7VERSE : SETE VIDAS
SETE VIDAS VIDA 3: DO LADO DE FORA DO ARMÁRIO DO CAÇADOR
vida 3 CAPÍTULO 10
EM UM MINUTO TUDO PODE MUDAR
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- Sam, creio que meu pai está a caminho daqui.
- Sei disso. O Trickster me avisou.
- Aquele FDP. Sempre intrigando. Sempre tentando manipular as pessoas. Ele quer que matemos um ao outro.
- Eu vou ficar e enfrentar John.
- Sam. Assim você vai estar fazendo o jogo do Trickster. Não vê que isso é exatamente o que ele quer que faça. Ele quer criar uma desavença para que voltemos a nos enfrentar. A gente deixa esta cidade antes que o John chegue. É melhor assim.
- Eu já falei que vou ficar e enfrentar o John. Nada me fará mudar de ideia. Não podemos ficar, ele e eu, brincando de gato e rato para sempre. Precisamos resolver essa história de uma vez por todas.
- Não me force a decidir entre vocês dois. Você sabe que eu quero ajudar você, mas sabe também que eu não posso deixar que faça qualquer mal a meu pai.
- O que eu sei é que você não pode me impedir.
Os olhos de Sam mais uma vez escurecem. Sam fixa o olhar em Dean e o lança com força contra a parede do lado oposto do quarto. Dean fica preso à parede como se esta estivesse magnetizada. Ele mal consegue movimentar os dedos.
Sam apanha as chaves do Impala na mesa de cabeceira e sai, trancando a porta. Dean se debate, tentando em vão se libertar. Estava firmemente preso à parede.
Dean já havia enfrentado demônios antes e não era a primeira vez que se via naquela situação. Mas, escutou quando o motor do Impala foi ligado, escutou quando o carro se afastou e ele PERMANECIA imobilizado. Sam .. Jonathan Harvelle era muito mais poderoso que qualquer demônio que já tinha enfrentado antes.
Seu receio que Sam acabasse matando John aumentou.
Não. Tinha que confiar em Sam. O Sam que saíra atrás de John era o mesmo Sam que o abraçara como irmão, momentos antes. Sam falara em ENFRENTAR John, não em matá-lo.
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Não muito depois, a porta se abre e um velho inimigo que vira morrer em outra realidade o encara.
- Olá, garoto Winchester. Bom ver você de novo.
- Gordon Walker?!
- Eu mesmo, garoto. A última pessoa que você vai ver na vida.
- Como nos encontrou aqui?
- Foi você mesmo quem deu as coordenadas. Eu trabalho com seu paizinho.
- Mas, acabou de dizer que vai me matar.
- Eu disse que trabalho COM o seu paizinho e não que trabalho PARA o seu paizinho. Quem me paga, quer você morto. E você merece morrer. Um viadinho imundo que dorme com o demônio que matou a própria mãe.
- Isso não é verdade. Eu não durmo o com Sam.
- Só se for porque ELE não quer. Porque você, BAMBI, não engana ninguém.
- Miserável. E para quem você trabalha? Quem é esse desgraçado que quer me ver morto?
- Quem? Digamos que é apenas um bom samaritano fazendo o favor de livrar o mundo de uma bichinha nojenta. Uma ação profilática parecida com esmagar uma barata. Você e gente como você me causa muito mais nojo que uma barata e muito mais prazer quando eu as mato. Você, morto, vai me render um bom dinheiro. Mas, matar você, garoto, é algo que eu faria mesmo de graça. Talvez eu até PAGASSE para ter esse prazer.
- Meu pai sabe que está aqui? Ele sabe com que tipo de gente ele está metido?
- Seu pai não merecia a desgraça de ter um filho degenerado como você. Eu vou fazer um favor a ele. Melhor um filho morto que um filho bicha. Mas, vou dar a você uma chance de provar que é macho. É só não gritar como uma MULHERZINHA quando eu começar a cortar você em pedacinhos.
Walker apanha a faca de caça do próprio Dean, deixada na mesa de cabeceira por Sam.
- E tudo que eu preciso está aqui mesmo. Com um pouco de sorte, as digitais do demônio Harvelle estão nela. As digitais dele e seu sangue. A combinação perfeita.
Walker pega em seguida um rolo de fita adesiva prateada e a usa para tampar a boca de Dean.
- Isso aqui é porque eu TENHO CERTEZA que você ia gritar como a MULHERZINHA que sempre quis ser. E aí eu não teria outra escolha a não ser matar todos os hóspedes desta espelunca. Você não quer que eu faça uma coisa dessas, quer?
Imobilizado e impossibilitado de falar, Dean pensa que tudo que lhe resta é não demonstrar o medo que Gordon pensa arrancar dele. Se ia morrer, que fosse com dignidade.
É quando Dean vê, incrédulo, o rolo de fita ganhar vida.
A fita se desenrola sozinha e envolve Gordon Walker. Primeiro, prendendo seus braços ao corpo. Depois, unindo suas pernas e derrubando-o. Finalmente, tampando sua boca e nariz, sufocando-o.
Gordon se debate por longos minutos até, finalmente, ficar imóvel.
Estava morto.
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Alguns minutos depois, Jonathan Harvelle entra.
Ele para junto ao corpo do caçador morto e o encara com um sorriso triste. Seus olhos voltam a clarear. Ele se agacha junto ao corpo e checa se ainda há sinais vitais.
Os olhos de Dean denunciam o que ele está pensando. Jamais imaginou que Jonathan Harvelle tivesse tamanho poder. O poder de matar à distância. John não teria qualquer chance contra ele.
- Dean, sei o que está pensando. O medo em seus olhos é que eu faça o mesmo com John Winchester. Esqueceu muito rápido de que acabei de salvar sua vida. NUNCA vai confiar realmente em mim.
Dean baixa os olhos, envergonhado. Não podia negar a verdade daquilo que Jonathan dissera.
- É por isso que NÃO VOU soltá-lo, Dean. Pelo menos, não até confrontar seu pai. Se você ficar livre antes que eu abra essa porta novamente, saberá que estou morto.
Jonathan coloca o corpo morto de Gordon Walker sobre o ombro direito, olha demoradamente para o irmão adotivo da soleira da porta e sai, trancando a porta por fora. Seus olhos claros estavam indecifráveis, mas havia uma grande mágoa neles.
Uma certeza toma conta de Dean. Aquela era a última vez que via Jonathan Harvelle, quer ele sobrevivesse ou não.
Se ao menos fosse somente não vê-lo. Dean teme pelo pior. John ou Sam. Ou até mesmo os dois. Ao que tudo indicava, breve teria que encarar novas e dolorosas perdas.
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Menos de uma hora tinha se passado desde que Jonathan Harvelle fechara a porta ao sair. O policial Levine abre a porta do quarto e se depara com Dean preso à parede e amordaçado. Ele se aproxima e toca com gentileza a testa de Dean, que imediatamente adormece. Ao adormecer, Dean descola da parede e é carregado e deitado na cama pelo policial.
O policial, quebrando as normas da corporação, chama o irmão pelo celular.
- Mark, venha ao Blue Mountains Motel, quarto 212. Fica na Rodovia 84. Quero que veja uma coisa.
Mark chega rápido. Vê Dean adormecido, mas o que chama sua atenção é o próprio ambiente em que se encontram.
- Está sentindo a atmosfera do quarto?
- Estou. Aqui é o epicentro. Foi aqui que tudo começou.
- Não propriamente AQUI. Mas, foi certamente no lugar correspondente a esse de onde quer que esse sujeito tenha vindo.
- O que conseguiu descobrir?
- Ele ao mesmo tempo É e NÃO É daqui. É como uma POSSESSÃO. A diferença é que quem está possuindo o corpo é uma versão dele próprio vinda de uma outra realidade. Mais estranho ainda é o espírito ter vindo de uma realidade material e não, como seria esperado, de um plano espiritual.
- Mas, não é o homem que está afetando o ambiente. É outra coisa. Diferente das coisas desta realidade de uma forma sutil. Mas, não consigo localizar ou precisar o que seja.
- Isso é o mais estranho. Deveria ser fácil para os nossos sentidos localizar algo fora do padrão.
- Como rastreou o lugar? Eu não senti nada de diferente até estar DENTRO do quarto.
- O engraçado é isso. Não rastreei. Vim aqui porque alguns hóspedes viram uma movimentação estranha e ligaram para a delegacia. O sujeito se chama Dean Campbell Winchester. O Impala Chevy 67 no estacionamento está em nome dele. No entanto, o quarto foi registrado para Jensen e Jared Lawrence, irmãos.
- Estive com esse Dean Winchester não faz nem três horas atrás.
- Como é que é?
- Foi com ele. O LANCE no vestiário da universidade. E tem mais: ele me chamou de TRICKSTER.
- É uma bela ironia estarmos novamente às voltas com um trickster. Da primeira vez, acabou muito mal para nós dois.
- Estamos mais experientes agora.
- Já sabe o papel de Dean Winchester nisto tudo?
- Ele é uma peça importante, não há dúvida. Está no centro de tudo. Mas, não é ele a fonte da perturbação. É mais como se fosse o agente ativador, o gatilho. Ou, pelo menos, um dos gatilhos.
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ESCLARECIMENTOS:
1) Para quem não lembra, Gordon Walker era um caçador de vampiros que acaba transformado em vampiro. Neste meio tempo, tenta matar Sam ao descobrir que ele é uma das crianças de Azazel. Em todos os encontros, ele ameaça os Winchester.
2) Jonathan deixou o motel no carro alugado por Gordon Walker em Portland. Ele enterrou o corpo numa área de mata a 100 km de La Grande e voltou para confrontar John Winchester.
09.11.2013
