N/A: Olá, minhas queridas leitoras. Bem, eu poderia falar leitores, mas nunca vi o comentário de um menino aqui, então... Minhas queridas leitoras, vocês estão fazendo uma autora muito feliz! Adorei os comentários! Tristinho esse último capítulo, não? Pois vou prepará-las... :x

L. Potter Cullen – Claro, mas guarde suas lágrimas... outros capítulos virão *misteriosa*.

Viic. M. – Precisa muito? Agora você o tem ;D Muito obrigada, eu estou querendo fazer essa fic como um diferencial de J/L.

Anna Leal – Muuito obrigada :D! Mas porque é que a Brid tem que sumir? O.o'

Mila Pink – Já, eles já transaram e James é MTO BOM NO QUE FAZ (6) ahuashusauhsahusa Mas você vai ver que não foi bem que isso aconteceu... Vamos ver o ponto de vista da Lily? Ashuashusahu

Taciana – Sirius é hilário! Eu juro que ri enquanto escrevia essa frase! :DDD Vamos ver com o passar do tempo na fic *misteriosa*... ;)

Bet97 – Bem, acho que o homem que Dumbledore escolheu nem tem mais importância, mas você vai saber quem é esse homem huhuashusauhsau =D

Mitchaaa Potter Black – Muito obrigada! Isso significa muito pra mim, sabe... eu adoro quando a história toca o emocional da pessoa, faz com que ela se torne envolvente, afinal, todo mundo se identifica com tais atitudes de tal personagem em algum ponto, não?

Então, agora vamos ao nosso décimo capítulo...

Capítulo Dez – Lily Evans

Eu estava sentada na minha cama. Pela primeira vez, o meu quarto-cofre estava completamente vazio. Brid foi chamada pela Profª McGonagall e as duas aurores que ficavam comigo estavam em uma reunião na sala de Dumbledore.

Aliás, todos da Ordem estavam na sala de Dumbledore. Logo após que eu e James transamos (sim, nós transamos!) em uma sala de aula escura e vazia, Dumbledore me esperava na porta de meu quarto-cofre. Ele já sabia que eu e James havíamos transado. Ou seja, para o meu eterno constrangimento, toda a Ordem da Fênix soube quando e onde que eu transei com James. Se tivesse um buraco na minha frente, eu me enfiaria o mais fundo nele só para não encarar um Dumbledore falando de sexo comigo. Ainda mais com James no meio da conversa.

- Então, Lily – Continuou Dumbledore, após me avisar que todos estavam sabendo da minha noite romântica com James – Haverá uma reunião com a Ordem da Fênix. Iremos discutir a idéia, está bem?

Eu assenti. Eu estava totalmente corada. Minha vontade era de sair correndo dali.

- E depois que vocês discutirem? – Perguntei interessada. Não sabia se viria coisa boa pra mim depois dessa discussão. Tomara que Dumbledore tenha em vista os meus sentimentos por James.

Ele me lançou um olhar de pena. Não gosto que sentem pena de mim, sério. Ainda mais pelos olhos vítreos desse sábio idoso, isso me deixa incomodada. A sensação é como se ele estivesse lendo a minha alma e não deixa de ser desconfortável.

- Nós lhe avisaremos enquanto você nos aguarda no seu quarto, pode me prometer que você ficará lá? – Perguntou enquanto me analisava atentamente. Será que ele estava pensando que havia a possibilidade eu correr para o dormitório masculino da Grifinória?

Eu assenti. Eu não iria a lugar algum.

Após ficar no quarto escuro e vazio, eu resolvi sentar em minha cama.

Achei estranho Dumbledore não me falar o motivo dessa reunião repentina. Eu sei que eu sou o assunto principal e minha rapidinho com James e tudo mais. Falar rapidinha é muito feio, mas é o terno exato. Não tivemos nem muito tempo, nem um lugar muito confortável.

Só achamos uma sala de aula vazia e relativamente escura. A luz da lua estava em cima da mesa do professor, que por estar um pouco iluminada, foi o palco para nossa transa. Não fui eu que dei em cima de James para que transássemos, afinal, minha situação não era vantajosa para o mesmo. Mas pra mim realmente não importava as consequências de transar com ele.

Não acredito que ele só me usou. Rejeito essa idéia clichê. James gosta de mim, se não gostasse seria outros quinhentos. Ele não enfrentaria toda a Ordem, seu pais e sua própria vida pessoal, para não falar de Voldemort, por apenas um capricho tolo de um adolescente inconsequente. James não é inconsequente... ele apenas parece, mas não o é.

Confesso que essa idéia de gravidez estava fixa em minha mente quando James começou a tirar meu sutiã. Eu estava tensa, não queria deixá-lo se atirar naquele precipício que era minha vida pessoal. E não queria que ele fosse perseguido tanto pela Ordem quanto por Voldemort. A idéia estava me deixando louca e eu não conseguia relaxar.

Ele perguntou se ele tinha feito algo errado, o que eu logo neguei. James se mostrou experiente em matéria de sexo e sedução. Ele respirava ao lado meu ouvido, acariciava meus seios com lentidão e carinho e beijava minha nuca, dando-me arrepios prazeirosos. Suas mãos sabiam onde iam e onde ficavam. Arrepiei várias vezes, principalmente quando eu notava que ele estava com aquele sorriso de satisfação, que mostrava todos os seus dentes. Meu coração derretia-se. Eu poderia transar com ele, mas... minha vida é complicada.

- Não, James – Falei, juntando todas as minhas forças. Eu estava louca para provar dele, era uma puta de uma tentação – Eu não suportaria vê-lo dentro dessa loucura que é minha vida!

Ele beijou meu pescoço e logo depois se sentou em cima da cadeira do professor. A luz da lua batia em seu peitoral e eu observava como se fosse uma comida. Era realmente tentador. James sabia enlouquecer uma mulher. Ele estava apenas com a calça enquanto eu estava só de calcinha, sentada em cima da mesa do professor.

Ele me observava com intensidade. Eu sentia seus olhos pousarem em meu umbigo e meus seios. Ele passou a mão por seu membro, por cima da calça, rapidamente. Era óbvio que ele estava com tesão. E eu também.

- Mas eu quero entrar nessa loucura que é sua vida – Insistiu com aquela voz sedutora – Eu quero fazer parte da sua vida!

- Mas James, isso é uma insanidade! Nós só nos conhecemos há algumas semanas e estamos nessa situação! – Comentei preocupada.

Ele se levantou calmamente e ficou de frente pra mim, acariciando meu rosto com a mão direita.

- Não pense assim, Lily – Pediu calmamente – Nunca senti isso por ninguém. Não quero perdê-la, afinal, se eu perdê-la, eu também perderia os prazeres desse sentimento. Então não me faça sofrer, Lily.

Ele me beijou. Era um beijo intenso e logo foi se aprofundando. Quando eu reparei que ele estava em cima de mim, em cima da mesa, e acariciando minhas costas, essa tecla da gravidez voltou a bater em minha mente.

- Então espera! – Pedi enquanto me afastava rapidamente. Eu olhei pra trás e ele estava totalmente sem expressão. Era óbvio que ele estava confuso – Já volto, eu não estou mentindo! Eu te amo!

Ele sorriu divertido.

- Eu também te amo, ruivinha! – Gritou quando eu estava saindo da sala de aula vazia e parcialmente escura. É claro que eu vesti minhas roupas, não sou uma maníaca tarada, disso você pode ter certeza.

Eu corri rapidamente pelos corredores escuros do castelo. Eu estava procurando a sala de nosso professor de Poções, Horácio Slughorn. Eu era a queridinha dela e, modéstia à parte, a melhor aluna de poções que ele já viu. Sempre fui uma ótima aluna nessa matéria e o Profº Slughorn me dava algumas recompensas, como poções práticas para o dia-a-dia.

Bati na porta da sala dele e esperei. Nada. Bati mais algumas vezes e nada. Achei muito estranho da parte dele, ele sempre estava em sua sala. De repente fiquei sem saída. Eu não poderia largar meu James esperando por muito tempo, afinal, eu também queria provar daquela carne, que era muito tentadora por sinal.

Então eu resolvi apelar para a sorte, que se mostrou do meu lado. Eu murmurei um 'Alorromora' e a porta, que estava trancada, se abriu automaticamente. Não havia ninguém na sala, para o meu alívio. Não querendo demorar muito, eu peguei alguns ingrediente e fiz, rapidamente, uma poção muito prática que age como um anti-concepcional. É como se fosse uma pílula do dia seguinte, não compromentendo todo o meu período menstrual.

Não demorei cinco minutos e quando ela ficou pronta, eu a tomei sem demoras. Voltei as coisas pro lugar e tranquei a sala de Slughorn. Voltei correndo o mais rápido que pude para a sala que James estava me esperando. Quando eu abri a porta, eu pude aprecisar James Potter deitado em cima da mesa, com a luz da lua em cima dele.

Ele se levantou quando me viu.

- Pensei que tinha me abandonado, ruiva – Comentei com um sorriso estampado em seu rosto – O que você foi fazer?

- Eu fui na cozinha – Menti o melhor que eu pude. Eu não poderia deixar James agir assim, tão temerariamente. Ele poderia arrepender e essa era uma situação que não poderia haver arrependimento e remorso. Era uma situação que estava me enlouquecendo, mas eu não poderia fugir dela... – Fiquei nervosa, sabe. Eu sempre gosto de comer chocolate para me acalmar, você sabe que eu estava tensa.

Ele assentiu e, para evitar perguntas desconfiadas, eu comecei a fazer uma striptease para James. Com direito a dançar sensuais enquanto ele tirava minha calcinha com a boca.

Foi uma noite magnífica, pensei deitada em minha cama. Aquela cena estava passando toda hora por minha mente. Nem se compara quando eu tive minha primeira vez com Severo, James me fez sentir realmente o que a gente espera sentir quando transa : meu primeiro orgasmo, para a minha alegria.

Depois de meia hora isolada em meu quarto-cofre, eu ouvi algumas pessoas entrando na sala do quarto-cofre. Era um burburinho desgramado. E eu acho que sabia que a Ordem da Fênix estava me esperando na sala. Eu apareci rapidamente na sala.

Os pais de James estavam lá. Eu corei automaticamente quando os vi. É óbvio que todos ali sabiam que eu e James havíamos transado. E a mãe dele não era lá muito favorável para nós dois. Pude saber que estava no meio de um problema de difícil solução. Tiffany e Alice também estavam lá, com feições sérias e apreensivas. Mas Brid não estava.

Mas que diabos Bridget estava fazendo com a Profª McGonagall? Justo na hora que eu mais preciso dela para manter minha base estruturada, ela não está! Ah, mas eu vou brigar demais quando vê-la! Toda aquela gente ali estava me intimidando, deixando-me sentir remorso pois eu sabia que James estava envolvido.

Eu não deveria ter deixado meu sentimento por James evoluir dessa forma. Nem deveria deixá-lo se aproximar de mim, ele não deve ter pensado nas consequências... Pelo menos eu tomei aquela poção. Isso me deixou mais tranquila.

- Ok, estou aqui – Falei enquanto me sentava em uma poltrona. Todos se sentaram em algum canto, no sofá ou em uma poltrona – E vejo que o negócio tá feio para o meu lado.

Dumbledore me deu um sorriso tranquilizador. Eu estava evitando em olhar para os Potter. Eu sentia uma culpa crescente, afinal, a mãe de James estava com os olhos inchados e vermelhos. Por mais que ela tenha me tratado não muito bem na Mansão Potter, eu compreendo seu lado. O lado familiar de James também é complicadíssimo, afinal, eles já eram perseguidos por Comensais! Imagina se Voldemort soubesse do meu envolvimento com o único filho dos Potter?

Seria o fim da linhagem Potter.

- Não vamos chamar sua atenção, Srta. Lily – Falou o Sr. Potter, com um tom tranquilo – Achamos até que você merece algumas palmas, afinal, a poção foi uma ótima idéia. Ainda bem que você pensou duas vezes antes de aceitar as investidas do meu filho.

Eu assenti com um sorriso. Eu sabia que ele estava falando na impulsividade de James e é totalmente compreensivo o que ele acabou de falar, mesmo tendo me afetado um pouco. Acho que pelo fato de ele achar que eu sou apenas mais uma na lista de James. Odiei essa sensação. Eu não era apenas mais uma. Eu sou a única e tenho certeza disso.

- Então porque é que estão fazendo essa reunião comigo? – Perguntei desconfiada. Eu sentia o cheiro de algo errado naquilo.

Mordi meu lábio inferior. Eu sabia que viria coisa errada, meu coração estava apertado e eu já sentia que estava tudo errado.

- Eu estava planejando lhe apresentar um homem em potencial para engravidá-la – Começou Dumbledore cautelosamente e eu assenti, analisando a idéia – E esse rapaz se voluntariou nas férias. Não esperávamos que ele se entregasse desse jeito e nos ofereceu vários planos de ataque dos Comensais da Morte. Ele se tornou influente e confiável no meio deles, principalmente para Voldemort. Achamos estranho essa iniciativa dele e resolvemos testá-lo durante todo o período das férias. Ou seja, apenas ele sabia que era você de que a profecia estava falando. Voldemort confiou apenas para ele, Severo Snape. E ele passou no teste, Srta. Lily. Ele estava tremendamente preocupado com você e ele ainda é seu ex-namorado. O que acha disso?

Sabe o que é ter seu queixo lá embaixo, no chão?

Eu levei um tremendo susto. Eu sinceramente não esperava que esse era o temo dessa reunião. Eu senti um arrepio horrível. Eu não sabia que Severo era de tanta confiaça de Voldemort, ele ascendeu rápido, pensei com nojo. Severo é um ótimo rapaz, muito cuidadoso inteligente, mas não. Eu não confiaria nele. Eu não conseguiria debater esse assunto com ele. Eu não conseguiria encará-lo. Não conseguiria fazer nada com aquele duas caras. E parece que ele está sendo leal ao nosso lado, pois se Dumbledore fez vários testes com ele e, acredito, um Veritaserum, e ele esteja disposto a se colocar nessa situação... Ah, Merlin.

Seria perfeito para a Ordem e para Dumbledore se eu engravidasse de um espião informante. Sabe o grau de desprezo que eu sinto por Severo? Ok, não é muito, afinal, ele é um bom rapaz, mas ele continua sendo meu ex-namorado! Não é como ir lá e conversar com ele calmamente! São mágoas, tristezas e decepções junto com o currículo que ele tem comigo, que agora inclui espião.

Meus olhos estavam arregalados. Dumbledore não poderria fazer isso comigo! Ainda mais com todo meu sentimento por James, meu James!

- Não tem como, Dumbledore! – Berrei repentinamente, assustando todos que estavam na sala – Eu não engraviderei de Severo! Se vocês não percebem, existem mágoas profundas entre eu e ele. Não tem como!

Dumbledore se levantou rapidamente.

- Sim, Srta. Lily, temos isso em mente, mas era a única idéia nos surgiu – Começou calmamente, tentando me tranquilizar. Minha respiração estava ofegante e minha mandíbula estava tensa – Mas como você e James tiveram, hum, digamos, alguns momentos íntimos, podemos nos aproveitar disso.

Uma interrogativa estava em minha mente.

- Mas como? – Perguntei confusa. Os Potter estavam parados feito pedra. A Sra. Potter parecia estar voltando ao seu choro e o Sr. Potter a abraçava, consolando-a.

- Você não está com o sêmen de James em seu corpo? – Perguntou um pouco desconcertado. Era estranho ver o fabuloso Dumbledore desconcertado, mas não era hora de ficar rindo por besteira. Mas não pude deixar de rir internamente, claro!

- Sim, nós transamos mas eu tomei aquela poção, então eu não posso engravidar – Respondi sem escrúpulos. Posso parecer uma jovem tímida, mas não me importa se estou sendo um tanto quanto sincera demais, afinal, não tenho nada a perder então vou falar o que eu quero. Há-há! ( acho que estou enlouquecendo no meio dessa história ).

A Sra. Potter soltou um pigarro desconcertado e Alice e Tiffany tentavam esconder seus sorrisos. Eu adorava aquelas duas! Mas estou triste que Brid não está aqui me dando força, onde será que ela se enfiou?

Será que ela estava com problemas?

- Sim, mas há uma técnica nova de fertilidade, querida Lily – Começou um Dumbledore animado – Nós vamos pegar esse sêmen que está aí dentro e vamos colocá-lo em um vidrinho. Nisso, iremos introduzi-los em você depois de alguns minutos. O que você acha?

Ahh... OI?

Mas que puta filme de terror, puta que pariu. Minha mente está um vazio. Eu pisquei algumas vezes, tentando processar essa idéia.

- Ahh, eu acho inovador – Respondi totalmente perdida e confusa – Eu ficaria grávida e me livraria de Severo, não?

- Bem, você não ficaria exatamente livre assim pois ele entrou para a Ordem da Fênix, mas não espalhe, querida Lily, apenas todas essas pessoas sabem que Severo é leal a nós, está bem? – Respondeu com sinceridade. Pelo menos ele estava animado, afinal, eu havia aceitado essa idéia estranha e sem nexo.

Me passou uma imagem na minha mente. Eu estava nua e com as pernas abertas enquanto uma mulher colocava o sêmen de James por meio de uma pinça. Eu mordi meu lábio inferior. E ainda teria que encarar Severo. Merda.

Então algo me passou pela cabeça.

- Mas e James? – Perguntei alarmada – Eu nunca permitiria que ele se envolvesse assim, se expondo com tanta vulnerabilidade à Voldemort! Seria perigoso à ele!

Foi nessa hora que a Sra. Potter sorriu em meio as lágrimas que escorriam por sua face. Eu estava com pena dela, sinceramente, nenhuma mãe merece passar por isso.

- Por favor, Lily, não deixe que James se exponha assim, eu conheço o meu filho... Ele seria o homem mais procurado por Voldemort. James sempre foi protetor quanto às pessoas que ele ama e ele se colocaria entre você e Voldemort automaticamente – Pediu uma Sra. Potter completamente desesperada, com lágrimas abundantes em seu rosto.

Dumbledore ficou sério novamente.

- Então, querida Lily, nós decidimos que você engravidará de James, mas é sua escolha deixar com que ele se coloque entre você e Voldemort – Falou Dumbledore, dando algumas rápidas olhadas para os Potter, que me observavam atentamente.

Eu mordi meu lábio inferior com mais força. Era muito injusto. Eu engravidaria de James e não poderia mais vê-lo. Meu filho cresceria sem um pai, cresceria dentro de minha barriga e não haveria um James atencioso e amoroso passando a mão por minha barriga de melancia e brincando com nosso futuro filho. Não haveria nada. Eu ficaria sem James e meu filho também.

Mas...

Após alguns minutos pensando, com a sala do quarto-cofre em total silêncio, eu cheguei em minha conclusão. Não posso dizer que foi fácil, mas é o jeito.

- Eu não quero que James fique no meio disso – Respondi com uma tristeza imensa adentrando o meu coração e deixando-o mais apertado do que já estava – James tem uma vida pela frente, seus estudos, uma carreira, uma esposa e filhos (eu respirei fundo nessas exatas palavras).

Imaginar James com uma família convencional era de partir o meu frágil coração. Eu nunca iria ter uma família convencional e isso me matava por dentro. Eu não poderia ver meus pais, que sempre me davam força, no máximo nossa correspondência era enviada e recebida por Dumbledore. Mas imaginar James amando uma mulher que não seja eu e tendo filhos lindos com ela... Eu estava com vontade chorar. Só não o fazia pois havia platéia e eu não gostava de fazer espetáculo.

Logo após ao meu pronunciamento, a mãe de James sorriu aliviada. Seu marido também sorria aliviado, mas ele ainda estava pensativo e me olhando atentamento.

- Espero que você fique bem, Lily – Comentou o Sr. Potter com carinho – É uma garota muito altruísta.

Eu dei um sorriso forçado. Eu gostei do comentário, mas não conseguia sorrir naquele momento. Eu me sentia caindo de um precipício que já havia sido formado no momento em que eu conheci James. Não tinha nada em que me agarrar para não cair mais e mais fundo.

- Mas já que a decisão foi tomada, a nossa brilhante Alice, que também é uma ótima curandeira, irá fazer todos os procedimentos para a sua futura gravidez, querida Lily – Começou Dumbledore enquanto Alice se sentava no braço de minha poltrona e me abraçava carinhosamente, tentando me tranquilizar. Não funcionou – Então, a nossa Lily irá com Alice para a ala hospitalar de Hogwarts enquanto o resto de nós irá comigo até minha sala. Precisamos discutir planos de ação, Lily, mas não se preocupe com nada disso, está bem?

Eu assenti. Não consegui falar pois estava com um nó formado na raíz de minha garganta. Eu sentia aquele aperto em minhas cordas vocais, impossibilitando minha fala. Eu mordi meu lábio inferior pela décima vez.

Tudo isso partia o meu coração.

Todos saíram do meu quarto-cofre, ficando apenas eu e Alice, que resolveu puxar uma poltrona para ficar em frente a minha. Eu mantinha minha cabeça e meu olhar baixo, algo estava me deixando muito deprimida. Algo que se chamava James.

- Mas e como a nossa Lily está? – Perguntou bastante atenciosa e com um sorriso meigo em sua face – Fiquei preocupada quando você escolheu deixar James por fora dessa história.

Eu dei um sorriso triste enquanto olhava para os seus olhos azul-escuro. Eram muito meigos e sinceros. Ambos pareciam preocupados comigo.

- Acabada, deprimida e ferrada – Respondi com um provável humor trágico.

Alice sorriu.

- Se você consegue fazer piada com sua situação, acho que está bem – Comentou de bom humor – Mas acho que esse seu humor serve para camuflar sua tristeza. Não a esconda, Lily, você é humana. E também achei que você fez a coisa certa com James, sabe, eu sei que você aguenta o tranco... Mas acho que James ainda precisa viver um pouco para decidir o que quer. Ele não pode ser impulsivo igual ele está sendo neste momento. Ele deve parar e pensar sobre o que provocou, mas acho que não será tão cedo.

Eu assenti, concordando com suas exatas palavras.

- Eu também acho que James, por mais que ele seja forte, não está pronto, Alice – Concordei ainda com o olhar baixo. As lágrimas estavam se aconchegando em meus olhos e descendo rapidamente por minha face perolada – James ainda não tem uma perspectiva do quanto que a vida dele ficaria um inferno. Ele precisa compreender isso.

Ela assentiu, limpando minhas lágrimas com sua mão esquerda delicada, com unhas bem-feitas em um tom azul-escuro.

- Ele vai compreender – Começou enquanto se levantava da poltrona – Mas não vai ser por agora. Eu vou reunir meus objetos de trabalho, mas você pode continuar conversando comigo.

- Ok – Respondi ainda na minha fossa particular. Alice estava indo para lá e para cá, sempre pegando objetos de prata extremamente complexos, nunca havia visto tantos objetos estranhos. E foi nessa hora que eu lembrei de um fator decisivo – Onde está Brid?

Alice me olhou demoradamente. Parecia que ela estava relutante em falar. Percebendo isso, eu não abri a boca mais. Eu estava esperando que Alice respondesse minha pergunta e rápido. Brid tinha me deixado na mão todo o tempo! Nem veio me prestar socorro quando eu mais precisava! Eu estava indignada com a ausência dela e isso acabava de moer mais ainda o meu coração despedaçado. Ela era praticamente minha irmã!

- Sabe, eu fui instruída para não comentar sobre isso com você – Começou lentamente, ainda relutante. Eu arqueei as sobrancelhas – Mas eu vou contar. Acho que você deve saber. Minerva a chamou para explicar o que estava acontecendo com você e sobre sua futura gravidez.

Eu dei de ombros, confusa.

- Mas o que Brid tem a ver com isso? – Perguntei completamente desorientada.

Alice entrou em seu quarto e logo voltou, segurando alguns objetos prateados e colocando-os em sua bolsa. Havia um frasco de cristal com um líquido azul-piscina. Ela suspirou.

- Bem, como eu acho que Dumbledore ainda não te explicou, eu mesma vou explicar – Começou enquanto remexia em sua bolsa – Dumbledore tem essa mania de não explicar direito as coisas. Mas continuando, você não continuará em Hogwarts, afinal, como você poderia ter uma gravidez tranquila aqui? Perto de Comensais em potencial e de James? Nunca! Então foi decidido que você iria morar no exterior. Não sei para onde que você vai, Dumbledore não contou para ninguém para gerar uma segurança maior para você.

Eu arregalei meus olhos. Dumbledore era uma caixinha de surpresas, mas se você for realmente pensar direito sobre o assunto, ele está certo. Irritantemente certo.

- Ok, mas o que Brid tem a ver com isso? – Repeti a pergunta, ainda confusa.

Alice fechou sua bolsa e colocou-a em seu ombro.

- Muito – Respondeu prontamente – Afinal, quem vai ficar grávida é você, não ela. Bridget não pode ficar te acompanhando o tempo todo, Lily. Me desculpe, mas seria uma injustiça com ela, afinal, ela precisa continuar os estudos e ela estará bastante segura aqui.

Eu suspirei. Estava cansada dessa vida de cigana, indo pra lá e pra cá o tempo todo. Eu parecia um pedaço de carne morta que ninguém queria. E não só como parecia, mas eu me sentia morta por dentro. Algo escureceu dentro de mim há alguns minutos. Eu não sentia mais aquele calor que me deixava segura de que tudo ficaria bem. Não, definitivamente não o sentia.

- Imagino que seja – Comentei tristemente – E o que ela falou?

Alice deu de ombros enquanto me chamava para sair do quarto-cofre. Eu me levantei da poltrona vagarosamente, ainda tentando por minhas ideias em ordem. Quando chegamos no corredor que agora clareava com o sol, Alice me respondeu com uma pergunta.

- E o que ela poderia falar? É uma ordem.

Eu suspirei novamente, bastante exausta dessa instabilidade. E também pensando que eu não teria minha estrutura e base com Bridget perto. Era deplorável. Tive vontade de me jogar de um precipício, afinal eu já estava no fundo de um, não?

- Então não vou ver Bridget por um bom tempo – Comentei tristemente. Alice envolveu meus ombros com seus braços e me deu um sorriso de incentivo.

- Não se preocupe, só durante um ano, passa rapidinho! – Comentou uma Alice tentando me deixar para cima – Mas agora que estamos indo para a ala hospitalar, eu vou te explicar direitinho como funciona essa coisa. Você vai tirar a roupa e ficar em uma maca, nisso eu quero que você abra suas pernas para eu introduzir o esperma de James.

Eu arqueei as sobrancelhas.

- Mas eu tomei aquela poção – Comecei confusa – E não fale o nome dele, por favor.

- Ok, eu não usarei o nome dele – E ela me deu um sorriso enquanto me abraçava mais forte – Mas sabe aquela poção azul-piscina que você me viu por dentro da bolsa? Aquela poção anula o efeito da última.

- Então eu ficarei grávida até o fim da noite? – Perguntei com interesse. Sempre me imaginei com um barrigão, grávida, e sentindo as contrações do meu bebê com um gênio do cão igual a sua mãe. Mas assim que me imaginei com um barrigão, eu imaginei James acariciando minha barriga. Logo, eu coloquei aquela imagem dolorosa para fora de minha mente.

- Basicamente, sim – Começou a explicação de uma estudiosa versada no assunto. Alice tinha aquele tom de professora, era divertido pois ela é muito nova – Mas como vai ser dessa forma bastante complicada, contrariando algumas leis básicas da natureza, sua gestação será muito mais longa que o normal, que são, no máximo, nove meses.

Eu estranhei essa informação. Ah, sim, claro, eu era uma aberração da natureza, sempre soube. Mas deixando meu emocional de lado por alguns momentos, eu nunca havia escutado sobre uma gravidez que durou mais de nove meses. Eu ainda estava desorientada e confusa, era muita informação em um tempo muito curto, não deu tempo de absorver direito.

- Mais de nove meses? – Repeti confusa – Mas como assim?

Nós estávamos perto da ala hospitalar nesse momento. O raios de sol já estavam entrando por todo o castelo e, automaticamente, os corredores ficaram extremamente claros. Era um nascer do sol muito bonito, mas nesse momento eu não conseguia apreciar nada. Eu estava afogada em minhas mágoas e meus problemas.

- Como é uma gravidez semi-artificial e que utiliza a magia no desvio de poções anti-concepcionais e na introdução do sêmen que fica logo, hum, casado com seu óvulo, gerando um herdeiro automaticamente. Isso leva em torno de minutos, mas a recuperação de seu corpo enquanto gera o seu lindo herdeiro fica bem mais lenta, está me compreendendo?

Eu assenti, absorvendo as informações. Bem, eu conseguia entender sobre meu próprio corpo e meu futuro filho. Pode ser clichê, mas eu realmente arrepiei quando começou a falar de meu futuro filho. Um sorriso se escancarou em minha face, fazendo com Alice me abraçasse mais forte ainda. Ela poderia ser delicada mas tinha uma força de javali! Não é à toa que é da nata dos aurores, não?

- E leva quanto tempo para gerar? – Perguntei interessada. Sabe que esse assunto era bem legal?

Bem, eu ouvi a palavra filho e já viu, né? Fiquei toda babona. Mesmo não tendo Ja... Não, mesmo não tendo aquele rapaz por perto para zelar por meu filho, acariciando minha barriga e falando com a mesma. Sempre que eu penso nisso eu sinto uma pontada em meu coração. Mas é bom não pensar, afinal, já o perdi mesmo...

O que adianta ficar remoendo essa tristeza? Mas mesmo assim, é depressivo.

- Depende da mulher e do homem – Respondeu ainda com ar de professora. Estávamos entrando na ala hospitalar. Enquanto eu entrava, Alice fechava as portas e janelas, trancando-as com feitiços que eu não consegui discernir – A mais curta durou cerca de treze meses, mas a mais longa foi até seus dezoito meses.

Eu fiquei boquiaberta. Alice ajeitou uma maca enquanto eu tirava minha roupa na frente dela. Eu nunca fui de ter vergonhas em tirar a roupa na frente de outra mulher. Na verdade, eu sempre me achei uma exibicionista, nunca me preocupei se alguma mulher que estivesse me observando resolvesse catar milhões de defeitos em meu precioso corpo. Não me importava mesmo.

- Mas e a minha? Quanto você acha que demorará? – Perguntei alarmada. Uau, um ano e meio grávida deve ser uma maratona para poucas.

Pelo menos é o que dizem, né, sobre a gravidez.

Alice fez uma careta pensativa, provavelmente fazendo alguns cálculos de cabeça. Eu coloquei minhas roupas em outra maca e deitei sobre a minha, tentando relaxar. Era muito macia e com um travesseiro confortável, mas eu continuava tensa. Já até sei o porquê.

- Quer que eu seja sincera? – Perguntou e eu assenti, querendo que ela continuasse – Não sei ao certo, mas sua gravidez pode ser muito longa.

- Mas qual é o fator diferencial? – Perguntei enquanto Alice se sentava em frente os meus pés e abria as minhas pernas peroladas. Eu estava travada da cabeça aos pés e Alice tentava aliviar minha tensão me dava mais travesseiros para encostar.

- O fator diferencial é se a mãe está muito debilitada – Respondeu, provando que estava versada no assunto. Quando aquele instrumento prateado entrou dentro do meu corpo... – E acho que você está muito, mas muito debilitada. Seu emocional está em cacos, então a gravidez será longa. Agora fique paradinha, Lily.

Foi uma sensação horrível, gelada. Um desconforto interno exorbitante. Já com Ja... Já com aquele rapaz, foi muito diferente. Mas vamos parar de pensar nisso, Lily. Eu sentia aquilo mexer dentro do meu corpo, sair e entrar novamente. A sensação era horrível.

Nesse silêncio, eu começava a pensar em James. Eu tentei tirá-lo de minha mente, mas não consegui. Quanto mais eu sentia que ficaria grávida a qualquer momento, mais o meu pensamento se direcionava à ele. Eu pensava no contorno de seus lábios finos e tentadores, no modo em que seu cabelo castanho-escuro ficava bagunçado e em seus intensos olhos castanho-esverdeados. Tudo isso me deixava triste, me enlouquecia, eu queria morrer por dentro. Ja... Ele possui um sorriso fantástico, alegre e maroto. Era impossível não pensar em seus sorrisos nesse momento. Seu corpo tentador, sedutor... Eu não conseguia parar de pensar nele.

Pensando em nosso filho. Nosso filho sem pai, né.

Aí meu filho me perguntaria assim: 'Porque é que meus amiguinhos tem pais e eu não tenho, mamãe?'.

Isso era de partir o coração. Principalmente o meu.

Minhas lágrimas transbordaram enquanto o procedimento terminava.

Eu senti uma fraqueza em mim que me dominou.

- Alice, eu não estou passando bem – Falei angustiada. Mas Alice, que retirou seus instrumentos prateados dentro de mim e me deu outro cobertor, estava fazendo frio, sorriu satisfeita.

- Se você não está passando bem, se está sentindo uma fraqueza terrível... – Começou enquanto me dava um beijo na testa e pegava minhas roupas para mim. Eu continuava deitada e fraca -... então é porque deu certo. Parabéns, mamãe!

Meus olhos se arregalaram. Minha nossa.

- Então eu estou grávida agora? – Perguntei aos trancos e barrancos, não conseguindo enxergar direito pois estava com muita, mas muita fraqueza em todas as partes de meu corpo – Tem certeza?

Alice sorriu novamente, satisfeita.

- Absoluta, mamãe – Respondeu satisfeita e eu sentia um sorriso crescer em meu rosto. Foi automático – Agora é melhor você dormir, o melhor remédio para essa fraqueza é dormir. Bons sonhos!

Ela me deu um beijo na testa e colocou outro cobertor por cima de mim. Eu estava, ao todo, com três cobertores e quatro travesseiros macios. Eu estava extremamente confortável e Alice era uma ótima, e prática, curandeira, deixando-me dormir por um longo tempo.

Eu não vi o que aconteceu com Alice, eu estava em um sono profundo.