Chapter 9: Primeiro Beijo

8 – PRIMEIRO BEIJO

E quando tudo parecia calmo demais uma noticia que mais parecia uma bomba foi atirada aos membros da Ordem de Fênix.

- Draco! – gritou Hermione da escada.

- Que gritaria é essa? – Draco acordou sonolento.

- Azkaban caiu! – Harry deu um salto junto com o loiro da cama.

- Pai... – Draco murmurou com o coração a mil.

- Ele está na Mansão! – Hermione dizia as pressas – De alguma maneira ele conseguiu entrar e não foi encontrado pelos outros Comensais da Morte.

- É claro que ele conseguiu entrar – Draco vestia suas vestes apressado sem se importar com a garota no quarto – Ele é o dono da Mansão Malfoy.

- O que você vai fazer Malfoy? – Harry perguntou tenso.

- Eu vou lá! – e saiu correndo para a porta do esconderijo aonde poderia aparatar para a Mansão sendo acompanhado por Harry.

A Mansão parecia abandonada depois de todos aquele tempo em que estavam escondidos. Abandonada e maltratada. Nem parecia o belo e formoso lar dos Malfoy. Draco respirou fundo quando chegou na porta do escritório do seu pai. Sabia que ele estava ali e que tinha que enfrentá-lo.

A vida do seu pai dependia disso.

- O que você fez? – Lucio gritou enlouquecido.

- Minha escolha pai, minha escolha... – Draco olhava o pai descontrolado na sua frente com um ar de puro tédio.

- Como você pode me trair assim? Meu próprio filho? Meu sangue? – Lucio olhava incrédulo para o único filho.

- Se o senhor acha que eu vou servir de saco de pancadas para minha querida titia e aquele mestiço está muito enganado! – o tom frio e cortante de Draco fez Lucio se sobressaltar. Nunca em toda a sua vida Draco havia ido de contra ele.

- Não fale assim do meu mestre!

- Exatamente! SEU mestre, não meu!

- E sua mãe? – a mudança de assunto feita por Lucio pegou o filho desprevenido.

- Está segura. – ele tentou dizer seco, mas havia uma ponta de alivio que foi sentida pelo pai.

- Eu irei vê-la? – Lucio começava a desistir e sentava na frente do filho que o examinava com interesse.

- Se fizer o Voto, sim.

- Porque tenho que fazer o Voto? – havia desgosto e magoa no tom dele.

- Simples pai, eu não confio em você! – Draco foi duro e direto.

- Eu tenho escolha? – Lucio olhou para a foto da família feliz em cima da mesa de escritório.

Draco percebeu o olhar do pai.

- Nós podemos voltar a sermos felizes, quando tudo isso acabar...

- Eu tenho escolha? – Lucio repetiu, mas Draco sabia que ele analisava suas palavras.

- Não...

- Quem será nosso avalista então? – perguntou despreocupado.

- Potter, acho que estamos pronto!

Se um olhar matasse Lucio Malfoy teria matado o filho e Harry Potter naquele instante.

- Está feito! – concluiu Harry incrédulo ainda depois do voto perpetuo feito entre pai e filho.

- Lucio? – a voz fina e delicada abriu a porta do escritório fazendo o homem se virar – Lucio! Lucio! Eu sabia que você não nos abandonaria!

Narcisa correu ao encontro do marido com lagrimas nos olhos e este se levantou rápido abrindo os abraços para receber a mulher que não via há tanto tempo.

- Narcisa... – a voz embargada dele denunciava seu estado.

- Eu pensei que nunca mais ia te ver, meu amor! – ela distribuía beijos por todo o rosto do marido e o apertava forte puxando-o pelos cabelos.

- Eu também temi te perder. – ele confessou num sussurro.

- Eu senti tanto a sua falta! – ela agarrava o rosto do marido como se quisesse ter certeza que estava tudo ali.

- Eu também senti minha rainha, eu também senti! – Lucio agarrou a mulher com força rodando-a no ar esquecendo completamente da presença do filho e de Harry no escritório.

- Eu disse... Não disse Potter! – Draco cochichou a Harry que olhava a cena na sua frente ainda mais incrédulo. – Eu disse que éramos felizes!

- Se eu não estivesse vendo com meus próprios olhos diria que era mentira.

O garoto continuava estático diante do carinho demonstrado pelos Malfoys que sempre foram secos e arrogantes, eles realmente pareciam uma família e essa percepção aumentou quando Narcisa puxou Draco pelo braço e o incluiu no abraço junto ao marido beijando os dois.

Lucio e Narcisa Malfoy foram encaminhados para fora do país de maneira segura como havia sido prometido e eram mantidos escondidos. Muitos ficaram surpreendidos com a aceitação de Lucio sobre se afastar da guerra e não demorou muito para se espalhar a notícia que a família Malfoy havia se desligado daquele-que-não-deve-ser-nomeado em definitivo levando a uma onda de retirada de outras famílias puro sangue da guerra.

Independente de qualquer coisa a família Malfoy sempre seria uma referencia na aristocracia bruxa inglesa.

### Você não pode me amar ###

No café da manhã o correio trouxe a noticia tão esperada pelos alunos da Nirehtyls. O convite para o famoso baile de natal dos Morritis. Não que isso fosse motivo de orgulho, mas desde que Melanne Morritis tinha entrado na escola e alguns poucos alunos tinham ido ao primeiro baile por pura curiosidade espalhando que o evento até era interessante, passou a fazer parte da rotina deles esperar pelo convite. Nenhum deles admitiria, mas a maioria apesar de não gostar tinha uma certa curiosidade com relação aos trouxas.

Seria também o primeiro grande baile após a guerra organizado por trouxas. A excitação tomou do Salão Principal enquanto as pessoas recebiam seus convites.

- Pelo visto Elisabeth se superou esse ano. – Diana olhou seca para o restante da escola que tinha o convite nas mãos, pelo que podiam ver todos os alunos do sexto e sétimo ano tinham sido convidados.

- Mamãe está empolgadíssima com o novo cargo diplomático de Philip aqui na Inglaterra, principalmente após a guerra. – Melanne suspirou desanimada.

- Animo menina vai ser um evento e tanto! – Alex estava radiante por uma festa.

- Um evento cheio de trouxas você quer dizer! – as três fizeram uma grande cara de nojo.

- É lamentável seus pais convidarem gente desse nível. – Diana parecia decepcionada vendo alguns sangues-ruins com convites nas mãos, mas Melanne deu os ombros.

- Eles são trouxas... o baile terá convidados trouxas... ter alguns sangues-ruins é o de menos... eu sou uma não esqueça...

- Pra mim você é uma Nirehtyls. – Alex comentou olhando novamente para o convite com uma voz que dizia claramente que já tinha falado aquilo várias vezes.

- Mas não deixa de ser apenas uma sangue-ruim... – Diana murmurou tão baixo que ela teve certeza que não era para ser ouvida.

- Pensei que esse ano vocês não fariam o baile! – A voz forte de John McBlood atrás dele a sobressaltou.

- Estamos no prazo McBlood! – a voz dela era tão entediada que o garoto estranhou.

- Você anda muito distante esse ano, Morritis! – John chegou perto tentando acariciar o rosto da garota, mas essa desviou.

- Deve ser efeito do tempo entre trouxas! – instantaneamente John se afastou e Melanne sorriu triste indo embora do salão. A noite conturbada na torre de astronomia não saia da sua cabeça.

- Você não desiste não é John! – Meg Stwarts comentou risonha ao lado dele que acompanhava atentamente a saída de Melanne.

- Ela vai ser minha Stwarts! Ela vai ser minha! – ele murmurou fazendo Meg encarar Frank Johnson do outro lado da mesa e os dois desviarem o olhar para um certo loiro sonserino que acabava de entrar no Salão e tinha uma expressão distante muito parecida com a de Melanne alguns minutos atrás.

Draco estava cada vez mais desesperado. Não tinha conseguido dormir aquela noite e nem tinha encontrado com a garota no dia seguinte. Sabia que ela iria fugir dele com todas as suas forças, mas sentia uma necessidade assustadora de sentir o toque dela, a pele macia como seda, o aroma floral só dela, o gosto da pele dela, o calor do corpo dela junto ao seu.

- Malfoy você está ficando louco! – murmurou para si mesmo rindo de seus pensamentos. Não tinha prestado atenção em nenhuma aula.

Suspirou lembrando da reação do corpo dela ao seu toque. Aquilo tinha deixado ele ainda mais excitado. Ela era linda, gostosa e ele precisava desesperadamente dela. Não conseguiu evitar um sorriso malicioso quando viu Melanne andando distraída e sozinha indo em direção a um corredor que ele sabia perfeitamente que era deserto naquela hora do dia.

Melanne andava sem prestar atenção em nada pelos corredores ainda atordoada pelo que tinha acontecido. Sempre se orgulhara de ser conservadora e nunca ter deixado nenhum garoto tocar seu corpo e agora Draco Malfoy tinha tocado-a de maneiras que ela nunca tinha pensado em ser tocada algum dia e para piorar de uma forma estranha tinha gostado. Sentiu alguém agarrar seu braço com força puxando-a para um canto afastado do corredor.

- Você? – Melanne disse seca, os olhos negros soltando faíscas para Draco.

- Você finge que não me deseja. Que não me acha atraente. Que não está louca para eu te beijar e continuar aquelas caricias... Você vai gostar Morritis. Eu prometo. – Draco foi se aproximando enquanto falava. Os olhos frios muito intensos e brilhantes fixos nos lábios da garota, como um predador observando a caça.

- Quem você pensa que é Malfoy? – Melanne disse com desprezo sentindo seu coração acelerar com a aproximação do loiro. – Eu não sou como as garotas que se arrastam atrás de você! Para mim você é apenas um aguado, nojento e mau caráter!

- Eu sou um puro sangue que está dando uma oportunidade para uma sujeitinha de sangue ruim nojenta como você – rebateu o garoto com um leve desdém.

Draco aproximou-se rápido e antes que a garota tivesse tempo de reagir, segurou-a com força de encontro à parede fazendo-a soltar um gemido de dor ao sentir a pancada nas costas e beijou-a como vinha desejando há dias, suas mãos mergulhadas nos cabelos negros, segurando com firmeza os fios de seda, seu corpo grudado no dela.

Melanne sentindo o garoto se encostar se desesperou e tentou gritar, bater no peitoral do garoto que a imprensava, espernear, balançava a cabeça tentando fugir daquele beijo e o corpo pra fazer o loiro a soltar, mas de nada adiantou, na verdade só piorou.

Draco ficou tão perturbado com o corpo da garota roçando no seu quase da mesma forma que da outra noite que logo ficou excitado. Melanne tentou gritar ainda mais quando percebeu a condição do garoto que a agarrava, mas o garoto continuou a beijá-la com língua e tudo, ela acabou correspondendo sem pensar em mais nada.

O beijo começou afoito e rápido, mas logo se tornou ferozmente com direito a mãos passeando por lugares proibidos e puxões de cabelo e se Draco tinha alguma dúvida quanto à morena lhe despertar coisas que nem sabia existir essa desapareceu por completo. Nunca, com apenas um beijo, sentira tantas coisas diferentes, seu coração entrou num ritmo desconhecido e seu corpo parecia queimar de encontro ao dela.

Afastou-se um pouco para tomar fôlego observando o rosto corado da garota que parecia tão atordoada quanto ele.

Olhou em seus olhos brilhantes. Mordeu os próprios lábios e mergulhou novamente na boca de Melanne como se quisesse roubar sua alma pelos lábios.

Melanne não queria beijar Malfoy realmente. Não devia querer beijar Malfoy. Não devia ter desejado sentir aquele gosto mentolado com a sua língua. Não era sensato estar gostando daquela sensação. Não depois de quase ter sido abusada por ele. Nunca achou que isso pudesse acontecer ou pelo menos que ele realmente teria audácia para tanto. Teve que se esforçar e muito para recuperar a lucidez.

- Me solta, Malfoy! – Empurrou-o com toda a força que conseguiu reunir, mas antes que ela conseguisse escapar Draco agarrou o pulso da garota com força.

- Isso não acaba por aqui Morritis e nem pense em fugir, que eu juro que caço você aonde for.

- Isso é uma ameaça? – ela perguntou sentindo seu pulso doer cada vez mais.

- Não – ele a soltou e deu as costas – É só um aviso!

Draco rumou para o dormitório, foi até o banheiro e entrou no banho. Um banho quente, seus pensamentos revisavam o que havia acontecido há poucos instantes com Morritis, o cheiro floral dela preso na sua memória, a pele quente e macia como seda, os lábios rosados – "Que lábios! Que beijo!" – levou minha mão até o seu membro o acariciando levemente ainda se lembrando de cada detalhe da garota, de como ela ficava linda nervosa, de como aqueles lábios eram muito suculentos, como havia provado por poucos instantes, foi algo quase inevitável, começou a massagear com cada vez mais força e a movimentar sua mão por toda a extensão do seu membro apoiando sua outra mão na parede do chuveiro. Ficou ali por mais ou menos quinze minutos se masturbando com gosto, de olhos fechados e cada vez mais rápido pensando na sangue-ruim de cabelos negros e voz sedutora.

- Morritis, sua maldita... O que você fez comigo...

Quando finalmente gozou, terminou de tomar o seu banho, se enrolou numa toalha verde escuro, quase negra e foi até a sua cama deitando daquele jeito mesmo olhando para cima com o olhar vago. Passou as suas mãos pelo rosto colocou a toalha na poltrona que tinha por ali, vestiu a calça azul marinho do pijama e se deitou debaixo das cobertas esperando que no dia seguinte aqueles pensamentos em relação à morena de olhos negros intensos sumissem de sua mente para que lhe deixassem em paz.

- Porra nenhuma! – passou as mãos mais uma vez pelos cabelos molhados – Você vai ser minha Morritis! – ele sussurrou rouco antes de dormir.

A semana passou rápida e logo todos estavam sentados no já conhecido jardim de inverno que parecia ter virado um point dos alunos nesse ano. Principalmente dos mais velhos, já que os Salões Comunais ficavam abarrotados.

- Os Weasley são uma linhagem antiga, assim como os Longbottom. – Melanne explicava olhando para os grifinórios sentados numa mesa próxima.

- Você tem que perder essa fixação por linhagem – Diana reclamou jogada em um banco enquanto lia distraidamente o Seminário das Bruxas Jovens.

- Não! – Melanne balançou a cabeça em negativa – Eu gosto! Tudo tem uma explicação, até mesmo a Granger tem uma explicação.

- O que? – Hermione que estava numa mesa ao lado da do grupo levantou a voz ao ouvir seu nome fazendo com que eles virassem para encará-la.

- Seu bisavô era bruxo. Bruxo casando com trouxas, três gerações para apresentar magia. É um caso pateticamente comum, mas pelo menos tem uma explicação, agora eu não. – E virando-se novamente para frente – Eu não acho nada é como se Melanne Morritis não existisse – Melanne falava seus devaneios mais para si agora do que para as pessoas que haviam parado para prestar atenção.

- Então... Morritis... Você acha que... – Neville gaguejava chegando perto dela, não era a primeira vez que o garoto tentava convidá-la para alguma coisa.

- Eu não sou boa para você! – Melanne acariciou o rosto do garoto deixando-o extremamente rosado – Apesar do que falam, você é um puro sangue que deve ser preservado. – e a garota se retirou.

Neville piscou algumas vezes para conseguir acordar do que tinha acontecido.

Melanne se encaminhou para a biblioteca queria procurar um livro de poções que tinha visto no dia anterior e por isso se encaminhou para o fundo lugar aonde teria mais privacidade. Mal chegando reconheceu um loiro sentado numa das ultimas mesas e se manteve nas sombras para não ser perturbada por ele.

Draco estava sozinho sentado no fundo da biblioteca estudando para as provas. Tinha que tentar ocupar a mente com algo útil, pois ultimamente seus pensamentos estavam muito voltados para a morena sangue-ruim com seus lábios rosados, seus olhos negros brilhantes.

- "Por Merlin concentre-se" – Nem mesmo poções que era sua melhor matéria parecia distrair o loiro.

- Bom dia Malfoy! – a voz cansada e apressada junto com o som do baque de vários livros sobre a mesa chamaram a atenção dele para a garota que acabava de sentar na sua frente.

- O que está fazendo aqui, Granger? – definitivamente aquele não era o seu dia se jogou no encosto da cadeira brincando com a pena entre seus longos dedos olhando com uma expressão de puro tédio para Hermione.

- Grosso! – bufou a garota – Precisamos conversar. – ela disse isso olhando para os lados se inclinando sobre a mesa.

- Eu não tenho nada para falar com você, Granger! – Draco encarou frio os olhos castanhos também se inclinando sobre o mesa.

- A Gina está obcecada com você! – a garota baixou o olhar para a mesa.

- Por Slytherin, eu nunca tive nada com a ruiva! – ele bateu com as duas mãos abertas na mesa.

- Eu sei, mas foi você que consolou ela quando Harry a deixou para trás e eu acho que ela se apaixonou. – Hermione voltou a encarar Draco acariciando sua mão.

- Não me toque! – Draco retirou a mão dele com nojo.

- Você não parecia se importar antigamente. – ela ponderou ofendida com a atitude dele.

- Antigamente você não era a namorada do Weasley. – Draco fez uma careta, não queria aquela conversa e começou a recolher suas coisas para ir embora.

- Você nunca foi o homem certo para mim Draco! – Hermione olhava desolada para o rapaz irritado a sua frente.

- Não Granger, você que nunca será mulher suficiente para um Malfoy. – Draco falou no ouvido dela antes de partir deixando-a arrasada, mas se retirando logo em seguida sem perceber que duas pessoas haviam escutado a conversa deles nas sombras da biblioteca.

Melanne estava estática, nunca em seus maiores devaneios poderia imaginar Draco Malfoy, o puro sangue seboso e a Hermione Granger, a sangue-ruim sabe tudo teriam um passado juntos e um passado amoroso pelo que pode perceber.

- "Merlin, a Weasley é apaixonada por ele?" – pensou chocada, pois as duas famílias não se davam bem.

Melanne só saiu dos seus devaneios quando reconheceu um outro vulto que agora saia das sombras e que com certeza também tinha escutado a conversa.

- Merda, Stwarts não! – Melanne bufou ao ver a garota praticamente correr em direção ao salão principal aonde estava sendo servido o jantar.

- Isso não vai prestar. – balançou a cabeça decidida indo na mesma direção que Meg. Não ia deixar a outra contar para toda a escola a sua descoberta.

Draco estava apreensivo. Não podia acreditar nas palavras de Hermione. – "A ruiva apaixonada por mim?" – ele lembrava das conversas que teve com Harry sobre a garota e nenhum momento lhe passou pela cabeça que ela podia sentir algo por ele. Era verdade que quando o trio de ouro foi atrás das Horcruxes, ele ficará para trás e consolará a garota, mas não tinha sido exatamente simpático com ela. - "O que eu vou fazer agora?" – Draco estava tão distraído com seus próprios problemas que nem reparou na garota cabelo cor de palha que adentrou no salão.

Meg entrou no salão principal como se tivesse tirado nota máxima nos exames. Estava doida para contar a todas a sua mais nova descoberta e é claro tinha que fazer da maneira mais chamativa possível.

- Ora, ora Weasley! Tudo bem com você? – Meg praticamente gritou com sua voz afinada e as mãos na cintura.

- Tu... tudoo... – Rony gaguejou um pouco encarando atordoado a garota de cabelos cor de palha espetados a sua frente.

- Tem certeza? – a garota fez carinha de inocente – Achei que sua cabecinha estivesse mais pesada...

Rony continuava a encarar Meg sem entender muito bem o que ela realmente queria dizer com aquilo ao passo que Hermione ao seu lado gelava as mãos começando a entender a ironia da garota que olhava ainda discretamente para ela e para Draco na mesa da Sonserina.

- Você e Harry são tão cegos! – Meg balançou a cabeça pronta para contar a grande novidade para todo o salão que agora prestava atenção em cada palavra dita por ela.

- Stwarts! – Melanne chamou alto entrando no salão principal com seu passo firme e decidido. Seus olhos focados em Meg.

- Morritis, tenho uma boa notícia pra você também! – Meg encarou Melanne nos olhos – Tenho certeza que você vai adorar...

- Tenho minhas duvidas, Stwarts! – Melanne mantinha os olhos fixos nos de Meg e nenhuma das duas piscava.

Vários estudantes começaram a conversar entre si deixando de prestar atenção nas duas meninas que se encaravam, mas elas continuavam a ser o centro das atenções.

Na mesa da Grifinória, Hermione tentava tirar Harry e Rony do salão não sabendo exatamente o que Meg tinha visto ou escutado. Draco tentava transparecer a mesma curiosidade latente na mesa da Sonserina, mas também estava apreensivo com o rumo daquela conversa.

Meg ainda tentava encarar Melanne, mas aos poucos seus olhos foram perdendo o foco até começarem a piscar seguidas vezes e baixar o olhar.

- Acho melhor você ir para o dormitório Stwarts. – Melanne falou seca indo se sentar num canto afastado da mesa da Grifinória e Meg saiu meio dispersa pelo salão.

Alguns alunos ainda fitavam Melanne enquanto Draco e Hermione respiravam aliviados pela sua intromissão.

Alex esperou alguns minutos até o ambiente voltar ao normal para se levantar do seu lugar na mesa do Sonserina e se jogar ao lado de Melanne.

Todos da Nirehtyls sabiam que Melanne havia apagado a memória de Meg, eles sabiam que ela tinha esse conhecimento e que o usava sempre que achava que era do seu interesse. Normalmente eles sabiam quando cada um deles tomavam medidas consideradas drásticas para atingir seus próprios objetivos. A pessoa prejudicada que fosse mais forte para conseguir se proteger. Essa era a regra deles.

- Então eu não vou saber qual era a fofoca do ano, não é?

- Não era a fofoca do ano, era apenas algo que traria desentendimento, estresse, brigas e não levaria a lugar nenhum – Melanne falou num tom baixo para não ser ouvida.

- Tão grifinório! – Alex zombou da amiga.

- Não zombe de mim, Alex. O que Meg diria não me traria nenhum beneficio, muito pelo contrario. Prefiro ter uma carta na manga.

- Você me deixou mais curiosa!

- Te garanto que não é nada que mereça sua curiosidade.

- Mesmo assim...

Gina estava andando pelos corredores chateada quando sentiu alguém lhe levantar no ar.

- Colin! – a garota riu da amigo.

- Quando você vai nos contar porque está assim? – perguntou o garoto preocupado.

- E não venha nos dizer que é por causa de Harry, nós sabemos que você tem evitado ele – a voz doce de Luna apareceu do outro lado dela.

- E eu soube que vocês tem sido vistos constantemente juntos – falou moleca Gina – Até que vocês formam um casal bonitinho!

Luna ficou ligeiramente vermelha, mas desviou o olhar para longe.

- Mas não estamos falando da Luna senhorita Weasley! – Colin segurou o queixo de Gina fazendo-a encará-lo.

- É o Malfoy! – ela admitiu num fio de voz.

- Malfoy? Draco Malfoy? – Colin perguntou surpreso enquanto Luna continuava analisando muito interessada o teto.

- O que ele te fez? – perguntou o garoto visivelmente preocupado, mas quem respondeu não foi Gina e sim Luna.

- Ela se apaixonou por ele na guerra! – os olhos azuis encontraram o castanho e sorriram.

- Eu não sei o que fazer Colin! – Gina andou de um lado pra o outro impaciente. – Eu queria falar com o Draco, mas ele parece que ta fugindo de mim.

- Gina, não acho que o Draco esteja interessado por você. – Colin falou cauteloso com medo da reação da amiga.

- Não sei. – admitiu ela – Eu queria entender o que eu estou sentindo.

- Mas e o Harry? – Colin parecia intrigado e Luna olhava distraída um exemplar do Pasquim.

- Ele me fez esperar a guerra acabar – disse ela cansada e levemente irritada – Então ele vai esperar eu descobrir o que estou sentindo.

- Você tem certeza disso Gina? – Colin olhou preocupado de Gina para Luna que parecia totalmente alheia a conversa.

- Porque não teria? O Harry não foi visto com nenhuma garota e logo eu consigo falar com o Malfoy. – Gina olhou para o corredor – Preciso ir Colin! Tchau Luna!

- Tchau! – disse aérea Luna.

- Luna... – o garoto chamou baixo meio incerto.

- Eu não sei Colin... – e ele reparou que os grandes olhos azuis da garota estavam brilhando demais – Temos conversado sobre muitas coisas, na maioria sobre Gina, mas...

- Luna, ninguém vai te julgar se você se apaixonar por ele. – o garoto abraçou a amiga carinhoso.

- Eu não sou nem uma ameaça! – ela disse com a voz embargada e fraca caindo no choro.

- Luna? – Colin se assustou ao ouvir a voz preocupada de Harry no inicio do corredor. – O que houve com ela, Creevey?

- Nada, Harry! – disse o garoto tenso – Ela só está um pouco sentimental hoje!

- Luna? – Harry chamou e sorriu quando ela abriu os olhos vermelhos e assustados – O que houve Luna?

- Nada Harry! – a garota se levantou limpando os olhos – Preciso voltar pro meu Salão Comunal! – e virando-se para Colin e Harry – Obrigada Colin! Tchau Harry!

- Tchau Luna! – e Colin saiu rápido para o outro lado, mas Harry foi atrás de Luna.

- O que aconteceu Luna? – o garoto a puxou delicado a abraçando – Você nunca foi de ficar assim. – a preocupação de Harry era quase palpável.

Luna respirou fundo sentindo Harry acariciar o seu cabelo.

- Eu vou te acompanhar até o dormitório da Corvinal está bem? – ele levantou o rosto dela para olhá-la e secou algumas lagrimas quando a garota assentiu – Não fique assim! – e beijou a testa – Eu vou estar sempre aqui com você!

E eles seguiram andando abraçados e Harry só soltou Luna quando chegaram na entrada do Salão Comunal da Corvinal.