- Mamãe? Mamãe?

Lentamente, Sakura abriu os olhos e se deparou com Satoru praticamente deitado em cima dela.

- Satoru-kun?

- AAHH! Você me deu um baita susto, mamãe! – o pequeno exclamou aliviado.

- Onde estamos? Nós vencemos?

- Aham!

- Como?

Satoru coçou a cabeça e procurou se lembrar de algo. Não conseguiu.

- Pra dizer a verdade eu não me lembro...

Sakura estreitou os olhos.

- Qual é a última coisa da qual você se lembra, meu filho? – ela perguntou.

Mais uma vez Satoru coçou a cabeça.

- De você ferida. Depois disso eu não me lembro de mais nada.

Na mesma hora Sakura compreendeu. Satoru era aquele tipo de guerreiro que sob forte pressão perdia o controle e a consciência. O tipo mais perigoso de ninja.

- Acho que o senhor Uchiha Sasuke nos salvou... – o garoto disse pensativo. Sakura sorriu.

- Então devemos agradecer a ele, não?

- Sim! Vou comprar balas! Ele gosta de balas.

Sakura riu. Satoru então ficou sério.

- O quê foi, meu filho?

O menino olhou bem fundo nos olhos da mãe. Sakura ficou preocupada. Nunca tinha visto seu filho tão sério antes.

- Satoru?

- Obrigado mamãe.

- Hã? – Sakura ficou confusa. Por que Satoru estava agradecendo?

- Obrigado por me salvar. Eu sabia que você viria atrás de mim.

Satoru falou aquilo com tanta pureza e profundidade que Sakura não pôde deixar de ficar emocionada.

- Ah, meu filho! – ela exclamou abraçando o pequeno – Não precisa me agradecer. Eu iria até o inferno atrás de você.

Satoru retribuiu o abraço.

- Eu tive que enrolar aquela cobra velha ao máximo. Até fingi aceitar a proposta dele.

- Você me assustou. – a mãe sussurrou no ouvido do filho.

- Desculpe. Ossos do ofício.

- Você nunca duvidou de mim, meu filho?

Satoru ficou alguns instantes em silêncio.

- Por um momento, mas depois percebi o quão mau eu tinha sido. Minha mãe jamais me abandonaria.

Sakura sentiu os olhos marejarem.

- Obrigada por confiar em mim, Satoru.

- Eu que tenho que agradecer, mamãe. Obrigado por nunca me abandonar.

- Eu te amo, meu pequeno.

- Eu amo mais, mamãe.

Os dois riram e nem repararam que estavam sendo observados pela porta entreaberta. Sasuke foi embora logo em seguida.

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Sakura estava se recuperando incrivelmente bem e dentro de dois dias sairia do hospital. A jovem queria sair antes, mas Tsunade obrigou-a a permanecer um pouco mais. A Hokage sabia que a kunoichi era forte, mas se preocupava com a jovem como se ela fosse sua filha. Só deixaria Sakura ir embora quando tivesse certeza de sua total recuperação.

Satoru, por sua vez, passava a maior parte do tempo cuidando da mãe. Eles comiam as frutas que Satoru levava, jogavam cartas e desenhavam juntos. O menino estava adorando os momentos que passava junto da mãe.

Naruto aparecia todo fim de tarde. Ele e Satoru faziam tanta bagunça no quarto que as enfermeiras eram obrigadas a expulsar os dois para que Sakura pudesse descansar. Uma vez expulsos, Naruto levava Satoru para comer ramen. Depois iam para casa do loiro onde Hinata os esperava com um sorriso doce. A barriga da jovem já começava a aparecer.

- E eu ainda não escolhi o nome do bebê! – Satoru exclamava desapontado.

- Você ainda tem alguns meses. – Naruto ria.

Depois do resgate de Satoru, Orochimaru pareceu desistir do menino. Assim, eram dias de paz para os ninjas de Konoha.

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Sasuke estava irritado. Quem era o inconveniente que batia à sua porta àquela hora da manhã? Foi até a entrada, já preparado para expulsar quem quer que fosse. Ao abrir a porta, deu de cara com Satoru.

- Você?

- Oi senhor Uchiha! – o menino exclamou alegremente e Sasuke se lembrou muito do amigo Naruto.

- Olá. O quê quer tão cedo, Satoru?

- Eu vim te agradecer!

- Agradecer? – Sasuke perguntou arqueando uma sobrancelha.

- Sim! Por ter salvado a mamãe e a mim.

Sasuke mirou bem o garoto. Satoru achava que ele que tinha salvado mãe e filho? Mais enganado aquela criança não poderia estar. Ele não fizera nada.

- Você não precisa me agradecer, Satoru.

- Preciso sim! Muito obrigado senhor Uchiha Sasuke! – o garoto exclamou alegre estendendo para o homem um pacote.

- O quê é isso? – Sasuke perguntou.

- Um agradecimento.

Sasuke ficou olhando para o pacote.

- O senhor não vai pegar? – Satoru perguntou.

Por fim, o Uchiha decidiu aceitar o pacote. Seria uma grande desfeita se não o fizesse. Satoru abriu um largo sorriso quando o homem apanhou o presente.

- O senhor vai visitar a mamãe? Ela sai hoje. – o menino disse. Aquela declaração pegou o homem de surpresa.

- Acho melhor não, Satoru.

- Por quê? O senhor não foi visitá-la ainda!

- Não creio que sua mãe apreciaria a minha visita...

- A mamãe gosta de todo mundo até do bobão do Genma! É claro que ela vai apreciar sua visita!

Sasuke riu. Era engraçado como Satoru imitava o jeito de falar dos adultos.

- Vou pensar, tá?

Satoru sorriu.

- Já é alguma coisa. Te vejo mais tarde! – o menino disse decidido e saiu correndo.

Sasuke observou o filho ir embora. Por alguma estranha razão, o homem sentia que não conseguia negar um pedido do garoto.

-

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O sol se punha no horizonte quando Sasuke chegou ao hospital. Sabia que não deveria estar ali, mas Satoru havia pedido. Chegou ao quarto de Sakura receoso. E se ela jogasse um vaso em cima dele por ter vindo? Bateu a porta.

- Entre! – ele ouviu a voz inconfundível da kunoichi dizer.

Sasuke entrou no quarto e se deparou com a mulher de madeixas rosadas de costas para ele. Não pôde deixar de reparar o quanto ela era bela. Sakura arrumava a mala e nem tinha se dado ao trabalho de virar.

- Você está atrasado. – ela disse ainda de costas.

Atrasado? Do que ela estava falando? Será que estava esperando-o? Será que Satoru havia comentado algo?

A jovem continuou arrumando a mala sem prestar muita atenção no visitante que se limitava a observá-la. Sakura pegou um ursinho de pelúcia que estava em cima da mesa.

- Esse garoto! – ela exclamou – Larga tudo espalhado!

Sasuke sorriu. Não sabia por que, mas aquela declaração havia deixado-o feliz. Finalmente Sakura terminou de arrumar a mala. Estava pronta para ir embora do hospital. O homem não soube dizer o que o fez tomar tal atitude. Só sabia que assim que a mulher terminou de arrumar as coisas, ele caminhou até ela e a abraçou por trás. O pedido de Satoru, a declaração de Sakura, tudo isso o tinha deixado feliz. O tinha feito sentir que ele estava ligado a alguma coisa. Alguma coisa importante. Aquele abraço era uma espécie de agradecimento à Sakura por ter colocado no mundo uma criança tão maravilhosa quanto Satoru.

Sakura soltou uma exclamação de surpresa e em seguida deixou-se levar pelo contato. Fechou os olhos e sentiu o cheiro daquele homem. Aquele cheiro... Aquele cheiro não era de Genma! Assustada, ela virou-se.

- Sasuke! – exclamou.

- Sakura, eu...

- O quê está acontecendo aqui? – uma voz vinda da porta perguntou.

- Genma! – a kunoichi exclamou.

- Posso saber o que você estava fazendo com a minha noiva, Uchiha Sasuke?

- Tsc! Isso não é da sua conta! – o outro respondeu.

- É claro que é da minha conta.

- Rapazes, por favor...

- É melhor você ficar fora disso, Sakura-chan. – Genma disse sério.

- Como é que é? – a mulher perguntou irritada.

- Eu não gosto de você, garoto. Quem você pensa que é?

Sasuke levantou uma sobrancelha. Seu rosto estava impassível.

- Alguém muito melhor do que você, pode ter certeza.

- Você é muito abusado! – Genma exclamou zangado – Que direito você tem sobre Sakura?

- Nenhum – o Uchiha respondeu friamente – E nem você.

O rosto de Genma se contorceu em uma careta de ódio.

- Você acha que pode aparecer depois de anos e reivindicar Sakura para si?

- Sakura não é um objeto para ser reivindicado. – o outro respondeu cruzando os braços.

A jovem em questão sentiu o estômago apertar. Havia ficado mexida com a declaração de Sasuke.

- Ouça, Sasuke: não se aproxime de Sakura e de Satoru. Ouviu bem?

Sasuke estreitou os olhos.

- Até entendo você não me querer perto de Sakura, mas não pode me impedir de ver o meu filho. – o Uchiha respondeu.

- O quê?! – uma voz vinda da porta exclamou.

Quando os três shinobis se viraram, depararam-se com Satoru. O menino tinha os olhos arregalados e a boca aberta.

- U-Uchiha Sasuke é meu pai?