Oito anos de idade é a época que Butters guarda uma de suas memórias mais especial. Lembra quando morava em South Park, quando ainda era um menino, era criança que facilmente sofria bullying no colégio. Sendo muito magro, mais baixo que a média, cabelos loiros curtos tinha o costume de usar as mesmas roupas que que utiliza na série animada, era um alvo fácil. Duas crianças estavam batendo com chutes que estavam caídos no chão. Chega uma terceira criança correndo que está usando uma calça marrom e blusa vermelha que bate nos dois agressores que já fogem jogando.

Caído no chão da neve com lágrimas nos olhos, sentindo dor em todo corpo, não deixa de sentir feliz de alguém que importou com ele. Um carinho que nem na sua família sentia na época, já que seu pai tem uma estranha mania de colocá-lo de castigo. Um tipo de anjo com cabelos curtos e pretos que lhe salvou mais uma vez. Como se seu olhar estivesse já adorando seu herói. Aquela criança que trás tanta admiração que exaura uma coragem que desejaria tê-la em seu espírito.

Muitos anos depois finalmente descobriu seu herói muito por acaso, já que viu a foto do filho da amiga de sua mãe, que já encontrava divorciada na época. Parecia que sua mente meio que traiu, afinal o seu herói estava mais… massa do que lembrava e tinha cabelos menos... escuros do que lembrava, mas lembra muito bem da roupa que ele tinha costume de usar. Já bastou Leo contar sua lembrança mais preciosa que comoveu tanto Liane Cartman como sua própria mãe, Linda Stotch.

É fato que existe um número significativo de familiares de pessoas transexuais que são muito bem visto pela família chegando algumas vezes serem até rejeitados, mas isso não foi o caso da família Stotch. Linda ficou muito mais ligado a filha, depois que se separou. Como se seu desejo de ter uma filha foi realizado através do seu filho biológico.

Conversando com sua amiga achou boa ideia em fazer Leo morar com Eric no mesmo apartamento. Se o filho de Liane foi tão carinhoso com sua filha no passado, imagina que aceitaria muito bem o fato da loira ser uma transexual.

Finalmente Leo reencontrou com seu 'herói' do passado, segundo ela. Os anos o transformaram em um verdadeiro rapaz que mesmo sendo menor de idade consegue sustento próprio sendo terceiro sócio anonimato do Instagram (o responsável de apresentar a mídia social para os investidores que popularizou com o tempo). Uma curiosidade que o primeiro nome seria 'Coonstagram', mas como Cartman iria usar o nome Coon sugeriu o segundo nome.

Incrível como Cartman pode ser bruto, insensível ao mesmo tempo gentil e acolhedor. Não ligou o fato dela não ter um corpo de mulher antes da cirurgia e nem pelo fato que foi morar junto com ele. Ao mesmo tempo falou algumas expressões que em situações normais ficaria muito ofendida, mas as brincadeiras incorretas foram até engraçadas mesmo pra ela. Alguém que fala o que pensa, mas consegue falar algumas coisas bonitas e acolhedoras ao mesmo tempo.

Finalmente seu corpo está ajustado com sua alma e poderia ficar sozinha com seu 'herói' (desconhecendo por completo o alter ego noturno dele), mas o destino costuma pregar peças de tempos em tempos nela. Agora não está sozinha com rapaz, porque chegou uma nova colega de apartamento. A prima mais velha de Eric, Alessandra Cartman. Não que tenha alguma coisa contra a moça de 18 anos pelo contrário: é curioso que a personalidade do rapaz é como se fosse uma herança de família apresentando todas as características… marcantes. Parece que os Cartmans tem a genética de terem olhos bicolores.

- Então quer dizer que essa loirinha está morando aqui, por que foi ordem da tia Liane? - dise Alessandra olhando Leo de cima a baixo.

- Basicamente sim - disse Cartman - e por que de tantos lugares pra ficar foi escolher justamente onde estou morando?

- Primeiro é mais perto do meu trabalho. E depois disso você nunca mais pisou os pés em Nebraska para visitar a família. Pode não parecer, mas estava com saudades seu puto.

- Também estava com saudades prima, sempre converso com você online - sorri de forma afetuosa.

- Mas não é a mesma coisa. Você nunca mais me visitou. Estava parecendo que meu querido priminho tem virando judeu - disse cruzando os braços.

- Você sabe que na última vez quando fui visitar a família não me viu de bons olhos quando falei que não gostava mais do nazismo, mas deixa isso de lado. Não ia fazer faculdade?

- Não quero. Já consigo trabalhar muito bem em uma agência de viagens. E você - se vira para Leo - pegue mais um copo de refrigerante para mim, enquanto converso com meu primo - estende o copo para a loira.

- Sim - Butters levanta rápido, pega o corpo da morena e vai para cozinha.

Alessandra Cartman, é uma mulher que Leo já tem uma opinião: ela a assusta. Não deixa de reparar que ela não esconde sua preferência para o antigo nazismo da alemanha, apesar de não ter nenhuma características de neonazistas. Eric não mentiu nenhum pouco sobre seu passado, pensa Butters.

- O QUE? AQUELA LOIRA É TRAP? - Leo se assusta dando um pulo, enquanto escuta os gritos de Alex.

- Ai hambúrguer! - disse Leo quase caindo no chão.

- Basicamente uma transsexual recem operada que você a obrigou carregar peso - disse Cartman calmamente. Butters escuta a conversa dos dois.

- Foda-se. Só estranho do porque a tia Liane mandou justamente uma kinder ovo para morar junto contigo.

- Parece de alguma forma ela bateu a cabeça e pensa que fui gentil quando tinha oito anos. Ninguém gostava de mim - Cartman fala de forma neutra sem sentir algum remorso ou tristeza. Fala como se fosse cotidiano.

- Eu gostava. Você é meu primo favorito - Leo consegue ver sinceridade na voz da Alex e até uma ternura nos olhos das mesma.

- Eu sou dos únicos que foi criança junto com você, já que a maioria dos nossos primos já são adultos, tirando Elvin que era o mais novo.

Butters ver que Alex fecha os olhos meio parece que está forçando o pensamento. Depois balança a cabeça.

- Algum problema, Alex? - pergunta Cartman.

- Nada. Não foi nada, mas continuando: eu não estou falando só disso, mas você entre todos sempre se mostrou o mais talentoso mesmo entre os adultos. Não é à toa que nossa bisavó te colocou como herdeiro no testamento.

- Nessa não sabia. Eu não importo muito com esses detalhes. Consigo pagar esse apartamento sem muitos problemas.

- Eu só fico triste, porque você traiu o movimento. Imagino que seja por causa daquele seu amigo judeu - Alex faz uma cara de nojo.

- Faz anos que não tenho nenhum contato com ele. Era um colega interessante de conviver, mas perdi os contatos e atualmente não tenho ninguém que é judeu, mas tenho alguém que é ruiva como amiga.

- Menos mau - disse Alex sorrindo.

- Heim? - Cartman estranha - se não me engano nossa família tem preconceito com os ruivos.

- Nossa família tem muitas incoerências isso é fato. Como nosso falecido bisavô que era bissexual e comia todo mundo até crioulo. Eu tinha uma melhor amiga ruiva, assim como você tinha um amigo judeu.

Butters resolve parar de escutar a conversa e pegar um pouco de refrigerante para a prima do Cartman. Mesmo sabendo que os dois são primos e que conhecem desde criança, não deixa de sentir ciúmes dela. Sempre quando pensa que aproximou um passo em direção de Eric aparece outra mulher que já está dez passos à frente dela. Mesmo agora não pode ter uma vantagem de está sozinha com ele.

Outra coisa que estranha é do porque Cartman sempre se referir como uma má pessoa no passado se ele fez tanto bem pra ela. Parece que fez um grande pecado e não se perdoou até hoje. Pelo pouco que lembra via que os outros também respeitava ele. O que será que aconteceu que ela não lembra?

Butters já leva o copo de refrigerante para Alex e logo a morena pega e fala:

- Por que, demorou?

- Ai. Sabe eu… - Leo fala gaguejando.

- Deixa ela. Ela é inocente demais pra você ficar manipulando - disse Cartman.

- Como se você não fizesse isso. E alias, priminho, finalmente ganhou vergonha na cara e emagreceu. Agora não é a tia Liane e eu que somos magros.

Butters ainda olha para Cartman tentando imaginar sem sucesso se um dia ele era mesmo gordo ou se sua memória não estava lembrando desse detalhes. Ela não ver isso como problema, na verdade mesmo se Cartman continuasse gordo não seria problema, já que é seu herói.

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- Bem vinda de volta, Leo - disse Kelly ao rever a loira. Está ela junto com seu namorado parados na rua para recepcionar Butters que finalmente voltou a frequentar as aulas. Nesse momento eles estão na sala de aula - como foi a retirada do tumor? Ele foi benigno?

Cartman cansado de tentar falar a verdade, resolveu entrar na onda e confirmar a mentira que Leo era uma garota desde nascença. A própria loira concordou tanto que acharam melhor dizer que ela estava com câncer e foi tirar um tumor. De certa forma tem um ponto de verdade que o 'tumor' dela era seu antigo pênis, pelo menos isso que pensa a loira.

- Sim, era benigno. Depois de livrar do tumor agora me sinto uma nova mulher.

- Dá para notar. Parece que seus seios aumentaram e sua cintura ficou mais fina.

- Ai hambúrguer - Leo se assusta com as pistas nítidas de sua cirurgia - é que aproveitei pra ajustar o meu uniforme, agora ele está mais justo no meu corpo.

- Entendi.

- Senhorita Leo. Onde está o Cartman? - disse Pip reparando que o castanho não está.

- Ele está ajudando a prima dele que chegou ontem pra morar com a gente - responde Leo.

- Sério? - disse Romper - a prima dele foi morar com vocês? Parece que a privacidade acabou.

- É. Infelizmente - disse Leo sussurrando a última frase - e Terezi? Onde está ela?

- Desde ontem ela não manda notícias - disse Kelly preocupada - ela não é de faltar à toa.

- Na verdade ela falta, mas com Eric junto. Ela não está com a prima dele também? - disse Romper dirigindo a palavra para Leo.

- Não. Não vi a ruiva hoje.

- Ei. Você é a Leo? - disse uma voz feminina chamando atenção do grupo.

Repara uma mulher de cabelos curtos negros, porte atlético e curvas modestas. Está usando um crucifixo semelhante que a gótica da sala usa. Seu nome é Katie Nelson, mas por algum motivo a grafia do seu sobrenome é errado, ficando 'Gelson'.

- Sim, sou eu - diz Leo.

- Eu vou te passar os conteúdos das turmas que estamos juntas.

- Muito obrigada.

- É impressão minha ou te conheço algum lugar? - Katie coloca o dedo indicador nos lábios - você era da cidade South Park?

- Sim - Leo sua frio por alguém está perto de descobrir sua anatomia - me mudei recentemente.

- Eu me mudei muitos anos depois para visitar minha irmã gêmea que está se tornando uma feira.

- Sua irmã é uma noviça?

- Sim. Ela resolveu se entregar a Deus. Acho nobre, mas é uma pena que ela não tenha se apaixonado por um rapaz.

- Voltem para os seus lugares a aula vai começar - disse a professora Ellen chegando e o pessoal senta nos seus respectivos lugares.

Butters repara um garoto bronzeado usando uma boina. Está usando uniforme masculino um pouco folgado e aparentemente tem cabelos curtos. Só que chama mais atenção no rapaz que ele é mais magro que um rapaz de sua idade seria. Leo sente a impressão que era alguém parecido com ele antes da operação, pelo menos fisicamente.

- Aquele é um novato? - a loira pergunta para Kelly.

- Não é. É a Wendy vestido de homem. Ela é gênero fluido.

- O que é gênero fluído?

- É alguém que se sente hora mulher e hora homem. Quando ela está assim é melhor chamá-lo de Wendyl

- Certo - Butters acha meio estranho esse tipo de gênero, afinal mesmo sendo uma transexual não faz uma especialista os gêneros existentes que criaram. Ela mesma se considera uma mulher transexual e pronto. Ou mesmo só do sexo feminino para ser algo simples, afinal quando se dispões a fazer a operação era para ser uma 'mulher completa', apesar de saber que nunca vai ter todas as experiências femininas como menstruação e gravidez. A loira também acha que está em desvantagem nas 'mulheres naturais', porque não teve uma infância como uma menina, porém acha que sente muita vantagem por conhecer os homens como nenhuma mulher vai conhecer, apesar que atualmente só um homem importa.

- Parece que vamos ter uma outra aluna nova - disse a professora chamando atenção de todos - entre.

Uma garota com a idade média da turma entra na sala. Está vestindo o uniforme tradicional do colégio, mas está usando dois amarradores de cabelo amarelos queimados em cada lado da cabeça como Maria Chiquinha, mas seu cabelo não é liso, mas é afro até altura dos ombros e meio volumoso, mas de forma discreta. Sendo afro-americana tem curvas modestas que destacam mais o quadril e possui aquele ar de menina ingênua.

- Eu me chamo Nichole Daniels. Eu vim de South Park, Colorado. Muito prazer - fala para toda turma.

A reação da turma com Nichole pouco semelhante com a chegada de Leo pela primeira vez. Claro que a maioria viu a garota negra com interesse, mas não tanto como tinha visto a loira. Motivo que uma com visual de 'loli' da loira chamou mais atenção que a nova garota que também é muito atraente, mas nada que dá aquele ar de diferente. Os sorrisos de Craig e Wendyl são mais de satisfação, já que imaginam que o colégio está sendo mais inclusivo.

Leo tinha uma certeza: não chegou a conhecer Nichole quando estava na cidade. Quando teve 10 anos seus pais se separaram e sua mãe a levou para morar em outra cidade do Colorado chamado North Park. Em uma cidade montanhosa no frio incrivelmente não tinha muitas crianças afro-americanas na cidade, apesar de um percentual considerável de pessoas adultas. Só se lembra de um garoto que era, mas era o mais rico da cidade. Com certeza Nichole não é uma versão trans dele, já que o sobrenome dele era Black.

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- O que achou do meu escritório? - Alessandra levou seu primo para seu escritório, pode ver que é um escritório bastante luxuoso executivo.

- Que posso dizer? Para chupa para todos aqueles que dizem que precisa estudar muito para ter um padrão desses.

- Esse é o espírito. Faculdade de cu é rola. Consigo ganhar meu dinheiro muito bem até melhor que um doutorado. Você Eric está pretendendo fazer faculdade?

- Tô pensando.

- Desista e vamos trabalhar juntos. Assim dominaremos o mercado de agência de viagens.

- To pensando em virar encanador.

- Encanador.

- Sim, ficar gordo e careca.

- E pra que isso?

- Para conseguir tirar dinheiro batendo em tijolo.

Alex sorrir com a referência da piada com Super Mario.

- Acho que você vai ter uma namorada loira, mas ela só vai ser sequestrada - disse rindo.

- Exato - ri também.

- Senhorita Cartman - disse uma voz feminina que é a secretária de Alessandra.

- Sim? - se dirige para o telefone.

- Tem uma senhora de skate que está procurando seu primo.

- Uma senhora de skate?

- Eu sei quem é, Alex - disse Eric.

- Sabe?

- Sim. Deixa falar com ela.

- Vai em frente.

Cartman sai da sala de sua prima, a gerente geral que conseguiu esse cargo por aumentar em mil porcentos as vendas de planos de viagem, graças ao talento de persuadir as pessoas. Vai para a sala de recepção onde encontra uma mulher com seus quarenta anos bastante conhecida: a mãe de Terezi.

CONTINUA