10 – Quarta Página

Olá.

Ou não, tanto faz.

Nada faz mais sentido mesmo.

Meus pais conversaram comigo, dizendo que talvez Jacob tivesse um motivo para esconder isso. Ou que, talvez, eu nunca fora realmente interessada no assunto, até me ver apaixonada por ele. Eu não sei se é verdade, eu não consigo pensar muito bem agora.

Eu queria dormir. Chegar da caça e dormir. Mas meu pai foi atrás de Jake, ele disse que nós dois precisávamos conversar o mais rápido possível. Então aqui estou eu: ansiosa, com medo, nervosa. Escrevendo enquanto passo o tempo...

Eu ainda acho difícil de imaginar que Jake já teve sua impressão. Essas pessoas deveriam ficar juntas, não? Tipo, sempre, certo?

E Jacob só ficava comigo.

Eu estava pensando enquanto caçava: será que ela morreu? Não sofrendo, sabe? Não queria que Jake sofresse por isso. Mas só morrer. Acontece, às vezes. Sem dor nem nada.

Essa era uma das hipóteses. Uma outra era de que ele a viu, num lugar cheio, apenas a viu. E foi só aquilo. Nunca mais, tchau. Mas estou quase descartando essa... Ele iria atrás da pessoa. Bom, eu acho... Se eu fosse um lobisomem e tivesse minha impressão com Jacob, iria atrás dele. Até mesmo para o Alasca. E minha mãe podia falar o que fosse...

E tem a terceira, ainda pior de aceitar: eu o estou impedindo. Não por querer, pelo menos não até umas semanas atrás, quando não pensava em Jake assim. Mas pela minha dependência...

Eu percebi que não faço absolutamente nada sem Jake. Nada. Nós estamos na maior parte do dia juntos, nos separando apenas para dormir. Isso quando minha mãe não o convida para dormir aqui em casa, mas faz tempo que isso não acontece. Uma pena.

Eu tinha me decidido que queria saber quem era a garota – se ela não estiver morta, claro. Depois me decidi que, como amiga, eu deveria apenas dar força a ele e, se conhecesse a garota, não iria gostar dela com certeza e isso não era dar força. Tentei pensar se eu gostaria que Jacob conhecesse um namorado meu, mesmo que ele não gostasse, mas não consegui ao menos imaginar um namorado. Jacob sempre pintava na minha imaginação, rindo de qualquer conjunto de membros e cores que eu fazia...

Era minha mente trabalhando, tentando me mostrar de qualquer jeito que eu não teria um namorado. Que eu nunca mais sentiria isso por outra pessoa. Que era Jacob, Jacob, Jacob. Até o além Jacob. Até cansar Jacob.

Tanta coisa podia ser diferente...

Tanta coisa que eu queria viver com ele...

Eu acho que eu devo contar a ele como me sinto. Ou não? Se ele for sincero comigo, eu serei com ele. Ou eu deveria contar antes e fazer com que ele se sentisse relaxado para contar o que quer que fosse, até se fosse dizer que estava de partida.

Eu sei que a probabilidade dela estar morta é mínima, não posso me prender a essa esperança. Era ser insensível demais pensar assim? Eu provavelmente estou sendo egoísta. Mas eu podia ser. Pelo menos aqui, escrevendo.

E eu sei que, mesmo sendo egoísta e o que quer que fosse, Jacob preferiria a sinceridade. Assim como eu também preferiria – desde o começo, na verdade.

Então eu sei que pos