Capítulo 9
Draco parou com as mãos no joelho em frente À Casa dos Gritos respirando rapidamente olhando para todos os lados procurando pelo moreno, porém não o encontrava em nenhum lugar por perto.
- Pelo jeito você não é tão rápi...
PLOFT!
Uma coisa mole chocou contra sua cara e logo em seguida a sentiu escorrendo pela face deixando um pouco de gosma para trás.
Sem antes mesmo de conseguir pensar em alguma coisa para limpar-se, ouviu risadas em sua frente e passou a mão rapidamente para tentar se limpar.
Assim que abriu os olhos, Draco pode vê-lo gargalhando em cima de um pequeno morro apoiado uma árvore encoberto pela gosma rosa que havia lançado nele e com muitas folhas secas, gramas e terra grudados nela.
- Potter! – Draco gritou se aproximando nervosamente enquanto tentava se livrar daquilo em seu rosto – Você vai morrer!
Sem pensar muito nas consequencias ou mesmo na reação do outro, draco pulou em cima deste, porém não conseguiu encontrar nada ali, caindo em cima de um monte de folhas secas que acabaram grudando em seu cabelo.
- Você devia adotar esse estilo, Malfoy. – Harry falou zombando do amigo um pouco para o lado de onde estava – Faz mais o seu estilo.
Vendo a cara de ira do outro, Harry começou a correr por entre as árvores de uma trilha que existia ali por perto sendo seguido pelo loiro que fazia o mesmo percurso que estava fazendo.
Depois de alguns minutos a mais do que geralmente levaria, os dois, rindo e xingando, estavam próximos à primeira construção do povoado de Hogsmeade onde havia apenas uma ou outra pessoa que caminhavam pela rua, mas sem prestar atenção no que eles estavam fazendo.
Percebendo que o loiro havia parado um pouco mais a trás, Harry se virou e pode ver que tinha alguma coisa acontecendo com o loiro já que este estava murmurando alguma coisa incompreensível para ele e tinha um olhar de pavor no rosto.
- Que foi? Já cansou? – Perguntou parando estranhando a atitude de Draco.
- Você não vai... Vai assim lá, vai? – Draco perguntou apontando para o corpo do moreno que ainda se encontrava coberto pela gosma com muitas mais folhas grudadas.
- Qual é o problema? – Harry rebateu sorrindo – Vai me dizer que você não vai vim? Depois de uma corrida dessas, eu preciso muito de uma cerveja amanteigada muito, mas muito gelada.
Draco o olhou com pesar e engoliu seco com a sede que estava após a imagem da cerveja gelado em sua mente, mas negou com a cabeça enquanto o outro o olhava curioso.
- Eu não vou lá assim. Malfoy's não aparecem em público sem estarem perfeitos. – Disse e depois de dar alguns passos na direção contrária a qual estavam indo, suspirou pesadamente – Espero você lá na Casa dos Gritos. Não demore!
Harry viu o loiro caminhando lentamente pela trilha e olhou para si mesmo pensando no que o outro havia dito. Ele realmente estava sujo de mais e não teria muita coragem para passar por quase todo o vilarejo daquele estado.
Sorriu ao lembrar-se de um feitiço que havia aprendido com a Senhora Weasley naquele último verão e se livrou daquela gosma que cobria todo o seu corpo, voltando a ficar exatamente como antes da brincadeira de Draco.
Não via a hora de encontrar com o amigo do jeito que estava. Seria uma cena muito cômica e ele riria muito com ela.
Caminhou apressadamente pela rua caminhando até a doceria Dedos de Mel onde comprou um monte de doces e guloseimas para os dois. Logo em seguida rumou ao Três Vassouras comprando água, sucos e várias cervejas amanteigadas.
Quando já estava retornando, sues olhos passavam de loja em loja sem se interessas por nenhum dos objetos a mostra, mas um deles chamou a sua atenção e ele parou em frente à loja o encarando.
A vontade que tinha para comprá-lo era muito grande e nem sabia por que estava com essa vontade. Nunca entrara naquela loja em todas as vezes que foi ao povoado, nunca tivera vontade e agora era o que mais desejava.
Olhou para as sacolas em suas mãos, depois olhou para dentro da loja; olhou para o caminho que ficava um pouco mais a frente e novamente para a loja. Suspirou pesadamente e entrou rapidamente balançando a cabeça, mas sorrindo animadamente.
Meia hora depois, ele já estava próximo a Casa dos Gritos e á podia vê-lo sentando no chão com as duas mãos em apoio atrás de seu corpo com o rosto sendo banhando pelos raios do sol que penetravam pelas copas das árvores.
Escondeu as sacolas atrás de uma árvore maior do que as outras ali e ficou parado encostado em uma árvore mais próximo do loiro observando os traços suaves e delicados de seu rosto e as curvas que se sobressaia em seus braços.
- Vai ficar ai me olhando? – Draco perguntou sem se mover um centímetro se quer. – Eu sei que sou irresistível de mais, mas não gosto que fiquem me olhando desse jeito.
- Eu só estava achando muito engraçado essa mancha cor de rosa na sua cara. – Harry rebateu se fingindo de inocente.
- Olha só quem está falando. – Draco falou abrindo os olhos e se virando. – O jovem gos... Como? – gritou se levantando rapidamente apontando para o outro – Como é que você se livrou daquela gosma? Ela deveria durar pelo menos 24 horas, antes de começar a desaparecer!
- Eu tenho meus métodos eficientes... – Harry falou marotamente enquanto se aproximava lentamente do loiro.
- Potter... – começou como se estivesse advertindo o moreno de alguma coisa muito perigosa.
- Olha, eu sou vou fazer isso, porque estou com muita pena de você manchado assim. – Harry falou sacando a varinha de suas vezes.
Draco encarou-o um pouco receado, mas era possível sentir o alivio dele por se livrar daquela "coisa" grudada em seu rosto. Fechou os olhos sem reparar que o outro começava a sorrir com uma maneira muito suspeita.
Escutou as palavras murmuradas pelo moreno e rapidamente abriu os olhos sentindo seu corpo todo coberto por uma gosma vermelha parecida com a cor Grifinória para seu total desanimo.
- Essa cor combina muito bem com você. – Falou entre os risos e gargalhadas para um totalmente irado Malfoy.
- Você me paga! – Draco falou com os dentes cerrados.
Juntou um pouco do vermelho que estava em seu corpo e jogou no outro, acertando seu peito e já juntava mais um pouco enquanto via o outro se contorcendo de rir sem ligar para sua camisa.
O loiro já estava a poucos centímetros de Harry quando começou a levantar a sua mão para acertá-lo no rosto e o outro o encarava apenas sorrindo para seu inteiro desgosto.
Deu um passo para frente e o que nenhum dos dois esperava aconteceu.
Draco pisou em cima de uma mancha rosa que estava no chão e escorregou trombando com o moreno que não consegui se manter firme e acabou batendo suas costas em uma raiz de uma das árvores que estava sobre o solo e soltou um gemido de dor.
Abriu os olhos sentindo o peso do outro em seu peito encarando os olhos do loiro dentro dos seus e este se mexia suavemente como se estivesse se ajeitando ali, sem nunca parar de encará-lo.
Verde no azul.
Azul no verde.
Respirações se tornavam ofegantes.
Corações batendo rapidamente entrando em um compasso único.
Draco sentia-se desesperado com aquela boca tão próxima a sua. Aqueles lábios finos e rosados entreabertos fazendo-o sentir aquela respiração próxima ao seu rosto simplesmente o deixavam loucos. Viu-o umedecendo seus lábios e sem perceber acabou fazendo o mesmo nos seus, sentindo sua cabeça ficando cada vez mais pesada.
Por um instante, sua cabeça descer um pouco do local onde estava e podia começar a sentir o nariz do outro encostando levemente no seu enquanto as respirações ganhavam um novo e inusitado ritmo diferente do cansado de antes.
O sorriso que moreno tinha no rosto começava a perder a força e um semblante sério aparecia no seu lugar e os olhos ganham um brilho mais intenso, mais ousado, mais exótico do que estava a encontrar todos os dias naquelas duas esmeraldas quando as olhava quando estavam distraídas.
Sua cabeça tombou um pouco mais e agora podia sentir as pontas de seus narizes roçando suavemente a face próxima ao nariz.
Pode vê-lo escondendo os dois orbes verdes e pode sentir aqueles lábios tocando suavemente o seu quando o outro tranquilamente levantou um pouco a cabeça do chão.
Harry não sabia o que o levou a beijar o garoto que estava em cima dele. Sabia que precisava sentir aqueles lábios outra vez para tentar parar de ficar acordado até tarde da noite imaginando como seria sentir aquela boca contra sua.
Tinha um pouco de medo sem saber o que o outro faria com o beijo, mas depois de sentir que uma língua começava a brincar junto com a sua sorriu e relaxou apenas aproveitando aquelas sensações cheias de desejo e paixão do momento.
Levou suas mãos que estavam no chão para as costas do outro com carinho e as deixou ali como se estivesse se certificando de que aquele momento não acabaria e também para confirmar que aquele não era mais um sonho e desejo de sua cabeça.
Não podia ser sonho, o calor que sentia era intenso de mais, mais do que uma pessoa apenas poderia ter e ainda existiam aquelas sensações de pequenos choques percorrendo sua espinha enquanto sentia uma mão percorrendo por todo o seu peito e barriga.
Instintivamente suas mãos começaram a passar por toda a costa do loiro sob a amassada camisa apenas para que pudesse sentir o calor da pele alva e sem marcas nenhuma em suas mãos.
Enquanto sentia cada lugarzinho das costas do loiro, este havia parado de beijar os seus lábios que estavam inchados e vermelhos e se encontrava passando seus lábios por toda a extensão de seu pescoço. Gemeu baixinho quando sentiu os dentes brancos tocarem sua pele deixando uma pequena marca fraca onde terminava o pescoço e começava o ombro.
Suas mãos passavam próximos aos cabelos loiros, começaram a fazer um caminho contrário sentindo novas partes antes inexplorada. Estava adorando.
Sem ter a intenção, seus dedos acabaram entrando um pouco dentro da bermuda do outro e ali, sua mão ficou parada sentindo pequenas imperfeições que, com certeza, não deveriam estar ali.
Estava assustado sentindo as pequenas cicatrizes na pele alheia com seus dedos. Elas eram pequenas e finas demais para terem sido feitas por qualquer um dos feitiços que conhecia e estavam separadas com praticamente a mesma distância uma da outra. Elas certamente não eram foram feitas por feitiço, mas não conseguia imaginar como e o porquê elas estavam ali.
O loiro ficou tenso assim que as tocou e ficou apavorado lembrando-se do que havia acontecido a algumas horas depois do baile que haviam feito para eles.
Não aguentaria outra vez vendo-o sair correndo para longe de si e sem pensar em nada tirou as mãos daquele lugar apertando-as fortemente em um abraço abrindo os olhos vendo apenas madeixas loiras levemente avermelhadas.
Sentiu o toque delicado dos lábios de Draco em seu pescoço e o viu levantando a cabeça com um sorriso embaraçado e com receio de alguma coisa, mas percebia de alguma maneira que ele não ia sair correndo novamente e começou a diminuir a pressão de seus braços o encarando.
A se ver livre daquele abraço apertado, Draco viu que o outro começava a sorrir para ele e rapidamente beijou-o nos lábios deitando ao lado dele com as mãos deitadas em baixo de sua cabeça.
- Estou começando a pensar seriamente em ir tomar alguma coisa lá em Hogsmeade! – falou o loiro sorrindo olhando para o lado vendo às "suas" duas encantadoras esmeraldas lhe encarando.
- Eu tenho uma ideia melhor. – Harry falou se sentando atraindo as sacolas para perto. – Sorte que eu trouxe essas cervejas amanteigadas e um monte de doces, assim o Malfoy ai não precisa aparecer em público sem estar perfeito.
- Você vai tirar a gosma de mim, não vai? – Draco perguntou desesperado enquanto se sentava em frente ao moreno pegando uma garrafa que lhe era oferecido.
Depois de tomar um grande gole da cerveja, pegou a sacola que estava ao lado de Harry olhando dentro vendo um monte de vários tipos de doces rapidamente procurando seu preferido. Assim que o encontrando ali, rapidamente desembrulhou o papel brilhante e o mordeu sentindo o sabor da calda de morando se misturando com o gosto do chocolate amargo que derretia em sua boca.
- Desde quando você sabe fazer magia sem varinha? – perguntou intrigado observando Harry que esfriava sua cerveja amanteigada como havia feito com a sua apenas segurando-a na mão.
- Você não acha que eu venci o Voldemort apenas com o meu sorriso encantador e meu corpinho sarado, não é? – Harry falou como se aquilo fosse uma coisa sem importância.
"Mas poderia", Draco pensou olhando par o moreno de cima a baixo.
- Tive que aprender muitas coisas ano passado. Coisas que talvez eu nunca aprendesse se não fosse obrigado...
- Você me ensinaria algumas? – perguntou se animando com a história.
- Prometi a Dumbledore que não atrapalharia o aprendizado de ninguém, que deixaria cada um aprender as coisas no seu tempo certo e não antes, como foi preciso comigo. – Harry falou sem emoção nenhuma na voz. – Talvez eu possa ensinar algumas coisas, mas não vão ser mais legais que eu aprendi. Não conte a ninguém sobre isso, por favor. Não era para eu contar para ninguém ou mesmo fazê-la sem necessidade.
- Eu não vou contar para ninguém seu segredinho, mas eu vou querer saber coisas novas – Falou sorrindo maliciosamente – Principalmente com você sendo meu professor particular.
Harry riu daquele comentário, mas ficou intrigado com os vários sentidos que aquela simples fase poderia ter e todos esses significados tinham uma consequência bem diferentes uma das outras.
Percebeu que alguma coisa diferente tinha despertado dentro dele, porém não conseguia saber o que era. Sabia que era boa, que era sensacional, especial. Já ficava ansioso para descobrir o que era aquela nova sensação e tudo isso aconteceu por causa ele. Por causa Draco Malfoy. Por causa do seu Draco.
_ H S2 D _
O som de risos era ouvido por toda a entrada do castelo enquanto dois jovens estudantes entravam pela grande porta de carvalho.
- Potter, seu filho de uma mãe, quando é que você vai tirar esse negócio de mim? – Draco exclamou indignado e chateado olhando para o cabelo que estava rosa e vermelho, além de pegajoso.
Rindo mais ainda, Harry falou:
- Vai ser sua primeira aula, mas uma pena que ela só acontecerá daqui a uma semana quando eu não estiver tão cansado. Não me culpe, está bem?
- Meninos, o que fazem tão cedo no castelo? – Dumbledore perguntou com aquele tom sereno e calmo aparecendo na porta do grande salão – Achei que ficariam até mais tarde em Hogsmeade.
- A gente ia, mas teve certas pessoas que...
- Não me culpe! – Draco interrompeu – Ninguém mandou você jogar essa gosma em mim e não querer tirar. Eu tenho uma aparência para manter.
- Eu só queria compartilhar com você uma coisa que era minha... – Harry falou se fingindo de assustado e triste enquanto tentava não sorrir. – E... Foi você que jogou aquela gosma em mim primeiro.
- Parem vocês dois. – Dumbledore falou sem esconder o sorriso no rosto. – O almoço, infelizmente, já terminou há algum tempo. Então porque não vão tomar um banho enquanto peço para que Dobby prepare algo para vocês?
Os dois assentiram e logo já estavam caminhando até o quarto sem falar nenhuma palavra. O silêncio só era cortado por Harry que não conseguia conter a vontade de gargalhar quando olha com o canto dos olhos para o loiro, ou por Draco que se irritava por sentir-se alvo de algo que não tinha a mínima graça.
Os dois confirmaram com a cabeça e fizeram o caminho até o quarto sem falar nem uma palavra. O silêncio só era cortado pelos lamentos e pela indignação do loiro ou por Harry que não conseguia conter a vontade de gargalhar o que deixava o outro mais irritado.
Chegaram ao quarto em silêncio e cansados por tudo o que havia acontecido naquele dia e sem terem a mínima vontade para fazer alguma coisa, os dois se dirigiram ao quarto para poderem pegar uma roupa limpa e toalha para o banho.
- Eu vou primeiro. – Draco quebrou o silêncio se adiantando para o banheiro.
- Tudo bem. – Harry simplesmente disse olhando para a porta que havia acabado de se fechar.
- O que? – Draco falou com apenas a cabeça apontando para fora do banheiro – Sem nenhuma discussão? Sem querer me matar? Sem nada?
- É claro! Você acha que eu sou o que? Um insensível inescrupuloso? – Se fingindo de ofendido rebateu sem esconder o sorriso de gozação.
- Você quer mesmo uma resposta, Harry? – Draco questionou voltando à cabeça para dentro quando um tênis voou em sua direção.
- Além de que ai eu tenho a desculpa perfeita para poder usar o banheiro dos monitores – O sorriso do moreno aumentou quando viu que o outro começou a pensar a respeito.
- Você não é monitor, então não pode ir lá. – Draco falou jogando a camiseta que tirara nos ombros mostrando seus músculos definidos saindo do banheiro para o moreno. – Pode tomar o seu banho ai que eu não me importo de ter que caminhar até lá para tomar o meu banho.
- Você não está achando que eu vou tomar banho nesse chuveiro enquanto existe uma banheira enorme me esperando...
- Não tem nada que possa fazer. Você não tem a senha. - Draco falou sorrindo superior caminhando até a porta.
Rapidamente se colocou em frente à Draco encarando-o divertido enquanto o impedia, de todas as maneiras possíveis, de chegar a porta.
- Qual é? Não vai sair da frente? – Perguntou se irritando
- Você só sairá desse quarto, se eu for junto. – Harry falou sorrindo com malicia, enquanto se apoiava sua costa na porta de madeira fechada do quarto.
- Você esta sugerindo que quer tomar banho comigo? – Malfoy perguntou perplexo e assustado.
