CAPÍTULO DEZ

Hora do jantar, residência dos Swan. Bella olhou para a irmã mais nova, para a mãe e para o pai, que acabara de se sentar depois de tê-las deixado esperando até que terminasse uma ligação. Apesar de ter voltado há apenas 24 horas, era como se nunca tivesse saído.

— Aquele metido do Bilbray — o pai murmurou enquanto a empregada, June, colocava um prato fumegante de frango na frente dele. — É como se ele não entendesse a lei de oferta e procura. Ele não estudou administração? Não trabalha para mim há mais de 15 anos? Tenho que ensiná-lo a amarrar os próprios sapatos assim como a ler uma planilha?

Bella se virou para a irmã e levantou a voz para superar a do pai, que continuava reclamando.

— O que estava dizendo, Elena? O professor Beal quer que você faça a página do departamento de teatro do site da escola?

Sem esperar resposta, ela se virou para o pai.

— Papai, ouviu isso? O professor de teatro de Elena vai remunerá-la para que faça uma página de internet.

Ao ouvir a palavra "dinheiro", o pai parou de reclamar de Bilbray e olhou para a filha mais nova.

— Precisaremos de mais dinheiro agora que Bella rompeu com Antony Cullen. Mas talvez eu possa fazer algo sobre isso. Talvez eu possa ligar para ele e...

— Pai — Bella interrompeu. — Não quero me casar com Antony.

— Ele provavelmente dará outra chance a você. Está tão ansioso para se aliar às Indústrias Swan quanto nós, e...

— Pai, não vou me casar com Antony Cullen.

A mãe de Bella tirou os olhos do prato com um brilho no olhar.

— Charlie, acha mesmo que pode convencer Antony a dar outra chance a Bella? Apesar de sua precipitação e de mais uma Idéia Ruim? Não consegui cancelar a reserva para o local da recepção...

— O quê? — Bella olhou surpresa para a mãe. — Você não me disse que tinha reservado um local para a recepção. Nem tínhamos começado a conversar sobre isso.

Renne balançou os dedos.

— Eu estava de olho em uma vinícola em Napa há anos. Poderia se casar lá também, se quisesse, mas talvez Antony prefira uma cerimônia na igreja.

Bella balançou a cabeça incrédula.

— Sem dúvida devemos perguntar a Antony — ela murmurou consigo mesma.

A voz de Elena surgiu do outro lado da mesa.

— Havia um belo vestido de dama. Eu suportaria o com faixa na cintura.

Bella olhou para a irmã.

— Até você?

A mãe olhou para Elena, orgulhosa.

— Você está certa. O mais lindo era o azul com faixa na cintura.

Bella queria gritar. Queria encontrar um noivo completamente inadequado e fugir para a Lituânia. Já sei, pensou. Talvez possa convencer Trevor a largar a herdeira da estação de esqui por mim. Aí os pais dela lamentariam.

Ela, então, se deu conta do motivo pelo qual aceitara se casar com Trevor. E pelo qual ela dissera "sim" para o mecânico do pai. E pelo qual quase dissera "sim" a Jean-Paul no topo da torre Eiffel. Edward dissera isso, não foi? Mas agora ela percebia. Todos os noivos anteriores foram exemplos perfeitos de rebeldia contra os pais.

Deus. Ela tentara resistir a pais dominadores escolhendo noivos errados mais de uma vez?

Meu Deus. Se fosse verdade, o metido do Bilbray era mais perspicaz que ela.

— Como vai lidar com isso, Charlie? — a mãe estava dizendo. — Talvez simplificar e dizer para Antony que Bella estava sofrendo de um período de pânico?

Durante o qual ela dormiu com o irmão dele e se apaixonou pelo cretino, Bella concluiu. Não que ela tenha contado aos pais aquela parte da visita a Tahoe. Talvez eles estivessem certos o tempo todo. Talvez ela não devesse escolher o que fazer com a própria vida já que sempre estragava tudo.

— Sempre achei que casamentos em setembro eram especiais — a mãe falou com um suspiro. — É uma ótima época do ano para uma lua-de-mel.

Bella fez uma careta. Nada iria acontecer em setembro.

— Tenho uma conferência da editora em setembro, mãe. Nada mais se encaixa na minha agenda.

O pai fez um gesto de desprezo.

— Besteira. Você pode pedir demissão desse emprego idiota se ele atrapalhar seu casamento.

— Emprego idiota! — Bella repetiu enquanto o pai voltava a comer. — Pai, ganho bem como tradutora. Eu poderia até usar meus conhecimentos para ajudar você na Swan se me deixasse.

— Me ajudar como?

— Traduzindo, pai. Você sabe, aquilo que sei fazer que já faço há anos. Tenho até uma conta bancária polpuda para provar. Outras empresas além da editora me pagam boas quantias pelo meu trabalho em assuntos tecnológicos e administrativos. Não é fácil achar pessoas que sabem não só traduzir, mas traduzir linguagem técnica.

O pai começou a se vangloriar.

— Temos especialistas na empresa...

— Eu sei. Conheço Jeremy Cloud, que trabalha para você. Sou melhor. E gostaria de fazer uma apresentação para mostrar como e por que você deveria me contratar. Garanto que não vai se arrepender.

A família toda a encarava, surpresa. Bella se sentia cheia de energia, concentrada, com os sentidos apurados, assim como quando competia com Edward. Era assim que as pessoas sentiam quando encaravam as coisas de frente, com a intenção de ganhar, ela percebeu.

E gostou. Era a única coisa boa que podia atribuir a Edward, pois ele a ensinara o poder de assumir o sucesso e rejeitar o fracasso.

— Bem, eu... — o pai dela gaguejou, olhando para a mãe como se pedisse ajuda.

— Tenho certeza de que seu pai dedicará um tempo para ver sua apresentação — Renne disse suavemente. — Mas por que não espera até depois da lua-de-mel?

Era hora de conversas diretas e honestas de novo. O coração de Bella acelerou quando ela se segurou na borda da mesa e se inclinou na direção da mãe.

— Mãe, precisa me ouvir. Não vou me casar com aquele homem. Não haverá casamento em setembro. Cancele a vinícola, desmarque a costureira, abandone quaisquer outros planos que estiver tramando pelas minhas costas.

— Bella...

— Não haverá casamento nenhum — Bella insistiu com voz firme. — Não vou me casar com Antony e ele certamente não quer se casar comigo.

O som de alguém limpando a garganta fez todos se virarem de repente. Jüne estava na porta da sala de jantar torcendo o avental com as mãos. O rosto estava corado.

— Há uma pessoa aqui.

— Quem? — o pai perguntou, olhando para o relógio no canto da sala.

— O sr. Antony Cullen.

Bella gemeu enquanto a mãe a olhava triunfante.

Edward estava quase sufocando por causa da gravata apertada no estilo de Tony quando foi levado até a sala de jantar dos Swan pela empregada de bochechas rosadas. A primeira pessoa que viu foi uma garota, Elena, claro, e ele lhe enviou um sorriso enquanto ela reagia com uma careta.

Então ele fez uma careta também, pois sorrir doeu demais.

— Cullen! — Charlie Swan se levantou e esticou a mão. — Já jantou?

Edward não via o homem há anos, mas mesmo se já não o tivesse reconhecido, saberia quem era porque possuía os mesmos olhos castanhos de Bella.

— Estou bem, não precisa se preocupar. Lamento incomodá-los, mas vim ver se posso dar uma palavrinha com sua filha mais velha.

Ele a olhou de esguelha, mas ela parecia encarar o prato, como que hipnotizada pelos aspargos.

— Bella? — a mãe chamou. — Por que você e Tony não vão ter uma boa conversa na biblioteca?

Um minuto passou, e com um aceno de cabeça resignado, ela levantou da cadeira. Quando saíam da sala, Elena gritou:

— Não se esqueça do vestido azul, Bella. É muito lindo.

Na biblioteca, ela fechou as portas duplas depois que entraram e falou sem olhar para ele.

— Deixei a aliança sobre a cômoda do quarto principal. Deveria ter dito antes de sair. Se não houver mais nada...

Edward olhava para ela quando ela começou a girar a maçaneta da porta de novo. Ela iria sair dali? Sair da sua vida?

— Espere...

Ela se virou para olhá-lo.

— O quê? O que você quer, Tony?

Ele era burro. Tivera horas para decidir o que dizer, e não pensara em nada além de encontrar uma forma de ficar a sós com ela de novo.

— Sobre meu irmão...

— Ele te deu um tremendo olho roxo.

— É. — Tony não ficara tão relutante quanto Edward esperara para dar-lhe um soco no rosto. Mas ele percebera que merecia, principalmente pelo que fizera. Porém o mais importante é que tinha certeza de que Bella não aceitaria vê-lo se soubesse que era Edward.

Então ele apelara para a troca com o gêmeo de novo. Talvez ele devesse se sentir ainda mais culpado por isso, mas no momento só havia desespero em seu coração.

— Olhe — ele começou, ainda esperando por uma inspiração súbita. — Meu irmão lamenta muito...

— Por ser tão imbecil quanto eu por ter aceitado casar com uma quase estranha?

— Ele também é obcecado pelos negócios, e pensou... — Edward parou, percebendo o que ela dissera. Percebendo que ela enxergara a troca. — Você sabe.

— Errar é humano — disse ela sem expressão alguma no rosto. — Repetir o erro é burrice. O que quer agora, Edward? Mais vingança?

O rosto doía e latejava e não servira para nada, droga. E a dor tornava o pensamento difícil.

— Queria tentar explicar mais uma vez o que aconteceu.

Ela cruzou os braços.

— Seu irmão roubou algo de você e você queria roubar algo dele. Entendi tudo.

Edward balançou a cabeça.

— Essa história com Tony... Não sabemos o que houve exatamente, só sabemos que foi algo escuso, mas agora sei que ele não me passou para trás.

Por um momento o rosto impassível dela se suavizou.

— Edward, você tem seu irmão gêmeo de volta.

— Tenho. Talvez. Estou esperançoso. — Passou a mão pelo galo que tinha na parte de trás da cabeça. — Mas ele desenvolveu um soco poderoso ao longo dos últimos anos. Quando ele me bateu, caí e bati a cabeça na mesa. Fiquei vendo apenas com o olho bom até o meio-dia, e foi por isso que demorei um dia a mais para chegar aqui.

Se ele pensava que ela podia sentir pena, errou. O rosto dela estava frio de novo, e era assim que ele se sentia, frio de... droga, tinha que admitir. Frio de medo. E se não conseguisse atingi-la?

— Mas alguém roubou algo de mim, no fim das contas — ele falou sem jeito.

— Já falei onde está a aliança.

— Teria que dizer isso para Tony, e sabe que não estou interessado em jóia alguma. — Por dentro estava gelado como o achocolatado dos olhos dela, e sentia seus batimentos diminuindo a ponto de parecer que morria.

Como poderia seguir em frente sem ela? Com quem assistiria a filmes melosos? Quem o beliscaria quando ele começasse a ficar competitivo demais?

Depois da morte de Damon, não houvera ninguém para mostrar a ele um mundo melhor e mais colorido até Bella. Mesmo que Tony estivesse do seu lado, quem estaria do outro?

Tinha que ser Bella. Ele só queria Bella.

Ele amava Bella.

O pensamento passou como fogo pelo gelo. Até então, ele nunca se permitira sequer pensar nessas palavras, mas agora estava dominado por elas. Ele amava sua Bells, com seu humor e sua doce disposição. Com sua habilidade de relaxar e com o modo como aquecia o ar quando estavam juntos em um ambiente.

Ele amava o cabelo castanho dela e o corpo curvilíneo, desde o pequeno nariz aos dedos dos pés, e cada centímetro de pele branca. Ele amava os seios fartos e mamilos rosados. Ele amava a cor dos cachos que pouco protegiam o sexo dela do olhar dele. Ele amava os sons que ela fazia quando ele a tocava intimamente e encontrava seu botão úmido...

— Edward. — Pela expressão irritada dela e pelas bochechas coradas, ele percebeu que ela lera tudo isso no rosto dele. — Edward, por que veio aqui?

Ele sufocou o pânico ao ouvir o tom frio e irritado dela. Ela não cairia nos braços dele como esperara, mas isso não significava que desistiria. Um Cullen nunca desistia, e ele fez uma oração silenciosa de agradecimento ao pai por isso. Surpreendentemente, a adorável Bella podia até fazê-lo ver Carlisle Cullen sob uma nova perspectiva.

— Edward...

— Você pegou algo que era meu. —As palavras saíram de repente.

Ela juntou as sobrancelhas, confusa.

— O quê?

Era agora. A hora de colocar-se nas mãos dela. Nos negócios aprendera a se controlar, a manter algumas cartas na manga, mas agora... Se realmente a quisesse, teria que pôr as cartas na mesa. Ele nunca tivera muita fé em lealdade, mas agora teria que correr o risco e acreditar que essa mulher lhe daria a sua.

— Não quero de volta o que você pegou — disse ele, enrolando. — Pode ficar. Pode ficar para sempre.

A expressão de confusão aumentou.

— O que é?

E agora.

— Meu coração.

Bella se lembrou de quando dissera para Edward que ele parecia ter sido atingido por uma frigideira de desenho animado, e teve certeza de que estava com a mesma expressão no rosto neste momento. Sentia como se algo a tivesse atingido e tirado todo o ar de seus pulmões.

— O quê?

— Não sei se roubou meu coração, ou se o dei a você, ou quando aconteceu, ou como puder ter tanta sorte. Talvez seja como a regra de Elena, talvez as coisas realmente belas só apareçam de surpresa. Eu não esperava isso, Bella, mas com você vejo tudo mais claro. Vejo tudo por uma perspectiva que nunca vi na vida. Com você, consigo pensar em respirar em vez de ganhar. Com você, esqueço dos negócios e da pressão constante para ganhar dinheiro.

Foi o discurso mais longo que ela jamais o ouvira fazer. A voz dele, um pouco rouca, um pouco sem fôlego, parecia sincera. Balançando a cabeça, ela pousou as mãos na porta e o encarou, tentando entender. Os olhos de Edward estavam sérios, decididos.

Também sinceros.

Mas...

— Você... seu irmão... você sempre quer o que ele tem — ela lembrou. — Agora está apenas tentando se vingar de história de Stuttgart.

— Isso não tem nada a ver com Tony, Bella — Edward disse. — Por favor, acredite, apesar de saber que não mereço sua confiança.

Ele não merecia a confiança dela!

— Você me enganou para me seduzir.

— Sim.

— Veio aqui hoje fazendo a mesma coisa.

Ele fez uma careta.

— Sim. E lamento muito. Não tanto por hoje, no entanto. Precisava fazer o que fosse preciso para vê-la de novo. Para tentar explicar...

— Não devia ter se dado ao trabalho — Bella disse, com amargura dominando suas palavras. — Apesar de ser difícil perdoá-lo, acredite, eu entendo. Sou filha de Charlie, lembra? Estou acostumada ao que um homem é capaz de fazer pelos negócios.

A obstinação do pai fora algo com que sempre brincara, mas que a incomodara a vida toda. Ainda mais quando crescera e vira como afetava Elena. Toda a família perdera muitas coisas nessa busca louca pelo dinheiro. Pelo modo com que Edward fora criado, não era surpresa ele ser tomado pelo mesmo ardor competitivo e frio.

— Vá embora — disse ela, virando-se para evitar o olhar dele. — Entre no primeiro vôo para Sfuttgart e ganhe de seu irmão lá.

Houve um longo momento de silêncio, e Luke falou de novo.

— Bella . — A voz estava tensa. — Bella, por favor, olhe para mim.

Isso foi um erro. Porque apesar do ardor competitivo e frio, ele tinha a aparência de um homem mais preocupado em perder do que com desejo de ganhar.

— Eu podia estar em Stuttgart agora se fosse importante para mim — disse ele. — Tony está na casa de Damaon para satisfazer a exigência do testamento, e se eu quisesse, poderia estar na Europa, conversando com Ernst. Sem um olho roxo, devo dizer, e sem um galo maior que uma bola de beisebol na cabeça. Não fui para Stuttgart. Vim ver você.

O coração dela deu um pulo. Pela segunda vez ela se sentiu completamente sem fôlego.

Edward não fora a Stuttgart.

Ele não deixara a casa de Damon no primeiro momento que pudera para resolver os problemas nos negócios.

Como era possível? Como podia o competitivo, cruel e frio Luke abandonar a coisa mais importante do mundo para ele?

Ela disse em voz alta, para se certificar.

— Você não foi para Stuttgart. — A voz saiu num sussurro.

— Nem pensei novamente na Alemanha desde que você me abandonou — respondeu ele. — Não fui a Stuttgart porque queria ficar com você. Quero ficar com você porque quando estamos juntos eu aprecio a vida que não posso mais compartilhar com Damon. Finalmente entendi por que ele planejou aquela situação para os Samurais, ou pelo menos para mim. Eu precisava me conectar às pessoas novamente, Bella. Eu precisava perceber que eu sou uma pessoa que tem emoções, necessidades, medos e... amor. Eu amo tanto você.

Ele a amava! Bella sentiu seu estômago revirar. Ela a amava? Antes, ele dissera que ela roubara seu coração, mas ela ainda estava tentando se convencer que ele não tinha um. Mas dizer isso, que a amava. E desistir da um acordo de negócios para poder...

Era verdade. Devia ser verdade.

— Oh, Edward.

Ela deu um lento passo para frente. Ele ficou paralisado e a observava com aqueles olhos sérios e preocupados, como se temesse acreditar no que via.

Ela se lembrou de muitas longas horas doces nos braços dele. Várias conversas sobre filmes, viagens, nada em particular. Em momento algum o nome pelo qual o chamava. Ela se apaixonara pelo homem, e não pelo nome. Deu mais um passo e se lembrou do exato momento em que se dera conta: quando ele ficara zangado com Trevor. Por ela.

Ela parou de se movimentar, afundando os pés no tapete.

Edward deve ter percebido a nova relutância no rosto dela. Por um segundo seus olhos se fecharam como se "ele sentisse uma dor profunda. Então, quando se abriram, ela pôde ver a dor dentro dos olhos verdes de Edward.

As lágrimas faziam os dela arder.

— O que é, Bells ? O que aconteceu no caminho até os meus braços? — A tensão na voz dele mostrava como estava nervoso. — Amo você. Não acredita em mim? Não acredita que o homem que estava com você na casa de Damon, independente se o nome era Tony ou Edward , foi o homem que se apaixonou por você?

Ela balançou a cabeça, muda. Edward não ter ido correndo para Stuttgart provava a força dos sentimentos dele. O problema neste momento não era ele.

— O que posso fazer? — ele perguntou, ainda mais rouco. — O que posso fazer para torná-la minha? Quero me casar com você, Bella.

— Tenho medo — disse ela. Pensar em Trevor abrira esta porta. — Fui noiva três vezes. Cada uma delas foi um erro.

— Foram quatro vezes, querida. — Edward fez uma careta. — Lembra? Não sou Tony.

Os olhos dela se arregalaram e ela sentiu-os arder de novo.

— Você está certo. Quatro erros. Edward...

Ele cerrou os punhos. Ela podia vê-lo tentando se controlar. Edward sempre seria aquele cujo primeiro instinto era resolver tudo com as próprias mãos e forçar os resultados desejados. Mas lá estava ele, deixando que ela chegasse às próprias conclusões. Isso fez com que o amasse ainda mais... E se sentisse ainda mais insegura sobre o que deveria fazer.

— Bella querida. — Ele expirou. — Confie em você mesma.

— Em mim mesma? Confiar em mim? Que tipo de argumento é esse? Fui eu que escolhi Trevor, Joe e Jean-Paul.

— Sabe o que eu acho sobre eles? Acho que escolheu esses três com seus pais em mente, e se esse for mesmo o caso, então eles eram os homens errados. E esse foi o caminho que você escolheu para chegar ao que você queria naquela época.

Oh, Deus. Era verdade. Ela não percebera isso durante o jantar? Eles foram homens perfeitos para a rebeldia contra os pais. Edward a conhecia tão bem. E ainda assim, a amava. Como podia dar as costas a isso? Quatro noivos deviam ter ensinado algo a ela.

— Desta vez, Bella, se eu puder fazer uma sugestão, por que não escolhe o homem certo para você?

Bella adorava a biblioteca. Quando criança, ela se escondia atrás de uma das poltronas de couro e olhava velhos atlas que mostravam lugares com nomes exóticos tais como Pérsia, Wallachia e Travancore. Ela sonhava com os habitantes e com o som das línguas faladas lá.

Depois ela sonhava em visitar tais lugares com um homem que compartilhasse sua curiosidade e que a fizesse girar de felicidade, como o globo sobre a mesa em frente às janelas.

Claro que nunca imaginara ter a cabeça de seu amor no colo enquanto aplicava uma bolsa de gelo em seu rosto ferido. Ela cantava para ele em francês e espanhol para tentar aliviar a dor.

Ele abriu o olho bom.

— Acabou de me chamar de pequeno sapo?

— Só por causa desses caroços na sua cabeça — disse ela, tentando não rir. Risadas faziam as pernas dela balançarem, o que pressionava o galo na parte de trás da cabeça dele. — Tem certeza de que não precisa de um médico?

— Sua mãe não vai me deixar sair daqui, não agora que a convencemos que nosso noivado não é uma mentira para se vingar dela por não ter levado sua carreira a sério.

— Obrigada por deixar isso claro quando ela começou a falar sobre marcar o casamento para setembro. Estou determinada a lidar com ela dessa mesma maneira direta de agora em diante. — Bella se inclinou para encostar os lábios nos dele.

Quando ele tentou aprofundar o beijo, ela se afastou.

— Não. Você tem que descansar.

Ele fechou os olhos e seus lábios se curvaram num sorriso.

— Voltaremos para a casa de Damon amanhã e descansaremos pelo resto do meu mês.

— Tenho um pouco de medo de deixá-lo dormir — Bella disse. Ela passou o olhar pelo rosto que se tornara o mapa da sua felicidade. — E se o galo na sua cabeça fizer você não se lembrar de mim quando acordar?

Ele abriu o olho bom novamente e a expressão que ela viu fez o amor dentro dela expandir até que não sobrasse espaço para respirar.

— Então nos conheceremos de novo, Bella, porque o lobo mau finalmente pegou a garota bonita, e ele não vai deixá-la nunca.

Bella e Edward deram uma volta final pela casa de Damon antes de ir embora. Ela olhou embaixo da cama e viu uma moeda bem no meio do tapete, longe demais para alcançar mesmo se ficasse de joelhos.

Sorrindo para si mesma, ela a deixou onde estava. Talvez a moeda desse ao próximo Samurai a mesma boa sorte que Edward jurara ter encontrado ali.

Na última olhada pelo banheiro da suíte principal, ela achou um bilhete preso no espelho. A letra de Edward era tão escura e agressiva quanto ele, e ele não perdia tempo com cumprimentos ou despedidas. Dizia apenas:

"Jaz: Lembra da conversa que tivemos sobre mulheres na véspera de ano-novo do último ano da faculdade? Estávamos errados, cara. Não tínhamos idéia."

Edward chegou por trás dela enquanto ela lia as palavras. Os olhares se encontraram no espelho.

— Bem? — perguntou ela. Os lábios dele tremeram.

—"Bem"o quê?

— O que quer dizer? De que não tinham idéia?

A ternura substituiu a diversão nos olhos dele. Ele enrolou um cacho dela no dedo.

— Você conhecerá Jasper Whitlockem breve, Bella. Pergunte a ele.

Ha Ha Ha... chegou ao fim mais uma fic ;/

A Historia do Jaz eu to vendo ainda se faço ou nao, é bem interesante tambem. mais ainda nao decidi se faço com Jaz e Alice ou Edward e Bella, e é na msm casa de Damon :) Vou deixar uma previa e vses me disem se faço ou nao.

Obrigadaaaa, pelas reviwes, pelo carinho e por voces terem aconpanhado minha fic. nao sei se alcancei as expectativas de voces, mais eu venho tentando. Nao se esqueçam das minhas outras fics tbm , deem uma olhadinha nao custa nada neh(:

Amo tdas vses *-*

Aquela noite de paixão em Atlantic City foi uma aberração, e Jasper Whitlock deve viver com as conseqüências. Ao reencontrar Alice, sua mulher misteriosa, ele se aproxima dela com uma proposta irrecusável. Mas poderá apenas um início apaixonado fazer com que dois estranhos tenham um futuro juntos?