Capitulo 10 – Rambaldi e a luz
- Gracie, ainda estas de pé? – Perguntou Irina à filha – Amanhã não te levantas?
- Eu vou me deitar. – Ela disse – Mas a Syd, não me deixa dormir com ela e eu não quero dormir sozinha.
- Tu já estas em muito boa idade de dormir sozinha! – Disse Sydney.
- Vês mãe, ela é má para mim. – Disse Gracie ofendida – É sempre assim!
- Mentirosa, eu sou MUITO boa para ti, até demais! – Retorquiu Sydney, enquanto a mãe se ria.
- Pronto Gracie, dormes comigo, pode ser? – Disse ela enquanto se ria
- Sim, mãe! – Ela "saltou" para o colo da mãe que a acolheu de bom grado.
- Sim, torna-a mais mimada do que ela já é, e depois vais ver, ficas ai com uma mini-terrorista – Disse Syd
- Não sejas assim para ela, tu eras igual! – Disse-lhe a mãe enquanto mantinha o olhar na filha mais nova – Tu era tão curiosa como ela!
- Era??
- Sim – Ela disse – Caso não te lembres, eu e o teu pai tivemos alguma dificuldade em pôr-te alguns limites, adoravas tudo o que envolvia perigo, gostavas de saltar pela janela, subir as arvores, coisas assim.
Syd ouvia a mãe com uma atenção redobrada, aquilo que ela contava era de outra vida, de outras memórias dela, eram as melhores memórias dela.
- Pensei que fosse a única a ter esse tipo de comportamentos!? – Disse Nadia – Afinal parece que é mal de família!
- Hey! – Disse Syd parecendo despertar de um sonho – Eu não sou assim tão má, é verdade que eu sempre gostei de coisas que não devia gostar, mas dai a ser o que vocês me estão a pintar, vai uma longa diferença.
Irina não conseguia parar de sorrir, ela tinha sonhado tantas, e tantas vezes com aquilo é era tão bom, e agora que ali estava parecia ainda melhor, só faltava ali… Jack.
- E vocês? – Interrogou Nadia – Como é que eram?
- Nós? – Respondeu Sofya num tom cínico – Nós éramos uns prefeitos anjinhos!
- Anjinhos?? – Disse uma voz que acabará de chegar – Isso, lamento informar, é impossível.
- Tia Kayta, isso não é bem assim – Disse Nate – Nós nunca nós metemos em grandes problemas.
- Isso, meu querido, é discutível – Disse Elena – Mas não te preocupes, que tudo o que tu e a tua irmã fizeram, nós também fizemos!
- Elena! – Disse Irina – Não incentives os meus filhos, por favor.
A mais velha riu, enquanto Irina tentava manter a postura seria mas falhou miseravelmente.
- Nós sabemos algumas coisas! – Disse Syd – A tia Kayta contou-nos!
- O que é que tu contaste as minhas filhas.
- Eu sei – Disse Gracie – A Syd disse-me que quando eras mais nova ias para a Basílica onde estavam muitos turistas e depois roubava-lhes o dinheiro, porque era muito fácil e compravas doces!
Irina olhou para a filha que acabará de contar aquilo com ar perfeitamente natural e olhou para as irmãs que não se paravam de rir, assim como os filhos.
- Gracie, querida – Disse ela começando também rir – Isso não se faz, a mãe fez isso mas esta muito arrependida, sim querida?
- A serio? É que eu ouvi que tu continuavas a fazer isso, só que já não eram turista, mas sim, pessoas importantes…
- Sydney Anne, o que é que tu andaste a contar a tua irmã!? - Perguntou-lhe a mãe com uma cara falsamente ofendida enquanto se ria.
- Eu nada… ela deve ter ouvido ou uma coisa assim! – Disse ela – Durante os treinos!
- Treinos?? – Perguntou agora a mãe seria – Que treinos?
- A Gracie, bem ela é muito inteligente, tu sabes, e bem, para protecção dela achamos melhor que ela fosse submetida ao projecto Christmas.
- Eu pensei que o projecto Christmas, tivesse sido desactivado?
- É foi, mas o Governo Americano e a CIA, acharam que este era a melhor maneira de descobrir novos agentes, e sendo assim, ele foi reactivado.
- É o teu pai que esta a frente disso – Ela perguntou – Podes falar Syd, eu não trabalho mais para a KGB.
- Eu sei que não, mas não é isso – Disse ela – Sim, é o pai que esta a frente disso. Estás zangada com ele?
- Não. O teu pai está a fazer isso e eu sei que é apenas para a proteger, assim como o fez contigo.
- Sabes mãe, o pai diz que sou muito inteligente, eu consigo fazer muitas coisas! – Disse Gracie entusiasmada.
- Eu sei, meu anjo, tu és muito inteligente.
- Mudando de assunto – Disse Elena – A CIA não vai dar pela vossa falta?
- Nós? – Respondeu Nadia – Não, nós estamos de férias.
- Isso é novo. – Disse Kayta – Diz me uma coisa, os terroristas, lunáticos e guerrilheiros entre outros, também tiraram férias?
- Não. – Disse Syd enquanto ria – Nós é que "alegamos" que estávamos a precisar de férias, visto que já não as tínhamos a mais de três anos, e sinceramente, as últimas missões tem dado cabo de mim.
- Sim, porque de facto, andar a correr o mundo atrás de um maníaco do século XV, é obra.
- Rambaldi? – Perguntou-lhe a mãe – Pensei que isso estava mais que acabado.
- A uma coisa que deves saber. – Disse Syd seria – Alguma vez viste "a luz de Rambaldi"?
- Nunca via, mas ouvi falar. – Disse ela – Porque?
- Eu e a Nadia encontramo-lo, é um documento escrito pelo próprio Rambaldi, onde ele diz que para além da escolhida e do passageiro, há mais três pessoas essenciais para encontrar a verdadeira "essência" do Rambaldi.
- Então? – Perguntou-lhe a mãe – Quem são eles.
- Rambaldi descreveu-os como sendo, o Vingador, a Chave e a Luz.
- Do Vingador e da Chave eu já tinha lido algumas coisas! – Disse Elena – Ao que parece são uma rapariga e um rapaz que são fundamentais para a compreensão do dilema perdido da luz, mas sempre pensei que a luz fosse algo e não uma pessoa.
- Nós sabemos quem é a luz, Rambaldi descreve-a como uma menina que tem um coração puro, sangue nobre, e assim de tudo uma coragem que mais ninguém possui.
- Isso de facto limita as possibilidades sem dúvida – Disse Kayta ironicamente.
- Isso é só uma parte, segundo Rambaldi, "ela e a escolhida tem o mesmo destino traçado pelo sangue", e mais, a Luz é alguém que tem o destino fortemente premeditado, e para além disso muitas pessoas consideram-na uma arma.
- Arma? Porque é que a "luz" é considerada um arma assim tão poderosa.
- Segundo o que eu li, Rambaldi encontrou uma forma de curar qualquer tipo de doenças e de trazer os mortos à vida.
- Mortos à vida? Curar doenças? Isso não é pouco lunático e não sei… Impossível!? – Disse Sofya pela primeira vez.
- É, eu pessoalmente também não acredito.
- Vocês sabem sobre o "Rambaldi"? – Perguntou Nadia
- Saber, sabemos, mas não acreditamos, é como tu dizes, ele não passa de um lunático do século XV. – Retorquiu Nate.
- Mas há pessoas que, para grande mal dos nossos pecados, acreditam. – Disse Kayta – E como devem saber, eu também não acredito.
- Tu não entendes! – Disse Elena - Ele era um génio, mal entendido, que deixou um legado indescritivelmente rico e único.
- Nós sabemos que tanto tu como a Irina – Disse Kayta – Acreditam, mas por favor, ele era um homem do renascimento, e bem, acho que ele são muito… ilusionista.
- Mas como eu ia a dizer – Disse Sydney voltando as atenções novamente a si – Nós descobrimos que é a "Luz".
- Quem é?
Sydney suspirou e acabou por dizer:
- É a Gracie.
- A Gracie?? – Disse ela quando se apercebeu que a mesma tinha adormecido no seu colo – Como?
- Houve um dia, em que eu me magoei numa faca, e a Gracie começou a chorar, não era nada, mas ela ficou muito aflita, e depois não sei como, conforme ela tocou em mim, a ferida fechou-se automaticamente.
Todos ouviram o que ela tinha dito, Irina olhava para a filha que dormia calmamente nos braços dela.
- Ela sabe? – Perguntou a mãe – Ela ainda é pequena, mas acho que não se deve esconder coisas desta magnitude de uma criança, senão vai acontecer o que vos aconteceu.
Ela disse dirigindo-se a Nadia e Sydney, quem falou foi Nadia.
- O pai disse-lhe que ela era especial, mas que isso também era perigoso.
- E ela? – Perguntou-lhe Nate – Como é que reagiu?
- Ficou toda contente. – Respondeu Syd – Até ficou aos pulos.
A mãe sorriu, enquanto fazia festas na cabeça da filha.
- Há algo que vocês as duas saber – Disse Irina dirigindo-se a Nadia e Syd – Há bocado, falaste que não sabias quem era a "chave" e o "vingador", certo?
Syd anuiu e a mãe continuo
- Eu sei. – Ela disse olhando para os gémeos – São o Nate e a Sofya.
Nadia e Sydney abriram a boca várias vezes na tentativa de falar mas quem falou foi Nate.
- É verdade, mas ainda não percebi uma coisa! – Disse ela – A Nadia é o "Passageiro", a Sofya é a "Chave" e a Gracie é a "Luz", mas falta…
- A escolhida – Completou a mãe - A escolhida não sou eu, como vocês já pensaram, mas sim a Sydney.
- Não está nada provado! – Ela disse
- Já te expliquei, que és tu, por milhares de razões Sydney – Disse a mãe enquanto se levantava com a filha ao colo – Mas agora é melhor irmo-nos deitar, amanhã tenho uma surpresa para vocês.
- Surpresa?? – Interrogou Syd – O que é?
- Eu disse que era surpresa, então fica assim… surpresa.
- É sempre a mesma história. – Disse Nate – The Trust Take Times.
- Exacto - Disse ela – The Trust Take Times.
Capitulo 10 – Conversas e pensamentos
Todos subiram para os respectivos quartos enquanto Irina deitava Gracie na cama, e ia para a casa de banho, quando o telemóvel tocou.
"Sim?"
"Irina?"
Irina sorriu ao identificar a voz.
"Jack"
"Sim, sou eu."
"Amanhã sempre vens cá?"
"Sim, eu já estou em Moscovo, amanhã pela manhã estou ai."
"Não vens agora?"
"É tarde."
"Anda, por favor"
"Irina…"
"Onde estas?"
"Em Moscovo, perto do aeroporto"
"Eu vou ai ter."
"Não é preciso"
"É sim, espera ai por mim, estou ai em uma hora."
"Irina…"
"Até já"
Ela sorriu, quando ouviu.
"Até já, tenho saudades tuas."
"Eu também" Ela disse simplesmente "Muitas"
Ele desligou o telemóvel depois de mais um até já.
- Mãe? – Sofya entrou no quarto enquanto a mãe vestia o casaco – Onde vais?
- Preciso de ir até a cidade. – Disse ela – Até Moscovo, volto pela manhã.
- Vais fazer o que?
- Segredo mas prometo que quando voltar vais perceber. – Ela disse – Toma conta dela.
Sofya acenou e deitou-se na cama da mãe ao lado da irmã, Irina sorriu ao observar a cena, fechou a porta e saiu…
Em Moscovo
Jack estava no aeroporto e olhava pela janela da entrada.
"Mas onde é que eu me estou a meter? Isto é completamente contra as regras, mas porque, ela traiu-te, enganou-te, durante mais de 15 anos, e mesmo depois disso, depois de tudo, ainda fugiu com os teus dois filhos e… depois a Gracie, como é que ela teve coragem para isto… mas por outro lado, ela foi forçada, a extracção foi forçada, e ela andou a procura da Nadia por mais de 15 anos e ela, ela protegeu a Sydney e sempre se preocupou com ela, eu acho e depois a Gracie, ela gosta da filha, eu sei que sim. Para porquê tudo isto, ridículo"
Jack suspirou e tentou pôr os pensamentos em ordem
"Jack Bristow, isto é ridículo, tu és ridículo, como é que tu ainda gostas dela? Ou melhor como é que tu pensas que ainda vais conseguir ficar com ela! És mesmo ridículo, Jack Bristow principal estratega da CIA, e considerado uns dos melhores do mundo, é casado com Irina Derevko, a sexta mais procurada na lista da CIA e a quarta mais procurada da lista da Interpol, antiga agente da KGB e uma das principais seguidoras daquele estúpido e ridículo profeta, por amor de deus Jack Bristow. ACORDA." A consciência falou com ele.
- A minha sanidade está de verás afectada. - Ele murmurou.
- Achas? – Perguntou uma voz familiar – Diria que já estas assim a anos.
- Irina? – Ela virou-se para ela, e lá esta ela, e a única coisa que ele conseguia pensar era como ela continuava a ser a mulher mais bonita que ele alguma vez tinha visto.
- A sonhar, Jack Bristow? – Ela perguntou com um sorriso ao notar que ele a observada compenetrado, ele abanou ligeiramente a cabeça até que e disse:
- Vamos?
- É claro.
Os dois dirigiram-se para fora do aeroporto enquanto Jack continuava preso a pensamentos.
" Ela continua linda, a mulher mais linda que eu alguma vez vi… Jack Bristow para com isto e preocupa-te com as tuas filhas, além disso a Gracie faz anos hoje, e tu estas com a tua mulher… um sonho não."
Jack abanou a cabeça de uma lado para o outro para tentar afastar todos os seus pensamentos. Entraram no carro, e sentaram-se lado à lado como um casal normal, irónico no mínimo pensou Irina, também os pensamentos dela começaram a vir…
Ele continua bonito, parece que me tinha esquecido das sensações que ele provoca em mim, oh meu deus eu estou tão doente, a Elena bem me tinha avisado que eu não andava bem… chega Irina, chega! ele nunca mais vai voltar a olhar para ti como mulher dele, tu traíste-lo e depois disto tudo tu entregaste-lhe uma filha, mas se ele soubesse o que me custou, eu sei que fiz o melhor para ela mas isso foi… horrível, eu já tinha privado a Syd de ter uma mãe e privei a Gracie também, mas graças à Deus, ela esta aqui, comigo. Eu ainda o amo, eu sei que sim, como nunca amei ninguém mas amar não é suficiente, é preciso confiar e isso é impossível entre nós…"
Jack parecia perceber o que ela pensava, como se por segundos ela ainda fosse a mulher dele, e legalmente ainda era, mas sempre que ele pensava na "Laura" a única imagem que lhe vinha a cabeça é a de Irina, surpreendentemente ele deixou de amar a mulher com quem se casou e passou a ama-la, ou melhor ele sempre a amou, porque ele ama a ela e não ao nome dela.
Ela sorriu ao constatar que ele a observava mais uma vez, não conseguia parar de sorrir era impossível.
Ele sorriu levemente, e ela teve a percepção disso e sem sequer dar por isso, Jack tinha chegado a uma casa enorme.
- Chegamos. – Ele olhou para ela e ela continuou – Jack, nós precisamos de falar.
- Não sei sobre o que – Ele recuperou incrivelmente o seu tom frio.
- Eu sei – Ela declarou – Nós temos cinco filhos que não sabem nem metade do que se passa.
- Porque será isso? – Ele retorquiu começando a ficar irritado – Porque lhes mentimos, porque decidiste esconder de mim que os meus filhos, que eu julgava terem morrido com três anos estavam vivo, por amor de deus, Irina, de que é que tu queres mais falar?
Ela olhou para ele magoada, magoada por ele falar com ela nesse tom, não que ela não tivesse habituada, quem é que não tivesse habituada no lugar dela, mas ele… ele era o homem que ela amava e que tinha… traído.
- Jack. – Ela pediu e de repente não se lembra de mais nada a não ser de Jack segura-la antes de ela embater no chão.
