Capítulo 10: Amor

"Director Dean, compreendo que a sua vida pessoal apenas a si pertença, mas você é o director de uma revista cujo público-alvo é o homem heterossexual. Se se descobrir que é homossexual, se algum rival nosso sequer sonha que o nosso director tem tendências diferentes, estaremos arruinados." disse o presidente. "As vendas irão descer. As pessoas são preconceituosas e deixarão de acreditar na revista em si. Pensarão que não será boa ideia comprar uma revista com um gay a geri-la. E além disso, esteve a ter sexo no seu local de trabalho. Portanto, não me deixa outra escolha. Dean Winchester, você está despedido."

Dean não se mexeu durante alguns segundos, nem disse nada, interiorizando o que o director acabara de dizer. Estava tudo terminado. A sua carreira ali tinha acabado. Todo o tempo que tinha gasto a tornar a revista melhor, o empenho que tinha dedicado, agora não significava nada. Temera aquele momento durante muito tempo. Temia ser descoberto e que o despedissem. E agora, acontecera.

Castiel conseguiu manter-se sério, apesar de lhe apetecer sorrir maliciosamente. Finalmente tinha conseguido livrar-se do seu rival. Agora poderia ter o cargo de director da revista para si próprio. O presidente dirigiu o seu olhar para Castiel nesse momento.

"Subdirector Castiel, volte para a revista. Falaremos depois. Não pense que isto fica por aqui. Apesar de tudo, mesmo que seja graças a si que sei a verdade sobre o agora ex-director Dean Winchester, você colocou, sem qualquer autorização, uma micro-câmara no gabinete dele. Isso é grave. Uma invasão de privacidade." disse o presidente.

"Mas senhor presidente…" tentou argumentar Castiel.

"Saia agora, por favor. Já lhe disse que falaremos mais tarde."

Castiel cerrou os punhos, lançou um último olhar ao presidente Robert e a Dean e saiu do gabinete, furioso. O presidente voltou a focar a sua atenção em Dean, que ainda continuava calado.

"Espero que compreenda a minha decisão, Dean Winchester. Não gosto de despedir bons profissionais e só tenho a agradecer-lhe o esforço que teve ao longo do tempo que aqui trabalhou, mas isso terminou." disse o presidente. "E o mesmo se aplica ao seu secretário pessoal. Ele também está despedido."

"Mas ele não é o director da revista. Não o deve despedir por causa disto. O Sam faz bem o seu trabalho."

"Não duvido disso, porém, é essa a minha decisão. Se houver falatório do que houve entre vocês e ele ainda aqui trabalhar, poderá ser prejudicial para a revista."

Dean sentia-se agora bastante zangado, depois do que choque do despedimento. Perdera tempo com a revista, dera o seu melhor, trabalhara horas e horas e acabara por ser despedimento. Sam tinha-se esforçado imenso também, para fugir da vida de prostituto e agora também ele iria ser despedido. Olhando para o presidente, Dean decidiu que se ia embora, não iria pacificamente.

"Quer despedir-me, não é? Muito bem, não o posso impedir de o fazer, mas vou processá-lo por isso."

"O quê?" perguntou o presidente, surpreendido. "Não pode processar-me."

"Claro que posso. Está a despedir-me com base na minha orientação sexual e ao Sam também. Não o pode fazer. Mesmo que use aquele vídeo para tentar contra argumentar, sabe que eu vou acabar por ganhar na mesma. Estava no meu local de trabalho, é verdade, mas já terminara o expediente." disse Dean. "E será uma publicidade indesejada para a revista. Já estou a ver as manchetes dos jornais, empresa Resmonder despede funcionários homossexuais por pura discriminação. Não seria só a revista Maxycool a ser afectada, mas todas as revistas do grupo."

O presidente empalideceu rapidamente perante o discurso de Dean.

"E você sabe que eu tenho razão no que estou a dizer. O processo no tribunal era capaz de levar algum tempo, é verdade, mas enquanto isso a imagem da empresa seria arrastada na lama. Não têm nada a apontar ao meu trabalho e ao trabalho do Sam para justificarem o despedimento, além da discriminação." disse Dean. "Portanto, se me vou embora, vai pagar-me uma indemnização pelo despedimento. E o mesmo se aplica ao Sam. É pegar ou largar. E sabe as consequências se não aceitar."

"Isso é ultrajante! Está a chantagear-me!"

"Ai sim? E você está a destruir a minha carreira na revista. Trabalhei no duro para chegar onde cheguei, fiz de tudo para promover a revista e você, só pela minha orientação sexual, despede-me? Acha isso justo? Pois se quiser falar de valores, estou disposto a fazê-lo agora, senão saio por aquela porta e as coisas vão azedar. Ah, seria óptimo eu ir a um programa de televisão falar disto. A televisão é o melhor meio de comunicação para estas divulgações. Teria muito impacto. Agora, você é que sabe."

O presidente hesitou durante alguns segundos, percebendo que Dean o tinha na mão. Teria de aceitar pagar-lhe uma indemnização ou teria muitos problemas no futuro, a respeito das revistas e dos lucros obtidos por elas. Manter Dean a trabalhar ali não era opção.

"Muito bem, Dean, eu aceito pagar-lhe a indemnização, porém tem de me prometer algo."

"O que quer dizer com isso?"

"Esta história, mais cedo ou mais tarde, vai saber-se. Nessa altura, já não estará a trabalhar connosco. Quero que corrobore a história de que foi descoberta a sua orientação sexual e que foi você que se despediu e não eu que o despedi."

Dean ficou pensativo durante uns segundos. O director queria certificar-se de que, pagando a indemnização que Dean queria, quando os rumores se espalhassem, a imagem da revista não seria denegrida pela parte da discriminação. Dean sentiu-se tentado a recusar, mas isso iria tornar tudo mais difícil. Iria formar-se uma guerra entre ele e a empresa, muitas complicações e no final o seu emprego estava perdido de qualquer maneira. Apesar de tudo, trabalhara imenso para a revista Maxycool e não queria que um escândalo acabasse com ela.

"Aceito esse condição. Falemos de valores então."

Bater de Dois Corações

Sam encontrava-se sentado na cadeira do seu gabinete. Tinha fechado a porta para que não o incomodassem. Mal Dean saíra atrás de Castiel, todos tinham pousado o seu olhar em Sam e feito muitos comentários. Ruby fora a pior, com comentários mordazes e desrespeitosos. Sam já não aguentara mais e fechara-se no gabinete. Os minutos passaram e Sam continuou sentado. Quando o telefone tocou, deixou-o tocar sem o atender. Só despertou do seu torpor quando a porta do seu gabinete se abriu e Dean entrou. Sam levantou-se rapidamente da sua cadeira.

"Dean, o que aconteceu?" perguntou Sam.

"O Castiel contou tudo ao presidente e o presidente despediu-me." respondeu Dean. "E a ti também, Sam."

"Oh não… Dean, desculpa. Eu sabia que não devia ter vindo para aqui trabalhar… agora perdeste o teu emprego, a tua carreira…"

"Calma, Sam." disse Dean, aproximando-se do namorado. "Sim, as coisas para nós terminaram aqui. Quer dizer, em relação ao nosso trabalho aqui. Mas não vamos sair de mãos a abanar. Exigi uma indemnização ao presidente, por nos despedir pela nossa orientação sexual."

Dean explicou a Sam o que o presidente tinha dito para os despedir e como tinha dado a volta à situação e pedido uma indemnização. Ao ouvir o valor que seria pago pelas indemnizações, Sam abriu a boca de espanto.

"Mas isso é muito dinheiro!" exclamou ele.

"Para a empresa, não é. Assim, livram-se de nós sem escândalos." disse Dean.

"Mas vais ficar sem a tua carreira aqui…"

"Quanto a isso, já não posso fazer nada. Mas Sam, agora, vou seguir outros objectivos para a minha vida. E tu também."

Bater de Dois Corações

Nessa noite, Sam e Dean jantaram no apartamento de Sam e Meg. Meg estava também presente e ouviu atentamente o relato que Dean e Sam fizeram do que tinha acontecido. Ficou indignada com a malvadez de Castiel, mas mais aliviada quando Dean lhe falou das indemnizações.

"É complicado terem ficado os dois sem emprego." disse Meg, suspirando. "Mas pelo menos vão receber um bom dinheiro. Sei que para ti, Dean, é mais complicado que para o Sam, uma vez que tinhas um cargo elevado na revista."

"Sim. Dediquei-me imenso, mas todas as coisas têm um fim." disse Dean. "Agora tenho de arranjar outro objectivo profissional."

"Também eu." disse Sam. "Tenho de conseguir outro emprego. Não volto para a prostituição de maneira nenhuma."

"Eu não deixaria que voltasses para a prostituição, Sam. Arranjaríamos sempre uma maneira de sobreviver. E como a Meg disse, vamos receber um bom dinheiro, por isso temos tempo para conseguir organizar a nossa vida." disse Dean. "Eu gostaria de fundar uma revista."

"Uma revista fundada por ti?" perguntou Meg. "Criada de raiz? Parece-me um projecto ambicioso."

"Sim, mas é o que eu quero." disse Dean. "Mas acho que para já ainda não. No futuro, talvez. Ainda tenho muito para aprender. Apesar de ter sido director da revista Maxycool, há muitas coisas que não tinha de lidar na revista. Afinal, uma revista para homens, com mulheres meio despidas é muito diferente de outras como… notícias da actualidade ou da natureza, por exemplo. Quero aprender e, se puder, depois criar uma revista minha e saber geri-la da melhor maneira."

"Tenho a certeza que vais conseguir, Dean." disse Sam, sorrindo.

Dean sorriu-lhe de volta. Meg pensou que eles realmente faziam um bom casal. No início, Meg temera que tudo acabasse repentinamente e Sam saísse bastante magoado, mas afinal o que Sam e Dean sentiam um pelo outro, apesar de ter começado de maneira pouco convencional, estava a correr bem.

"E tu, Sam, agora podias finalmente apresentar os teus quadros a algum especialista." disse Dean. "Poderiam avaliá-los. Eu acho que são bastante bons e podias ter um futuro como pintor."

"Eu acho a mesma coisa." disse Meg, acenando afirmativamente. "Acho mesmo. Tens tantos quadros bonitos, Sam. Pintaste retratos do Dean, um meu, um da tua mãe e outros. Acho que qualquer pessoa ficaria impressionada com o teu trabalho."

"Vocês estão a ser muito simpáticos, mas não sabem como é o mundo da pintura. Eu acho que ainda não pinto perfeitamente e só assim conseguiria impressionar alguém. Primeiro, tenho de estar satisfeito com o meu trabalho, para tentar apostar nele." disse Sam.

"Os artistas dizem todos a mesma coisa." disse Meg, abanando a cabeça. "Nunca estão satisfeitos. Mas se não arriscares, nunca vais saber."

"Eu vou pensar no assunto." disse Sam. "Pensarei se devo ir procurar alguém do ramo artístico para me dizer o que acha dos meus quadros."

Bater de Dois Corações

Passou-se um mês e meio desde que Sam e Dean tinham sido despedidos da revista Maxycool. Sam voltou a inscrever-se nas aulas, para continuar a seguir a sua ideia de terminar o ensino secundário, enquanto Dean foi à procura de emprego, ao mesmo tempo que conseguiu ir escrevendo uma coluna num jornal local. Dean ficou surpreendido, quando numa manhã recebeu uma chamada para comparecer nos escritórios da Walsral, uma empresa concorrente à Resmonder no mercado das revistas.

Dean compareceu nos escritórios da empresa à hora marcada. A recepcionista informou-o para aguardar e depois Dean foi conduzido até ao gabinete da presidente da empresa Walsral. A presidente da empresa, Ellen Harvelle, estava acompanhada da sua filha, Joanna Beth Harvelle e ambas cumprimentaram Dean quando ele entrou no gabinete. Dean sentou-se numa cadeira, encarando de seguida Ellen e Jo.

"Dean Winchester, obrigado por ter vindo ter connosco. Compreendo que deve estar curioso por o termos chamado aqui, assim de repente." disse Ellen, de maneira calma. "Afinal, trabalhava na empresa concorrente."

"Eu já não tenho nada a ver com a empresa Resmonder."

"Nós sabemos." disse Jo, abanando a cabeça. "Ouvimos muitos rumores sobre si."

"Mas isso não importa agora." disse Ellen. "Dean, você era o director da revista Maxycool e agora, pelo que sei, anda à procura de emprego. Nós temos um emprego para lhe oferecer."

Dean já desconfiara que era por isso que o tinham chamado ali, apesar de achar que seria bom demais. Afinal, como a presidente da empresa dissera, ele trabalhara para uma das revistas da empresa concorrente.

"Nós aqui na Walsral, tentamos fazer sempre o melhor que pudermos, obviamente. Claro que estamos sempre atentos ao que a concorrência faz também. E fiquei muito impressionada com o trabalho que fez na revista Maxycool. Quando se tornou director, a revista melhorou imenso. Temos uma revista do mesmo género, que perdeu muitos leitores devido à nova dinâmica da Maxycool."

"E quer que eu dirija essa revista, que tem conteúdos semelhantes?" perguntou Dean. "Então lamento, pois não quero esse emprego."

Jo sorriu-lhe e olhou para a mãe, que acenou para que fosse agora Jo a falar.

"Não queremos que dirija essa revista. Seria mais do mesmo, não é verdade? Um dos directores de outra revista, infelizmente, tem uma doença incurável e vai deixar-nos, portanto ficámos com uma vaga. E eu falei à minha mãe que você seria o ideal para o substituir." disse Jo. "É uma revista sobre desporto e saúde. Chama-se Sportinus. Já deve ter ouvido falar."

"Sim, conheço a revista." disse Dean. "Tinham uns bons artigos nosso mês passado, sobre atletismo e todo o terreno."

"Ah, então também lê a nossa revista." disse Jo, surpreendida.

"Leio o que gosto. Já lia a revista mesmo quando estava a trabalhar para a Resmonder. Aprecio a qualidade, mesmo que viesse de outra empresa."

"Aí está uma boa resposta." disse Ellen. "Portanto, queremos que você fique com o cargo de director da revista. Apesar de ter tido resultados médios, precisa de uma renovação. Precisa de novidades. E pelo que fez na Maxycool, tenho a certeza que também conseguirá reorganizar a nossa revista Sportinus. Podemos falar nas condições do emprego?"

Dean acenou afirmativamente e Ellen lançou-se numa conversa sobre quais seriam as funções de Dean. Não seriam muito diferentes do que fazia na revista Maxycool. Falaram da revista em si, do ordenado e Dean acenou afirmativamente, gostando das condições que lhe estavam a ser dadas.

"Mas antes de dar o sim, tenho de esclarecer algumas coisas." disse Dean. "Disseram que ouviram rumores sobre mim. Imagino que se deva ao que aconteceu e que levou à minha saída da Resmonder."

"Claro que é isso. Porque foi descoberto que é gay, não é verdade?" perguntou Jo. Dean acenou afirmativamente. "Não tem problema. Nós não temos nenhum problema com isso."

"O que faz da sua vida pessoal, é da sua conta e não da nossa. Desde que isso não prejudique a nossa empresa, pode fazer o que quiser. E quando digo prejudicar, não falo em envolver-se com outro homem. Isso hoje em dia é banal, se bem que compreendo que quando estava na revista Maxycool, dirigida a um público heterossexual, era complicado. Aqui não temos essas restrições. Claro que com isto não quero dizer que pode andar para aí a fazer tudo e mais alguma coisa, sem que haja consequências. Nós respeitamos as escolhas, mas não toleramos maluqueiras dos nossos empregados." disse Ellen.

"Não se preocupe que eu não ando por aí a fazer maluqueiras, como disse."

"Óptimo. Então, amanhã passe por cá para assinar o contrato."

Dean agradeceu e levantou-se da cadeira onde estava sentado. Despediu-se de Ellen e Jo e ia sair do gabinete, quando parou e as encarou novamente.

"Contrataram-me apenas pela minha competência?" perguntou Dean. "Acho curioso, porque de certo que teriam muitos candidatos, mas escolheram-me a mim."

"Digamos que além da sua competência, tivemos outros factores importantes." respondeu Ellen, encarando Dean. "Primeiro, confirmámos o seu passado. Tudo limpo. Nada a apontar. Temos também a Pamela Barnes, que é muito amiga da minha filha e que o elogiou imenso, como pessoa e profissional. E depois, a minha filha…"

"Eu sou lésbica." disse Jo. "E achei que não podia ter perdido o seu emprego só por descobrirem a sua orientação sexual. Com tudo isto, resolvemos dar-lhe uma oportunidade."

"Compreendo… obrigado então. Até amanhã."

Dean saiu do gabinete e sorriu. Tinha arranjado um novo emprego, desta vez numa revista de saúde e desporto. Gostava bastante de desporto e não teria de mentir sobre a sua sexualidade. Desta vez iria dedicar-se a um trabalho de que realmente gostava e poderia ser ele próprio, sem deixar de ser profissional. Lembrou-se que tinha de ligar a Pamela, a agradecer por ela ter intercedido junto de Jo. Não fazia ideia de que elas eram amigas.

"E quando a presidente falou no meu passado limpo, pelo menos não descobriu nada sobre o meu recorrer aos prostitutos." pensou Dean, aliviado. "Também não o fiz assim tantas vezes. E não voltarei a fazer. Agora tenho um novo trabalho e tenho o Sam."

Bater de Dois Corações

A noite chegou rapidamente. Sam não tinha aulas nessa noite, pois continuava a frequentar as aulas nocturnas, pelo que Dean o convidou para jantarem os dois na casa de Dean e Sam aceitou, pois queria falar com o namorado. Quando Sam chegara à casa, Dean contara-lhe sobre o seu novo trabalho. Estava bastante entusiasmado e Sam deixou-o falar. Comeram e Dean continuava sempre a falar no trabalho.

"Agradeci à Pamela e ela ficou feliz por ter conseguido o emprego." disse Dean. "Diz que me quer ver para avaliar a minha aura."

"Ela é engraçada." disse Sam, sorrindo. "Olha, recebi hoje uma chamada da Jessica Moore. Queria saber como eu estava. É uma querida."

Dean ficou subitamente mais sério e Sam riu-se. Já sabia que aquela cara significava um ataque de ciúmes. Mas Dean conseguia ter esse ataque quase sem o demonstrar. Porém, a sua expressão ficava sempre dura e os seus olhos verdes faiscavam.

"Calminha, tigre. Ei, não tens de ter ciúmes, se bem que eu fico contente por os teres, pois é sinal que gostas de mim."

"Acho que já tinhas percebido isso antes."

"Que gostas de mim? Já desconfiava." disse Sam, rindo-se. "Mas estava eu a dizer, a Jessica ligou-me, para saber como eu estava. Falámos da revista. Ao que parece, o Castiel agora foi despromovido. Ficou tão zangado por não ter sido promovido que se meteu em sarilhos com o novo director e agora passou a ser apenas um simples jornalista. A Ruby continua a ser a recepcionista e a Jessica diz que ela anda mais chata que o costume. E parece que a Ava vai voltar ao trabalho, para o cargo antigo. Apesar de tu já não estares lá, cumpriu-se o que tinhas prometido."

"Isso quer dizer que a mãe dela faleceu." disse Dean, pensativo. "Tenho pena. Se soubesse o número da Ava de cor ou o tivesse no telemóvel, ligava-lhe."

Depois de jantarem e lavarem a louça, Sam e Dean sentaram-se no espaçoso sofá da sala de Dean. Sam acabou por encostar a cabeça ao ombro de Dean, que agora estava mais calmo, em relação aos ciúmes e também à novidade sobre o trabalho. Ficaram assim alguns minutos, a ver televisão e depois Sam resolveu contar a Dean a novidade que tinha para lhe dar.

"Dean, hoje fui até à galeria Nomad." disse Sam. "Eles são especialistas em quadros e esculturas. Fui lá mostrar os meus quadros."

Dean mexeu-se no sofá e ficou a olhar frente a frente para Sam.

"E o que é que eles disseram?" perguntou Dean. "Gostaram?"

"Eles disseram que eu tinha talento." respondeu Sam. "Levei apenas três quadros comigo. Disseram que queriam ver mais e que eu tinha potencial."

"Eu sabia!" exclamou Dean, feliz. "Eu disse-te."

"Sim. Querem que eu passe lá amanhã novamente, para lhes mostrar mais quadros. E se gostarem, estão dispostos a fazer uma exposição com eles. A galeria costuma fazer algumas exposições de novos artistas." explicou Sam. "Se eu conseguir fazer a exposição e alguém influente gostar de um dos quadros… pode mudar tudo, Dean."

"É fantástico, Sam."

Dean aproximou a sua cara de Sam e beijou-o de seguida. Sam beijou-o de volta. Ambos estavam felizes por, depois da situação com a empresa Resmonder, as suas vidas estarem a encaminhar-se novamente. E, mesmo depois de tudo, continuavam juntos. O beijo durou alguns segundos e quando os dois o quebraram, ambos estavam cheios de desejo. Levantaram-se do sofá e praticamente correram até ao quarto de Dean. Mal Dean abriu a porta e entrou no quarto, já Sam estava a beijá-lo.

Os dois, continuando a beijar-se, encaminharam-se para cama, tentando tirar as peças de roupa um do outro. Quando caíram os dois em cima de cama, o beijo foi quebrado, mas não por muito tempo. Dean apressou-se a tirar a t-shirt que Sam trazia vestida e lançou-a ao acaso pelo quarto. Sam também se livrou da camisa que Dean vestia e logo de seguida Dean investia sobre o pescoço de Sam, beijando-o.

Sam soltou um gemido. O pescoço era o seu ponto fraco, o seu local de prazer. Lembrava-se da primeira vez que Dean lhe tinha beijado assim o pescoço, ainda Sam se prostituía. Mas Dean quisera dar-lhe prazer. E dera. E a partir daí, tudo mudara para os dois. Para Sam, o que acontecia agora e tinha acontecido já inúmeras vezes não era só físico. Era algo mais. Não era só sexo. Era amor. Dar e receber prazer da pessoa que lhe era mais especial.

Dean mexeu as mãos passando-as pelos mamilos de Sam, sem deixar de lhe beijar o pescoço e Sam gemeu de prazer novamente. Dean já lhe conhecia bem o corpo. Sabia o que estimulava mais Sam. Quando Dean deixou de lhe beijar o pescoço, apenas por uns segundos, Sam capturou-lhe os lábios e beijou-o com paixão. Quando quebraram o beijo, estavam já ofegantes.

"Sam, quero pedir-te uma coisa." disse Dean.

"Tudo o que quiseres." disse Sam.

"Hoje quero que sejas tu no comando. Quero que sejas tu a penetrar-me." pediu Dean.

Sam ficou surpreendido. Durante todo o que tempo em que tinham estado juntos, fora sempre Dean que estava no comando. Sam não tinha qualquer problema em deixar Dean tomar o comando e penetrá-lo. Afinal, Sam amava-o e Dean apenas lhe proporcionava bons momentos. Não sentia muita falta de ser ele a comandar, de ser ele a penetrar Dean. Não sentia falta e nunca tinha acontecido, porque Sam pensava que Dean não queria.

E agora, era Dean que lhe estava a pedir. Sam encarou-o. Adorava aqueles olhos verdes que o olhavam agora. Adorava Dean. Sam não quisera pedir, nem uma única vez, para que fosse ele o topo. A certa altura, pensara que Dean talvez nunca tivesse tido essa experiência. Talvez nunca tivesse sido penetrado e amado de outra maneira. E agora, com Dean a olhá-lo, soube que era isso mesmo. Dean nunca fora penetrado por ninguém, mas queria que Sam fosse o primeiro.

"Dean… tu…"

"Tu sabes, Sam." disse Dean. "Nunca quis que outra pessoa tomasse o comando. Nunca quis que alguém me penetrasse. Eu estava em controlo. Deixar alguém fazê-lo, seria estar à sua mercê. Seria dar-lhe uma parte de mim que não tinha dado ainda a ninguém. Mas é a ti que quero dar essa parte de mim."

"Tens a certeza?"

Sam não obteve uma resposta por palavras, pois Dean voltou a beijá-lo de seguida. Não precisava de palavras para entender a resposta de Dean. Sam desapertou rapidamente as calças de Dean e puxou-as para baixo, conseguindo tirá-las e mandando-as para o chão. Dean não vestira roupa interior nesse dia. Os dois quebraram o beijo apenas tempo suficiente para Sam desapertar e se livrar das suas próprias calças e Dean se aproximar da mesa-de-cabeceira, abrir uma gaveta e tirar de lá um preservativo.

Depois de Dean colocar o preservativo sobre o pénis erecto de Sam, os dois voltaram a beijar-se novamente. De seguida, Dean deitou-se sobre a cama. Dean sentiu a língua de Sam humedecendo o buraco do seu ânus e fechou os olhos, gemendo. Nunca se sentira daquela maneira. Já fizera sexo várias vezes, mas para si, aquilo era novidade. Já imaginara como seria se não fosse ele a comandar, mas estava a ser diferente do que esperava.

Quando Sam achou que Dean já estava suficientemente lubrificado, Dean sentiu um dedo ser-lhe inserido no ânus. Não abriu os olhos. Assim, conseguia sentir tudo de maneira diferente e ao mesmo tempo, sentia-se nervoso e quase com vergonha. Não queria mostrar a Sam nenhuma fraqueza por ser a primeira vez que seria penetrado. Dean sentiu um segundo dedo entrar em si. Sentiu um pouco de dor, que se atenuou pouco depois.

Um terceiro dedo foi introduzido no ânus de Dean, que tentou relaxar. Sam fazia tudo com cuidado, tentando não magoar Dean. Quando achou que Dean estava preparado, Sam beijou-o e pediu-lhe para abrir os olhos. Dean assim o fez, sendo beijado novamente. E depois, Sam penetrou-o lentamente. A princípio, Dean sentiu apenas a dor. Num momento parecia insuportável, apesar da lubrificação que Sam fizera, mas depois começou a diminuir cada vez mais. Até praticamente desaparecer, sendo substituída por ondas de prazer.

Com cada investida de Sam, Dean sentia mais uma onda de prazer no seu corpo. Era bastante diferente do que sentia quando era ele que estava a penetrar Sam, mas igualmente bom. Pediu a Sam para o penetrar mais fundo e Sam assim o fez. Os dois perderam-se naquele prazer. Sam já não penetrava ninguém há bastante tempo. Quando era prostituto, normalmente eram os clientes que gostavam de estar no comando. Quando Sam e Dean chegaram ao clímax, beijaram-se uma última vez e deixaram-se cair lado a lado sobre a cama, exaustos.

Ficaram a ofegar durante alguns minutos, com todo o tipo de pensamentos a passarem-lhe pela cabeça. Sam achava que tinha sido maravilhoso. Dean achava que aquela experiência teria de ser repetida no futuro. Sam tinha agora a certeza que encontrara mesmo a sua alma gémea. Dean tinha o mesmo pensamento. Sam queria ficar ali para sempre, junto de Dean. Dean não queria voltar a ver Sam partir de volta ao seu apartamento.

"Amo-te, Dean." sussurrou Sam.

Desde que tinham ficado juntos, ainda nenhum deles dissera aquelas palavras. Sentiam algo muito forte um pelo outro e reconheciam isso, mas ainda não tinham tido a coragem de dizerem aquilo um ao outro. Porém, naquele momento, depois de tudo, era o momento apropriado.

"Também te amo, Sammy." disse Dean.

"Sammy?"

"Pareceu-me um bom diminutivo." disse Dean.

Sam sorriu e chegou-se mais para Dean, colocando a sua cabeça no peito do homem mais velho. Agora ambos se sentiam em paz, depois de saciado o desejo e das suas vidas começarem finalmente a correr bem novamente. Dean tinha uma pergunta a dançar-lhe na cabeça e por sorte Sam proporcionou-lhe logo de seguida a melhor maneira de fazer essa mesma pergunta.

"Sabes, a Meg arranjou um apartamento melhor." disse Sam. "Sinto-me um pouco aborrecido. Já vivo com ela há algum tempo. Pediu-me desculpa, mas o novo apartamento tem melhores condições e agora, com o ordenado de gerente da loja, pode pagar uma renda um pouco maior, apesar de ir partilhar a casa com outra pessoa. No final da semana, fico sozinho no apartamento. Vou ficar só."

"Então não fiques." disse Dean.

"O que queres dizer?"

"Eu quero perguntar-te, Sam, se não queres vir viver comigo?" perguntou Dean.

Sam ergueu-se sobre um braço e fitou Dean.

"Falas a sério?" perguntou ele.

"Claro que falo a sério. Já não temos nada a esconder e eu quero ficar junto de ti."

"Quero o mesmo, Dean."

"Então aceita. Vem viver para aqui comigo." disse Dean. "Vamos começar a construir uma vida, juntos."

Se aquela proposta fosse feita há algum tempo, Sam recusaria. Mas agora, estava certo de que era com Dean que queria ficar. Dean amava-o e ele amava Dean. Não queria estar mais tempo separado dele. Acenou afirmativamente com a cabeça e beijou Dean de seguida.

"Espero que corra tudo bem connosco." disse Sam. "Vou dar o meu melhor para que a nossa relação resulte."

"Eu também." disse Dean. "Tudo correrá bem. Estaremos juntos. Sempre. Enquanto os nossos corações continuarem a bater."

Sam e Dean voltaram a beijar-se e pouco depois adormeceram nos braços um do outro. Nenhum deles sabia o que lhes reservaria o futuro. Conseguiria Dean dirigir a nova revista? Conseguiria Sam ter uma carreira como pintor? Conseguiriam as outras pessoas vê-los como um casal, sem preconceitos? Sam e Dean não sabiam, mas sabiam que apesar de tudo, acontecesse o que acontecesse, estavam juntos e era assim que continuariam no futuro.

Fim!

E assim, a história chega ao fim. Espero que tenham gostado e se acharem que a história merece um comentário vosso, eu agradeço. Até uma próxima história.