Aos poucos os capítulos daqui vão saindo, é só ter fé no Senhor do Bonfim ou na Fada dos Dentes que tudo se resolve.

Meu Word deu pau aqui e não tive tempo para mandar alguém betar, por isso não me olhem torto se tiver algum erro muito tosco. Eu tentei ao máximo escrever tudo correto, mas... Vocês entendem.

Have fun and show me the love

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Soundtrack do capítulo: link no profile


Click, Click, Click, Click - Bishop Allen

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Apartamento dos Swan, UES, Manhattan

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Todas as manhãs a empregada colocava a mesa do café da manhã completa para os jovens Swans comerem algo antes de irem para a escola, mas raramente Bella e Jacob tinham tempo para sentar e comer. Acordavam atrasados, correndo para se arrumarem e não perderem o primeiro tempo na escola, quase sempre recorriam a um café da Starbucks no caminho como desjejum e comiam uma refeição mais completa no almoço. Quando conseguiam comer já que às vezes Bella estava tão enjoada por conta da cocaína e de uma ressaca que comia apenas um yoggo natural ou uma salada de frutas.

Aquela manhã foi uma das exceções em que Jacob e Bella sentaram-se à mesa para comer algo antes da aula. Havia uma vasta opção de desjejum e a garota encheu seu pote de iogurte natural com alguns mirtilos como costumava fazer todas as manhãs antes de... Bem, antes de tudo. O irmão se juntou a ela poucos minutos depois e estranho ao vê-la comendo algo além de café nas primeiras horas do dia já que estava acostumado com a nova Bella vomitando de ressaca, vivendo de café e emagrecendo muito a olho visto, mas não fez nenhum comentário. Jogou a mochila e o casaco na cadeira ao seu lado e sentou.

- Bom dia. - ele murmurou pegando a jarra de café para se servir.

- Bom dia... - Bella retrucou sem encará-lo e enfiando a colher no iogurte para amassar as frutas.

Um pequeno momento de silêncio se instalou entre os dois enquanto eles comiam. Bella não tinha nada a contar ao irmão que não terminasse em um sermão e acusações, pois sua vida ultimamente se resumia em levar bomba na escola, encher a cara para esquecer os problemas e dormir bêbada após cumprir bem essa função. Sabia que Jacob desconfiava sobre suas noitadas, porém ele não comentava sobre suas conclusões e assim a paz continuava reinando naquela família desestruturada.

- Fui visitar mamãe ontem. - Jacob disse após um tempo.

- Por quê? - Bella perguntou rapidamente. - Quer dizer, você não tinha que pedir minha permissão para isso? Eu sou sua responsável...

- Relaxe, você não ficará encrencada. E eu já tinha ido visitá-la outra vez desde que se internou nessa clínica.

- E como ela está? Bem, eu espero. Porque os 10 mil dólares mensais para mantê-la lá têm que ser para um tratamento excelente...

- Pra você é só dinheiro, não é? - Jacob disse irritado e largando a xícara sobre a mesa. - Você não se preocupa com a saúde dela, se ela está bem dessa vez. Só quer saber se sua maldita conta bancária ainda poderá custear suas baladas idiotas.

- Você sabe que o problema não é esse! - Bella gritou em resposta e ficando de pé. - Como você consegue acreditar que essa vez dará certo? Que não será como as outras zilhões de vezes que ela se internou e voltou a beber assim que deixou a porra da clínica?

- Ela quer sair dessa, Bella. Ela me prometeu que ficará limpa dessa vez.

- Tá certo... E eu sou a fada dos dentes, Jacob. Mamãe vai continuar se fudendo em bebida enquanto tiver a chance e nós vamos sofrer as consequências dessa maternidade irresponsável.

- Pelo jeito você já está bancando a filhinha revoltada cheia de traumas, não é? - o garoto cuspiu a verdade entre os dentes.

- O que você está sugerindo?

- Você sabe muito bem...

Jacob perdeu a fome e a paciência com aquela conversa que não deu em nada e agarrou suas coisas na cadeira para deixar aquele apartamento envenenado. Não tinha mais como manter uma conversa civilizada com a irmã, mas ao mesmo tempo não tinha coragem de fazer uma intervenção. Seria simples, apenas um telefonema ao Juizado de Menores para contar como a pessoa responsável por ele estava perdida em festas e drogas para Bella perder sua guarda, todos os direitos que tinha e pagar por aqueles erros, contudo, não seria tão miserável assim para denunciar a própria irmã. Por mais que quisesse colocar um ponto final naquela fase em que Bella estava passando ainda assim ela era sua irmã mais velha, a pessoa que mais confiava naquele mundo apesar de tudo. Era só uma fase, assim ele desejava todos os dias, mas naquela manhã seu maior desejo era esganar Bella por aquela atitude.

Ele não sabia e não ficou tempo suficiente em sua presença para perceber, mas Bella estava arrependida do que disse sobre a mãe. Por mais que René tivesse errado muito em sua vida e afetado o desenvolvimento dos filhos, eles não podiam perder a esperança tão facilmente daquela forma. Precisavam se agarrar a qualquer melhora e continuar apostando em sua melhora, mas não estava dando mais para aquela garota ter algum tipo de esperança em relação a mãe e a vida em si. Depois de tantas porradas seguidas Bella se encontrava na categoria de pessoas perdida e sem volta aparente. Precisava gritar para expor toda a dor que sentia a cada dia pior que o anterior, mas se contentava em engolir os desabafos juntos com doses de vodka e comprimidos para dormir quando nem mesmo o álcool a deixava entorpecida o suficiente.

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Friends - Band of Skulls

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Escola Bilíngue Chapin, UES, Manhattan

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Sentada sobre uma mesa do pátio e com o livro de Biologia 3 aberto sobre o colo, Bella encontro Sarah assim que correu para a escola em busca de sossego. A amiga mordia a unha longa do mindinho e lia sussurrando parecendo bastante concentrada, mas foi apenas avistar Bella se aproximando para deixar o estudo de lado e esboçar um sorriso ao ver a amiga.

- Bom dia, B.

- Só se for para você... - Bella retrucou jogando a bolsa sobre a mesa e sentando ao lado de Sarah. - Meu dia já começou péssimo.

- O que aconteceu? - Sarah perguntou passando o braço atrás dos ombros da garota e a puxando para mais perto.

- Eu tive uma briga com Jacob por causa de nossa mãe e não estou mais suportando essa situação toda. Não aguento mais bancar o tratamento de minha própria mãe, ter que ser responsável por alguém de 15 anos quando eu só tenho 17 anos e não sou nem responsável por mim e...

- Oh, você não irá acreditar quem me ligou ontem! - Sarah gritou a interrompendo. - Lembra aquele carinha grego que nós conhecemos no Mint Club há duas semanas?

- Lembro... - Bella responde em um murmuro de desconforto por ter sido interrompida tão bruscamente.

- Ele me ligou! Disse que vai estar na cidade semana que vem e quer marcar para jantar com nós duas.

- Nós duas? Mas você que transou com ele...

- Mas ele disse que um amigo tão grego e tão rico quanto ele ficou super interessado em você quando viu sua foto no celular dele e quer te conhecer nesse jantar. E ele disse que nós podemos passar uns dias na ilha dele durante o verão.

- Eu não sei se concordo com esse lance de ir jantar com um grego tarado que eu nunca vi...

- Você não estará sozinha, esqueceu? Eu e o Yanis estaremos lá e foda-se o fato de o Phillipe ser um desconhecido. Rapidinho vocês se conhecem bem.

- Eu vou pensar nisso.

- Eu só vou te dizer uma coisa para te convencer: restaurante Per Se. Yanis disse que nos levará para jantar lá.

- Você sabe que não me compra com restaurantes caros. Eu mal aguento comer uma barra de cereal ultimamente.

- Mas Yanis garantiu uma sala só para nós quatro no jantar e uma garrafa de Veuve a cada 1 hora. Dá para imaginar as loucuras que nós podemos fazer lá?

- Dá e como dá para imaginar.

- Então concentre-se nisso e pense com muito carinho no pobre Phillipe sozinha enquanto eu e Yanis nos divertimos.

- Pare de dizer o nome dele! É ridículo. - Bella resmungou revirando os olhos, mas aquilo não irritou Sarah. - Yanis... argh!

- É ótimos para gemer, sabia? - ela retrucou só para provocá-la. - "Ah, Yanis... Isso, Yanis..."

- Você é doente, Sarah.

- Eu sei.

Essa era a Sarah que Bella conhecia; falando sempre sobre a próxima festa que iriam, os próximos playboys que iriam conhecer, as próximas loucuras que cometeriam juntas. O assunto era sempre festas, drogas, sexo, bebidas, roupas, qualquer coisa fútil e quando Bella tentava conversar sobre algum problema que estava passando a amiga mudava rapidamente de assunto e voltava ao ciclo de irresponsabilidade. Nunca conseguia escutar por mais de cinco minutos um desabafo de Bella e isso tinha seu lado bom. Não falar sobre como sua vida estava uma merda a ajudava a esquecer um pouco os problemas, mas também a fazia afundar ainda mais naquela vida de fachada que andava vivendo.

Seguiram para a aula enquanto ainda discutiam sobre o jantar com os gregos milionários e se valeria a pena passar a noite com eles. Bella enfiou dois chicletes de menta na boca para tirar aquele gosto de metal estranho que sempre ficava quando cheirava cocaína por muitos dias seguidos - naquela semana já sendo três dias que fazia isso - e esse fato a lembrou de algo que precisava conversar com a amiga.

- Onde geralmente você encontra o D?

- Quem?

- D, o fornecedor. Estou pensando em comprar um pouco na mão dele e parar de abusar da sua.

- Já te disse que não me importo em dividir, mas se você quer tanto comprar... Geralmente eu marco em alguma cafeteria, um lugar movimentado e comum para não ficar com cara de clandestino.

- Na minha casa não seria melhor?

- Não! Nunca marque com ele em sua casa ou escola, é perigoso demais se alguma coisa der errado. Local público é melhor.

- E como eu vou receber... o que eu comprei?

- No livro. D geralmente chega com o livro na mão e me entrega dizendo que adorou a história e agradecendo pelo empréstimo. No interior do livro tem um buraco onde ele guardar a mercadoria sem ninguém imaginar, super simples.

- Entendi. No almoço nós ligamos para ele então.

- Awn, sua primeira compra sozinha. - Sarah choramingou abraçando a amiga. - Meu bebê está crescendo.

- Menos, Sarah. - Bella pediu rindo e as duas entraram na sala de aula.

Edward e Emmett estavam na mesma sala que as duas assistiam a aquela aula e isso não era comum já que as turmas de Bioquímica eram divididas em duas e os garotos frequentavam a turma do professor Marko. Mas ela sentaram-se na bancada ao lado da bancada em que eles estavam e esperaram por uma explicação.

- Bom dia, alunos. - a senhora de quase sessenta anos e que dava aula para aquela turma disse ao iniciar a aula. - O professor Marko teve um pequeno contratempo hoje e como as duas turmas estão no mesmo assunto ele pediu para que eu lecionasse para a turma B também.

- Droga! - Emmett murmurou apertando o punho. - Pensei que esse tempo fosse livre.

- Não existe tempo livre aqui na Chapin, senhor Jensen. - a professora retrucou o comentário que o garoto pensou ter feito baixo e toda a turma o encarou. - Em ano de vestibular você nunca terão tempo livre. Então, não vamos mais perder tempo e abrir vossos livros na página 265. Ciclo de Krebs.

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Pace is the Trick - Interpol

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A sala inteira resmungou enquanto abriam os livros e a professora começa a explicação chata sobre as reações que envolviam o ciclo, andando de um lado para o outro na frente da classe e mudando esporadicamente os slides. Bella apoiou o queixo na mão e soltou um longo suspiro enquanto tentava se concentrar nas palavras que a professora dizia, mas se distraindo facilmente com a lembrança que teve com Jacob no café da manhã. A garota precisava conversar com alguém, chorar no colo dessa pessoa de preferência e pedir que a ajudasse, porém esse alguém estava difícil de ser encontrado. Por mais que quisesse evitar de pensar nisso, sua mente só a fazia migrar as intenções para Edward e relembrar como ele a ajudou nas outras ocasiões que precisou de alguém para conversar.

O amigo a escutaria o tempo inteiro, ofereceria o ombro e os braços para que ela desabasse em lágrimas enquanto estivesse envolvida em um abraço forte e seu cabelo fosse acariciado por aquelas mãos nada delicadas, mas que carregavam nos dedos longos e calejados a capacidade de acalmá-la. Poderia pagar mais tarde as consequências de ser reconfortada por ele - talvez do modo bocal que ela conhecia bem - mas não se importaria com isso se por algumas horas os dois ficassem no quarto do garoto deitados em sua cama sempre desarrumada e Bella conseguisse dormir o tempo que fosse sabendo que ao acordar o encontraria ao seu lado e dizendo que tudo ficaria bem. Mesmo que ele mentisse ainda assim a garota se sentiria segura para continuar.

Contudo, dessa vez ela não poderia recorrer a ele naquele momento de desespero e talvez mais ninguém tivesse o mesmo poder de Edward. Aquele dia morreria e a garota ainda estaria com a angústia entalada na garganta e capaz de cometer qualquer burrice para aliviar um pouco a tensão, assim como fez ao recorrer ao traficante e marcar um encontro com ele logo após a aula para conseguir mais um pouco de sua panacéia.

- Senhorita Swan? - ouviu a voz da professora a tirando do transe.

- Desculpa, professora. - Bella murmurou ajeitando a postura na cadeira e olhando fixamente para o slide na tela.

- Como eu ia dizendo...

Mas a garota sentia que havia um par específico de olhos sobre ela naquela momento e lutou para não encará-lo. Respirou fundo, fechou os olhos, mentalizou que logo ele iria desviar os olhos dela e voltaria a prestar a atenção na aula, todavia, ele não fez isso e quando Bella olhou discretamente para o lado encontrou Edward a encarando. Era sua chance de gritar e pedir ajuda, mas o orgulho ferido fez a garota ignorá-lo e voltar a fingir que dedicava alguma atenção a aula.

Apartamento dos Swan, UES, Manhattan

A garota ficaria sozinha aquela noite já que Jacob sairia com os amigos depois do teatro e iria dormir na casa de alguma garota que ele estava pegando. Mas a noite de Bella não seria completamente solitária. Ela tinha uma garrafa cheia de Absolut Vanilla e dez gramas de cocaína que comprou na mão de D depois da aula como tinham marcado. Apesar da tensão constante, a negociação foi tranquila e como Sarah tinha explicado; o homem não muito mais velho que ela a entregou o livro como se estivesse o devolvendo e Bella entregou o copo de café sem líquido, mas com as notas dólares dentro. E menos de vinte minutos ela pôde voltar para casa com a droga escondida no buraco do livro e passou o restante da tarde e começo da noite dentro da banheira.

A água não estava mais quente quando ela acendeu outro cigarro e respirou fundo, fungando na verdade. Fazia um silêncio fantasmagórico no apartamento escuro e ela deixou apenas a luz do notebook ligada para iluminar o ambiente. Seus dedos já estavam enrugados após quase quatro horas dentro da água fazendo nada além de fumar um cigarro atrás do outro e ocasionalmente cheirar uma linha do pó que espalhou sobre um espelho. Tudo que ela precisava estava ao seu alcance e apesar da calmaria aparente sua cabeça estava enlouquecida. Pensamos sem nexo, conclusões distorcidas, idéias loucas. Bella queria se livrar deles e tentava intoxicar sua mente com mais e mais pó em seu organismo, mas era apenas a droga atingir uma corrente sanguínea para acelerar seus pensamentos. Jogou as cinzas na água escutando o chiar da brasa apagando e levantou da banheira molhando o chão completamente.

O frio que fazia perto do Natal fez seu corpo arrepiar e ela tentou o cobrir em vão com um robe transparente e uma calcinha rendada. Tirou o lacre da garrafa de vodka, mas desistiu de beber quando escutou o barulho do AOL Messenger indicando que alguém de sua lista estava on-line. Não tinha mais nada de interessante para fazer naquela noite e resolver ver se era alguém para pelo menos conversar um pouco, mal acreditando que Edward estivesse on-line naquele momento. Olhou para a imagem de exibição do amigo - a logomarca do time Knicks - e em sua mente surgiu uma idéia absurda, mas que certamente iria animar um pouco sua noite.

Apartamento dos Cullen, UES, Manhattan

- Não vai sair hoje, querido? - Esme perguntou entrando no quarto de Edward e o encontrando deitado na cama com o notebook no colo.

- Estou sem saco pra sair. - ele respondeu digitando com preguiça e mastigando o chiclete.

- Mamãe já está indo dormir. Boa noite.

- Boa noite. - Edward retrucou quando sentiu os lábios reformados por uma cirurgia plástica lhe beijando o topo da cabeça.

Não restava muito a fazer naquela noite e ele continuou mexendo no notebook procurando algo de inútil na internet para se distrair. Foi quando uma janela do AOL Messenger abriu e ele leu o convite para iniciar uma conversa de vídeo com Bella. Achou estranho, pois a amiga sempre dizia odiar conversar com alguém por webcam – ainda mais depois do incidente do seu vídeo em todos os celulares da escola – e preferia vê-lo morto, mas aceitou para saber o que aquilo significava. Bagunçou um pouco o cabelo quando sua câmera ligou e esperou alguns segundos para a imagem de Bella surgir na tela.

- Olá, Edward. – ela disse sorrindo e ele pôde perceber que a amiga usava um robe preto transparente, mas apenas seu colo estava visível.

- Oi... – ele respondeu sentando direito na cadeira.

- O que você está fazendo?

- Nada demais, acho que vou dormir daqui a pouco... Por quê?

- Você conhece aquela famosa declaração da Marilyn Monroe?

- Qual?

- Uma vez perguntaram o que ela usava para dormir e ela respondeu "Duas gotas de Chanel nº5".

- Interessante... – Edward comentou com receio. – Mas o que isso tem a ver...

- É uma noite tediosa, sabe? – Bella o interrompeu pegando o frasco de Chanel nº 5 e molhando a ponta do dedo com perfume para em seguida passar no pescoço em uma linha descendente até o decote. – E a chave estará debaixo do tapete na entrada.

O queixo de Edward caiu alguns milímetros quando Bella, a alguns quarteirões de distância dele, abriu o robe que vestia deixando apenas um pouco do tecido cobrindo seus seios pomposos. Edward já vira aqueles seios antes, já estivera com as mãos neles, mas naquela noite eles conseguiram causar um novo efeito. Uma ânsia cresceu em seu peito ao ver pela câmera a pele branca de Bella, relembrando o toque macio dela e o calor que ela emanava, mas foi quando a amiga levantou da cadeira e caminhou para longe da câmera, deixando apenas seu vulto no quarto escuro lhe mostrar que estava tirando a calcinha, que fez Edward fechar o laptop com força e praticamente correr para a garagem.

Apartamento dos Swan, UES, Manhattan

Ele chegou ao prédio de Bella com menos de cinco minutos, estacionando na vaga costumeira em sua garagem e quase esmurrando o botão do elevador para ele subir até a cobertura o mais rápido possível. De segundo em segundo as imagens da webcam vinha até sua mente, a voz lasciva da amiga lhe dizendo onde a chave estaria para que ele entrasse e sentisse o perfume Chanel em sua pele. Apenas isso estava sobre sua pele naquela noite e a excitação já tomou conta de Edward quando a porta do elevador abriu e ele levantou o tapete trazido da Índia guardando a chave.

O apartamento de Bella estava tomado pela escuridão e uma música tocava muito distante em algum lugar dele, mas Edward já sabia para onde ir. Subiu a escada que dava acesso ao segundo andar pulando a cada dois degraus e encontrou a porta do quarto de Bella entreaberta, lhe informando que a música vinha de seu interior. Ele respirou fundo para concentrar sua mente no que tinha ido fazer aquilo e terminou de abrir a porta lentamente.

As cortinhas estavam abertas e deixavam as luzes da cidade iluminar o quarto. Um cheiro forte de cigarro e perfume francês inebriava o local enquanto Edward dava passos para seu interior. As luzes na cabeceira da cama estavam acesas no modo "penumbra" pelo o que ele conhecia do sistema de luzes daquele quarto e no meio da cama bagunçava jazia um corpo excitado.

Bella deu uma longa tragada sem tirar os olhos do teto e expeliu a fumaça com preguiça, sabendo muito bem que os olhos do amigo estavam sobre seu corpo nu na cama. Deixara o robe transparente completamente aberto para expor suas curvas que pareciam não causar efeito algum sobre ele, mas que agora prendiam seus olhos curiosos como se ela fosse uma miragem. Sabia que o amigo não estava acreditando ainda por completo que ela estava ali deitada na cama para que ele pudesse aproveitar-se de seu corpo do modo que bem quisesse, pois a antiga Bella não teria denodo para essa atitude ousada. Bem, a antiga Bella estava muito bem enterrada debaixo de novos vícios.

- Pontual, como eu esperava. – ela comentou olhando o relógio fino no pulso direito.

Edward parou perto da cama ao escutar a voz da amiga e a observou levantar-se, mas sem fechar o robe e mostrando a cinta-liga presa em seu quadril nu e segurando as meias também pretas que iam até o meio de suas coxas. Bella manteve a peça solta em seu corpo e deu passos lentos até a escrivaninha perto da varanda, depositando o cigarro quase finalizado no cinzeiro cheio de bitucas velhas e cinzas acumuladas. Deslizou o som quando passou pela estante – a velha cantiga em francês morrendo – e rodeou o corpo de Edward até parar em suas costas. Podia sentir que ele estava tenso, pois via claramente seu músculo do pescoço contraído e escutava sua respiração alta, mas Bella queria provocá-lo um pouco para começo de conversa.

- Não imaginei que você fosse tomar essa decisão tão rápido. – ela comentou deslizando as pontas do dedo no meio do abdômen de Edward, descendo cada vez mais.

- Que decisão? – ele perguntou tentando não demonstrar o nervosismo na voz. Temia o que aquela garota tinha em mente.

- De deixar seu apartamento no meio da noite e correr até aqui para me comer. – ela respondeu passando o corpo de suas unhas na pélvis do amigo, sentindo-o contrair os músculos da região com a carícia. – Não foi por causa disso que você veio tão rápido?

- Bella... – ele tentou dizer, mas a amiga o calou quando desceu a mão até seu membro e o apertou com leveza por cima da calça. – O que você quer de mim, garota?

- Prazer, Edward. – Bella respondeu o acariciando e o sentindo crescer em sua mão. – Eu quero todo o prazer que eu te dei esses anos de volta. Eu quero ser a pessoa gemendo dessa vez. Eu quero gozar porque alguém se esforçou para isso acontecer. Será que você entendeu o que eu estou dizendo?

- Um pouco... – ele respondeu com um murmuro de desespero, sentindo que iria explodir com a maneira que aquela mão trabalhava em seu corpo.

- Ultimamente eu só tenho pensado nisso. - ela sussurrou continuando com a carícia e descendo o nariz pelas costas do garoto. - Eu me toco pensando em você, Edward. Eu fantasio que você está possuindo meu corpo como nenhum homem conseguiu e eu gozo através de meus dedos. E eu estou cansada de ter prazer apenas com eles. Eu quero que você me dê prazer, o mínimo que for. É algo que você me deve por todos esses anos.

- O que te fez mudar de idéia? - Edward quis saber, apesar de ser algo inútil. Ele atenderia ao pedido dela de qualquer forma. - Até hoje de manhã você não conseguia nem olhar em minha cara e agora eu estou em seu quarto como nos velhos tempos.

- Esses não são os velhos tempos, você não percebeu? Aquela Bella idiota que vivia com seu pau na boca não existe mais.

- Por que você está me dizendo essas coisas?

- Estou mentindo, por acaso? - Bella perguntou se afastando dele e caminhando até o som e o ligando em outro cd.

- Está. - ele respondeu tentando não olhar para a bunda nua exposta através do tecido fino no robe. - Eu nunca achei que você fosse idiota.

- É, você pode ter razão, afinal de contas eu fazia aquilo porque te amava.

- Amava? - ele insistiu.

- Você veio aqui para conversar ou para fuder? - ela o interrompeu levantando uma sobrancelha, mas Edward não conseguia se mexer. - Eu sempre soube que você era um fracote, Cullen.

Ser chamado de fracote foi a gota d'água para Edward e ele surpreendeu Bella ao segurar seu rosto com uma mão e apertar suas bochechas sem muita força. A garota soltou uma risada por causa da brutalidade que ele estava usando e deslizou os dedos pelo abdomên do garoto para provocá-lo, mas Edward afastou sua mão segurando seu pulso e apertou suas bochechas um pouco mais.

- Eu não sou fracote, entendeu? - ele retrucou entre os dentes e arfando de raiva.

- Prove que esse seu pau serve para alguma coisa útil ou é apenas a fachada de sua masculinidade fajuta.

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Meds - Placebo

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Sem delicadeza alguma Edward se apossou da boca de Bella e enterrou sua língua naquela cavidade quente e com gosto de cigarro. Suas mãos migraram para as nádegas expostas da garota e as apertaram com força, os dedos quase enterrando em sua carne macia e levemente molhada. Bella se livrou por completo do robe e apertou o membro excitado de Edward para lhe causar um pouco de dor antes de prazer e o garoto gemeu contra seus lábios parando completamente de beijá-la, a fazendo rir de modo vitorioso.

- Não aguenta, Edward? - ela sussurrou desabotoando sua calça jeans lentamente. - Eu nunca disse que iria facilitar para você.

- Eu não espero que você facilite. - ele grunhiu de prazer com o toque perverso da garota. - Assim como eu não irei facilitar para você.

- Hum... Essa eu quero só ver.

E ela teve uma preview quando foi carregada pelas coxas por aquelas mãos brutas e foi jogada na cama sem delicadeza alguma. Edward arrancou a própria roupa com pressa enquanto a observava centralizar o corpo entre os lençóis remexidos e apoiar os pés no colchão para proporcionar a ele uma visão de seu sexo já excitado. Mesmo na escuridão ele conseguia ver como Bella já estava pulsando de prazer e quando ele se ajoelhou perto dela o aroma de excitação que aquela garota exalava confirmou seus pensamentos. Bella jogou a cabeça para trás e soltou um gemido nitidamente falso, antes de girar a cabeça discretamente para a esquerda e descer os dedos entre os seios enquanto o encarava. Eles continuaram presos pelo olhar enquanto Edward pressionava o corpo de Bella contra a cama e se posicionava entre suas pernas afastadas o suficiente para seu quadril encaixar perfeitamente com o dela. Naqueles segundos em que eles ficaram apenas se olhando o garoto viu a velha amiga de volta e sentiu que não fosse ser capaz de tratá-la como a vadia que Bella tanto queria que as pessoas a tratassem.

- Vá em frente. - ela o provocou descendo a mão entre seus copos e agarrando seu membro rígido, o acariciando lentamente. - Ou você não consegue apenas me comer?

- Cala a boca, Bella! - Edward retrucou entre os dentes e segurou seu pulso para livrar seu membrs da mão da garota.

Bella soltou uma risada alta para deixá-lo ainda mais irado e Edward jogou seu braço por cima de sua cabeça segurando com força seu pulso fino. Escalou um pouco o corpo da garota para segurar seu braço contra a cama com mais firmeza e impulsionou o quadril contra ela a penetrando meio desesperado, meio bruto. Pedia passagem com pressa e sem se importar em sentir as paredes de Bella o apertando como se quisessem impedir a invasão. Não parou de avançar até estar completamente dentro de seu corpo e ver a expressão de dor discretamente na face da garota sob seu corpo pesado.

Ele a estocou uma vez e experimentou qual a sensação de finalmente estar transando com a amiga, mas estava longe de ser o que tinha imaginado. Bella permanecia com os olhos fechados e apertados, sentindo que iria estourar se ele continuasse a estocando daquela forma bruta e seu coração acelerasse quase rompendo a barreira de seu peito e pulando para fora. A mão de Edward em seu pulso aplicava mais e mais força no aperto conforme ele introduzia seu membro com mais e mais pressa, nem mesmo saindo por completo para voltar a penetrá-la em seguida. O choque entre seus corpos era abafado pela música, mas ele sentia a vibração que o corpo de Bella dava em resposta quando o recebia com um baque e seria capaz de vomitar com nojo da situação. Uma foda, essa era a classificação do ato que estavam cometendo sobre a cama de colchão macio e lençóis caros.

A pele gelada de Bella como se estivesse morta, a mistura de cigarro e Chanel na pele de seu pescoço quando ele enterrou o rosto ali por não aguentar mais encará-la. Estava tudo errado demais e eles não saberiam fazer da forma certa naquela situação louca. Edward apenas a penetrava e não sentia nada além de repulsa por estar fazendo aquilo com a garota que amava. Mas a Bella que ele amava não se encontrava naquele quarto, não era dona dos gemidos baixos de dor e do corpo violentado por vícios, traumas e por um garoto idiota fazendo merda porque tinha sido pressionado. Era outra garota de cabelos cor de chocolate avermelhado espalhado sobre a cama e de lábios cheios sendo apertados por seus dentes na expressão de desconforto que ela vestiu até o final. Até ele se render e gozar desabando por completo sobre ela. Aquele tinha sido definitivamente o fim para os dois.

A música já tinha morrido e o quarto estava novamente em silêncio, mas eles não se mexiam. Edward ainda escondia o rosto no pescoço suado da garota e sua mão pousava cheia de preguiça na curva do quadril salpicado de suor de Bella. Ela só conseguia ofegar e chocar os seios contra o peito forte do garoto a cada inspiração e expiração que dava, até mesmo sua cabeça estava calada naquele momento. Não conseguiria permanecer sem seus pensamentos fantasmas por muito tempo, ainda mais na presença dele.

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My Home Ghost - Husky Rescue

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- Saia de cima de mim. - ela murmurou entre os dentes e Edward levantou a cabeça para encará-la.

- O que...

- Saia! Agora! - Bella gritou o empurrando e conseguindo levantar da cama.

Edward sentou no lugar onde o corpo de Bella estava antes e viu a seguinte cena; uma garota nua andando de um lado para o outro no quarto procurando algo, mas sem consegui encontrar. Ela passava a mão entre os fios da franja e resmungava algo, batendo o pé e soltando um grunhido de raiva em certo momento. Correu para o banheiro e voltou de lá segurando um espelho deitado com bastante cuidado, o depositando sobre a escrivaninha. Enrolou o cabelo e o jogou para trás para que não atrapalhasse quando ela enfiou um canudo na narina esquerda e cheiro a substância sobre o espelho com pressa, esfregando rapidamente o nariz antes de repetir o ato. Ele não conseguia acreditar que Bella realmente estivesse fazendo aquilo em sua frente - apesar dos rumores que rolavam pelos corredores da escola sobre ela e Sarah - mas a amiga realmente estava cheirando cocaína como se tomasse um copo d'água; sem alarde, naturalmente.

- Isso sim é prazeroso. - ela disse com os olhos fechados e uma expressão serena no rosto, soltando uma gargalhada em seguida. - Melhor que qualquer pau do mundo.

Edward ainda não conseguia digerir a cena, apenas a observava vestir o robe jogado no chão e acender um cigarro. Queria fazer tanta coisa naquele momento, mas lhe faltou coragem diante do tapa que recebeu com as novas atitudes da garota. Aquela não era sua Bella, era uma adolescente qualquer sem vida e se fudendo por diversão.

- Isso é sério? - ele murmurou atraindo a atenção dela, que estava olhando pela janela aberta do quarto.

- O pó? - Bella retrucou indicando a cocaína sobre a escrivaninha. - Por quê? Você quer um pouco?

- Vai se fuder, Bella. - Edward retrucou levantando enfurecido e catando as roupas do chão. - Eu não acredito que você esteja fazendo isso.

- Oh, ficou magoadinho porque eu sentir mais prazer com uma linha do que com seu pau fajuto? - ela o provocou. - Não chore, Edward. Eu já tive fodas piores.

- Pra mim já deu. - o garoto disse vestindo a camisa e fechando a calça. - Eu não vou ficar aqui te vendo fazer essa merda com sua vida.

- Corra para sua casa perfeita e para sua vida perfeita. Eu vou continuar aqui me fudendo e continuará sendo sua culpa.

- Você está tão fudida que nem se tocou que se transformou em sua mãe. - Edward disse parado na porta do quarto.

Ser comparada a René foi a gota d'água para Bella. O cigarro caiu de seus dedos e ela pegou a primeira coisa a seu alcance - a garrafa cheia de vodka - para atirar na porta que Edward tinha acabado de fechar. A última coisa que ele escutou antes de a porta do elevador fechar foram os gritos de ódio que Bella dava trancada em seu quarto, atirando coisas contra as paredes, se cortando quando quebrou o espelho após finalizar o pó sobre ele. Agora sim eles tinham terminado.