Capítulo X – Longe do Paraíso
Os encarregados de transportar a espaçonave para outra instalação amarraram-na a cordas e panos, erguendo o pesado objeto com auxílio de um guindaste.
A nave cintilava sob a luz do Sol, mantendo toda sua beleza interplanetária. Mas ao ser erguida da areia, tornou-se cada vez mais opaca. Ao ser posta sobre a carroceria de um grande caminhão, estava da cor do mar ao pôr-do-sol.
Hitomi observava a movimentação, à distância. Estavam no interior de uma outra tenda, isolada, todos em quarentena.
Mas para ele, o que mais lhe doía era estar longe da nave e dos segredos que ela ocultava. Ver a nave ser transportada para longe lhe dava a mesma sensação se estivessem retirando seu próprio coração.
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Vários dias se passaram.
Sequer sabiam se o tal E.T. estava no interior daquele objeto. Sequer conseguiram abri-la. Sequer conseguiram se aproximar do objeto. Algo como uma capa protetora invisível mantinha todos a distância.
Vários curiosos e outras pessoas que protestavam sobre os estudos postavam-se nas proximidades do laboratório.
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Rin observava a plateia através de uma fresta na cortina atrás do palco. Logo chegaria a sua vez de apresentar-se. Estava ansiosa, mas não compreendia com o quê. Já apresentara-se vezes sem conta, estava acostumada ao público aplaudir ou vaiar a atuação dos circenses. Não compreendia a própria inquietação.
Ajeitou a boina vermelha sobre os cabelos e entrou no palco, dando alguns saltos e piruetas, chegando até um banquinho. Subiu nele e aguardou a entrada do companheiro de espetáculo. Kouga aproximou-se e colocou-a aos ombros, para em seguida dar impulso para que ela se segurasse a duas barras presas mais acima da plateia.
Rin juntou as pernas, esticando-as, e deu impulso nos braços, girando algumas vezes em torno das barras. Então deu novo impulso e começou a balançar de um lado para outro. Kouga já a esperava na segunda barra. Ela se jogou em direção ao rapaz, que estava de ponta cabeça, prendendo-se com as pernas ao objeto. Kouga a segurou firmemente pelos pulsos, girando-a no ar e fazendo-a cair de pé sobre a barra.
Ambos realizaram mais algumas acrobacias, sob aplausos. A garota saltou para sua barra, que era empurrada por ajudantes em andaimes. Concentrou-se e saltou novamente em direção a Kouga, que a esperava de ponta cabeça outra vez.
Estava no ar, perto de tocar as mãos do companheiro de trabalho, quando um vulto chamou sua atenção. Alguém a observava, acima do último lance de escadas da plateia. Forçou a visão para tentar entender quem seria aquela figura imponente.
...
Sesshoumaru!
Não soube precisar se dissera isso ou apenas pensara no nome dele, mas uma onda de exclamações percorreu os expectadores.
Alguns haviam notado a presença daquela ilustre figura. Outros porquê notaram o perigo que Rin estava correndo, pois não conseguira alcançar a segurança das mãos de Kouga, e caía em queda livre em direção à rede abaixo deles.
Sendo amparada pela rede, quicou algumas vezes, chegando bem perto da beira. Parou ali e sentou-se, aturdida.
Espiou em direção do local onde o vira. Nada. Seria somente ilusão ou fruto de sua imaginação fértil?
- Rin, você está bem? - Kouga perguntou, após descer, correndo até ela.
- Sim. Desculpe, acabei perdendo a concentração.
- Não tem problema. Eu teria caído também, se o visse aqui.
- Como assim? Onde...?
Mas não teve tempo de concluir suas palavras. Notou a figura pálida descendo as escadas por entre as fileiras de cadeiras dos expectadores atônitos.
- Achei que tivesse sido levado para longe de nós... - murmurou ela, aliviada em vê-lo bem.
- Este Sesshoumaru encaminha-se para onde desejar. - respondeu ele em voz suave, aproximando-se da arena e da rede.
Kouga ajudou Rin a descer e ela encaminhou-se depressa em direção do E.T., sob olhares curiosos dos colegas de trabalho e da plateia.
- Que bom que está bem! Estou tão feliz!
Sesshoumaru encarou-a ternamente e lhe estendeu a mão.
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