Capítulo 8: Aliança Inesperada.
Segunda-feira, 13h23min.
Konoha, Castelo dos Hyuuga.
Biblioteca no segundo andar.
Tenten espiou pelo corredor mais uma vez antes de fechar a porta da biblioteca atrás de si. Ela esperou seus amigos se acomodarem enquanto repassava mentalmente, mais uma vez, o motivo por tê-los convocado. Depois de quase uma semana sem ideias novas ela finalmente pensara em uma estratégia para conseguir as informações da Akatsuki de que tanto precisava. Agora que as provas do Festival de Outono já haviam acabado ficara mais fácil raciocinar com calma.
"Ainda bem..." – ela pensou – "Pois só tenho dois dias para colocar meu plano em prática."
- Pela sua cara – Sakura quebrou o silêncio e Tenten olhou para ela – Você pensou em alguma forma de invadir o escritório do senhor Hyuuga.
A Mitsashi sorriu. Aquilo não era uma pergunta.
- Acertou na mosca, Sakura.
- Legal – Naruto sorriu – Fala pra gente em quê você pensou, Tenten. Agora que as provas do Festival acabaram para nós, estou precisando de alguma ação.
Sakura não pôde deixar de olhar feio para o Uzumaki. Mas ela concordara em apoiar Tenten e dar um voto de confiança a amiga, portanto preparou-se para ouvir o que tivesse que ouvir.
- Bom – Tenten começou – É um plano bem simples, na verdade. Ouçam bem... Naruto, você vai fingir ter um colapso, alguma coisa assim... Você pode, sei lá, comer demais, ou desmaiar, enfim! Faça qualquer coisa que chame a atenção.
- Espere um minuto – Naruto empertigou-se na cadeira – Por que eu tenho que fazer isso? Desmaiar? Isso é meio...
- Porque você é um ótimo ator – a Mitsashi interrompeu, num tom de voz que indicava que aquela parte do plano estava encerrada – E muito convincente também. Bom, para dar mais veracidade ao mal estar de Naruto, precisamos que alguém chore desesperadamente e demonstre muito preocupação. E, Sakura, essa é a sua tarefa.
- Por que eu devo bancar a desesperada?
- Ai amiga... Desculpa, mas nós duas sabemos que você tem uma certa propensão a se desesperar com facilidade.
Hinata prendeu a respiração. Temia que o comentário de Tenten fosse causar uma nova discussão entre ela e Sakura, mas a Haruno não contestou, provando que a Mitsashi tinha razão.
- E eu? – a Hyuuga perguntou, mais aliviada
- Você vem comigo até o escritório do seu pai – Tenten explicou – Eu não sei muito bem onde fica, e com a sua ajuda, não perderei tempo tentando encontrar o quarto certo. Além disso, algo me diz que as informações da Akatsuki estão salvas em um computador.
- É um note-book – disse Hinata – Meu pai grava todas as informações importantes nele.
- Então é lá que vamos procurar. Obviamente deve haver uma senha de acesso que só seu pai conhece – refletiu Tenten – No geral, essas senhas são palavras-chave que lembrem algo da vida da pessoa. Como você é da família, pode me ajudar a descobrir a do seu pai. Isto é, se você concordar em invadir o computador dele.
- Não posso deixar de dizer que é desrespeitoso – Hinata confessou, baixando os olhos – Mas é necessário. Sou da família, sou maior de idade e cansei de omitirem coisas de mim.
- Uau! – exclamou Tenten, animada – Assim é que se fala!
- Tenten... – Naruto chamou, pensativo – Foi mal, mas seu plano não é simples... É tosco!
- E daí? – a Mitsashi disse, em tom de desafio – Foi a única ideia que tive. Além disso, os maiores gênios da História eram tidos como "toscos" antes de se tornarem gênios. Pelo que eu sei, Einstein não era nenhum CDF na escola... Beethoven era surdo... Obama é...
- Tá, tá! Entendi! – o Uzumaki disse, rendido. Tenten sorriu, satisfeita.
- Muito bem, pessoas! Alguma pergunta?
- Nós temos. Quando você vai colocar essa ideia maluca em prática? – uma voz masculina disse, vinda na direção de uma das estantes atrás da mesa onde Tenten e seus amigos estavam. Era a voz de Neji Hyuuga. E ele estava acompanhado por Sasuke Uchiha.
Tenten sentiu a raiva e a surpresa explodirem seus nervos.
- O que diabos vocês estão fazendo aqui? – ela exclamou, sentindo seu rosto queimar. Ela verificara o corredor antes de entrar na biblioteca. Como Neji e Sasuke entraram ali? A não ser... Que eles já estivessem no aposento, escondidos. Aguardando. Ainda assim, como eles poderiam saber?
- Vocês... Vocês andaram nos espionando? – foi a vez de Sakura perguntar, sem disfarçar a surpresa que sentia, como se tivesse lido a mente de Tenten. Espionagem. Era a única explicação.
- Se é esse o nome que querem dar – Neji deu de ombros, sério – Sim. Andamos "espionando" vocês.
Então Tenten entendeu. Foi por isso que Neji e Sasuke olharam para ela de forma desconfiada no dia da prova de Arco e Flecha. Mas... Também teria sido por estar desconfiado que o Hyuuga se aproximara dela? O coração da Mitsashi acelerou, com uma pontada de tristeza e decepção.
- Desde quando? – ela perguntou, estreitando seu olhar para o Hyuuga. Sua expressão não devia ser uma das melhores, pois o garoto recuou um passo – Desde quando vocês têm vigiado a gente?
- Desde que chegamos – Sasuke respondeu secamente – Escutamos vocês conversando no trem, enquanto vínhamos para Konoha.
- Como vocês se atrevem a escutar a conversa dos outros? – Naruto disse, pondo-se de pé
- Calminha aí, cara – disse Neji, sem se abalar – Precisamos lembrar que não fomos nós que começamos com essa mania de ouvir conversas alheias, certo Hinata?
A Hyuuga enrubesceu violentamente. Ninguém retrucou a Neji. O pior de tudo é que ele estava certo.
- A questão é que desde aquele dia, Sasuke e eu decidimos ficar de olho em vocês, acompanhar seus passos. E, antes da prova de xadrez, sem querer, acabamos ouvindo outra conversa entre vocês, nessa mesma biblioteca – ele olhou para Tenten – Você disse que queria invadir o escritório do meu tio. E hoje, pela manhã, Sasuke escutou Uzumaki falando com minha prima sobre essa reunião. Então nos adiantamos para cá, e agora conheço sua estratégia.
O silêncio pairou entre eles por alguns instantes. Tenten pensava desesperadamente. Esperava por qualquer coisa, menos isso. Ela e seus amigos foram flagrados e agora estavam numa corda bamba. A garota se perguntara uma vez se Neji e Sasuke a ajudariam, e obtivera um "não" como resposta. Agora essa teoria estava sendo posta à prova.
- Muito bem – ela disse, por fim – Vocês conseguiram. Descobriram nosso plano. O que vão fazer agora? Nos entregar?
- Não – Sasuke respondeu, e todos olharam para ele, atônitos
- O QUÊ? – Sakura, Hinata e Naruto perguntaram em uníssono.
- Foi o que vocês ouviram – Neji falou, sua expressão séria relaxando – Não vamos entregar vocês.
- Então... – Tenten sentiu uma estranha esperança crescendo – O que vocês querem?
Neji olhou profundamente nos olhos castanhos da garota e respondeu:
- Queremos ajudar.
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Segunda-feira, 14h00min.
Westminster, Inglaterra.
Mansão do Senador Kabuto Yakushi.
Uma viatura da Scotland Yard estacionou em frente ao portão que guardava uma imensa mansão.
Os detetives se identificaram com o porteiro e adentraram a pé o local. Obito Uchiha soltou um assobio ao analisar a gigantesca construção à sua frente.
- Isso faz minha casa parecer um sótão – disse ele, seguindo por um caminho de pedra no meio do jardim que levava à entrada da luxuosa casa – Das duas uma: ou esse cara ganha muito bem, ou está roubando absurdos.
- Para o bem dele, vamos torcer que seja a primeira opção – disse Ryan Wolfe, assim que chegaram à porta da mansão. Ele notou pelo menos quatro câmeras de segurança em diferentes ângulos na entrada, e estava prestes a tocar um interfone quando a porta foi aberta.
- Boa tarde, senhores – disse um mordomo que parecia vir diretamente de um filme inglês antigo – O senhor senador vos aguarda em seu escritório. Façam a gentileza de entrarem.
Os detetives agradeceram e adentraram a mansão. Passaram por um hall de entrada muito iluminado, com cortinas de veludo vermelho com desenhos dourados. As paredes também eram vermelhas, e o piso era de mármore branco com desenhos triangulares negros. Do lado direito, havia uma escada de mármore branco e lustroso que levava ao segundo andar.
- Aposto que a sua casa dá o preço dessa escada – Obito sussurrou para Kakashi, que limitou-se em olhar feio para seu amigo.
- Acompanhem-me, por favor – disse o mordomo, de forma decorada – O escritório do senhor senador é no segundo andar.
O andar de cima também possuía paredes vermelhas, que estavam decoradas com muitos certificados de graduação, prêmios e fotos do Senador Yakushi pai e do atual. O mordomo guiou os detetives por um largo corredor, cheio de portas. No final, havia uma porta de carvalho dupla, guardada por dois seguranças vestidos classicamente de preto, cada qual com sua expressão carrancuda.
- Legal – Obito resmungou baixinho – Liguem para o zoológico. Dois gorilas escaparam.
- Você está muito engraçadinho – Kakashi alertou – Vai acabar perdendo a língua.
- Ou a cabeça – Wolfe sugeriu
- Chegamos – o mordomo anunciou – Por gentileza, antes de entrarem, apresentem seus distintivos aos seguranças.
Os detetives obedeceram, Obito meio relutante. Em seguida, os dois "gorilas" revistaram os três, procurando qualquer tipo de arma.
- Francamente! – Obito resmungou, sem conseguir se conter – Somos da polícia!
- Perdão senhor, mas é necessário – o mordomo retrucou, seco – Bom, parece que está tudo em ordem. Os senhores podem entrar.
Então, os dois seguranças afastaram-se da porta e deram passagem aos três detetives.
O escritório de Kabuto Yakushi era tão luxuoso quanto o resto da mansão que os detetives haviam visto. As paredes eram brancas, com enormes janelas cobertas por cortinas de veludo vermelho. O chão era feito de uma madeira lustrosa e estava forrado por um tapete persa luxuoso. Quadros caríssimos, prêmios e fotos do senador em diversos eventos enfeitavam o local.
Kabuto estava em pé ao lado de sua escrivaninha de madeira escura, próximo à bandeira da Inglaterra. Sua expressão era séria e ele parecia ligeiramente incomodado com a presença dos detetives ali.
- Boa tarde, senhores – ele cumprimentou, a voz firme. Apertou a mão de cada detetive e consultou o relógio em seguida – Creio que não poderei demorar muito tempo nessa entrevista. Tenho uma reunião marcada para as três e meia com...
- Com todo respeito, senhor senador, o senhor vai demorar o tempo que acharmos necessário – Wolfe disse, curto e grosso.
O senador analisou o detetive de cima a baixo. Ficou alguns instantes em silêncio, até que contornou sua escrivaninha, sentou-se e pediu que os detetives fizessem o mesmo.
- O que querem saber? – ele perguntou
- Antes de tudo, se o senhor não se importa, estamos lhe comunicando que vamos gravar essa entrevista – falou Obito
- É mesmo necessário? – o senador quis saber
- Sim – Wolfe respondeu e Kakashi ligou um gravador, depositando-o em cima da escrivaninha – Tudo o que for gravado será registrado e arquivado depois. Entenda, senador, estamos investigando uma sequência de mortes suspeitas que vêm ocorrendo nos últimos dias. O senhor tomou conhecimento delas?
- A imprensa divulgou essas mortes... – disse Kabuto, pensativo – Mas até agora nenhuma ligação entre elas foi encontrada. Os jornais dizem apenas que a taxa de mortalidade está crescendo na Inglaterra e que a culpa é da polícia e dos governantes, que parecem se preocuparem cada vez menos com a segurança da população.
- Isso é uma bela mentira – Obito resmungou entredentes
- Na verdade, senhor senador – Wolfe prosseguiu – As vítimas são ex-membros de uma empresa armamentista, chamada Akatsuki. O nome lhe soa familiar?
- Sinto dizer que não – Yakushi respondeu, e os três detetives estreitaram o olhar para ele
- E o nome Madara Uchiha? – Wolfe insistiu. Dessa vez o senador hesitou.
- Creio... Creio que deste eu posso me lembrar.
- Permita-nos refrescar sua memória – Obito disse, meio impaciente – Madara Uchiha era o presidente de uma empresa armamentista chamada Akatsuki. Em 1998, ele se envolveu com o Mercado Negro e passou a vender armas perigosíssimas ilegalmente. Em 2000, graças a uma denúncia, ele foi preso. Nós três ajudamos na captura dele. E algumas semanas atrás, Madara Uchiha explodiu nos céus quando estava sendo transferido de prisão.
- Sim, eu li várias reportagens sobre isso – o senador falou – Mas até agora não entendi em quê posso ser útil.
- Simples, senador – disse Kakashi – Quando Madara foi preso, em 2000, mais três pessoas ligadas ao Mercado Negro e que negociavam com o Uchiha também foram capturadas. Se não me engano, essas pessoas se chamam Orochimaru, Zabuza Momochi e... Kabuto Yakushi Junior.
- Calúnia! – o senador gritou, pondo-se de pé. Sua respiração acelerara-se de repente, seu rosto branco manchando-se de vermelho. Havia aflição nos olhos negros de Yakushi. Ele olhava cada detetive como um inimigo. Parecia que alguém havia acabado de tentar estrangulá-lo.
- Acalme-se, senador – Kakashi pediu, sem se alterar diante da reação de Kabuto – O senhor pode negar o quanto quiser, mas temos a prisão registrada. Na época, seu pai o tirou da cadeia, pois você era jovem e tinha um futuro promissor pela frente. Acabou se envolvendo com pessoas que lhe prometeram dinheiro fácil, tudo o que qualquer um da juventude da época gostaria de ter. Mas hoje o senhor é um político de respeito, que tenta preservar o legado de seu pai. Não é mais aquele jovem. É um adulto bem resolvido. Portanto, comporte-se como tal e responda às nossas perguntas.
O senador olhava espantado para Kakashi. Aos poucos, sua respiração foi se normalizando, até que ele se acalmou e tornou a se sentar.
- Desculpem-me – Yakushi pediu, sem encarar os detetives. Seu constrangimento era visível – Podem... Podem prosseguir.
- O senhor nega que foi preso? – Kakashi perguntou.
- Não – o senador respondeu após alguns instantes, com certa relutância.
- Explique-nos como e quando se envolveu com o Mercado Negro – o Hatake pediu
- Comecei em... 1999. Madara Uchiha já fazia parte, mas eu o via poucas vezes. Negociava mais com os outros dois, Orochimaru e Zabuza. Eles já estavam no Mercado Negro havia bastante tempo. Eles agem assim, em dupla, mas há uma grande quantidade de homens e mulheres que trabalham para eles disfarçados, "escolhendo" seus compradores e fazendo o transporte das mercadorias. São os dois que comandam a venda de armas. Eles entram em contato com os mais poderosos da Europa através de seus "funcionários", oferecendo mercadorias, e recebem muitas encomendas. A demanda na época era muito grande. Hoje, sinceramente não sei como funciona.
- Como era a negociação com Madara Uchiha? – perguntou Wolfe
- Pelo que me lembro, ele retirava armas do estoque de sua empresa... Sim, agora recordo. Orochimaru mencionou que Madara era dono de uma empresa armamentista, mas eu não conhecia seus membros. Talvez Orochimaru e Zabuza os conhecessem. Pois bem, Uchiha vendia armas de seu estoque, aparentemente sem seus colegas de empresa saberem. Tudo pelo dinheiro fácil, com o detetive já mencionou. Orochimaru e Zabuza davam a Madara o pagamento pelas armas, enquanto eu ficava responsável apenas em usar a influência política de meu pai para as mercadorias serem transportadas em segurança e não terem problemas com a alfândega dos países europeus. Posso dizer que "queimei" muito dinheiro com suborno, mas no Mercado Negro, tudo voltava triplicado para meu bolso.
O senador ficou em silêncio. Um brilho estranho passou por sue olhar, como se sentisse saudades da época. Mas logo a repulsa tomou conta da expressão do Yakushi.
- Era um negócio nojento. Na época, eu era feliz por participar pouco. Só me importava com o lucro, que vinha em quantidades absurdas para mim.
- Como conheceu Orochimaru e Zabuza? – Obito perguntou
- Foi em um dos bailes de gala oferecidos pelo meu pai – o senador respondeu – Orochimaru e Zabuza são... Como posso dizer? "Criminosos de luxo". Eles possuem uma vida social agitada e são extremamente ricos, mas graças ao negócio sujo que comandam. A alta sociedade, porém, não sabe disso. Ou finge que não sabe. Os ricos conseguem ser muito hipócritas, quando querem. Não sei de onde meu pai os conhecia. Na verdade, não sei ao menos se meu pai os conhecia de fato. Talvez eles souberam que a festa estaria recheada de personalidades com muito dinheiro no bolso e deram um jeito de se convidarem. Então eles me encontraram, jovem e ambicioso. Conversamos um pouco. Eles me ligaram algumas vezes. E quando percebi, já estava preso na rede do Mercado Negro.
- E um ano depois, o senhor foi preso – disse Kakashi
- É... – Kabuto disse, infeliz – Fiquei arrasado na época. Nunca achei que seria descoberto. Orochimaru e Zabuza pareciam tão organizados... E eu me iludi. Achei que a quantidade de dinheiro que ganhava poderia me livrar de qualquer enrascada. Nunca estive tão enganado em toda a minha vida. Na cadeia, me vi sozinho... E o pior: sem dinheiro algum. Lembro que senti muito ódio de Madara Uchiha na época. Ele foi preso primeiro. Pelo que me recordo, acho que alguém da própria empresa dele descobriu sua participação no Mercado Negro e o denunciou. Então ele revelou meu nome, o de Orochimaru e Zabuza também.
- Ficou com ódio dele na época? – Obito repetiu – Quanto ódio? Odiava tanto a ponto de querer... Se vingar?
- O que está insinuando, detetive? – o senador estreitou o olhar para Obito – Que por acaso eu posso estar envolvido na morte de Madara Uchiha? Que nove anos depois eu estupidamente ia querer me vingar de uma parte da minha vida que está enterrada em meu passado, da qual me envergonho e me arrependo todos os dias?
- Só estou fazendo meu trabalho, senador – o Uchiha retrucou
- Deixe-me esclarecer uma coisa, detetive – o senador endireitou-se na cadeira – Na época, pouco depois de minha prisão, meu pai encarregou-se de mandar me soltar. Ele queria que eu apodrecesse na prisão, na verdade, mas minha mãe implorou que ele me libertasse. E, sob a condição de que nunca falariam meu nome novamente, ele também mandou soltar Orochimaru e Zabuza. Realmente, desde que fui solto, eu nunca mais os vi ou falei com eles. O mesmo com Madara Uchiha, porque ele permaneceu na prisão. Diante disso, os senhores vêem algum motivo para eu querer me vingar?
- E quanto ao prestígio e ao dinheiro que o senhor perdeu? – Obito insistiu
- Meu pai era rico, e mesmo me odiando após minha libertação, deixou tudo para mim em testamento. Hoje, o mínimo que posso fazer por ele e por minha mãe é administrar seu legado. Olhem em volta. Dinheiro não é problema. Quanto ao prestígio, sou senador. Estou na política. Querem exemplo maior de prestígio?
- Certo – disse Kakashi – Para encerrar, senador. O senhor tem algum documento guardado que faz menção ao Mercado Negro? Caso negue, temos um Mandado de Busca que nos autoriza a...
- Não será necessário – Yakushi interrompeu. Ele levantou-se e removeu um quadro que estava na parede atrás de sua escrivaninha, retratando o próprio senador e a Rainha Elizabeth trocando um aperto de mãos. Atrás da pintura, um pequeno cofre preto se revelava.
- Muito original – Obito sussurrou, irônico, para os colegas
- Meu pai destruiu os originais logo depois de me libertar – disse o senador, fazendo a combinação para abrir o cofre – Mas antes, eu fiz cópias, autentiquei-as e as escondi. Algo me dizia que um dia, caso eu precisasse agir de forma limpa, elas seriam necessárias. Aqui estão.
- Obrigado – Wolfe falou, pegando as folhas que o senador lhe estendia. Yakushi voltou a se sentar.
- Desde que fui eleito tento manter uma imagem limpa, em respeito a meu pai. Ele foi um bom senador. No final de sua carreira, julgaram-no mal por ter mandado soltar o filho criminoso, e essa culpa acompanhou meu pai até seus últimos dias de vida. Agora ela foi transferida para mim. Mas penso que esse sentimento pode ser reduzido a partir de agora, sabendo que essas informações sobre meu passado estão com vocês, detetives. Em suas mãos estão os nomes completos dos envolvidos em toda a operação de Orochimaru e Zabuza Momochi, os locais de atuação deles pela Europa, os clientes mais comuns, os endereços de suas residências no continente, telefones, enfim, tudo. Porém, tudo isso é de cerca de dez anos atrás. Espero que lhes seja útil.
- Pode apostar que será, senhor senador – Wolfe disse, pondo-se de pé. Cada detetive estendeu a mão para o senador Yakushi e se despediu. Kakashi desligou o gravador. A entrevista estava encerrada.
- Fica claro que o senhor está fora de suspeita – Kakashi afirmou, olhando sério para o senador
- Por hora – acrescentou Obito. O senador pareceu ignorar este último comentário e os acompanhou até a escadaria para o andar de baixo, seguido pelos seguranças-gorilas e seu fiel mordomo.
- Foi um prazer recebê-los – disse Yakushi, a acidez em sua voz revelando o contrário do que acabara de dizer – Estarei à disposição, se precisarem novamente.
- Obrigado, senhor senador – Kakashi falou – Tenha uma boa semana.
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- Para mim, pareceu que ele queria se livrar desesperadamente desses documentos do Mercado Negro – Obito disse, do banco de trás da viatura da Scotland – Foi como se tivesse tirado um peso de suas costas nos entregando isso.
- Eu concordo – disse Wolfe, ao volante – Esse papo de "imagem limpa" é história de político. Provavelmente ele guardou os documentos pensando mesmo em entregá-los à polícia quando necessário, mas obviamente ele tinha que dramatizar a situação.
- Mas ele está fora de suspeita – Kakashi falou, ao lado de Ryan – A justificativa dele é perfeita para não querer se vingar dos antigos membros da Akatsuki. E ele me pareceu muito inquieto durante nossa entrevista. Como se esse assunto pesasse mesmo em sua consciência.
- Disso não posso discordar – comentou Obito – Ele deve ter muito medo de que seu passado volte à tona e manche sua "imagem limpa". Além disso, Yakushi tem mulher e filhos. Como político e chefe de família, não iria querer que a imprensa, enquanto investiga a vida de Madara Uchiha e das outras vítimas, ligasse seu nome ao Mercado Negro. No fim, fizemos um favor a ele.
- Realmente – Wolfe concordou – Mas agora precisamos deixar o senador de lado, por hora. Como Kakashi colocou, Yakushi está fora de suspeitas, até porque seria muito arriscado para ele. Vamos nos concentrar nas informações que ele nos deu. Enviaremos uma equipe para cada endereço das residências dos envolvidos no Mercado Negro.
- Como você pretende pegar os líderes? – Kakashi quis saber
- Primeiro, vamos localizá-los – disse Ryan, concentrado – Pode demorar um pouco, e até lá, ficaremos de olho nos ex-membros da Akatsuki. Quando encontrarmos esse Orochimaru e seu sócio, Zabuza Momochi, prepararemos uma emboscada.
- Que tipo de emboscada? – Obito perguntou, interessado e empolgado
- Nós vamos negociar com eles, Obito – Wolfe respondeu, estreitando seu olhar – Vamos fingir que queremos comprar armas deles. Vamos pedir algo grande, que custe muito dinheiro. E então eles virão até a Grande Londres. Se hospedarão em Westminster.
- E aí – Obito completou, entendendo aonde Wolfe queria chegar – Vamos pegá-los.
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Castelo dos Hyuuga.
Biblioteca no segundo andar.
Tenten mal podia acreditar no que seus ouvidos acabaram de escutar.
- Vocês dois... Querem nos ajudar? – ela repetiu pausadamente
- Cara, eu tô muito confuso – disse Naruto, coçando a nuca
- Não me surpreende – Sasuke resmungou, e antes que Naruto pudesse retrucar, Sakura perguntou:
- Qual o interesse de vocês nisso?
- Imagino que o mesmo de vocês – respondeu Neji – Estamos cansados de ficar alienados desse mistério em torno da Akatsuki. Pensei que quando tio Hiashi abriu o jogo comigo falando dessa história de vingança contra os ex-membros da empresa ele continuaria me mantendo informado, afinal meu pai morreu por causa disso. Nós até nos mudamos daqui para Westminster para nossa família ficar mais informada das investigações. Mas a única pessoa que sabe a verdade é tio Hiashi, e ele insiste em esconder isso de mim.
- Isso é bom pra você sentir na pele o mesmo que a Hinata – Naruto disse, apertando seu olhar – Ela é tão parte da família quanto você. Aliás, ela é até mais do que você, Neji, porque o senhor Hiashi é pai dela. Pode ter certeza de que ela ouviu a conversa entre vocês dois sem querer, e deve ter ficado chateada por dois motivos. Primeiro, por ter escutado atrás da porta. Segundo, porque o pai dela omitiu coisas importantes pra ela e pra Hanabi.
- Ele só queria protegê-las...
- Protegê-las? – Tenten repetiu – Elas não são mais crianças, Neji! Mas isso não vem ao caso agora... – ela respirou fundo – Ok... Você está certo. Também estamos cansados de não saber dos fatos, e se não deu pra ser pelo método convencional, vamos utilizar o nosso método. Vocês querem fazer parte do nosso plano?
- Sim – Neji respondeu, seguro, olhando fixamente para Tenten. Sasuke balançou a cabeça, em sinal de concordância.
- Ótimo – a Mitsashi continuou – Quanto mais colaboração, melhor. Sakura, Hinata, Naruto... Vocês aceitam a ajuda dos dois?
- Sim – disse Hinata, mas ela parecia um pouco insegura
- Pode ser – Naruto respondeu, olhando feio para Sasuke
- Sakura? – Tenten insistiu. A Haruno suspirou. Sabia o quanto sua amiga queria que Neji e Sasuke ajudassem, principalmente por causa do Hyuuga. Mas Sakura estava procurando continuar seguindo seu plano de manter distância do Uchiha. Fora maravilhoso vencê-lo no xadrez, mas a partida foi apenas uma batalha. A guerra não parecia tão próxima de terminar...
- Ok – Sakura acabou cedendo, lançando à Tenten um olhar que dizia claramente "só faço isso por você." A Mitsashi sorriu em forma de agradecimento e tornou a falar:
- Muito bem, então. Eu estava pensando em colocar o plano em prática hoje, já que amanhã estaremos ocupados com o baile e na quarta-feira vamos voltar para Londres bem cedo – ela virou-se para Neji e Sasuke – Vocês já conhecem a estratégia, afinal ouviram tudo. Então...
- Se me permite um comentário – o Uchiha interrompeu – Percebi algumas falhas no seu plano.
- É mesmo? – Tenten falou, irritada – Quais?
- Não me entenda mal – disse Sasuke, quase sorrindo diante da expressão raivosa da Mitsashi, mas ele não estava afim de brigar – Devo admitir que sua ideia é boa. Mas ela funcionaria muito melhor se alguém da família Hyuuga desmaiasse, ao invés do Uzumaki.
- Que foi? – Naruto berrou para Sasuke – Acha que eu não sei fingir? Posso muito bem desmaiar e...
- Sasuke tem razão – disse Neji, antes que o Uchiha avançasse em Naruto – Não é que você não seja capaz de convencer tio Hiashi, Uzumaki... Mas certamente a preocupação dele seria muito maior se a Hinata, por exemplo, passasse mal. Seria um motivo mais forte para ele deixar o escritório e liberar o caminho. E seria mais convincente também.
- Faz sentido... – analisou Tenten – Mas eu preciso que alguém da família me acompanhe pela busca no escritório.
- Eu posso fazer isso – Neji falou, até rápido demais. Tenten olhou surpresa para ele, uma sensação muito boa de satisfação crescendo dentro de si. Sakura trocou um rápido olhar com Hinata e percebeu que Sasuke as observava, curioso.
- Como quiser – a Mitsashi disse, enfim, controlando-se para não sorrir.
- E o restante do plano? – Naruto perguntou
- Hum... – Tenten ficou alguns instantes em silêncio, até que seu rosto se iluminou com uma nova ideia – Não vamos modificar muita coisa. Hinata pode reclamar de algum mal-estar assim que sairmos daqui, para não parecer suspeito. No fim da tarde, colocaremos nosso plano em ação. Sakura e Naruto darão o alerta ao senhor Hiashi, e se Hanabi acreditar que Hinata está realmente passando mal, pode ajudar a aumentar a preocupação do pai. Ele deixará o escritório na hora em que ouvir a notícia, e aí Neji e eu entramos e procuramos sobre a Akatsuki.
- E eu? – Sasuke quis saber, aparentando certa insatisfação por Tenten não ter incluído seu nome na estratégia reformada.
- Você pode ser nosso informante – sugeriu Neji – Vai estar junto com a Haruno e o Uzumaki quando eles forem falar com tio Hiashi, e através de mensagens de texto, você vai me avisar quando for seguro entrar no escritório, e se por alguma eventualidade meu tio precisar voltar pra lá.
- Posso fazer isso.
- Gente – disse Hinata, e todos voltaram sua atenção para ela – O plano parece muito bom, mas ainda posso notar uma falha – ela olhou para Neji e Tenten – Onde vocês dois vão estar quando Sakura, Naruto e Sasuke forem falar com meu pai?
Tenten pensou um pouco.
- Já sei! Vocês podem dizer que Neji e eu, sei lá, fomos até a vila comprar alguma coisa. Aí Sasuke pode nos ligar para supostamente dizer que Hinata passou mal, mas na verdade é para avisar se é seguro ou não entrar no escritório.
- Parece bom – Sakura refletiu – Mas como vocês vão fazer para sair do castelo e fingir que estão voltando a ele? Os guardas precisam ver vocês...
- Há algumas maneiras – disse Neji – Este é um castelo medieval. Ele possui alguns atalhos que podemos usar. Não haverá erros.
- Está combinado – Tenten sentenciou
- Então até o anoitecer – disse Neji, estendendo a mão para a Mitsashi
- Até o anoitecer – a garota respondeu, apertando a mão do Hyuuga e permitindo-se sorrir.
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Segunda-feira, 18h03min.
Castelo dos Hyuuga.
Sakura e Sasuke seguiam em silêncio pelo segundo andar.
Por várias vezes a Haruno podia jurar que o Uchiha fazia menção de dizer algo, mas logo depois desistia.
"Deve ser coisa da minha cabeça" – Sakura pensou – "Concentre-se no plano..."
Como combinado, Hinata simulara um mal estar minutos depois de ter deixado a biblioteca. Ela alegou tontura e trancou-se no banheiro. Fingiu ter vomitado e molhou seu rosto para representar o suor. Tenten, Sakura, Naruto, Neji e Sasuke não puderam deixar de ficarem surpresos com a habilidade de Hinata para fingir que não passava bem.
Foi Hanabi quem chamou o senhor Hyuuga. Como Sasuke e Neji calcularam, Hiashi mostrou-se extremamente preocupado e disse que se Hinata não melhorasse, a levaria para um hospital mais tarde. Assim, a mais velha dos Hyuuga ficou em repouso no quarto a tarde toda, acompanhada por Sakura, Tenten, Naruto e Hanabi.
Com a proximidade da noite, Hinata "piorou". Em seu quarto só estavam Sakura, Naruto e Sasuke. Tenten e Neji já haviam se escondido no primeiro andar. O combinado era que a Haruno e o Uzumaki fossem pedir socorro a Hiashi, mas Naruto disse que jamais deixaria Hinata sozinha com Sasuke. Por outro lado, o loiro preocupava-se também com o fato de que Sakura ficaria sozinha com o Uchiha. Mas a Haruno assegurou que saberia se cuidar, afinal o quarto de Hiashi só estava a algumas portas de distância. Então ela e Sasuke saíram do quarto.
Os dois chegaram à porta do senhor Hyuuga. Antes de bater, Sakura virou-se para Sasuke e disse, pegando-o de surpresa:
- Tente parecer preocupado.
.TOC.
- Senhor Hyuuga! – Sakura chamou, sua voz assumindo um tom desesperado. Ela aguardou. A porta se abriu e por ela saiu um Hiashi de cenho franzido.
- O que foi, senhorita? – disse ele – Algo com Hinata? Ela piorou?
- Sim! – a Haruno continuou, a voz chorosa – Ela está muito pior... Está delirando... E chamando pelo senhor.
- Eu não entendo... – Hiashi disse – Até ontem Hinata parecia perfeitamente saudável. E hoje, ela passa mal desse jeito inexplicável.
- Deve ser alguma intoxicação alimentar – sugeriu Sakura, pensando rápido – Algo que Hinata comeu ontem à noite, ou hoje, durante o dia, está provocando essa reação. É melhor o senhor verificar.
Nesse instante, Hanabi juntou-se a eles.
- Papai! – ela disse, quase chorando – Depressa, papai! Fui visitar Hinata agora e ela está muito mal! Não pára de chamar por você! E vomitou de novo!
- Oh meu Deus... Já estou indo. Deixe-me só trancar meu escritório – Hiashi apalpou os bolsos do paletó e da calça, enquanto Sakura e Sasuke prendiam a respiração ao mesmo tempo. Eles haviam esquecido esse pequeno detalhe: o senhor Hyuuga poderia muito bem trancar a porta...
Mas a sorte estava a favor deles naquele dia, pois Hiashi não encontrou as chaves.
- Elas devem ter ficado lá dentro – disse ele – Ah, deixa pra lá! Hinata não pode esperar. Vamos! Quem está cuidando dela?
- Naruto está com ela, e eu chamei duas empregadas – Hanabi respondeu, preocupadíssima
- Onde estão Neji e a senhorita Mitsashi? – Hiashi perguntou, surpreso
- Eles foram até a vila – disse Sasuke, abrindo boca para falar desde que saíram do quarto de Hinata.
- Fazer o quê? – Hiashi tornou a perguntar, mais surpreso ainda
- Comprar ingredientes para um chá excelente para amenizar a intoxicação de Hinata – Sakura respondeu, rápida, e diante da expressão confusa de Hiashi, a Haruno explicou – Aprendi no meu curso de Medicina. Hinata parecia ter melhorado, então achei que esse chá cairia bem, aí Tenten e Neji saíram, mas então ela piorou e...
- Tudo bem, senhorita... – Hiashi falou – A senhorita fez muito bem.
A essa altura, já haviam chegado ao quarto de Hinata novamente. Sakura analisou a amiga, suada e descabelada, deitada na cama e envolta por muitos lençóis. Se a Haruno não soubesse do plano, poderia jurar que Hinata estava mesmo muito mal. E Naruto também estava se saindo bem. A expressão preocupada em seu rosto era perfeitamente convincente.
Hiashi e Hanabi correram até Hinata e sentaram-se um de cada lado na cama. A garota chamou o nome do pai e ele começou a acalmá-la. Disse que chamaria um médico.
- Vou ligar para Neji e apressá-lo para voltar para casa – disse Sasuke, sério.
- Faça isso – Hiashi falou, mas sem tirar os olhos de Hinata.
Sasuke saiu do quarto e discou o numero de Neji.
- Liberado – o Uchiha disse assim que o Hyuuga atendeu – Boa sorte.
Então ele voltou para o quarto de Hinata. Deu um aceno de cabeça discreto para Sakura, Naruto e até para Hinata, indicando que o plano continuava em andamento. Os quatro só esperavam que essa cena toda fosse suficiente para Tenten e Neji obterem sucesso...
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Rapida e silenciosamente, Neji e Tenten subiram a escada de acesso ao segundo andar. Passaram sorrateiramente pela porta do quarto de Hinata, suas respirações presas. O Hyuuga girou devagar a maçaneta da porta do quarto/escritório do tio e entrou, seguido por Tenten.
- Conseguimos – a Mitsashi não pôde deixar de dizer. Ela olhou em volta. Estavam no quarto de Hiashi. O escritório era nos fundos.
- Por aqui – Neji falou, andando até uma porta próxima a um guarda-roupa de madeira impecavelmente polida.
O escritório de Hiashi era muito extenso, com chão de madeira forrado com carpete azul escuro, combinando com a decoração do quarto. As paredes eram brancas e continham grandes janelas, protegidas por cortinas de veludo perolado. Havia muitos quadros e fotos da família espalhados pelo local. Na parede oposta à porta, estava a escrivaninha. E em cima dela, o notebook de Hiashi. Neji foi até lá e abriu com cuidado o aparelho.
- Está ligado – disse ele – Mas precisa de senha.
- Eu sabia! – Tenten resmungou – Droga, não podemos perder tempo...
- Não se preocupe. Sasuke me avisará se estivermos correndo perigo.
- Beleza, mas não podemos abusar da sorte. Vamos decifrar essa senha logo.
- Obrigado por confiar em nós – Neji falou, deixando Tenten surpresa. Ela sorriu para o Hyuuga.
- Por nada – disse ela – Vocês são uma ajuda importante. Por exemplo, nessa situação – Tenten indicou o notebook – O que você acha que seu tio usaria como senha?
- Vejamos... – Neji ficou alguns instantes em silêncio – Tio Hiashi não gosta do óbvio.
- Mas é isso que ele quer que um possível invasor pense – sugeriu Tenten – Por que você não tenta, por exemplo... "Hinata"?
- Ah, claro... Depois poderíamos testar "Hanabi", "123456" ou a data de nascimento dele – Neji ironizou. Tenten olhou feio para ele.
- Sugira algo, então – ela disse, seca – Estamos perdendo tempo.
- Estou pensando... – Neji retrucou – Ok. Tio Hiashi colocaria uma senha que ninguém jamais descobriria. Ninguém, a não ser um membro da família. Mas na concepção dele nenhum Hyuuga teria motivos para invadir o login dele... Então a senha correta não poderia ser descoberta por um invasor que não seja um Hyuuga.
- Legal, é por isso que você está aqui – Tenten estava começando a perder a paciência – Você é um Hyuuga. Então pense em algo que seja conhecido só pela família de vocês.
- Bem, todos os Hyuuga possuem olhos perolados – raciocinou Neji – Talvez possa ser isso...
Ele digitou. O visor mostrou a seguinte mensagem: ERRO NO LOGIN. USUÁRIO OU SENHA INCORRETO.
- Bom, eu tentei – disse Neji, decepcionado
- Acho que você está no caminho certo... – Tenten falou – Pense em algo a respeito dos olhos perolados...
Neji olhou em volta. Ele analisou os quadros de seus parentes nas paredes do escritório, e então seu rosto se iluminou.
- Acho que já sei! – disse ele, esperançoso. Indicou um quadro de um sacerdote japonês entre duas janelas do aposento – Temos parentes em todo o mundo, mas os do Japão são os mais conservadores. Os antigos sacerdotes contavam uma lenda sobre nossos ancestrais, cujos olhos perolados eram capazes de captar a energia presente no corpo das outras pessoas, enxergar através de objetos sólidos e ampliar pontos de visão, como um telescópio. Entre os antigos clãs ninja, nossos olhos eram temidos e, por isso, havia muito respeito pelo clã Hyuuga.
- Muito legal – Tenten comentou. A história era realmente interessante, e ela estava contente por Neji confiar isso a ela, mas ainda havia um problema... – Mas como você vai resumir isso tudo em uma palavra?
- Byakugan – Neji sorriu – Ou "olho branco", se você preferir.
- Genial... – Tenten estava encantada – Digita logo!
Neji não hesitou em obedecer.
O visor mostrou: LOGIN LIBERADO. BEM VINDO, HIASHI HYUUGA.
- YES! – Tenten gritou, sem conseguir se conter, mas logo cobriu a boca com as mãos. Ela olhou para Neji e disse – Desculpe... Me empolguei.
- Tudo bem – ele sorriu de novo. A Mitsashi nunca vira o Hyuuga sorrir tantas vezes em um dia. Era uma visão muito agradável... – Mas procure se controlar. Temos que achar as informações agora. Está com seu pen drive?
Tenten estendeu o objeto a Neji, que o espetou na lateral do note book. Os dois procuraram em praticamente todas as pastas dos documentos que Hiashi guardava salvo em seu computador. Mas foi somente em uma pasta chamada "Convênios" que eles finalmente encontraram o que tanto procuraram. Havia um arquivo que dizia claramente: "Akatsuki". Neji abriu-o imediatamente.
- Meu Deus... – disse Tenten, depois de dar uma passada de olhos no conteúdo à sua frente – Tem... Tem tudo aí... Tudo sobre a Akatsuki.
A pasta possuía um único arquivo, organizado na forma de dossiê. O índice continha títulos como "Membros", "Datas de Entrada e Saída", "Criação", "Mercado Negro", "Madara Uchiha"...
- Não dá tempo de selecionar o que queremos – Neji consultou o relógio. Faltavam quinze minutos para as sete da noite – Vou copiar tudo, depois podemos ler.
Os documentos sobre a Akatsuki começaram a ser copiados do notebook de Hiashi para o pen drive de Tenten. A garota ia sugerir a Neji que "camuflasse" as informações novas guardando-as em uma pasta cujo nome não chamaria a atenção, do mesmo modo que Hiashi fez. Mas antes que a Mitsashi pudesse ao menos abrir a boca, o celular de Neji vibrou. Era uma mensagem de Sasuke.
-"Saiam daí!" – Neji leu, sério – "Hiashi está voltando!"
- Rápido, vamos nos esconder! – disse Tenten, num sussurro apressado. Ela guardou seu pen drive enquanto Neji fechava o note book do tio. A Mitsashi indicou a varanda – Vamos pra lá!
Eles ouviram uma porta se abrindo do outro lado do escritório. Hiashi já chegara ao quarto...
- Não dá tempo – Neji falou, olhando em volta e puxou Tenten pela mão – Ali!
Os dois entraram de qualquer jeito em um armário próximo à escrivaninha, mas ele era pouco largo. Neji segurava as portas duplas atrás de si, mantendo-as firmes, para que não se abrissem devido ao excesso de "conteúdo" dentro do armário.
Só então notou a cena constrangedora em que se encontrava. Seu corpo estava completamente colado ao de Tenten, e a temperatura dentro do armário aumentou subitamente. O Hyuuga sentiu que estava corando, e agradeceu por Tenten não poder vê-lo, devido ao breu em que se encontravam. A respiração dela estava misturada à dele, e Neji não sabia por quanto tempo mais poderia resistir...
- Onde foi que coloquei minha agenda? – ele ouviu o tio resmungar a pouquíssimos metros de distância deles – Hanabi tem razão quando diz para eu anotar os telefones de emergência em lugares visíveis... Ah, achei!
Ouviram-se passos apressados cruzando o escritório e uma porta batendo.
Aquele seria o momento ideal para sair de seu esconderijo, utilizar um dos atalhos do castelo para chegar do lado de fora e finalizar o plano com perfeição. Mas Neji simplesmente não conseguia se mover. Suas mãos pareciam coladas na maçaneta da porta do armário, e seu rosto só queria chegar mais perto do da garota à sua frente.
Tenten também estava presa. Primeiro, porque Neji bloqueava seu caminho e estava imprensando-a contra o fundo do armário. Segundo, porque ela podia sentir a respiração do Hyuuga tão próxima de sua boca, que isso impedia qualquer reação por parte da Mitsashi.
Naquele momento, Tenten percebeu que queria um beijo mais do que outra coisa. Neji parecia sentir o mesmo.
Então, algo vibrou entre eles. Era o celular de Neji.
- É melhor sairmos – o Hyuuga disse, estranhando a súbita rouquidão em sua voz. Tenten murmurou uma concordância e Neji abriu as portas do armário. Ele pôde notar que a Mitsashi estava com as bochechas muito vermelhas, e se perguntou se seria devido ao calor ou àquilo que Neji quase fizera...
- O que diz a mensagem? – Tenten perguntou, tirando Neji de seus devaneios
- "Seu idiota! O que está esperando?" – Neji leu rapidamente, então ele olhou de novo para Tenten – Conseguimos o que queríamos. Temos que voltar agora, e rápido. Está escuro lá fora e nossa ida à vila está demorando demais.
- Certo – a Mitsashi concordou – Vamos embora.
Os dois deixaram o escritório de Hiashi da mesma forma que entraram, com a mesma cautela. Foram até o primeiro andar e ficaram surpresos por não encontrarem nenhum criado passando por ali. A "doença" de Hinata parecia ter mobilizado a todos no castelo, mas Tenten sabia que ainda assim haveria guardas do lado de fora, devido ao perigo que a família Hyuuga corria.
Neji abriu uma porta camuflada na parede que Tenten não havia percebido antes. Estava escondida próxima à escadaria de mármore. A passagem revelou uma escada que descia rumo ao subterrâneo. Neji usou a lanterna de seu celular para guiá-los pela escuridão.
- Essa passagem vai nos levar a um alçapão próximo ao portão de entrada – disse ele – Sasuke e eu costumávamos usar esse caminho quando éramos crianças. Quando sairmos, estaremos perto do castelo, mas fora do alcance de vista dos guardas.
Tenten apenas acenou com a cabeça. Nunca simpatizara muito com passagens secretas, pois nos filmes o teto sempre desaba quando os mocinhos estão quase encontrando a saída.
- Não se preocupe – Neji tornou a falar, percebendo que a Mitsashi estava muito calada – É seguro. Já passei por aqui dezenas de vezes.
- Tudo bem – ela respondeu, mas só ficou realmente tranqüila quando finalmente saíram pelo alçapão que Neji mencionara. Tenten suspirou de alívio ao ver o céu azul escuro e estrelado de Konoha.
Ela respirou o ar frio da noite e sorriu, satisfeita, quando pisou a grama bem aparada da propriedade dos Hyuuga.
- Conseguimos – disse ela – Nem acredito.
- Foi arriscado – Neji acrescentou – Mas acho que vai valer à pena.
- Com certeza vai – falou Tenten, olhando profundamente nos olhos perolados de Neji. E naquele momento, enquanto caminhava com ele de volta ao castelo, não pôde deixar de sorrir de alívio novamente, mas dessa vez porque tinha a certeza de que Neji não podia ler suas emoções, e o Byakugan era só uma lenda...
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Terça-feira, 06h30min.
Castelo dos Hyuuga.
Biblioteca no segundo andar.
- Uaaaaah! – Naruto bocejou de sono, jogando os braços para trás e acertando Sasuke de propósito
- Ora seu... – o Uchiha começou a resmungar, mas Tenten o interrompeu
- Façam o favor, vocês dois! – ela disse – Temos coisas mais importantes para discutir agora. Mal dormi essa noite, ansiosa para ver logo o que nós conseguimos...
- Não acredito que vocês conseguiram mesmo – Sakura falou, numa mescla de admiração e espanto
- Não acredito que não são nem sete da manhã! – Naruto retrucou, dando outro bocejo.
- É melhor assim, Naruto... – disse Hinata, sentada ao lado do loiro – O castelo vai estar movimentado o dia todo por causa do baile. Não conseguiríamos discutir sobre isso em outro momento. Além disso, Tenten e Neji se arriscaram muito para conseguir as informações.
- Mas quem merece um prêmio aqui é você, Hinata – a Mitsashi disse, sorrindo para a amiga – Você daria uma ótima enferma!
Todos riram com o comentário. Até Sasuke se permitiu dar um meio sorriso.
- É sério... Você enganou até o médico! – Naruto exclamou, olhando admirado para Hinata – Só deve ter sido chato fingir que tomava os remédios.
- N-Não foi tão difícil... – a garota disse, envergonhada
- Agora você só precisa tomar cuidado para não parecer instantaneamente curada – Neji disse e Hinata concordou com ele.
- Certo – Tenten tornou a falar, enquanto ligava seu próprio notebook e conectava seu pen drive – Vamos ler tudo o que encontramos. E não é pouca coisa, acreditem.
Tenten abriu o documento e mostrou a pasta da Akatsuki. Uma estranha emoção começou a crescer dentro dela, e ficou mais forte quando Sakura sugeriu que começassem conhecendo os ex-membros da Akatsuki.
- "Hiashi e Hizashi Hyuuga, Fugaku e Madara Uchiha" – Neji leu – "Fundaram a empresa juntos, em 1998. Todos possuíam 36 anos na época. Hizashi Hyuuga e Madara Uchiha estão mortos. Hiashi Hyuuga e Fugaku Uchiha estão sob a proteção da Scotland Yard".
- "Sasori Akasuna" – Tenten continuou; sua voz ficou embargada de repente – "Possuía 17 anos quando entrou na Akatsuki. Foi o terceiro a morrer."
- "Nagato Pain" – leu Naruto – "18 anos na época da fundação da Akatsuki. Foi o quarto a morrer".
- Meu Deus... Todos eram tão jovens quando entraram para a empresa... – Hinata disse, espantada. Os outros concordaram com um aceno de cabeça. Sakura prosseguiu a leitura.
- Parece que agora todos os outros estão vivos – ela disse – "Kakuzu Takahashi, Hidan Yamamoto e Kisame Hoshigaki possuíam 21 anos quando a Akatsuki foi fundada. Konan Aoki tinha 18 e..." Oh meu Deus! O professor Deidara... Ele... Ele também era da Akatsuki... Tinha 18 anos na época...
- Por que todos esses estudantes faziam parte de uma empresa fundada por quatro homens maduros e bem encaminhados na vida? – Naruto quis saber e Hinata sugeriu que eles lessem sobre a criação da empresa. Para a surpresa de todos, Sasuke começou a ler:
- Os dados são do cartório da Grande Londres e foram complementados pelo depoimento do senhor Hyuuga. "Madara Uchiha..." – sua voz era carregada de ódio ao ler o nome do parente – "... Convidou seus amigos e antigos colegas que estudaram com ele na Universidade de Londres para fundar uma pequena empresa armamentista. Formado em Tecnologia, Administração, Pedagogia e Química, Madara Uchiha lecionava na Universidade em que se formou e convidou 7 de seus melhores estudantes do curso de Tecnologia para auxiliá-lo na empresa". Está explicado porque tantos jovens faziam parte da Akatsuki...
- Ele chamou os alunos dele pra participarem de uma empresa armamentista! – Naruto exclamou – O cara era doido!
- Não eram alunos quaisquer, Uzumaki – Neji comentou – Eram os melhores que Madara tinha. Pelo que entendi, foram escolhidos a dedo. E aprovados por meu pai, meu tio e por Fugaku. Além disso, eles não estavam fazendo nada de ilegal. A empresa era registrada. Indústrias armamentistas lucram muito, e os jovens devem ter ficado empolgados na época.
- Aqui diz que a Akatsuki acabou porque Madara se envolveu com o Mercado Negro, logo depois que a empresa foi criada – disse Tenten
- Exatamente – Neji concordou – E diz ainda que meu pai descobriu o envolvimento de Madara com o Mercado Negro dois anos depois e saiu do grupo. Tio Hiashi permaneceu para juntar provas e as entregou para Fugaku, que denunciou Madara. Ele foi condenado a 30 anos de prisão.
- Mas a pena dele foi aumentada em 20 anos – Sasuke falou, sério, e todos olharam para ele – Depois que ele explodiu minha casa e matou a minha mãe.
O pesar se instalou entre eles. Todos estavam chocados com as palavras de Sasuke. Naruto olhava espantado para o Uchiha. Era como se só naquele momento o Uzumaki tivesse se dado conta de que Sasuke era humano e que tinha sentimentos. O loiro fez as contas mentalmente. O Uchiha perdera a mãe quando tinha apenas 9 anos...
- Cara... – Naruto disse – Que barra...
Foi a vez de Sasuke ficar surpreso com o Uzumaki.
- Am... – Tenten tornou a falar – Aqui tem um tópico específico sobre Madara Uchiha – ela passou os olhos rapidamente pelos textos – Tem a reportagem da época da prisão dele. Parece que ele foi preso com mais três caras do Mercado Negro. E um deles é... Nossa! É o atual senador Yakushi!
- Caramba! – exclamou Naruto
- O atual senador foi solto na época graças a seu pai – Tenten continuou resumindo, enquanto lia a reportagem – E os outros caras também foram liberados. Só Madara ficou preso. Mas aqui fala que esses caras do Mercado Negro faliram totalmente.
- O que motivaria a vingança que meu tio e a polícia afirmar estar acontecendo – Neji deduziu – Se o Mercado Negro não tivesse se relacionado com a Akatsuki, esses caras não teriam sido presos e não teriam perdido tudo.
Os seis ficaram em silêncio, as novas descobertas pairando sobre eles, fazendo efeito em suas mentes. Era informação demais...
- Vamos ver se achamos alguma coisa sobre essas mortes... – Tenten sugeriu e encontrou um texto intitulado "Assassinatos dos ex-membros". Ela e os outros leram o conteúdo em silêncio, mas não havia muitas informações. Pelo visto, nem a polícia nem a perícia acharam que seria importante para Hiashi Hyuuga saber os detalhes das investigações das mortes dos outros membros.
- Aí diz que meu pai foi mesmo assassinado – disse Neji, sua voz quase um sussurro – Colocaram uma bomba caseira no helicóptero dele e no de Madara Uchiha.
- Já sabíamos que o professor Sasori veio a óbito por inalar CO – Sakura lembrou, triste, afinal, ela mesma constatara essa informação na época da morte de Sasori – E não tem nada aí sobre Nagato Pain.
- Só sabemos que ele foi encontrado no lixão – disse Tenten, e tanto Sasuke, quanto Neji e Naruto olharam espantados para ela. A Mitsashi resumiu rapidamente que atendera o telefone de Wolfe certa vez e Obito Uchiha despejara as informações nela – E ele disse ainda que o corpo estava "nojento" – finalizou.
- Não conseguimos deduzir muito a respeito disso – completou Sakura
- Esperem – disse Hinata, que continuara lendo o texto sobre os assassinatos; os outros concentraram sua atenção nela – Aqui diz que todas as vítimas até agora receberam uma mensagem indicando a hora exata em que iriam morrer.
- O quê? – Tenten e Naruto perguntaram em uníssono. Hinata leu:
- "Hizashi Hyuuga, segundo seu irmão gêmeo, recebeu uma mensagem dizendo que morreria dentro de 10 horas. Sasori Akasuna recebeu uma semelhante, dizendo que morreria dentro de 9 horas."
- Muito sinistro... – Naruto sussurrou, seus olhos azuis arregalados
- Parece uma contagem regressiva – disse Sasuke. Os outros pensaram um pouco e concordaram com ele.
- Gente – Tenten falou – É impossível que tio Ryan esteja fazendo nada para proteger essas pessoas!
Ela procurou atentamente pelo resto do dossiê e quicou na cadeira quando encontrou:
- Aqui está! – exclamou e começou a ler – "Os antigos membros da Akatsuki foram procurados pelos agentes da Scotland Yard. Estão sob proteção da Polícia: Hiashi Hyuuga (residente em Westminster), Fugaku Uchiha (residente na Cidade de Londres), Konan Aoki (residente na Cidade de Londres) Deidara Fujimoto (residente na Cidade de Londres)." O quê? – Tenten disse horrorizada – Só isso? E os outros?
- Tem uma observação em negrito no fim da página – Sasuke apontou na tela. Ele leu – "Kakuzu Takahashi (residente na Cidade de Londres), Hidan Yamamoto (residente na Cidade de Londres) e Kisame Hoshigaki, que negaram proteção, estão sob vigilância constante. Agentes da Scotland Yard acompanham suas rotinas diariamente, atentos para qualquer perigo eminente".
- Ufa – Tenten suspirou – Sabia que tio Ryan faria alguma coisa. A maioria dos ex-membros permaneceu em Londres, então fica fácil para a Scotland vigiá-los. Só que aqui não fala nada sobre o Nagato Pain. Eu lembro que tio Obito comentou que ele morava na Irlanda... É provável que o senhor Hyuuga tenha recebido essas informações depois da morte desse Pain – ela passou mais algumas páginas, com alguns detalhes sobre as ações da Akatsuki no mercado bélico, mas que não chamavam a atenção. Então olhou para seus amigos – É gente... Acho que isso é máximo que conseguiremos saber, por hora.
Os outros concordaram, em silêncio, e não falaram mais nada por incontáveis instantes. Cada um estava absorto em seus próprios pensamentos, raciocinando, digerindo as informações que haviam acabado de ler. Agora que compreendiam parte do que estava acontecendo, também tentavam entender o motivo de tanto ódio para realizar uma vingança dessas proporções. Tenten achava absurda a forma que o dinheiro consegue corromper as pessoas e acabar com as vidas delas.
Ela olhou discretamente para Neji, Hinata e Sasuke. Sentiu um aperto no coração (até mesmo pelo Uchiha) ao entender o tamanho do perigo que suas famílias corriam.
- Caraca... – disse Naruto, quebrando o silêncio – Invadimos o computador do dono desse castelo e lemos um dossiê da Scotland Yard. Não acredito.
- É mesmo loucura... – Tenten concordou, pensativa
- E agora? – Sakura perguntou e todos olharam para ela – O que vamos fazer, já que sabemos de praticamente tudo?
- É uma boa pergunta – respondeu Sasuke, e a Haruno olhou para ele, chocada por ouvir o Uchiha concordar com ela
- Com certeza a Scotland Yard está investigando o Mercado Negro, já que seus membros são os únicos suspeitos que a polícia tem – disse Neji – Respondendo à sua pergunta, Haruno, acho que simplesmente devemos ficar quietos e fingir que não sabemos de nada. Mas se descobrirmos alguma coisa, devemos aviar a Scotland imediatamente. Vamos colaborar com as investigações, mas apenas se pudermos.
- Concordo plenamente – Sakura suspirou, aliviada – É muito perigoso, gente. Vocês puderam perceber – ela olhou para Tenten, quase suplicante – Amiga, me diz que seus planos malucos acabaram, por favor?
- Sim – respondeu Tenten – Por ora...
- Já é um começo – Hinata falou e sorriu, acompanhada por Sakura
- Vocês dois – a Mitsashi virou-se para Neji e Sasuke – Obrigada pela ajuda – ela sorriu – E eu concordo com o que você acabou de dizer, Neji. Mas acho que devemos não só avisar a polícia de alguma novidade, mas também uns aos outros. Por isso, nós quatro passaremos nosso número de telefone para vocês, e vice-versa.
Enquanto registravam os números uns dos outros em suas agendas eletrônicas, Tenten sorriu. Conseguira o número de Neji por ela mesma, sem precisar pedir a Hinata. Sakura, por sua vez, achou engraçado ter o número de Sasuke daquela forma. Imaginara algumas vezes que conseguiria o celular do Uchiha em ocasiões mais felizes...
- Beleza – disse Naruto, levantando-se e espreguiçando-se. Ele consultou o relógio na parede da biblioteca – Caramba, são quase oito horas. Melhor ir tomar café, galera. Logo, logo a movimentação no castelo começa e vão notar nossa ausência. Principalmente a sua, Hinata.
- Tem razão – a Hyuuga levantou-se também – Vou voltar para meu quarto.
- Vamos com você – Sakura disse e Tenten concordou
- Vou dizer que estou melhor e depois do café podemos escolher nossos vestidos e nossos acessórios para a noite – sugeriu Hinata, e o rosto da Mitsashi se iluminou
- Vestidos! – ela exclamou, feliz, saindo da biblioteca puxando as amigas pela mão, o notebook mal equilibrado debaixo do braço
- Mulheres... – Naruto sorriu, para depois se dar conta de que estava sozinho com Neji e Sasuke – Er... Acho que vou atrás delas...
- Ei, Uzumaki – Neji chamou quando Naruto já estava na porta – Mais tarde Sasuke e eu vamos comprar smokings novos. Pode vir conosco, se quiser.
- Valeu cara – disse o Uzumaki, sorrindo – Até mais – e saiu correndo pelo corredor.
- Por que o convidou? – Sasuke perguntou, de cara feia
- Ele é um cara legal – Neji deu de ombros
- Ele azara sua prima – provocou o Uchiha. Neji deu-lhe um soco no braço.
- Anda seu retardado bipolar, vamos tomar café – o Hyuuga disse, saindo mal humorado da biblioteca
- Acha que fizemos bem em ajudá-los? – Sasuke perguntou. Neji pensou um pouco e disse:
- Acho. Penso que não haveria outro jeito de você e eu descobrirmos a verdade. Foi bom colaborar com eles.
- Principalmente pra você, certo?
- Como assim? – Neji olhou desconfiado para o amigo. Sasuke sorriu, malicioso.
- Por que você e a Mitsashi demoraram tanto no escritório do seu tio?
- Ora... – o Hyuuga sentiu que estava corando – Porque ele apareceu de surpresa lá. Você sabe muito bem disso. Então eu e ela tivemos que nos esconder.
- Mas depois que seu tio saiu vocês demoraram uns bons dez minutos para chegarem ao quarto de Hinata.
- Pegamos a passagem secreta perto da escada, no primeiro andar. Não é um caminho muito curto... Não aconteceu nada.
- E por que você está tão vermelho?
- Cala boca, Sasuke! – Neji exclamou, nervoso – Que merda! Quer saber logo o que aconteceu? Eu me tranquei dentro de um armário com a Mitsashi e quase a beijei! Satisfeito?
- Fala baixo, cara... Os criados estão olhando – Sasuke prendeu uma gargalhada, e Neji se recompôs.
- Se você abrir a boca na próxima meia hora, jogo você pela janela mais alta do castelo – o Hyuuga ameaçou entredentes, quando chegaram ao primeiro andar.
- Tudo bem – Sasuke disse, a voz cheia de sarcasmo – Mas procure controlar seus hormônios.
E antes que Neji pudesse reagir, o Uchiha entrou no salão de refeições e juntou-se a seu pai, Itachi e Hiashi. Ali, Neji não poderia matá-lo.
Sasuke riu quando o Hyuuga sentou-se à mesa, ganhando olhares surpresos do irmão e até mesmo do pai. Os lábios de Neji formaram as palavras "você me paga" para o mais novo dos Uchiha enquanto cortava um pão francês com demasiada violência.
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Castelo dos Hyuuga, 10h11min.
- Como assim você só conta agora que ele quase beijou você? – Sakura exclamou, horrorizada, para Tenten, que ria feito boba.
Elas estavam no imenso closet no terceiro andar do castelo. Os vestidos mais lindos do mundo encontravam-se diante dos olhos das garotas, mas elas nem ao menos haviam começado a prová-los.
- Desculpe! – Tenten pediu, entre risos – Fiquei tão concentrada e curiosa com as informações da Akatsuki que juro que esqueci de contar a vocês!
- Como a Akatsuki pode ser mais importante que o fato de Neji quase beijar você? – a Haruno berrou, sacudindo Tenten pelos ombros, rindo sem parar. A cena era bizarra de ver.
- Sakura - alertou Hinata, rindo mais discretamente que as outras – Fale baixo... Ninguém no castelo além de nós pode saber dessas duas coisas que você acabou de gritar!
- Tem razão – Sakura concordou depois de alguns instantes, controlando-se – Desculpe.
Passados mais alguns minutos, as três já conversavam normalmente e remexiam nas inúmeras araras lotadas de vestidos. Após Tenten repetir três vezes, empolgadíssima, cada detalhe sobre seu "quase-beijo" com Neji no armário do escritório de Hiashi, as amigas começaram a repassar o que leram sobre a Akatsuki. Hinata sugeriu novamente que elas fossem mais cautelosas, pois os criados poderiam ouvir. Então, combinaram que o assunto "Akatsuki" só poderia ser discutido em local seguro.
A Hyuuga mais velha contou para as amigas, então, algumas histórias sobre sua família. Ela explicou melhor o mito do Byakugan, que Neji contara a Tenten no dia anterior. Narrou também lendas sobre os Hyuuga em outros países e, por fim, falou sobre a produção de tecidos e roupas, tradição presente em sua família desde muito tempo atrás.
Foi muito divertido provar os vestidos. Depois de uma hora escolhendo, Hanabi juntou-se às três amigas, e a procura pela vestimenta ideal tornou-se mais agradável. Porém, ficava cada vez mais difícil decidir. Foi então que Hinata lembrou-se de algo...
- Meninas! Como pude esquecer! – disse ela. Tenten e Sakura olharam-na curiosas
- O que foi? – a Mitsashi perguntou
- Ah! – foi a vez do rosto de Hanabi se iluminar. Ela olhou para a irmã – Está pensando no que eu estou pensando?
- Ai gente! - Tenten exclamou - Poupem-nos desse momento Bananas de Pijamas e digam de uma vez o que vocês lembraram ou esqueceram! Sei lá!
Hinata e Hanabi trocaram um olhar cúmplice.
- Esperem um segundo – a Hyuuga mais velha falou – Voltamos logo.
E saiu em disparada pela porta do closet, acompanhada por Hanabi. Tenten e Sakura mal tiveram tempo de especular o motivo da reação maluca das irmãs Hyuuga quando estas voltaram, poucos minutos depois, muito vermelhas. Mas ambas sorriam, e traziam cada uma dois pares de pequenas caixas de veludo azul marinho.
- Estes – Hinata falou, após recuperar um pouco do fôlego – São estojos de joias.
- Joias especiais – Hanabi completou – Estão na nossa família há séculos.
- Ontem à noite, enquanto eu me recuperava de meu mal estar – Hinata explicou, piscando para as amigas – Hanabi me ajudou a separar algumas joias, especialmente para você duas usarem. Fomos nós que escolhemos, e esperamos que vocês gostem.
A Hyuuga mais velha estendeu os estojos que carregava às suas amigas, que estavam boquiabertas e estáticas demais para esboçar qualquer reação. Rindo, as irmãs aproximaram-se de Tenten e Sakura e ajudaram-nas a abrir seus respectivos estojos. Diante dos olhos de Tenten, surgiu um colar de pérolas com uma pedra delicada e losangular de rubi, o mais lindo que a Mitsashi já vira na vida. Brincos de rubi completavam o conjunto. O queixo da garota caiu mais ainda, como se fosse possível.
Sakura estava na mesma situação. Porém, suas jóias eram feitas de prata e esmeraldas, muito verdes e brilhantes. Ela ganhara colar e brincos, assim como Tenten.
- Escolhemos rubi para a Tenten por causa da sua personalidade "de fogo" – Hinata explicou, sorrindo – E foi Hanabi quem sugeriu as esmeraldas para Sakura, por causa dos seus olhos.
- Muito – Tenten começou a dizer, recuperando os movimentos – Muito, muito, muito, muito obrigada, Hinata e Hanabi! – e se jogou sobre as duas irmãs, tomando todo cuidado com os rubis que recebera.
- Gente! – Sakura exclamou – Isso é maravilhoso! São as joias mais lindas que já vi na vida! Muitíssimo obrigada! Será uma honra pra nós usá-las hoje! Muito lindas, mesmo! Uau, sem palavras para agradecer!
- Não precisa – Hanabi disse, livrando-se do abraço apertado de Tenten – Vocês terão uma verdadeira noite de princesa. E isso não seria possível sem joias de princesa.
- Além disso, pensei que surgiria a dúvida na hora da escola do vestido, ainda mais com tantas opções – explicou Hinata – Agora as joias limitam a escolha.
- Excelente ideia! – Tenten disse, empolgada, tão vermelha quanto os rubis – Agora vai ficar mais fácil! Obrigada, amores!
- E vocês? Que joias vão usar? – Sakura perguntou, curiosa
- Ah... Bom... Eu gostaria mais de safiras – Hinata disse, corando – Mas papai insistiu que eu usasse os diamantes reais – e ela abriu um dos estojos que Hanabi levava, revelando um colar e brincos de diamantes reluzentes.
- Uaaaau... – disse Tenten, de queixo caído – Vou quebrar meu maxilar desse jeito... São maravilhosos, Hinata! Você vai parecer uma diva!
- E você, Hanabi?
- Também vou usar diamantes reais – a Hyuuga mais nova disse, sorrindo convencida – Mas os meus são cor-de-rosa. Raríssimos – e ela também abriu sue estojo, revelando as pedras.
- Realmente, são lindíssimos – Sakura sorriu para Hanabi – Bem... Agora que vocês colaboraram com nosso trabalho, vamos voltar à caça do vestido.
- ÓTIMA ideia! – Tenten exclamou, avançando para uma arara com muitos vestidos vermelhos.
Meia hora depois, as quatro já haviam decidido.
Tenten escolheu um vestido vermelho-sangue, armado e rodado. Ele possuía uma única alça, mas essa era feita de renda preta, bordada de maneira que formasse várias rosas. A barra do vestido também possuía esse bordado. Luvas pretas até a altura dos cotovelos e sandálias douradas completavam o conjunto, combinando perfeitamente com os rubis que a Mitsashi usaria no baile.
Sakura optou por um modelo mais simples, porém não menos bonito. Seu vestido era sem alças, de cetim branco, rodado e armado. O decote do busto, a marca da cintura e a barra do vestido estavam enfeitados com uma faixa verde clara, decorada com pequenas esmeraldas que formavam desenhos de flores, o que combinava com as jóias que Hinata escolhera para ela. Por fim, a Haruno encontrou luvas brancas que cobriam apenas suas mãos e sandálias prateadas.
Hinata, por sua vez, usaria um vestido azul-marinho, de alças caídas, também rodado e armado. Ele possuía um decote de coração no busto, sendo a parte de cima do vestido cravejada de pedrinhas. Da cintura para baixo, o vestido era todo em pregas, também enfeitado com pequenas pedras brilhantes. Para completar, a Hyuuga usaria luvas brancas à altura dos cotovelos e sandálias prateadas, além dos brincos e do colar de diamantes.
O vestido de Hanabi era semelhante ao de Hinata, mas as alças eram grossas e pegavam nos ombros. A mais nova estava satisfeita com sua escolha, mas o vestido precisava de alguns ajustes na borda da saia, então Hanabi foi imediatamente procurar uma costureira.
Mal a Hyuuga mais nova havia saído do closet, o celular de Sakura começou a apitar, indicando que havia recebido uma mensagem. A Haruno leu rapidamente o conteúdo e seu rosto carregou-se de curiosidade.
- Por que você tá vermelha? – Tenten perguntou para a amiga – De quem era a mensagem? – e antes mesmo que Sakura pudesse responder, a Mitsashi avançou no celular da Haruno e procurou a mensagem que a mesma acabara de receber
- Mal educada – Sakura resmungou
- Nooooooooossaaaaaaa! – exclamou Tenten! – Não acreditoooo!
- Que foi meninas? – Hinata perguntou – De quem era a mensagem, Tenten?
- Lembra aquele gatíssimo que a Sakura conheceu na prova de xadrez do Festival? Olha o que ele acabou de mandar para esta senhorita de cabelos rosados que está com a expressão mais retardada do mundo no momento: "Olá Sakura! Como tem passado? Achou que esqueci você? Não... Eu não poderia. Você também lembra de mim, certo? Mal posso esperar para revê-la. Vejo você no baile hoje à noite. Logan Green." AAAAAAAAAH! Não é TUDO?
- Que gracinha, Sakura! – Hinata sorriu para a amiga – Ele deve ter gostado mesmo de você, hein?
- Sua cachorra! – Tenten apontou um dedo acusador para a amiga – Você nem me disse que vocês trocaram os números de celular!
- Eu não contei porque achei sem importância! – Sakura defendeu-se, perplexa – Estou tão surpresa quanto você com essa mensagem! Logan não falou mais comigo depois daquele dia... E eu é que não ia ligar pra ele! Ele lembrou mesmo de mim...
- O que será que ele quis dizer com "vejo você no baile hoje à noite"? – a Mitsashi franziu o cenho, refletindo
- Talvez, que ele vem ao baile hoje à noite, dã?
- Eu sei disso, sua debochada – Tenten fez língua para Sakura – Mas... Ele é convidado? Hinata, quem seu pai costuma chamar para os bailes?
- Geralmente, as famílias mais tradicionais de Konoha – a Hyuuga respondeu – Até a sexta geração, no máximo. São muitas famílias, sabem... A princípio, não me recordo de nenhuma família Green dentre as mais tradicionais, mas nós temos um controle de quem pode entrar no baile. É computadorizado, e os seguranças e criados já têm. A Scotland Yard recomendou o máximo de cuidado possível.
- É, conhecemos muito bem o motivo – disse Tenten, sua expressão ficando ligeiramente séria
- Estou intrigada... – Sakura falou – Se a família de Logan não for convidada, como ele vai entrar no baile? Ele não me mandaria a mensagem se não tivesse um meio de entrar no castelo.
- Aaaaai! Já imaginou que romântico se o gatinho tenta pular o muro só pra ver você, Sakura? Ou se ele enfrenta os seguranças, chamando apaixonadamente o seu nome?
- Ai Tenten! Você viaja demais! – Sakura riu, acompanhada por Hinata
- Vamos meninas – chamou a Hyuuga – Agora que já escolhemos nossos vestidos, vamos dar uma olhada na decoração do castelo e procurar a família de Logan na lista de convidados.
- Excelente! – Tenten exclamou e olhou para Sakura, maliciosa – Mas de uma coisa eu tenho certeza, minha amiga. Convidado ou não, o gatinho vai estar aqui, de qualquer jeito. E se eu fosse você, não desperdiçaria uma chance com ele nem pelas esmeraldas que você vai usar!
E as três deixaram o closet gargalhando, cada uma empolgada à sua maneira com o baile que começaria dentro de algumas horas.
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GEENNNTEEEE!
RECADO RAPIDINHO!
Decidimos atualizar de última hora! Esse cap que vocês leram está pronto há meses, acreditem! Nós vínhamos atualizando ele aos poucos, mas ele já tinha 31 páginas no Word! Vocês cansariam de ler na certa! Então decidimos repartir... O baile AINDA é só no próximo, mas estamos caprichando!
Valeu pelo apoio, pelas reviews, pela espera, pela paciência de SEMPRE! Vocês são leitoras de verdade viu? Companheiras mesmo! Prometemos tentar postar o baile antes do Natal! OBRIGADA PELAS REVIEWS! Vamos tentar responder a todas no próximo cap!
AMAMOS VCS!
Beijos apressados!
Irmãs Uchiha!
n.n
