Capítulo 10: Under Attack
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EPOV
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Eu demorei para me levantar pela manhã, levando em conta que só trabalharia bem mais tarde. Eu vaguei pela cozinha depois de ligar a TV no noticiário. Mas ao ouvir as vozes sombrias dos repórteres policiais, resolvi desligar a TV e colocar um CD.
Enquanto pensava se estava ou não com fome, meu estômago roncou, respondendo a pergunta por mim. Instintivamente eu agarrei meu telefone e coloquei em meu bolso, por via das dúvidas, para o caso de Bella telefonar.
Eu fiz uma xícara de café, enquanto pensava no dia anterior. Eu sabia que Bella teria aula novamente hoje... suas aulas aconteciam três vezes por semana, mas eu não conseguia compreender como ela podia passar o dia trancada com Tanya. Eu estava a ponto de pegar as chaves do Volvo e ir até a Universidade de Portland para salvá-la da ira de Tanya. Eu sabia como ela era e como ninguém devia atravessar o seu caminho, por bem ou por mal.
No momento em que Bella entrou no carro com lágrimas nos olhos, eu soube que era algo relacionado com ela. Eu tinha ouvido algo sobre ela ser professora assistente em uma das turmas de Literatura Inglesa, mas eu tinha rezado muito para que não fosse justamente na classe da Bella. Pelo jeito, a sorte não estava a meu favor. Não demorou muito para que eu compreendesse que a blusa de moleton com o meu nome em letras garrafais havia dado a Tanya a dica para apenas ligar os pontos.
Como eu podia ter posto Bella em perigo dessa forma? Eu conhecia Tanya desde os meus tempos de calouro na faculdade e ela é vingativa. Ela não deixará Bella em paz até que sinta que a vingança está bastante fria, que alcançou o seu objetivo. Agora a situação era ainda pior, porque não era mais eu o seu alvo e sim Bella. Meus erros e minha falta de sentimentos no passado iam ser expostos e Bella sofreria por isso.
Eu tratei de afastar os pensamentos, sabendo que eu precisava apenas trabalhar um pouco comigo mesmo para isso, embora as frases frias que Tanya poderia estar cuspindo para fora neste exato momento nunca estivessem totalmente longe de minha mente.
Eu fiz tudo o que eu pude para manter minha mente ocupada, mas nada parecia estar funcionando. Depois de ter arrumado todos os meus CD's em ordem alfabética, eu percebi que precisava sair de casa. Sem me preocupar em mudar de roupas, peguei minhas chaves e corri para o carro, me sentando no banco de motorista e acelerando rua baixo, sem rumo certo.
Este vinha sendo um problema desde o fim do verão. Era o primeiro ano em que eu não tinha que ir para a aula e eu não estava bem certo do que fazer com o meu tempo extra. Se formar em direito não era algo fácil; eu estava sempre estudando e ter tempo livre, me desestabilizava um pouco.
Eu não tinha planejado nada disso. Desde os meus doze anos que eu não planejava nada. Política me fascinava, assim como as leis. Meu pai, meu herói, tinha me levado àquilo. Eu quase me sentia culpado não indo para a faculdade de direito; era como se eu o estivesse decepcionando de alguma maneira. Era para eu freqüentar a faculdade de direito e me tornar um proeminente advogado, assim como ele. Até mesmo depois do acidente. Eu cheguei a pensar que cumpriria o legado, mas tudo mudou quando eu me formei no segundo grau. Eu não podia continuar com aquilo... os olhares "simpáticos" que eu recebia cada vez que ia a algum lugar familiar para mim... Meus pais eram muito conhecidos em Chicago, resultando em uma piedade opressiva por parte dos outros. Foi minha mãe quem sugeriu me mudar para Illinois atrás de um novo começo para mim. Eu sabia que ela estava tão profundamente quebrada quanto eu, mas ela sempre tinha sido mais forte. Ou pelo menos, se fazendo de forte para mim. Eu recebi minha carta de admissão da faculdade de Portland e Elizabeth nunca mais ouviu uma palavra que fosse sobre aquele assunto.
Sinais zumbiam acima de mim, mas eu não perdia meu tempo em olhar para eles, Eu observei o ponteiro do velocímetro passando a marca de 100km/h, mas não me preocupei em pisar no freio. A estrada onde eu me encontrava estava clara. Eu continuei acelerando pela costa, vendo as árvores, na lateral da pista, passando como borrões. Eu sabia que se persistisse naquele ritmo, estaria, eventualmente, perdido; mas a idéia me soava prazerosa. Eu precisava da velocidade, da aventura; de algo para sacudir a minha vida.
Eu bufei. Há seis meses atrás eu não estaria correndo por uma estrada com a qual eu não estivesse familiarizado sem nem mesmo prestar atenção na direção que tomava. Eu teria pego um rumo conhecido, daqueles que se faz até mesmo de olhos fechados. Minha mente estava abalada com essa mudança, mas eu não conseguia me preocupar com aquilo.
Os carros foram se tornando escassos, um ou outro passando pela direção oposta, mas eu praticamente não os notei. Os pneus jogavam água no para-brisa ao passarem por alguma poça, e meus limpadores de pára-brisas eram quase invisíveis àquela velocidade. O carro estava no mais completo silêncio; o rádio estava desligado e eu não queria romper o silêncio, impregnar o ar com alguma melodia não me parecia uma boa idéia.
Se eu dirigia por minutos ou horas eu não sabia. Eu mantive minha velocidade constante, acelerada assim como minha mente, a mil com diversos pensamentos sobre Bella: como o seu cabelo fluía facilmente pelos meus dedos; o modo como os lábios dela se moviam perfeitamente contra o meu, fazendo com que todo o resto à nossa volta desaparecesse como se fôssemos os únicos sobreviventes sobre a Terra; como sua mão pequena se ajustava à minha como a peça faltante de um quebra-cabeça ou o quão seu riso era perfeito, como o badalar de sinos durante o Natal; o modo como o sorriso dela era capaz de iluminar o ambiente até mesmo no mais escuro dos dias; como seus olhos brilhavam quando ela falava dos amigos e da família.
Eu pude vislumbrar a placa de 'bem vindo a Washington' pela minha visão periférica. Depois de olhar o relógio no painel, percebi que tinha estado dirigindo por mais tempo do que eu imaginara originalmente. Eu peguei meu celular em meu bolso, meus dedos segurando firmemente o pequeno objeto prateado. Eu o abri, me xingando mentalmente ao ver que tinha perdido uma chamada. Eu disquei o número de minha caixa postal, torcendo para que não fosse algo importante.
"Olá Edward", a voz macia de Bella soou pelo receptor. "Eu estou a caminho da faculdade agora, então você provavelmente ainda está dormindo. Eu espero que isto não o acorde." ela riu ligeiramente, fazendo meu coração apertar em meu peito. "Mas eu queria avisá-lo que eu, Alice e Rosalie vamos sair hoje a noite, para nos desligarmos um pouco dessa história de casamento. Confie em mim, elas precisam disto. Assim eu não estarei em casa, até bem mais tarde, ok?" ela soou insegura. "Entretanto, eu não ficarei fora até tarde. Eu quero vê-lo. Eu sinto sua falta, Edward. Eu falarei com você quando sair da aula."
O telefone apitou, me alertando de que a mensagem chegara ao fim. Depois de perceber os detalhes, me dei conta de que aquela mensagem tinha sido deixada bem cedo, de manhã. Eu suspirei, passando a mão pelos meus cabelos e gemendo. Não só eu estava fora de Oregon agora, mas Bella não estaria em casa, por horas pelo menos. Eu conhecia Alice e Rose melhor que ela pensava... elas não a deixariam ir embora tão cedo.
Os números no hodômetro subiam enquanto eu seguia pela costa; a cada kilometro dirigido eu sentia como se um peso tivesse sido tirado de meus ombros. Eu me sentia revigorado, limpo. Como se estivesse voando, e nada pudesse me alcançar.
Eu pensei no que Bella tinha me falado na noite do meu aniversário. "Não foi sua culpa. Você não poderia ter feito nada. Foi um acidente, Edward. Tudo foi um acidente e se você continuar se culpando por isto, você nunca irá superar."
Ela tinha razão, é claro. Ela sempre tinha. Eu às vezes me perguntava se eu era masoquista... se eu desfrutava de toda essa dor e culpa que me consumiam tão profundamente. De certo modo, eu era. Eu desfrutava daquela sensação de estar sendo rasgado e sentia como se aquilo fosse uma porção muito pequena do castigo que eu merecia. Não estava nem próximo do que eu merecia estar recebendo, mas já era alguma coisa.
Eu nunca imaginei encontrar alguém que eu amasse que fosse de fora da minha família. Eu não tive nenhum amigo mais íntimo na escola... todos se mantinham o mais longe possível de mim. Você não os conseguia manter mais próximo do que a dez centímetros de mim. Eu posso ter desperdiçado todos aqueles "preciosos" anos da escola secundária, mas para mim aquilo era o inferno na Terra.
A faculdade não era nem um pouco diferente; eu ainda estava isolado. Distante. Sempre para trás. Eu não merecia alguém como Bella... alguém que confia tão incondicionalmente, alguém tão inocente... simplesmente perfeita aos meus olhos. Ela era um anjo, me salvando do inferno a que eu tinha me condenado. Eu não deveria lhe permitir ficar tão perto de mim... eu não deveria ceder ante o prazer que ela tão de boa vontade me oferece. Eu não merecia isto e ainda assim, eu estava aceitando tudo aquilo de braços abertos.
Eu reduzi a uma velocidade razoável quando cheguei a uma cidade, andando indecisamente pelas ruas. Parecia estar um pouco vazio, o que me agradou. Eu precisava respirar um pouco de ar puro e aquele parecia ser o lugar perfeito.
Eu achei um pequeno parque, onde tinha apenas duas crianças pequenas brincando. O menino não devia ter mais do que sete ou oito anos, já a menina aparentava ser um pouco mais nova. Os dois pareciam se divertir no balanço e eu não pude evitar sorrir para eles, ganhando um enorme sorriso em resposta.
"Olá!" O menino disse, sorrindo mostrando as duas "janelas" bem na frente.
"Oi." Eu respondi, rindo. Eu sempre tive uma queda por crianças. Talvez por isso eu esperasse ansiosamente pelo carnaval a cada ano. Elas eram inocentes, francas e o amor e a amizade irradiavam como ondas.
"O que está errado?" A menina perguntou de repente, franzindo a testa, como se estivesse genuinamente preocupada.
"Huh?" Eu perguntei sem convicção. Ela carranqueou, pondo as duas mãos na cintura.
"Por que você está triste?"
Eu apoiei contra o poste úmido de sustentação do balanço e encolhi os ombros. "Eu não estou."
Ela xingou, fazendo um beicinho. "Está sim."
O menino tratou logo de interrompê-la, pondo a mão, suavemente, sobre o seu ombro. "Abbey", ele advertiu, me olhando. "O deixe só."
"Não!" ela insistiu, livrando-se da mão dele. "Eu quero saber por que ele está triste. Homens crescidos não deveriam ficar tristes."
"Eu não estou triste." Eu repeti, sentindo-me um pouco estranho por estar discutindo aquilo com uma criança. "Apenas um pouco... confuso."
"Sério?" ela perguntou, sorrindo, como se soubesse exatamente como me ajudar. "Sobre o que?"
Eu soltei o ar, deprimido ao perceber o aperto por trás de minha respiração. "Um monte de coisas."
Ela pulou para fora do balanço, pousando com um baque no chão. "Eu posso ajudar! Mamãe sempre diz que eu sou uma boa ouvinte."
Eu ri, divertido com as artimanhas dela. "Obrigado, mas eu não acho que você poderia entender."
"Eu posso tentar."
Eu suprimi um gemido, fechando meus olhos e apertando a parte de trás da minha cabeça contra o metal frio. "Acho que eu amo a minha namorada." Eu disse debilmente, me sentindo completamente estúpido por estar expondo meus problemas para uma criança de seis anos de idade que eu nunca vira na vida.
"E?" ela perguntou, como se fosse a coisa mais natural no mundo. Eu abri um olho, olhando para ela.
"É uma grande coisa para mim." Eu tentei me defender. "Eu não lhe contei."
"O que?" ela praticamente gritou. "Eu falo diariamente que os amo para os meus animais de estimação e para o Brian." ela disse, apontando o polegar para o menino envergonhado próximo a ela.
"Não é exatamente a mesma coisa." Eu disse, me sentindo um pouco irritado com a maneira simples com que ela fazia aquilo soar. "Ela significa o mundo para mim. Eu não a quero perder."
Abbey elevou uma sobrancelha, parecendo completamente confusa. "Huh?"
"Eu não quero perdê-la." Eu disse, limpando minha garganta desajeitadamente. "Se eu contar para ela, como posso ter certeza de que ela irá me dizer o mesmo?"
Eu nunca vi uma expressão mais brava em minha vida. "Você está assustado?"
"Não." Eu disse sem pensar. Ela levantou a cabeça apertando a mandíbula. "Talvez."
"Você está assustado", ela disse, acenando com a cabeça desafiadoramente. "Qual é o nome dela?"
Eu sorri, apesar da pequena menina furiosa estar a apenas alguns centímetros de mim.
"Bella." Seu lindo rosto preencheu os meus pensamentos e eu não fiz nada para os afastar.
"Eu gosto." ela disse. "Bella."
"E então, eu deveria falar para ela?" perguntei de uma vez por todas. Abbey acenou com a cabeça, dando uma risada infantil.
"Yep."
"Me dê uma boa razão pela qual eu não deveria estar assustado com isso." Eu provoquei, curioso sobre o que ela me proporia.
"Fácil!" ela exclamou. "Porque eu disse para fazer."
Eu deixei sair um riso, soando muito mais relaxado do que eu estava antes. "Só isso?"
"Yep." ela disse, contente.
"Você deveria lhe dizer." O menino finalmente disse, se aproximando desajeitadamente da menina. "Eu quero dizer... se você a ama, por que não?"
Eu invejei o modo notavelmente simples com que eles viam as coisas. "Eu não a mereço." Eu respondi sinceramente. "Ela é muito boa para mim e eu estou esperando que ela se dê conta disso e vá embora."
"Vá embora?" Abbey perguntou, com os olhos cheios de tristeza. "Para onde ela iria?"
Eu ri amargamente. "Para longe de mim. Para alguém que a ame mais. Irá machucar menos se eu não disser nada a respeito dos meus sentimentos antes que isso aconteça." Eu me repreendi por usar expressões complicadas para a idade deles, mas eles pareciam entender perfeitamente o que eu estava dizendo.
Ela baçançou a cabeça veementemente, agarrando minha mão. "Onde você mora?"
Eu bufei. "Portland."
Ela enrugou ainda mais a sobrancelha. "Onde é?"
"Longe daqui."
"Quando você vai para casa?"
Eu elevei minha sobrancelha diante daquelas perguntas, mas chequei a tela do meu telefone. "Logo logo. Bella não demorará a estar em casa."
"E você vai contar para ela, certo?" ela insistiu, arregalando os olhos ligeiramente. Eu me ajoelhei, sorrindo torto para ela.
"Eu farei o meu melhor."
Ela carranqueou. "Isso não é bom o bastante!"
"Eu lhe contarei eventualmente." Eu concordei. Eu não queria nada mais do que me declarar para Bella, mas não estava bem seguro de que aquilo era o certo a se fazer.
"Ok." ela concordou. Eu pisquei para ela, me levantando e olhando para o carro.
"Eu tenho que ir." Eu disse, tentando ignorar a expressão aflita da pequena menina. "Mas ei, eu gostei muito de conversar com você."
"Você virá me visitar?" ela perguntou, com os lábios tremendo. Eu acenei com a cabeça, batendo levemente em seu ombro.
"Eu prometo."
"Você trará a Bella?" ela perguntou excitadamente, saltando para cima e para baixo.
Eu acenei com a cabeça mais uma vez, tendo a certeza de que eles logo se esqueceriam daquilo.
"Sim. E obrigada."
A chuva começou a cair com mais intensidade, o céu estava completamente carregado. "Vocês deveriam ir para casa." Eu aconselhei, me perguntando aonde estariam os pais deles. "Eu não quero que vocês adoeçam."
O menino acenou com a cabeça, passando um braço pelos ombros de Abbey. "Vamos."
Ela se virou, e sorriu. "Tchau!"
Eu senti meus pés se virando em direção ao Volvo, mas não me mexi até vê-los entrando em uma pequena casa. Eu desci a rua deserta, tomando novamente o rumo da rodovia.
Eu não sei o que era, mas algo bateu em mim. Eu imaginei Bella e eu sentados em um banco, observando nossas crianças correndo ao redor daquele mesmo parque. A aliança de casamento de minha mãe brilhava no dedo dela e ela estava simplesmente radiante.
O toque familiar de meu telefone quebrou o silêncio, soando desagradavelmente alto. Eu suspirei, grato por me ver distraído daqueles pensamentos e atendi rapidamente.
"Alô?"
"Edward!" Minha mãe chamou. É só falar no diabo que ele aparece. "Como você está, meu amor?"
Eu sorri, apesar de tudo. Eu estava dirigindo por Deus sabe onde, vestido com minhas calças de moleton, sob uma chuva torrencial. Mas apesar de tudo, eu estava possivelmente mais feliz do que eu tinha estado em muito tempo, desde que eu estava só. "Verdadeiramente bem, mãe."
Ela mal conseguiu mascarar a surpresa em sua voz. "Eu posso imaginar." Eu ri, da forma mais despreocupada que eu conseguia me lembrar. "O que você está fazendo?" Eu a ouvi perguntar e afastei meu olhar, relutantemente, da casa de dois andares.
"Passando um pequeno tempo comigo mesmo." Eu disse descaradamente. Ela riu ruidosamente, sussurrando.
"E o que, você está fazendo com este tempo só?"
Eu suspirei, debatendo comigo mesmo. "Apenas dando um passeio. Eu vim parar em algum lugar em Washington." Eu respondi sinceramente. Eu passei uma mão por meu cabelo, desejando saber se eu teria respondido o mesmo sob outras circunstâncias.
"O que diabos você está fazendo aí?" ela perguntou, soando completamente desconcertada. Da mesma forma que eu estava.
"Eu realmente não sei." Eu disse suavemente, decidindo dirigir um pouco mais ao redor da cidade antes de voltar.
"Ahn?" Elizabeth indagou, genuinamente curiosa. "Isso não se parece com você."
Eu balancei minha cabeça, embora ninguém estivesse ali para ver isso. "Sim. Eu sei. Eu apenas resolvi sair de Portland enquanto Bella estava na aula e..."
"Edward." ela disse, me interrompendo rapidamente. "Por que você está aí?"
Eu apoiei minha cabeça contra o apoio de cabeça do banco de motorista, fechando meus olhos e os mantendo apertados. "Eu não sei."
"Como você chegou aí? Você se lembra?"
Eu abri meus olhos, deixando sair uma risada alta. "Mãe, eu não fui drogado e trazido até aqui na parte de trás de um caminhão. Eu dirigi." A imagem mental do caminhão velho de Bella apareceu em minha mente e eu tive que me esforçar para segurar o riso.
"Mas por que?" ela perguntou pela terceira vez, exasperada. Eu ri, me apoiando para trás mais uma vez, um pouco mais relaxado agora.
"Bella teve aulas esta manhã e eu senti necessidade de sair do apartamento. Eu não estava bem certo sobre o que fazer, assim eu entrei em meu carro e dirigi. De alguma maneira, eu terminei aqui."
"Edward", ela ralhou. "Você não deveria dirigir até Washington sem falar para alguém. E se você tivesse se envolvido em algum acidente?" A voz dela soava quebrada e eu imediatamente me senti arrependido por não ter contado a ninguém onde eu estava.
"Eu não consegui parar." Eu disse, procurando pelas palavras certas. "Eu vi a placa, mas continuei dirigindo. Eu queria explorar, queria ir além."
"Isso não se parece com você." ela meditou, parecendo curiosa.
"Eu sei." Eu disse, soberbo.
"Você tem certeza de que é o meu Edward?" ela perguntou retoricamente, rindo. "Porque eu tenho certeza de que não soa como se fosse."
Eu balancei minha cabeça, soltando uma rajada de ar. "Eu não sei o que é, mãe, mas há algo sobre estar aqui onde ela cresceu que me fez abrir os olhos. Eu não sei como e nem por que, mas isto é... eu estou aliviado, de alguma maneira."
"É como?" ela pressionou. Eu gemi alegremente... minha mãe nunca deixaria escapar os detalhes.
"Como se eu pudesse finalmente... conviver comigo mesmo." Eu gaguejei.
"Edward, você e a Bella conversaram sobre o incêndio?" ela perguntou calmamente.
"Sim." Eu respondi depois de um momento de silêncio, sentindo meus olhos cheios d'agua. Eu parei o carro no acostamento... eu não queria correr o risco de bater.
"O que você contou para ela?"
"Mãe." Eu me encolhi. "Por favor não faça isto."
"Edward." ela repetiu, refletindo exatamente a minha entonação. "Pelo que você me falou da Bella, ela é uma menina rara. Única e apesar do que você pensa sobre você mesmo, ela parece gostar de você. É extremamente importante que ela saiba de tudo."
"Eu lhe contei tudo do que eu me lembro." Eu disse debilmente, derrotado.
"E o que ela disse?"
A conversa do dia do meu aniversário imediatamente repassou pela minha cabeça, como uma fita rebobinando. "Ela se aborreceu comigo."
A risada dela me assustou. "Ela se aborreceu com você?"
"Sim." Eu respondi, irritado.
"Ela gritou com você?" Minha mãe estava aproveitando muito aquele momento.
"Ela falou vigorosamente." Eu editei.
"E sobre o que ela falou vigorosamente?"
"Ela disse que não era minha culpa!" Eu deixei escapar. "Que eu era estúpido por continuar me culpando durante todos estes anos, e que eu precisava entender isso."
"Ela tem toda razão."
Eu sabia que minha mãe iria concordar com ela. "Bem, ela está bem determinada a me fazer entender isto."
"Você está "tentando?"
Eu pensei nisto por um momento. "Eu acho que sim." disse, expondo meus sentimentos sobre a mesa. Eu aprendi há muito tempo que não havia modo de mentir para minha mãe. "Eu apenas quero fazê-la feliz e se me entender comigo mesmo for o que causará isto, eu vou tentar. Por ela."
"Você a ama." Elizabeth acusou. Eu engasguei com minha própria saliva, arregalando os olhos automaticamente.
"Eu não disse isso! Eu disse que eu amo vê-la feliz." Eu expliquei, beliscando meu nariz.
"Edward Anthony, por favor, não perca isto." ela advertiu em um tom que me fez prestar a máxima atenção em cada palavra dita. "Eu estou percebendo uma mudança em você apenas de ouvir a sua voz e tenho certeza de que se fosse aí, pessoalmente, esta seria ainda mais significativa. Esta menina é a melhor coisa que alguma vez aconteceu na sua vida e eu quero que você aproveite disso. Não tente se livrar nem se privar deste presente que foi dado a você."
Era como se ela estivesse sentada aqui mesmo, no carro, comigo escutando meus pensamentos. "Mas como eu posso?" Eu perguntei debilmente. "Ela é boa demais para mim."
"Não ouse", ela disse fortemente. "Eu não quero ouvir isto. Por favor Edward, me escute. Você merece isto e muito mais. Bella é a pessoa ideal. Sua alma gêmea. Você a ama." ela insistiu ferozmente. "Você já falou para ela?"
"Mãe." Eu disse, irritado.
"Tudo o que eu estou dizendo é que você deve." ela disse indiferente, mas havia uma nota de desespero no tom dela. "Faça por você, e por Bella."
Eu concordei, sem prestar muita atenção com o que exatamente eu estava concordando. "Eu pensarei sobre isto."
"Bom." ela riu, contente. "E quais são as demais novidades?"
Eu lhe contei alguns detalhes dos últimos dias, desviando cuidadosamente do assunto Tanya. Eu não queria minha mãe envolvida nisso, especialmente depois que ela ameaçou vir até aqui e bater em Tanya por mim, depois do que havia acontecido no ano passado.
"Eu estou alegre de ouvir isto, Edward", ela disse depois que eu terminei minha história.
"Como está o batalhão?"
"Bom." Eu respondi, usando a mesma resposta que eu sempre dava quando ela me perguntava. "Um pouco parado no momento."
"Certo, eu posso perceber que você está ocupado, então eu o deixarei ir." ela riu, mas a preocupação nunca era escondida. "Por favor, tenha cuidado."
"Eu te amo, mãe."
"Eu também te amo, Edward. Eu falarei com você, de novo, logo."
Eu desliguei o telefone, o colocando no banco de passageiros ao meu lado, gemendo em seguida. Por que era tão fácil falar para minha mãe que eu a amava?
Três palavras. Três simples palavras que vinham me assombrando atualmente. Não era como se eu tivesse que planejar um monólogo inteiro... tudo o que eu precisava fazer era olhar firme nos olhos dela e falar; só isso.
Mas era tão mais. Pode até ser apenas três palavras, mas o significado e a emoção por trás do gesto estavam dominando. Não era algo que eu poderia usar dispersamente; tinha que ser do jeito certo.
Eu tinha me convencido de que se eu precisava de tanto tempo para falar com ela a respeito dos meus sentimentos, era porque eles não eram reais; mas depois de expressar esta preocupação para minha mãe, que me ligara para ter certeza de que eu chegara bem em casa, fui severamente repreendido.
Para piorar ainda mais a situação, ela resolveu me contar, mais uma vez, a história sobre a primeira vez que meu pai disse 'eu te amo' para ela; me deixando ainda pior, e mais confuso do que antes.
Eu ouvi o barulho do trinco da porta. Era Bella, com a chave que eu havia lhe dado para casos de emergência. Claro que, ela nunca a usou para casos de emergência...
"Edward?" ela chamou.
"Aqui." Eu disse, levantando minha cabeça da escrivaninha de madeira.
"Olá!" ela disse, soando alegre mas exausta. Eu me levantei imediatamente, a puxando para os meus braços, onde ela desmoronou alegremente e eu a beijei com o máximo de fervor que eu pude reunir.
"Wow", ela disse, quebrando o beijo. "O que foi isso?"
Eu podia sentir o calor em minhas bochechas. "Eu senti falta de você hoje."
"Eu também senti sua falta", ela riu ansiosamente, como se ela tivesse corrido. "Como foi seu dia?"
Eu pensei sobre minha resposta antes de dizer qualquer coisa. "Significativo." Eu disse, escolhendo as palavras cuidadosamente.
"Hum?" ela indagou, tirando sua jaqueta.
"Eu fui de carro até Washington." Eu disse. "Precisava de um pequeno tempo para refletir sobre algumas coisas."
Preocupação inundou seus olhos imediatamente. "Algo errado?"
"Não! Oh Deus, não." Eu disse, apertando sua bochecha suavemente. "Foi uma coisa boa."
Ela pendurou a jaqueta na parte de trás da cadeira, apoiando a bolsa no chão, encostada no pé da cadeira. "E sua aula, como foi?" Eu perguntei. Sua expressão se tornou ácida.
"Formidável."
Eu abri um sorriso, sentando na poltrona e a puxando para o meu colo, passando meus braços ao redor de sua cintura e apoiando minha cabeça em seu lado. "O que aconteceu?"
"O de sempre." ela disse. "Tanya me encarando, os outros estudantes me ignorando, o professor falando sem parar com sua voz monótona..." ela fez um gesto com a mão, como se tentasse afastar o pensamento.
"Eu achava que você gostava do professor?" Eu zombei.
"Esta foi a melhor parte." ela replicou, fechando os olhos e correndo sua mão pelo meu cabelo.
"Paciência, amor." Eu disse, nos endireitando no sofá. "Terá valido a pena quando o seu Best-seller estiver autografado em cima daquela estante."
Ela sorriu, ruborizando. "Eu suponho que sim."
"E sobre Tanya?" Eu perguntei, apertando meus punhos.
"Como esperado." Bella rolou os olhos. "Ela ainda me odeia."
Eu teria que fazer algo sobre isso. Eu não estava a ponto de ver Bella com medo das suas aulas por causa da minha ex-namorada ciumenta. "Ela não te odeia. E eu irei cuidar disto."
"Por favor, não." ela alegou, se virando em meus braços. "Não tem porque você se envolver. Eu não te quero perto dela." ela acrescentou.
"Eu farei algo." Eu insisti, beijando a testa dela. "Não é justo com você. Eu quero que você anseie por suas aulas, não tendo que se preocupar com como Tanya irá agir."
Obrigada." ela sussurrou e eu sabia que ela estava verdadeiramente agradecida.
"E como foi o encontro com Alice e Rosalie?"
Ela gemeu, tapando seu rosto com as mãos. "Me lembre de nunca mais sair com elas novamente. Nunca."
Eu ri. "Não pode ter sido tão ruim."
Ela me encarou. "Foi horrível! Elas vão me matar qualquer dia destes."
Eu balancei a cabeça, fingindo decepção. "E eu aqui, achando que a sua vida era uma festa."
"Quase..." ela ridicularizou.
Eu a equilibrei em meu joelho, olhando profundamente em seus olhos. "Você é a estrela principal em minha vida, Bella. Nunca esqueça isso."
Ela desviou o olhar, mas eu esperava que ela tivesse entendido o elogio. Eu passei meu dedo pelo círculo escuro debaixo de seus olhos e carranqueei.
"Você parece exausta." Eu notei. "Você comeu?"
Ela acenou com a cabeça lentamente, como se sua cabeça pesasse mais do que o seu pescoço podia suportar. "Nós paramos para isso." ela disse letargicamente.
"Certo. Então você vai para cama, minha querida."
Eu ignorei seus protestos, a carregando em meus braços e a colocando na beira da cama. Só então eu reparei o quão atordoante ela realmente parecia.
"Você é uma visão, Isabella." Eu disse, a admirando. "Você parece deslumbrante."
Ela olhou para baixo, brincando com o gancho de sua pulseira. "Obrigada."
Eu estava de pé alguns centímetros atrás, me perguntando o que nós íamos fazer agora. "Você gostaria que eu te levasse para casa? Eu sinto muito que apesar de tudo você tenha que ter vindo até aqui."
"Não sinta." ela disse, abafando um bocejo. "Eu queria vê-lo. Isso era muito mais importante do que dormir."
Eu olhei para o relógio, irritado com as horas. "Bella?"
"Hmm?" Ela zumbiu, abrindo os olhos.
"Você se oporia a passar esta noite aqui?"
Ela piscou, arregalando seus olhos em seguida. "Sério?" ela perguntou, soando esperançosa e hesitante. "Você tem certeza? Eu não quero tirar..."
"Sim." Eu disse, a prendendo em meu abraço. "Eu tenho certeza."
Eu enruguei minha sobrancelha enquanto percebia sua hesitação. Bella se apoiou em meu travesseiro, seu cabelo se espalhando ao redor. "Eu preciso tirar meu vestido, ela resmungou. "Alice me matará se eu amassar isto."
Eu dei uma olhada, abrindo uma gaveta na cômoda e tirando uma camiseta e um short que eu usava para correr. Eles eram grandes para ela, mas era o melhor que poderíamos fazer.
"Eu deixarei estes aqui." Eu disse, os colocando próximo a ela, no colchão. Ela acenou com a cabeça, se sentando na cama. "Eu já volto."
Eu fechei a porta quietamente, apoiando-me contra ela, tentando afastar os pensamentos grosseiros em minha mente. Com minha cabeça apertada contra a madeira eu podia ouvir o zíper do vestido sendo aberto, o material caindo no chão. Eu esperei até que a ouvi dizer que estava decente, para entrar novamente.
Errado. Ela estava muito mais que decente. Minha camisa velha da escola secundária a "abraçava" livremente e o short estava baixo em seu quadril. Ela puxou o cordão, o apertando ainda mais, dando um nó em seguida, me olhando.
Há uma escova de dente extra no banheiro." Eu disse, com a voz rouca.
"Eu deixarei você se vestir", ela disse, acenando com a cabeça enquanto deixava o quarto em direção ao banheiro. Eu respirei fundo, antes de colocar uma calça de moletom, uma blusa e me enfiar debaixo dos lençóis.
A porta rangeu alguns minutos depois e Bella parou ao pé da cama, parecendo envergonhada.
"Se você pudesse apenas me emprestar um travesseiro." ela resmungou. Eu elevei uma sobrancelha, apoiando meu cotovelo em meu joelho.
"Onde você pensa que vai?"
"Eu acho que... para lá." ela apontou para o sofá na sala de estar. Eu ri com vontade, balançando minha cabeça.
"Eu tinha imaginado que você ficaria aqui comigo." Eu sabia que estava sendo mais corajoso do que ela estava acostumada, mas minha promessa de que eu estaria mais aberto estava entrando finalmente em jogo. Eu queria que Bella entendesse o quanto eu valorizava sua presença.
"Jura?"
"Claro." Eu disse, chocado com a pergunta. Eu era realmente tão fechado que ela imaginou que eu não gostaria de tê-la ali?
Quando ela subiu na cama, apoiando a cabeça no travesseiro próximo a mim eu jurei que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para que ela pudesse entender meus sentimentos.
BPOV
Eu gemi, piscando meus olhos repetidamente, enquanto eles se ajustavam à claridade que entrava pela janela. Eu sentei rapidamente, tomando um baita susto ao sentir alguém se movendo ao meu lado.
Os eventos da noite passada voltaram a minha cabeça e mais que depressa eu me lembrei do convite de Edward para que eu passasse a noite ali. Eu suspirei aliviada, feliz ao perceber que não tinha sido seqüestrada na boate e levado para o quarto de algum estuprador. Embora eu não saiba que estuprador teria um quarto tão agradável quanto aquele, eu pensei enquanto observava o espaço clean em que me encontrava.
Edward se mexeu, apertando mais ainda minha cintura e me puxando para mais próximo ainda do seu corpo. Só então eu notei como estávamos... nossas pernas entrelaçadas sob o lençol, minha cabeça apoiada em seu peito e seus braços passados firmemente ao redor da minha cintura. Eu me ruborizei calorosamente, sem saber ao certo o que fazer, mas decidindo aproveitar o momento. Eu me ajeitei em seu abraço e fechei meus olhos, inalando profundamente seu cheiro almiscarado.
"Bom dia." Eu o ouvi murmurar, com a voz grossa pelo sono, enquanto beijava o topo da minha cabeça.
"Olá." Eu respondi, beijando o vão sob sua orelha. Ele estremeceu, acariciando meu pescoço. Eu dei uma risada, mordendo meu lábio.
"Como você dormiu?" ele perguntou, ainda articulando pouco as palavras. Eu sorri, passando a ponta dos dedos, pela linha de sua mandíbula.
"Muito bem."
Ele grunhiu em aprovação, fechando novamente os olhos. Eu carranqueei, encarando o sol que nos acordara, pela janela.
"Você deveria dormir um pouco mais." Eu aconselhei. Eu sabia o quanto ele vinha trabalhando e o quanto suas horas de sono tinham diminuído por conta disso.
"Eu estou bem." ele insistiu, um pouco incoerentemente. Eu ri, aproveitando o calor do seu corpo me comprimindo.
"Pelo menos fica aqui enquanto eu preparo o café da manhã." Eu propus. Ele acenou com a cabeça, choramingando suavemente enquanto eu usava toda a minha força de vontade para conseguir sair da cama. Sem olhar para trás eu corri para a cozinha, me perguntando o que ele gostaria, antes de observar o ambiente, pegando uma frigideira. Eu a apoiei no fogão, indo até a geladeira e pegando dois ovos.
Eu os quebrei facilmente, batendo-os antes de jogá-los na panela já quente. Pouco tempo depois eu tinha dois pratos com omelete, dois copos de suco de laranja e o jornal dobrado ao lado. Eu ri, empurrando a porta com o pé.
Eu ri baixinho ao ver Edward adormecido. Eu coloquei a bandeja na mesa ao lado da cama, me sentando próximo a ele, passando a mão suavemente para tirar o cabelo dos seus olhos.
"Acorde." Eu disse baixinho, sem saber direito se eu queria ou não despertá-lo. Ele parecia tão calmo, tão sereno. Um largo sorriso se formou em seu rosto e logo seus olhos se abriram, revelando aquele verde atordoante que eu tanto amava.
"O que você trouxe?" ele perguntou, olhando para a bandeja. Eu ri, colocando-a no seu colo, depois que ele se sentou encostado na cabeceira.
"Ovos!" Eu exclamei, prendendo, alegremente, o guardanapo na gola de sua blusa.
"Parece delicioso, amor. Obrigado."
Eu acenei com a cabeça, tentando não me focar no seu elogio. Nós sentamos, conversando tranquilamente enquanto ele tomava o café, com um sorriso em sua face.
"Obrigado." ele repetiu, com os olhos repletos de adoração. Eu não conseguia acalmar a palpitação em meu peito enquanto ele beijava a parte interna do meu pulso, quando eu fiz menção de recolher o prato. Eu sorri debilmente, indo colocar a louça na máquina enquanto ainda conseguia permanecer de pé.
"Planos para hoje?" Eu perguntei, voltando à segurança dos seus braços. Ele encolheu os ombros.
"Ficar aqui?"
"Eu estou dentro." concordei, fechando meus olhos. Eu ficaria ali alegremente. Mas, infelizmente, o destino tinha outros planos para mim. Meu telefone tocou, em minha bolsa, no quarto de estudo.
"Deixe tocar." Eu sugeri. Mas quando a pessoa ligou três vezes seguidas, eu soube que eu tinha que me levantar e atender.
"É bom que seja algo importante." Eu quase rosnei. Ela riu, zombando de mim.
"Bella, calma. Eu fiquei preocupada quando você não voltou para casa ontem à noite! Eu não posso inspecionar o que aconteceu com a minha melhor amiga?"
"Não."
"De qualquer maneira", ela continuou. "Nós estamos querendo aproveitar o dia fora. Você pode?"
"Quem somos nós?" Eu indaguei.
Alice bufou. "Nós quatro, você e Edward." ela respondeu. Eu senti como se ela quisesse ter acrescentado o 'dã' no fim de sua frase, mas deixei quieto. Era muito cedo para ela estar gritando comigo.
"Eu acho que sim."
"Bom! Se você quiser vir, nós podemos definir o que queremos fazer."
Eu concordei, fechando o telefone. Edward estava no quarto, já vestido e arrumando a cama. Eu dei uma risada, enquanto o abraçava por trás.
"O que ela queria?"
"Que nós seis aproveitássemos o dia juntos." Eu contei.
"O que iremos fazer?"
Eu balancei minha cabeça. "Não sei. Ela sugeriu que fôssemos para o apartamento para podermos definir isto."
Ele concordou com a cabeça. "Eu vou deixar você se vestir."
Edward fechou a porta, para que eu pudesse recolocar o vestido. Eu decidi que o mudaria quando chegasse em casa e passei a mão pelos cabelos, de modo a ficar um pouco mais apresentável.
"Pronta?" ele perguntou quando eu apareci no corredor. Eu concordei com a cabeça e nós saímos rapidamente do apartamento.
"Longa noite?" Alice sorriu maliciosamente, notando minhas vestimentas. Eu a encarei, passando por ela apartamento adentro.
"Para sua informação, eu não tinha uma muda de roupa extra para mudar, assim, tive que usar isto novamente." Eu disse desafiadoramente. "Mas, sim, eu tive uma boa noite de sono, muito obrigada."
Ela riu baixinho. "Ele é bom?"
"Alice!" Eu assobiei. "Pela última vez, eu não dormi com ele!"
"Por pouco tempo." ela disse em um tom que me deixou claro que aquela conversa ainda não tinha acabado. Eu coloquei uma calça jeans e uma camiseta, ignorando o olhar de desaprovação de Alice, indo me sentar próxima a Edward.
"Certo. Vamos aproveitar o dia juntos. Será agradável. Eu planejo tirar vantagem disso." Alice disse. "O que vocês gostariam de fazer?"
Emmett levantou a mão, rápido como um foguete. "Eu tenho a melhor idéia!"
Rose suspirou, passando a mão pelo seu pescoço. "E qual seria, Em?"
"Bem, da última vez em que fomos atender um chamado, eu vi este prospecto."
Edward gemeu, segurando a cabeça com as mãos. "Eu já tinha ouvido sobre... Se prepare..." ele resmungou.
"Então, eu pensei, 'ei! Isso é uma boa idéia ! Eu deveria falar com os outros sobre isto."
"O que é?" Jasper perguntou, completamente confuso.
"O festival do pirata!" ele disse, sorrindo de orelha a orelha. Edward caiu gargalhada, olhando para mim.
"O que eu te disse?"
"Jura?" Alice perguntou, saltando excitadamente.
"Alice. Não." Rose disse. "Quais são as outras opções?"
"Rosie!" Emmett lamentou. "Por favor?"
"Eu o levarei depois." ela prometeu, o satisfazendo. "Agora, vamos lá... outras opções?"
"O jardim zoológico!" Alice exclamou, sorrindo. Vamos para o jardim zoológico!"
Todos nos entreolhamos como se ela fosse insana. "Alice, eu não vou ao jardim zoológico desde a excursão da 4º série." Eu pontuei. "Por que voltar agora?"
"Pode ser divertido." Edward disse. Eu olhei para ele como se estivesse lhe nascendo uma terceira cabeça, mas ele insistiu na idéia de que deveríamos ir ao jardim zoológico.
"Doces! Espingardas!" Emmett gritou, saindo pela porta. Eu suspirei, pegando meu óculos de sol em cima do balcão e os seguindo.
Nós ficamos parados na entrada enquanto Jasper e Alice foram procurar um lugar para estacionar. Emmett e Edward pagaram pelos ingressos, apesar de nossos protestos.
"Para onde primeiro?" Alice perguntou, se juntando ao grupo, de mãos dadas com Jasper.
"Ursos!" Emmett sugeriu alegremente. "Eles são os meus favoritos."
"Certo." ela disse. "Em frente!"
Eu examinei Edward e quase desmaiei diante da visão. Ele estava tentando abaixar seu cabelo sem nenhum sucesso; sua camisa combinava perfeitamente com seus olhos. Ele tinha colocado um par de Wayfarers clássicos pretos, que combinaram perfeitamente com seu look.
"Bella?" ele perguntou. Eu balancei a cabeça, colocando meus óculos de sol e pegando sua mão. "Você está bem?"
Eu acenei com a cabeça. "Sim. Vamos antes de eu faça algo de que vou me lamentar depois."
Ele bufou, mas seguiu um Emmett extasiado diante da jaula dos ursos.
"Olhe!" ele disse, apontando para um que estava se apoiando apenas em suas patas traseiras. Eu rolei meus olhos.
"Eu não posso acreditar que viemos para o jardim zoológico." murmurei. Edward sorriu, piscando para mim.
"Aproveite, amor", ele disse. "Eu adorava ir ao jardim zoológico."
Nós andamos ao redor, olhando vários animais e escutando os comentário de Emmett e Alice. Edward falava algo aqui e ali, enquanto Jasper e eu ficávamos mudos, apenas rindo das bobagens que eles falavam.
Nós estávamos passando pelos pingüins, que evocaram mais um comentário de Edward,. "Pingüins. Que adorável."
O que há de errado com os pingüins?" Eu perguntei, olhando para aqueles pássaros de olhares engraçados, deslizando pelo gelo.
Ele fez uma careta. "Eu não sei. Eu nunca gostei realmente de pingüins."
"Eles não podem voar!" Emmett disse, respondendo por ele. "Eles são pássaros e não podem voar! Como será isso?"
Eu ri. "Certo, então." Eu não estava a ponto de questionar o raciocínio dele sobre aquilo.
A próxima parada foi na jaula dos leões, aparentemente o animal favorito de Edward. O enorme leão da montanha estava parado próximo da grade, olhando-nos desconfiado.
"Eu odiaria me encontrar com um desse em um acampamento." Eu estremeci, olhando para o tamanho de seus dentes.
"Mas olha o quão graciosos eles são", Edward rebateu, apontando para o animal feroz. "Você tem que admirar isso."
"Nós temos tempo para mais uma parada!" Alice anunciou. "O que vocês querem ver?"
Vendo que não conseguíamos nos decidir, vagamos pelo local, até que nos deparamos com uma gaiola, próxima à saída. Todos gemeram, mas Edward foi quem fez a maior careta.
"O que há de errado com os lobos?" Eu perguntei, olhando para eles. Eles pareciam inofensivos para mim.
"O que não há errado com eles?" Alice rebateu estreitando os olhos. "Eu não posso ficar aqui olhando os lobos."
"Ei!" Eu defendi. "Eles são tão fofos."
"Fofos? Bella, um filhote de cachorro é fofo. Esses são tão fofos quanto... Emmett."
"Ei!" ele disse, rosnando para ela.
"Sim! Emmett é fofo." Rose disse, beijando a bochecha dele.
"Não." Edward disse veementemente. "Eles não são fofos."
"Eu não sei qual o problema de vocês com os lobos, mas eu gosto deles." Eu disse enquantos passávamos pela roleta da saída.
"Veja, Bella! Isso foi divertido." Alice disse, abrindo a porta do carro. Eu ri, encolhendo os ombros.
"Claro."
"Eu gostei!" Emmett disse, acelerando o carro. "Eu gosto dos ursos."
"Nós sabemos." Eu disse, exasperada. Edward riu, me beijando ligeiramente. Eu vi quando ele se virou para trás, onde Alice e Jasper estavam sentados e sussurrou algo no ouvido dela. Eu tentei ouvir o que eles estavam dizendo, mas Alice me empurrou, dizendo algo para ele.
"O que foi isso?" Eu perguntei enquanto ele digitava algo em seu telefone.
"Nada." ele disse, afivelando o cinto de segurança e passando o braço pelos meus ombros.
"Edward." Eu adverti. "Não faça nada que você lamentará depois." Ele riu, sorrindo torto e parecendo bastante contente.
"Eu não lamentarei isto. Eu nunca lamento qualquer coisa quando tem a ver com você."
Alice tinha convidado todos para jantar em nosso apartamento, assim nós pedimos algumas pizzas e ficamos comendo em frente a TV, assistindo algo que Emmett e Jasper haviam escolhido. Eles tinham comprado um engradado de cerveja e já estavam bem próximos de bêbados. Edward tinha sido mais cauteloso, mas ainda assim estava um pouco alegrinho. Enquanto eles continuavam sentados, falando animadamente, eu aproveitei para refletir sobre as coisas que vinham acontecendo.
Eu sabia o que eu tinha que fazer. Eu tinha que fazer o primeiro movimento; Edward era muito instável, muito inseguro em relação aos seus sentimentos. Eu entendia completamente, mas queria empurrar um pouco as coisas. Eu não queria que parecesse que ele tinha que sentir o mesmo que eu. Mas eu queria que ele soubesse, caso em, algum momento, ele tivesse coragem de fazê-lo.
Eu tinha cinqüenta por cento de chance, mas estava disposta a tentar. Eu iria falar com ele, fazê-lo entender exatamente como eu me sentia. Não havia um meio termo. Era preto ou branco e eu precisava escolher um lado.
"Bella." Alice sussurrou, olhando para os dois meninos que estavam discutindo qual motorista de Nascar era melhor. "Eu não os quero dirigindo para casa."
Eu concordei com a cabeça. Embora Edward provavelmente pudesse dirigir, eu não queria arriscar. Também era uma ótima oportunidade de mantê-lo comigo durante a noite. Eu não queria deixá-lo ir.
"Eu tenho aula amanhã, mas eles deveriam ficar aqui." Eu disse.
Me levantando e jogando fora os pratos de plástico, eu bati no ombro de Edward.
"Ei", ele disse, olhando para mim. Obrigado pelo jantar."
Eu sorri. "Eu não fiz muito. Apenas liguei e coloquei as fatias nos pratos."
Ele sorriu, se levantando comigo. "Eu deveria ir embora." ele disse, carranqueando. "Você sabe que horas são?"
"Dez." Eu respondi. "Mas Edward... você não acha que... deveria ficar por aqui esta noite?" Eu esperei, medindo sua reação.
"Por que?" Ele não soou chateado, mas meramente curioso.
"Eu não o quero dirigindo nessa... condição." Eu disse, mordendo meu lábio e sentindo minha face corando.
"Bella, eu estou bem." ele disse, ficando sério imediatamente. "Eu posso dirigir perfeitamente bem."
Eu balancei a cabeça. "Por favor?"
Ele suspirou, acenando com a cabeça. "Se você insiste."
Eu o conduzi até o quarto, deixando-o trocar de roupa. Eu não estava bem certa do que ele estava planejando usar, mas eu deixaria isso por conta dele.
Eu voltei um tempinho depois, encontrando Edward deitado em minha cama, um pouco pequena, com os braços abertos para mim. Eu apaguei a luz rastejando para perto dele.
"Boa noite, Bella." ele sussurrou, beijando minha testa. Instantaneamente sua respiração se acalmou, indicando que ele já tinha dormido.
"Boa noite, Edward." Eu disse tentando dormir. Eu sabia que precisava falar para Edward que eu o amava; pelo nosso bem eu teria que fazer isto logo.
Eu sentia como se não tivesse passado nem dois segundos quando meu telefone vibrou na mesinha ao lado da cama, me despertando. Eu olhei para a tela antes de atender animadamente.
"Pai!" Eu disse, esquecendo que Edward estava do meu lado.
"Olá, Bells." Charlie disse. Eu tinha esquecido do quanto sentia falta de falar com ele. "Como você está?"
"Eu estou bem!" disse, novamente um pouco alto demais. "As aulas já começaram."
"E como está?"
Eu apertei meus lábios. "Bem. Você sabe."
Ele riu. "Continue firme, Bella. Isto tudo valerá a pena."
"Eu sei." Eu disse. "E você, quais as novidades? Coisas excitantes acontecendo na cena policial de Forks?"
Charlie bufou. "Atarefado com assassinos, sem dúvida." Eu ri baixinho. "Não, tem estado devagar. Eu bati o Mark hoje no jogo de cartas."
Eu rolei meus olhos diante do pensamento dos policiais sentados jogando baralho." Isso é ótimo."
"Eu também fui pescar com Billy. Você se lembra de Billy Black? E seu filho, Jacob?"
Eu controlei uma careta. Eu conhecia Jake e o pai dele há anos, desde a época das visitas de verão e depois viramos bons amigos, quando eu me mudei para lá. Foi Jake quem me ensinou a andar de moto, no meu último ano; algo que Charlie não aprovou de jeito nenhum. Assim como a picape que eu dirigia agora, também pertencera a Billy, antes dele ficar preso em uma cadeira de rodas.
"Sim pai, eu me lembro."
"Eles pediram que eu dissesse oi. Eles querem que você os vá visitar algum dia."
"Claro." Eu respondi, sabendo que eu não cumpriria tão cedo aquela promessa.
"Falando em visitas, você acha que virá qualquer hora dessas aqui?"
Eu balancei minha cabeça. "Eu não sei. A faculdade está bem apertada. Provavelmente para o dia Ação de Graças ou o Natal." Eu respondi. Eu sentia muito por não poder fazer isso antes, mas era muito difícil ir apenas para um fim de semana.
"Eu sei que você está trabalhando duro, Bells. Mas tente aparecer qualquer dia destes. Eu sinto falta de você e da sua comida."
"Eu irei." Eu disse. Edward roncou ligeiramente ao meu lado, virando para o outro lado. "Eu tenho que ir."
"Certo, Bella. Oh, e ligue para sua mãe. Ela anda histérica porque você não liga a algum tempo.
"Ela deve estar mesmo, se ela está mandando recado por você." Eu zombei "Tudo bem, pai, eu ligarei. Eu te amo."
"Também te amo. Cuide-se."
Eu ri. "Tchau."
Quando eu olhei para Edward, ele não estava mais dormindo. Ele estava sentado, com a expressão um pouco assustada.
Eu olhei para ele com um olhar preocupado. O choque era evidente em seus olhos, e eu estava segura de que não tinha nada a ver com a ligação de Charlie.
N/A:Eu queria que vocês tivessem a oportunidade de entrar na mente de Edward, já que alguns de vocês parecem pensar que ele é angustiado e frustrado para o seu próprio bem. Eu espero que agora vocês entendam um pouco mais do que ele está pensando.
Para vocês que estão preocupados com Tanya, respirem fundo. Ela não é crucial na história, eu prometo.
Oi amoras... demorou mas finalmente o capítulo está postado. Se bem que nem demorou tanto assim dessa vez né? OMG que dificuldade para dizer um simples eu te amo né? Esses dois se merecem mesmo. E aqui, vocês também caíram de amor pela Abbey, como eu? Gente, que menina mais fofucha!!!
Resposta das reviews:
Bruna Watson: oi florzinha! Valeu pela força viu? Muito mesmo! As coisas estão melhorando agora... é, é quase impossível decidir qual é o mais fofo entre o Emm, o Jazz e o Ed... Bem, pelo que a Bronze disse, não temos motivos para nos preocuparmos com a Putanya né? Vamos esperar e ver o que vai acontecer. Bjussss
Carol Venancio: pronto, cumpri a minha promessa, aí está o capítulo rsrsrs... tudo bem amora? Eu tbm estou com saudades de Hourglass... na expectativa de que saia até amanhã o novo capítulo, vamos ver... correndo aqui para ir ler o novo capítulo de IA! Rsrsrs bjussssss
MrSouza Cullen: oi flor, bem vinda! Que bom que você gosta da fic... eu adorei suas reviews... e não se preocupe, enquanto tiver uma pessoa lendo e deixando reviews, eu estarei traduzindo. Espero que tenha gostado desse capítulo também. Quanto a 'Deixando o tempo curar as feridas', sigo no aguardo de que a autora poste. Assim que ela o fizer, eu traduzo e trago o capítulo para vocês. Bjussss
Bem flores, até a próxima. E não se esqueçam... quanto mais reviews, mais rápido o capítulo sai! *chantagem mode on* Bjusssss
