X. CONVITE

- O baile - o professor Snape anunciou amargamente - uma confraternização estúpida oferecida pela Escola Sede do Torneio aos estudantes, funcionários e professores.

Nem preciso mencionar que o burburinho foi grande na sala comunal. Afinal, todos gostavam de bailes, e os sonserinos, nesse aspecto, incluíam-se no que eu me refiro a "todos". Era visível a cara de enjoo dos garotos e os comentários animados das garotas, que já apontavam seus possíveis pares.

- Era isso o que eu tinha para lhes dizer - o professor continuou - agora dirijam-se até o salão principal para tomar café. Se eu vir algum aluno perambulando pelos corredores sem autorização para tal, o punirei severamente.

Snape virou as costas e deixou a sala comunal. Logo em seguida todos os alunos também saíram.

Se o burburinho na sala comunal da Sonserina estava grande, no salão principal estava quatro vezes maior. Como de costume, olhei em direção à mesa dos lufanos a procura de Cedric, e o vi rindo e conversando animadamente com um de seus colegas, que apontava para alguma garota na mesa da Grifinória. Não perdem tempo mesmo, pensei divertida. Mal sentei em meu lugar e uma coruja velha e capenga voou em minha direção, derrubando tudo em seu caminho e fazendo com que grande parte da atenção da minha mesa e das demais se voltasse para mim.

Tirei um pequeno embrulho da perna de Errol e desatei o nó do cordão que o fechava. Havia um pequeno frasco com um líquido vermelho dentro. Não pense que eu sou imprudente, é óbvio que eu pensei ser arriscado abrir o frasco. Afinal, Errol era a coruja dos Weasley, que era a família de Fred e George, dois alunos de quem sempre se espera que alguma coisa cause explosão, alergia, transfiguração e, talvez, até uma morte acidental. Mas eu também sabia que eles não me explodiriam, pelo menos não em público.

Tirei a rolha do frasco e fogos vermelhos saíram fazendo um barulho estrondoso pelo salão. Quando olhei para cima, vi enormes letras de fumaça vermelha estalando com os seguintes dizeres: VOCÊ + EU = BAILE, FRED.

Comecei a rir e olhei em direção à mesa da Grifinória, onde Fred e George dançavam valsa em cima da mesa olhando e piscando em minha direção. Fiquei vermelha feito um tomate e baixei a cabeça até as mãos, rindo. Aliás, metade do salão estourou em gargalhadas com aquele convite nada comum. os risos só cessaram quando os professores adentraram o salão e sentaram-se em seus lugares.

Dumbledore parou em pé em frente à todos no salão e sorriu.

- Pelo criativo convite do Sr. Weasley - o diretor começou - suponho que todos já saibam do Baile de Inverno.

O salão novamente explodiu em gargalhadas e eu olhei para Fred, simulando um enforcamento e dizendo pausadamente "eu vou te matar" para que ele pudesse entender. Ele riu.

- É uma confraternização entre as escolas - ele continuou - para mostrar e incentivar o bom relacionamento entre os alunos de diferentes partes do mundo, mas também para, é claro, se divertirem. E é isso o que espero de vocês: diversão. Boa refeição a todos e, Srta. Bennet, deixe-me saber se aceitou o convite.

Para a minha sorte, mal o diretor acabou de pronunciar suas últimas palavras, o banquete de café da manhã surgiu em cima das mesas, desviando a atenção de todos daquele momento embaraçante.

Assim que terminei de comer, dirigi-me até minha aula de História da Magia. A aula transcorreu rapidamente e logo em seguida fui encontrar Hermione e Ginny. Avistei as duas conversando nos pátios do castelo.

- Eu vou matar o seu irmão! - eu disse, brincando, para a ruiva. Ela riu.

- Você tem que admitir que foi muito engraçado, e criativo! - ela respondeu.

- Você viu a cara do Cedric? - Hermione perguntou, séria.

- Como assim? - Perguntei confusa.

- Amy, se eu não o conhecesse e soubesse que é seu melhor amigo, eu poderia jurar que ele estava... não sei, com ciúmes.

- Ciú... ciúmes? Não seja tola, Mione - eu respondi, um pouco ríspida - É óbvio que Cedric vai com Cho, é a namorada dele. Ele nunca teria ciúmes de mim, nem liga com quem eu vou ou se vou ao baile.

- Desculpe-me, Amy - a castanha respondeu - foi só um pensamento bobo.

- Não, Mione - eu disse - eu que lhe devo desculpas. Fui tão educada quanto um trasgo com você agora. Sinto muito.

A garota sorriu e me abraçou, e eu fiquei aliviada por meu temperamento não ter causado um estrago em minha amizade com ela.

O resto do dia transcorreu como sempre. Não avistei Cedric aquele dia, e eu queria tanto vê-lo! Desde o dia da primeira tarfefa, quando desmaiei e não vi o desfecho da tarefa de Ced que não o via, e aquilo me alarmava.

Ao final do dia, eu estava tão esgotada por ter feito tantos relatórios e por tê-lo procurado pelos quatro cantos do castelo que resolvi ir para o quarto deitar sem comparecer ao jantar. Quando cheguei ao quarto, deitei-me de bruços, de uniforme mesmo, e puxei o travesseiro para de baixo de minha cabeça. Assim que fechei os olhos lembranças brotaram em minha mente.

Cedric dizia que não ia a lugar algum e deu um passo a frente. Uma varinha foi apontada em sua direção. AVADA KEDAVRA!

Sentei-me na cama de supetão, suada e com lágrimas nos olhos. Precisava ver Cedric, precisava ver se ele estava bem, se estava... vivo.

Levantei da cama e saí correndo pelas masmorras, indo em direção ao Salão Principal. Desviei de primeiranistas que apontavam para tudo o que enxergavam com espanto e adoração, esbarrei em mais alguns outros alunos e corri até a mesa dos lufanos. Ele não estava ali. Avistei um de seus amigos.

- Onde está Cedric? - perguntei, um pouco exasperada, sem me importar com o inchaço e a vermelhidão de meu rosto.

- Estava treinando, a última vez que o vi - ele respondeu cautelosamente, fitando-me como se eu fosse louca.

Assenti com a cabeça e saí correndo em direção ao campo de Quadribol. Mais lágrimas escorreram pelo meu rosto quando não o encontrei lá. Calma Amy, ele deve estar se trocando. Então corri em direção ao vestiário masculino como se minha vida dependesse disso. E dependia, de certa forma.