Na manhã seguinte…

- Vou chegar atrasada! – Gritava uma alarmada Haruna. – Então, Tasha, não te preparas para a esc— Haruna teve de se calar, visto que Tasha já estava pronta, e tinha o seu despertador na mão, com os olhos fechados. – Por que é que estás tão calma?

- Adiantei uma hora o teu relógio, para te despachares.

- Mas por que demónios fizeste isso?!

- Por que preciso de contar-te uma coisa muito, muito importante. – Disse, levantando-se da sua cama e caminhando em direção à porta. – Vens ou ficas?

- J-já estou a ir. – Disse, seguindo Tasha, indo parar à sala de convívio.

- Vejo que já cá estão todos. – Disse Tasha, observando as faces dos seus amigos.

- E podemos saber por que raios nos chamas-te tão cedo? – Gritava um enojado Fudou.

- Já vos disse, preciso de contar-vos uma coisa muito importante. – Disse, chegando Haruna para a frente, enviando-a para a beira de Tachimukai.

- Então? – Disseram todos, exceto Shirou.

- Bem, então é assim: ontem tive uma conversa aqui com o nosso Shirou, e houve um momento em que a conversa chegou a gatos, e em que o cujo dito me chamou gatinha.

- E? – Disseram todos, não entendendo o ruma da conversa.

- Bom, sabendo as santas-alminhas que são os rapazes aqui presentes, presumo que saibam o que é um Neko, certo? – Disse, provocando-os um bocadinho.

- O quê? Queres que te diga que é uma pessoa com orelhas e caudas de gato coloridas agarradas ao corpo? – Perguntou Fudou, ao que todos ficaram a olhar para ele com os olhos abertos como pratos – O que foi? Só disse aquilo que sabia! – Disse, cruzando-se de braços.

- Na verdade, - disse Tasha, fazendo com que todos dirigissem a sua atenção de novo para ela – o Fudou acertou na cabeça do prego! Um Neko é exatamente isso!

- E por que é que nos estás a contar isto? – Perguntou desta vez Goenji.

- Acho que é melhor mostrar-vos. – Disse Tasha, retirando o chapéu que tinha posto e deixando livre aquilo que parecia uma cauda, de debaixo da sua saia.

- O quê?! - Gritaram todos ao ver que Tasha tinha umas orelhas azuis com as pontas pretas na cabeça e uma cauda a condizer.

- Devem ser falsas, aposto! – Disse Fudou, puxando as orelhas a Tasha, pelo que ela gritou de dor e o mordeu nas mãos. – AU! Para que é que foi isso?

- Não se deve puxar as orelhas a uma gata, é seu sítio mais sensível ~nya! – Disse Tasha, com um canino a sobressair no lado esquerdo da sua boca.

- Isto é brutal! A cauda também é verdadeira? – Perguntou Endou, entusiasmado.

- Por que é que não descobres por ti mesmo ~nya? – Perguntou Tasha por cima, movendo a sua cauda até às mãos deste. – Vá, toca!

- E-está bem. – Disse, tocando ao de leve na cauda de Tasha, fazendo com que esta estremecesse e se movesse para o lado. – Oh, mexeu-se! – Disse, contente, como uma criança.

- Eu disse-te ~nya! Mas há outra coisa que eu tenho de vos contar. – Disse séria, ganhando a atenção dos seus amigos. – Tasha não é o meu verdadeiro nome.

- O quê? Então estives-te a mentir-nos este tempo todo? – Perguntou Shirou, chocado.

- Não, não é nada disso. O meu verdadeiro nome completo é Natasha Tagiru Hagane. – Disse, encarando-o com olhos cheios de honestidade.

- Então "Tasha" é uma abreviatura de Natasha, certo? – Perguntou Tachimukai.

- Exatamente. Eu não usei o meu nome verdadeiro nem o meu nome do meio para o meu pai não me encontrar, eu e ele não temos uma relação muito estável.

- Ainda bem. – Disse Shirou sorrindo, captando a atenção de Tasha. – Eu sabia que podia confiar em ti!

- Obrigada, Shirou! – Disse Tasha, abraçando Shirou, com este retribuindo o gesto.

- Alto e para o baile. Desde quando é que tu tratas o Fubuki pelo primeiro nome? – Perguntou Fuyuuka, curiosa.

- Desde ontem à noite. Queria contar-vos, mas com esta história toda não tive tempo, nem me lembrei! – Disse, coçando a nuca com nervosismo.

- Isso quer dizer que… - Disseram Aki e Natsumi ao mesmo tempo, hesitando.

- Somos namorados! – Disseram Tasha e Shirou, muito sorridentes.

- Provem-no! – Exigiu Haruna.

- Como?

- Beijem-se… - Disse, pelo que eles deram de ombros. - …Nos lábios.

- Por mim tudo bem, e tu? – Perguntou Shirou a Tasha.

- Não há problema. – Disse, beijando Shirou, mesmo no meio dos lábios, ao que ele respondeu rapidamente. – Isto é prova que chegue para ti? Ah! Já agora, quero mostrar-vos uma coisa mesmo muito fixe, alguém tem uma garrafa de água? – Perguntou, recebendo uma pancada providente de Shirou, com uma garrafa na mão. Natasha agarrou-a, abriu a rolha e despejou toda a água no chão, movendo os braços, fazendo com que a água começa-se a emergir e a formar um tubo, que começou a mexer-se por toda a sala, à medida que esta ia fazendo movimentos. Por fim, fez com que a água se tornasse um finíssimo fio enfrente às caras dos nossos amigos, dissipando-se no ar à medida que ela ia cerrando um punho.

- Fixe, huh?

- Sim, mas não interessa, neste momento. Temos de ir para as aulas dentro de nada, e queria mostrar-te uma coisa! – Disse Shirou, com olhinhos de cachorrinho.

- Ai sim, o quê?

- Depois eu conto-te. Eu, o Endou, o Goenji, o Fudou, o Tachimukai, o Midorikawa o Hir- olha, sabes que mais, depois vês. – Disse, com um dedo levantado e uma gota de nervosismo a escorrer-lhe pela nuca.

- E então, de que estamos à espera? – Perguntou Haruna, reparando numa coisa em Tasha, isto é, Natasha. – Olha, Natasha… Tu mudaste muito de um dia para o outro, porque é que mudaste tanto? – Pergunta ela, curiosa.

- Bem, quanto aos óculos, o meu médico disse que ontem depois das sete do dia de ontem, podia pô-los de lado; quanto ao cabelo, sinto-me mais confortável com ele solto; quanto aos sapatos, prefiro andar de saltos minimamente altos, ou a mais do que 4 milímetros do chão, e quanto ao vestido mais curto, a saia era tão comprida que era difícil andar com ela! Acho que não há mais nada a explicar.

- Na verdade, há: de onde é que tiraste esse corpinho, hã? – Disse Natsumi com um sorriso malicioso na cara.

- Bem, disseram-me que gostavam de mim como eu sou, portanto, - disse, pondo-se de frente para todos – Natasha Hagane, ao vosso serviço! – Disse, com um sorrido a mostrar os dentes e a piscar o olho; tal como era costume de Endou fazer.

- Muito prazer, Natasha-chan! – Disseram todos menos Shirou, em coro.

- Já agora Shirou, se quiseres podes chamar-me Tagi-chan! – Disse, feliz. Shirou abraçou e deu-lhe um suave beijo na testa, acariciando-lhe a face com as mãos.

- Sim, mas…

- Mas, o quê?

- Ainda assim, eu gostava de continuar a chamar-te princesa… - Disse com um leve rubor que cobria as suas bochechas, dirigindo a sua vista a outro lugar.

- Se quiseres, por mim tudo bem… lobinho. – Disse, fazendo-o ficar com uma gota na cabeça.

- Isso é suposto ser uma alcunha? – Perguntou, ao que a rapariga assentiu afirmativamente. – E porque motivo me chamas lobinho?

- Por duas razões. Primeiro porque és demasiado fofo para te chamar apenas o meu lobo, e segundo; - disse, pondo o seu cabelo num estilo parecido ao de Shirou e pondo os eus braços um pouco encolhidos, numa posição ao estilo lobisomem e disse bem alto – Wolf Legend! – Para depois rugir, ou fazer uma tentativa falhada de imitar um rugido, sorrindo para Shirou.

- Mas como é que tu sabes?

- Um verdadeiro adepto de uma equipa nunca falta aos seus jogos. Como ninguém tinha acesso aos locais onde decorreram os vossos jogos contra a academia Alius, eu, como a maioria da gente, vi-os na televisão. – Disse, com ar de sabichona.

- Bem, não que nós nos importemos de fazer de velas, mas se não nos despacharmos vamos chegar atrasados, o que significa um castigo severo para vocês, - disse, apontando para os rapazes ali presentes, - e um duplo para nós, por termos ficado com vocês na farra antes das aulas! – Disse, referindo-se às raparigas e a si mesma, a desfazer-se em cataratas de lágrimas.

- Então vamos, de que é que estamos à espera? – Disse Aki risonha, agarrando na mão de Endou, e arrancando-o dali pra fora.