Disclamer: Saint Seiya não me pertence, o que é uma pena realmente XD

Esta é uma fic yaoi com twincest, ou seja contém relacionamento homossexual entre irmãos gêmeos, se você não gosta, não leia.

No capítulo anterior:

"Naquele momento, a brisa que soprava suave afastou um pouco as nuvens e um raio de lua iluminou-lhe o rosto. Estava mais pálido, decerto, e os traços haviam ganhado contornos mais definidos e virís com o tempo, o que ao invés de embrutecê-los, contudo, apenas acentuara-lhes a beleza. Estava mais alto, além disso, e os ombros me pareceram mais largos do que eu lembrava. Os cabelos também haviam mudado, estavam maiores, e caím-lhe agora soltos pelas costas. Era ele, contudo, não havia dúvida. Recordava-me bem daqueles olhos! Duas enormes safiras brilhantes. Selvagens e oblíquos, quais aos de um felino.

- Kanon? – exclamei, levando as mãos à cabeça, abismada, e ainda sem saber ao certo se estava ou não perante uma alma deste mundo. – Não pode ser! Então tu voltaste? E és mesmo tu? És tu realmente?"


Capítulo X

...

"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei."

...

- Kanon? – exclamei, levando as mãos à cabeça, abismada, e ainda sem saber ao certo se estava ou não perante uma alma deste mundo. – Não pode ser! Então tu voltaste? E és mesmo tu? És tu realmente?

- Sim, sou eu. – respondeu com um sorriso, para depois voltar o olhar para as janelas que refletiam uma miríade de luas cintilantes, mas não projetavam qualquer luz interior. – Há gente em casa? – perguntou ansioso. - Onde está ele? Ele está aqui? Vamos, Nelly, não é caso para ficar tão perturbada! Responde! Desejo muito falar com ele, tu sabes... Anda, corre dizer-lhe que está aqui uma pessoa de Gimmerton que lhe quer falar. Mas não diga de quem se trata. Quero fazer-lhe uma surpresa.

- Oh! Que irá ele dizer? – exclamei - Que irá fazer? Se a surpresa a mim desnorteia... há de pô-lo como louco por certo! És tu, então, Kanon! Mas como pode ser? Não, é incompreensível. Como sobrevivestes estes anos todos? Acaso te alistastes no exército para servir como soldado?

- Vá levar logo meu recado - interrompeu-me ele, impaciente. – Estarei como em um inferno até que o faça!

Assim que, sem mais delongas, levantei a aldrava e entrei. Mas, quando me encontrei diante da sala onde se achava o Barão, não me pude convencer de que deveria continuar. Temia a reação que aquela visita tão inesperada pudesse causar ao já precario equilíbrio em que se mantinha meu patrão. Afinal, resolvi inventar um pretexto, perguntando-lhe se queria que acendesse as velas, e abri a porta.

Saga estava sentado perto da janela, cujos postigos se achavam enconstados à parede, e por onde se descortinava para além das árvores do jardim e do parque, selvagem e verdejante, o vale de Gimmerton, imerso em uma comprida linha de nevoeiro prateado, que se enovelava nas pontas (porque imediatamente depois da capela, como o senhor deve ter notado, o canal que serve de escoamento aos pântanos se reúne a um regato que segue a curva do vale).

A sala, seu ocupante e a cena que ele contemplava pareciam respirar de tal tranquilidade, que me estava a custar cumprir a minha missão. E, já me vinha embora sem dar o recado, depois de ter perguntado sobre as velas, quando o sentimento de minha loucura impeliu-me a voltar e murmurar:

- Está ai um sujeito de Gimmerton que lhe quer falar, meu senhor.

- Que quer ele? - quis saber.

- Não lhe perguntei - respondi.

- Está bem – acedeu com um suspiro. - Corre as cortinas, Nelly, e faça-o entrar. - ordenou.

Obedeci-lhe e, depois de fechar a cortina, desci, indo encontrar Kanon à espera no alpendre, com ar de quem naturalmente contava que o mandassem entrar.

Agora que a luz dos candelabros lhe batia em cheio, pude perceber que trajava roupas caras e elegantes, o que o deixava ainda mais impressionantemente parecido com o irmão, embora Saga nunca usasse a casaca aberta ou os cabelos soltos, depois de crescido.

Aos 22 anos os gêmeos haviam tornado-se, ambos, homens incrivelmente belos. Altos, atléticos e bem constituídos. Os traços moldados naquela exata combinação de virilidade e suavidade que os faziam másculos sem serem rudes e belos sem parecerem femininos. Continuavam surpreendentemente indênticos, contudo. Mesmo os cabelos, pareciam lhes haver crescido na mesma proporção, quase como se houvessem combinado o comprimento. Diferenciavam-se, entretanto, no olhar. A expressão e a decisão dos olhos de Saga davam-lhe uma aparência de ser mais velho, enquanto Kanon ocultava algo como uma ferocidade semi aplacada nos orbes azuis que pareciam chispar com um fogo reprimido.

Finda as escadas, bati à porta da sala, e, ao ouvir a voz de Saga mandando-me que entrasse precipitei-me em direção a maçaneta. Kanon, no entanto, segurou-me, imediatamente, o braço de modo a impedir-me de continuar. Notei que sua mão estava bem mais fria do que seria natural para a noite fresca que fazia, e percebi que estava nervoso. Após um milésimo de segundo, empurrou ele mesmo a porta.

Saga, que encontrava-se de costas para a entrada, a servir-se de uma dose de bebida na cristaleira, voltou-se com o barulho da porta abrindo e quedou-se estático. A cor se esvaindo rapidamente de seu rosto, e o copo, que conservava entre os dedos, espatifando-se ruidosamente no chão. Vacilou um passo para trás, apoiando-se no móvel a suas costas, e seria impossível descrever em palavras o turbilhão de emoções que eu vi perpassar-lhe os olhos estalados.

Por um momento encararam-se os dois em silêncio. Kanon forcejando para controlar a forte emoção que visivelmente lhe invadia, e Saga aparentemente avaliando não estar mais uma vez presa de algum delírio. Foi o mais novo quem enfim dispôs-se a quebrar aquele encanto que os retinha calados.

- E então, Saga, não cumprimentas mais teu irmão? Já faz algum tempo, não é mesmo? – começou, em pretensa petulância. - Acaso é esta a forma por que recebes um parente de volta após tanto tempo? Anda, desmancha logo esta cara, ou posso mesmo ficar ofendido a pensar que já não gostas de mim - continuou, debochado, com um característico sorriso enviesado.

Saga ainda permanecia mudo, mas percebi que recuperara o espírito, embora ainda não tivesse reencontrado a fala. Seus olhos pareciam agora chispar de fúria, e, saindo da letargia que o mantinha imóvel, aproximou-se a passos duros do mais novo, desferindo-lhe tal bofetada no rosto, que desconcertou, por alguns instantes, o caçula.

- Como pôdes, Kanon! – esbravejou, alucinado, com os olhos brilhantes da raiva e das lágrimas contidas. – Como podês desaparecer assim, sem uma palavra? Como? Por todos estes anos... Tens idéia do que eu passei? Sem saber o que havia te acontecido! Sem sequer saber se estavas vivo!

Para minha completa surpresa, Kanon, ainda com a mão pousada sobre o lado do rosto em que o irmão lhe havia batido, pôs-se a rir debochado, atirando-se felinamente no sofá.

- Oh! Por favor, Saga, deixe-te de melodramas, sim? Não combina contigo. – falou com descaso, afrouxando o colarinho e cruzando os braços preguiçosamente sob a cabeça. - Ademais, isto não me comove mais.

Saga acompanhava deliberadamente cada um dos movimentos do outro, percorrendo com os olhos todo o corpo do irmão, entre o fascínio e a fúria. Trêmulo de raiva e alguma outra coisa mais primal que eu não saberia definir.

- Melodrama? – ecoou ele, caminhando ferozmente até o mais novo e apoiando ambas as mãos no encosto do sofá, mantendo a cabeça do caçula entre elas. – Melodrama, é o que dizes? – repetiu ofegante, olhando-no perigosamente, agora com o rosto a milímetros de distância do gêmeo. – Vejo que continuas o mesmo irresponsável de sempre, não Kanon? – repreendeu-o, insinuantemente, em voz rouca, sem conseguir desviar os olhos dos lábios do irmão.

O caçula, por sua vez, pouco parecia atentar ao que lhe dizia o gêmeo, mesmerizado pela boca que se mexia tão próxima a sua, inebriado pela proximidade entre eles, demasiado consciente do desejo do outro, que arfou, estremecendo, quando os olhos de gato do mais novo se estreitaram predatórios, e ele mordeu os lábios, provocante.

Em um úlltimo esforço de vontade, Saga afastou-se rápido do sofá, respirando fundo para recuperar o folêgo, voltando as costas ao gêmeo.

Seguiu-se outro silêncio, desta vez quebrado pelo mais velho.

- Por quê, irmão? - murmurou, ao cabo de algum tempo, já mais calmo e ainda de costas para o caçula. - Por quê foste tão cruel? – continuou, virando-se novamente para ele. – Todos esses anos de ausência e silêncio, sem nunca pensar em mim.

- Um pouco mais do que pensaste em mim, com certeza. – respondeu Kanon, em desafio, levantando-se do sofá, a encarar o mais velho. Todo o sarcasmo e o deboche haviam desaparecido de seu semblante, e era com uma mistura de raiva e mágoa que eu o via mirar, desafiador, o outro agora. – Soube de teu casamento, irmão. Há pouco. E pensei vir até aqui, ver o teu rosto de relance uma última vez, olhando-me com surpresa e, falso contentamento, talvez. Depois, ir ajustar minhas contas com Hidley e, então, antecipar-me ao julgamento e executar eu mesmo a minha própria sentença. – declarou. - Mas não! Não, desta vez não há de livrar-e de mim tão facilmente. Não me vais mandar embora de novo...

- Livrar-me de ti? Mandar-te embora? – ecoou o mais velho, interrompendo-o atônito. Cobrindo em largas passadas a distância que o separava do irmão e segurando-o pelos ombros com ambas as mãos. – Enlouqueceste, Kanon? – indagou, sacudindo de leve o outro. - Por Deus, só estando louco poderia ele cogitar semelhantes absurdos! E Por quê? Por quê haveria eu de querer livrar-me de ti? Não, Kanon. Nunca! – exclamou incrédulo, reforçando as palavras com movimentos veementes de cabeça. – Oh! Meu irmão, eu senti tanto a sua falta, tanto! – despejou por fim, aflito. Os olhos estreitando-se, a fitar o outro, enternecidos. Uma das mãos, que estava no ombro do mais novo, subindo-lhe pelo pescoço para contornar lentamente o rosto do gêmeo, e então deslizar, em suave carícia pelos cabelos do irmão, indo reunir-se a outra agora nas costas dele.

– Não existem palavras nesse mundo para expressar o que senti. – continuou, puxando o caçula contra si, e envolvendo-o em caloroso abraço. – Contudo, sabia bem que não estavas morto, que haveria de voltar para junto de mim. – falou com a voz abafada pelos cabelos do irmão. - Não importava o que pensassem os outros. O que dissessem. Sabia que vivia. Sempre soube. Podia sentir sua alma ainda reverberando na minha. E foi a esta certeza que me prendi para não enlouquecer.

- Causei-te realmente pesar, não foi meu irmão. – Murmurou Kanon contra o pescoço do gêmeo, entremeando os dedos pelos fios loiros do companheiro. – Peço-te, no entanto, que me perdoe. Sabes, tive eu minhas razões. Passei também por muitas provações, travei um rude combate na vida desde que ouvi tua voz pela última vez. E tens de me perdoar, pois tudo o que fiz foi a pensar em ti, e se lutei foi apenas por ti.

- K. – sussurrou Saga carinhosamente, afastando-se um pouco do irmão, somente para mirar-lhe profundamente os olhos. Os azuis de um, intimamente mergulhados nos azuis do outro. A mão do mais velho a ajeitar gentilmente uma mecha do cabelo dourado do caçula atrás da orelha deste, em suave carícia que lhe era de hábito quando meninos. Os dedos roçando levemente o lóbulo da orelha do mais novo no gesto, a provocar-lhe leve estremecimento pelo corpo. Completamente absortos um no outro. Comunicando no silêncio o que calavam as palavras. E pela primeira vez em anos eu via novamente aquelas duas crianças que conhecera outrora. Sem máscaras, medos, angustias ou disfarces.

Era como se naquele breve momento entre uma carícia e um suspiro, sob efeito da emoção que os arrebatava e enlevava, o tempo retrocedesse, e voltassem a ser apenas dois meninos. Libertos, Saga, do escrúpulo e do receio que o aprisionava, e Kanon, da mágoa que o escravizava. E, por aquele ínfimo instante, a olhar para eles, fui presa da estranha certeza de estar a vislumbrar uma nesga de um daqueles mistérios cujas respostas tanto se buscam, e que nunca lograremos entender. De um sentimento cuja enormidade me punha pequena, e fazia-me terrivelmente consciente da minha humanidade e mesquinhez.

Mas a realidade, organizada em passos de sapato que sequer chegamos a ouvir, invadiu, irritante, o delicado universo que se fiava diante de mim. Mary Anne entrou na sala. E, súbito, o tempo voltou a correr, e o mundo reconstituiu-se sem grandeza nem esperança.

- Querido! – chamou ela da porta, a fim de atrair a atenção do marido e conseguindo a de ambos, que voltaram imediatamente os olhos para a moça.

Dizem que as palavras têm poder. Algumas mais do que outras, estou certa. Aquela única foi capaz de aprisionar novamente Saga em sua carapaça e lançar Kanon dos Céus ao purgatório de seus rancores e ciúmes.

- Oh, meu Deus! – exclamou ela, então, levando a mão à boca, antes que qualquer um de nós pudesse se manifestar. Estupefata ante a figura que ali se achava. Tão idêntica ao seu próprio marido. E que ela logo reconheceu. – Kanon? És tu mesmo? – indagou, em surpresa que igualou ou sobrepujou a minha própria.

- Ora, se não é minha cunhada? – Saudou-a Kanon, em pretensa cordialidade, ocultando sob o cinísmo de um sorriso as raivas que eu lia-lhe nos olhos.

- Oh, Kanon! Mal acredito que estejas de volta – retornou a baronesa, extasiada, aproximando-se do cunhado e depositando-lhe um beijo em cada face. – Por onde andaste todos esses tempos, sem dar notícias? Saga esteve muito preocupado contigo, sabes? – ralhou ela. - Mas alegro-me que voltastes, tenho certeza que os humores de meu marido hão de melhorar muito doravante. – completou, sem esperar resposta, relanceando os olhos para o gêmeo mais velho, que apenas sorria educadamente para a esposa. Meio consternado, um tanto contrariado, levemente irritado com a interrupção que sofrera.

Dito isso enlaçou ela a cintura de Saga, o que fez chamejarem os olhos do caçula, e voltou-se para mim, indagando:

- E tu, Ellen, que fazes aí parada ao canto com estes cacos na mão? – e realmente assim o era, entrara na sala no intuíto de recolher os pedaços do copo que o patrão derrubara, e não pude mais me obrigar a sair. – Anda depressa trazer-nos o chá! – atalhou com impaciência.

E eu assim o fiz. Quando retornei cerca de quinze minutos depois com as bebidas, estavam já os três à mesa. Saga ao lado da esposa, e Kanon em frente ao irmão, que conservava os olhos fixos nele, como se temesse que fosse sumir-se mal ele os desviasse de seu rosto.

O mais novo, por seu lado, evitava deliberadamente o olhar do mais velho, fazendo uso de todo seu precário autocontrole para subjugar o ciúme que o devassava. Nas poucas vezes que se lhes cruzavam os olhos, contudo, e de relance, era cada vez mais visível, entremeada a raiva que sentia, o indisfarçavel deleite que experimentava ao contemplá-lo. O sentimento recíproco que os dominava era intenso demais para dar lugar a constrangimentos. Mary Anne, no entanto, alheia ao que lhe ia em torno, apenas tagarelava com os gêmeos, radiante, em sua inocência.

Retirei-me em seguida, depois de haver arranjado para eles a mesa. A refeição não durou mais de dez minutos e Saga nem chegou a servir-se, incapaz de comer ou beber o que fosse. Kanon entornou o chá no pires e mal conseguiu comer um bocado.

Fui chamada de volta, afinal, a fim de retirar a louça e para que me mandassem preparar o quarto de Kanon. O caçula, eu percebia, estava por essa altura já no fim de sua limitada paciência. Olhar para o irmão e a esposa irritáva-o e o enciumava além da medida, e supus que ele pretextava algum cansaço a fim de poder retirar-se logo de lá. Depois, reparando melhor nele, enquanto subíamos os dois para o quarto, pensei que pudesse estar realmente cansado visto que parecia um pouco pálido e resfolegava um tanto ao subir as escadas.

Lá pelo meio da noite fui acordada por um barulho na cozinha. Levantando-me para verificar-lhe a causa, dei com o patrão sentado ao lado do fogo a bebericar uma caneca de café. Olhou para mim quando entrei.

- Não posso dormir, Ellen. – disse ele, à guisa de explicação. – Tenho receio de acordar e ter tudo sido apenas mais outro sonho. -completou. - Oh! Amanhã por certo pensarei que sonhei! Não serei capaz de acreditar que o vi, que o toquei, que falei com ele uma vez mais! – exclamou então com os olhos brilhando quais duas estrelas da constelação.

- Se pensas assim deveria era ter ido compartir sua alegria com ele ao invéz de ficar perambulando feito asombração pela casa! – respondi-lhe, puxando para mim mesma uma cadeira.

- Eu bem que queria ter feito isso, Nelly. Mas Kanon está rabugento. Quase não falou ao jantar, como tu viste, e quando o fez dirigiu-se apenas a Mary Anne. Chamou-me egoísta e cruel e recusa-se a dar uma palavra comigo, a não ser para dizer coisas ásperas e petulantes.

- E o senhor não lhe imagina as razões, suponho? – rematei com ironia.

Fitou-me por alguns intantes, como se refletisse, e então falou:

- Mentiria se disesse que as desconheço, Nelly. Mas não há o que se possa fazer sobre isso. Agumas coisas podem ser mudadas e outras... bem, nós apenas devemos aprender a viver com elas. – sentenciou.

- É verdade. – concordei. – Contudo, não deves te esquecer que exitem coisas com que não se pode viver, e outras sem as quais a vida tornar-se-ia impraticável. São essas as mais importantes.

- A única coisa que me importa finalmente voltou para mim. – respondeu. – Kanon é meu irmão e eu sempre irei amá-lo. Essas são coisas que não se pode mudar. Mas ele está ao meu lado outra vez e isso basta. É suficiente que eu possa vê-lo, tocá-lo, ouvir sua voz, sentir seu cheiro. Chame-me egoísta se quiser. Só o que eu quero é poder tê-lo sempre comigo.

E ante o meu silêncio continuou:

-O que aconteceu esta noite me reconciliou com Deus e com a humanidade! Eu já havia chegado a um estado de cólera e rebelião contra a Providência... Sofri muito, sofri misérias bem amargas, Nelly! Não querias tu sequer imaginá-las. Dir-se-ia mesmo que foi por bondade que as escondi tão fundo dentro de mim. E se Kanon as conhecesse por certo evergonhar-se-ia de tentar nublar o alivío e a legria que sinto com seus remoques e seus tolos ciúmes. Se eu houvesse expressado a angústia que venho sofrendo, frequentemente, por todos estes anos, teria ele bem desejado aliviá-la tão ardentemente quanto eu mesmo.- afirmou. - De qualquer forma, -prosseguiu - não poderia fazê-lo. Não seria adequedo que o fizesse. Tampouco quero eu guardar rancor de suas tolices. E como poderia? Se é também por ele que sinto esse calor dentro de mim, essa felicidade, apenas por poder olhar uma vez mais dentro daqueles olhos! Oh, Nelly! Dora em diante, sinto como se pudesse enfrentar quaisquer provações! Mesmo que a mais vil das criaturas me esbofeteasse, eu não lhe retribuiria a ofensa, mas pedir-lhe-ia perdão por havê-la provocado. Tal é minha disposição de espírito. E como prova disso vou agora mesmo fazer as pazes com meu irmão.

E com esta convicção complacente ele se retirou em direção as escadas, sem dar ouvidos às minhas admoestações sobre o avançado da noite, ou sobre não ser correto estar a perturbar o irmão àquela hora. Mal havíamos subido os primeiros degraus, contudo, ouvimos a porta da sala, que dava entrada a casa, abrir-se, e voltamo-nos para olhar quem vinha àquela hora da rua. Era Kanon. Estava pálido, um tanto trôpego, e visivelmente bêbado.


Olá a todos

Aqui estamos nós de novo em mais um capítulo da história desses meus queridos gêmeos. E mais uma vez sou forçada a interromper um capítulo em um momento que eu não queria por causa do tamanho u.u, eu realmente gostaria de ter andado um pouquinho mais com esse capítulo, mas tudo bem, espero que vcs possa apreciá-lo mesmo assim.

E bem, pra quem achou que o Saga já ia correr pro Kanon, arrependendo-se de tudo, enganou-se, deu-lhe foi um belo tabefe no começo e ainda continua obcecado com a coisa do incesto. E tb errou quem achou que o Kanon, por ter voltado, devia ter perdoado o irmão por tudo. São pessoinhas bem difíceis de lidar esses dois XD. E olha que esse capítulo ainda ficou uma coisa bem doce, meio nostalgia, os dois ainda meio que sob efeito da saudade e talz, capítulo que vem começa a guerra. XDD

E por falar em capítulo que vem, ele vai demorar um pouquinho pra sair. Eu venho procurando manter um ritmo de um capítulo por semana pelo menos, mas agora começarão minhas provas na faculdade, então serão cerca de 15 dias sem produções literárias u.u, mas não desaminem, ok? Eu prometo que acabadas as provas eu retomo a história ^^

Axly, querida, sempre comentando e me deixando tão feliz! *emocionada* Muito obrigada pela sua review, amei! E melhor, uma coincidência incrível. Vc acredita que quando eu teriminei o capítulo anterior, revisando o texto, ao reler a descrição do Kanon eu pensei: "Nossa acho que me empolguei, vão pensar que a coitada da Nelly tem uma queda pelo Kanon desse jeito, melhor colocar uma obs. nos comentários avisando o pessoal que quem tem uma queda pelo Kanon não é a Nelly, é a autora mesmo." XD Daí vc vai e faz aquele comentário, quase me matando de rir pela coincidência XD. E sim, eu tb sou doida por esse gêmeo mais novo, exatamente por causa dessa coisa meio selvagem que ele tem, como vc disse. ^^ Aliás ficou tão sexy ele adulto eu achei o.o... XD

E continue cultivando seus bons sentimentos de piedade pelo Saga enquanto vc ainda pode, pq em breve creio que vc vá querer dar na cabeça dele de raiva. Aliás acho que vai dar até pra organizar uma enquete, tipo:"Se vc pudesse escolher, em qual dos dois bateria primeiro?" E te garanto seria uma decisão difícil! XDD

Enfim, adorei sua reviiew como sempre, continue comentando se possível. ^^ E isso vale pra todos XD

Bjos

PS: Algo ocorre com o corretor ortográfico do meu word, assim que peço a compreensão de vcs quanto a eventuais erros u.u (pessoa definitivamente wordependente XD)