Beijos:
Daaf-chan
Lust_Lotus
Debs-Chan
ACDY-CHAN
Rukia-hime
Capítulo 08
Em sua ampla residência cor creme e branco, Sarah não se sentia segura de si mesma.
Sendo a shellan do Sesshoumaru, podia sentir sua dor, e por sua força sabia que certamente tinha perdido a outro de seus irmãos guerreiros.
Se tivessem uma relação normal, não o duvidaria: correria para ele e trataria de aliviar seu sofrimento. Falaria com ele, abraçaria, choraria a seu lado. Ofereceria a calidez de seu corpo.
Porque isso era o que as shellans passavam por seus companheiros. E o que recebiam em troca também. Deu uma olhada no relógio Tiffany de sua mesinha de cabeceira. Logo se perderia na noite. Se quisesse alcançá-lo teria que fazê-lo agora.
Sarah duvidou, não queria enganar-se. Não seria bem vinda. Desejou que fosse mais fácil apoiá-lo, desejou saber o que ele necessitava dela. Uma vez, fazia muito tempo, tinha falado com o Ayame, a shellan do irmão Kouga, com a esperança de que pudesse lhe oferecer algum conselho sobre como agir e comportar-se, como conseguir que Sesshoumaru a considerasse digna dele.
Depois de tudo, Ayame tinha o que Sarah queria: um verdadeiro companheiro. Um macho que retornava para casa com ela, que ria, chorava e compartilhava sua vida, que a abraçava. Um macho que permanecia a seu lado durante as tortuosas, e felizmente escassas, ocasiões em que era fértil, que aliviava com seu corpo seus terríveis desejos durante o tempo que durava o período de necessidade.
Sesshoumaru não fazia nada disso por ela, ou com ela. E nesse estado de coisas, Sarah tinha que ir a seu irmão em busca de alívio a suas necessidades. Shippo apaziguava suas ânsias, tranquilizando-a até que passavam aqueles desejos. Semelhante prática os envergonhava a ambos.
Tinha esperado que Ayame pudesse ajudá-la, mas a conversa tinha sido um desastre. Os olhares de compaixão da outra fêmea E suas réplicas cuidadosamente meditadas tinham desgastado a ambas, acentuando tudo o que Sarah não possuía. Deus, como estava só.
Fechou os olhos, e sentiu novamente a dor de Sesshoumaru. Tinha que tentar chegar a ele, porque estava ferido. E além disso, o que restava na vida além dele?
Percebeu que Sesshoumaru se encontrava na mansão do Suikotsu. Inspirando profundamente, se desmaterializou.
Sesshoumaru afrouxou lentamente os joelhos e se ergueu, escutando como voltavam as vértebras a sua posição com um rangido. Tirou os diamantes de seus joelhos.
Bateram à porta e ele permitiu que esta se abrisse, pensando que era Jaken.
Quando cheirou a oceano, apertou os lábios.
— O que a traz aqui, Sarah? — disse sem virar-se para olhá-la. Foi até o banho e se cobriu com uma toalha.
— Me deixe lavá-lo, meu senhor — murmurou ela. — Eu cuidarei de suas feridas. Posso...
— Assim estou, bem.
Sarava rápido. Quando finalizasse a noite seus cortes mal se notariam.
Sesshoumaru se dirigiu ao armário e examinou sua roupa. Tirou uma camisa negra de manga larga, umas calças de couro d... Por Deus, o que era isso? Ah, não, nem de brincadeira. Não ia lutar com aquela cueca. Por nada do mundo o surpreenderiam morto com um objeto como aquele.
A primeira coisa que tinha que fazer era estabelecer contato com a filha de Suikotsu. Sabia que seu estava se esgotando, porque sua transição estava próxima. E depois tinha que comunicar-se com Mirok e Bankotsu para saber o que tinham averiguado dos restos do lesser morto.
Estava a ponto de deixar cair a toalha para vestir-se, quando percebeu que Sarah ainda estava na residência. Olhou-a.
— Vá para casa, Sarah — disse.
Ela baixou a cabeça.
— Meu senhor, posso sentir sua dor...
— Estou perfeitamente bem.
Ela duvidou um momento. Logo desapareceu em silêncio. Dez minutos depois, Sesshoumaru subiu ao salão.
— Jaken? — chamou em voz alta.
— Sim, amo? — O mordomo parecia grato que o chamasse.
— Tem à mão cigarros vermelhos?
— É obvio.
Jaken atravessou a residência trazendo uma antiga caixa de mogno. Apresentou-lhe o conteúdo inclinando-a com a tampa aberta. Sesshoumaru pegou um par daqueles cigarros feitos à mão.
— Se gostar, conseguirei mais.
— Não se incomode. Serão suficientes. — Sesshoumaru não gostava de drogar-se, mas aquela noite queria dar conta desses dois charutos.
— Deseja comer algo antes de sair?
Sesshoumaru negou com a cabeça.
— Talvez quando voltar? — A voz do Jaken foi se apagando à medida que fechava a caixa.
Sesshoumaru estava a ponto de fazer calar ao velho macho quando pensou no Suikotsu. S teria tratado melhor ao Jaken.
— Está bem. Sim. Obrigado.
O mordomo ergueu os ombros com satisfação. Por Deus, parece estar sorrindo, pensou Sesshoumaru.
— Prepararei cordeiro, amo. Como prefere a carne?
— Quase crua.
— E lavarei sua roupa. Devo providenciar também roupa nova de couro?
— Não me... — Sesshoumaru fechou a boca
— Claro. Seria magnífico. E, ah, pode me conseguir umas cuecas boxer? Pretas, XXL.
— Será um prazer.
Sesshoumaru deu a volta e se dirigiu à porta.
Como diabos tinha acabado de repente tendo um servente?
— Amo?
— Sim?, — grunhiu.
— Tenha muito cuidado aí fora.
Sesshoumaru se deteve e olhou por cima de seu ombro. Jaken parecia embalar a caixa contra seu peito.
Era tremendamente estranho ter alguém esperando-o ao voltar para casa.
Saiu da mansão e caminhou pelo longo caminho da entrada até a rua. Um relâmpago cintilou no céu, antecipando a tormenta que podia cheirar formando-se ao sul.
Onde diabos estaria a filha de Suikotsu nesse momento? Tentaria primeiro no apartamento.
Sesshoumaru se materializou no pátio traseiro da casa, olhou pela janela e devolveu o ronrono de boas vindas ao gato com um som próprio. Ela não estava no interior, de modo que Sesshoumaru se sentou frente a mesa de picnic. Esperaria uma hora mais ou menos. Logo teria que ir ao encontro dos irmãos. Podia voltar pelo final da noite, embora considerasse como tinham saído as coisas na primeira vez que a tinha visitado, imaginava que despertá-la às quatro da manhã não seria o mais inteligente.
Tirou os óculos de sol e esfregou a ponta do nariz. Como ia explicar-lhe o que ia acontecer e o que ela teria que fazer para sobreviver à mudança?
Teve o pressentimento de que não se mostraria muito feliz escutando o boletim de notícias.
Sesshoumaru lembrou-se de sua própria transição. O caos que se formou então. A ele tampouco tinham preparado, porque seus pais sempre quiseram protegê-lo, mas morreram antes de lhe dizer o que ia acontecer .
As lembranças voltaram para sua mente com terrível clareza. No final do século XVII, Londres era um lugar brutal, especialmente para alguém que estava só no mundo. Seus pais tinham sido assassinados ante seus olhos dois anos antes, e ele tinha fugido dos de sua espécie, pensando que sua covardia naquela espantosa noite era uma vergonha que devia suportar em solidão.
Enquanto na sociedade dos vampiros tinha sido alimentado e protegido como o futuro rei, tinha descoberto que no mundo dos humanos o que mais se tinha em conta era, principalmente, a força física. Para alguém da compleição que ele tinha antes de passar por sua mudança, isso significava permanecer no último escalão da escala social. Era tremendamente magro, esquelético, frágil e presa fácil para os meninos humanos em busca de diversão. Durante sua permanência nos subúrbios de Londres, tinham-no golpeado tantas vezes que se acostumou a que algumas parte de seu corpo não funcionassem bem. Para ele era habitual não poder dobrar uma perna porque tinham apedrejado seu joelho, ou ter um braço inutilizado porque tinham deslocado o ombro ao arrastá-lo atado a um cavalo.
Alimentou-se do lixo, sobrevivendo à beira da inanição, até que, finalmente, encontrou trabalho como servente no estábulo de um comerciante. Sesshoumaru limpou ferraduras, cadeiras de montar e bridas até sangrar a pele das mãos, mas pelo menos podia comer. Seu leito se encontrava entre a palha da parte superior do celeiro. Aquilo era mais fofo que o duro chão ao qual estava acostumado, embora nunca soubesse quando despertaria com um chute nas costelas porque algum cavalariço queria deitar-se com uma ou duas donzelas.
Naquele tempo, ainda podia estar sob a luz solar, e o amanhecer era a única coisa de sua miserável existência ansiava. Sentir o calor no rosto, inalar a doce bruma, deleitar-se com a luz; aqueles prazeres eram os únicos que havia possuído, e os tinha em grande estima. Sua vista, debilitada desde seu nascimento, já era ruim naquela época, mas bastante melhor que agora. Ainda recordava com penosa clareza como era o sol.
Tinha estado a serviço do comerciante durante quase um ano, até que todo seu mundo mudou de repente.
A noite em que sofreu a transformação, jogou-se em seu leito de palha, completamente esgotado. Nos dias anteriores, havia se sentido mal e havia custado muito fazer seu trabalho, embora aquilo não fosse uma novidade.
A dor, quando chegou, atormentou seu frágil corpo, começando pelo abdômen e estendendo-se para os extremos, chegando à ponta dos dedos das mãos, dos pés, e ao final de cada fio de seus cabelos. A dor não era nem remotamente similar a qualquer das fraturas, contusões, feridas ou surras que tinha recebido até aquele momento. Dobrou-se e encolheu-se, com os olhos quase saindo das órbitas em meio da agonia e a respiração entrecortada. Estava convencido de que ia morrer e rezou para mergulhar o quanto antes na escuridão. Só queria um pouco de paz e que finalizasse aquele horrível sofrimento.
Então uma formosa e esbelta loira apareceu para ele. Era um anjo enviado para levá-lo a outro mundo. Nunca duvidou.
Como o patético miserável que era, suplicou-lhe clemência. Estendeu a mão para a aparição, e quando a tocou soube que o fim estava perto. Ao ouvir que pronunciava seu nome, ele tratou de sorrir como amostra de gratidão, mas não pôde articular palavra. Ela contou que era a pessoa de quem tinha sido noiva, a que tinha bebido um gole de seu sangue quando era um criança para assim saber onde encontrá-lo quando se apresentasse sua transição. Disse que estava ali para salvá-lo.
E logo Sarah abriu o punho com suas próprias presas e levou a ferida a sua boca.
Bebeu desesperadamente, mas a dor não cessou. Só ficou diferente. Sentiu que suas articulações se deformavam e seus ossos se deslocavam com uma horrível sucessão de estalos. Seus músculos se retesaram e logo se rasgaram, e teve a sensação de que seu crânio ia explodir. À medida que seus olhos aumentavam, sua vista ia se debilitando, até que só ficou o sentido do ouvido.
Sua respiração áspera e gutural feriu sua garganta enquanto tentava aguentar. Em algum momento desmaiou, finalmente, só para despertar em uma nova agonia. A luz solar que tanto amava se filtrava através das ranhuras das pranchas do celeiro em pálidos raios dourados. Um daqueles raios lhe tocou em um ombro, e o aroma de carne queimada o aterrorizou, retirou-se dali, olhando ao seu redor preso do pânico. Não podia ver nada salvo sombras imprecisas. Cegado pela luz, tratou de levantar-se, mas caiu de barriga para baixo sobre a palha. Seu corpo não lhe respondia. Teve que tentar duas vezes antes de poder conseguir afirmar-se sobre seus pés, cambaleando como um potro.
Sabia que precisava proteger-se da luz do dia, e se arrastou até onde pensou que devia estar a escada. Mas calculou mal e caiu do palheiro. Em meio de seu atordoamento, acreditou poder chegar ao silo para o grão. Se conseguisse descer até ali, encontrar-se-ia rodeado pela escuridão.
Foi medindo com os braços por todo o celeiro, chocando-se contra as caixas e tropeçando com as ferramentas agrícolas, tratando de permanecer longe da luz e controlar ao mesmo tempo suas ingovernáveis extremidades. Quando se aproximava da parte traseira do celeiro, bateu a cabeça contra uma viga sob a qual sempre tinha passado facilmente. O sangue lhe cobriu os olhos.
Instantes depois, um dos cavalariço entrou, e não o reconhecendo, exigiu saber quem era. Sesshoumaru girou a cabeça em direção à voz familiar, procurando ajuda. Estendeu as mãos e começou a falar, mas sua voz não soou como sempre.
Logo escutou o som de uma forquilha aproximando-se pelo ar em feroz ataque. Sua intenção era desviar o golpe, mas quando segurou a manga e deu um empurrão, enviou o cavalariço contra a porta de um dos estábulos. O homem soltou um grito de espanto e escapou correndo, certamente em busca de reforços.
Sesshoumaru encontrou finalmente o porão. Tirou dali dois enormes sacos de aveia e os colocou junto à porta para que ninguém pudesse entrar durante o dia. Exausto, dolorido, com o sangue escorrendo pelo rosto, arrastou-se dentro e apoiou as costas nua contra o muro. Dobrou os joelhos até o peito, consciente de que suas coxas eram quatro vezes maiores que no dia anterior. Fechando os olhos, reclinou a bochecha sobre os antebraços e tremeu, lutando para não desonrar-se chorando. Esteve acordado todo o dia, escutando os passos sobre sua cabeça, os coices dos cavalos, o monótono zumbido dos bate-papos. Aterrorizava-o pensar que alguém abrisse a porta e o descobrisse. Alegrou-se que Sarah se foi e não estava exposta à ameaça procedente dos humanos.
Retornando ao presente, Sesshoumaru escutou à filha do Suikotsu entrar no apartamento. Acendeu-se uma luz.
Rin jogou as chaves sobre a mesa do corredor. O rápido jantar com El Duro havia resultado surpreendentemente fácil. Ele tinha subministrado alguns detalhes sobre a bomba. Tinham achado uma Magnum manipulada no beco. Kohako tinha mencionado também a estrela de arremesso de artes marciais que ela tinha descoberto no chão. A equipe do CSI estava trabalhando nas armas, tentando obter rastros, fibras ou qualquer outra prova. A pistola não parecia oferecer muito, mas a estrela tinha sangue, que estavam submetendo a análise de DNA. Quanto à bomba, a polícia pensava que se tratava de um atentado relacionado com drogas. O BMW tinha sido visto antes, estacionado no mesmo lugar atrás do clube. E Screamer's era um lugar ideal para os traficantes, muito exclusivos com respeito a seus territórios.
Esticou-se e colocou umas calças curtas. Era outra dessas noites calorosas, e enquanto abria o sofá, desejou que o ar condicionado ainda funcionasse. Ligou o ventilador e deu de comer ao Boo, que, após deixar vazia sua tigela, reatou seu ir e vir ante a porta de correr.
— Não vamos começar de novo, ou sim?
Um relâmpago resplandeceu no céu. aproximou-se da porta de vidro e a deslizou um pouco para trás, bloqueando-a. Deixaria aberta só um momento. Por uma vez, o ar noturno cheirava bem. Nem um pouco a lixo.
Mas, Por Deus, fazia um calor insuportável.
Inclinou-se sobre o lavabo do banheiro, depois de tirar as lentes de contato, escovar os dentes e lavar o rosto, encharcou uma toalha em água fria e esfregou a nuca. Uns fiozinhos de água desceram por sua pele, e ela recebeu com prazer os calafrios ao voltar a sair.
Franziu o cenho. Um aroma muito estranho flutuava no ambiente. Algo exuberante e picante...
Encaminhou-se para a porta do pátio e farejou um par de vezes. Ao inalar, sentiu que se aliviava a tensão de seus ombros. E logo viu que Boo se sentou escondido e ronronava como se estivesse dando a boas vindas a alguém conhecido.
— Que diab...?
O homem que tinha visto em seus sonhos estava do outro lado do pátio.
Rin deu um salto atrás e deixou cair a toalha úmida; escutou fracamente o som surdo quando chegou ao chão.
A porta deslizou para trás, ficando aberta por completo, apesar de que ela a tinha bloqueado.
E aquele maravilhoso aroma se fez mais evidente quando ele entrou em sua casa.
Sentiu pânico, mas descobriu que não podia mover-se.
Por todos os Santos, aquele desconhecido era colossal. Se seu apartamento era pequeno, com sua presença pareceu reduzi-lo ao tamanho de uma caixa de sapatos. E o traje de couro negro contribuía para fazê-lo maior. Devia medir pelo menos dois metros. Um minuto...
O que estava fazendo? Tomando as medidas para fazer um traje?
Teria que estar saindo a toda pressa. Deveria estar tratando de chegar à outra porta, correndo como alma que leva o diabo.
Mas estava como hipnotizada, olhando-o.
Usava um casaco apesar do calor, e suas longas pernas também estavam cobertas de couro. Usava pesadas botas com ponteira de aço, e se movia como um predador.
Rin esticou o pescoço para ver seu rosto.
Tinha o queixo proeminente e forte, lábios grossos, maçãs do rosto marcados. O cabelo, escorrido e prateado, caía-lhe até as costas, e em seu rosto se apreciava a sombra de uma incipiente barba. Os óculos de sol negros que usava, curvados nos extremos, ajustavam-se perfeitamente a seu rosto e lhe conferiam um aspecto de capanga.
Como se a aparência ameaçadora não fosse suficiente para fazê-lo parecer um assassino.
Fumava um charuto fino e avermelhado, no qual deu uma longa tragada fazendo brilhar o extremo com um resplendor alaranjado. Exalou uma nuvem dessa fumaça fragrante, e quando esta chegou ao nariz de Rin, seu corpo se relaxou ainda mais.
Pensou que certamente vinha para matá-la. Não sabia o que tinha feito para merecer aquele ataque, mas quando ele soltou outra baforada daquele estranho charuto, quase não pôde recordar onde estava. Seu corpo se sacudia enquanto ele diminuía a distância entre ambos. Aterrorizava-lhe o que aconteceria quando estivesse junto a ela, mas notou, absurdamente, que Boo ronronava e se esfregava contra os tornozelos do estranho.
Aquele gato era um traidor. Se por algum milagre sobreviesse àquela noite, o obrigaria a comer vísceras.
Rin jogou o pescoço para trás quando seus olhos se encontraram com o feroz olhar do homem. Não podia ver a cor de seus olhos através dos óculos, mas seu olhar fixo queimava.
Logo, aconteceu algo extraordinário. Ao deter-se frente a ela, a jovem sentiu uma rajada de pura e autêntica luxúria. Pela primeira vez em sua vida, seu corpo ficou lascivamente quente. Quente e úmido.
Seus clitóris ardia por ele.
Química, pensou aturdida. Química pura, crua, animal. Qualquer coisa que ele tivesse, ela o queria.
— Pensei que podíamos tentar de novo — disse ele.
Sua voz era grave, um profundo retumbar em seu sólido peito. Tinha um ligeiro acento, mas não pôde identificá-lo.
— Quem é você? — disse em um sussurro.
— Vim para buscá-la.
A tontura a obrigou a apoiar-se na parede.
— A mim? Aonde... — A confusão a obrigou a calar-se.
— Aonde me levará?
À ponte? Para jogar seu corpo ao rio?
A mão do Sesshoumaru se aproximou do rosto dela, e tomou o queixo entre o índice e o polegar, fazendo-a girar a cabeça para um lado.
— Matar-me-á rápido? — resmungou ela — Ou lentamente?
— Matar não. Proteger.
Quando ele baixou a cabeça, ela tratou de conscientizar-se de que devia reagir e lutar contra aquele homem apesar de suas palavras. Precisava colocar em funcionamento seus braços e suas pernas. O problema era que, na realidade, não desejava empurrá-lo para longe dela. Inspirou profundamente.
Santo Deus, cheirava estupendamente. A suor fresco e limpo. Um almíscar escuro e masculino. Aquela fumaça...
Os lábios dele tocaram seu pescoço. Deu-lhe a sensação de que a cheirava. O couro de seu casaco rangeu ao encher de ar seus pulmões e expandir seu peito.
— Está quase preparada — disse em silêncio.
— Não temos muito tempo.
Se referia-se a que tinham que despir-se, ela estava completamente de acordo com o plano. Por Deus, aquilo devia ser o que uma pessoa se referia quando ficava poética com o sexo. Não questionava a necessidade de tê-lo dentro dela, unicamente sabia que morreria se ele não tirasse as calças. Já.
Rin estendeu as mãos, ansiosa por tocá-lo, mas quando se afastou da parede começou a cair. Com um único movimento, ele colocou o cigarro entre seus cruéis lábios e ao mesmo tempo a segurou com grande facilidade. Enquanto a levantava entre seus braços, ela se apoiou nele, sem incomodar-se nem sequer em fingir certa resistência. Levou-a como se não pesasse, cruzando a residência com grande rapidez.
Quando a recostou sobre o sofá, seu cabelo caiu para frente, e ela levantou a mão para tocar as prateadas ondas. Eram grossas e suaves. Passou-lhe a mão pelo rosto, e embora ele pareceu surpreender-se, não a retirou.
Por Deus, tudo nele irradiava sexo, da fortaleza de seu corpo até a forma como se movia e o aroma de sua pele. Nunca tinha visto um homem semelhante. E seu corpo era tão bom como sua mente.
— Me beije — disse ela.
Ele se inclinou sobre ela, como uma silenciosa ameaça. Seguindo um impulso, as mãos de Rin agarraram as lapelas do casaco do vampiro, puxando-o para aproximá-lo de sua boca.
Ele segurou ambos os punhos com uma só mão.
— Calma.
Calma? Não queria calma. A calma não era parte do plano.
Lutou para soltar-se, e não conseguindo arqueou as costas. Seus seios retesaram a camiseta, e esfregou uma coxa contra a outra, prevendo o que sentiria se o tivesse entre eles.
Se colocasse suas mãos sobre ela...
— Por todos os Santos — murmurou ele.
Ela sorriu, deleitando-se com o súbito desejo de seu rosto.
— Me toque.
O estranho começou a sacudir a cabeça, como se quisesse despertar de um sonho.
Ela abriu os lábios, gemendo de frustração.
— Suba a camiseta. — arqueou-se de novo, oferecendo seu corpo, desejando saber se havia algo mais quente em seu interior, algo que ele pudesse extrair com as mãos
— Faça-o.
Ele jogou o cigarro da boca. Suas sobrancelhas se juntaram, e ela teve a vaga impressão de que deveria estar aterrorizada. Em lugar disso, ergueu os joelhos e levantou os quadris do sofá. Imaginou que ele beijava o interior das coxas e procurava seu sexo com a boca. Lambendo-a.
Outro gemido saiu de sua boca. Sesshoumaru estava mudo de assombro.
E não era do tipo de vampiros que ficam estupefatos frequentemente.
Céus.
Aquela mestiça humana era a coisa mais sensual que teve perto em sua vida. E tinha apagado uma ou duas fogueiras em algum tempo.
Era a fumaça vermelha. Tinha que ser isso. E devia estar afetando a ele também, porque estava mais que disposto a tomar à fêmea.
Olhou o cigarro.
Bem, um raciocínio muito profundo, pensou. O mau era que aquela maldita substância era relaxante, não afrodisíaca.
Ela gemeu outra vez, ondulando seu corpo em uma sensual onda, com as pernas completamente abertas. O aroma de sua excitação chegou tão forte como um disparo. Por Deus, ele teria caído de joelhos se não estivesse sentado.
— Me toque — suspirou.
O sangue de Sesshoumaru batia como se estivesse correndo desbocado e sua ereção palpitava como se tivesse um coração próprio. — Não estou aqui para isso — disse.
— Me toque assim mesmo.
Ele sabia que devia negar-se. Era injusto para ela. E tinham que falar.
Talvez devesse retornar mais tarde.
Ela se arqueou, pressionando seu corpo contra a mão com que ele segurava os punhos. Quando seus seios retesaram a camiseta, ele teve que fechar os olhos.
Era hora de ir-se. Na verdade era hora de...
Mas não podia ir sem saborear ao menos algo.
Sim, mas seria um bastardo egoísta se lhe colocasse um dedo em cima. Um maldito bastardo egoísta se tomava algo que ela estava oferecendo sob os efeitos da fumaça.
Com uma maldição, Sesshoumaru abriu os olhos.
Por Deus, estava muito frio. Frio até a medula. E ela quente. O suficiente para derreter esse gelo, ao menos durante um momento.
E tinha passado tanto tempo...
O vampiro baixou as luzes da residência. Logo usou a mente para fechar a porta do pátio, colocar o gato no banheiro e correr todos os ferrolhos do apartamento.
Apoiou cuidadosamente o cigarro sobre o borda da mesa junto a eles e soltou os punhos. As mãos dela agarraram seu casaco, tentando segurá-lo pelos ombros. Ele tirou o objeto de um puxão, e quando jogou ao chão com um som surdo, ela riu com satisfação. Seguiu-se a capa das adagas, mas a manteve ao alcance da mão.
Sesshoumaru se inclinou sobre ela. Sentiu seu fôlego doce e mentolado quando posou a boca sobre seus lábios. Ao sentir que ela estremecia de dor, retirou-se imediatamente. Franzindo o cenho, tocou-lhe o borda da boca.
— Esquece — disse ela, agarrando seus ombros.
É obvio que não o esqueceria. Que Deus ajudasse a aquele humano que a tinha ferido. Sesshoumaru ia arrancar-lhe cada um de seus membros e o deixaria na rua sangrando.
Beijou suavemente o machucado em processo de cura, e logo desceu com a língua até o pescoço. Esta vez, quando ela empurrou os seios para cima, ele deslizou uma mão sob a fina camiseta e percorreu a suave e cálida pele. Seu ventre era plano, e deslizou sobre ele a palma da mão, sentindo o espaço entre os ossos dos quadris.
Ansioso por conhecer o resto, tirou-lhe o objeto e a jogou em um lado. Seu sutiã era de cor clara, e ele percorreu os bordas com a ponta dos dedos antes de acariciar com as palmas seu seios, que cobriu com as mãos, sentindo as duras pontas de seus mamilos sob o suave cetim.
Sesshoumaru perdeu o controle.
Deixou as presas a descoberto, emitiu um murmúrio e mordeu o fechamento frontal do sutiã. O mecanismo se abriu de repente. Beijou um de seus mamilos, colocando-o na boca. Enquanto sugava, deslocou o corpo e o estendeu sobre ela, caindo entre suas pernas. Ela acolheu seu peso com um suspiro gutural. As mãos de Rin se interpuseram entre ambos quando ela quis lhe desabotoar a camisa, mas ele não teve paciência suficiente para que o despisse. Ergueu-se — puxou a roupa para tirar fazendo saltar os botões e enviando-os pelos ares. Quando se inclinou de novo, seus seios roçaram o peito de rocha e seu corpo estremeceu sob ele.
Queria beijá-la outra vez na boca, mas estava além da delicadeza e a sutileza, assim rendeu culto aos seios com a língua e logo mudou para seu ventre. Quando chegou à calcinha da garota, deslizou-a pelas longas e suaves pernas.
Sesshoumaru sentiu que algo lhe explodia na cabeça quando seu aroma chegou em uma fresca onda. Já se encontrava perigosamente perto do orgasmo, com seu membro preparado para explodir e o corpo tremendo pela urgência de possuí-la. Levou a mão a suas coxas. Estava tão úmida que rugiu.
Embora estivesse tremendamente ansioso, tinha que saboreá-la antes de penetrá-la.
Tirou os óculos e as colocou junto ao cigarro antes de encher de beijos seus quadris e coxas. Rin lhe acariciou o cabelo com as mãos enquanto o apressava para que chegasse a seu destino.
Beijou-lhe a pele mais delicada, atraindo o clitóris para sua boca, e ela alcançou o êxtase uma e outra vez até que Sesshoumaru não pôde conter suas próprias necessidades. Retrocedeu, apressou-se a tirar as calças e a cobri-la com seu corpo uma vez mais.
Ela colocou as pernas ao redor de seus quadris, e ele murmurou quando sentiu como seu calor lhe queimava o membro. Utilizou as poucas forças que restavam para deter-se e olhá-la no rosto.
— Não pare — sussurrou ela. — Quero sentir você dentro de mim.
Sesshoumaru deixou cair a cabeça dentro da depressão de seu pescoço. Lentamente, jogou para trás o quadril. A ponta de seu pênis deslizou até a posição correta ajustando-se a ela com perfeição, penetrando-a com um poderoso arremesso. Soltou um bramido de êxtase.
O paraíso. Agora sabia como era o paraíso.
