A chegada de um Anjo

POV.: Kensuke Aida.

- Olá canalha. Sei que prometi vir aqui pelo menos uma vez por semana, mas você, mais do que ninguém sabe que eu tenho uma espécie de

memória de peixe. Sério Touji, gostaria de vir aqui muito mais vezes do que venho, infelizmente, a vida é algo que sempre acontece quando a

gente faz planos, não concorda? Se você pensa que perdeu muita coisa nos últimos seis meses, está enganado. Só rolou aula chata e....

minto.... também rolou o final da história com o Matsushida.... se Shinji não te contou, ele se ferrou legal no último ataque, perdendo um olho e

ficando com os movimentos limitados no dedo mínimo. E com ele em licença médica, Sinclair, Hans e eu fomos emboscados na saída da escola

pela gangue do sacana e... nem preciso dizer que tomamos um pau!. Pra azar dele, dois dias depois Shinji volta para a escola e vê nosso

estado. No mesmo dia um alarme falso de ataque aconteceu em NERV e quando o Eva 01 sai para montar guarda, desobedece as ordens da

Major, vai até a casa do matsushida e pisa em cima do carro do pai dele. BEM EM CIMA. Pra variar, quando o alarme foi desligado, Shinji

amargou mais uma semana de cadeia... e eu tive a oportunidade de ser interrogado pelo adorável pai dele.

- Cara, agora é sério... eu entendo bem por que Shinji era daquele jeito: o pai dele toca o terror até em veterano de guerra; os caras que

faziam a segurança da Asuka, trataram o cara com medo e, olha que ele nem é tão grande assim. Isso só me faz pensar que nosso amigo esta

nadando com os tubarões: o lance do psiquiatra foi meio intenso e como não dava pra negar nada, depois de muito esforço eu tive que falar

uma verdade sobre aquele dia, a de que ele não nos deu maiores informações sobre o segredo, quanto à palavra chave, ele sabia que eu

poderia falar qualquer coisa e ele não teria como desmentir, então fui liberado.

- Boas notícias: sua irmã terá alta do hospital em duas semanas. Ela e seu pai irão embora de Tókio 3... acredito que, se para nós já é bastante

difícil, nem imagino como seria para eles. Seu pai trabalhando com a máquina responsável pela sua morte e sua irmã sabendo do por que você

aceitou pilotar. Embora esteja se recuperando muito bem, ela odeia Shinji com todas as forças e numa proporção que não é saudável. Quando

ela jurou que ia matá-lo, ele apenas disse "quando tiver idade para fazê-lo, se ainda quiser, eu morrerei em suas mãos. É uma promessa,

desde que faça jus ao sacrifício de Touji". Mas não se preocupe, eu prometo que vou cuidar dela e espero fazer com que ela tire essa idéia da

cabeça. E, sim... sei que minhas promessas não são exatamente confiáveis, mas essa é especial. Feliz aniversário, meu irmão...

- Prometo que da próxima vez, tentaremos vir todos juntos para lhe fazer uma visita... embora eu goste dessas nossas conversas. Até mais,

Touji.

Saio do cemitério e uma voz feminina me surpreende:

- Pelo visto, vocês tinham muito que conversar.

- Furukawa-san? Você estava me esperando?

- Furukawa-san é meu pai. Já disse para me chamar de Kanda – me diz com leve irritação – e não, não estava lhe esperando Kensuke. Apenas

havia esquecido algo na capela, quando vim aqui com Hikari e Asuka de manhã.

- E o que esqueceu? – perguntei com curiosidade.

- Ah...meu celular – me respondeu com um pouco de desconcerto – aí eu liguei para o número e me informaram que ele estava aqui.

- Ahn... posso te fazer uma pergunta pessoal?

- Depende do tipo de pergunta – respondeu sorrindo.

- Você mudou seu visual radicalmente, por quê?

- Ficou bom ou ruim? – ela me perguntou ansiosamente, como se a minha opinião valesse de alguma coisa.

- Ficou incrível – respondi evidentemente envergonhado – embora eu seja um homem.

- E homens não tem gostos? – me encurralou.

- Bem, sim. Mas não é como se entendesse de moda a ponto de dar conselhos – me rendi como pude – Mas você não respondeu o porquê?

Agora pude virar o jogo e ver seu rosto adquirir um pouco de cor. Ela realmente estava linda com aquele novo corte de cabelo.

- Eu me inspirei em um antigo anime que encontrei por aí – respondeu visivelmente envergonhada, como se confessasse um crime, o que a

torna ainda mais bonita.

- Não sabia que você gostava de animes – respondi surpreendido.

- Esse é especial. Você deveria dar uma olhada: é belo, complexo e intrigante, com uma narrativa de tirar o fôlego.

- E esse anime tem nome? – perguntei para confirmar minha suspeita.

- Chama-se Gundam Seed e sua continuação...

- Gundam Seed Destiny – completei entre abismado e emocionado – Eu achei que era imaginação minha, mas você estava incrivelmente

parecida com a Lunamaria Hawke.

- Ah... e eu pensando que ia te apresentar alguma coisa nova – reclamou.

- Podemos discutir sobre a série outro dia – falei, oferecendo o braço para ela, que titubeou um pouco, mas aceitou o convite para irmos – mas,

ainda temos que passar em casa e encontrarmos o pessoal na lanchonete. Que horas ficamos combinados?

- Marcamos com o pessoal às cinco e meia.

- Você pode ligar pra mim quando sair, pra evitar que eu perca a hora? – perguntei.

- Você é impossível, Kensuke – respondeu sorrindo.

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Nosso encontro era uma comemoração do final do período de provas, que fazíamos Touji, Shinji e eu, mas dessa vez, não nos sentimos seguros

de estarmos apenas os dois, por isso chamamos Hans e Sinclair e estes, por sua vez, chamaram a Horaki, que chamou Asuka, que chamou Kimi

e Kanda Furukawa e como o estrago já estava feito, acabei por chamar a Ayanami.

As pessoas à nossa volta estranhavam um pouco um garoto com um tapa-olho negro, especialmente os garçons, mas após um gentil olhar à lá

Demônia Langley, não só nossa mesa era servida com rapidez, como com o maior sorriso que se podia esperar. E, por mais um milagre da

natureza, estávamos nos divertindo como jovens normais, mesmo com a Ayanami. Nada de Evas, nada Angels e nem incômodos da segurança

com meus amigos.

- Kensuke o que acharr? – perguntou Hans, em seu melhor sotaque "sou estrangeiro"

- Sobre?

- O novo visual da Kanda. Geez, você é surdo? – esbravejou a ruiva do demônio.

- Hã...é. ficou muito bom – tá, não saiu um elogio como havia planejado, mas como dizer que eu estava oficialmente e desesperadamente

olhando para ela de cinco em cinco segundos sem que ela perceba. E como dizer que não te ajuda nada se ela se parece com a personagem

mais absolutamente gata do seu anime preferido. Não importa por onde se olhe, isso não sairia bem.

- Definitivamente, dessa vez você acertou, kanda. – apontou Kimi – Cortar seu cabelo depois de tanto tempo cuidando dele foi realmente

surpreendente. Isso tem um motivo? –concluiu a enquête / pesquisa com um sorriso pícaro.

- Nada que você já não saiba – respondeu Kanda com um sorriso.

- Isso significa que existe uma intenção por trás da mudança? – perguntou com sua inalterável voz, Rei Ayanami.

- Sim. E ela tem nome e sobrenome – respondeu acidamente, Asuka.

- Com licença, vou ao banheiro – anuncio com voz grave e me encaminho para o fundo da lanchonete. Ta, foi a única coisa que me veio à

cabeça, mas o que vou fazer? Simplesmente não consegui ficar ali e ouvir o nome e sobrenome do sujeito... e por quê diabos eu estou com essa

vontade louca de socar alguma coisa.

- Vai ficar com essa cara de pateta agora? – disse uma voz atrás de mim, antes que eu socasse o dono da voz. Não me importou que eu a

tivesse reconhecido. Não me importou que fosse a voz de Shinji. Nem que provavelmente eu seria investigado pela seção 2. Muito menos o fato

que ele não me tinha feito nada. Eu só precisava de algo para socar. É pedir demais?

- POR QUE ISSO? – gritou ele, consideravelmente puto da vida.

- Desculpe... eu senti uma vontade inexplicável de socar alguém e...você é alguém, entende?

- O que te deu?!

- Sei lá!

- O que se lembra antes de ter essa vontade de descontar sua raiva em um inocente?

- Sei lá... eu só estava ouvindo o papo na mesa... quando me veio uma vontade louca de bater em alguém... aí, eu vim até aqui pra jogar uma

água na cara e você apareceu... na minha mente veio uma voz "é esse mesmo"... e o resto você sentiu.

- Hahahaha... ui! – riu Shinji até contrair os músculos do lábio, que estavam inchando. Após um minuto, se recuperando – Então pelo visto, teve

algo a ver com o papo da mesa?

- Sim...não...sei lá!! É estranho... eu não me lembro de sentir isso antes. E nem da razão. Depois eu penso nisso, vamos conseguir gelo pro seu

lábio. É o mínimo que posso fazer... – disse realmente confuso e culpado, mas principalmente, intrigado. – Por que você riu?

- Como diria Dona Milú: Mistéééééééério. Ai.

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É sério, Rei... nem dói mais. Só a aparência é que está feia – disse Shinji, enquanto Rei e a demônia o paparicavam – Asuka, não precisa falar

assim com o pessoal da seção 2. isso aconteceu fora das vistas deles.

- Um agressor misterioso ataca um empregado de NERV, ninguém vê nada e você me pede calma? O que você esta escondendo? Você não

mexeu com a mulher errada, mexeu? – interrogou a demônio Sohryu, enquanto Shinji me olhava com cara de "você me deve muito. E eu vou

cobrar".

- Por Deus, Asuka, de onde você tira essas idéias? – se defendeu como pôde –, eu só fui ao banheiro e alguém me acertou um soco. Foi muito

rápido.

Sinclair, como bom irlandês, tentava conseguir uma cerveja por debaixo dos panos e paquerava descaradamente Kimi, que por sua vez, fazia

um jogo de cena pra cima do Hans, que para não atrapalhar as investidas do amigo, pedia socorro a Hikari e Kanda. Quando olhou para a rua,

Sinclair, chamou a atenção de todos:

- Uau! Olha que moto louca!

- Realmente é linda! – concordaram Hikari e Kanda.

- Não terr marca, deve serr modelo exclusiva – falou Hans.

- Será que o piloto é tão gato assim? – perguntou Kimi.

- É linda e vermelha, mas prefiro o meu Eva – considerou Asuka.

- Se não me falha a memória, essa moto é uma moto conceitual, inspirada no mangá Akira, que fez sucesso no final do século 20 – dei meu

"toque nerd personalizado" à questão.

- Onde Shinji está indo? – perguntou Rei, fazendo com que nós olhássemos para a calçada. Meu amigo estava parado, como se esperasse

alguma coisa e, surpreendentemente, o piloto da moto desceu e jogou para ele uma espada de madeira. Quando ele pegou a shinai, o piloto

sacou outra e começou a atacá-lo.

A luta era de tirar o fôlego. Ataque e contra-ataque eram rápidos, mas esbarravam em uma esquiva ou uma defesa, de ambas as partes. Shinji

muitas vezes atacava como se segurasse um florete, com uma mão estendida para trás, enquanto o piloto da moto segurava a shinai com as

duas mãos, como um praticante de Kendô. Logo a calçada se tornou pequena para o show que a luta se havia convertido para quem estava na

lanchonete, e eles levaram a luta entre as mesas que estavam na calçada. Shinji passou por várias mesas e em uma delas pegou uma torrada

de um homem desavisado, que ficou esbravejando enquanto sua mulher chorava de rir.

- Eu vou ajudá-lo - esbravejou Asuka. Quando ela ia sair da mesa, a garota de cabelo azul a segurou pelo braço.

- O que está fazendo, garota maravilha? – perguntou a ruiva, se aproximando perigosamente da colega.

- Shinji tem a luta sob controle. Eles estão se divertindo – respondeu inalteradamente.

- Rei tem razão, demônia. Se eles estivessem lutando a sério, ela já teria vencido faz tempo, apesar de Shinji não dever nada pra ela.

- ELA??!! – gritaram todos.

- Ué... vocês não repararam no tamanho dos quadris? E nos peitos que estufam a jaqueta? – me defendi atônito.

Todos olharam para mim como se fosse um bicho estranho. Vindo da Ayanami, já estava acostumado, mas até da Kanda? Eu só observei os

detalhes lógicos. E a luta seguia firme, embora ela levasse vantagem graças á envergadura, encurralando um Shinji que não se deu por rogado

e manteve a luta o mais corpo-a-corpo possível, até que a motoqueira misteriosa foi cercada por três pares de pistolas de diferentes modelos e

tamanhos, cortesia da segurança de NERV.

- Parada!! Largue a shinai e não se mova. Um movimento em falso e estouro seus miolos – disse um dos brutamontes.

- Que recepção essa! Vocês de Tókio-3 fazem isso pra todos ou foi especial para mim? – gracejou a garota.

- O quê vocês pensam que estão fazendo? Já não se pode reencontrar amigos em paz? Baixem as armas pessoal, ela é uma velha amiga –

disse entre incomodo e entediado, Shinji, por causa da vigilância – desculpe por isso. Eles são meio super-protetores.

- Você melhorou bastante Shin-chan. Mas poderia quebrar sua defesa 8 vezes – disse a garota de couro enquanto tirava o capacete e o

colocava debaixo do braço, revelando-se uma estonteante morena, com um cabelo incrivelmente longo e liso que parava à milímetros das

nádegas e olhos azuis do tipo que dá pra se perder neles.

- Não posso reclamar... sua guarda estava aberta 7 vezes. Da próxima vez eu vencerei você – disse sorrindo.

- Quer repetir a dose agora?

- Ahãããããmmmm – tossiu polidamente uma demoníaca pessoa – Se pode saber o que esta acontecendo?

- Desculpe – disse Shinji, voltando à realidade.

- Chega de desculpas!! – gritaram as duas garotas em uníssono, para logo depois se entreolharem.

- Pessoal, quero que conheçam uma amiga especial – começou "Shin-chan" - .Eu a conheço desde meus cinco anos. Esta é Angelina Mackenzie,

ou para os íntimos...

- Angie – responderam em uníssono Asuka e Rei.


Ah! Meu! Deus!

POV.: David Sinclair

Sim, existem momentos em que invejo a vida de Shinji Ikari. Primeiro ficamos sabendo que ele pilota um puta robozaço de última geração com

direito a armamento ultra-moderno. Depois, conhecemos sua infartante tutora, uma delícia em todos os sentidos, que povoou os sonhos da ala

masculina da escola durante meses. Não contente, ele conseguiu trocar meia dúzia de palavras com Rei "rainha do gelo" Ayanami que, se tem a

sensibilidade de um legume, não o humilha. Como se isso não bastasse, ainda tem Asuka Langley Sohryu como colega de quarto, outra coisa

que ainda povoa os sonhos da ala masculina do colégio, apesar do mau gênio. E por último, mas não menos importante, ele acaba de

apresentar uma motoqueira absolutamente gostosa. Não, gostosa não é adjetivo suficiente; se ela estivesse no cardápio, neguinho teria que

trabalhar o ano inteiro e poupar cada centavo pra dar uma olhada nos ingredientes do prato.

Tudo bem, acho que estou babando. Graças a Deus tenho Hans ao meu lado, pra pagar um mico ainda maior que o meu.

- Hans, pára de babar. To começando a ficar preocupada – disse Hikari.

- Deixe-me refazer as apresentações, - disse Shinji – o babão é Hans Schwartzman, ao seu lado direito está Kanda Furukawa, Hikari Horaki,

Kimi Furukawa, irmã gêmea da Kanda. Do outro lado da mesa, está Rei Ayanami, aquele que parece um nerd de óculos é Kensuke Aida, David

Sinclair é o babão dissimulado, Asuka Langley Sohryu é esta adorável ruiva que gostaria de me matar e está a seu lado. Pessoal, digam olá

para a Angie.

Isso era inusual. De um momento ao outro choveram perguntas sobre como eles se conheceram, como Shinji era antigamente e, principalmente

o que tinha sido aquela cena toda. Ao que parece, ela o defendia dos garotos mais velhos, fazendo jus aos seus quatro anos de diferença.

Quando pequena, Angelina gostava de filmes antigos de samurais, enquanto Shinji adorava filmes de pirata e por isso prometeram que um dia,

quando se separassem e se reencontrassem, decidiriam que estilo era o melhor.

- Não sabia que você gostava tanto assim de filmes antigos - comentou Sohryu.

- Você nunca viu o pôster do Errol Flyn que tenho no meu quarto? Nunca prestou atenção quando eu brigava com você pelo controle da tevê? –

se espantou meu amigo.

- Ta legal, confesso. Nunca dei a mínima pra isso. Mas pelo visto, isso serviu pra alguma coisa. Que tal montarmos um filme: o intrépido pirata

Shinji e... – calou-se ao chamar Shinji de pirata, por causa do tapa-olho. O legal é que ele nem notou, pois já foi continuando.

- E como Kensuke já filmou tudo mesmo, podemos usar esse material pra fazer um piloto.

Horaki pareceu claramente aliviada por Shinji não ter percebido ou não ter se importado com a coisa. Mesmo para nós, ainda é meio estranho

pensar que ele perdeu o olho defendendo a humanidade. O tempo foi fluindo e a conversa ia normal até que Angie chamou a atenção de Shinji.

- Sei que você deve estar estranhando meu surgimento agora, mas tudo tem um motivo.

- Considerando a ultima vez que marcamos de nos encontrar, eu esperava que você viesse mais cedo.

- Shinji, preciso conversar contigo a respeito de meu irmão...

- Que ele morra!! – sentenciou meu amigo, com frieza na voz.

Nesse momento todos paramos, pois a última coisa que se esperava naquele momento é uma mostra de frieza do cara mais "paz e amor" da

turma. Ao que parece todos se interessaram pelo teor da conversa e os dois amigos esqueceram que nós existíamos, pois continuaram a

debater.

- Como você...? – perguntou a garota.

- Sua mãe me ligou há alguns dias e me contou o ocorrido. E eu já expliquei que não tem como intervir na decisão de uma nação soberana como

a Malásia.

- Como você pôde fazer isso com ela?! Você era a última esperança dela!! – elevou a voz, Angie.

- Como você pode me pedir uma coisa dessas?! – Shinji gritou de volta – Como pode vir até aqui, depois de tudo aquilo e me pedir para

salvar um traficante de drogas, da pena de morte?

- Por que você pode fazê-lo. Como piloto daquilo, você deve ter acesso à pessoas que poderiam impedir a cadeira elétrica. Mas a verdade é que

você não quer isso. Seja sincero consigo e comigo, Shinji!!

Asuka ia entrar na conversa, mas foi silenciada por Rei e Horaki, antes que ela quebrasse o encanto que mantinha os dois naquela discussão.

- E por que eu deveria fazer isso, depois do que ele me fez. Sabe quanto tempo eu levei para poder me olhar no espelho?

- Eu sei porque estava lá a cada passo do caminho, lembra? E você sabe que eu reneguei-o depois daquilo. Não estou fazendo isso por minha

vontade, mas por minha mãe que não pára de chorar, desde que soube do veredicto. E por último, eu odeio ter que te fazer isso, mas você me

deve e sabe disso.

- Você pode mesmo me lembrar disso agora? Por que você arrisca nossa amizade por causa de um escroque como ele?

- Por que às vezes, o sangue precisa falar mais forte. Não por causa dele, mas de meus pais. Lembra-se deles? Aqueles que muitas vezes

abrigaram e cuidaram dos seus machucados? – reiterou Angie, ironicamente.

- E que também me expuseram ao seu irmão? E que me pediram para não acusá-lo formalmente? Sim eu me lembro deles. E continuo com muito

amor em relação a eles. Mas não posso deixar que isso me leve a interceder em um país soberano e...

- Balela e você sabe disso!! – contra-ataca a morena – tem idéia do que eu passei por causa de toda esta história? Faz idéia do que é ter seu

nome relacionado á um molestador e... – ela continuaria falando se o barulho de um copo quebrando não chamasse a atenção de todos nós.

Horaki, que deixara o copo cair devido ao susto, parecia não saber onde enfiar sua cara. E isso fez com que os dois se dessem conta da

situação, mas o pior envolvido era Shinji, pois foi o primeiro a sair de cena, irritado!

- Eu vou indo! – disse jogando duas notas na mesa e olhando para as mesas em que estavam os guarda-costas – Sozinho!!

- Droga... eu e minha boca.... Shinji ... – Angie ia seguí-lo mas foi impedida por um braço, que fez uma leve pressão em seu pulso – Rei, esse é

seu nome, certo? – no que a garota assentiu – poderia, por gentileza, largar o meu pulso? – completou como se estivesse falando à uma

criancinha, se bem que eu adoraria tratá-la assim, pra ver se ela entende alguma coisa.

- Angie, é melhor você deixá-lo se acalmar. – começou com sua voz monótona – Shinji tem muito carinho e respeito por você e ele é honrado o

suficiente para fazer algo que julgue ser necessário, ainda à contragosto. Mas se for atrás dele agora, só piorará as coisas.

Todos ficamos olhando para a garota, como se fosse muda até a poucos minutos atrás e de repente, abrisse a boca e dela saísse a origem da

vida. No final, tivemos que concordar com ela.

- Rei... todos vocês – começou Angie um tanto envergonhada – sei que não posso pedir para vocês ignorarem essa conversa. Mas gostaria que

entendessem que a vida é normalmente muito mais complicada do que aparenta e que, pelo menos, não levassem isso em conta quando

possamos nos conhecer melhor – completou, antes de ir.

Com a partida dela, ficamos em um impasse: se o que ouvirmos era apenas a indignação de Shinji ou se havia algo maior que isso. Kimi iniciou a

discussão.

- O que vocês acham do que ouviram?

- Honestamente, não sei o que pensar – respondi.

- E em que isto afeta o que nos pensamos de Shinji? – começou de forma prática, a delegada.

- Não muda nada. Só me enobrece mais saber que ele conseguiu ultrapassar essa barreira e não se deixar abalar. – contemporizou Kanda.

- Mas não podemos abandoná-lo à própria sorte agora. Ele deve estar se sentindo vulnerável agora. Nosso dever como amigos é o de apoiá-lo,

mesmo que ele não queira – vociferou Sohryu.

- Mas sem saber o que passsarrr, non poderrr serrr de muita ajuda – tentou falar, Hans.

- Por que não perguntam à Kensuke? – sugeriu Ayanami. Nesse momento olhamos para onde deveria estar nosso nerd de estimação, para

vê-lo gentilmente saindo do caixa e em direção à saída. E Sohryu o trouxe de volta... pelas orelhas.

- Muito bem, nerd. Abra o bico: você sabe algo sobre aquela conversa deles? – rugiu a garota com os punhos em condição de combate.

- Pode me bater se quiser, mas não terá nada de mim, Demônia – enfrentou Aida, para nossa surpresa e evidente desgosto da citada, que

preparava seu melhor soco, quando foi detida por uma das gêmeas, que abriu um botão de sua blusa.

- Asuka, entenda que essa não é a única forma de persuasão – sugeriu Kimi, abrindo mais um botão de sua blusa – aposto que Kensuke irá nos

contar o que queremos com o incentivo certo.

Vimos ela se aproximar e abaixar-se de uma maneira absolutamente sensual, deixando um evidente convite para ele ver seus peitos. Em

seguida, sob protestos das garotas e evidente inveja minha e do Hans, Kimi Furukawa sussurrou algo no ouvido de Kensuke Aida que o

enrubesceu de imediato. E mesmo vermelho como um pimentão, ainda assim, permaneceu firme em sua decisão.

- Vocês não entendem. Shinji só contou para mim e Touji. Nem a Major Katsuragi sabe disso. E eles sempre me zoavam, falando que eu era o

fofoqueiro de plantão e embora não desse razão, sabíamos que eu podia cometer um deslize e comentar outro segredo. Mas agora, Touji se foi

e, se eu contar isso a vocês, Shinji poderá confiar em mim de novo? Eu não estaria sendo o mesmo idiota leviano e boca aberta de antes?

Todos olhamos para ele, entendendo o motivo da recusa. Nunca pensamos que, com a morte de Suzuhara, obrigatoriamente fez com que

Kensuke tivesse que alterar seu papel. Mas a morte faz isso com todos.

- Kensuke, você é um amigo leal e Shinji sabe disso, mas você não é o único amigo dele. Todos aqui estamos dispostos a ajudá-lo. Não só a ele

mas queremos dividir esse peso com você. Há algum tempo, quando Shinji estava enclausurado em casa devido aos ferimentos, ele abriu mão

de seu período de exílio para me ajudar. Ele fez isso, porque ele sabe que aos amigos muitas vezes alguns delitos menores são perdoados

quando visamos o bem maior. Você precisa decidir se é melhor para ele agora lidar com o pedido da Angie sozinho, ou compartilhando sua dor e

nos tendo como apoio, pois essa é a função do amigo. Escolha sabiamente, Kensuke – disse, com os olhos cristalizados Kanda Furukawa.

Kensuke aparou com os dedos, as lágrimas que desceram dos olhos de Kanda e disse:

- O irmão de Angie é 13 anos mais velho que ela e possuía essa perversão sem que os pais soubessem. Ele já havia tentado algo com Angie,

sem sucesso. Ele conheceu Shinji, então com 9 anos e, após conquistar sua confiança, tentou molestá-lo, sendo impedido por Angie, que o

denunciou aos seus pais e à polícia. Eles provaram a culpa do irmão com a obtenção de um mandado de busca e apreensão no apartamento e

confisco do computador pessoal dele. Como ela impediu que a polícia chegasse à Shinji, presumiram que ela era a vítima e ela foi internada e

passou 2 anos em um reformatório junto com outras crianças vítimas de abuso. Quando ela saiu, eles conviveram por mais uns meses até que

seus pais tiveram que se mudar, por conta da pressão dos vizinhos, mas eles se correspondiam por conta de carta. Por isso ela sabe tanto da

história de Shinji aqui em Tókio 3. Um dos motivos que fez Shinji voltar a pilotar o Eva, depois do 4º Angel foi para garantir que ela tivesse a

ficha limpa. – comentou Kensuke, evidentemente exausto pela situação.

Novamente ficamos em silêncio, vendo o quanto não conhecemos do verdadeiro Shinji Ikari. Realmente, agora sabíamos o que precisávamos

fazer, mas onde ele foi? Asuka resolveu dar um toque nazista e coordenou a coisa toda.

- Vamos nos dividir e procurar por ele. Hikari e Hans, procurarão no parque, próximo ao lago Ashino; Kensuke e kanda irão para o apartamento,

Kimi e David irão até a estação de Omagazaki, Rei e eu iremos até NERV, conversar com Misato.

- É melhor você ir sozinha, Sohryu. Eu o procurarei seguindo minha intuição. E se estiver em NERV, procure-o junto ao EVA – disse Rei se

encaminhando para a saída. É impressão minha ou ela falou em intuição?

- Nos encontramos no meu apartamento, em 1 hora – disse Asuka.


Retribuição

POV.: Rei

Vou andando sem pressa. De alguma forma, sinto que sou eu que irei encontrá-lo, mas não sei o que fazer depois disso. A realidade de seu

envolvimento com Angelina é completamente diferente do que a Segunda Criança esperava e para mim, não faz muito sentido. Legalmente eu

entendo que não é certo se fazer sexo com uma criança, mas por que tanto alvoroço? O corpo é apenas uma casca que é mantido pelo nosso

campo A.T. se a instrumentalidade vai unir a todos, o sexo é irrelevante.

Por quê Shinji sofre tanto com isso? Eu estou confortável sabendo da infância dele? E por que eu sinto como se tivesse uma conexão com ele?

Será que isso é apenas um reflexo daquele sentimento que tive quando ele me retirou do entry plug? E se for verdade? Será que ele espera

algo de mim?

Como esperava, meus pés seguiram seu caminho próprio até ele. O mirante de Tókio 3 costuma ficar deserto a essa hora, muito cedo para os

casais que passam a noite por aqui. Diminui meus passos ainda mais para que ele tenha tempo de perceber minha presença. Se ele sentir

incômodo, fará algo para me parar. Não adianta, pois ele continua com sua vista pregada para a cidade e esquece do que acontece à sua volta.

Paro ao seu lado e espero que ele note minha presença, coisa que ele o faz sem tirar os olhos da paisagem.

- Devo concluir que isso não é uma coincidência, certo?

- Sim. Todos estamos procurando você. – respondi.

- Por que vocês acharam que eu precisava de companhia? – Shinji falou sem raiva na voz.

- Por que nós sabemos o que aconteceu – continuei.

- Devo presumir que Kensuke contou a vocês?

- Sim.

- Gostaria de matá-lo nesse momento.

- Ele resistiu às ameaças de Sohryu e a sedução da Furukawa. Dê-lhe um pouco de crédito.

- Então como?

- A outra Furukawa o disse que ele deveria medir sua lealdade não por não contar seu segredo, mas por poder ajudá-lo, mesmo que seja sem o

seu consentimento.

- Qual das duas?

- Kanda.

- Dessa vez, ele se safou. – começou a rir, Shinji - Ei Rei, quer saber um segredo? Quem me bateu no banheiro foi Kensuke, que teve um ataque

de ciúmes inconsciente dela.

- E você disse que havia sido outra pessoa para não complicá-lo, certo?

- Sim.

- Sohryu sabe disso?

- Não, só sabe que Kanda gosta do Kensuke.

- Isso explica muita coisa.

- O quê?

- Por que ela os mandou juntos procurar você na sua casa.

Shinji à principio ficou assustado, mas depois relaxou e disse algo como: "é um inútil mesmo... não vai entender nada até que ela bata na cara

dele com um coração". Em seguida, lentamente se virou e me perguntou:

- E o que você acha do que ouviu, Rei?

- Não entendo muita coisa, mas mesmo assim, você fará o que ela pediu, não é?

- Sim.

- Porque?

- Não sei. Nem ela sabe ao menos o tamanho da coisa que me pediu, ou tem certeza se quer isso mesmo. Mas se esse é o modo de saldar

minha dívida de honra com ela e sua família, não me resta opção, não importa o quanto eu não queira e acredite, eu não quero!

A conversa morreu e ficamos assim por alguns minutos. Eu tinha mais perguntas do que respostas e devia aproveitar que estávamos sozinhos

para conseguir algumas respostas.

- Você mudou – retomei.

- Acho que sim – concordou comigo – mas não fui o único. Você também mudou.

- Eu mudei?

- Sim. Comparando com Rei Ayanami que conheci quando eu cheguei em Tókio 3, você está muito diferente. Só o fato de estar aqui já é prova

disso.

Havia uma coisa que eu tinha medo, mas mesmo assim precisava saber. Algo que podia mudar o rumo do que eu achava certo. Algo que poderia

me afastar de Shinji, talvez, para sempre.

- Você... sabe de mim...quero dizer... do meu passado, não é? – perguntei assustada. Honestamente, não sei qual resposta me mortifica mais.

- Sim, Rei. Eu sei – respondeu como se estivesse preparado para aquela pergunta há algum tempo.

- Como você...

- Descobri? Bom, não foi muito difícil, depois do acidente. Eu me lembrei do rosto da minha mãe e notei a semelhança. Logo vi o tanque de

clonagem e somei dois mais dois. E aquele monte de corpos, também são outra pista, não acha?

Assenti com a cabeça, mas a reação dele não é nada do que eu esperava. Por isso, resolvi arriscar.

- Não te incomoda saber disso?

- O quê?

- Que eu posso ser substituída.

- Venha aqui um segundo. – ele pediu, me indicando a barra protetora do mirante – O que você vê aqui nessa encosta? – perguntou-me

sorrindo.

- Um pássaro.

- Sim. Nós humanos, podemos chamá-lo pela sua espécie, pelo seu gênero, pela sua família ou pelo seu sexo. Mas isso não muda o fato de que

um pássaro é um pássaro. Da mesma forma, Rei Ayanami é Rei Ayanami.

- Então você... não me odeia? – perguntei incrédula.

- No primeiro dia em que cheguei à essa cidade, conheci pessoas incríveis. Uma dessas pessoas, era uma garota bela e misteriosa de olhos

vermelhos. Agora eu descobri um dos segredos dela. E embora tenha deixado de ser tão misteriosa, não se tornou menos bela, entendeu?

A cada palavra que Shinji me dizia, eu sentia minha face ficar mais vermelha, meu coração bater mais forte e quando ele terminou de falar, eu já

tinha me lançado em direção de seus braços. Nem sei porque, mas me senti tão aliviada quando ele disse que não me odiava, parece que um

peso foi tirado das minhas costas. Ele me recebe de braços abertos e lágrimas descem pelo meu rosto.

- Hã...Rei? Você está chorando? – me perguntou Shinji, se afastando para me ver.

- Mas também estou sorrindo, como você disse – respondi entre lágrimas e risos, lentamente me aproximando de seu rosto.

Para estragar o momento, o celular de Shinji começou a tocar. Evidentemente constrangido ele atende.

- Alô... Misa-chan. não, se preocupe. Eu estou bem... só queria pensar... sério... vocês se preocupam demais... não.... não diga isso à Asuka...

não... Sim... sim, Asuka. Já estou melhor... é que não estou acostumado a receber tamanha atenção... o quê!? você colocou eles para varrerem

a cidade? Se alguém me encontrou?... Bom... a Rei... Alô, Asuka? Asuka?

- Desligou? – perguntei querendo saber o que acontecia.

- Desligou na minha cara...

Ao tomar ciência da situação, Shinji pegou seu telefone e começou a discar para todos, avisando que estava bem e que não precisavam se

preocupar com isso. Aproveitou e fez uma ameaça á Kensuke, dando a entender que ele lhe devia muito e perguntando onde ele e Kanda

Furukawa estavam. Após rir um pouco da situação do amigo resolvemos ir embora do mirante, rumo ao subúrbio em que vivíamos.

Ao chegarmos ao apartamento de Shinji, fomos surpreendidos por uma barulhenta reunião de nossos amigos e, pelo que pude observar,

Kensuke era o alvo principal das piadas da Major. Após algumas explicações, ouvimos a campainha tocar e Shinji foi atender. Angelina se juntou

a nós, sem antes passar pela sabatina de Sohryu:

- O que você está fazendo aqui?

- Eu só queria saber se Shinji está bem?

- Você já viu, agora saia!

- Asuka!! – gritou a Major.

- Asuka, por favor – disse Shinji – ela só esta fazendo o que acha ser melhor para evitar o sofrimento daqueles que ela estima. Não é diferente

do por quê eu piloto o EVA, nem do porquê Misa-chan me acolheu nesta casa, depois de tudo. Angie, embora eu não goste disso, não gostaria

de chegar perto dele nem pra vê-lo morrer, eu vou tentar fazer alguma coisa. Não prometo nada, mas tentarei.

- Obrigada, Shin-chan, não poderia esperar menos de você.

Após isso, a reunião acabou voltando ao normal, ou quão normal possa ser quando sua superiora insiste em se jogar pra cima dos garotos só

para causar reações. No meio da festa, perguntei:

- Como espera fazer isso Shinji?

- Tendo uma conversa de pai e filho – respondeu.


Notas do autor:

Em termos simples, minha vida está do avesso. é com pesar que informo que provisóriamente, estarei passando a fic para atualização mensal, até

normalizar minha vida pessoal. Espero que isso não demore tanto, ou que a fic seja longa, rs.

Sério pessoal, preciso ganhar grana e poder colocar minhas contas em dia. Desse modo, posso desocupar minha mente e voltar a ter a quantidade

normal de idéias absurdas que me motivam a escrever. Espero contar com sua compreensão. E a fic não será abandonada... ela já está como desejo

póstumo no meu testamento. Caso eu bata as caçoletas, como diria minha avó, dois ficwriters já estão incumbido da tarefa de terminá-la.

Arthur,

Espero que a espera tenha valido a pena... foi um pouco mais curto do que normalmente posto mas acho que assumi neste momento, a quebra

necessária para por um pouco de suspense. Feliz 2009!

Lukasbasques,

Fico feliz que você tenha gostado da parte da hipnoterapia. ela me revelou alguns traumas pessoais e meu analista está aumentando o número de

sessões, causando minha necessidade de um segundo emprego e a demora na atualização das fics. Mas, fazer o quê... tudo por uma boa história. Feliz

2009!

J4ckpot

Cara, valeu mesmo os elogios. não é sempre que um senhor review daquele tamanho chega na nossa caixa de mensagens!!

Sou obrigado a concordar que a quantidade de mulheres que escrevem e muito superior, o que torna heróis casca grossas, como Hiei (Yu Yu Hakusho),

Heero Yui (gundam Wing), Shin Asuka (Gundam Seed & Destiny), Zuko (Avatar) em yaois da mais alta estirpe, criando quase um consenso que ser

herói de anime tem que ser necessáriamente o Shrek para garantir a masculinidade. Da mesma forma, concordo com sua opinião sobre a quantidade

excessiva de romance nas fics, em detrimento dos outros elementos. É claramente possível fazer uma história, mesmo um romance, com muita

intriga, reviravoltas e, por que não, batalhas épicas. Como provou Macross nos anos 80, apenas para citar um deles. Isso é, em parte o meu modo de

ver o mundo. E heróis são as únicas coisas sagradas para se manter. Afinal, quem de nós que cresceu vendo aquela maldita série psicodélica do batman, com o Adam West que achaávamos que ele (e o personagem, por consequência) era viado, não adorou avolta do caráter sombrio dele, nas séries animadas da D.C. e por último nos dois filmes?

Quanto à questão do Shinji, por vezes tornar-se uma espécie de super Shinji... tomando conta do campo de batalha, isso é planejado em parte. O

próprio nome da história "Redemption Song" já deixa claro a proposta da fic. Em parte, isso acontece por conta dos incontáveis abusos que sofreu na

infância e adolescência e, por isso, Shinji resolve tomar uma nova rota, quase como um anjo vingador. Isso não é novo: todos tentamos nos reinventar

no meio do caminho de nossas vidas. Resta saber se o desejo de Shinji se concretizou ou não. Mas não vou dar Spoillers e vou procurar manter minha

arteria criativa dentro dos limites. Feliz 2009!

Nos Lemos,

Fan surfer

Obs.: Não sou homofóbico. Sempre defenderei o direito de qualquer pessoa procurar ser feliz, fazendo o que achar certo da sua vida, pois nos

foi dado livre arbítrio. Conheço e respeito grandes pessoas, independente da raça, cor, credo, time, responsabilidade social e opção de vida.

Apenas acredito que, da mesma forma que não se pode pender para um lado da balança, não se pende para o outro. Considerar que a

possibilidade de homens e mulheres bonitas que andam juntos (as) e possuem fortes laços afetivos, são necessáriamente homossexuais, à

meu ver é a mesma lógica do preconceito invertida, seja nos quadrinhos, nas fics ou na vida real. Será que as mulheres querem que nós, homens bem

resolvidos e filhos darevolução sexual, tenhamos um contato com nossas emoções (como elas constantemente nos acusam do contrário) sendo

brutos, sem consideração e nos tratarmos como primatas, enquanto estamos com nossos amigos e chegando em casa, virarmos um marido/namorado

/amante de sonhos?

Vamos polemizar!!