam pacientes que estava tratando e, em muitos deles, usando técnicas que aprendera com a Hokage.

Entrou na pequena sala, que servira antes como mais um dos depósitos do lugar. Era pequena e não tinha um lugar de destaque se comparada às outras repartições. Sentiu a liberdade de fechar a porta e sentar-se com as pernas por sobre a mesa. Acreditou que ninguém entraria ali por um longo tempo, já que as obrigações aparentemente estavam todas em ordem.

Relaxaria e voltaria a checar.

Os olhos azuis ficaram cerrados e nem mesmo o estimulante que havia ingerido anteriormente funcionou. O suposto tempo em que ela relaxaria tornou-se longo.

Continuaria dormindo, se um breve raspar de garganta não a surpreendesse. Abriu os olhos rapidamente e focou o dono do pigarrear.

- Ainda acha que pode cuidar de tudo sozinha? – zombou o Kage.

Envergonhada, ela apenas desviou o olhar. Não podia negar que ele estava certo, mas também não queria que mais ninguém viesse com o intuito de ajudá-la. Aliás, ela não queria que "alguém" aparecesse.

- Apenas descansei porque não tinha mais nada para fazer e estava esperando dar o horário de voltar – explicou.

- E o horário passou e você não acordou, por isso vim ver se estava tudo bem.

Ino não pôde esconder o riso de satisfação ao ouvir as palavras de Gaara. Elas mostravam que ele se preocupava com ela. O riso que começou ingênuo terminou com um olhar malicioso.

- Não precisava se preocupar comigo – disse, enquanto aproximava-se e tocou com o dedo indicador o nariz do ruivo.

O branco rosto adquiriu um tom rosado. Ainda se sentia envergonhado em algumas circunstâncias. Era difícil acostumar-se com o jeito dela.

Saíram da sala e caminharam até a casa.

Estranhamente, Ino não puxou assunto com ele. Apenas tentava parecer alegre, mas ainda assim, não conseguia disfarçar. A cada vez que lembrava que em breve Sakura poderia parecer, sentia um aperto no peito. Era evidente que uma das melhores médicas-nin de Konoha ainda era Haruno Sakura. Cogitou Shizune, mas Tsunade não abriria mão da sua ajuda.

- Algum problema, Ino?

Como resposta à pergunta, Gaara recebeu apenas um gesto negativo. Não perguntou mais nada. Ele imaginava o que seria e também não estava feliz em ter de chamar por ajuda. Mas, por um lado, se sentia aliviado pela hipótese de Sakura se recusar a vir.

Entraram na casa e o silencio foi quebrado apenas pelas poucas palavras da loira.

- Preciso de um banho – avisou, subindo as escadas e indo direto para o seu quarto.

Gaara não subiu ao seu quarto para livrar-se do traje típico dos Kage, somente deixou as roupas branca e azul esparramadas pelo primeiro sofá que viu pela frente. A desorganização não era uma praxe sua, porém, não estava se importando com nada no momento, pois estava sozinho e tendo a companhia de Ino, que também não se mostrava um expoente de organização.

Conservou-se apenas com a calça que usava por sob as vestes.

Subiu as escadas e foi atrás de Ino. Abriu a porta do quarto em que ela estava hospedada e ouviu o chuveiro ligado. Esperou, encostado na porta, com os braços cruzados, até chuveiro cessar. Tinha que comunicar que a ajuda dela chegaria dentro de um ou dois dias.

A porta que ligava o quarto ao banheiro foi aberta e ela surgiu enrolada em duas toalhas, uma no corpo e outra nos cabelos. Viu que não estava sozinha.

- Ino, dentro de dois dias a sua ajuda chegará.

Os olhos azuis arregalaram-se e engoliu seco. Não imaginaria que seria tão rápido. Acreditou que levaria mais tempo para isso.

- Quem virá? – interrogou, torcendo para que ele dissesse uma pessoa qualquer.

- Tsunade-sama não enviou o nome.

Sentou na cama, enquanto raciocinava o estranho comunicado. Se Tsunade não tinha enviado o nome, não havia como saber quem seria a escolhida, mas, pelo mesmo motivo, ela não descartava a possibilidade de receber a jovem de cabelos róseos.

- Independente de quem vir, estará aqui apenas para cumprir as funções – explicou-se, na tentativa de confortar a loira e a si próprio.

- Cancele. Eu continuarei ajudando como fiz até agora – falou, séria.

- Não posso. Você precisa de ajuda e, além do mais, seria imprudente da parte do Kazekage expor uma ninja de uma vila aliada à tão grande esforço.

Ino respirou fundo, desmanchando os cabelos molhados com um pente. Não escondeu o rosto de preocupação ao ouvir as palavras dele.

- Isso nada tem a ver com questões pessoais – esclareceu, antes de deixar o quarto.

Desde o dia em que a Yamanaka invadira o escritório do ruivo e o tentara, as relações entre ambos não tinham parado por ali. Por ser muito repentino, tentaram não decifrar a situação e limitaram-se a vivenciá-la apenas.

Mesmo sem as relações totalmente definidas ou esclarecidas, o ciúme de Ino não se escondia e, além de preocupar a jovem por se sentir daquela forma tão rapidamente, deixava Gaara contra a parede. Não queria magoá-la, mas também não podia deixar de realizar as suas obrigações.

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!Olá!

Gracias a todass as reviews, espero que continuem acompanhando agora que já está chegando ao fim!

BJUS A TODOS E A MOTO-CHAN!