REENCONTROS – CAPÍTULO 10
No carro, o Junior queria contar tudo para o tio Myc, como ele tinha usado um monte de coisas que ele tinha aprendido com Mycroft e os agentes. E como Mary, sem saber jogar, havia derrotado o jovem Moran. John olhava para a filha com admiração e um pouco de medo.
Na casa de Mycroft, Anthea já os esperava com comida quente, os pijamas de Watson e das crianças. Um banho rápido, uma ceia sonolenta e Mycroft mandou todo mundo para o seu quarto:
-Podem dormir na minha cama, é king size, acomodará vocês três. Eu vou dormir no quarto das gêmeas, não se preocupem comigo…
John se deitou no meio, as crianças o abraçaram e adormeceram logo. Ele achou que estava cansado o suficiente para fazer o mesmo, mas assim que começou a entrar no mundo dos sonhos, a imagem de Mary servindo de escudo ao irmão com uma arma na mão se misturava às imagens das crianças que ele tinha visto nas batalhas que participou. Ele desistiu, se levantou com cuidado e se recostou aos pés da cama, observando os filhos.
Os dois se achegaram mais para o meio da cama, onde o pai estava deitado, buscando o calor perdido. Mary acabou virando em cima do Junior, que se acomodou no abrigo da menina. Aquilo deu uma ferroada no coração de Watson.
"Eu poderia me divorciar de Sherlock, mudar para outro país, manter meus filhos a salvo. Nunca mais eles sofreriam qualquer outro ataque, poderiam manter a inocência e ter uma infância feliz... Céus, o que eu estou dizendo? Eu nunca poderia ser feliz longe do homem da minha vida, nem meus filhos estariam seguros sob unicamente a minha proteção. Que mundo é este onde crianças tem que aprender a se defender, porque adultos as escolhem como alvo, apenas como pedras no caminho da vingança? Mary vai virar uma assassina profissional como a mãe?"
Um pouco antes das oito, Mycroft bateu à porta. John saiu do quarto para conversar com o cunhado.
-Como eu pensei, você não conseguiu dormir.
-Você também não parece melhor que eu. E vamos partir para outra fase difícil. - John esfregou as duas mãos no rosto. - Vou acordar as crianças. Ainda não contei ao Junior que a bisa morreu.
-Mas ele deve ter desconfiado, porque nem o pai nem o tio favorito estavam aqui para recebê-lo.
-Agora que você falou, ele deve estar desconfiado que tem alguma coisa errada, sim, mas deve estar pensando que Greg está no hospital e Sherlock com ele.
Junior abriu a porta, esfregando um olho:
-Tio Greg não está no hospital?
-Não, parceirinho. Tio Greg e o papai Lock foram para Whiltshire ficar com a sua avó porque a mamãe dela faleceu.
-Nanny morreu? Tadinha da vovó! E agora, onde a gente vai passar o Natal?
John pegou o filho e voltou para o quarto, para acordarem Mary e começarem a se arrumar para a viagem. Esse tipo de preocupação era bem mais fácil de lidar.
Em Whiltshire, a ansiedade pela chegada de John e seus filhos era uma distração bem vinda. As tias-avós planejavam um cardápio especial com as noras para receber em grande estilo os heróis e os primos mais novos discutiam como teria sido o resgate do Junior. Já os tios-avôs e os primos mais velhos pareciam imersos em pensamentos profundos. Eles estavam aguardando Mycroft. Sherlock, no meio desse tornado de atividades, estava sentado numa das mesas do pier do lago, fumando. Assim que John chegasse e reestabelecesse a ordem no seu mundo, ele teria forças para enfrentar aquela difícil tarefa de dar adeus para Nancy. Por enquanto, só de ver sua mãe, ele tinha vontade de se encolher no colo dela e chorar. E ela devia estar precisando fazer isso mais que ele.
Um movimento por detrás dele o fez se assustar, mas logo a mão de Greg estava em seu ombro:
-Pensou que era sua mãe?
-Ela nem liga mais para minhas fumadas eventuais. Só não gostei de estar tão distraído a ponto de não ver você chegando...
-HEH! Você dentro de si mesmo é algo comum pra mim. Mas venha, vim te chamar para irmos buscar Mycroft e o seu povinho. Eles já estão voando para cá. Não precisa deduzir, não vejo a hora de abraçar o Junior.
Greg e Sherlock estavam encostados no Land Rover (enviado para Whiltshire por Anthea na noite anterior) quando o jatinho pousou. Assim que Mycroft desceu, um furacão de cachos negros passou por ele correndo em direção a Lestrade. Que se abaixou, já com os olhos molhados. Junior se atirou nos braços dele e não conseguia falar, de tanto que soluçava. Tudo que ele não chorou durante as horas tensas do sequestro, ele descarregava agora, no alívio de ver que a pessoa que ele mais amava no mundo estava bem.
Sherlock ardia de vontade de agarrar John e fazer o mesmo. Preferiu abraçar o irmão, suspirando várias vezes, bem fundo.
-Eu também, irmão meu. Eu também. - Mycroft apertou Sherlock nos braços só uma vez depois soltou.
Mary Jo largou a mão do pai e foi abraçar Greg também. Ela entendia muito bem o alívio do John William, chegar na casa de Mycroft e não ver o ex-policial lá foi preocupante.
John olhou para seus filhos abraçados ao cunhado, Mycroft se juntando a eles, olhou para seu marido de olhos vermelhos mas com um sorriso no rosto cansado e agradeceu a Deus por mais esse milagre na sua vida.
"Só por hoje, estamos todos bem" - e abraçou Sherlock com firmeza, beijando-o longamente.
Na viagem de volta para a casa de Nanny, Greg dirigindo, Mycroft ao seu lado, John, Mary no meio e Junior no colo de Sherlock no banco de trás. De repente, John William perguntou:
-Paiê, você vai colocar nossa história no seu blog?
Todos os adultos riram.
-Faria mais sucesso que qualquer caso que eu já resolvi na vida. -brincou Sherlock.
-Sim! Mas infelizmente as pessoas não entenderiam muito bem como um menino de cinco anos pensou num modo de enfrentar um sequestrador ou permitimos que crianças menores de idade usem armas de fogo.
-Ah, que chato! - reclamou Junior – Mary ia ficar famosa por tudo que fez.
-Não se preocupe com isso, Junior. - Mycroft apazigou os ânimos. - Mary Jo já é famosa entre os primos, por não estar familiarizada com o Jogo mas ser capaz de tomar atitudes pertinentes às situações, em escalas acima da sua idade. Os primos vão querer saber tudo o que vocês fizeram ontem, e os chefes da família vão anotar em seus livros.
Mary ficou vermelha e se remexeu inquieta:
-Nem fiz tanta coisa assim...
John beijou sua cabeça:
-Você derrubou um rapaz seis anos mais velho, foi esperta o suficiente para virar o espelho do banheiro para a foto abranger também o rosto do seu sequestrador, enfrentou de novo esse rapaz mais velho e ainda acertou o ombro de um atirador para ele não me ferir. Isso aos dez anos de idade e sem nenhum treino. Acha pouco?
-Ele ia atirar em você pelas costas! Podia acertar seu ombro de novo, onde tem o buraco da outra bala! Imagine você não podendo mexer esse braço e não ser mais médico... - a menina enxugou os olhos – não era justo! Então eu atirei nele.
-O Junior se entrega aos sequestradores para salvar a vida do Greg, Mary Jo atira num homem para salvar a vida do John. Definitivamente, coragem e abnegação está no DNA dos Watsons.
-Lealdade com certeza. - Sherlock retrucou ao irmão. - Mary Jo chegou à Inglaterra cheia de incertezas e ciúmes, mas diante de uma prova de fogo, escolheu ficar ao nosso lado. Bem vinda de verdade à nossa família, querida.
-Então eu posso fazer parte do Jogo como o Junior?
John queria gritar que não, que era loucura, que ela era muito criança, que ela era menina, que eles iam parar com aquilo tudo agora mesmo e tentar ser uma família normal, talvez morando no interior. Ele ia ser médico numa cidade pequena, Sherlock ia criar abelhas e todos seriam felizes sem problemas maiores. Mas ele olhou dentro dos olhos brilhantes da filha, levantou o olhar para os dois pares azuis identicos aguardando sua resposta e se rendeu ao óbvio: Mary Jo sofria do mesmo vício de adrenalina da família toda.
-Claro que pode. Só tome cuidado, eles começaram antes que você.
As crianças comemoraram, os outros adultos balançaram a cabeça e sorriram.
Ao se dirigirem para a entrada da casa, a porta se abriu e um garoto parecido com John William saiu correndo, para parar de supetão em frente a eles. Os dois meninos ficaram se olhando, até que o outro meteu um tapa na cara do Junior, xingando-o em japonês:
-Ototo-yo, baka, baka, baka!(¹)
Mary Jo ficou indignada, mas seu pai a segurou pelo ombro, esperando pela reação do Junior, que foi a melhor possível. Ele se curvou rapidamente e se desculpou.
-Gomen, ne, Hide-nii-san. (²)
Dai os dois se abraçaram com força e Hide chorou. Depois ele soltou o irmão postiço e enxugando os olhos, se postou na frente de Mary Jo:
-Mary-san, arigatô gozaimassu. Muito obrigado por defender meu irmão.
-Esse negócio de família grande é muito confuso. Mas de nada, japa. Só não bate nele de novo perto de mim porque eu não gosto.
Os dois meninos já estavam correndo para pular em Wilhelmina, que saía pela porta naquele momento. Ela agarrou Junior e o beijou, depois se curvou para Mary.
-Bem vinda, Mary Jo. Obrigada por proteger meu menino.
Quando eles entraram, gritos de alegria brotaram de todos os lados. Todos os tios e primos queriam pegar o Junior no colo. Violet passou mal, depois de se controlar tanto. John a socorreu de imediato. Mary Jo estava impressionada com aquele monte de gente. Ela nunca tinha visto uma família daquele tamanho.
Sherlock colocou a mão no ombro dela e a apresentou:
-Família, esta é Mary Jo Watson. Mary, esta confusão genealógica é a minha família. Minha avó falecida teve oito filhos, que por sua vez tiveram vinte e quatro filhos que geraram mais de sessenta descendentes. Mesmo que não venham todos para o enterro, já é muito nome e rosto para qualquer um decorar. Não se preocupe com isso.
Ela sorriu timidamente, gostando muito do padrasto àquela hora e gostando muito mais que havia muitas crianças da idade dela no local. Mary nem lembrou que considerava os Rutherfords um bando de esnobes. Ela tinha conquistado o direito de estar no meio deles.
Aquele primeiro dia foi de alívio e um pouco festivo. O corpo da Nanny ainda estava na funerária. Os chefes de segurança da família se reuniram com Mycroft:
-O que pudemos apurar do sequestro do Junior é que os sequestradores utilizaram nomes falsos para impressionar as crianças e tentar no jogar em pistas falsas. Moriarty não tinha um irmão nem Sebastian Moran deixou descendência. Gavin Kennear e seu sobrinho Kevin foram recrutados por serem militantes de um partido de extrema direita. - informou o Holmes mais velho.
-Com a ascensão desses partidos na Europa a partir de 2016, podemos concluir que a vendetta contra nossa família entrou numa fase mais agressiva. Usando dos radicais islâmicos como peões na primeira linha, eles acham que não podem ser acusados de nada. - Edgar completou – O mais incrível é que eles já tinham testado uma ação parecida quando tentaram agredir a Nina em 2014.
-Ao se colocar contra os nazistas e outros radicais de direita, o bisa Rainier nos deixou uma herança complicada. - suspirou Theodore. - É isso que o sonho da Nanny significa, ne? Que nós, os bebês, estamos em perigo porque a nuvem de ódio dos neonazistas está ganhando corpo...
Os tios sacudiram as cabeças brancas.
-Tristes tempos. Nossa mãe sempre compactuou das ideias do marido pacifista, mas o avô Ambrose nunca fechou os olhos para a realidade. Desejamos do mais profundo do nosso coração que nossos filhos e netos nunca precisassem utilizar as técnicas de combate para proteção real, mas se não é possível, não nos renderemos sem luta. Esse é o nosso lema, a motivação de vida de um Rutherford. Utilizar os dons do clã para a paz, mas lutar por ela se preciso for. - proclamou tio Roger.
-Antes de encerrarmos, eu gostaria de dar os parabéns ao seu marido, Mycroft.
Lestrade, sentado atrás deles, se levantou surpreso.
-Pelo que, tia Ruby?
-Oras, querido, por ser um excelente instrutor de tiro. Ou você acha que Mary Jo acertou um homem àquela distância por uma habilidade inata? Bons mestres se conhecem por seus bons discípulos. Você devia treinar todas nossas crianças, Greg. Agora que você se aposentou da Metropolitana, pense nisso.
Mycroft sorriu, sabendo que seu marido tranquilo queria mais era ser pai e cuidar da casa. Mas logo seus enteados iriam cuidar das próprias vidas e as gêmeas iam crescer. Assim Lestrade assumiria a tarefa com o clã mais tarde. Tudo a seu tempo.
Com a chegada dos últimos membros da família, procurou-se liberar o corpo da matriarca. Sherlock e o Junior ficaram abraçados à Violet, procurando um mútuo consolo. O pastor chamado para a cerimônia também estava emocionado. Foi um enterro bem triste e silencioso.
A matriarca do clã passava a ser a tia Heather. A primeira providência dela foi fazer com que os irmãos assinassem um documento declarando que a casa e tudo ao redor era de propriedade conjunta do clã e não deveria ser vendida ou desmembrada.
-Não é justo para Charlotte e Marion, que viveram aqui com a mamãe tanto tempo, cuidando dela inclusive, tenham que ter medo de ficar sem teto agora ou depois da morte do James. É responsabilidade de todo mundo manter este lugar. Nós somos os Rutherfords. Mais que uma família, somos um clã. Temos uma missão e se quisermos cumpri-la, temos que nos manter unidos.
Na casa dos Holmes, última parada antes de todos voltarem a Londres, Mary Jo está sentada num banco, apenas olhando para aquele verde todo que a primavera traz aos jardins das cidades do interior. Violet se aproxima com uma bandeja de chá e scones.
-Descansando a vista? Aceita um chá?
-Sim, obrigada. Quando eu cheguei na Inglaterra, eu achava que chá era só para velhos, que eu nunca ia me acostumar com isso. Eu não tomo tanto quanto meu pai e o Sherlock, mas...
-O chá para os ingleses é muito mais que uma bebida. Muitas vezes é um instrumento de aproximação, uma maneira de "quebrar o gelo" entre as pessoas.
Mary ficou olhando para a avó do Junior, tentando entender. Violet suspirou.
-Eu sempre soube que Sherlock era apaixonado pelo John. Quando Watson se casou com a sua mãe, eu me resignei. Não era pra ser, pobre do meu filho, mas a vida é assim mesmo. Então houve o tiro, Sherlock quase morreu, passou por duas cirurgias, voltou a se drogar, dessa vez com analgésicos. Ele matou um homem para ajudar sua mãe. Tempos muito difíceis. Eu só fiquei sabendo depois que quem atirou no Sherlock foi a Mary. Vocês já tinham ido para a América. Tive que trabalhar muito tempo com a minha raiva. Acho que todos nós da família, em maior ou menor grau, tivemos. E convivemos também com a dor do John em ver você crescer longe dele. Ele pode dar uma de durão, ex-soldado e tal, mas ele é muito família, assim como o Greg. Acho que mais, porque o Greg teve uma família sólida, gente unida. Os Watsons não foram assim. John sentia falta de ter uma. Um dia eu liguei para o Sherlock perguntando como as coisas iam indo, um pouco depois de você ter chegado e ele suspirou ao telefone "Acho que Mary Jo não gosta de mim". Eu posso não ser um gênio da dedução como meus filhos, mas eu compreendi de cara qual era o problema e mandei meu bebê não se meter.
-E ele não se meteu mesmo, durante muito tempo...
-Bom saber que tem horas que ele me ouve. - riu Violet – Mas eu estou enrolando pra dizer o principal. Não sei quais seus sentimentos pelo seu padrasto agora, só que os nossos, e eu posso dizer pela família toda, são de total acolhimento, Mary Jo. Ao se decidir em proteger o Junior, você redimiu completamente qualquer coisa que sua mãe tenha feito e legitimou a escolha de Sherlock em matar aquele homem no lugar dela. Nós esperamos que você venha com o Junior e as gêmeas, como se fosse nossa neta. Você sempre será bem vinda em nossa casa.
-Obrigada. Posso pegar outro scone?
-Vou deixar o prato aqui. Preciso ver o que Siger está fazendo com aquelas meninas. Eles só aprontam quando eu não estou olhando...
Mary Jo ficou mastigando o bolinho no automático, pensando em tudo. Que ela havia sido tratada como adolescente, não como criança e que pelo menos na casa dos Holmes, ela nunca ia ser subestimada como tal. O mais importante: ela havia jurado ser fiel à memória da mãe e ela havia conseguido que as outras pessoas aceitassem pensar em Mary com outros sentimentos. Isso era muito legal.
-Pensando na morte da bezerra? - Junior pulou no banco, puxando um scone.
-Hey, sua avó trouxe esses bolinhos pra MIM, pirralho! Pode tirar sua mão encardida deles!
-Ih, vai, não vou comer tudo, gulosa! Você devia ser filha do tio Mycroft, com essa paixão toda por doces!
-PAIÊ, OLHA O JUNIOR ME ENCHENDO O SACO!
John só parou na porta da cozinha, se encostou no batente, cruzou os braços e sorriu. Sherlock parou atrás dele passando um braço pela sua cintura, mostrou um scone na outra mão e puxou-o de volta. Foi Mycroft quem saiu em defesa da menina.
-Não adianta, Mary Jo, eles são irmãos caçulas, nunca vão ser solidários ao seu sofrimento. - Mycroft pegou John William e jogou por cima do ombro – Venha, pequeno tormento, seu tio Greggy vai fazer uma caminhada com as gêmeas para gastar energia, você parece ainda lotado dela.
-Será que vamos passar pelo pasto que tem ovelhas? Vem, Mary, venha ver os cordeirinhos com a gente!
-Eu vou, mas se você ficar cantando "Mary tinha um cordeirinho" eu vou dar na sua orelha!
Mycroft riu, levando-os para junto do marido e das filhas. Enquanto isso, John e Sherlock subiam para dividir um banho.
-Sher, me conte a verdade sobre Relda Eneri.
-Você e Mycroft nunca se preocuparam em me contar sobre a morte de Irene Adler...
-Mas combinamos não mentir mais um para o outro, nem por defesa nem para poupar de sofrimento, certo? Na época, ele me disse que ela estava morta e eu menti pra você porque achei que você a amava.
-Eu nunca a amei, pelo menos não dessa forma como eu te amo. É complicado, acho que tem a ver com admiração, ela é muito inteligente. Sagaz, essa é a palavra. Irene estava indo para a Ásia e seu voo fez uma longa escala em Londres. Ela aproveitou para rever sua antiga assistente, que agora é proprietária daquele restaurante onde os sequestradores foram jantar. Tudo não passou de uma feliz coincidência.
-Ela continua bela e mortal, pelo visto.
-Esse toque de ciúmes em sua voz me excita, capitão Watson. Mas ele é inútil, visto que eu sou gay, apaixonado por você, muito bem casado e responsável por dois filhos lindos e talentosos. Não sou eu quem gosta de ruivos, diga-se em meu favor também!
-Sim, temos muitas provas a seu favor, Sherlock Holmes. Estou olhando para uma delas neste exato momento.
-Portanto, esfregue minhas costas, John, eu esfregarei as suas, vamos aproveitar este último dia de primavera no interior, amanhã recomeça o inferno de Londres novamente. E eu nem estou falando de verão quente numa cidade grande.
-Com certeza, meu querido Holmes, com certeza.
N/A: (¹) -Ototo-yo, baka, baka, baka! = Irmãozinho idiota, idiota, idiota!
(²) -Gomen, ne, Hide-nii-san. = Desculpa, Hide, meu irmão mais velho.
Isso foi mesmo muito japonês, o Junior pedindo desculpas ao Hide pelo sofrimento que ele causou.
Pronto! Acabou! Nuvens negras para uma próxima história num futuro distante. Porque a próxima mesmo vamos voltar atrás no tempo para contar o casamento duplo! Vamos tirar o gosto amargo dessa fic e vamos mergulhar no coma glicêmico romântico! Com uma pitada de comédia. Até o Casamento dos Holmes, queridos. 15/05/2016.
