Capítulo 9
Rin permaneceu imóvel durante horas, escutando a respiração tranqüila e compassada do Sesshoumaru, enquanto dormia a seu lado. Tinha colocado uma perna entre suas coxas e lhe rodeava a cintura com um braço.
A sensação de seu corpo, envolvendo-a, a fazia palpitar de desejo.
E seu aroma…
O que mais gostava de nesses momentos era dá-la volta e enterrar o nariz no aroma quente e amadeirado de sua pele. Ninguém a tinha feito sentir-se assim jamais. Tão querida, tão segura.
Tão desejável.
E se perguntava como era possível, tendo em conta que apenas se conheciam. Sesshoumaru chegava a uma parte de seu interior que ia mais à frente do mero desejo físico.
Era tão forte, tão autoritário… E tão divertido. A fazia rir e lhe encolhia o coração.
Alargou o braço e passou os dedos com suavidade pela mão que tinha justo colocada sob seu queixo. Tinha umas mãos preciosas. Largas. Até relaxadas durante o sonho, sua força era inegável. E a magia que obravam em seu corpo…
Um milagre.
Passou o polegar por seu anel de general e começou a perguntar-se como teria sido Sesshoumaru então. A menos que a maldição tivesse alterado sua aparência física, não parecia ser muito maior, não aparentava mais de trinta.
Como poderia ter liderado um exército a uma idade tão temprana? Mas claro, Alejandro Magno apenas se tinha idade para barbear-se quando começou suas campanhas.
Sesshoumaru devia ter tido uma aparência magnífica no campo de batalha. Rin fechou os olhos e tentou imaginar-lhe a cavalo, carregando contra seus inimigos. Podia ver uma vívida imagem do general vestido com a armadura e com a espada em alto enquanto lutava corpo a corpo com os romanos.
— Jasón?
Rin se esticou ao escutar o murmúrio. Sesshoumaru estava dormido.
Girou sobre o colchão e o olhou.
— Sesshoumaru?
Ele adotou uma postura rígida e começou a falar em uma confusa mescla de inglês e grego clássico.
— Não! Okhee! Okhee! Não! —e se incorporou até ficar sentado na cama.
Rin não podia saber se estava dormido ou acordado.
Tocou-lhe o braço instintivamente e, lançando uma maldição, ele a agarrou com força e atirou dela até pô-la sobre suas coxas. Depois voltou a arrojar a à cama, com um olhar selvagem e os lábios franzidos.
— Maldito seja! —grunhiu.
— Sesshoumaru —ofegou Rin, lutando por liberar-se enquanto ele a agarrava com mais força pelo braço—. Sou eu, Rin!
— Rin? —repetiu com o cenho franzido, tentando enfocar o olhar.
separou-se dela piscando. Elevou as mãos e as observou como se fossem dois apêndices estranhos que não tivesse visto jamais. Depois cravou os olhos em Rin.
— Tenho-te feito mal?
— Não, estou bem. E você?
Ele não respondeu.
— Sesshoumaru? —disse enquanto lhe tocava.
afastou-se dela como se separasse de uma criatura venenosa.
— Estou bem. Era um mau sonho.
— Um mau sonho ou uma má lembrança?
— Uma má lembrança que me persegue em sonhos —murmurou com a voz carregada de dor, e se levantou—. Deveria dormir em outro sítio.
Rin o agarrou pelo braço antes de que pudesse partir e o aproximou de volta à cama.
— Isso é o que sempre fez no passado?
Ele assentiu.
— Contaste-lhe seus pesadelos a alguém?
Sesshoumar a olhou horrorizado. Por quem o tinha tomado?
Por um menino chorão que necessitava a sua mãe?
Sempre tinha guardado a angústia em seu interior. Como lhe tinham ensinado. Só durante as horas de sonho as lembranças podiam transpassar as barreiras que ele mesmo tinha ereto. Só quando dormia era débil.
No livro não havia ninguém que pudesse resultar ferido quando lhe assaltava o pesadelo. Mas uma vez liberado de seu confinamento, sabia que não era muito inteligente dormir ao lado de alguém que podia acabar inadvertidamente ferido enquanto estava apanhado no sonho.
Poderia matar a de forma acidental.
E essa idéia o aterrorizava.
— Não —sussurrou—. Não o contei nunca a ninguém
— Então, conta-me.
— Não —respondeu com firmeza—. Não quero voltar a vivê-lo.
— Se o reviver cada vez que sonha, qual é a diferença? Deixe-me entrar em seus sonhos, Sesshoumar. Deixe-me te ajudar.
Poderia fazê-lo? Poderia ter esperança?
Sabe que não.
Mas ainda assim…
Queria purgar os demônios. Queria dormir uma noite completa livre da tortura, com um sonho tranqüilo.
— Conta me insistiu isso brandamente.
Rin percebia sua relutância enquanto se unia a ela na cama. Permaneceu sentado no bordo, com a cabeça entre as mãos.
— Já me perguntaste o que fiz para que me amaldiçoasse. Fizeram-no porque traí ao único irmão que jamais conheci. A única família que tive na vida.
A angústia de sua voz impregnou muito fundo em Rin. Desejava desesperadamente lhe acariciar as costas, para reconfortá-lo, mas não se atreveu se por acaso ele voltava a apartar-se de novo.
— O que fez?
Sesshoumar abaixou a cabeçã. Com a mandíbula mais rígida que o aço e o olhar fixo no tapete respondeu:
— Permiti que a inveja me envenenasse.
— Como?
Permaneceu calado um momento antes de voltar a falar.
— Conheci o Jasón pouco depois de que minha madrasta me enviasse a viver aos barracões.
Rin apenas se recordava uma conversação com a Sango em que lhe explicava que os barracões espartanos eram os lugares onde se obrigava a viver aos meninos, afastados de seus lares e de suas famílias. Sempre os tinha imaginado como uma espécie de internado.
— Quantos anos tinha?
— Sete.
Incapaz de imaginar que a obrigassem a apartar-se de seus pais a essa idade, Rin ofegou.
— Não havia nada de estranho na decisão —disse ele sem olhá-la—. E era grande para minha idade. Além disso, a vida nos barracões era imensamente melhor que a que levava junto a minha madrasta.
Rin percebia o veneno que destilava sua voz e se perguntou como teria sido a mulher.
— Então, Jasón vivia contigo nos barracões?
— Sim —murmurou ele—. Cada barracão estava dividido em grupos, e cada um escolhia a um líder. Jasón era o líder de meu grupo.
— O que faziam esses grupos?
— Fomos uma espécie de unidade militar. Estudávamos, limpávamos nosso barracão, mas sobre tudo, arrumávamo-nos isso entre todos para poder sobreviver.
Rin se sobressaltou ante essa palavra tão dura.
— Sobreviver a que?
— Ao estilo de vida espartano —respondeu Sesshoumar com voz áspera—. Não sei se conhecer algo sobre os costumes da gente de meu pai, mas não viviam com os luxos habituais do resto dos gregos.
— Os espartanos só queriam uma coisa de seus filhos: que nos convertêssemos na força militar mais impressionante do mundo antigo. Para nos preparar, ensinavam-nos a sobreviver com as necessidades mais básicas. Davam-nos uma só túnica que devíamos conservar durante todo um ano, e se danificava, perdíamo-la, ou acabava por ficar pequena, ficávamos sem ela. Tínhamos que nos fazer nossa própria cama. E uma vez que chegávamos à puberdade, não nos permitia levar nenhum tipo de calçado.
riu com amargura.
— Ainda posso recordar como me doíam os pés durante o inverno. Tínhamos proibido acender fogo, e tampouco podíamos nos tampar com uma manta, assim é que nos envolvíamos os pés com farrapos para evitar que nos congelassem durante a noite. Pela manhã tirávamos os cadáveres dos meninos que tinham morrido de frio.
Rin se encolheu de espanto ante o mundo que Sesshoumar descrevia. Tentava imaginar-se como devia ter sido viver assim. Pior ainda, recordou quando era criança e ficou uma semana sem falar com os pais por causa de um par de sapatos de oitenta dólares que, segundo sua mãe, eram muito para ela; e à mesma idade, Sesshoumar teria estado procurando farrapos. A injustiça daquilo a fazia pedaços.
— Só foram meninos.
— Jamais fui um menino —lhe respondeu com simplicidade—. Mas isso não era tudo, o pior era que apenas nos davam de comer. Estávamos obrigados a roubar ou a morrer de fome.
— E os pais o permitiam?
Ele a olhou por cima do ombro; seus olhos tinham uma expressão irônica.
— Consideravam-no um dever cívico. E, posto que meu pai era o stratgoi da Esparta, a maioria dos professores e dos meninos me desprezaram do primeiro momento. Davam-me muita menos comida que ao resto.
— O que era seu pai? —perguntou-lhe, não acabava de compreender o término grego que Sesshoumar tinha empregado.
— O general supremo, se o prefere —inspirou profundamente e continuou—. Por causa de sua posição, e de sua reputação de homem cruel, eu era um emparelha para meu grupo. Enquanto eles se uniam para poder roubar comida, me deixavam de lado, e tinha que me engenhar isso para sobreviver. Um dia, pescaram ao Jasón roubando comida. Quando retornaram aos barracões foram castigá-lo. Assim é que dava um passo à frente e me joguei toda a culpa.
— por quê?
Sesshoumar se encolheu de ombros, lhe subtraindo importância ao assunto.
— Estava tão fraco pela surra anterior que pensei que não viveria se lhe davam outra.
— E por que lhe tinham golpeado antes?
— Era o modo de começar o dia. Logo que nos tiravam rastros das camas, davam-nos uma boa sova.
Rin fez uma careta de dor.
— Então, por que deixou que lhe pegassem em seu lugar, se você também estava ferido?
— Sendo o filho de uma deusa, agüentava as surras mais duras.
Ela fechou os olhos enquanto recordava as palavras que Sango havia dito essa mesma tarde. Esta vez, não pôde resistir o impulso de aproximar-se dele. Pôr-lhe a mão sobre o bíceps. Sesshoumar não se apartou. Ao contrário, cobriu-lhe a mão com a sua e lhe deu um ligeiro apertão.
— Desde esse dia em adiante, Jasón me considerou seu irmão, e fez que outros me aceitassem. Embora minha mãe e meu pai tinham outros filhos, nunca tinha tido um irmão antes.
Ela sorriu.
— O que ocorreu depois?
O bíceps se contraiu sob sua mão.
— Decidimos unir forças para conseguir o que necessitávamos. Ele distraía às pessoas e eu roubava; assim, se nos pilhavam, eu me levava os golpes.
por que? Tinha Rin na ponta da língua, mas a mordeu. No fundo, conhecia a resposta: Sesshoumar estava protegendo a seu irmão.
— O tempo foi passando —continuou ele—, e notei que seu pai saía furtivamente do povo para observá-lo de longe. O amor e o orgulho em seu rosto eram algo indescritível. Sua mãe fazia o mesmo. Supunha-se que nos devíamos arrumar isso para conseguir comida, mas alguns dias, Jasón encontrava coisas que seus pais lhe tinham deixado. Pão fresco, lagosta assada, uma jarra de leite… e às vezes, dinheiro.
— Que tenro.
— Sim, era-o; mas cada vez que me dava conta do que faziam por ele, a realidade me destroçava. Queria que meus pais sentissem o mesmo por mim. Teria dado gosto a minha vida porque meu pai me olhasse uma só vez sem ódio; ou porque minha mãe se preocupasse comigo o justo para vir para ver-me. O mais perto que estive nunca dela foi em seu templo da Thimaria. Estava acostumado a passar horas contemplando sua estátua, e me perguntando se era assim realmente. Perguntando-me se pensava alguma vez em mim.
Rin se sentou atrás dele, abraçou-o pela cintura e pôs o queixo sobre seu ombro.
— Alguma vez viu sua mãe quando foi pequeno?
Rodeou-lhe os braços com os seus e jogou a cabeça para trás, até deixá-la repousar sobre o ombro de Rin. Ela sorriu ante o gesto. Embora estivesse tenso e nervoso, estava-lhe confiando coisas que jamais tinha compartilhado com outra pessoa.
E lhe sabê-lo proporcionava uma sensação de incrível intimidade.
— Não a vi nunca —confessou em voz baixa—. Enviava a outros, mas ela jamais se apresentou ante mim. Sem importar o muito que lhe implorasse, sempre se negava. depois de um tempo, deixei de pedir-lhe e ao final, também deixei de entrar em seus templos.
Rin lhe plantou um beijo tenro no ombro. Como podia sua mãe havê-lo ignorado? Como podia ser capaz uma mãe de não atender o rogo de um filho?
Pensava em seus próprios pais. No amor e a ternura que lhe tinham prodigalizado. E, pela primeira vez, depois de tantos anos, disse-se que seus sentimentos com respeito a sua trágica morte estavam totalmente equivocados. Sempre tinha pensado que teria sido muito melhor não conhecer seu carinho para não perder o de modo tão cruel.
Mas não era assim. Embora as lembranças de sua infância e de seus pais eram agridoces, reconfortavam-na.
Sesshoumar não tinha conhecido nunca a ternura de um abraço. A segurança de saber que, fizesse o que fizesse, seus pais sempre estariam ali.
Não podia imaginar como teria sido crescer do modo que ele o fez.
— Mas tinha ao Jasón —sussurrou, perguntando-se se teria sido suficiente para ele.
— Sim. Depois da morte de meu pai, quando eu tinha quatorze anos, Jasón foi o bastante amável para deixar ir a sua casa quando davam permissão. Foi em uma dessas visitas quando vi pela primeira vez Kagura.
Rin sentiu uma pequena pontada de ciúmes ao escutar o nome de sua esposa.
— Era tão formosa… —murmurou ele— e estava prometida ao Jasón.
Rin ficou paralisada ante suas palavras.
OH! A coisa não ia bem.
— Pior ainda —lhe disse lhe acariciando o braço com suavidade—, estava apaixonada por ele. Cada vez que íamos de licença, jogava-se em braços do Jasón para beijá-lo. Dizia-lhe o muito que significava para ela. Quando nos partíamos, pedia-lhe em voz baixa que tomasse cuidado, e lhe deixava comida para que a encontrasse.
Sesshoumar se deteve enquanto recordava a imagem do Jasón quando voltava para os barracões com os presentes de Kagura.
«Algum dia te casará, Sesshoumar» dizia seu amigo enquanto fazia ornamento dos obséquios «mas jamais terá uma esposa como a minha para te esquentar a cama.»
Embora seu amigo não o dissesse, Sesshoumar conhecia o motivo de que falasse assim. Nenhum pai responsável entregaria a sua filha em matrimônio a um homem deserdado, sem família que o reconhecesse.
Cada vez que seu amigo pronunciava essas palavras, sua alma se fazia pedaços. Havia ocasiões nas que suspeitava que Jasón jogava sal em suas feridas devido ao ciúmes.
Kagura o olhava mais da conta quando pensava que seu prometido não o notava. Pode que ele tivesse seu coração, mas ao igual ao resto das mulheres, ela o comia com os olhos cada vez que estava perto.
Por esse motivo Jasón deixou de convidá-lo a sua casa. E que lhe proibissem retornar ao único lar que tinha conhecido, acabou por destroçá-lo.
— Deveria ter deixado que se casassem —seguiu Sesshoumar, enquanto passava o braço pela cabeça de Rin e enterrava o rosto em seu pescoço para inalar o doce aroma de sua pele—. Então sabia, mas não podia suportá-lo. Ano detrás ano, veria como ela o amava. Veria como sua família o adorava, enquanto eu não tinha um lar onde acudir.
— por quê? —perguntou Rin—. Há dito que tinha irmãos, não lhe teriam deixado ficar com eles?
Ele negou com a cabeça.
— Os filhos de meu pai odiavam a morte. Sua mãe me teria permitido ficar com eles, mas me negava a pagar o preço que pedia em troca. Não tinha nada naqueles dias, exceto minha dignidade.
— Agora também a tem —murmurou ela, abraçando-o com mais força pela cintura—. fui testemunha dela.
Soltando-a, deixou passar suas palavras e esticou a mandíbula.
— O que ocorreu ao Jasón? —seguiu Rin. Queria que seguisse falando enquanto estivesse de humor—. Morreu em combate?
Ele soltou uma amarga gargalhada.
— Não. Quando fomos o suficientemente majores para nos unir ao exército, mantive-o a salvo no campo de batalha. Tinha prometido a Kagura e a sua família que não permitiria que lhe ocorresse nada.
Rin sentiu o coração do Sesshoumar pulsando com rapidez sob seus braços.
— Conforme passavam os anos, pronunciavam meu nome com temor e respeito. Minhas vitórias se convertiam em lenda, e se contavam uma e outra vez. Quando retornava a Thimaria, acabava dormindo na rua, ou na cama de qualquer mulher que me abrisse a porta para passar a noite. Desse modo passava o tempo até que retornava à batalha.
Rin ardiam os olhos pelas lágrimas; a voz do Sesshoumar estava carregada de dor. Como podiam havê-lo tratado assim?
— O que aconteceu trocassem as coisas? —perguntou-lhe.
Ele suspirou.
— Uma noite, enquanto procurava um lugar para dormir, tropecei-me com eles duas na rua. Estavam abraçando-se como dois apaixonados. Desculpei-me rapidamente mas, ao me afastar, escutei ao Jasón falando com a Kagura.
Todo seu corpo ficou rígido entre os braços de Rin e o coração começou a lhe pulsar com mais rapidez.
— O que disse? —urgiu-lhe Rin.
Os olhos do Sesshoumar adotaram um olhar sombrio.
— Lhe perguntou que por que nunca ficava em casa de meus irmãos. Jasón riu e lhe respondeu: «Ninguém quer ao Sesshoumar. É o filho da Afrodita, a Deusa do Amor, e nem sequer ela suporta estar perto dele. »
Rin foi incapaz de respirar enquanto escutava as cruéis palavras. imaginando como Sesshoumar deveria ter se sentido ouvindo essas palavras.
Ele tomou ar com brutalidade.
— Tinha-lhe guardado as costas mais vezes das que podia recordar. Tinham-me ferido em batalha em incontáveis ocasione por protegê-lo, incluindo uma vez em que uma lança me atravessou o flanco. E ali estava ele, burlando-se de mim. Não pude suportar a injustiça. Tinha acreditado que fomos irmãos. E suponho que, ao final, fomos, já que me tratou do mesmo modo que o resto de minha família. Eu sempre tinha sido um enteado bastardo. Só e repudiado. Não entendia por que ele tinha tantas pessoas que o queriam e eu não tinha a ninguém.
— Ferido e zangado por suas palavras, fiz o que jamais deveria ter feito: invocar ao Inuyasha.
Rin podia imaginar-se facilmente o que tinha ocorrido.
— Fez que Kagura se apaixonasse por ti.
Ele assentiu.
— Disparou ao Jasón com uma flecha de chumbo que matou seu amor pelo Kagura, e lhe disparou com uma de ouro para que se apaixonasse por mim. supunha-se que tudo devia acabar aí mas…
Balançando-o com suavidade entre seus braços, Rin aguardou a que encontrasse as palavras exatas.
— Demorei dois anos em convencer a seu pai para que lhe permitisse casar-se com um bastardo deserdado, sem influências familiares. Para então, minha lenda tinha aumentado e tinha sido ascendido. Finalmente consegui acumular riquezas suficientes para fazer que Kagura vivesse como uma rainha. E, no que se referia a ela, não reparei em gastos. Tínhamos jardins, escravos e tudo o que lhe desejava muito. Dava-lhe liberdade e independência, como jamais teve nenhuma outra mulher da época.
— Mas não era suficiente?
Ele negou com a cabeça.
— Eu necessitava algo mais e sabia que lhe ocorria algo. Até antes de que Inuyasha interviesse, sempre foi excessivamente veemente. Dependia do Jasón de um modo proibido para as espartanas e, em uma ocasião em que foi ferido, barbeou-se totalmente a cabeça como amostra de sua dor.
» Mais tarde, uma vez Inuyasha disparou suas flechas, Kagura passava por compridos períodos de depressão, ou de fúria. Eu fazia tudo o que podia por ela, e tentava que fosse feliz.
Rin lhe acariciou o cabelo enquanto o escutava.
— Dizia que me queria, mas eu percebia que não se interessava por mim do mesmo modo que o tinha feito pelo Jasón. Entregava-me seu corpo de forma generosa, mas não havia verdadeira paixão em suas carícias. Soube desde a primeira vez que a beijei. Tentei me enganar a mim mesmo, me dizendo que não importava. Muito poucos homens, naquele tempo, achavam o amor no matrimônio. Além disso, ausentava-me durante meses, às vezes, inclusive anos, enquanto dirigia meu exército. Mas ao final, suponho que me pareço muito a minha mãe, porque sempre desejei mais.
Rin sofria enormemente por ele.
— E então chegou o dia em que Inuyasha também me traiu.
— Traiu-te?, como? —perguntou ansiosa, sabendo que esse era a origem da maldição.
— Ele e Narak estiveram bebendo a noite posterior a que eu matasse ao Livio. Inuyasha, bêbado, contou-lhe o que tinha feito por mim. logo que Narak escutou a história, soube como vingar-se.
— Foi ao Inframundo e agarrou água da Lacuna da Memória para oferecer-lhe ao Jasón. E assim que tocou seus lábios, recordou seu amor por Kagura. Narak lhe contou o que eu tinha feito e lhe entregou mais água para que a desse a beber a ela.
Sesshoumar sentia como seus lábios articulavam as palavras, mas perdeu o controle da narração. Em lugar de tentar pensar no que ia contar, fechou os olhos e reviveu aquele desgraçado dia.
Acabava de entrar na casa procedente dos estábulos, quando viu Kagura e ao Jasón no átrio. Beijando-se.
Atônito, deteve-se metade de caminho, enquanto uma quebra de onda de nervosismo se apoderava dele ao comprovar a paixão daquele abraço.
Até que Jasón elevou o olhar e o viu na porta.
No instante em que seus olhos se encontraram, Jasón curvou os lábios.
— Ladrão desprezível! Narak me contou sua traição. Como pôde?
Com o rosto desfigurado pelo ódio, Kagura se equilibrou sobre Sesshoumare o esbofeteou.
— Asqueroso bastardo, mataria-te pelo que tem feito.
— Eu o matarei —gritou Jasón enquanto desembainhava sua espada.
Sesshoumar tentou apartar Kagura, mas ela se negou.
— Por todos os deuses! dei a luz a seus filhos —disse enquanto tentava lhe arranhar a cara.
Sesshoumar a sustentou pelas bonecas.
— Kagura, eu…
— Não me toque! —gritou-lhe escapando de suas mãos—. Me dá nojo. Acreditava mesmo que uma mulher decente ia querer ser sua? É desprezível. Repulsivo. separou-se dele e se aproximou do Jasón.
— lhe corte a cabeça. Quero me banhar em seu sangue até apagar o rastro de seu aroma em minha pele.
Jasón brandiu a espada.
Sesshoumar deu um salto para trás, ficando fora do alcance da arma.
De forma instintiva, procurou sua própria espada, mas se deteve. Quão último desejava era derramar o sangue do Jasón.
— Não quero lutar contigo.
— Que não? Violou a minha mulher e lhe fez levar sua semente, quando deveriam ter sido meus filhos aos que desse a luz! Recebi-te em meu lar com os braços abertos. Dava-te uma cama quando ninguém te queria perto, e assim me paga?
Sesshoumar o olhou com incredulidade.
— Pago-te? Tem a mais mínima idéia das ocasiões nas que te salvei a vida durante as batalhas? De quantas surras me deram em seu lugar? Pode sequer as contar? E te atreveu a te burlar de mim.
Jasón riu cruelmente.
— Todos, exceto Kyrian, burlavam-se de ti, idiota. De fato, era o único que te defendia, com tanto empenho que às vezes me fazia me expor o que fariam juntos quando estavam a sós.
Suprimindo a ira que lhe teria deixado totalmente exposto e vulnerável ao ataque do Jasón, agachou-se para esquivar a seguinte estocada.
— Deixa-o, Jasón. Não me obrigue a fazer algo do que nos dois nos arrependeríamos mais tarde.
— O único que me arrependo é de ter dado capacidade a um ladrão em minha casa —bramou Jasón com ira, elevando a espada de novo.
Sesshoumar tentou agachar-se, mas Kagura se aproximou até ele por detrás e o empurrou.
A espada do Jasón lhe deu nas costelas. Vaiando de dor, Sesshoumar tirou sua própria espada e a brandiu de tal modo que teria deixado a seu amigo sem cabeça se lhe tivesse alcançado.
Jasón tentou alcançá-lo, mas Sesshoumar se limitou a defender-se enquanto tentava afastar Kagura do alcance das espadas.
— Não o faça, Jasón. Sabe que sua habilidade com a espada é inferior à minha.
Seu amigo intensificou o ataque.
— Não vou deixar que siga com ela, não.
Os segundos seguintes se aconteceram com incomum rapidez, mas ainda assim, Sesshoumar via passar a imagem por sua cabeça com diáfana nitidez.
Kagura o agarrou por braço livre ao mesmo tempo que Jasón atacava. A espada não feriu o Sesshoumar de milagre depois do empurrão que lhe deu sua esposa. Totalmente desequilibrado, tentou liberar-se de Kagura, mas com ela no meio, o que conseguiu foi tropeçar-se para diante, de uma vez que Jasón avançava para eles.
No instante em que chocaram, sentiu como sua espada se afundava no corpo de seu amigo.
— Não! —gritou Sesshoumar, extraindo a folha do ventre do Jasón enquanto Kagura deixava escapar um atormentado chiado de angústia.
Lentamente, Jasón caiu ao chão.
Ajoelhando-se, Sesshoumar arrojou sua espada a um lado e agarrou a seu amigo.
— Deuses do Olimpo!, o que têm feito?
Cuspindo sangue e tossindo, Jasón lhe lançou um olhar acusador.
— Eu não fiz nada. Foi você o que me traiu. Fomos irmãos e me roubou o coração.
Jasón tragou dolorosamente enquanto seus pálidos olhos atravessavam ao Sesshoumar.
— Jamais teve nada que não roubasse antes.
Sesshoumar começou a tremer, consumido pela culpa e a agonia. Jamais tinha tido intenção de que acontecesse algo assim. Nunca tinha querido que alguém saísse ferido, e menos ainda Jasón. Quão único desejava era alguém que lhe amasse. Só queria um lar onde fosse bem-vindo.
Mas Jasón tinha razão. Ele era o único culpado. De tudo.
Os chiados de Kagura ressonavam em seus ouvidos. Agarrou-o pelo cabelo e começou a atirar com todas suas forças. Com um olhar selvagem, tirou a adaga que Sesshoumar levava no cinturão.
— Quero-te morto! Morto!
Afundou-lhe a adaga no braço, e voltou a tirá-la para atacar de novo. Ele a agarrou a tempo.
Com um forte puxão, desfez-se dele e se apartou.
— Não —lhe disse com um olhar desencaixado—. Quero que sofra. Tirou-me o que mais queria. Agora eu farei o mesmo contigo —e saiu correndo.
Afligido pela dor e a fúria, Sesshoumar não pôde mover-se enquanto via como a vida abandonava o corpo de seu amigo.
Então, as palavras de sua esposa se filtraram entre a neblina que confundia sua mente.
— Não! —rugiu enquanto ficava em pé—. Não o faça!
Chegou à porta dos aposentos de Kagura a tempo para escutar os gritos dos meninos. Com o coração em um punho, tentou abri-la mas ela a tinha trancado de dentro.
Quando conseguiu abri-la, era muito tarde.
Muito tarde…
Sesshoumar se levou as mãos à cara, pressionando-se com força os olhos, enquanto o horror do acontecido aquele dia o alagava de novo; mas agora sentia as carícias de Rin nas costas, e se sentia reconfortado.
Jamais seria capaz de esquecer a imagem de seus filhos, o medo no coração. A agonia mais absoluta.
Quão único tinha amado no mundo eram seus filhos.
E só eles o tinham amado.
por que? por que tiveram que sofrer por causa de seus enganos? por que teve Narak que torturá-lo fazendo que eles sofressem?
E como pôde permitir Afrodita que todo aquilo acontecesse? Uma coisa era que não fizesse caso a ele, mas deixar que seus filhos morreram…
Por isso foi aquele dia a seu templo. Tinha planejado matar ao Narak. lhe arrancar a cabeça dos ombros e cravá-la em uma lança.
— O que ocorreu? —perguntou-lhe Rin, devolvendo-o à presente.
— Quando entrei na habitação era muito tarde —disse com a garganta quase fechada pela dor—. Nossos filhos estavam mortos; sua própria mãe os tinha assassinado. Kagura se tinha aberto as bonecas e jazia junto a eles. Chamei um médico para que tentasse deter a hemorragia —então fez uma pausa—. Enquanto exalava seu último fôlego, cuspiu-me à cara.
Rin fechou os olhos, consumida pela dor do Sesshoumar. Era pior do que tinha imaginado.
Santo Deus! Como tinha sobrevivido?
Tinha escutado numerosos relatos de tragédias ao longo de sua vida, mas nenhum podia comparar-se com o que Sesshoumar tinha sofrido. E o passou ele sozinho, sem ninguém que o ajudasse. Sem ninguém que o amasse.
— Sinto-o tanto —sussurrou ela lhe acariciando o peito para consolá-lo.
— Ainda não posso acreditar que estejam mortos —murmurou ele com a voz rota de dor—. Me perguntou que fazia enquanto estava no livro. Recordar os rostos de meus filhos; de meu filho e de minha filha. Recordar seus braçinhos ao redor de meu pescoço. Recordar como saíam correndo a meu encontro cada vez que retornava a casa, depois de uma campanha. E reviver cada um dos momentos desse dia, desejando ter feito algo para salvá-los.
Rin piscou para afastar as lágrimas. Não era de sentir saudades que jamais tivesse falado a ninguém disso.
Sesshoumar tomou uma profunda baforada de ar.
— Os deuses nem sequer me concedem cair na loucura para poder escapar a minhas lembranças. Não me permite semelhante alívio.
depois dessas palavras, não voltou a falar. limitou-se a ficar imóvel entre os braços do Rin.
Surpreendida por sua fortaleza, esteve sentada atrás dele durante horas, abraçando-o. Não sabia que mais podia fazer.
Pela primeira vez em anos, suas habilidades de psicóloga lhe falharam por completo.
Quando despertou, a luz do sol entrava em torrentes pelas janelas. Demorou todo um minuto em recordar o acontecido a noite anterior.
sentou-se na cama e tentou tocar Sesshoumar, mas estava sozinha.
— Sesshoumar? —chamou-o.
Ninguém respondeu.
Jogando a um lado o edredom, levantou-se e se vestiu depressa.
— Sesshoumar? —voltou a chamá-lo, enquanto baixava as escadas.
Nada. Nem um som, além dos batimentos do coração frenéticos de seu coração.
O pânico começou a abrir-se passo em sua cabeça. Lhe teria acontecido algo?
Entrou correndo na sala de estar; o livro estava sobre a mesa de café. Passando as páginas com rapidez, viu que a folha onde tinha estado o desenho do Sesshoumar seguia em branco. Aliviada pelo fato de que não tivesse retornado ao livro, continuou registrando a casa.
Onde estava?
Foi à cozinha e notou que a porta traseira estava entre aberta. Franziu o cenho, sentida saudades, e a abriu de tudo para sair ao alpendre.
Jogou uma olhada ao pátio até que viu os meninos dos vizinhos sentados na grama. Mas o que mais sentiu saudades foi observar ao Sesshoumar sentado com eles, lhes ensinando um jogo com pedras e palitos.
Os dois meninos e uma das meninas estavam sentados a seu lado, escutando atentamente, enquanto sua irmã pequena —de tão somente dois anos— engatinhava entre eles.
Rin sorriu ante a aprazível estampa. A calidez a invadiu de repente, e se perguntou se Sesshoumar se teria visto assim com seus próprios filhos.
Abandonou o alpendre e caminhou para eles. Bobby era o major dos meninos, com nove anos; depois vinha Tommy, com oito e Katie que acabava de cumprir seis. Seus pais se mudaram à vizinhança fazia já dez anos, recém casados e, embora tinham uma boa relação, jamais tinham passado de ser mais que amigáveis vizinhos.
— Então, o que ocorreu? —perguntou Bobby, quando chegou o turno do Sesshoumar.
— Bom, o exército estava apanhado —continuou Sesshoumar, movendo uma das pedras com um pau—, traído por um dos seus: um jovem soldado que tinha vendido a seus companheiros porque queria converter-se em centurião romano.
— Eram os melhores —lhe interrompeu Bobby.
Sesshoumar fez uma careta zombadora.
— Não eram nada comparados com os espartanos.
— Acima Esparta! —gritou Tommy—. Assim anima nosso mascote do colégio.
Bobby lhe deu um empurrão a seu irmão, e o golpeou na cabeça.
— Está interrompendo a história.
— Não deve golpear a seu irmão jamais —deu Sesshoumar com brutalidade mas, ainda assim, com certa ternura—. Se supõe que os irmãos devem proteger-se, não fazer-se danifico.
A ironia de suas palavras lhe encolheu o coração. Era uma pena que ninguém tivesse ensinado a seus irmãos essa lição.
— Sinto-o —se desculpou Bobby—. O que passou depois?
antes de que Sesshoumar pudesse lhe responder, o bebê caiu e esparramou os palitos e as pedras. Os meninos começaram a lhe gritar, mas Sesshoumar os tranqüilizou enquanto levantava Allison e a punha de novo em pé.
Acariciou levemente o nariz da pequena e a fez rir. Depois retornou ao jogo.
Enquanto chegava o turno ao Bobby para mover a pedra, Sesshoumar retomou a história onde a tinha deixado.
— O geral macedônio observou as colinas que o rodeavam; estavam encerrados. Os romanos os tinham encurralado. Não havia modo de flanqueá-los, nem de retroceder.
— renderam-se? —perguntou Bobby.
— Nunca —respondeu Sesshoumar com convicção—. A morte antes que a desonra.
Fez uma pausa enquanto as palavras reverberavam em sua cabeça. Era a inscrição que adornava seu escudo. Como general, tinha vivido honrando esse lema.
Como escravo, fazia muito que o tinha esquecido.
Os meninos se aproximaram um pouco mais.
— Morreram? —perguntou Katie.
— Alguns sim —respondeu Sesshoumar, tentando afastar as lembranças que afluíam a sua mente. Lembranças de um homem que, uma vez, foi o dono de seu próprio destino—. Mas não antes de fazer fugir aos romanos.
— Como? —perguntaram os meninos, ansiosos.
Esta vez, Sesshoumar agarrou ao bebê antes de que voltasse a interrompê-los.
— A ver —começou Julián enquanto dava ao Allison sua bola vermelha. A menina se sentou sobre o joelho que tinha dobrada, e ele a sujeitou lhe acontecendo uma mão pela cintura—. Enquanto cavalgavam para eles, o geral macedônio surpreendeu aos romanos, que esperavam que ele reunisse a seus homens em posição de falange, o qual lhes tivesse convertido em uma presa fácil para os arqueiros e a cavalaria. Em lugar de fazer o previsível, o general ordenou a seus homens que se dispersassem e apontassem com as lanças aos cavalos, para romper as linhas da cavalaria romana.
— E funcionou? —perguntou Tommy.
Inclusive Rin estava interessada na história. Sesshoumar assentiu.
— Os romanos não se esperavam esse movimento tático em um exército treinado. Completamente despreparadas, as tropas romanas se dispersaram.
— E o geral macedônio?
— Soltou um poderoso grito de guerra enquanto cavalgava em seu cavalo Mania, atravessando o campo até chegar à colina onde os generais romanos se estavam reagrupados. Eles deram a volta para enfrentá-lo, mas não foi muito inteligente por sua parte. Com a fúria que sentia no coração, devida à traição que tinha sofrido, carregou sobre eles e só deixou a um sobrevivente.
— por que? —perguntou Bobby.
— Queria que entregasse uma mensagem.
— Qual? —inquiriu Tommy.
Sesshoumar sorriu ante as ávidas perguntas.
— O general fez farrapos o estandarte romano e depois usou uma parte para ajudar ao romano a enfaixaras feridas. Com um sorriso letal, olhou fixamente ao homem e lhe disse: «Roma delenda est», Roma está destruída. E, então, enviou ao general romano de volta a sua casa, encadeado, para que entregasse a mensagem ao Senado Romano.
— Latido! —exclamou Bobby, impressionado—. Oxalá fosse meu professor de história no colégio. Assim aprovaria a disciplina seguro.
Sesshoumar alvoroçou o cabelo negro do menino.
— Se te faz sentir melhor, não me interessava nada o tema a sua idade. Quão único queria era fazer travessuras.
— Olá, senhorita Rin! —saudou-a Tommy quando por fim se deu conta de sua presença—. escutou a história do senhor Sesshoumar? Diz que os romanos eram tipos maus.
Sesshoumar olhou Rin, que estava a uns metros de distância, e lhe sorriu.
— Estou segura de que ele sabe.
— Pode arrumar minha boneca? —pediu-lhe Katie
Sesshoumar soltou ao Allison e agarrou a boneca. Pô-lhe o braço em seu sítio e a devolveu.
— Obrigado —lhe disse Katie enquanto se jogava em seu pescoço e lhe dava um forte abraço.
O desejo que refletiu o rosto do Sesshoumar fez que Rin desse uma espetada o coração. Sabia que nesse momento, ele estava vendo a cara de sua própria filha ao olhar ao Katie.
— De nada, pequena —lhe respondeu com voz rouca, afastando-se dela.
— Katie, Tommy, Bobby? O que estão fazendo aí?
Rin elevou o olhar enquanto Emily rodeava a casa.
— Não estarão incomodando à senhorita Rin, verdade?
— Não, para nada —lhe respondeu Rin. Emily não pareceu escutá-la porque seguiu arreganhando aos meninos.
— E o que está fazendo Allison aqui? supunha-se que devia estar no pátio traseiro.
— Ouça mamãe! —gritou Bobby aproximando-se dela à carreira—. Sabe jogar ao Parcelon? O senhor Sesshoumar nos ensinou.
Rin riu a gargalhadas enquanto os cinco retornavam ao jardim dianteiro, com o Bobby falando sem parar. Sesshoumar tinha os olhos fechados e parecia estar saboreando o som das vozes infantis.
— É todo um conta contos —lhe disse Rin quando lhe aproximou.
— Não acredita.
— Serio —lhe respondeu ela com ênfase—. Sabe? Tem-me feito pensar. Bobby tem razão, seria um professor estupendo.
Sesshoumar lhe sorriu satisfeito.
— De general a professor. Por que não me trocar o nome ao de Cartilha o Velho e me insultar enquanto está em classe?
Ela riu.
— Não está tão ofendido como quer me fazer acreditar.
— E como sabe?
— Pela expressão de seu rosto, e pela luz que há em seus olhos —lhe agarrou o braço e o levou de volta ao alpendre—. Deveria pensar seriamente nessa possibilidade. Sango conseguiu sua licenciatura no Tulane e conhece muita gente ali. Quem melhor para ensinar História Antiga que alguém que a conheceu de primeira mão?
Não lhe respondeu. Em lugar disso, Rin notou como movia os pés, descalços, sobre a terra.
— O que está fazendo? —perguntou-lhe.
— Desfrutando da sensação da erva —respondeu ele com um sussurro.
Ela sorriu ante o infantil de sua atitude.
— Para isso saiu?
Ele assentiu.
— eu adoro sentir o sol na cara.
Rin sabia, no fundo de seu coração, que tinha podido desfrutá-lo em contadas ocasiões.
— Vamos, prepararemos café e comeremos no alpendre.
Ela subiu em primeiro lugar os cinco degraus que levavam até o alpendre, e lhe deixou sentado em sua cadeira de balanço de vime para encarregar do café da manhã.
Quando retornou, Sesshoumar tinha a cabeça apoiada no respaldo e os olhos fechados; sua expressão era serena.
Como não queria incomodá-lo, retrocedeu.
— Sabe que todo meu corpo percebe sua presença? Todos meus sentidos são conscientes de sua proximidade —lhe confessou enquanto abria os olhos e a olhava com um desejo abrasador.
— Não sabia —disse ela nervosa, lhe oferecendo o café. Ele o agarrou, mas não voltou a falar do tema. Começou a comer em silêncio.
Absorvendo o calor do sol, Sesshoumar escutava a suave brisa e se recreava com a presença próxima e relaxante de Rin.
despertou-se ao amanhecer para contemplar, através das janelas, a saída do sol. E tinha passado uma hora desfrutando de do contato do corpo dela.
Ela o tentava de um modo que jamais tinha experiente. Por um só minuto se permitiu baralhar a possibilidade de permanecer nesta época.
E depois o que?
Só tinha uma «habilidade» que podia lhe ser útil neste mundo moderno, e não era o tipo de homem que pudesse viver alegremente da caridade de uma mulher.
Não depois de…
Apertou os dentes enquanto as lembranças o abrasavam.
Aos quatorze anos, tinha trocado sua virgindade por um prato de comida. Inclusive agora, com todo o tempo que tinha transcorrido, podia sentir as mãos da mulher lhe tocando o corpo, lhe tirando a roupa, agarrando-se febrilmente enquanto lhe ensinava como lhe dar agradar.
« Ooooh!» Cantarolou a mulher «É muito bonito, verdade? Se alguma vez quiser mais comida, só tem que vir para ver-me quando meu marido não esteja em casa»
sentiu-se tão sujo depois… tão usado.
Durante os anos seguintes, dormiu em mais ocasione entre as sombras dos portais que em uma cama acolhedora, porque não gostava de voltar a pagar esse aprecio por uma comida e um pouco de comodidade.
E se fosse de novo livre, não quereria…
Fechou os olhos com força. Não se via neste mundo. Era muito diferente. Muito estranho.
— Já acabaste?
Elevou os olhos e viu Rin de pé junto a ele, com a mão estendida esperando.
— Sim, obrigado —lhe respondeu enquanto o dava.
— Vou me dar uma ducha rápida. Voltarei em uns minutos.
Contemplou-a enquanto partia; seus olhos se atrasaram nas pernas nuas. Ainda podia sentir o sabor de sua pele nos lábios. E o doce aroma de seu corpo.
Rin o obcecava. Não se tratava dos efeitos da maldição. Havia algo mais. Algo que jamais tinha experiente antes.
Pela primeira vez, depois de dois mil anos, voltava a sentir-se como um homem; e esse sentimento vinha acompanhado de um desejo tão profundo que lhe partia em dois o coração.
Desejava-a. Em corpo e alma.
E queria seu amor.
A idéia o assustou.
Mas era certo. Não havia tornado a experimentar esse profundo e doloroso desejo de sentir um tenro abraço desde que era pequeno. Necessitava que alguém lhe dissesse que o amava, e que o fizesse de coração, não pelo efeito de um feitiço.
Jogando a cabeça para trás, soltou uma maldição. Quando ia aprender?
Tinha nascido para sofrer. O Oráculo do Delfos o havia dito.
«Sofrerá como nenhum homem sofreu jamais»
«Mas me amará alguém?»
«Não nesta vida.»
E se afastou dali totalmente fundo pela profecia. Que pouco tinha imaginado então o sofrimento que lhe aguardava.
«É o filho da Deusa do Amor, e nem sequer ela suporta estar perto dele.»
A verdade fez que se encolhesse de dor. Rin jamais o amaria. Ninguém o faria. Seu destino não era que o liberassem de seu sofrimento. Pior ainda, seu destino tinha uma trágica tendência a derramar o sangue de todos os que se aproximavam dele.
A dor lhe rasgava o peito enquanto pensava na possibilidade de que algo acontecesse a Rin.
Não poderia permiti-lo. Tinha que protegê-la a toda custo. Embora isso significasse perder sua liberdade.
Com essa ideia em mente, foi em sua busca.
Rin estava tirando o sabão dos olhos. Ao abri-los, sobressaltou-se quando viu que Sesshoumar a observava através da abertura das cortinas da ducha.
— Deste-me um susto de morte! —exclamou.
— Sinto muito.
Ele permaneceu ao lado da banheira de patas, tamanho extra grande, vestido só com os boxers e apoiado sobre a parede, com a mesma pose que tinha no livro: os largos ombros jogados para trás e os braços relaxados a ambos os lados do corpo.
Rin umedeceu os lábios ao contemplar os esculturais músculos de seu peito e de seu torso. Espontaneamente, seu olhar descendeu até os boxers vermelhos e amarelos.
Bom, dizer que nenhum homem estaria bem com eles tinha sido um engano. Porque Sesshoumar estava fenomenal. Em realidade, não havia palavras que descrevessem com exatidão.
E aquele sorriso travesso, meio zombador, que exibia nesses momentos, derreteria o coração da mais frígida das mulheres. Esse homem a punha muito, muito quente.
Nervosa, Rin caiu na conta de que estava completamente nua diante dele.
— Necessita algo? —perguntou-lhe enquanto se cobria os peitos com as mãos.
Para sua consternação, ele se tirou os boxers e se meteu na banheira com ela.
O cérebro de Rin se converteu em mingau, afligida pelo capitalista e masculina presença do Sesshoumar. Esse incrível sorriso curvava seus lábios, e fazia que o coração lhe acelerasse e que começasse a tremer.
— Só queria verte —disse em voz baixa e tenra—. Tem idéia do que me faz quando te passa as mãos pelos seios nus?
Apreciando o tamanho de sua ereção, Rin tinha uma idéia bastante aproximada.
— Sesshoumar…
— Mmm?
Esqueceu o que ia dizer quando ele aproximou a cabeça até seu pescoço. Estremeceu-se por completo ao sentir que sua língua lhe abrasava a pele.
Gemeu pela sobrecarga sensorial que supunham as carícias das mãos do Sesshoumar, unidas à sensação da água quente da ducha. Apenas se foi consciente de que lhe tirava as mãos que ainda cobria seus seios, e se levava um deles à boca.
Gemendo ao sentir a língua do Sesshoumar girar ao redor do endurecido mamilo, roçando-o levemente e fazendo-a arder.
Ajudou-a sentar-se na banheira e a jogou para trás, apoiando-a no respaldo. O contraste da fria porcelana nas costas e do quente corpo do Sesshoumar por diante, enquanto a água caía sobre eles, excitou-a de um modo que jamais tivesse acreditado possível.
Nunca antes tinha apreciado o enorme tamanho da antiga banheira, mas, nesse momento, não a trocaria por nada do mundo.
— me toque, Rin —lhe disse com voz rouca, lhe agarrando a mão e aproximando-lhe até seu inchado membro—. Quero sentir suas mãos sobre mim.
Sesshoumar se estremeceu quando ela acariciou a dureza aveludada de seu pênis.
Fechou os olhos enquanto as sensações o afligiam. As carícias de Rin não se limitavam ao plano físico, percebia-as também a um nível indefinível. Incrível.
Queria mais dela. Queria tudo dela.
— eu adoro sentir suas mãos sobre minha pele —balbuciou enquanto ela tomava entre suas mãos. Pelos deuses! Desejava-a tanto que lhe doía todo o corpo. Como desejava que, tão somente uma vez, fizesse amor.
Que fizesse amor com o coração.
A dor voltou a rasgá-lo. Não importava quantas vezes tivesse relações sexuais, o resultado sempre era o mesmo. Sempre acabava ferido. Se não se tratava de seu corpo, era no profundo de sua alma.
«Nenhuma mulher decente te quererá. »
Era verdade, e sabia.
Rin percebeu sua tensão.
— Tenho-te feito mal? —perguntou enquanto afastava a mão.
Ele negou com a cabeça e lhe colocou as mãos a ambos os lados do pescoço para beijá-la profundamente. Subitamente o beijo trocou, intensificando-se, como se estivesse tentado provar algo ante os dois.
Deslizou a mão pelo braço de Rin, até capturar a sua e enlaçar os dedos. Depois, moveu as mãos unidas e a acariciou entre as pernas.
Rin gemeu enquanto ele a tocava com as mãos entrelaçadas. Era o mais erótico que tinha experiente jamais.
Tremia dos pés a cabeça enquanto ele aumentava o ritmo das carícias. Quando introduziu os dedos de ambos em seu interior, Rin gritou de prazer.
— Isso é —lhe murmurou ao ouvido—. Sinta-nos unidos.
Sem fôlego, Rin se agarrou ao ombro do Sesshoumar com a mão livre e o corpo em chamas. Deus, era um amante incrível!
de repente, ele retirou as mãos e lhe elevou uma das pernas para passar-lhe pela cintura.
Rin lhe deixou fazer, até que se deu conta de suas intenções. Estava preparando-se para penetrá-la.
— Não! —ofegou enquanto o empurrava—. Sesshoumar, não pode.
Seus olhos flamejavam de necessidade e desejo.
— Só quero isto de ti, Rin. Deixe-me te possuir.
Ela esteve a ponto de ceder.
Mas então, algo estranho aconteceu a seus olhos. Um véu escuro caiu sobre eles, e as pupilas lhe dilataram por completo.
ficou imóvel. Respirava entre ofegos e fechou os olhos como se estivesse lutando com um inimigo invisível.
Lançando uma maldição, afastou-se dela.
— Corre! —gritou.
Rin não o duvidou.
Saiu como pôde de debaixo dele, agarrou a toalha e correu para a porta. Mas não pôde abandoná-lo.
deteve-se na entrada e olhou para trás. Viu como Sesshoumar se agachava até ficar apoiado nas mãos e os joelhos, e se agitava como se o estivessem torturando.
Escutou-o golpear a banheira com o punho fechado enquanto grunhia de dor.
O coração de Rin martelava frenético ao vê-lo lutar. Se soubesse o que podia fazer…
Finalmente, caiu exausto à banheira.
Aterrorizada, e sem poder deixar de tremer, Rin entrou no quarto de banho de novo e deu três cautelosos passos para a banheira, preparada para sair correndo se ele tentava agarrá-la.
Estava deitado no chão, com os olhos fechados. Respirava com dificuldade e parecia débil e esgotado enquanto a água caía sobre ele, esmagando as mechas prateadas sobre seu rosto.
Sesshoumar não se moveu.
— Sesshoumar?
Abriu os olhos.
— Assustei-te?
— um pouco —lhe respondeu com franqueza.
Ele respirou fundo, entrecortadamente, e se sentou devagar. Não a olhou. Tinha os olhos cravados em algo que estava a suas costas, por cima de seu ombro.
— Não vou ser capaz de lutar contra isso —disse, depois de uma larga pausa. Então a olhou—. Nos estamos nos enganando, Rin. Deixe-me te possuir enquanto estou acalmado.
— Isso é o que quer de verdade?
Sesshoumar apertou os dentes ao escutar sua pergunta. Não, não era o que queria. Mas o que desejava estava além de seu alcance.
Queria coisas que os deuses não tinham disposto para ele. Coisas que nem sequer se atrevia a nomear, porque o simples feito das pronunciar fazia sua ausência ainda mais insuportável.
— Eu gostaria de poder morrer.
Rin retrocedeu ante a sincera resposta. Como desejava poder consolá-lo. Afastar seu sofrimento.
— Sei —lhe disse, com a voz rouca pelas lágrimas que não se atrevia a derramar. Passou-lhe os braços ao redor dos fortes e esbeltos ombros, e o abraçou com força.
Para sua surpresa, Sesshoumar apoiou a bochecha sobre a sua. Nenhum dos dois pronunciou uma palavra enquanto se abraçavam. Finalmente, ele se apartou.
— É melhor que nos detenhamos antes que… - não acabou a frase, mas não era necessário que o fizesse. Rin já tinha sido testemunha das conseqüências, e não tinha nenhum desejo de repetir a experiência.
Deixou-o no quarto de banho e foi vestir se. Sesshoumar saiu lentamente e se secou com uma toalha. Escutava Rin em sua habitação; estava abrindo a porta do armário. Em sua mente, imaginou nua e a visão o avivou.
Uma demolidora quebra de onda de desejo o assaltou, golpeando-o com tal força que esteve a ponto de cair de costas ao chão.
Agarrou-se ao lavabo enquanto lutava consigo mesmo.
— Não posso seguir vivendo assim —balbuciou—. Não sou um animal.
— Sesshoumar?
Sobressaltado, deu um pequeno salto ao escutar uma voz esquecida desde fazia dois mil anos.
Jogou uma olhada à estadia, mas não viu nada.
Sem estar muito seguro de ter escutado a voz, falou em voz baixa.
— Ateneu?
A deusa se materializou diante dele, justo no oco da porta. Embora levava roupas modernas, tinha o cabelo negro recolhido sobre a cabeça, ao estilo grego, com mechas frisadas que lhe caíam sobre os ombros. Seus pálidos olhos azuis se encheram de ternura ao sorrir.
— Venho em representação de sua mãe.
— Ainda não é capaz de me enfrentar?
Ateneu apartou o olhar.
Sesshoumar sentiu o repentino impulso de rir a gargalhadas. Por que se incomodava em esperar que sua mãe quisesse vê-lo?
Deveria estar acostumado.
Ateneu brincava com um de seus cachos, envolvendo-lhe no dedo, enquanto o observava com uma estranha expressão de melancolia no rosto.
— Que conste que te teria ajudado de ter sabido isto. Foi meu general favorito.
De repente, compreendeu o que tinha ocorrido tantos séculos atrás.
— Utilizou-me em seu pulso contra Narak, verdade?
Viu a culpa refletida nos olhos da deusa antes que ela pudesse ocultá-la.
— O fato, feito está.
Com os lábios franzidos pela ira, olhou-a furioso.
— Ah, sim? Por que enviou a essa batalha quando sabia que Narak me odiava?
— Porque sabia que podia ganhar, e eu odiava aos romanos. Foi o único general que tinha que podia desfazer-se do Livio, e assim o fez. Jamais me hei sentido mais orgulhosa de ti que aquele dia, quando lhe cortou a cabeça.
Cegado pela amargura, era incapaz de acreditar o que estava escutando.
— Agora me diz que estava orgulhosa?
Ela ignorou sua pergunta.
— Sua mãe e eu falamos com o Cloto para que te ajude.
Sesshoumar se paralisou ao escutá-la. Cloto era a Parca encarregada das vidas dos humanos. A tecelã do destino.
— E?
— Se consegue romper a maldição, poderemos te devolver a Macedônia; retornará ao mesmo dia em que foi amaldiçoado a permanecer no pergaminho.
— Posso retornar? —repetiu, aniquilado pela incredulidade.
— Mas não te permitirá voltar a lutar. Se o fizer, poderia trocar o curso da história. Se lhe enviarmos de volta, deverá jurar que viverá retirado em sua vila.
Sempre havia uma armadilha. Deveria havê-lo recordado antes de pensar que podiam ajudá-lo.
— Com que propósito, então?
— Viverá em sua época. No mundo que conhece — dizendo isto, jogou uma olhada ao quarto de banho—. Ou pode permanecer aqui, se o preferir. A eleição é tua.
Sesshoumar soprou.
— Miúda eleição.
— É melhor que não ter nenhuma.
Seria certo? Já não estava seguro de nada.
— E meus filhos? —perguntou. Queria, não, desejava voltar a ver sua família, às duas únicas pessoas que tinham significado algo para ele.
— Sabe que não podemos trocar isso.
Sesshoumar amaldiçoou a Ateneu. Os deuses sempre conseguiam atormentá-lo lhe tirando tudo o que lhe importava. Jamais lhe tinham concedido nada.
Ateneu alargou o braço e o acariciou ligeiramente na bochecha.
— Escolhe com cuidado —sussurrou, e se desvaneceu.
— Sesshoumar?, com quem falas?
Piscou ao escutar ao Rin no corredor.
— Com ninguém —respondeu—. Falo sozinho.
— Ah! —exclamou ela, aceitando a mentira sem problemas—. Estava pensando em te levar de novo ao Bairro Francês esta tarde. Podemos visitar o Aquário. O que te parece?
— Claro —respondeu ele, saindo do banho.
Rin franziu o cenho, mas não disse nada enquanto se dirigia para as escadas.
Enquanto Sesshoumar ficava as calças, fixou-se nas fotografias que Rin tinha no quarto. Parecia uma menina tão feliz… tão livre. Gostava especialmente uma em que sua mãe lhe acontecia os braços ao redor do pescoço e ambas riam a gargalhadas.
Nesse momento, soube o que devia fazer. Não importava o muito que desejasse outras coisas, jamais poderia ficar com ela. O havia dito ela mesma a noite que o invocaram.
Tinha sua própria vida. Uma em que ele não estava incluído.
Não, Rin não necessitava a alguém como ele. A alguém que só atrairia a indesejada atenção dos deuses sobre sua cabeça.
Romperia a maldição e aceitaria a oferta de Ateneu.
Não pertencia a esta época. Seu mundo era a antiga a Macedônia. E a solidão.
Beijos a todos, fico feliz em saber que temos novos leitores espero que continuem acompanhando até o final. Vemos-nos no sábado.
Graziela Leon
Hay Lin
Rukia-hime
sandramonte
Meyllin
Ana Spizziolli
individua do mal
Jen Valentine
PATY SAORI
Kuchiki Rin
Beka Taishou
thata
Nota: Paty no capitulo anterior eu esqueci de dizer o nome da autora que é:
Sherrilyn Kenyon
